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Módulo musical se destaca em segundo ensaio da Colorado do Brás

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Por Gustavo Lima. Fotos: Felipe Araújo/Liga-SP

A Colorado do Brás realizou neste sábado seu segundo e último ensaio visando a preparação para o carnaval de 2020. O treino foi marcado pelo bom desempenho do conjunto musical, onde a bateria e o carro de som mostraram entrosamento em todas as partes, e isso faz com que a harmonia tivesse uma exibição melhor. No geral, o ensaio foi satisfatório, mas os departamentos devem conversar e arrumar algumas coisas no quesito evolução.

“Hoje a proposta do Colorado do Brás é a questão do livre movimento do componente, dele estar se sentindo bem, então foi isso que basicamente a gente trabalhou e conseguimos fazer. Hoje os componentes do Colorado do Brás estavam livres, soltos, leves, vieram em uma animação diferencia, o samba subiu bem, a escola teve dois momentos de apagão, então a bateria deixou de tocar e a comunidade cantou bem e conseguimos alinhar o retorno do canto, graças a Deus não houve nenhuma ocorrência. A escola veio em uma crescente muito boa, na qual a gente estava se programando, lógico que sempre vão ter alguns acertos a se fazerem, mas dentro da programação da direção da escola, o ensaio aconteceu. Nós hoje estimamos uma média de 1500 a 1800 pessoas, então a gente conseguiu atingir bastante pessoas. Pra escola foi um ensaio ótimo e animador, mas a diretoria sempre vai ter o que arrumar, mas saímos satisfeitos”, declarou o diretor de harmonia, Diego Zulão.

Samba-Enredo

É um samba bastante enérgico, levanta a comunidade, e que apesar disso, o intérprete Chitão Martins não deixou o andamento da escola cair e levantou os componentes da concentração até a dispersão. Vale ressaltar novamente o fato de a obra ser cantada em primeira pessoa, como se o homenageado Dom Sebastião estivesse contando sua própria história.

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“O ensaio foi muito bom, as alas estão cantando muito, acho que isso é muito importante, é um problema que a escola tinha e esse ano estamos vendo uma evolução, a escola está cantando bastante. O entrosamento do carro de som com a bateria está muito bom também e eu estou muito feliz, a escola está vindo em uma crescente boa e a gente tem tudo pra fazer um grande desfile e quem saber voltar no sábado para o desfile das campeãs”, comentou o intérprete Chitão Martins.

Bateria

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A bateria do mestre Allan Meira apostou em um andamento alto e com muita variação de bossas, com destaque para o arranjo que começa na segunda parte do samba e se estende até o refrão principal. Se o regulamento prevê criatividade nas baterias, a “Ritmo Responsa” mostrou que tem de sobra nestes dois ensaios do Colorado do Brás, o que irá beneficiar na questão do novo regulamento.

“Acho que houve uma evolução em questão de ritmo. Alguns detalhes a serem acertados, mas vamos trabalhar muito nessa reta final para que possa ser corrigido. E esperamos que cada componente da Ritmo Responsa mantenha o sorriso no rosto e faça do carnaval o nosso melhor momento”, disse o mestre Allan Meira, diretor de bateria da agremiação.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

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A dupla apostou bastante na execução de coreografias. O movimento do casal estava sincronizado e não houve nenhum momento em que se desencontraram na execução do bailado. Sorrindo o tempo inteiro, a dupla mostrou simpatia e se mostraram prontos para conseguir a nota máxima.

Harmonia

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A escola entrou com muita energia neste ensaio. Embalados pelas palavras do presidente Ka, a comunidade cantou forte e com clareza em todos os setores., corrigiu alguns erros que obteve no primeiro ensaio, onde alguns setores não acompanharam o resto da escola, mas desta vez foi diferente e os componentes cantaram do início ao fim do treino.

Evolução

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Houve um buraco gigante entre uma ala coreografada e a bateria, que se iniciou pouco antes da torre número oito, e só foi consertado antes da chegada da bateria ao portão final. Um erro gravíssimo que se repetido no dia do desfile oficial, custará muitos ponta a escola. De resto, não teve outros erros dentro do quesito, as alas estavam sincronizadas e com as fileiras alinhadas, mas a escola deve se atentar na formação de novos buracos.

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Comissão de Frente

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A ala aparentemente irá representar uma espécie de balé, com um componente de destaque no meio, que não deu para identificar o que ele irá representar. A comissão levou bastante integrantes para a pista e não utilizou nenhum tripé, o forte da apresentação da ala é a coreografia dentro do samba no formato de balé, que era predominante na Europa de Dom Sebastião.

Em ensaio, Wesley homenageia todos os mestres da Mangueira

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Na noite de sábado, durante o ensaio no Palácio do Samba, o Mestre Wesley fez uma homenagem a todos os mestres que passaram pela Bateria da Mangueira. Um painel com fotos de todos os mestres foi exposto no palanque da ‘Tem Que Respeitar meu Tamborim’.

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A comunidade e visitantes puderam ver as fotos reunidas dos mestres Waldomiro, Chimbico, Taranta, Alcir Explosão, Russo, Marrom, Jaguara Filho, Ailton, Vitor Art e Rodrigo Explosão.

“Era um sonho antigo desde o ano passado e eu não poderia deixar passar mais um carnaval sem realizar esta homenagem justíssima a todos os mestres que tiveram seus momentos à frente da nossa bateria”, contou Wesley.

Baile do Mestre Wesley vai agitar o Teatro Rival próximo dia 17

Um dia após o teste de luz e som da Marquês de Sapucaí com a Mangueira, o Mestre Wesley vai realizar o primeiro baile de carnaval de um mestre de bateria, no Teatro Rival, dia 17 de fevereiro, às 19h30, com presença do Molejo, Bateria da Mangueira, Rainha Evelyn Bastos, Marquinho Artsamba e muito mais.

Galeria de fotos: Evelyn Bastos arranca suspiros com fantasia em ensaio de quadra da Mangueira

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Na noite do sábado, no ensaio técnico da Mangueira, a rainha de bateria, Evelyn Bastos, usou um body cavado que exibiu suas belas curvas. A roupa foi confeccionada especialmente pelo Atelier “Top De Luxo” todo bordado em strass e pérolas.

Morre ex-coreógrafa da comissão de frente da Inocentes de Belford Roxo

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A bailarina Vivian Borges, ex-coreógrafa da comissão de frente da Inocentes de Belford Roxo, morreu neste sábado, vítima de um câncer. Ela fez parte da comissão de frente da Beija-Flor por sete anos, comandada por Ghislaine Cavalcanti.

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Vivian teve sua primeira atividade na escola da Baixada em 2007, através de um convite feito pelo então presidente Rodrigo Gomes, permanecendo até 2008, quando a agremiação sagrou-se campeã no Grupo B. Em seguida foi para Acadêmicos do Cubango, sendo responsável pela comissão, em 2010 e 2011. Retornou para Inocentes em 2015 comandando a comissão por dois carnavais.

Vivian formou-se na Academia Tereza Petsold. Foi coreógrafa do Grupo Expressão, primeiro grupo profissional de dança da Baixada Fluminense.

Série Barracões: É a Marta! Inocentes retrata e homenageia ‘Rainha’ para além dos gramados

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Por Diogo Sampaio

Camisa 10 do Brasil. Seis vezes melhor do mundo. Maior número de gols em Copas do Mundo e na Seleção Brasileira. Não é a toa que Marta Vieira da Silva, ou simplesmente Marta, é a “Rainha do Futebol”. A história da menina que deixou o sertão nordestino para conquistar os gramados do mundo, superando a pobreza e o preconceito, é o enredo da Inocentes de Belford Roxo para o carnaval 2020.

“Marta do Brasil – Chorar no começo para sorrir no fim” conta com a assinatura de Jorge Caribé que, após doze anos, retorna a Caçulinha da Baixada com um enredo e uma estética fora dos seus padrões, muito ligados a temática negra e ao uso de materiais alternativos. Para o site CARNAVALESCO, o artista contou como está sendo essa experiência:

“Saí da minha zona de conforto para assumir esse carnaval, que para mim também é novidade. Até eu estou doido para chegar o dia e vê se tudo deu certo, porque nunca tinha feito um enredo assim, sobre jogador de futebol ou ligado a esse universo. Mas a gente está levando numa boa, faltam três semanas para chegar o dia do desfile, como todas as escolas esse ano, não só dá Série A, estamos passando dificuldades financeiras, mas fazendo um carnaval digno, arrumadinho, direito. Por não ser nenhum carnaval africano, eu não consegui fazer a minha ‘xepa’: pegar uma escultura aqui, outra ali. Então, o presidente teve de se desdobrar, porque é tudo novo. Não teve nenhuma escola ano passado que falou de nada perto do nosso assunto, que eu pudesse pegar uma bola ou uma chuteira ou uma trave. Tudo foi construído a partir do zero. Muitas pessoas podem até não entender: ‘Estão sem dinheiro e colocando um carnaval desses?’. Mas vamos passar com dignidade, bonitos para brigar pela tabela de cima. Estou confiante!”, garantiu.

Sossego faz ensaio de bateria utilizando tambores de maracatu na bateria e promete ousadia no desfile

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Por Victor Amancio

A bateria Swing da Batalha foi a última a ensaiar nesta sexta-feira no Setor 11 do Sambódromo. Fazendo bossas ousadas e fazendo uso de instrumentos de maracatu, a bateria de mestre Laion promete um verdadeiro show no desfile oficial. Sem erros e embalados pelo samba na voz do intérprete Nêgo, a escola realizou um grande ensaio com a promessa de um desfile empolgante.

“O ensaio foi positivo, estamos chegando muito perto do dia do desfile oficial. O treino aqui é muito importante para o trabalho. É muita luta mas isso aqui é muito gratificante. Nossa bateria pretende inovar trazendo instrumentos de maracatu, o andamento vai estar entre 144 BPM a 146 BPM (batidas por minuto), não quero nada de correria. Levo para avenida 4 bossas e o ritmo de maracatu, uma bossa afro com um elemento cenográfico, que será um personagem, e duas bossas de impacto. Saio desse ensaio de alma lavada”, comentou mestre Laion.

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Bateria da Renascer de Jacarepaguá realizou um ensaio vibrante com a presença da comunidade

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Por Victor Amancio

Fechando a semana de ensaios de bateria, a Renascer de Jacarepaguá ensaiou com quase todos os segmentos da escola presentes. O mestre Junior e a bateria Guerreira fizeram um grande ensaio, empolgando tanto a comunidade quanto o público que estava presente. O carro de som, comandado por Leonardo Bessa, está em plena harmonia com a bateria que promete empolgar com as bossas, que estão sendo muito bem executadas. Durante uma dessas convenções a bateria faz um coreografia com todos se voltando para os jurados.

“O ensaio foi muito tranquilo, estamos conscientes de tudo que está sendo feito desde o primeiro ensaio. Eu sou muito detalhista, cobro muito e eu acredito que se o trabalho é feito da forma certa a gente colhe bons resultados. Temos pequenas coisas para acertar em questão de equalização mas é detalhe meu. O ensaio foi uma confraternização para agradecer por todo o trabalho que eles estão fazendo e se o desfile fosse hoje eu sairia daqui muito feliz. No desfile a bateria vem com o andamento de 144 BPM (batidas por minuto), 4 bossas muito bem elaboradas com cuidado para não ferir a obra”, explicou mestre Júnior.

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Série Barracões: Com águia ‘high-tech’ Portela quer reviver desfiles históricos ao amanhecer

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A história registra. Se por um lado pode ser um tanto quanto penoso e cansativo encerrar um dia de desfiles no Sambódromo, por outro a Portela tem passagens e imagens inesquecíveis desfilando com os primeiros raios de sol. Quem se esquece da águia dourada de 2004 ou da comissão de frente com o céu cor de rosa em 1983? Encerrando os desfiles do domingo de carnaval em 2020 a Portela aposta em um escala de cores que fará despertar o público no Sambódromo.

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Quem conta é a carnavalesca Márcia Lage, responsável pelo projeto do enredo ‘Guajupiá, terra sem males’ ao lado de Renato Lage. Márcia recebeu a reportagem do CARNAVALESCO no barracão para questionamentos sobre o desfile da Portela. A artista falou sobre o desafio de encerrar uma noite de apresentações.

“Estamos usando cores pensadas para explodir à luz do dia. Elementos favoráveis à iluminação da manhã. A gente vai ‘acordar’ o público. A ideia é de dar esse despertar mesmo, por sermos a última a desfilar no domingo”, explica.

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É claro que todos se perguntam. E a águia? Ao contrário de muitos carnavalescos que passam pela Portela e fazem a águia por último e guardam o segredo a sete chaves, Márcia deu pequenos detalhes do que esperar do maior símbolo dos desfiles de escola de samba. A águia será high-tech, indígena e ocupará toda a extensão do primeiro acoplamento do abre-alas.

“Foi a primeira alegoria a ser desenhada por nós. Demos uma solução, achamos meio deja-vu. Aí criamos outra. A águia vem high-tech, mas com tecnologia tupiniquim, made índio do Brasil. O movimento tem um efeito muito bacana. A águia ocupa todo o primeiro acoplamento do nosso abre-alas”, adiantou.

De uma leitura, nasce um enredo

Em tempos de crise financeira, é hipocrisia recusar patrocínios que rendam bons enredos. Enquanto a Portela buscava um apoio para o seu desfile, que acabou não vindo, Márcia mergulhava na leitura do livro ‘Rio antes do Rio’, do jornalista Rafael Freitas. Ali nascia o enredo da Majestade do Samba pra o Carnaval 2020.

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“Estávamos aguardando um patrocínio para o Carnaval 2020. Eu tinha o livro do Rafael em casa e lendo percebi que dava um enredo. Apresentamos e a diretoria da escola adorou. Tudo vem acontecendo num crescente, o samba. Acho que o canto, a evolução do portelense, o peso da Portela, formam barba, cabelo e bigode. O mais legal que descobrimos foi o Guajupiá em si. Como tornar essa coisa idílica imaginada por eles em algo real, nos dias atuais, fugindo do lugar comum. Abusamos da linguagem mais linear e limpa. Grafismos e contrastes de cor limpos. Nossa mata não é o verde puro, é uma proximidade em tons cítricos. Mas o verde bandeira não tem. Linguagem completamente figurada”, adiantou.

Quando a Portela viveu seu jejum de títulos não foi apenas o aproximar de outras escolas no ranking de campeonatos que preocupava. Os grandes artistas da festa brilhava em outros pavilhões. Rosa Magalhães, Alexandre Louzada, Paulo Barros, Renato Lage. Todos eram sonhos inatingíveis. Esse tempo passou e todos esses artistas estiveram na escola nos últimos anos. Renato e Márcia fazem sua estreia em 2020. A carnavalesca cita o carinho da comunidade e revela que apesar das dificuldades a Portela vai disputar para ganhar o seu 23º campeonato.

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“Sentimos muito esse abraço do portelense. E é recíproco. Estamos felizes de estar aqui. O peso de estar na Portela não dá nem para mensurar. É uma responsabilidade imensa você ter a incumbência de colocar a Portela na avenida. Posso dizer que os presidentes de alas estão maravilhados. Disseram que foi a primeira vez que não teve briga para pegar os figurinos, pois todos gostaram. O boca a boca daquilo que já viram para nós já está nos deixando muito felizes. Quando virem tudo na avenida, eu acho que eles vão cantar muito esse samba. A tribo vem forte”, elogia.

‘Crítica tem que ser jocosa, não panfletária’

Em um período onde muitos enredos trarão mensagens políticas incisivas, Renato e Márcia buscam outro caminho, embora o enredo da Portela tenha também seu tom crítico, incluindo indireta para governantes na letra do samba. Márcia se posiciona sobre o conteúdo da crítica nos desfiles de escola de samba.

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“Eu acho que a crítica jocosa, o meme, aquele enredo que fizemos sobre a Fama no Salgueiro, válidos. O panfleto de forma direta, no meu ponto de vista, não gosto. São 70 minutos que você tem para mostrar a sua arte. Acho que o povo está um pouco saturado disso. Mas cada um no seu quadrado. Não acho que a escola de samba tenha que ser porta-voz de nada. Eu e Renato sempre colocamos a crítica, mas de uma forma mais carnavalizada”, disse.

Renato Lage é oriundo dos estúdios de TV. Márcia nasceu artisticamente na tradicional Escola de Belas Artes. Ela revela como o carnavalesco precisa pensar nos diferentes tipos de púbico que avaliam o desfile.

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“O público que vê na TV, por mais que tentemos tornar o que ele está vendo real, os filtros de luz fazem as cores se perder. Depende do que vai ser selecionado para mostrar. Isso foge da nossa alçada. Na avenida sim, trabalhamos o equilíbrio, dos dois lados de arquibancadas, frisas e camarotes. É um cortejo pela lateral. O conjunto de canto com o visual é um espetáculo delirante. O jurado é o mais difícil de atingir. Cabeça de jurado é complicado, não temos como saber como será a recepção daquilo que estamos preparando. Está tudo muito bem explicado e defendido”, garante.

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Entenda o Desfile

Setor 1 – “O Guajupiá. Esse universo idílico, o paraíso em si”.

Setor 2 – “Aldeia carioca, a natureza, presença de fauna e flora em carros e fantasias”.

Setor 3 – “Entramos na parte da okara, um pouco da reunião da moca, os hábitos, costumes, a forma de vida. Entram tons mais terrosos, os artefatos, a palha, cerâmica”.

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Setor 4 – “A iniciação, que é a festa do Cauim. Para todos os rituais, o cauim se fazia presente. Tem tudo ver com carnaval, eles eram grandes beberrões”.

Setor 5 – “No final uma crítica ao Rio, destruindo sua paisagem natural através do concreto. É uma parte mais concreta, mais dura. Os índios se tornam fantasmas, soterrados na concretagem urbana”.

Samba Didático: Jesus da Mangueira!

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Por Victor Amancio

“Se sobrevivesse às estatísticas destinadas aos pobres que nascem em comunidades, chegaria aos 33 anos para morrer da mesma forma. Teria a morte incentivada pelas velhas ideias que ainda habitam os homens”. Com o enredo “A Verdade Vos Fará Livre”, o carnaval da Estação Primeira de Mangueira apresentará a biografia mais conhecida de toda humanidade buscando mostrar um contorno físico de Jesus Cristo diferente dos apresentados pela história. O carnavalesco Leandro Vieira debruça sobre a possibilidade de Cristo renascer no morro de Mangueira e abordará, além da diferença estética eurocêntrica, a luta contra a intolerância e a violência. O samba que passará na Sapucaí é uma obra dos compositores Luiz Carlos Máximo e Manu da Cuíca.

O site CARNAVALESCO dando continuidade à série de reportagens “Samba Didático” entrevistou Leandro Vieira para saber mais sobre os significados e as representações por trás dos versos e expressões presentes no samba da Estação Primeira para o carnaval de 2020.

‘Eu sou da Estação Primeira de Nazaré’

“Jesus Cristo passa toda sua infância, e boa parte dos seus ensinamentos são difundidos em Nazaré, então Estação Primeira de Nazaré de alguma forma rompe essa barreira do tempo e une a Estação Primeira de Mangueira a Nazaré”

‘Moleque Pelintra do Buraco Quente’

“Pelintra tem a ver com malandragem e o Buraco Quente é uma localidade do Morro da Mangueira. Este verso vem logo em seguida do verso que diz: “rosto negro, sangue índio, corpo de mulher”, o Jesus que a Mangueira vai levar para avenida pode apresentar essas três características e também ser um moleque malandro de uma localidade específica do morro, no caso, o Buraco Quente, local inclusive da fundação da Mangueira”, diz Leandro.

‘Procura por mim nas fileiras contra opressão’

“Este trecho faz referência aos homens e mulheres que lutam contra a opressão e Jesus foi um homem a favor do oprimidos. Quando a letra do samba sugere que ao olhar para as fileiras dos que lutam contra os opressores você vai encontrar a figura de Jesus Cristo pois os seus ensinamentos e os posicionamentos humanos dele se caracterizam por ele se colocar a favor dos menos favorecidos”.

‘Eu tô que tô de pendurado / em cordéis e corcovados /
Mas será que todo povo entendeu o meu recado?’

“Cordéis são cordas e cordões, o nome literatura de cordel é porque é uma manifestação que fica penduradas em cordas, cordéis e cordões então isso tem a ver com a difusão e a disseminação da figura de Jesus Cristo penduradas em cordões como pingente. É muito comum, muita gente tem um crucifixo com a figura de Jesus. Corcovados é uma menção ao Morro do Corcovado que talvez seja o contorno estético mais popular da figura de Cristo no turismo carioca, que é a escultura dele de braços abertos no topo do Corcovado. Ele está pendurado em colares, cordões, cordéis e no morro do Corcovado. O último verso questiona se mesmo com o fato da figura de Cristo ser tão popular e difundida na sociedade as pessoas de fato entenderam o recado original de Jesus”, explica o carnavalesco.

‘Profetas da intolerância’

“Tem a ver com o fato de Jesus ter combatido a intolerância religiosa do seu tempo, combateu profetas do seu tempo e o samba traz essa ideia de que Jesus combateria novamente. Vivemos em um tempo onde a gente encontra uma série de profetas, ou seja, pessoas que falam em nome da religião mas que muitas vezes disseminam ideias intolerantes. Dentro da proposta artística da Mangueira acreditamos que Jesus não estaria a favor desse discurso”.

‘Favela, pega a visão / Não tem futuro sem partilha /Nem Messias de arma na mão’

“É Jesus que se coloca, ele fala com a linguagem atual. Pegar a visão é um termo popular, uma gíria do vocabulário periférico e ele se coloca como parte disso. Chama atenção da favela, é um “se liga” não tem futuro sem partilha e nesse momento falamos em partilhar, dividir. Messias nesse trecho é o salvador e também pode ser entendido como Messias, o tal Jair Messias Bolsonaro ou outros tantos que se apresentam de arma na mão. Fica óbvio que a partir do contorno messiânico que a eleição de 2018 deu a figura do atual presidente da república e o seu gesto mais famoso que é fazer arminha com as mãos traz com força essa interpretação. E nesse caso específico, ele é um homem que usa um versículo bíblico que é: “E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” que faz ligação direta com o título que escolhi para batizar o enredo. O samba tem esse diálogo com a cena  contemporânea com esses homens que dizem falar em nome de Cristo e agem de uma forma distante dos seus ensinamentos”, enfatiza Leandro.

‘Do céu deu para ouvir / O desabafo sincopado da cidade’

“Jesus do céu ouve o desabafo sincopado da cidade, que é o carnaval. O desabafo em síncope, o momento de alegria, uma válvula de escape e do céu ele escutou o carnaval enquanto uma manifestação que liberta”.

‘Quarei tambor da Cruz fiz esplendor’

“Quarar tambor é preparar o tambor. Da cruz fazer o esplendor, que eu particularmente acho lindo o trecho, a cruz que é um artigo ligado a dor vira o esplendor que é o artigo ligado a beleza da fantasia. Ele prepara o tambor e a cruz que é sinônimo de dor vira a beleza da sua fantasia e cai no samba com a Mangueira”.

‘Mangueira samba teu samba é uma reza / Pela força que ele tem
Mangueira vão te inventar mil pecados / Mas eu estou do seu lado / E do lado do samba também’

“O trecho dialoga com uma série de poetas da música popular brasileira porque Noel Rosa já tinha dito que o samba era uma reza, Vinícius de Moraes também e a Mangueira volta a afirmar que o samba é uma reza. O samba é em primeira pessoa e Jesus fala que se coloca a favor da Mangueira indo contra aos que dizem que os desfiles das escolas de samba é um lugar de pecado, antirreligioso, demoníaco. Jesus se coloca dentro do contexto popular e diz a Mangueira sambar pois o teu samba é uma reza”, encerra Leandro.

Dragões apresenta um dos melhores ensaios técnicos de 2020 no Anhembi e sonha com título inédito do Especial

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Por Matheus Mattos. Fotos: Felipe Araújo/Liga-SP

O ensaio técnico da Dragões da Real já tinha começado antes mesmo da escola entrar na pista. A promessa da agremiação estar solta e preparada para brincar na avenida foi efetuada beirando a perfeição. O esquenta demonstrou tal força, onde cantaram hino, exaltação e samba de 2017, desfile que homenageou Asa Branca.

O clima leve também foi notado nos integrantes da comissão de frente, que dançaram em todo o esquenta. Antes do grito de guerra, o presidente Tomate relembrou momento que visitou hospital com crianças e pediu apenas alegria aos componentes.

“Tem gente que está no hospital e não consegue nem sorrir. Tem gente com problemas tão sérios, que na cama de hospital não conseguem nem tirar um sorriso do rosto. Mas eles tiram sorrisos sabe da onde? Da alma. E é essa mesma alma que a gente deixou no ensaio passado, e hoje não vai ser diferente. Agradeça por simplesmente poder sorrir”, finalizou.

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A escola trouxe dois tripés, um abrindo a escola escrito “Sorria” e outro fechando com “Alegria”. Ambos contavam com grandes emojis nas laterais. No resumo da obra, pôde-se notar uma escola com clima de desfile, perfeição em quase todos os quesitos, comunidade solta e irreverente. Com a exibição, a escola promete resultados grandiosos.

O presidente Tomate conversou com o site CARNAVALESCO sobre análise do último treino.

“A gente sabia que ia ser difícil superar o primeiro. Já tinha falado que intenção era brincar, claro que com responsabilidade. Com calma vou ter uma análise técnica, mas pela interação da arquibancada, do público, eu creio que foi um ensaio maravilhoso”.

Evolução

O quesito foi um dos pequenos pontos negativos no primeiro técnico. Com a última exibição, a escola demonstrou correção rápida e eficaz. Atrás da comissão, veio uma ala coreografada numerosa, com bastante informações e coreografias arriscadas. Um destaque positivo é a movimentação das alas durante a execução do segundo refrão. A ala da frente se move para a direita, enquanto a seguinte ao sentido contrário, e o ato é visto em toda a escola. Algo que traz um efeito visual muito atrativo. A entrada da bateria no recuo foi efetuado de forma eficaz. O estilo de desfile dos Dragões segue a característica mais compacta, e isso faz com que a invasão de alas se torne preocupante.

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Mas o que foi notado também, é a atenção dos harmonias com a organização, Principalmente, os chefes de alas que desfilam guiando na frente. Na falta de um Integrante da harmonia, os próprios componentes tentavam se corrigir, e isso sem parar de cantar, uma simples comunicação de gestos. Outra questão também a ser destacada foi a apresentação de diferentes adereços, cada uma tinha um detalhe diferente, chapéu, óculos, peruca, adereços de mãos, uma extensa variedade. O trajeto foi muito tranquilo, eles optaram por um andar mais cadenciado, proporção causada pela compactação. A escola fechou o ensaio com 59 minutos.

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Comissão de frente

Assim como os demais quesitos, a comissão de frente fez uma exibição com clima e qualidade de desfile oficial, principalmente pelo elemento cenográfico. O tripé estava todo embalado, o que dava noção de ser o oficial, mas notou-se algumas pistas. Ele contém rodas e a estrutura de um caminhão, porém com escadas e um trecho aberto nas laterais. O que mais cativa na apresentação é a preocupação da interação com a plateia. Grande parte dos movimentos são direcionados ao público, quando não, três componentes localizados acima do elemento cenográfico, pedem palmas e vibrações. A coreografia tem muitos detalhes, passos de sincronismo e movimentos acrobáticos. Toda a comissão voltou pra avenida e encerrou o treino junto à toda comunidade.

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“Foi um avanço muito grande. No primeiro a gente sentiu que precisava fazer alguns ajustes, e mudei pra hoje. Estamos chegando no ideal, lógico que falta alguma coisinha, mas de restou foi muito boa. A gente conseguiu conversar com o público, que era a minha principal missão”, disse o coreógrafo Ricardo Negreiros.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Vestidos com a tradicional vestimenta de um casal em dia de ensaio, a dupla oficial Rubens de Castro e Evelyn Silva trouxe um bailado com uma maior valorização dos passos, principalmente do cortejo. O casal tomou muito cuidado com as pausas no passos, que inclusive está inserido no critério de julgamento. Observado em frente à torre 04, eles apresentaram o pavilhão da forma devida e bailaram, com toques de criatividade que seguem a letra do samba. Assim como a comissão de frente, o casal também voltou.

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“Proposta feita, proposta realizada. Transmitir alegria é a nossa proposta, e executamos isso com muita felicidade”, contou Rubens.

“Foi um ensaio incrível, assim como o primeiro. A Dragões fez um ensaio perfeito e com uma ótima evolução. Eu estou muito feliz”, complementou Evelyn.

Harmonia

A força do canto foi notad com muita garra, porém impressão forte só foi percebida quando a bateria ainda passava ao setor B, onde realizaram o primeiro apagão. A retomada animou os componentes e evoluiu o som emitido pelas vozes. O trecho do refrão de cabeça e o “Vem comigo gargalhar” são os que são mais cantados com segurança. Analisando exclusivamente o volume, quantidade de componentes que cantavam o samba e animação, a ala “Amigos da Vila” se destacaram.

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“A leveza da nossa comunidade está cada vez melhor. A comunidade clamava pra vir mais solta, mais alegre, e a gente conseguiu isso. O samba pede muito isso, contagia o componente e isso se reflete na pista”, revelou Marcio Santana, Diretor de Carnaval.

Bateria

A batucada não economizou nas bossas. Durante a passagem ao primeiro jurado, o mestre realizou apenas um arranjo que cumpria os 16 compassos exigidos no regulamento. Na monumental, executou todo repertório para 2020. É importante destacar que, dentro do box de recuo, toda a bateria se volta pro jurado, seguido de também todo repertório. Mesmo após fechar os portões, a bateria ainda permaneceu tocando e executando variações e paradinhas.

Samba-enredo

A ala musical também foi um grande destaque. A começar pela postura do time de cordas. Em muitos trechos as cordas desenham, solam, fazem arranjos, ato que fortalece o samba. Por exemplo, no falso refrão da última estrofe “afaste a dor, vista sua fantasia”, as cordas tem solos que combinam com a letra. Até mesmo a palhetada do cavaquinista se altera, mais especificamente na retomada da segunda estrofe, onde eles tem uma atrasada proposital. Arranjo bem pensado. O time de cantores não fica pra trás. Com apenas três vozes, eles seguraram afinação de forma bastante coerente. Além de voz principal, o intérprete Renê Sobral também abria vozes e realizava variações vocais.

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“Esse ensaio foi bem melhor que o primeiro em termos de evolução. Hoje no sentido do canto, a escola tá pronta. Se botar a fantasia e ir. Sobre os arranjos, o pessoal das cordas vão fazendo conforme a bateria. A gente coloca muita coisa e com o tempo vamos limpando. 90% que apresentamos no ensaio vai pra pista”, garantiu o intérprete.

Outros destaques

Um destaque muito positivo, e que resume o ponto de com organização cuidadosa, são as faixas em todas as torres de jurados. Diferentes frases motivacionais foram espelhadas, como; sorria, cante, se divirta, entre outras.

Outra questão que merece destaque está no último setor. A Dragões da Real trouxe duas piscinas de bolinha é um brinquedo pula-pula, e com crianças interagindo com as brincadeiras.