A Unidos da Ponte retornará com a ala das crianças. Numa iniciativa do presidente Rosemberg de Azevedo, a coordenação ficará por conta de Luciana Araújo e Marcos Malvino, que já planejam ações para a garotada.
Luciana ficou por seis anos responsável pela ala das crianças da Beija-flor de Nilópolis e quer passar o valor de uma agremiação para os componentes.
“Devemos sempre mostrar as crianças que o Carnaval é uma grande brincadeira, mas com responsabilidades. Transmitir o amor e respeito ao pavilhão, em primeiro lugar”.
Marcos é fundador da ONG Odara e atualmente faz parte da diretoria do Projeto Cultural Resenha da Sambaixada.
“Já tem planejamentos como festivais na quadra, com os pais e as crianças para terem uma aproximação maior com a escola”.
Wantuir é o nome artístico de Wantuir de Oliveira Tavares, nascido em Belo Horizonte e criado desde menino em Duque de Caxias, onde iniciou sua carreira como cantor no extinto bloco Acadêmicos de Caxias. Sua carreira de intérprete começou a tomar forma quando acompanhou Dominguinhos do Estácio pelas escolas em que passou. Em 94 veio a sua estreia à frente da Acadêmicos do Cubango. As 62 anos de idade, ele construiu sua trajetória no carnaval em cerca de 20 escolas ao longo dos anos. Em conversa com o CARNAVALESCO, o cantor conta sobre seu retorno para a Unidos da Tijuca em 2019, fala dos os momentos que viveu em sua carreira e cita ainda do carinho que sempre terá pela Grande Rio.
O que representa para a sua carreira ter voltado para a Unidos da Tijuca em 2019?
Wantuir: “Voltar para a Tijuca é mesmo estar matando a saudade daqui e de toda essa gente, do carinho, respeito e profissionalismo que eu sou e sempre fui tratado aqui dentro. E acima de tudo, de voltar a fazer parte dessa família, não é só um símbolo ou mais um escudo, essa é mesmo minha família tijucana”.
Wantuir: “Esse ‘adoro,adoro’ é do Alex de Oliveira, que já foi rei momo. Nós já viajamos muito juntos e uma vez nós fizemos uma temporada boa no Japão de 5 anos e ele sempre chegava assim nos locais e falava direto essa expressão, daí eu brinquei com ele, falando que um dia iria botar isso no samba. E acabei colocando mesmo e deu certo, onde eu chego as pessoas me recebem com o ‘adoro, adoro’ e sempre gostam, é bem legal você fazer um símbolo desse, que é pequeno, mas tomar essa grandiosidade que teve no meio do samba. E agradeço o Alex também, porque acabou virando minha marca mesmo”.
Como foi a experiência de trabalhar com o Laíla em 2019?
Wantuir: “Foi um ano mesmo de aprendizado, ainda mais poder trabalhar ao lado desse monstro sagrado do carnaval. Você tem que aproveitar que se está do lado dele para aprender mais, tanto para mim quanto para a Tijuca também foi um ano de grande aprendizado”.
Quando você saiu da Grande Rio foi uma bomba no mundo do samba. Foi uma decisão fácil?
Wantuir: “Foi um desentendimento, um mal entendido que até hoje, infelizmente, por mais correto que você seja, sempre sobra para o profissional. Claro que a grande estrela do carnaval é a escola, mas em certos momentos as pessoas acabam sendo injustas, principalmente comigo que não foram muito legais. Mas não posso também reclamar muito, eu sou fruto da casa lá, sou ‘minhoca da terra’. Tenho minha família e meus amigos que desfilam na escola e torço para que ela se mantenha sempre no Especial, que está demorando tanto para conquistar um título mas sei que uma hora ele vem sim. Não é mágoa, mas é tristeza mesmo, de saber que eu estava dentro de casa e acabei não ficando mais”.
Os julgadores questionam muito os cacos dos cantores. Mas um intérprete precisa mexer com a comunidade. O que você pensa sobre os cacos no desfile?
Wantuir: “Sem ser melhor ou pior do que ninguém, mas eu costumo fazer o meu caco e continuar cantando, quando eu faço a minha brincadeira eu não paro e depois retorno o canto. Quando eu faço a chamada é só mesmo em algum intervalo de uma estrofe para a outra, é onde eu procuro fazer isso. E eu acho que os julgadores deveriam ter um pouco mais de cuidado também, porque às vezes se penaliza um cantor ou uma harmonia com uma justificativa pífia e que muitas das vezes não tem nada a ver, o que a gente fica triste é de ser mal julgado”.
O seu entrosamento é perfeito com o mestre Casagrande. O que pode falar dele?
Wantuir: “Isso veio da convivência mesmo, essa parceria. A Pura Cadência é uma bateria laureada, já ganhou diversos prêmios no carnaval e hoje a bateria da Tijuca é mesmo um espelho para as outras, você nos nossos ensaios técnicos os diretores de outras baterias chegam para tocar com ela, virou uma referência, pela disciplina, pelo jeito de tocar. A bateria da Tijuca toca para a escola, porque existem aquelas baterias que fazem o que o jurado quer para não tomar a nota errada. Aqui é diferente, não se tem essa preocupação, é feito para o samba enredo escolhido, e há um estudo em cima disso, a gente conversa bastante para encontrar o melhor caminho. Para que, acima de tudo, não seja só eu aparecendo ou sou o Casão e a bateria, mas sim a nota boa para a escola com uma boa colocação”.
Você despontou lá atrás na Porto da Pedra com o samba de 96 (“A Folia No Mundo – Um Carnaval dos Carnavais”). É o maior samba da sua vida?
Wantuir: “Eu tenho vários sambas que poderia falar que foram ‘o da minha vida’, mas esse foi o meu começo, para ser sincero eu particularmente achava que não ia ser muito bem recebido, achava o samba muito simples, eu sou um cara mais apaixonado por sambas enredo como aqueles de grandes melodias, mas esse me surpreendeu e foi mais uma prova de que samba é na Avenida, porque pode se estar com um samba lindo e maravilhoso e chega lá na hora e nada acontece. E esse chegou na Avenida e cresceu. A gente tem que esperar esse momento mesmo para ver o rendimento e se o samba
acontece”.
Se você pudesse escolher um samba que você não cantou e gostaria de ter cantado, qual seria?
Wantuir: “Tem um samba que eu estava cantando aqui na Tijuca em 2003 (“Agudás, os que levaram a África no coração, e trouxeram para o coração da África, o Brasil”) e acabei saindo daqui, fui para o Império Serrano, e naquele ano a Tijuca estava com um samba maravilhoso, sensacional eu gostaria de ter cantado ele na Avenida com certeza”.
Mestre Marcão comandou por 15 anos a bateria Furiosa do Acadêmicos do Salgueiro. Deixou a escola após a crise política que a escola enfrentou no pré-carnaval de 2019. De casa nova, depois de dois anos sem estar à frente de uma bateria no Rio de Janeiro, o premiado mestre chega como reforço do Paraíso do Tuiuti.
Ele conversou com o site CARNAVALESCO e falou dessa chegada e agradeceu o presidente Renato Thor pelo convite.
“Estou muito feliz em estar de volta e poder mostrar, mais uma vez, o meu trabalho na Marquês de Sapucaí. Sem dúvida, quem tem a ganhar é o público que ali está para assistir ao espetáculo. Quero agradecer ao presidente Thor pela confiança e mostrar mais um ano o trabalho com transparência, humildade, dedicação e comprometimento. Sou grato pelo carinho e espaço”.
Marcão explicou que o tempo que ficou ‘de fora’ serviu para ele entender a importância do cargo e que tem que diferenciar quem está ao seu lado.
“O que ficou de aprendizado após esses dois carnavais fora da Sapucaí foi saber bem quem pode estar ao seu lado pois é um cargo que é bastante almejado. Todos querem uma chance de ser mestre mas tudo tem o seu tempo. Foi assim que eu aprendi, desde 1984 na bateria do Salgueiro. Fiquei 15 anos na frente da Furiosa, mas não precisei derrubar ninguém para estar ali”.
Sobre o trabalho no Camisa Verde e Branco, em São Paulo, o mestre diz ter gratidão e traz de aprendizado a transparência com a escola de modo geral.
“Dentro da bagagem de São Paulo de volta para o Rio trouxe uma coisa muito importante: ter transparência com todos desde o porteiro até o alto escalão. Não foi fácil a minha chegada no Camisa mas também não foi difícil trabalhar lá. A ideologia de trabalho era diferente do meu trabalho mas adaptei rápido juntando o útil ao agradável. Gratidão a todos da bateria furiosa da Barra Funda”.
Por muitos anos, treze carnavais ao todo, mestre Ricardinho comandou a bateria Super Som. Marcão elogiou o trabalho dele, porém explicou que trabalha com uma filosofia diferente.
“O mestre Ricardinho é muito competente no trabalho que ele desenvolve, porém ele tem uma filosofia de trabalho diferente da minha. Eu tenho um outro modo de trabalhar e já estou em contato com os diretores para quando começarmos estar tudo pronto”.
Muito querido e admirado no mundo do carnaval, Marcão falou das mensagens que recebeu e da vontade de seus ex-ritmistas em voltar a tocar com ele.
“Se deixar vou ter que levar duas baterias. Quando eles souberam já avisaram que queriam estar lá comigo. Eu deixei o meu filho, Marquinhos, a vontade para escolher mas o convite eu não pude deixar de fazer. Tem ritmistas e mestres de SP querendo vir e isso é muito gratificante, saber que você é bem visto em outras baterias. Mas a princípio já dividimos os naipes, eu e os diretores”.
Pensando no início dos ensaios, Marcão explicou que tem uma data marcada mas que tudo depende da pandemia que atinge o mundo.
“Estávamos com a data marcada para o dia 4 de maio, mas vamos ver se até lá acaba a pandemia. Peço por favor a todos que não saiam de casa. Estou em casa porque tenho bronquite)”.
De olho no Carnaval 2021, o presidente da Porto da Pedra, Fábio Montibelo acertou a renovação do contrato do intérprete Pitty de Menezes, que fará o seu segundo ano como cantor oficial da agremiação.
Um dos principais destaques do tigre gonçalense no último carnaval, Pitty agradeceu o apoio da escola.
“Meu agradecimento especial ao meu carro de som, que sempre estiveram ao meu lado, me apoiando em momentos difíceis ou bons. Somos um família! Quero agradecer a toda a diretoria de harmonia, com um trabalho muito unido, conseguimos nosso maior objetivo que foi a nota máxima e com certeza, em 2021, iremos trabalhar mais ainda para alcançarmos a nota máxima e o nosso sonho que é título, e a volta para o grupo especial. Ao diretor de carnaval, Junior Cabeça, que sempre me deu apoio e palavras de incentivo. Estamos juntos por mais um ano! Agradeço também ao diretor social, Miguel Sobrinho, que foi um dos responsáveis por eu estar nessa escola, que eu tanto amo. Quero agradecer a essa comunidade que não ficou calada um só minuto. Cantou o tempo inteiro o samba, na avenida. Convoco essa comunidade para que no carnaval de 2021, possamos cantar ainda mais. Rumo ao carnaval 2021”, disse o intérprete.
Em 2020, a Unidos do Porto da Pedra conquistou a terceira colocação com o enredo “Ó que é que a baiana tem? Do Bonfim à Sapucaí”, que foi desenvolvido pela carnavalesca Annik Salmon.
A Portela vai abrir espaço em suas redes sociais para divulgar gratuitamente produtos e serviços de pequenos empreendedores de Madureira, Oswaldo Cruz e bairros vizinhos. Trata-se do projeto Portela Por Todos, que visa dar uma força para quem teve suas vendas drasticamente reduzidas diante da pandemia do coronavírus.
Se você tem um pequeno negócio que entrega em casa ou oferece serviço delivery em Madureira e região, basta enviar um e-mail para [email protected], com informações sobre o produto, redes sociais da empresa, telefone, se usa aplicativos de entrega e a área de abrangência. As informações serão organizadas e divulgadas nos canais oficiais de comunicação da maior campeã do carnaval carioca.
A Portela, que completa 97 anos de fundação neste sábado, também produzirá máscaras de tecido para a comunidade e aventais para profissionais de saúde. A iniciativa faz parte de uma força-tarefa coordenada pela Liesa, que vai unir costureiras e outros funcionários das escolas do Grupo Especial.
Dois desfiles campeões na Vila Isabel ficaram marcados pelo samba-enredo e agora estão na série “Duelo dos Desfiles”. Abaixo, você confere um pouco dos dois desfiles escolhidos e pode votar no seu inesquecível. O resultado sai na sexta-feira. “Kizomba, festa da raça”, de 1988, teve Martinho da Vila como autor e foi desenvolvido pelo trio Milton Siqueira, Paulo César Cardoso e Ilvamar Magalhães. “A Vila canta o Brasil celeiro do mundo – Água no feijão que chegou mais um…”, de 2013, foi desenvolvido pela carnavalesca Rosa Magalhães.
“Hoje, o samba, homenageia o agricultor! Os sambistas celebram e eternizam esse personagem de real valor! A viola se junta aos pandeiros, chocalhos e surdos de primeira, para unir a cultura do sambista com a do homem do campo, numa grande festa de celebração da colheita. E, neste palco iluminado, por confetes e serpentinas, a Vila de Noel e de Martinho vem homenagear essa figura notória, original e bem brasileira: o agricultor. Ele merece o nosso respeito!!! É o agricultor brasileiro ajudando a alimentar o mundo!!!”, trecho retirado pela sinopse do enredo de 2013.
“Kizomba é uma palavra do Kimbundo, uma das línguas da República Popular de Angola. A palavra Kizomba significa encontro de pessoas que se identificam numa festa de confraternização. Do ritual da Kizomba fazem parte inerentes o canto, a dança, a comida, a bebida, além de conversações em reuniões e palestras que objetivam a meditação sobre problemas comuns”, trecho retirado da sinopse de 1988.
Pelo site CARNAVALESCO, Renato Palhano escolheu 1988 e Rennan Laurente pegou o ano de 2013. Abaixo, você confere as duas defesas.
Vila 1988 (Por Renato Palhano): “Marcado como um dos desfiles mais emblemáticos da história moderna do carnaval, Kizomba, Festa da Raça, de 1988, trouxe o primeiro título da história da azul e branco de Vila Isabel. Até hoje o desfile serve como referência para escolas que não presam muito pelo luxo, mas veem na raça o maior combustível para se ganhar o carnaval. Esse foi o desenho perfeito da vila Isabel de 88, já que a escola passava por dificuldades e não tinha nem uma quadra para realizar seus ensaios. O desfile foi repleto de simbolismo: várias alas e carros da escola carregavam uma carga forte de emoção e garra do povo negro, em uma verdadeira catarse, já que naquele ano de 88 a abolição da escravatura oficial completavam 100 anos. O desfile foi tão impactante que a Vila campeã não pode desfilar no sábado das campeãs, já que uma chuva torrencial atingiu o Rio de Janeiro em cheio, cancelando os desfiles de sábado. Outro ingrediente que faz desse desfile um evento lendário”.
Vila Isabel 2013 (Por Por Rennan Laurente): “O desfile da Unidos de Vila Isabel 2013 foi inesquecível em diversos pontos, tanto que conquistou mais um título para a terra de Noel. Com o enredo sobre a vida no campo e o famoso refrão: “Festa no arraiá é pra lá de bom”, a grande Rosa Magalhães trouxe um desfile bem colorido e animado, mostrando a realidade e o canto animado. A Swingueira de Noel veio com um ritmo diferente e 100 componentes fizeram um grande arraiá na frente das cabines de julgadores. Encerrando o carnaval daquele ano, como mesmo dizia o samba: “A Vila vem colher felicidade no amanhecer.” E colheu! Sem dúvida, esse foi o melhor “caminho da roça” que uma escola já fez no carnaval carioca”.
A Tom Maior anunciou na noite desta quarta-feira seu enredo para o Carnaval 2021. A escola utilizou suas redes sociais para fazer uma campanha com dicas antes do lançamento oficial do tema para o desfile do ano que vem. A escola levará para Avenida o enredo “O pequeno príncipe no sertão”. O livro “O pequeno príncipe em cordel”, do autor Josué Limeira, terá a adaptação da linguagem pela Tom Maior.
“O Flávio se identificou logo no primeiro momento com o enredo. Juntamos duas propostas. É um presente esse enredo. Li duas vezes o livro e agora estou relendo. Vamos mostrar uma história universal, como é a do Pequeno Príncipe, e juntar com o Nordeste do nosso país, que é tão rico”, disse a presidente Luciana Silva.
O enredo de 2021 foi apresentado para a presidente da escola pelo diretor de carnaval, Judson Sales, que recebeu a aprovação da dirigente e contou com a coparticipação do carnavalesco. O desfile mostrará na avenida toda a magia e os ensinamentos de alguns dos personagens mais famosos da literatura universal (como a Rosa, a Raposa e a própria realeza), transportados para o cenário da nossa região mais humana e calorosa, o Nordeste do Brasil. Uma viagem lúdica e comovente do carnavalesco Flávio Campello que tem como pano de fundo o folclore e as tradições desta região.
O carnavalesco Flávio Campello falou do período vivido por todos no combate ao novo Coronavírus e o futuro.
“Muita gente me pergunta o que será do mundo após esse período de quarentena? Defino com uma palavra: reencontro. Isso que todos nós estamos almejando. A nossa proposta vai de encontro com tudo isso. Vamos levantar a bandeira da reflexão e do que temos lutar e batalhar diariamente para conquistar. Será valorização dos sentimentos e da amizade”, disse o artista.
“Peguei um Ita no Norte”, de 1993, foi escolhido por 61,8% dos internautas como o vencedor do “Duelo dos desfiles” contra o Tambor, de 2009, que recebeu 38,2%.
“Peguei um Ita no Norte”, o famoso “Explode Coração”, foi desenvolvido pelo carnavalesco Mário Borriello. “O enredo escolhido pelo G.R.E.S. Acadêmicos do Salgueiro para o carnaval 1993, “Peguei um Ita no Norte”, tem por objetivo prestar uma homenagem ao valente migrante nortista/nordestino, que veio contribuir, com sua vontade e perseverança para o desenvolvimento e progresso das outras regiões brasileiras. Mostra, através de sua viagem, um mosaico de folclores, tradições e costumes de partes de nosso país, procurando manter sempre vivas as diversas manifestações culturais que fazem a história de um povo”, trecho da sinopse da escola.
Pelo site CARNAVALESCO, Eduardo Fonseca escolheu 1993 e fez a defesa abaixo.
Salgueiro 1993 (Por Eduardo Fonseca): Quem nunca cantou “explode coração”? Este samba é símbolo de um desfile memorável e inesquecível para qualquer sambista que começou a amar e descobrir o samba na década de 1990. O desfile em si não é dos melhores da história do Salgueiro. Mas, um refrão forte na cabeça do samba fez a Sapucaí delirar e cantar de ponta a ponta “explode coração/na maior felicidade/ é lindo meu Salgueiro/contagiando, sacudindo esta cidade”. O que se viu na avenida naquele dia, jamais foi visto novamente. Acho que jamais se repetirá. A Furiosa, comandada pelo saudoso mestre Louro, a comissão de frente, comparada com os dias de hoje foi até simples. Porém de um grande efeito aquela bandeiras vermelhas e brancas. Cabe lembrar, que na década de 1990, as comissões de frente não tinham as alegorias e pirotecnias que vemos hoje. No comando do carro de som, o incomparável Quinho e seus inúmeros cacos. Dois dados que chamam a atenção: número de componentes da academia: 5500 e carros alegóricos? 12. Isso mesmo, 12 alegorias. Com todos estes ingredientes, “Peguei um Ita no Norte” é um dos desfiles mais emblemáticos que tive a oportunidade de ver”.
A Lins Imperial entrou na luta contra a fome e a miséria. Devido a atual situação que a população mundial enfrenta por conta da pandemia do novo Coronavírus, a agremiação abriu uma campanha de recebimento de alimentos não perecíveis e materiais de higiene em sua quadra para doar as famílias mais necessitadas residentes no Complexo do Lins.
A região da sede da agremiação é formada por um extenso complexo de favelas. Ao todo são doze comunidades. Várias famílias estão sem ter como trabalhar e consequentemente com dificuldade de comprar as necessidades básicas. Muitos moradores se encontram em situação de fome e de miséria.
A campanha “Lins Solidária” iniciou na última quarta-feira, 1° de abril, e já arrecadou mais de 300 cestas básicas e materiais de higiene. Quem estiver interessado em colaborar, a verde e rosa recebe donativos de segunda a sexta de 9 às 20 horas na quadra da agremiação situada na rua Lins de Vasconcelos 623 (portão dos fundos – Rua Ernestina). Quem preferir, poderá entrar em contato com a diretora Ana Lucia através do telefone 21 96476-4779 e agendar um local para que a equipe da escola faça a retirada.
A escola em parceria com a coordenação de projetos sociais desenvolvidos no Complexo do Lins cataloga os moradores mais necessitados e faz a devida distribuição. O objetivo é que a entrega seja feita por todo período que durar a quarentena e se estenda para as famílias que ainda se encontrarem em situação de miséria após a passagem da pandemia.
Os enredos das escolas de samba de 1991 foram da água à evolução humana, passando por bananas, Rua do Ouvidor, botequim, chegando à construção do universo pelas rendeiras. Não podemos deixar de citar Alice que passeou no Brasil das Maravilhas e viu que somos bregas e kitschs e, orgulhosos nas asas da águia, fizemos um tributo à vaidade. Entre outras homenagens do mesmo ano, destaco, a feita pela Unidos do Viradouro em sua estreia no Grupo Especial, a Dercy Gonçalves.
A escrita do enredo se inicia com a belle époque, estilo do qual a homenageada foi contemporânea ao chegar na cidade do Rio de Janeiro, vinda de Madalena, interior
do estado. Durante a escrita, são expostos os sonhos e as expectativas que Dercy tinha da vida, além dos preconceitos que seus sonhos despertavam nos seus ciclos sociais: Uma menina que gostava de cantar (chegou a fazer parte do coro da igreja de Madalena), de se divertir, uma mulher que sonhava com um mundo diferente daquele em que vivia. E que não foi compreendida, sendo discriminada pelas outras na tacanha cidade. (Lopes e Quintaes)
A escrita do enredo, nos informa que a heroína da história teve como inspiração o grupo de teatro que passou pela sua cidade e a inspirou a partir de trem para a capital. O texto descreve o início da sua trajetória, seus sucessos, até chegar ao sonho de encerrar a sua carreira no circo. Na última frase é sublinhada a informação de que na sua cidade natal, onde antes ela foi tratada com preconceito, agora há um busto em sua homenagem. Já no desfile, o cortejo termina com o sonho do circo.
A opulenta comissão de frente chamava a atenção para o dourado. Logo depois, via-se o carro abre-alas, branco com detalhes em rosa. O vermelho ficava por conta do vestido da homenageada, que estava com os peitos desnudos, abertos, de forma irreverente, sintetizando as cores do desfile. As demais fantasias durante a apresentação, exibiam os dégradés da abertura: dourado, branco, rosa e alguns pontos em vermelho. Destaquem-se os momentos coloridos com a presença de outras cores, como o carro do cassino, o jogo de cores opostas (vermelho e verde) na ala da “perereca da vizinha” e o carro do cogumelo que vinha na sequência. Nas últimas alegorias, os tons dourados e vermelhos, cores tradicionais da agremiação, acompanhavam o tom laranja.
A artista e a sua capacidade de se comunicar com o público nas mais variadas linguagens de seu tempo (teatro, cinema, cassino e tv), foram ricamente exploradas no desfile de cabo a rabo.
As fantasias eram luxuosas, de fácil leitura, criativas, algumas irreverentes. De uma forma geral, buscavam uma verticalidade ao apontar para cima, principalmente com ombreiras, costeiros e adereços de mão. O sentido de opulência vertical, também foi encontrado nos carros.
O carro abre-alas trazia junto à homenageada, musas que se assemelhavam às vedetes dos teatros de revista ou às chacretes populares da TV em cima de cisnes altos, enquanto Dercy estava no fim de uma grande escadaria , afinal, não existe teatro de revista sem escada. O vestido vermelho expressava a ideia de que a heroína se tornava, ali, a grande coroa, no sentido simbólico, popular ou irônico da escola. Alguns carros depois, no carro do cassino, a irreverência ficava por conta de uma outra destaque que vestia uma fantasia de nome “Dama de paus”. Apesar das pontuações irreverentes, faltou mais humor nas fantasias e alegorias, forma que o enredo permitia.
A ala que destaco, as baianas, representavam a Belle Époque e vinham logo depois do Abre Ala, vestindo fantasia de babados que misturavam tons rosa e branco. A rosa de suas saias tornava-se a origem da cor rosa, o vermelho, que está na coroa, elemento de destaque no segundo carro que vinha logo depois da ala. Essa posição é importante: as guardiãs da história da agremiação conectavam-se com o símbolo da escola.
Ao seguir o que o enredo escrito e a linguagem visual apresentaram, coube ao samba traçar o mesmo caminho: vida e obra. Porém, em alguns importantes versos há humor e conversa de maneira fácil com o brincante: “Eu vou me acabar (quá, quá, quá,quá, quá)” ou ainda: “Cada vez mais sapeca, quem diria soltando a perereca da vizinha”. A liberdade da linguagem musical, talvez, permitiu maior brincadeira.
O desfile é importante para a história da Viradouro. É com ele que a escola se apresentou ao Grupo Especial, grupo em que permaneceu por anos. Além disso, pode ser considerado uma das melhores homenagens da história da Sapucaí. É importante notar que a sua sétima colocação teve as mesmas pontuação da quarta, da quinta e da sexta colocadas no resultado final da apuração. A agremiação de Niterói, ficou nesta posição devido ao quesito de desempate. A homenagem a Dercy é tão inesquecível quanto a Perereca da Vizinha.
Autor: Luiz Henrique Duarte – Mestrando em Ciência da Literatura/UFRJ, membro
OBCAR.
Orientador: Leonardo Bora – Doutor em Ciência da Literatura/UFRJ, Pesquisador
OBCAR.
Instagram: @OBCAR_UFRJ