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Qualidade e postura ousada do módulo musical são destaques em desfile da Tatuapé

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Tatuapé desfile2020027Bicampeã do carnaval de São Paulo, a Acadêmicos do Tatuapé foi a quinta agremiação a desfilar no primeiro dia de desfiles do Grupo Especial. O módulo musical foi um destaque do desfile. A ala musical apresentou variedade de arranjos, a bateria mostrou com eficiência na realização das bossas e escola cantou com um volume considerável durante grande parte da passagem da escola. A Tatuapé encerrou seu desfile com 61 minutos. A escola optou por iniciar o samba com portões fechados, e só depois da segunda passagem, o desfile se iniciou oficialmente. Madrinha da escola, a Leci Brandão abriu o desfile com muitas saudações ao público.

Comissão de Frente

Tatuapé desfile2020020O quesito da Tatuapé fez uma grande homenagem à musicalidade da cidade de Atibaia. Os bailarinos representaram notas musicais com elementos nos braços que passaram a sensação de asas. Duas variações de figurinos foram notadas, um para os homens e uma para mulher. A parte das capas também se distinguiram, a dos homens eram maiores e com variação de cores e da mulher com pequenos desenhos de notas musicais.

A personagem principal, que foi representada por uma mulher, simbolizou as inspirações para criações de canções características do local. A coreografia da ala trabalha com muita movimentação, e em grande parte dos passos são realizados em movimento. Detalhe da maquiagem igual em todos os componentes. Analisando o figurino e a coreografia, o significado não ficou claro para o entendimento imediato.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Tatuapé desfile2020035A dupla oficial da agremiação, Diego e Jussara, trouxe uma fantasia que representou “O Alvorecer e a Noite em Atibaia”. O casal utilizou o contraste entre o claro e o escuro, onde a porta-bandeira simbolizou os mistérios e encantos do alvorecer e o mestre-sala com o raiar e belezas do dia de Atibaia. Os guardiões que acompanharam eram a transição entre o dia e a noite.

O Diego e a Jussara optaram por um cortejo seguro e mais acelerado, aliando pontos de modernidade com o tradicional. O mestre-sala esbanjou simpatia no rosto e na forma de olhar para companheira. Notou-se um certo desconforto da Jussara com a parte da cintura da fantasia, porém nada que afetasse a apresentação da dupla em frente à torre 04.

Um ponto de bastante curiosidade é que o casal oficial não veio à frente da escola, geralmente no abrir da escola. No lugar, a escola optou pela evolução do casal mirim, que se fantasiaram de primeiros habitantes da região, índios e Bandeirantes.

Harmonia

Tatuapé desfile2020019O canto da escola certamente pode ser colocado com um dos grandes destaques da noite. Os componentes não pouparam vozes e, além da parte musical, evoluíam com naturalidade. O volume do canto não oscilou entre as alas, e as pronuncias de cada palavra dentro do samba foi claramente escutada. Na realização do apagão do min 32, o presidente pediu empolgação dos desfilante que passavam em frente ao recuo, e foi bem correspondido. Além do refrão principal, a subida do trecho “No templo de paz e amor” funcionou e também foi cantado com maior entusiasmo.

Enredo

Tatuapé desfile2020079O enredo da Tatuapé foi contado na avenida como uma grande homenagem à cidade de Atibaia. Pra organizar a narrativa, a escola optou pela primeira pessoa, que no caso é um violeiro que através de suas canções conta cada detalhe da cidade. Ela passou pela época de fundação, cultura, danças, folclores, entre outras. Pra quem conhece pouco sobre a região, a história seguiu com fidelidade e apresentou uma narrativa de fácil identificação.

O primeiro setor destacou exatamente as primeiras pessoas que chegaram ao local e que começaram a história. No trecho em questão, esculturas que fortaleciam uma figura simples das casas do interior foram notadas.

No setor seguido, a revolução econômica da região foi destacada através de alas de cultivos e alegoria que remetiam a proposta. O terceiro foi aproveitado para abordar o folclore e festas, mas também com destaques para pontos conhecidos, como o Salão de artesão e o Templo de Paz e Amor.

No caso do quarto, a escola optou por uma grande homenagem à Pedra grande, local bastante visitado por turistas e frequentada por jovens que praticam esportes. No espaço, a agremiação aproveitou pra concentrar mais ações justificadas. O encerramento do desfile também foi em forma de homenagem, só que destinada aos japoneses que chegaram ali. Muitas esculturas da cultura japonesa e utilização de cores que predominavam o vermelho e branco, fortaleceram a proposta.

Evolução

Tatuapé desfile2020012No quesito em questão, a proposta da agremiação foi bem atendida, poucas variações do andar foram vistas. A entrada no recuo, que foi um drama durante primeiro ensaio técnico, foi muito bem executado. O único ponto é, nos adereços de mãos da ala coreografada que compõe do recuo, que eles se chocaram com certa frequência. Com isso, a coreografia ficou comprometida.

A Tatuapé não gosta de alas que tem coreografias que utiliza muita movimentação do componente, e isso foi bem claro na avenida. Mas, mesmo com tal características, os componentes estavam soltos dentro das alas. O tamanho das fantasias prejudicou a evolução mais “natural” de quem desfila.

Samba-Enredo

Tatuapé desfile2020002A agremiação trouxe pra avenida uma estrutura de samba que combina com as características da escola e tem pontos estratégicos que trabalharam positivamente a explosão dos componentes, contribuindo também pro quesito de harmonia. O refrão principal tinha um tom alto e melodia pra cima, mas não é reta. O segundo refrão quebrou a estrutura, trazendo variações de melodias pertinentes ao enredo. A retomada da segunda estrofe trouxe um melisma coerente com a proposta, e serviu de gancho para o pico de empolgação no final dela.

O carro de som contou com cinco cantores de apoio e um intérprete oficial, Celsinho Mody. A parte vocal não economizou nas aberturas vocais dentro do samba. Assim como as cordas, que usaram e abusaram dos arranjos, desenhos, solos e dobradinhas.

Pelo que apresentaram, o carro de som demonstra manter postura ousada mesmo não sendo item obrigatório no regulamento. Por essa liberdade dada aos cavacos e violões, o carro de som da agremiação se apresenta como um das mais seguras e inovadoras.

Fantasias

Tatuapé desfile2020065Todas as fantasias da escola apresentaram uma boa qualidade de acabamento, cores e tamanhos. As divisões de cores também demonstraram a sensibilidade da escola na construção, na visão de cima a proposta é mais visível. A escola optou por peças bastante volumosas, e em alguns momentos, afetava diretamente na naturalidade. Como os enroscos entre adereços dos componentes.

Alegorias

Tatuapé desfile2020058As alegorias do Tatuapé, principalmente o abre-alas e o último elemento, trabalharam um tamanho considerável. A escola não utilizou movimentações humanas coreografadas e pouquíssimas mecânica em suas composições.

O primeiro carro estava intitulado como “Abre a porteira do meu Paraíso, canto Atibaia, inspiração da minha Alma Sertaneja”. Ali aproveitaram pra retratar a Fazenda Paraíso, e por isso esculturas de animais foram utilizados em todos os cantos, como aves, pássaros, vacas, entre outros. Uma grande escultura de violeiro, com um cachorro ao lado dos pés, compunha a parte de cima. Ela trouxe muitas cores, mas alguns pontos apresentaram falta de acabamento devido.

A segunda, nomeada como “Eu canto o trabalho nos engenhos e embalo os acordes nos trilhos do trem que trouxe o progresso e um mundo novo me fez ver!”, utilizou muitas representações de cultivo e plantio, principalmente da cana-de-açúcar que foi o primeiro produto a trazer lucro. Na segunda parte do carro, a entidade aproveitou para representar a “maria fumaça”, locomotiva que substituiu o tráfego de animais e trouxe os primeiros imigrantes italianos. O elemento soltou pedaços de papel prata e fumaças. Logo abaixo, uma ala coreografada com passos bem elaborados.

“Puxa o fole sanfoneiro, que eu vou cantar as festas da minha Atibaia!” é o nome que batiza a terceira alegoria. No caso, as culturas da cidade foram representadas, como a cavalhada, festas juninas, além da grande escultura da Matriz de São João Batista. Diferente das anteriores, ela apresentou uma pequena movimentação nos balões. Notou-se alguma falhas de pinturas, como no detalhe do abacate do canto inferior direito.

Já a quarta alegoria, “Do alto da pedra ponteio a viola e me ponho a cantar tão abençoada beleza!”, representou a fauna e a flora através de uma homenagem à pedra grande. Onças pardas, veados mateiros e gaviões estavam representados. Ela, no caso, trouxe movimentação logo acima, no personagem de asa delta. As esculturas das onças estavam bem feitas. O posicionamento das cabeças dos veados logo abaixo dos paraquedistas não deu um contexto lógico.

O último carro alegórico, “Atibaia é minha paixão, dedico essa última moda de viola para homenagear a cultura dos amigos japoneses que trouxeram pro meu chão o perfume das flores e o doce paladar dos morangos!”, trouxe esculturas japonesas, flores ornamentais, máscaras orientais e gatos da sorte. Outro ponto de destaque é o templo nipônico em homenagem a Buda.

Bateria

Tatuapé desfile2020049A Qualidade Especial, mestrada pelo Higor Silva, trouxe um andamento firme, sustentação devida do naipe de caixas e andamento alto (entre 146 e 148), confortável para o canto da escola. O surdo de terceira é bem desenhado e segue a melodia da canção. Durante a execução do segundo refrão, o naipe apresentou desenhos variados, simples, e que casavam com a proposta do trecho. Na bossa do segundo refrão, a intenção é toda trabalhada nos desenhos em que a terceira realiza, destaque nas frases do começo da segunda estrofe.

Falando especificamente sobre as paradinhas, a batucada trouxe três e um apagão. Delas, a que se iniciou no “Lá vem o trem, lá vai fumaça” foi a que apresentou mais complexidade nas informações. Frases de caixas, conversa das marcações e retomada do ritmo com duas batidas do surdo de segunda exemplificam a qualidade do arranjo.

Galeria de fotos: desfile da Tatuapé no Carnaval 2020

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Império Serrano usa tripé para falar sobre reivindicações feministas

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Com o enredo “Lugar de Mulher é onde ela quiser”, o Império Serrano encerrou a primeira noite de desfiles da Marquês de Sapucaí. A escola da Serrinha, que abordou temáticas como o empoderamento feminino e a trajetória de mulheres guerreiras, trouxe um tripé nomeado de “Poderosas, operárias e ovelhas negras”. O tripé foi uma forma de representar o período histórico marcado por lutas, protestos e reivindicações feministas. O site CARNAVALESCO conversou com alguns componentes sobre a representatividade do tripé.

Com um tamanho um pouco maior do que o esperado, o tripé tinha a predominância das cores rosa e preta, engrenagens na lateral, e ovelhas com os seios à mostra, além de megafones e a representação da Rita Lee, que compôs uma música de nome ovelha negra.

Monalisa Faustino, que desfila há cinco anos na escola, veio na ala à frente do tripé, e se sentiu representada. “Esse enredo é maravilhoso, fala sobre a minha vida, tem tudo a ver comigo, mais uma vez o Império me colocou em uma ala que representa a minha vida, eu trabalho em dois empregos e vim com uma carteira de trabalho, na frente de um carro super empoderado, quem disse que mulher não é valente?”, questiona.

Já Déia Batista, que desfila no Império há 33 anos, acha que o enredo não foi dos melhores, mas mesmo assim viu no carro uma semelhança com a sua vida. “Eu tinha que estar lá em cima, minha mãe vivia dizendo que não me aguentava, que eu era a ovelha negra da família”, conta. Para ela, a mulher está conquistando o seu espaço, mas ainda fala muita coisa.

Porto da Pedra: arrancada do samba e bateria no desfile oficial

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Debaixo de chuva, Porto da Pedra faz desfile empolgante, mas peca na evolução com enorme buraco

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O Tigre de São Gonçalo lavou, literalmente, a alma na avenida, cantando forte e com um desfile para cima, empolgando o público a escola desfilou bem, porém com problemas no abre-alas abriu um grande buraco logo no primeiro módulo de jurados. Comissão de frente muito bem dançada e sincronizada foi um dos pontos altos do desfile junto com o primeiro casal que arrancou aplausos e gritos do público em toda Sapucaí. Porto da Pedra levou para a Sapucaí o enredo “O que a Baiana Tem? Do Bonfim à Sapucaí” desenvolvida por Annik Salmon. O desfile encerrou com 53 minutos, sem atrasos.

Comissão de frente

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O quesito coreografado por Carlinhos de Jesus e Karen Ramos empolgou a abertura do desfile. Os bailarinos eram divididos entre baianas e um homem representando Exu abrindo os caminhos. Nos três módulos a comissão arrancou aplausos do público e do júri. Bem dançada, apesar da pista escorregadia por conta da chuva, os dançarinos fizeram a coreografia com tranquilidade e força. No momento final da apresentação, quando uma enorme saia era aberta e a baiana central era erguida no alto, homenageando as baianas, o ápice da apresentação aconteceu.

Mestre-sala e Porta-bandeira

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O primeiro casal da Porto da Pedra dançou muito bem. Sincronizados e bem ensaiados só tiveram um problema no primeiro módulo onde o pavilhão da escola enrolou e o casal deve perder alguns décimos. Rodrigo e Cintia exalaram alegria e força em sua dança com a fantasia representando a essência da África, que por sinal era muito bem confeccionada e contribuiu para a dança dos dois facilitando os movimentos e os gestos. Os dois se olharam o tempo inteiro da dança e confirmam ser uma grande dupla.

Harmonia

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O samba funcionou muito bem, com uma letra forte e emocionante, foi possível ver as arquibancadas e o público indo junto com a escola. Os componentes cantaram até o fim do desfile sem perder a força. O cantor Pitty Di Meneses em seu primeiro ano no comando do carro de som se destacou e puxou o tempo inteiro a escola para cantar forte. O cantor provou o potencial e confirmou ser um grande cantor. O carro de som e a bateria de mestre Pablo estavam em plena sintonia e ensaiados, as bossas foram encaixadas muito bem no canto.

Enredo

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O enredo foi desenvolvido e cumpriu a proposta. Fantasias e alegorias de fácil leitura passearam por todos os pontos do enredo. O conjunto alegórico contou a história do enredo, desde a relação de fé das baianas até a chegada no Rio e seus grandes sambas, que só foram possíveis existir por conta de uma grande baiana, Tia Ciata.

Evolução

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O grande problema do desfile. Abrindo um grande buraco logo no início da escola, a frente do primeiro módulo e deve atrapalhar a escola na apuração. Os componentes evoluíram bem, se movimentando na ala com empolgação. Sem estourar o tempo máximo a escola passou sem correria, permitindo uma boa evolução da escola.

Samba

O samba, além de ser uma obra melodicamente encantadora, tem uma letra belíssima e conta o enredo de forma completa. Sem deixar nada a desejar, o samba empolgou o público e os refrões e a última parte do samba foram os mais cantados.

Fantasias

Annik optou por materiais funcionais e baratos para vestir a escola e foi um acerto. Dando um visual muito bonito na avenida, as fantasias foram um dos pontos positivos da escola. Algumas alas, como a 4ª que trazia um tabuleiro preso à cintura dos componentes com quitutes, foram criativas e deram um belíssimo efeito visual na escola.

Alegorias

Bem acabadas e contando o enredo de forma clara, a escola passou alegoricamente bem na avenida. O Tigre veio como um tripé na frente do primeiro carro da escola. O abre-alas trouxe esculturas bonitas, bem acabadas e orixás como destaques. O público aplaudiu o carro durante sua passagem na avenida revelando a aprovação. O último carro trazia trechos de sambas históricos e exaltava as baianas mães do samba.

Galeria de Fotos: Desfile do Cubango no Carnaval 2020

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Baianas da Cubango simbolizam a riqueza dos ancestrais de Benin

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Quinta escola a desfilar na Sapucaí na sexta-feira, a Acadêmicos do Cubango levou o enredo ‘A voz da liberdade’, homenageando a figura de Luiz Gama e sua luta antiracista. O primeiro setor da escola trouxe as raízes africanas e os ancestrais da nobreza do antigo reino de Benin, na costa oeste do continente.

Inclusive, Luiza Mahin, mãe de Luís Gama, foi princesa do Reino de Benin, sendo trazida junto com seu povo para trabalhar no regime de escravidão na América. A ala das baianas representou essa riqueza africana.

“Maravilhoso esse enredo, muito bom falar da escravidão, do abolicionismo. Não só a escola de samba, mas a televisão, o museu, o teatro, a cultura em geral. E a família. Tem que falar”, alertou Cristina Pontes, que desfila como baiana na escola há oito anos.

As saias eram verde limão, com um tecido em preto e branco sobreposto. Uma máscara africana em tom de cobre ainda fazia parte do figurino, que foi muito elogiado pelas componentes da ala.

“A minha fantasia está maravilhosa! Levíssima! Só não roda se não quiser”, brincou Edinalva Ferreira, baiana da Cubango desde 1973, quando migrou de Salvador para Niterói.

“Graças a Deus a fantasia é levíssima. Ta bonita, mas o importante pra gente é a leveza… Pra poder brincar, pra poder fazer o que a gente tem que fazer tem que estar leve”, admitiu Cristina.

“Sou negra, maravilhosa, africana, descendente da África. Isso só traz alegria, porque o Brasil é mestiço. É uma união de povos. E a Cubango vem trazendo na Avenida pra todo mundo ver”, contou a baiana Edinalva, ressaltando a importância de se cantar ‘A Voz da Liberdade’. A ala das baianas veio à frente do carro abre-alas da escola.

Mancha Verde se aproxima da perfeição, faz desfile de alto nível e se credencia ao bicampeonato

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Mancha desfile2020144Na noite desta sexta-feira, a atual campeã do Grupo Especial, Mancha Verde, realizou seu desfile para este carnaval. A escola mostrou um belo desempenho em todos os quesitos e setores, como era esperado. O módulo visual da escola se destacou, tendo alegorias com esculturas belas e realistas. A agremiação também mostrou um compilado de fantasias luxuosas, recheada de plumas e integrantes com maquiagens perfeitas, nas alas em que teve o recurso. Assim como nos ensaios, o samba da escola fluiu bem e os componentes cantaram com clareza, também mostrando muita organização em na evolução. Contudo, a escola foi perfeita, como era desejado pela diretoria, e brigará novamente pelo título. Houve um problema com os cronômetros da pista e não deu para ver exatamente o tempo em que a Mancha Verde cruzou a pista. A agremiação foi para a avenida com o enredo: “Pai! Perdoai, eles não sabem o que fazem”. Nem a uma hora de atraso causada pelo problema das alegorias da Dragões na dispersão desanimou a comunidade sedenta pelo bicampeonato. Mesmo sendo apenas o quarto desfile deste ano, para ser campeã uma escola vai ter que superar o que a Mancha fez essa madrugada no Anhembi.

Comissão de frente

Mancha desfile2020037A ala veio representando os Arautos do Sagrado Coração de Jesus, sendo monges com fantasias luxuosas, nas cores vinho e dourado e uma maquiagem também dourada. A personagem destaque da comissão de frente era uma mulher, que estava vestida de ouro e representava Maria. Havia também um tripé que fazia alusão ao altar do Sagrado Coração de Jesus, com uma escultura do próprio. Os componentes da ala trocavam de posição a todo momento e interagiam com o público apontando para eles. A apresentação exaltava Maria, que doou seu ventre para que Jesus nascesse, e os monges ficavam em volta dela aparentemente a venerando.

Mestre-sala e porta-bandeira

Mancha desfile2020047O casal estava vestido nas cores de branco e ouro, com muito brilho e fizeram com que a fantasia fosse destaque, além da boa apresentação que desempenharam nesta noite. Marcelo Luiz e Adriana Gomes tiveram uma apresentação segura, fizeram sua coreografia em frente às torres dos jurados e mostraram sincronismo e uniformidade nos movimentos, principalmente na extensão do pavilhão. Não houve desencontro entre a dupla. A porta-bandeira havia sofrido com o pavilhão no último ensaio por conta do forte vento, mas nesta noite conseguiu driblar o obstáculo. A brisa era amena, mas poderia ter atrapalhado.

Harmonia

Mancha desfile2020043Toda a escola cantou forte e com clareza. Embalados pelo intérprete Fredy Vianna e o grande trabalho dos harmonias e chefes de ala, a agremiação repetiu o que fez nos ensaios, cantaram bem e teve um bom desempenho no quesito, não deve haver nenhuma penalização. Destaque para o primeiro setor, que entre todos, foi o que deu para perceber um canto mais forte dentro da pista.

Enredo

Mancha desfile2020041A Mancha Verde veio com uma proposta bem interessante. Um enredo que caiu nas graças da comunidade, sendo uma homenagem a Jesus Cristo. O tema não foi pensado na parte de contar a história de Cristo em si, óbvio que tem, mas a ideia principal foi de mostrar que os ensinamentos de Jesus na época não foram seguidos e a humanidade continua em guerra, de todas as formas. A Mancha Verde pede que é preciso lutar, o bem enfrentar o mal e não haver conflitos que predominam hoje em dia, como o racismo e feminismo.

Evolução

Mancha desfile2020071Todas as alas estavam alinhadas, a bateria fez uma entrada segura no recuo. O entendimento entre os chefes de ala e harmonias eram claros e fizeram com que a escola desfilasse de acordo com o regulamento. Não houve presença de buracos e nem invasão de alas, e mesmo com alguns costeiros altos, os componentes conseguiram se entrosar de forma satisfatória na pista.

Samba-enredo

Mancha desfile2020002É um samba que tem uma letra positiva, que prega a paz. A obra pegou nos componentes, é de fácil assimilação e a melodia para cima também ajuda na questão do canto com clareza, e foi o que aconteceu com a Mancha Verde nesta noite. Destaque também para o intérprete Fredy Vianna, que teve de cantar vários sambas na concentração pelos problemas que atrasou a entrada da escola na pista, mas mesmo assim, o puxador teve uma boa atuação e levantou a arquibancada do Anhembi.

Fantasias

Mancha desfile2020032As vestimentas da escola fizeram um misto de vários elementos. As fantasias vieram representando pecados como a vaidade e a ganância, pessoas angelicais e demoníacas até a natureza morta, algo que é derivado pelo ser humano. As fantasias estavam sensacionais. Jorge Freitas apostou em muitas plumas e alas com misto de cores. Muitas alas tinham metade da cor clara e metade escura, não houve defeitos no design das vestimentas. Destaque para a fantasia do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, nas cores branco e dourado brilhoso, deu um aspecto visual bem vistoso enquanto a dupla se movia.

Alegorias

Mancha desfile2020080A escola levou um grandioso abre-alas, nas cores de verde e ouro, representando o Natal, com componentes representando Maria, José e anjos, fazendo alusão ao nascimento de Jesus Cristo. A segunda alegoria também é grandiosa, representa o anjo e o diabo, os detalhes são perfeitos e há uma coreografia no topo, retratando o bem e o mal. A terceira alegoria é banhada de dourado, com uma escultura em uma espécie de guerreiro segurando duas espadas, que representa a justiça, e o carro alegórico também faz alusão aos advogados. O quarto carro representa a morte, na frente vem mulheres vestidas de Maria com as placas “mães de Paraisópolis” e “mães da Candelária”, fazendo alusão às mortes dos jovens, e no topo há uma escultura de uma caveira segurando uma foice, que representa a morte, outro carro perfeito no aspecto visual. O último carro representa o sopro de vida, com uma sensacional escultura de uma mulher soprando papéis, abrindo e fechando os olhos, com face bem real. As alegorias da Mancha Verde foram simplesmente sensacionais, tanto na ideia de representação, como em toda a construção.

Outros destaques

Destaque para a tradicional festa feita na arquibancada pela torcida da Mancha Verde, usando bandeirões e sinalizadores.

Galeria de fotos: desfile da Mancha Verde no Carnaval 2020

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Com problemas internos, primeira ala do Império Serrano desfila sem fantasias

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O Império Serrano foi a última escola a entrar na avenida com o enredo “Lugar de mulher é onde ela quiser”, que fala sobre o empoderamento feminino e retrata a trajetória de mulheres fortes que se destacaram pela história de luta. A Ala 1, nomeada de “Mãe, Imperiana mãe”, retratou as poderosas mães baianas, introduzidas nas agremiações para homenagear mulheres que fizerem frutificar o samba em seus primórdios. Apesar de ser uma das mais importantes do desfile, a ala não apresentou fantasia, as componentes estavam de calças e sapatos brancos e camisa da escola. Apesar disso, as componentes não reclamaram, foram a favor da presidente da escola.

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Para Rosemery Delucca, é um privilégio estar nessa ala representando mulheres tão importantes que fizeram frutificar o samba em seus quintais. Ao ser questionada sobre a fantasia, ela desabafou.

“Eu não sei nem explicar, mas é uma fantasia que faz parte da nossa escola, eu já desfilei muito em carro, em ala, mas eu não aguento mais carregar peso, por isso eu gostei, é leve”, conta.

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Fátima Malaquias, que também desfilou na ala, é uma das fundadoras da escola, e sentiu prestigiada por desfilar na ala.

“Sou presidente do conselho do negro, e falo muito sobre mulheres empoderadas hoje estou me sentindo uma delas”.

Sobre a fantasia, ela conta ao site CARNAVALESCO que já é uma mulher empoderada. “Essa é a minha imagem, estou com a minha camisa, minha bandeira, e pra mim isso é tudo”, afirma.