O Clube do Samba-Enredo faz nesta terça-feira, 26 de maio, a partir das 20h, uma live especial nesse período fundamental de quarentena no combate ao novo Coronavírus. A Cerveja Original é parceira da iniciativa. O site CARNAVALESCO também entrou na divulgação e vai transmitir o encontro que receberá doações para o Retiro dos Artistas. Foram convidados os intérpretes: Tinga, Wantuir, Leonardo Bessa e Serginho do Porto.
“A ideia foi do Bruno Ribas, voz oficial do Clube, e conversamos com Stepan Nercessian para fechar a parceria com o Retiro dos Artistas. A campanha nas redes sociais do Clube ficará até dia 31 de maio, quando marcaremos, com fé em Deus, uma apresentação do Clube do Samba Enredo, lá no Retiro, para a entrega das doações”, explicou Edvaldo Ramos (Vavá), criador e Produtor Executivo do Clube do Samba-Enredo.
O repertório inclui os clássicos dos sambas-enredo, como “Os sertões”, “Exaltação a Mangueira”, “Lendas e Ministérios da Amazônia”, “Kizomba”, “Festa no Arraiá”, e muitos outros.
“Vamos prestar também uma homenagem ao Tantinho da Mangueira e ao David Corrêa, mestres que nos deixaram recentemente. Por sermos um grupo e contarmos com quatro convidados, que cantarão individualmente, vamos respeitar os procedimentos da distância e uso de máscara, como deve ser, exceto, os cantores convidados, o Bruno Ribas e a Sandra Portella, nova integrante do Clube”, explica Edvaldo Ramos.
A pandemia afetou em cheio os artistas e produtores culturais. O Clube do Samba-Enredo tinha apresentações agendadas e que foram canceladas.
“O impacto doeu no bolso. Tínhamos alguns shows bem interessantes que caíram por causa da pandemia. Tínhamos agenda para todos os dias da festa junina do Clube Atlhetico Paulistano. Queremos mesmo é que tudo isso passe e o Clube volte para os seus compromissos de shows. O futuro é buscar o que for possível no segundo semestre”.
O mês de maio está terminando e no meio da pandemia do novo Coronavírus fica no ar a indecisão sobre os desfiles em 2021. Apesar disso, as escolas de samba do Rio de Janeiro e São Paulo trabalham na elaboração dos seus enredos. O site CARNAVALESCO quer saber sua opinião. É o momento certo para anunciar ou somente após o fim da quarentena.
No domingo, a partir das 14h, a Mancha Verde fará uma live especial solidária com a presença da ala musical e a bateria Puro Balanço tocando ao vivo os sambas da escola.
Já confirmaram presença os intérpretes Darlan Alves, da campeã Águia de Ouro, Chitão Martins (Colorado do Brás) e Gui Cruz (Mocidade Unida da Moóca), cantando grandes sambas das suas agremiações.
Além de samba, muita resenha com a presença do humorista Thiago Ventura e do menino Nickollas, juntamente com a super mãe Silvia Grecco.
Para falar um pouco de futebol, a escola convidou o atacante Dudu e o goleiro Fernando Prass (atualmente no Ceará). A rainha Viviane Araújo e nosso carnavalesco Jorge Freitas participarão ao vivo e relembrarão momentos inesquecíveis.
Os presidentes Paulo Serdan e André Guerra vão falar sobre a ação social da Mancha Verde, que já arrecadou e distribuiu mais de 70 toneladas de alimentos até o momento. Durante toda a live a escola aceitará doações.
Neto de Alcides Gregório, um dos fundadores do Império Serrano, e filho do lendário mestre Faísca, Vitinho assume o comando da Sinfônica do Samba, no lugar de mestre Gilmar. O novo comandante estava na Unidos da Ponte, realizando grandes apresentações na Marquês de Sapucaí.
Ao site CARNAVALESCO, o presidente Sandro Avelar ressaltou a raiz imperiana do novo mestre de bateria.
“O Vitinho tem raízes fortes no Império Serrano. O avô é fundador da escola e foi mestre da bateria. O pai também foi mestre”, frisou o dirigente.
Ao sair da Unidos da Ponte, Vitinho fez um texto de despedida. Confira um trecho: “A escola que me lançou na Marquês de Sapucaí como mestre de bateria, que realizou meu sonho, obrigado por tudo Unidos da Ponte”.
Reconhecimento da imprensa especializada
O site CARNAVALESCO ouviu dois analistas de bateria sobre a chegada de Vitinho no Império Serrano. Rodrigo Coutinho e Kleber Komká elogiaram a decisão da diretoria imperiana.
“Ele mostrou na Unidos da Ponte que está pronto para fazer um grande trabalho e em uma grande escola. A bateria do Império precisa de renovação, retomar o caminho de anos anteriores. É filho do mestre Faísca e conhece a característica da bateria do Império Serrano. Ele tem condição para trabalhar, acho que foi uma boa escolha”, afirmou Rodrigo Coutinho.
“Ele prima muito pela musicalidade e criatividade. Faz um trabalho técnico. Uma pessoa talentosa, da nova geração. Ele foi diretor de bateria da Portela por muitos anos. É filho do Faísca, ex-mestre de bateria tradicional do Império. É uma grande aposta da escola. O presidente Sandro Avelar falou que busca uma nova identidade, com o DNA do Império Serrano, e o Vitinho resume tudo isso. É deixar ele trabalhar. Tem capacidade para fazer um grande trabalho”, disse Kleber Komká.
Legado que vem do berço do Império Serrano
Em 1950, o Mestre Alcides Gregório assumiu a Bateria do Império Serrano após a morte do Mestre Bita, comandando a Sinfônica por sete carnavais. A partir de então, seu filho, que viria a ser conhecido como mestre Faísca, passou a ter uma convivência estreita com todos os instrumentos de percussão. Em 1984, aos 16 anos de idade, Faísca fundou a Bateria da Escola Mirim Império do Futuro, antes de se tornar Diretor da Sinfônica.
A Bateria do Império do Futuro, fundada anos antes por mestre Faísca, foi o palco do início da caminhada de seu filho Vitinho, que desfilou como ritmista, sob o comando do Pretinho da Serrinha entre 1996 e 1999. Entre os anos de 2014 e 2016, Vitinho também esteve como ritmista na Sinfônica.
Faleceu nesta terça-feira o radialista Alpa Luiz, de 78 anos, por problemas renais. Ele estava internado no CTI do hospital CPN, em Niterói.
O radialista trabalhava na Rádio Roquette Pinto, na função de produtor, e atuou também na 1440 AM. Em outubro de 2006, ele falou com o jornal “O Beija-Flor” sobre o carnaval no rádio.
“Na década de 80, eram cerca de 40 programas de samba, hoje se contam nos dedos. Não é só a grana, é a palavra, o olho no olho. O que tem de grandes compositores sem acesso às rádios… Deveríamos seguir o exemplo dos sertanejos e do pessoal do axé, que são muito unidos. Lá um ajuda o outro; o sambista, não”.
O sambista Péricles, de 50 anos, foi internado nesta terça-feira, no Hospital Vila Nova Star, na cidade de São Paulo. A assessoria de imprensa do cantor informou que ele foi tratar de uma infecção urinária.
“Os médicos optaram por medicá-lo no hospital. O cantor passa bem e dentro de alguns dias terá alta”, diz o informe divulgado.
Cada torcedor apaixonado tem no coração e na cabeça artistas do carnaval que estão na história de suas escolas de samba. O site CARNAVALESCO quer ouvir você. Monte como ficaria sua agremiação do Grupo Especial do Rio de Janeiro, levando em consideração o desfile que cantores, casais (juntos ou separados), coreógrafos, diretor de carnaval, diretor (a) de harmonia e mestres de baterias fizeram nas suas escolas. Além disso, você indica também o seu samba predileto para representar essa escola dos sonhos.
Importante: o critério é a pessoa ter desfilado na escola escolhida. Ao votar coloque também o ano, afinal, alguns artistas do carnaval fizeram história em mais de uma agremiação e podem ser escolhidos por torcedores de escolas diferentes.
O prazo para indicação dos escolhidos vai de 31 de maio. Na próxima segunda-feira, dia 1 de junho, vamos liberar os resultados das indicações e abriremos o canal de votação de todas escolas do Grupo Especial.
Abaixo, você pode clicar no nome da escola e escolher o (a) carnavalesco (a), o intérprete, a porta-bandeira, o mestre-sala, o (a) coreógrafo (a), e o samba-enredo.
Localizado numa das comunidades com índices altíssimos de violência em Vitória, o coletivo Raízes da Piedade surgiu em 2008 com a ideia de dar um novo olhar para a comunidade e consequentemente para a escola de samba local. Vindo de uma última colocação, a Unidos da Piedade se via num momento de debandada de seus componentes e precisava de algo que fomentasse a união entre comunidade x escola. Um dos fundadores, o pesquisador Jocelino Junior, explicou ao site CARNAVALESCO como se deu o processo de criação do projeto.
“A proposta no início era de se unir ao mesmo processo de reestruturação da escola na época. Em 2008 a Piedade ficou na última colocação e precisou reencontrar sua origens. A reorganização institucional culminou com o enredo da Rua 7. Nesse mesmo embalo criamos o grupo com objetivo inicial de trabalhar com as crianças. Enquanto a escola de samba queria se reaproximar da comunidade e de sua história, fizemos a proposta de aproximar crianças e jovens. Considerando que na época da péssima classificação havia um enorme desinteresse e descrédito. Além disso, os morros naquela época já passavam por intenso conflito pelo controle do tráfico de drogas. A disputa se acirrava a cada ano, com isso, colocamos como perspectiva atender jovens para que não fossem incluídos no crime. As oficinas eram com temáticas ligadas ao carnaval como bateria, mestre-sala e porta-bandeira, passistas. Passamos 3 anos com essas atividades até se encorpar como um grupo mais sólido e organizado. Após esse período de ações ligadas a formações e oficinas, nos organizamos para projetos maiores. Disputamos editais nas secretarias para ter financiamento dos projetos. Em 2011 participamos e ganhamos de um edital para construção do centro de memória da Unidos da Piedade, no qual o Raízes seria gestor. Apesar de aprovado pelo MinC em parceria com a PMV, não foi a frente por divergências com a direção da escola de samba. A partir daí o coletivo decidiu que tocaria as ações independente da agremiação”.
Determinado a mudar a condição do jovem local, o Raízes buscou efetivar sua participação no seu entorno com atividades voltadas para a cultura, conforme contou Jocelino.
“De 2011 pra cá seguimos com o trabalho. Porque a identidade do projeto é de fortalecer os sambistas do morro da Fonte Grande e Piedade, nossa essência é esse território. Com a expansão, acabou se ampliando para o carnaval de Vitória como um todo. Diante do trabalho crescente também realizamos intercâmbios no Rio de Janeiro co ma ideia de levar as pessoas para conhecerem o samba em sua origem. Fizemos um seminário interno em parceria com o Império Serrano onde foi o pontapé inicial. Nossa estrutura de trabalho foi aumentando, lançamos o CD “Memórias II”, com sambas campeões da Unidos da Piedade que não haviam sido gravados. Foi um sucesso local, com 5 mil unidades distribuídas para a comunidade. O trabalho crescia e o povo do samba conhecia ainda mais. Em 2014 veio a ideia de continuar o trabalho de formação, onde voltamos para as crianças. Ajudamos a bateria, compramos instrumentos com a intenção de valorizar nossa localidade. Com a chegada de novos membros, o Raízes, foi necessário pensar novamente nossa atuação. A primeira atividade para o carnaval como um todo foi o curso de formação na Universidade Federal do Espírito Santo, com duração de 3 meses. Inédito em Vitória, sobre a concepção do carnaval. Envolvia o surgimento, metodologia, produção de fantasia e etc. Foram 60 pessoas que se formaram, com certificado emitido pela Universidade. Aí o Raízes despontou. E precisamos nos tornar um Instituto para poder captar recursos. Apesar do objetivo nunca ter sido esse, foi necessário.
Violência na comunidade não desanima integrantes e instituto recebe Prêmio Estadual de Direitos Humanos
Apesar de sempre ter convivido lado a lado com a violência, o morador da Fonte Grande e Piedade viu em 2018 o crime se estabelecer de maneira maciça naquele local. Naquele ano, cerca de 40 famílias saíram do Morro com medo da violência e ficaram desamparadas. O Instituto Raízes agiu e ajudou no processo.
“Criamos a casa de memória no morro em 2015, que é uma sede oficial do Raízes. Abrigamos fotografias, livros, vídeos e áudios do carnaval capixaba e do morro da Piedade. Apesar de ser reconhecida por muitos como local de socialização, precisamos fechá-la em 2018 devido conflitos de tráfico de drogas que aconteceram. Fizemos uma atuação muito forte em defesa das pessoas que precisaram sair do morro, e em meio as dificuldades, fomos reconhecidos com o Prêmio Estadual de Direitos Humanos naquele ano. Depois disso nossas atividades seguiram. Elaboramos o curso de formação “Seminário do Samba”, que tiveram duração de 3 dias, com cerca de 200 pessoas participando e convidados de São Paulo e Rio de Janeiro. De 3 em 3 meses acontece também um diálogo sobre o carnaval de Vitória para conversarmos e pensarmos juntos o que pode melhorar”, afirmou Jocelino.
Com o passar dos anos os membros do Instituto foram aumentando e a profissionalização também. Diante do cenário, surgiu a ideia de um documentário sobre o carnaval de Vitória, cujo os personagens seriam a “jovem guarda” de cada agremiação. E nasceu o “Espírito Samba”, que estreou na última quarta-feira.
“Nós sempre tivemos a vontade de registrar e sistematizar as informações e coletas sobre nossas pesquisas de carnaval. Apesar de temos inúmeras tarefas em amor ao samba, alguns dos membros também são pesquisadores. O documentário surge na perspectiva de ressaltar a participação juvenil no carnaval. E esses jovens reconhecem algumas referências positivas nos mais velhos. Todos os membros mais antigos que são citados foram apontados pelos jovens, foi assim que criamos a narrativa. Temos uma lacuna no carnaval que é o registro do seu início e formação. Essa é uma grande dificuldade no nosso carnaval. Observando essa lacuna buscamos fazer o registro audiovisual que falassem sua trajetória. Não especificamente de escola a ou b, a ideia era falar das pessoas que geralmente participam de nossas atividades e que haviam declarado fatos interessantes. O edital que financiou foi de um valor muito baixo mas não deixamos de fazer por causa disso. Foi um ano de pesquisa e as gravações aconteceram entre janeiro e fevereiro de 2019. Estamos colhendo os frutos e já pensamos no próximo, para falar do carnaval de Vitória como um todo”, finalizou o pesquisador.