Dona de 14 títulos no Grupo Especial do Rio de Janeiro, a Beija-Flor é muito mais que escola de samba. A azul e branco trabalha ativamente em prol da sua comunidade. Através das conquistas, sambas e personalidades, como Neguinho, Pinah e Selminha Sorriso, o município de Nilópolis ficou conhecido por ser a casa de uma das maiores agremiações do carnaval.
Doação de 1 mil caixas de ovos em Nilópolis. Foto: Eduardo Hollanda
Durante a pandemia da Covid-19, a Beija-Flor não esqueceu nenhum minuto de sua comunidade. Toda sexta-feira acontece a distribuição de 200 quentinhas, que são feitas pelas baianas e integrantes da velha-guarda. Já foram doadas mais de 1 mil caixas de biscoitos, água e guaraná natural. A comunidade recebeu também uma doação de 1 mil caixas de ovos.
Também foram confeccionadas unidades protetores faciais transparentes, destinadas ao Hospital Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro, e, para unidades hospitalares em Nilópolis. Realizada no auge da pandemia, a Live do Samba, que teve participações de seis escolas, arrecadou 60 toneladas de alimentos, 700 litros de água e 3500 máscaras.
Aos profissionais na Cidade do Samba, a escola optou pela redução salarial para alguns. Outros, que ainda não teriam função, já que não existe nenhuma definição sobre a realização dos desfiles, foram dispensados.
“Trabalhamos com ações sociais há mais de 40 anos. Vimos na pandemia o aumento no número de pessoas que precisam de apoio. A Beija-Flor não desamparou nenhum funcionário. Mesmo quem não ficou estamos auxiliando com o que é possível. É hora de todos mudarmos para ajudarmos o próximo que está necessitando”, disse Almir Reis, vice-presidente.
Texto publicado na coluna “Espaço do Sambista” toda sexta-feira no jornal MEIA HORA
O Sambódromo da Marquês de Sapucaí teve sua energia elétrica cortada desde a última quarta-feira. A Light, concessionária responsável, informou que a Prefeitura do Rio possui uma dívida de R$ 144 milhões, e, por isso, houve os cortes em diversas unidades públicas na cidade, incluindo, o palco dos desfiles das escolas de samba.
Procurada pelo site CARNAVALESCO, a Prefeitura do Rio enviou seu posicionamento, frisando que “os pagamentos estão sendo feitos”.
“A Prefeitura do Rio não confirma o valor da dívida mencionado pela concessionária e informa que vinha mantendo tratativas com a Light, devido à pandemia. Esclarece ainda que vem realizando os pagamentos, à medida que os serviços são liquidados pelos órgãos, tendo, inclusive, realizado pagamentos à empresa no dia de ontem (terça-feira)”, diz a nota da Prefeitura do Rio de Janeiro.
Lais Aparecida da Silva, Rainha do Carnaval de Belo Horizonte em 2020, denunciou um ato de racismo ao ser convidada para um encontro e negar participação.
“Você é uma macaca, arrogante, idiota. Olha pra você, no máximo o que você serve é pra poder saciar o fetiche de alguém”, foi o texto recebido por Lais.
A sambista já foi na delegacia. Foi registrado um boletim de ocorrência.
“Fiquei bem chateada, porque a gente passa por diversas situações e essa questão vai muito além do racismo. Foi um racismo contra uma mulher. A gente sofre muito nessa sociedade machista que a gente vive hoje”, disse a rainha para o portal G1.
Apaixonada pelo carnaval, a atriz Leandra Leal publicou um texto, em suas redes sociais, defendendo o carnaval, em uma data possível e com vacina ou medicamento, e aproveitou para cobrar medidas da Liesa e do poder público.
Leia o texto abaixo:
“Gente… Carnaval só se faz com muita gente. Gente que se diverte, que canta, dança, ri e comemora. Gente que rala, que sua, que trabalha muito o ano todo e não descansa pra fazer acontecer a maior festa da Terra.
Hoje, as pessoas que trabalham no Carnaval vivem a incerteza do amanhã. Sem a vacina ou algum tratamento eficaz, o evento não poderá ser realizado em fevereiro. Eu, como foliã, espero que as prefeituras das principais capitais carnavalescas se unam para remarcar o evento o quanto antes, considerando uma data possível para que todos façam um lindo trabalho, e para que os foliões possam se divertir com segurança.
Uma data que não atrapalhe outros eventos que também são importantes, como o São João. E, principalmente, espero que no Rio de Janeiro a Liesa, junto com o poder público, informe quais as medidas serão tomadas pra que as famílias não fiquem desamparadas até 2022″.
Os compositores Sukata, Thiago Meiners, Morganti, Jairo Roizen, Luan, Marcos Thiago, Pixulé e Emerson Franco (In memoriam) assinam o samba-enredo “A evolução está na sua fé… Saravá Seu Zé!”, da Barroca Zona Sul para o próximo carnaval.
Novamente, Pixulé será o intérprete da escola que está no Grupo Especial de São Paulo. Rodrigo Meiners e Rogério Sapo são os artistas responsáveis pelo desfile. Ouça abaixo o samba.
A Dragões da Real definiu o samba da parceria de Thiago SP, Léo do Cavaco, Renne Campos, Marcelo Adnet, Darlan Alves, Rodrigo Atração, Alemão do Pandeiro, Wanderley Monteiro, Paulo Senna, André Carvalho e Tigrão. Os dois sambas finalistas, das parcerias 3 e 14, agradaram bastante a comunidade, principalmente, ao analisar as redes sociais dias antes do evento. O samba 3, interpretado por Igor Sorriso e que se consagrou campeão, carrega uma característica vibrante presente na agremiação. A obra tem uma forma de construção que facilita o entendimento somado a uma linha de raciocínio poética. A melodia do segundo refrão proporciona uma quebra positiva para o contexto do samba.
Um dos compositores, Darlan Alves, explica que pensou em escrever um samba alegre e revela que até a escolha da tonalidade foi pensada para confortar o componente.
“Quando fomos compor o samba, nós pensamos em fazer o que a Dragões já vinha apresentando nos seus sambas, é uma escola muito alegre. Só que o tema tem uma linha sobre o momento que a gente vem vivendo, e foi até uma questão nossa, ‘como vamos falar do fator emocional sem perder a alegria?’. Optamos por uma linha de samba maior e uma melodia mais trabalhada. Pensamos em tom também, que seja agradável para o componente cantar, não muito alto. Deixamos um samba linear, mas sem perder a pegada”, disse.
Já o samba 14, que foi interpretado pelo Gilsinho, chamou a atenção pela modernidade e ousadia na forma da construção. Um exemplo é o segundo refrão, que trabalha o presente e o futuro da situação que o enredo aborda, com uma rima objetiva e melodia forte. Trecho muito bem aproveitado pelo time de palco durante a apresentação. Os compositores colecionam disputas, e sempre com características modernas na letra. Cacá Camargo, que participou da composição, explica que postura visa de fato a inovação.
“A gente tem isso como identidade, nós gostamos de escrever assim. Percebemos que se a gente não fizesse algo diferente, não seríamos notados, iríamos entrar no bolo ‘mais do mesmo’. A gente veio lá de baixo, fomos chegando, conseguimos chegar em algumas finais, ganhamos algumas vezes, e isso porque temos essa visão de pensar fora da caixa”, afirmou.
A final foi realizada em formato drive-in e transmitida por live na página do Facebook. A escola optou por utilizar um ambiente externo, ao lado da quadra da co-irmã Águia de Ouro. Cerca de 102 vagas foram separadas para receber o público. A estrutura favoreceu uma grande parcela do público, que conseguiu assistir o show com nitidez. Para os mais distantes, uma estação de rádio transmitia o som do palco.
O intérprete Renê Sobral explicou motivos da mudança: “A gente fez shows na nossa quadra, mas ela é pequena. Aqui na arena cabe mais carros, a energia é maior. Como é uma final de samba-enredo, teria que ser algo diferente e importante, como essa data”.
Por conta do drive-in, a percepção do samba que mais agradou a comunidade ficou mais difícil. Sabendo disso, a diretoria dispôs dois números de Whatsapp nas redes sociais, cada um para receber o voto de um samba específico. Bastava mandar a imagem da carteirinha que o voto era computado. O aplicativo foi utilizado também para receber pedidos e agilizar o atendimento durante a final.
O presidente da agremiação, Renato Remondini, comentou que mudanças causam incertezas, mas assegurou boa realização do evento.
“Na quadra para gente é muito mais confortável. Quando você vem pro novo, as pessoas precisam se adaptar e mudanças causam medo. Mas pelo que estou vendo, o nosso pessoal se adaptou, estão curtindo demais”, afirmou.
Um ponto de destaque foi a distribuição de componentes da comissão de frente e os casais em todo o espaço. Eles interagiam e se movimentavam de forma organizada. O coreógrafo da comissão de frente, Ricardo Negreiros, contou sobre a performance.
“A gente fez algo um pouco diferente. Na recepção, fizemos uma pequena interação com as pessoas nos carros, mas tudo muito simples, sem muito contato. O que tentei fazer é trazer eles com figurino diferente pra que o público veja distinções de roupas”.
O evento contou também com a presença do carnavalesco Jorge Silveira.
“Muito feliz em poder estar de volta, eu tenho uma relação muito forte com a Dragões. A escola está tendo muita coragem em iniciar os seus trabalhos e respeitando as condições que nós temos agora. A comunidade está participando e temos fé que vamos passar por tudo isso”, revelou.
Presidente da Dragões pensa em pequenos eventos após flexibilização
O estado de São Paulo adotou fases para flexibilização da quarentena, cada uma é separada por cores. Hoje, a cidade de São Paulo está na fase amarela, 3° etapa entre as cinco. O prefeito Bruno Covas anunciou que trabalha com a possibilidade da cidade entrar na fase verde até dia 10 de outubro, que é uma retomada das atividades com critérios menos rigorosos.
Durante entrevista para o site CARNAVALESCO, o presidente Tomate contou que com a mudança de fase, já começa a pensar em pequenos eventos para a comunidade.
“A gente está vendo que está regredindo o pico da doença, e, se Deus quiser, esperamos já ter a cidade de São Paulo na fase verde. Se entrar, a gente começa a pensar em fazer pequenos eventos dentro da nossa casa para 30%, 40% da capacidade”.