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Morre o compositor Jorge Macedo, principal parceiro de David Correa na Portela

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Mais um compositor portelense que fez história no carnaval carioca partiu. Jorge Macedo, tricampeão de samba-enredo na Azul e Branco e principal parceiro de David Correa, faleceu, aos 71 anos, no último dia 17, uma semana depois da morte do grande amigo David.

Jorge Macedo de Almeida passou a frequentar a Portela em meados da década de 1970, levado por David Correa. Em 1980, ao vencer o samba “Hoje Tem Marmelada” com o amigo, começou a viver seu período de glórias. As vitórias dos dois se repetiram nas disputas de 1981 e 1982, com o antológico “Das Maravilhas do Mar, Fez-se o Esplendor de Uma Noite” e com “Meu Brasil Brasileiro”, respectivamente.

Assinou, também, os sambas do Salgueiro, em 1984, e da Vila Isabel, em 1985 e 1986, todos eles com David Correa. Na década de 1990, ainda concorreu no Salgueiro, em 1993, mas logo depois foi se afastando do carnaval.

Fora do universo das agremiações, teve composições gravadas por Roberto Ribeiro (“De Palmares ao Tamborim” e “Coisas da Vida”), Almir Guineto (“Terreirão”) e Arlindo Cruz (“Lição de Malandragem”), entre outros nomes. Formado em Direito, fez carreira como criminalista. Outra grande paixão, além da Portela, foi o jiu-jítsu.

De acordo com Jaqueline Macedo, filha do sambista, Jorge tinha a saúde muito debilitada, pois havia sofrido um AVC em 2016 e logo depois foi diagnosticado com mal de Alzheimer. Em 2019 teve um novo Acidente Vascular Cerebral e passou a ficar acamado. No início do último mês de abril, ele deu entrada na UPA de Senador Camará, com quadro de infecção urinária e falta de ar.

jorge macedo

Dias depois, por conta de suspeita de Covid-19, foi transferido para o Hospital Municipal Ronaldo Gazolla, em Acari, onde apresentou piora e passou por sessões de hemodiálise. Ainda segundo Jaqueline, o pai, que precisou ser entubado, chegou a fazer o teste da doença, mas o resultado não saiu a tempo. As causas da morte, de acordo com o atestado de óbito, foram septicemia, pneumonia e suspeita de Covid-19, como relatou a filha.

O corpo foi cremado no Cemitério do Caju. Dias depois, a família jogou as cinzas no mar, atendendo a um desejo do sambista.

O presidente Luis Carlos Magalhães, o vice-presidente Fábio Pavão e toda a diretoria da Portela lamentam profundamente o falecimento de Jorge Macedo e se solidarizam com seus familiares e amigos.

Sambas-enredos assinados por Jorge Macedo

Portela 1980 – Hoje Tem Marmelada
Portela 1981 – Das Maravilhas do Mar, Fez-se o Esplendor de Uma Noite
Portela 1982 – Meu Brasil Brasileiro
Salgueiro 1984 – Skindô, Skindô
Vila Isabel 1985 – Parece Até Que Foi Ontem
Vila Isabel 1986 – De Alegria Cantei, de Alegria Pulei, de Três em Três, Pelo Mundo Rodei

Morre compositor da Mocidade vítima da Covid-19

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A Mocidade Independente de Padre Miguel informou neste sábado o falecimento do compositor Tânio Mendonça, vítima da Covid-19.

Veja o post da escola:

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“É com profundo pesar que a Mocidade Independente de Padre Miguel comunica o falecimento de mais um de seus integrantes vitimados pela Covid-19. Tânio Mendonça era um de nossos compositores mais atuantes e foi um guerreiro lutando pela vida durante várias semanas internado!

Desejamos os mais sinceros sentimentos aos amigos e familiares!

Estamos de luto! Cuidem-se!”

A verde e branco de Padre Miguel perdeu outro três integrantes por Covid-19. O componente Adilson Santos, no dia 25 de abril, Rodrigo Richard faleceu em 24 de abril e Vagner Prata em 12 de abril.

Acompanhe agora: Live do CARNAVALESCO com Marcelinho Calil, presidente da Viradouro

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Leonardo Jorge é o novo mestre de bateria da Unidos da Ponte

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A bateria Ritmo Meritiense já tem um novo comandante. Leonardo Jorge é o novo mestre dos ritmistas da Azul e Branco de São João de Meriti e chega em busca dos 40 pontos. Irmão do presidente do Paraíso do Tuiuti, Renato Thor, o mestre Leonardo Jorge é diretor de bateria da escola de São Cristóvão há nove anos, e também comandou e bateria do Engenho da Rainha.

Colecionador de sete notas 10 em oito avaliações, sendo apenas um 9.9, o mestre Leonardo Jorge se mostrou ansioso ao falar um pouco sobre sua chegada à escola.

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“O presidente Berg já acompanhava meu trabalho nesses dois anos na Intendente Magalhães. Quando recebi o convite fiquei muito honrado com a oportunidade. Quero criar uma identidade da bateria com a escola. Desse jeito iremos rumo as notas máximas do quesito”, revelou Leonardo.

No Carnaval 2021 a Unidos da Ponte levará para a Sapucaí o enredo “Santa Dulce dos Pobres – O Anjo Bom da Bahia”, desenvolvido pelos carnavalescos Guilherme Diniz e Rodrigo Marques.

Diretor de carnaval da Mocidade supera Covid-19 e recebe alta hospitalar

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A sexta-feira ganhou um ar de felicidade para todos os sambistas. O diretor de carnaval da Mocidade Independente de Padre Miguel, Marquinho Marino, internado desde o dia 12 de maio com Covid-19, inclusive, indo para a UTI do Hospital Regional Zilda Arns Neumann, em Volta Redonda, recebeu alta hospitalar.

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Ao site CARNAVALESCO, Marino agradeceu todas orações e celebrou a alta hospital.

“Quero muito agradecer pelas energias positivas. Pensei no pior várias vezes, mas graças a Deus dei a volta por cima”, disse Marino.

É Viradouro! Porta-bandeira Rute Alves vence ‘Game Entre Amigos’

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Comandante das lives do CARNAVALESCO, no Rio de Janeiro, nesse período de quarentena, Gustavinho Oliveira celebrou seu aniversário, na noite desta quinta-feira, com amigos do carnaval. O encontro virtual, chamado de “Game Entre Amigos”, reuniu os sambistas em um jogo muito divertido, que teve mais de dois horas de duração.

A grande campeã foi Rute Alves, porta-bandeira da Viradouro. No confronto final, ela derrotou o mestre-sala Raphael, da União da Ilha.

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Participaram do game, além de Rute e Raphael, o sambista Dudu Nobre, Junior Escafura (Portela), Dudu Azevedo (Beija-Flor), Diego Nicolau (Unidos de Padre Miguel), Phelipe Lemos (Unidos da Tijuca), Macaco Branco (Vila Isabel), Tinga (Vila Isabel), Leozinho Nunes (São Clemente), Lequinho (Mangueira), Evandro Malandro (Grande Rio), Igor Sorriso (Mocidade Alegre) e Emerson Dias (Salgueiro).

O site CARNAVALESCO, na próxima semana, apresentará o game que fará com os representantes das escolas de samba do Grupo Especial e Série Ado Rio de Janeiro e do Especial de São Paulo

Veja abaixo como foi o “Game Entre Amigos”

Ao vivo: ‘Game entre os amigos’ com personalidades do carnaval

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    Portela lamenta morte de compositor do samba ‘Incrível, Fantástico, Extraordinário’

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    A Portela informou o falecimento do compositor J. Rodrigues, de 94 anos, sócio benemérito e um dos autores do samba-enredo “Incrível, Fantástico, Extraordinário”, de 1979.

    O sambista, que sofria de diabetes e hipertensão, teve um infarto. O corpo será enterrado nesta sexta-feira, às 14h45, no Cemitério Municipal de Nova Iguaçu, na Baixada.

    Apaixonado pela Portela e pelo América, Jorge Rodrigues começou a frequentar a Azul e Branco ainda na década de 1960. No início dos anos 70, chegou a assinar como testemunha a escritura da compra do terreno onde seria construído o Portelão, na então Rua Arruda Câmara (atual Clara Nunes).

    Participou ativamente de diversas disputas de samba nas décadas de 1970, 1980 e 1990. Viveu seu maior momento ao compor, ao lado de David Correa e Tião Nascimento, “Incrível, Fantástico, Extraordinário”, que faturou o Estandarte de Ouro de Melhor Samba-Enredo em 1979.

    J. Rodrigues marcou presença, também, em concursos de samba de terreiro e nos tradicionais festivais de chopp e de refrigerante. Integrou, ainda, a coordenação da Ala dos Compositores Ary do Cavaco em diferentes gestões. Em 1998, concorreu ao samba-enredo pela última vez. Nos últimos anos, estava afastado da agremiação por conta dos problemas de saúde.

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    Viúvo, ele deixa cinco filhos, sete netos e oito bisnetos.

    O presidente Luis Carlos Magalhães, o vice-presidente Fábio Pavão e toda a diretoria da Portela lamentam profundamente o falecimento de J. Rodrigues e se solidarizam com seus familiares e amigos.

    Evelyn Bastos: agora na Live do CARNAVALESCO

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    A incrível homenagem de uma deusa ao seu mestre com carinho

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    Conta a história que existia um rei com voz de trovão. Um gigante, imponente. Reuniu em torno de si todo um panteão de outras divindades e com elas criou num novo mundo. Um mundo vermelho e branco que valorizava heróis esquecidos. O Orum desses deuses era por ali na Cinelândia, entre o Teatro Municipal e a Escola de Belas Artes. Já o Ayê ficava na Tijuca, no Morro do Salgueiro. O deus da voz de trovão uniu esse dois mundos numa passarela e assim refundou um novo paraíso surgido da união céu e terra. A história ficou eternizada na memória de muita gente, virou cânone.

    Desse panteão de outros deuses que o da voz trovão reuniu em entorno de si, uma delas se tornou sua favorita. Uma espécie de Athenas, dotada de grande inteligência e bom-humor, usava sempre uma mecha rosa. Apadrinhada pelo mestre, seguiu seu trilho no novo mundo fundada por ele, seguiu os ventos da revolução em vermelho e branco. Passeou por reinos como Madureira, Estácio, Vila Isabel, mas foi em Ramos que fez seu templo particular dotado de louros. Já pequena, a deusa recebeu de herança as histórias e livros de seus pais. Se emprenhou do pó de ouro barroco e costumava flanar acompanhada de belos anjinhos que faziam sua corte. Era a deusa das boas histórias, adorava contar um causo. Vivia devorando livros atrás de boas histórias para recontá-las ao seu modo.

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    Certo dia, depois de muito tempo, o Deus do Trovão já havia partido. E a Deusa Rosa chegava com uma mudança para as bandas de Botafogo. Mexendo no seu baú de histórias, a deusa achou uma autobiografia do seu mestre e resolveu que era a hora de contar a história dele na Avenida que eles tanta amavam. Foi aí que ela descobriu que o Deus do Trovão não era tão destemido quanto parecia e assim. Fazendo surgir “A incrível história do homem que só tinha medo da Matinta Pereira, da Tocandira e da Onça Pé de Boi”.

    Foi numa espécie de céu, ou de Orum, ou de Olimpo, que Rosa também imaginou Pamplona, o verdadeiro nome dessa espécie de Deus, na última alegoria do desfile da São Clemente, em 2015. Uma enorme escultura flutuava em meio a negros anjinhos musicistas. Era uma festa! No texto da sinopse, a professora explicou: “Um dia, cansado da vida, foi embora, acho que um pouco contrariado, pois viver foi sempre uma aventura que encarou sem medo. Deve ter sido recebido por uma extensa corte – Nzambi, Aleijadinho, Xica da Silva e outros tantos negros e mulatos que fazem parte da cultura deste país mulato. Agitando bandeirinhas, eles gritaram em coro: “Pamplona, Pamplona, Pamplona….”.

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    A corte de heróis esquecidos relembrados pelo Salgueiro nos carnavais comandados por Fernando Pamplona foi ponto alto da narrativa, que apesar de não deixar de louvar as glórias e coragens do homenageado, partiu curiosamente de seus medos primordiais. As figuras lendárias, que assustaram o cenógrafo na infância, surgiram imponentes já no abre-alas. Um enorme bruxa no abre-alas surgiu numa mata preta, amarela e laranja, com composições que se integravam a estética proposta. Uma pena que um pequeno detalhe da escultura se destacou, mas não tirou o brilho da alegoria. A aula da professora estava só começando.

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    A apresentação marcou a reinvenção visual de Rosa, que apostou numa simplicidade aliada a seu bom gosto e requinte característicos. O ótimo conjunto de alegorias passeou entre o bom humor típico da carnavalesca, como na alegoria que lembrava as batucadas de Pamplona em um cemitério em meio a caveiras bem-humoradas. Outras marcas dela, o levantamento histórico e de pesquisa entrou em cena no carro sobre o Theatro Municipal, muito bem concebido cenograficamente, que lembrou a decoração Africana usada pelo cenógrafo no Teatro Municipal em 1958. Foi nele, que a artista desfilou discretamente, junto de sua amiga Zeni Pamplona, viúva do homenageado. Uma outra ótima alegoria trouxe um Palácio Africano, lembrando as histórias de um rei negro, e da marcante estética geométrica africana que foi fundamental na revolução carnavalesca.

    Ao abordar a lendária chegada de Pamplona ao Ayê salgueirense, Rosa cometeu alguns deslizes históricos em prol da narrativa. A apresentação da alvirrubra sobre Xica da Silva, de 1963, foi lembrada como um marco absoluto, mas ela teve pouco da contribuição de Pamplona. Fato é que Arlindo Rodrigues tocou a batuta criativa sozinho e que o mestre não gostou do tema a princípio, como o próprio conta em sua autobiografia que foi base para a narrativa do enredo. A escolha, entretanto, afirma a importância de Xica como ponto de virada dita Revolução Salgueirense. Isabel Valença, que foi alçada ao posto de celebridade da época e uma das protagonistas da apresentação incorporando a personagem título, ganhou uma proporção aumentada na alegoria. Marcando outra boa solução visual. A igreja da Candelária, sempre representada como pano de fundo das fotos da época, foi também representada de costas, marcando outra escolha inteligente do conjunto criativo. Vale destacar a excelente equipe que sempre acompanha Rosa em suas criações, no caso das alegorias, se destacam o talento de Penha Lima, projetista que cuidou do projeto daquele ano.

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    Se as alegorias são dignas de elogios rasgados, o conjunto de fantasia gerou debates no pré-carnaval para ser simplório demais. O falatório das comuns análises de redes sociais não poupou críticas ao protótipos antes da apresentação. Mas contrariando os analistas de platão, Rosa mostrou porque é das grandes figurinistas da festa, contando sempre com o auxílio fundamental de seu assistente Mauro Leite. As fantasias apesar de simples renderam muito bem no conjunto, se destacando em várias momentos sobretudo pelo ótimo trabalho de cor, que valorizou o preto e amarelo clementiano.

    Além do espetáculo visual e narrativo, a São Clemente também estava bem servida musicalmente. Numa concorrida escolha de samba, venceu a parceria de Leozinho
    Nunes, que depois seria lançado como intérprete pela escola. A obra alegre e irreverente serviu bem ao cortejo, muito bem conduzido por Igor Sorriso e acompanhado pela Fiel Bateria. As bossas na passagem “É o mestre… todos querem aplaudir”, contagiaram a escola e o público, arrancando boas palmas. Outro destaque foi a ótima atuação do casal de mestre-sala e porta-bandeira Denadir e Fabrício, que brilharam à frente da bateria e não início da escola, como é mais comum atualmente.

    Apesar de tantos bons quesitos, a São Clemente acabou mal julgada pelo júri oficial. Mesmo com uma das melhores e mais marcantes apresentações do ano, acabou apenas num injusto oitavo lugar, quando merecia com folga um retorno nas Campeãs. Vícios de um júri acostumado a peso de bandeira, mas que não tiram o brilho e fantasia desse espetáculo, que muitos sambistas guardam com afeto na
    memória.

    Injustiças a parte, a bela homenagem da Deusa ao seu mestre com carinho, um Deus de trovão é das páginas mais bonitas da história recente da folia brasileiro. Aliando uma estética bem construída e deslumbrante, mesmo com simplicidade, Rosa mostrou seu tom característico ao dar um toque de fábula a biografia desse nome fundamental da História da Arte brasileira do século passado. Mesmo com ressalvas históricas, a narrativa foi bem desenhada em si e ganhou ainda mais destaque com o ótima samba que embalou a apresentação clementiana. Como a forma de arte que é, os desfiles das escolas de samba ganham muito quando relembram sua própria história e valorizam seus grandes nomes. Afinal, a herança de tantos deuses desfilam por ali ano a ano. Obrigado, Rosa! Axé, Pamplona! Evoé, São Clemente!

    Autor: Leonardo Antan, Mestre em Artes – Pesquisador/orientador do
    OBCAR/UFRJ
    Instagram: @obcar_ufrj