Portela lamenta morte de compositor do samba ‘Incrível, Fantástico, Extraordinário’
A Portela informou o falecimento do compositor J. Rodrigues, de 94 anos, sócio benemérito e um dos autores do samba-enredo “Incrível, Fantástico, Extraordinário”, de 1979.
O sambista, que sofria de diabetes e hipertensão, teve um infarto. O corpo será enterrado nesta sexta-feira, às 14h45, no Cemitério Municipal de Nova Iguaçu, na Baixada.
Apaixonado pela Portela e pelo América, Jorge Rodrigues começou a frequentar a Azul e Branco ainda na década de 1960. No início dos anos 70, chegou a assinar como testemunha a escritura da compra do terreno onde seria construído o Portelão, na então Rua Arruda Câmara (atual Clara Nunes).
Participou ativamente de diversas disputas de samba nas décadas de 1970, 1980 e 1990. Viveu seu maior momento ao compor, ao lado de David Correa e Tião Nascimento, “Incrível, Fantástico, Extraordinário”, que faturou o Estandarte de Ouro de Melhor Samba-Enredo em 1979.
J. Rodrigues marcou presença, também, em concursos de samba de terreiro e nos tradicionais festivais de chopp e de refrigerante. Integrou, ainda, a coordenação da Ala dos Compositores Ary do Cavaco em diferentes gestões. Em 1998, concorreu ao samba-enredo pela última vez. Nos últimos anos, estava afastado da agremiação por conta dos problemas de saúde.

Viúvo, ele deixa cinco filhos, sete netos e oito bisnetos.
O presidente Luis Carlos Magalhães, o vice-presidente Fábio Pavão e toda a diretoria da Portela lamentam profundamente o falecimento de J. Rodrigues e se solidarizam com seus familiares e amigos.
A incrível homenagem de uma deusa ao seu mestre com carinho
Conta a história que existia um rei com voz de trovão. Um gigante, imponente. Reuniu em torno de si todo um panteão de outras divindades e com elas criou num novo mundo. Um mundo vermelho e branco que valorizava heróis esquecidos. O Orum desses deuses era por ali na Cinelândia, entre o Teatro Municipal e a Escola de Belas Artes. Já o Ayê ficava na Tijuca, no Morro do Salgueiro. O deus da voz de trovão uniu esse dois mundos numa passarela e assim refundou um novo paraíso surgido da união céu e terra. A história ficou eternizada na memória de muita gente, virou cânone.
Desse panteão de outros deuses que o da voz trovão reuniu em entorno de si, uma delas se tornou sua favorita. Uma espécie de Athenas, dotada de grande inteligência e bom-humor, usava sempre uma mecha rosa. Apadrinhada pelo mestre, seguiu seu trilho no novo mundo fundada por ele, seguiu os ventos da revolução em vermelho e branco. Passeou por reinos como Madureira, Estácio, Vila Isabel, mas foi em Ramos que fez seu templo particular dotado de louros. Já pequena, a deusa recebeu de herança as histórias e livros de seus pais. Se emprenhou do pó de ouro barroco e costumava flanar acompanhada de belos anjinhos que faziam sua corte. Era a deusa das boas histórias, adorava contar um causo. Vivia devorando livros atrás de boas histórias para recontá-las ao seu modo.

Certo dia, depois de muito tempo, o Deus do Trovão já havia partido. E a Deusa Rosa chegava com uma mudança para as bandas de Botafogo. Mexendo no seu baú de histórias, a deusa achou uma autobiografia do seu mestre e resolveu que era a hora de contar a história dele na Avenida que eles tanta amavam. Foi aí que ela descobriu que o Deus do Trovão não era tão destemido quanto parecia e assim. Fazendo surgir “A incrível história do homem que só tinha medo da Matinta Pereira, da Tocandira e da Onça Pé de Boi”.
Foi numa espécie de céu, ou de Orum, ou de Olimpo, que Rosa também imaginou Pamplona, o verdadeiro nome dessa espécie de Deus, na última alegoria do desfile da São Clemente, em 2015. Uma enorme escultura flutuava em meio a negros anjinhos musicistas. Era uma festa! No texto da sinopse, a professora explicou: “Um dia, cansado da vida, foi embora, acho que um pouco contrariado, pois viver foi sempre uma aventura que encarou sem medo. Deve ter sido recebido por uma extensa corte – Nzambi, Aleijadinho, Xica da Silva e outros tantos negros e mulatos que fazem parte da cultura deste país mulato. Agitando bandeirinhas, eles gritaram em coro: “Pamplona, Pamplona, Pamplona….”.

A corte de heróis esquecidos relembrados pelo Salgueiro nos carnavais comandados por Fernando Pamplona foi ponto alto da narrativa, que apesar de não deixar de louvar as glórias e coragens do homenageado, partiu curiosamente de seus medos primordiais. As figuras lendárias, que assustaram o cenógrafo na infância, surgiram imponentes já no abre-alas. Um enorme bruxa no abre-alas surgiu numa mata preta, amarela e laranja, com composições que se integravam a estética proposta. Uma pena que um pequeno detalhe da escultura se destacou, mas não tirou o brilho da alegoria. A aula da professora estava só começando.

A apresentação marcou a reinvenção visual de Rosa, que apostou numa simplicidade aliada a seu bom gosto e requinte característicos. O ótimo conjunto de alegorias passeou entre o bom humor típico da carnavalesca, como na alegoria que lembrava as batucadas de Pamplona em um cemitério em meio a caveiras bem-humoradas. Outras marcas dela, o levantamento histórico e de pesquisa entrou em cena no carro sobre o Theatro Municipal, muito bem concebido cenograficamente, que lembrou a decoração Africana usada pelo cenógrafo no Teatro Municipal em 1958. Foi nele, que a artista desfilou discretamente, junto de sua amiga Zeni Pamplona, viúva do homenageado. Uma outra ótima alegoria trouxe um Palácio Africano, lembrando as histórias de um rei negro, e da marcante estética geométrica africana que foi fundamental na revolução carnavalesca.
Ao abordar a lendária chegada de Pamplona ao Ayê salgueirense, Rosa cometeu alguns deslizes históricos em prol da narrativa. A apresentação da alvirrubra sobre Xica da Silva, de 1963, foi lembrada como um marco absoluto, mas ela teve pouco da contribuição de Pamplona. Fato é que Arlindo Rodrigues tocou a batuta criativa sozinho e que o mestre não gostou do tema a princípio, como o próprio conta em sua autobiografia que foi base para a narrativa do enredo. A escolha, entretanto, afirma a importância de Xica como ponto de virada dita Revolução Salgueirense. Isabel Valença, que foi alçada ao posto de celebridade da época e uma das protagonistas da apresentação incorporando a personagem título, ganhou uma proporção aumentada na alegoria. Marcando outra boa solução visual. A igreja da Candelária, sempre representada como pano de fundo das fotos da época, foi também representada de costas, marcando outra escolha inteligente do conjunto criativo. Vale destacar a excelente equipe que sempre acompanha Rosa em suas criações, no caso das alegorias, se destacam o talento de Penha Lima, projetista que cuidou do projeto daquele ano.

Se as alegorias são dignas de elogios rasgados, o conjunto de fantasia gerou debates no pré-carnaval para ser simplório demais. O falatório das comuns análises de redes sociais não poupou críticas ao protótipos antes da apresentação. Mas contrariando os analistas de platão, Rosa mostrou porque é das grandes figurinistas da festa, contando sempre com o auxílio fundamental de seu assistente Mauro Leite. As fantasias apesar de simples renderam muito bem no conjunto, se destacando em várias momentos sobretudo pelo ótimo trabalho de cor, que valorizou o preto e amarelo clementiano.
Além do espetáculo visual e narrativo, a São Clemente também estava bem servida musicalmente. Numa concorrida escolha de samba, venceu a parceria de Leozinho
Nunes, que depois seria lançado como intérprete pela escola. A obra alegre e irreverente serviu bem ao cortejo, muito bem conduzido por Igor Sorriso e acompanhado pela Fiel Bateria. As bossas na passagem “É o mestre… todos querem aplaudir”, contagiaram a escola e o público, arrancando boas palmas. Outro destaque foi a ótima atuação do casal de mestre-sala e porta-bandeira Denadir e Fabrício, que brilharam à frente da bateria e não início da escola, como é mais comum atualmente.
Apesar de tantos bons quesitos, a São Clemente acabou mal julgada pelo júri oficial. Mesmo com uma das melhores e mais marcantes apresentações do ano, acabou apenas num injusto oitavo lugar, quando merecia com folga um retorno nas Campeãs. Vícios de um júri acostumado a peso de bandeira, mas que não tiram o brilho e fantasia desse espetáculo, que muitos sambistas guardam com afeto na
memória.
Injustiças a parte, a bela homenagem da Deusa ao seu mestre com carinho, um Deus de trovão é das páginas mais bonitas da história recente da folia brasileiro. Aliando uma estética bem construída e deslumbrante, mesmo com simplicidade, Rosa mostrou seu tom característico ao dar um toque de fábula a biografia desse nome fundamental da História da Arte brasileira do século passado. Mesmo com ressalvas históricas, a narrativa foi bem desenhada em si e ganhou ainda mais destaque com o ótima samba que embalou a apresentação clementiana. Como a forma de arte que é, os desfiles das escolas de samba ganham muito quando relembram sua própria história e valorizam seus grandes nomes. Afinal, a herança de tantos deuses desfilam por ali ano a ano. Obrigado, Rosa! Axé, Pamplona! Evoé, São Clemente!
Autor: Leonardo Antan, Mestre em Artes – Pesquisador/orientador do
OBCAR/UFRJ
Instagram: @obcar_ufrj
Escolas de samba participam de ação para combater subnotificações do Coronavírus
Não importa a cor do pavilhão, as escolas de samba do Rio de Janeiro são todas unidas contra o Coronavírus. Em uma parceria com a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI), as agremiações vão convocar integrantes das comunidades e seus familiares para responderem o questionário digital lançado, neste mês, para descobrir as subnotificações do Coronavírus.
A Mocidade Independente de Padre Miguel, Acadêmicos do Grande Rio, Paraíso do Tuiuti, Unidos da Tijuca, Portela e Unidos do Viradouro já embarcaram nessa missão. Distantes da avenida, agora buscam um importante título para a população fluminense: a vitória contra a doença.
O questionário foi elaborado por cientistas da Comissão RJ Ciência no Combate à Covid-19, sob coordenação da SECTI e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ). Disponibilizado pelo link bit.ly/indicarcovid19, o formulário leva apenas 2 minutos para ser respondido e solicita informações sobre contato com infectados, sintomas da Covid-19 e a localização dos casos.

O preenchimento não é obrigatório, mas a adesão em massa é de fundamental importância para o avanço de pesquisas e para que o Estado possa agir de forma mais assertiva, com base nos dados que são levantados em tempo real,formando assim, um mapa com os casos de infectados geoposicionados por CEP.
À frente do projeto está a Profa. Dra. Maria Isabel de Castro Souza, Subsecretária de Ensino Superior, Pesquisa e Inovação. Segundo ela, o estudo, além de ser primordial para a ação pública mais efetiva, também trabalha a prevenção. “Não temos testes, nem leitos e nem respiradores para todos. Então quanto maior o número de ações preventivas identificando esses casos que são até então invisíveis, melhor será para o direcionamento do poder público nas medidas em prol da sociedade”, finalizou a subsecretária.
A base digital do levantamento é 100% segura e informações pessoais não serão divulgadas. Quanto maior o número de formulários preenchidos, melhores os resultados para estudos e para a obtenção de um panorama real das subnotificações. Sem esse resultado, é inviável mensurar o verdadeiro alcance da doença no Estado. A ciência precisa de ajuda e com apenas um clique, muitas vidas podem ser salvas.
Live do Clube do Samba-Enredo é nesta terça-feira com intérpretes do carnaval
O Clube do Samba-Enredo faz nesta terça-feira, 26 de maio, a partir das 20h, uma live especial nesse período fundamental de quarentena no combate ao novo Coronavírus. A Cerveja Original é parceira da iniciativa. O site CARNAVALESCO também entrou na divulgação e vai transmitir o encontro que receberá doações para o Retiro dos Artistas. Foram convidados os intérpretes: Tinga, Wantuir, Leonardo Bessa e Serginho do Porto.

“A ideia foi do Bruno Ribas, voz oficial do Clube, e conversamos com Stepan Nercessian para fechar a parceria com o Retiro dos Artistas. A campanha nas redes sociais do Clube ficará até dia 31 de maio, quando marcaremos, com fé em Deus, uma apresentação do Clube do Samba Enredo, lá no Retiro, para a entrega das doações”, explicou Edvaldo Ramos (Vavá), criador e Produtor Executivo do Clube do Samba-Enredo.
O repertório inclui os clássicos dos sambas-enredo, como “Os sertões”, “Exaltação a Mangueira”, “Lendas e Ministérios da Amazônia”, “Kizomba”, “Festa no Arraiá”, e muitos outros.

“Vamos prestar também uma homenagem ao Tantinho da Mangueira e ao David Corrêa, mestres que nos deixaram recentemente. Por sermos um grupo e contarmos com quatro convidados, que cantarão individualmente, vamos respeitar os procedimentos da distância e uso de máscara, como deve ser, exceto, os cantores convidados, o Bruno Ribas e a Sandra Portella, nova integrante do Clube”, explica Edvaldo Ramos.
A pandemia afetou em cheio os artistas e produtores culturais. O Clube do Samba-Enredo tinha apresentações agendadas e que foram canceladas.

“O impacto doeu no bolso. Tínhamos alguns shows bem interessantes que caíram por causa da pandemia. Tínhamos agenda para todos os dias da festa junina do Clube Atlhetico Paulistano. Queremos mesmo é que tudo isso passe e o Clube volte para os seus compromissos de shows. O futuro é buscar o que for possível no segundo semestre”.
Qual sua opinião? Os enredos devem ser anunciados agora ou somente no fim da quarentena?
O mês de maio está terminando e no meio da pandemia do novo Coronavírus fica no ar a indecisão sobre os desfiles em 2021. Apesar disso, as escolas de samba do Rio de Janeiro e São Paulo trabalham na elaboração dos seus enredos. O site CARNAVALESCO quer saber sua opinião. É o momento certo para anunciar ou somente após o fim da quarentena.
Mancha Verde faz no domingo uma live solidária com convidados
No domingo, a partir das 14h, a Mancha Verde fará uma live especial solidária com a presença da ala musical e a bateria Puro Balanço tocando ao vivo os sambas da escola.
Já confirmaram presença os intérpretes Darlan Alves, da campeã Águia de Ouro, Chitão Martins (Colorado do Brás) e Gui Cruz (Mocidade Unida da Moóca), cantando grandes sambas das suas agremiações.
Além de samba, muita resenha com a presença do humorista Thiago Ventura e do menino Nickollas, juntamente com a super mãe Silvia Grecco.

Para falar um pouco de futebol, a escola convidou o atacante Dudu e o goleiro Fernando Prass (atualmente no Ceará). A rainha Viviane Araújo e nosso carnavalesco Jorge Freitas participarão ao vivo e relembrarão momentos inesquecíveis.
Os presidentes Paulo Serdan e André Guerra vão falar sobre a ação social da Mancha Verde, que já arrecadou e distribuiu mais de 70 toneladas de alimentos até o momento. Durante toda a live a escola aceitará doações.
Raiz imperiana e elogiado por analistas, Vitinho é o novo mestre de bateria do Império Serrano
Neto de Alcides Gregório, um dos fundadores do Império Serrano, e filho do lendário mestre Faísca, Vitinho assume o comando da Sinfônica do Samba, no lugar de mestre Gilmar. O novo comandante estava na Unidos da Ponte, realizando grandes apresentações na Marquês de Sapucaí.
Ao site CARNAVALESCO, o presidente Sandro Avelar ressaltou a raiz imperiana do novo mestre de bateria.
“O Vitinho tem raízes fortes no Império Serrano. O avô é fundador da escola e foi mestre da bateria. O pai também foi mestre”, frisou o dirigente.

Ao sair da Unidos da Ponte, Vitinho fez um texto de despedida. Confira um trecho: “A escola que me lançou na Marquês de Sapucaí como mestre de bateria, que realizou meu sonho, obrigado por tudo Unidos da Ponte”.
Reconhecimento da imprensa especializada
O site CARNAVALESCO ouviu dois analistas de bateria sobre a chegada de Vitinho no Império Serrano. Rodrigo Coutinho e Kleber Komká elogiaram a decisão da diretoria imperiana.

“Ele mostrou na Unidos da Ponte que está pronto para fazer um grande trabalho e em uma grande escola. A bateria do Império precisa de renovação, retomar o caminho de anos anteriores. É filho do mestre Faísca e conhece a característica da bateria do Império Serrano. Ele tem condição para trabalhar, acho que foi uma boa escolha”, afirmou Rodrigo Coutinho.

“Ele prima muito pela musicalidade e criatividade. Faz um trabalho técnico. Uma pessoa talentosa, da nova geração. Ele foi diretor de bateria da Portela por muitos anos. É filho do Faísca, ex-mestre de bateria tradicional do Império. É uma grande aposta da escola. O presidente Sandro Avelar falou que busca uma nova identidade, com o DNA do Império Serrano, e o Vitinho resume tudo isso. É deixar ele trabalhar. Tem capacidade para fazer um grande trabalho”, disse Kleber Komká.
Legado que vem do berço do Império Serrano
Em 1950, o Mestre Alcides Gregório assumiu a Bateria do Império Serrano após a morte do Mestre Bita, comandando a Sinfônica por sete carnavais. A partir de então, seu filho, que viria a ser conhecido como mestre Faísca, passou a ter uma convivência estreita com todos os instrumentos de percussão. Em 1984, aos 16 anos de idade, Faísca fundou a Bateria da Escola Mirim Império do Futuro, antes de se tornar Diretor da Sinfônica.

A Bateria do Império do Futuro, fundada anos antes por mestre Faísca, foi o palco do início da caminhada de seu filho Vitinho, que desfilou como ritmista, sob o comando do Pretinho da Serrinha entre 1996 e 1999. Entre os anos de 2014 e 2016, Vitinho também esteve como ritmista na Sinfônica.

