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Análise da bateria da Vila Isabel no Carnaval 2020

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Por Matheus Mattos

Segunda bateria da noite de segunda-feira, a Swingueira de Noel aliou perfeição técnica em praticamente todo trajeto com a vibração dos ritmistas a cada instante. Até mesmo o mestre, Macaco Branco, demonstrou muita tranquilidade.

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Ainda na largada, a bateria subiu de forma pulsante e precisa, e contribuiu diretamente pro clima aguerrido do desfile. No minuto 33, na retomada do segundo apagão, a bateria apresentou um leve descompasso. Como foi distante da cabine, não deve comprometer o desempenho.

As bossas apresentadas trabalharam com eficiência a complexidade dos instrumentos da cozinha. Na que começa no “Ê viola”, as caixas tinham desenhos complexos e bem efetuados. No final dela, como ajuda para não perderem o tempo, os ritmistas contam até a bateria retomar por completo.

No geral, dois instrumentos se destacaram. Primeiro pela boa divisão da batida do tarol, segundo pela firmeza dos chocalhos. Além da execução, o leve ousou no desenho efetuado no trecho “O Curumim, o Piá e o Mano”.

A complexidade dos arranjos também foi notado nas cordas. Os cavacos e violões realizaram arpejos, solos e também desenharam dentro das bossas. O principal foi executado no final, mais especificamente no “Assim nasceu a flor do cerrado”, um solo que durou cerca de 17 compassos.

Eugênio Leal analisa o desfile da Vila Isabel

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Galeria de Fotos: desfile da Beija-Flor no Carnaval 2020

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Galeria de Fotos: desfile da Mocidade no Carnaval 2020

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Componentes da Mocidade classificam homenagem à Elza como histórica para o carnaval

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O torcedor e componente da Mocidade viu no desfile da escola a realização de um sonho. Há décadas o Independente pedia que Elza Soares fosse homenageada. E essa hora finalmente chegou. Chamada de Deusa no título do enredo, a escola homenageou a mulher que sentiu no corpo e na alma as dores da vida. Tornando-se símbolo de resistência e esperança para a comunidade de Padre Miguel.

Rodrigo Cirilo, 28 anos, desfilou na ala “Fênix – A reinvenção da Deusa”. O independente lembrou que a homenagem à Elza era um desejo antigo de toda torcida verde e branca.

“A Mocidade esteve muito emocionada durante todo o pré-carnaval. Nós compartilhamos essa emoção com todo público na Avenida. Elza é a cara da escola. Nenhum outro artista merecia tanto essa homenagem”, explicou emocionado.

Dois grandes artistas trabalharam muito no passado para transformar a Mocidade na potência que é hoje. Arlindo Rodrigues e Fernando Pinto. Com 63 anos, Ricardo José é um dos remanescentes daquela época. Nesse ano, o componente desfilou na ala que lembrou a importância de Elza para a comunidade LGBT.

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“Elza é a nossa rainha. Eu me lembro do desfile do Salgueiro em 1969, quando ela cantou ‘Bahia de todos os deuses’. Esse é o momento em que a sua voz tem que falar mais alto. É necessário lutar contra a intolerância e essa artista representa nossa história. Elza é nossa Estrela maior”, revelou.

Regina Brito desfilou na “Não existe mais quente” por 28 anos. Mas em 2020 decidiu realizar um sonho e estreou em abre-alas. A alegoria representou os primeiros anos da luta de Elza para alcançar o estrelato. A independente contou que valeu a pena esperar tanto tempo para essa homenagem.

“Demorou muito para realizarmos esse sonho, mas hoje viemos para vencer. Toda a comunidade está emocionada. Elza representa nossa cor preta, nossa raça e nossa luta diária contra discriminação”, desabafou.

Bateria da Mocidade presta homenagem à mestre André, que fez história na ‘Não Existe Mais Quente’

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A bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel, conhecida como “Não Existe Mais Quente” em tempos de Mestre André era considerada mais conhecida do que a própria escola. Ele é um dos mestres de bateria mais relembrados e exaltados na escola, já que criou junto dela as famosas ‘paradinhas’ e contribuiu para o amadurecimento de sua identidade rítmica. Na noite desta segunda-feira, o mestre foi homenageado no desfile que falou sobre Elza Soares.

Em 2019, o atual mestre de bateria Dudu realizou uma homenagem aos mestres mais notáveis da escola colocando seus rostos estampados nos instrumentos de sua bateria, Mestre André foi um deles. A tradição seguiu neste carnaval, porém com um toque especial, a bateria pisou na Sapucaí o homenageado em sua fantasia. Vestidos de Mestre André os ritmistas de Padre Miguel usavam um terno branco, estilo retrô com detalhes minuciosos, um colete de paetês, sapatos brancos, blusa sociais verde por baixo e um chapéu preto, figura em que o mestre homenageado foi mais relembrado.

Mestre Dudu ressaltou a relevância da homenagem, contou sobre a iniciativa das imagens dos mestres nos instrumentos e elogiou a fantasia de seus ritmistas.

“Estamos vivendo aqui um momento único com esse enredo da Elza que abre um leque porque ela teve uma passagem na vida do Mestre André. E o Jack teve essa sacada de nos colocar o homenageando. Essa ideia do rostos do mestres nos instrumentos eu tive ano passado com os rostos do meu pai (Mestre Coé), do Mestre André e do Mestre Jorjão e eu afirmo que enquanto eu for mestre isso irá permanecer, virou tradição. Todo mundo abraçou a fantasia, gostamos que não tem penas ou esplendor, facilita o trabalho” destacou.

Victor Oliveira é ritmista no naipe de tamborim, vai para seu terceiro ano desfilando na bateria e destaca a funcionalidade da fantasia e o peso de representar Mestre André, e ainda mais, tocando.

“Gostei bastante da fantasia da Mocidade, ele é o homem que inventou a paradinhas, ele é a tradição da nossa escola. A bateria desfilar homenageando ele e nós estarmos aqui tocando e representando isso é muito importante para a gente, eu fico muito feliz com isso. A gente dá até uma incorporada no espírito dele que está presente na nossa bateria. A fantasia é leve e não tem esplendor, esse é o mais importante para um ritmista porque o som não fica abafado e conseguimos tocar com maior tranquilidade” declarou.

Carla Patrícia, 21 anos é ritmista do naipe de caixa da escola e ressaltou a importância da homenagem e diz ter achado a fantasia leve e detalhista.

“Eu achei muito importante estarmos hoje aqui de Mestre André porque ele é uma figura importante para a Mocidade, mas não só, para a cultura do carnaval como um todo também, todas as bossas que ele inventou até hoje são referências. A fantasia está muito bonita com esses detalhes dos paetês, confortável e leve” declarou.

Integrantes da Beija-Flor comemoram resgate da escola no desfile de 2020

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Após amargar o 11º lugar no carnaval de 2019, a Beija-Flor de Nilópolis realizou um desfile digno para se reerguer com a ajuda do “povo da rua” e de sua comunidade. O último carro da escola representou muito bem o que o enredo pretendia apresentar, entre o real e a imaginação. A alegoria “Nas asas do Beija-Flor o voo mágico na rua do Marquês” possuía diversas esculturas prateadas, entre elas, um grande Beija Flor na parte da frente junto à Praça da Apoteose e um grande diamante ao centro.

Com muita iluminação e brilho, realçando ainda mais as esculturas do carro. A presença da velha guarda se fez essencial por conseguir retratar a imagem de tradicionalismo e ápice para o desfile. Na iluminação, diversos LEDs azuis faziam referência direta com as cores de Nilópolis. Apesar da imagem luxuosa, o carro aparentava falhas de acabamento principalmente na pintura e formatação das esculturas ao redor da alegoria.

Integrantes da Velha Guarda que estavam presentes no carro, afirmaram que era muito interessante a concepção da obra e o brilho era o diferencial. Mário Castro, que foi durante 27 anos integrante da bateria nilopolitano gostou muito da alegoria.

“O carro era muito bonito, luxuoso e com uma boa iluminação. O balanço dele foi muito interessante no funcionamento na avenida. Escola estava linda. Desfilamos como Beija-Flor”.

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Outro componente do carro, Pelezinho, afirma que está na agremiação há 57 anos, desde quando a escola era pouco conhecida.

“Estou na Beija-Flor antes mesmo das pessoas saberem o que era a escola. O carro estava muito bonito e fizemos um desfile tranquilo”, contou.

Abre-alas da Tijuca homenageou o Rio de Janeiro

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Unidos da Tijuca foi a quarta escola a desfilar na Sapucaí na noite de segunda-feira. Com o enredo ‘Onde Moram os Sonhos’, a escola veio contando a história da arquitetura e urbanismo, tendo como intuito mostrar a capacidade de criação do homem em diversos espaços que servem de abrigo para diferentes atividades.

A escola abriu o desfile com um enorme abre-alas que fazia uma homenagem à cidade do Rio de Janeiro, mostrando a construção do Cristo Redentor. O pavão, símbolo da escola, esteve presente em todo o carro na cor branca. Dois gigantes animais vieram na parte frontal da alegoria, e nas suas penas fitas métricas estavam representadas.

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A cor escura foi predominante em todo o carro. Mas segundo Rafael Mota, 36, a cor foi proposital para indicar a poluição da cidade.

“A característica do carro preto significa que estamos trazendo a arquitetura e o urbanismo de uma maneira prejudicial. A gente vem mostrando a poluição, abrindo desfile de uma maneira mais triste”, explicou ele. Os componentes do carro representam operários construindo a imagem do Cristo Redentor.

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Durante o desfile, a imagem localizada no topo do carro se erguia, rodava para os dois lados da Avenida e fazia um sinal de agradecimento ao público.

Mocidade traz alas sobre resistência das minorias em homenagem à Elza Soares

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A Mocidade Independente escolheu uma das mulheres mais ilustres do bairro de Padre Miguel para homenagear no carnaval de 2020. “Elza Deusa Soares” é o titulo do enredo que narra a trajetória da cantora que se tornou porta-voz da luta contra opressões como o racismo, o machismo e a lgbtfobia. Aos 89 anos de idade, a cantora se mantém ativa em sua carreira artística, lançando discos e fazendo shows.

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A ala 24 foi batizada de “Alvo – Não é bala perdida, é bala autografada”, fazendo alusão ao caso da menina Agatha, atingida por um tiro enquanto voltava pra casa, no Complexo do Alemão. A fantasia trouxe a cabeça do componente envolvida por um alvo vermelho e amarelo. Na parte de baixo, um tecido preto e branco com barracos desenhados, mostrando que os moradores das comunidades tem sido alvo principal da violência urbana.

Junior Romano, de 45, se mostrou empolgado com o enredo.

“Estava mais que na hora da Mocidade trazer essa bela história da mulher negra e guerreira nascida na Vintém”.

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A Ala 25, “Canto de luta – Porta-voz LGBT” falava sobre a força da voz de Elza ecoando contra todo o preconceito e a violência sofrida pela comunidade LGBT. O figurino era brilhante e colorido, com predomínio da cor amarela. Estrelas rosas davam um toque especial na fantasia, que ainda contava com um escudo representando a resistência LGBT. “Elza é nossa. Elza é da Vila Vintém, assim como eu. Ela está a altura da Mocidade”, confessou Kelly Fermont, de 50 anos, que sai na escola há mais de dez anos.

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A ala seguinte se chamava “Canto de Resistência – Porta-Voz das mulheres”, que mostrou como a cantora se tornou instrumento de denúncia diante dos casos de violência contra as mulheres. O figurino era preto e dourado, fazendo referência ao cabelo black power, que se tornou marca da cantora. No peito do componentes, um punho cerrado em rosa simbolizando o feminismo presente nas músicas de Elza. E na cabeça, uma boca aberta com a palavra “Basta” saindo de dentro. Vânia Estela, 45 anos, sendo 30 só de Mocidade, classificou sua fantasia como “A resistência da mulher brasileira, que luta, quer vencer”.

Na ala 27 “Canto que Reverbera – A carne mais barata não está mais de graça”, fez uma relação direta com a música ‘A Carne’, lançada por Elza em 2002. A roupa era uma caixa de som preta e cinza, com vários barracos coloridos e um punho negro cerrado na cabeça dos componentes.

Cléber Luis, de 40 anos, contextualizou sua vestimenta.

“Nossa ala vem falando sobre a favela, aonde Elza foi a resistência negra”. Ele ainda exalta a escolha do enredo deste carnaval. “Foi um excelente samba escolhido a dedo. Ela merece. Nascida e criada dentro da Vila Vintém, dentro da comunidade”.

Ousadia: Baianas da Tijuca representam símbolo arquitetônico de Brasília

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Com um enredo sobre arquitetura, a Unidos da Tijuca escolheu a ala das baianas para representar um dos maiores símbolos arquitetônicos do país: a catedral de Brasília, que foi inaugurada em 1970 e é considerada o primeiro monumento da moderna capital do Brasil.

Na saia das matriarcas, a catedral estava representadas nas cores branca e em diferentes tons de azul e passavam a impressão de que as baianas flutuavam refletindo a leveza dos traços modernistas e a luminosidade dos vitrais. Na cabeça, a catedral também estava representada de cabeça para baixo.

“Apesar de muito pesada, essa fantasia está linda e a gente vai passar bem. A emoção é a mesma da primeira vez, quando toca a bateria, o coração acelera e arrepia tudo”, contou Jessica Marconino, 25, que é baiana na escola há quatro anos.