Início Site Página 1628

Vigário Geral abre o desfile da Série A com problemas estéticos e com comissão de frente empolgando

0

Por Victor Amancio. Fotos de Allan Duffes e Nelson Malfacini

Depois de 21 anos, a Vigário Geral voltou a desfilar na Sapucaí. Chegando da Intendente e abrindo o primeiro dia de desfiles, depois de uma chuva forte, a escola apresentou problemas estéticos com carros e fantasias com problemas de acabamento.

Destaque do desfile foi a comissão de frente que durante as suas apresentações levantou o público, sendo o ponto alto. O samba, de fácil aprendizado, cresceu na voz do interprete Tem-Tem Jr, que segurou e chamou o componente para dentro do desfile. A Vigário desfilou com o enredo “O conto do Vigário”.

vigario geral desfile 2020 055

Comissão de Frente

vigario geral desfile 2020 006

Do coreógrafo Handerson Big a comissão fez boas apresentações, salvo no primeiro módulo onde o chapéu de um dos integrantes caiu durante a execução. A comissão trazia ovelhas e um pastor que durante a apresentação se tornava um juiz, fazendo referência, aparentemente, ao juiz Sérgio Moro. No início da comissão esse líder coordena as ovelhas vestidas com a blusa do Brasil que levantavam placas com frases ditas por políticos do país e uma parcela da população como: “Meu partido é o Brasil”, “Não a ideologia de gênero”, “Fim da velha política” e etc, as ovelhas no ponto alto da apresentação se rebelam contra o juiz e encerram a coreografia com ele preso. Bem executada e dançada foi um dos destaques da escola.

Mestre-sala e Porta-bandeira

vigario geral desfile 2020 011

O casal Jefferson Gomes e Paulinha Penteado veio com a fantasia representando o Cruzeiro do Sul. Por conta da pista molhada o casal pareceu inseguro e com falta de sincronia. Fazendo uma coreografia bonita, dançando afro em um trecho da apresentação e usando referências do samba, como no trecho “Pra santo que nem olha para favela”, fazendo um gesto tapando os olhos.

Harmonia

vigario geral desfile 2020 059

Abrindo o carnaval da Série A e enfrentando a Sapucaí depois da chuva a escola cantou bem apenas com alguns componentes passando sem cantar. O intérprete Tem-Tem Jr segurou bem a responsabilidade de levar a escola e fez uma apresentação positiva, sem deixar o samba cair. Bateria e carro de som sincronizados, sem erros perceptíveis.

Enredo

vigario geral desfile 2020 078

O enredo foi bem desenvolvido, com fantasias de fácil leitura e entendimento. Os carros e o tripé faziam referências diretas ao enredo, um ponto positivo para escola. Contudo, um ponto pode prejudicar a escola, as alas 21 e 22 ao invés de estar uma seguida da outra como sugeria o roteiro de desfile foram separadas pela presença da musa Akua Apraku, que inicialmente viria após essas duas alas.

Evolução

vigario geral desfile 2020 086

Evoluindo bem, sem correria ou lentidão a escola desempenhou bem o papel do quesito, salvo alguns componentes que não evoluíam e apenas andavam durante o desfile, atrapalhando a escola e o quesito. No final do desfile isso aconteceu com mais frequência, em especial com a ala 13, que passou quase por completa sem evoluir.

Samba

vigario geral desfile 2020 024

O samba deu conta do enredo da escola, tem letra fácil e funcionou para o desfile. O refrão funcionou sendo o trecho mais cantado pela escola e foi possível ver o público acompanhando nesse trecho.

Fantasias

palhaco presidente vigario

Fantasias com materiais funcionais que deram um efeito visual positivo para escola e melhoraram a parte visual que veio desfalcada por conta da crise financeira que atinge as escolas. Palha, acetato foram materiais usados no desfile e deram um efeito bonito. Por mais que os materiais foram um acerto, a escola teve problema com fantasias caindo e desmontando ao decorrer do desfile como as alas 2, 6, 11 e 14.

Alegorias

vigario geral desfile 2020 036

O maior problema da escola que passou com os carros mal acabados. O abre-alas tinha ferro exposto na asa da arara central do carro e fios expostos. De fácil leitura o primeiro era acoplado e trazia na parte da frente o paraíso e a parte de trás a chegada do colonizador. O segundo carro tinha uma escultura relativamente grande, mas o braço parecia estar solto e dava para perceber os ferros que o seguravam.

O tripé que vinha no final do desfile, com muitos problemas estéticos, agradou o público por conta da crítica direta ao presidente Jair Bolsonaro, um palhaço com faixa presidencial e fazendo o símbolo de arma com uma das mãos. De forma geral os carros apresentaram a proposta do enredo e cumpriram a missão do enredo.

Outros Destaques

vigario geral desfile 2020 055

A rainha Eligi Oliveira levantou o público em uma das bossas quando a bateria abria para sua entrada, ela sambou bem e desempenhou de forma majestosa seu papel.

Capatazes de Maria Conga se tornaram demônios perseguidores no desfile da Rocinha

1

Alessandra rocinha

Segunda escola a pisar na Marquês de Sapucaí, a Rocinha apresentou na avenida a história de Maria Conga, princesa congolesa retirada de seu país para ser escravizada no Brasil. Ela fundou um Quilombo na cidade de Magé para proteger negros fugidos de seus senhorios. A sétima ala da agremiação retratou os capitães do mato, homens que a perseguiram, inconformados com a luta de Maria pela liberdade e direito dos negros.

Intitulada “Demônio Perseguidor”, a ala trouxe uma fantasia sombria e de tons escuros. Uma criatura verde, parecida com um dragão, adornou os ombros do componente. A integrante Rosannea Pereira, que comemorou seu aniversário de 58 anos na Avenida junto com a agremiação, afirmou que gostou muito da representatividade desse ser místico como um monstro que vagava atrás dos negros

Rosanea rocinha

“Essa ala é muito importante para o contexto da vida de Maria Conga e é bacana porque foi citada no samba da escola”, disse a componente Alessandra Rodrigues, de 40 anos. O traje, formado por uma calça cinza, blusa marrom e chapéu preto, remeteu exatamente às roupas usadas pelos capitães do mato. Como adereço, os integrantes carregaram nas mãos um chicote, objeto cruel utilizado para castigar os escravizados.

Alegoria da Vigário Geral relembra o grande golpe do Santo do Pau Oco

0

carrovigario

A segunda alegoria da Acadêmicos de Vigário Geral era uma referência ao período colonial em que os comerciantes contrabandeavam ouro dentro de imagens de santos para fugir dos impostos feitos pela Coroa. Assim como os escravos, que escondiam o ouro no cabelo para comprar sua alforria. O site CARNAVALESCO conversou com os componentes da alegoria sobre esse ‘jeitinho brasileiro’ que se perpetua até hoje.

Para Raquel Careiros, 32, as coisas não mudaram muito. “Tem tudo a ver com a atual política brasileira, onde todo mundo faz cara de santo, mas no fundo todo mundo tem alguma coisa a esconder.”

A alegoria denominada Santo do Pau Oco trazia um santo no alto do carro, que estava revestido de um amarelo cor de ouro. Com um acabamento aparentemente prejudicado. Na parte inferior do carro havia velas juntos aos santos e anjos que compunham a alegoria.

Na frente da alegoria, uma grande escultura que mostrava com clareza as imperfeições e defeitos do acabamento. Os destaques presentes no carro representavam também a riqueza contrabandeada e o quinto, o imposto real.

“Essa história que o carro traz a gente acaba vendo que é uma coisa que ainda acontece hoje em dia, mesmo que de uma forma diferente. Como o próprio samba diz, ‘a gente acende vela pro santo que nem olha pra favela’, só olham pra gente em época de eleições, prometendo favores. E o enredo também vem contando que o povo sonhava com uma nova história, uma nova eleição.”, contou Allan Pelloso, 32.

Vigário Geral 2020: ao vivo arrancada e bateria no desfile oficial

0

Vigário Geral abre desfiles da Série A com críticas políticas em seu enredo

0

A Acadêmicos de Vigário Geral levou para a Avenida o enredo “O Conto do Vigário”. Uma crítica às histórias que nem sempre são baseadas na realidade. As alas “A vaca foi pro brejo”, “Laranjas” e “A guerra dos guardanapos” foram destaques pelas críticas e referências que faziam.

Os componentes se mostraram entusiasmados e satisfeitos com as críticas que a propôs. Na ala 17, denominada ‘A vaca foi pro brejo’, os integrantes contaram qual a expectativa deles referente ao impacto que essa crítica poderia causar.

vigario geral 2

“Que o nosso governo através de uma escola de samba consiga resolver essa situação do nosso país. É muita corrupção. Você tá vendo a saúde, a brincadeira que estão fazendo com a saúde, ninguém liga pra educação. Então, que através dessa crítica as pessoas abram os olhos. A gente segue na luta, né?”, disse Maria da Graça, 72, que desfilou pela primeira vez na Vigário.

Tania Oliveira, 59, contou que acha importante que as escolas da Série A também apresentem críticas na Avenida.

“As escolas da Série A tem que mostrar o seu valor. Não é só o Especial que tem que vir falando, eu acho que nós temos que criticar também cada vez mais, mostrando ao povo que nós podemos também.”

Na ala das laranjas, quando questionada sobre o que a fantasia representava, Lucilia Martins, 56, disse em disparada “Somos as laranjas, referência ao Bolsonaro, sabe?”.

vigario geral 1

Para Ana Lucia Sandonato, 54, esse enredo é importante para que as pessoas repensem sobre as injustiças e demonstrou esperança quanto a dias melhores.

“É muito pouco caso, pouco interesse pela saúde, pela educação, por tudo, então isso fica muito chato. Só quem é laranja se dá bem. O povo brasileiro é persistente, somos fortes, somos guerreiros”, desabafou.

Na ala 19, Marcelo Gomes, 50, contou que sua fantasia representava os vigaristas.

vigario geral 3

“Representa a farra dos guardanapos na França, onde lamentavelmente mais um ladrão enganou o povo. É a farra, né? Sambaram na cara do povo, é o que vamos fazer aqui, mas vamos sambar no coração do povo”. Para ele, o enredo serve para mostrar a insatisfação do povo em forma de crítica social.

Para Paulo Lemos, 47, tudo se baseia em respeito. “A gente precisa ter respeito com a opinião do outro. Estamos criando um país muito polarizado, politicamente falando. Então é interessante que a Vigário venha com uma crítica, para que as pessoas entendam que você tem o direito de pensar de forma diferente e que tem que ser respeitado”, finalizou

Palhaço com faixa presidencial encerra desfile da Vigário Geral

0

palhaco presidente vigario

A Vigário Geral, primeira escola a desfilar no Grupo de acesso, abriu a noite de desfile da Série A com o enredo “O Conto do Vigário”. A escola optou por tratar o enredo de forma política, remetendo a como o Brasil era vislumbrado na Europa, antes mesmo da divisão dos portugueses e segue contando saques e explorações que ocorreram com o país. O tripé que encerrou o desfile, nomeado de Melhor “Já Ir” se acostumando, que é uma referência às ironias e deboches que os foliões fazem dos políticos. Trata-se de um palhaço, de terno e faixa presidencial, fazendo uma crítica ao atual presidente do Brasil.

Wellington Pereira, componente da 18ª ala, descreve a fantasia dele como um laranjal com petróleo e o número 171. Ele conta adorou o enredo crítico da escola esse ano. “O melhor jeito de sacanear um político é mostrar a honestidade do seu povo”, conta.

vigario geral 2020 1

Desfilando pela primeira vez na escola, o mineiro Vicente Campez afirma que adorou o tema do enredo.

vigario geral 2020 2

“O samba está muito bonito, a letra está legal, fala diretamente da questão política e nada melhor pra zoar um político do que o carnaval”, diz.

Rocinha faz festa para a Princesa Maria Conga em seu Abre-alas

0

 

Abre alas RocinhaEm 2020, a Acadêmicos da Rocinha levou para Avenida o enredo “A guerreira negra que dominou dois mundos” e contou a forte trajetória de Maria Conga, mulher negra que é símbolo de luta contra a escravidão e que foi consagrada pelas religiões de matrizes africanas. A primeira alegoria da escola representou uma festa na tribo congolesa de Maria, convocada por seu pai, o Rei, para celebrar seu nascimento.

O Abre-alas da agremiação trouxe em dois carros acoplados referências da estética africana, com acabamento nas cores marrom, preto e dourado. Na parte da frente, o nome da escola estava escrito em letras prateadas. Logo acima o rosto do Rei, ladeado por dois caldeirões, recebendo a todos aqueles que vieram prestigiar a chegada de sua filha. Palha, búzios e dentes de elefante decoravam toda a alegoria, assim como pinturas tribais.

Os componentes, fantasiados com trajes amarelos e distribuídos por toda a alegoria, representavam os convidados da celebração.

“Estamos representando Maria Conga. Ela foi escravizada aos sete anos e depois de muitas lutas fundou um quilombo em Magé. O carro está lindo e representa bem o momento em que ela nasceu”, afirmou a integrante Marcela Batista. Outro componente, Jhonson Rofferman, acredita que a composição do Abre-Alas está maravilhosa, pois segue exatamente o que foi descrito no samba-enredo.

Nos fundos da alegoria esculturas de negros escravizados fizeram alusão ao que Maria Conga representou na luta antiescravagista da época, pois sua chegada e história de sofrimento significou a libertação de muitos de seus irmãos e irmãs. O carro da Azul, Verde e Branca de São Conrado, que foi a segunda a pisar na Marquês de Sapucaí na primeira noite de desfiles, também recebeu a ilustre presença da velha guarda, vestida com roupas brancas e estampadas com borboletas, símbolo da escola.

Tarcísio Motta fala sobre sua atuação política a favor do carnaval

0

tarcisio

A Acadêmicos de Vigário Geral, primeira escola a desfilar na na Marquês de Sapucaí, na noite desta sexta-feira, entrou na Avenida com o enredo “O Conto do Vigário”, questionando a história oficial brasileira. O vereador Tarcísio Motta (PSOL), que faz parte da Comissão Especial de Carnaval, da Câmara Municipal do Rio, veio em um dos carros e contou ao site CARNAVALESCO que há três anos vem lutando pela fiscalização e na tentativa de convencer outros vereadores de que o carnaval é um patrimônio da cidade, deve ser respeitado e servir como política pública.

“Estamos com um projeto de lei que já foi votado em primeira e esperando ser votada em segunda para transformar o carnaval como um direito cultural do cidadão carioca. Além disso, temos tentado fazer o debate para que a prefeitura não se negue a pensar e discutir a questão da verba para o carnaval. Como vereador de oposição apaixonado por carnaval eu faço o debate, desejando que a gente possa avançar para um projeto de cidade diferente”, conta.

O vereador considera muito complicado que o poder público não perceba que a verba pública injetada nas escolas de samba tem retorno em turismo, no espetáculo, fomenta trabalho e renda, e na perspectiva de fazer com que as escolas sejam pontos de cultura nas comunidades.

“A atual prefeitura não enxerga essa oportunidade importante e claro, fazer carnaval fica mais difícil nessa situação. Mas é um carnaval feito na raça, na resistência”, diz.

Tarcísio se declara um apaixonado pelo carnaval da Sapucaí e da Intendente de Magalhães. Para ele ter um enredo crítico é ótimo porque retrata a resistência do carnaval.

“O carnaval faz parte da história do Rio de Janeiro, a gente viu no ano passado a campeã do carnaval com um enredo totalmente crítico, o carnaval sempre foi conflito, sempre enfrentou os poderes públicos, que sempre tentaram controlar de alguma forma essa manifestação cultural. Me encantei com o enredo da Vigário exatamente por mostrar essa farsa pra quem não viu, por isso eu estou muito feliz de desfilar nessa escola hoje”, afirma.

Acompanhe ao vivo: transmissão dos desfiles da Série A 2020

    0

    Ao vivo no Carnavalesco: debate sobre o primeiro dia da Série A

      0