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Salgueiro 2021: samba da parceria de Almirzinho

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Compositores: Almirzinho, Serginho Aguiar, Liesbeth Nunes, Artur das Ferragens, Sérgio Gallo, Thiago Bahiano, Vitor França e Diego A.S.

Não venha me enganar com simpatia
Romantizar meu sofrimento
Enquanto a Casa Grande silencia
São meus irmãos que estão morrendo
Liberto! Mas condenado à pena eterna
Cidadania subalterna
São invisíveis os grilhões
Do ventre que nunca foi livre à senzala
O samba é lugar de fala, identidade do povo preto
Cansei de ser rei por um dia
Ter minha cota na folia e desprezo o ano inteiro

Oh, mãe baiana, gira saia no terreiro
Oh, mãe baiana, gira saia no terreiro
Malungo, Caxambu é no quilombo do Salgueiro
Malungo, Caxambu é no quilombo do Salgueir

Crueldade! Há quem jogue pedras nos cazuás
Irmandade! Por que o axé ofende, se prega a paz?
Mas quando um de nós se levanta
Com os ‘Louros’ da nossa história
Representa Djalmas, Romanas
O morro, a ‘Glória’
Será que a igualdade te convém?
Não ser melhor e nem pior do que ninguém

Já ganzeei no meu Salgueiro
É resistência do ganzê no ganzeá
Academia na avenida é manifesto
Bota o dedo na ferida que hoje o samba é de protesto
Já ganzeei no meu Salgueiro
É resistência do ganzê no ganzeá
E como diz o velho ditado
Nossa raiz de fato
Nasce em qualquer lugar

Salgueiro 2022: samba da parceria de Xande de Pilares

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Compositores: Xande de Pilares, Dudu Botelho, Miudinho do Salgueiro, Betinho de Pilares, Jassa, Miguel Dibo e W Correa

No morro onde o samba é dialeto
Toca o banjo do “Guineto”
Chama “Paula” de guerreira
No forro, onde o negro dá no couro
Quem apita é “Mestre Louro”
Professor é “Noel Rosa de Oliveira”
Pelas vidas revendidas no leilão
No Valongo sufocado pela argola da opressão
Tantas vozes na miséria do cortiço
Tantos gritos de excluídos e cambaios
Nessa abolição que é tão fajuta onde o negro só labuta
Ainda é 12 maio

Nasceu liberdade no ventre matamba
Pra alguns entidade, pra nós orixá
A identidade, de Keto e Angola
É o chão da escola de “Babão” e “Anescar”
Nasceu liberdade no ventre matamba
Pra alguns entidade, pra nós orixá
A mãe tempestade, a pedra que rola,
Que embola e desembola
Ao cantar meu “Sabiá”

Ê Camará ê Camará
Eu fui batizado na roda de capoeira
Resistir é meu legado
Existir minha bandeira
Sigo de punho cerrado
Com Xangô rei da pedreira

Ôô Ôô Mocambo da raça
Não teme a mordaça
Só treme afoxés
Ôô Ôô sentinela do preceito
“Bala” contra o preconceito
“Calça Larga” sobre os pés

Os pés que riscam esse chão sagrado
Mostrando ao mundo o seu gingado
Dançando seus batucajés
Onde eu nasci e fui criado
Salgueiro meu torrão amado

Não tem chave ou cadeado
Nem corrente da senzala
Meu quilombo é encarnado
Preta voz que não se cala
Quando eu pego no ganzá
“Isabel” vai pro terreiro
Arreda que lá vem Salgueiro!!!

Estácio lamenta morte do baluarte Zeca da Cuíca

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Em post nas redes sociais, a direção da Estácio de Sá lamentou o falecimento de Zeca da Cuíca, um dos balaurtes da vermelho e branco. Veja a publicação abaixo.

zeca cuica

“A família estaciana está de luto. O G.R.E.S. Estácio de Sá lamenta profundamente informar o falecimento de Zeca Cuíca, um dos grandes baluartes de nossa agremiação.

Chegou ao morro de São Carlos aos 3 anos de idade e lá viveu por toda sua vida. Ganhou sua primeira cuíca de Djalma Sabiá, amigo de longa data e fundador da co-irmã Acadêmicos do Salgueiro.

Se destacou como ritmista da Unidos de São Carlos com sua eterna companheira: a cuíca. Na década de 60, ajudou a criar o grupo Originais do Samba. Tocou com Marisa Monte, Paulinho da Viola, Jorge Aragão e Zeca Pagodinho, entre outros grandes nomes da música brasileira.

Jamais abandonou suas raízes e sua escola de coração!

Siga em paz, Zeca! O som da sua cuíca será sempre imortal para os estacianos e para todo o mundo do samba”.

Império da Tijuca 2021: samba da parceria de Ailson Picanço

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Compositores: Ailson Picanço, Clairton Fonseca, Cristiano Teles E Wagner Rodrigues

Fui Batizado No Rufo Balanço Dos Tambores
Fui Preparado Na Ginga Do Maculelê
Eu Sou Assim… Lua Que Vem De Luanda
Baque Virado Que Dança
Verso Retinto A Cantar
Eu Sou Assim… Da Negritude Herança
Primeiro Império Do Samba
Punho Cerrado A Lutar

Escute Um Conselho Do Compositor
Testamento Deixou Valores Da Raça
Viola, O Banzo Quem Dedilhou?
Melodiou Um Novo Dia De Graça
Aonde Ecoam Os Pandeiros
Poesia De Partideiro Em Batuques, Lundus
Quilombo, Resistência É Tua Arte
Chama Teus Baluartes De Vestes Comuns

Lalaia Laiá… Cantarolar
Chegou A Hora!
Candeia O Estandarte Está Na Rua
Na Pele A Bravura De Quem Faz Escola

Nesse Cortejo N
Ossa Gente É Enredo
A Luta Do Povo Preto
Ninguém Pode Sufocar
Dignidade! Novo Brado De Palmares
Cantoria Em Meus Altares
Em Nago, Iorubá

Morro Desceu Pra Saudar Seu Orixá
Morro Desceu Pra Saudar Seu Orixá
Oro Mimá! Mamãe Oxum! Ora Yê Yê Ô!
Quilombola É Batuqueiro

Império da Tijuca 2021: samba da parceria de Poeta do Rio

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Compositores: Poeta do Rio, Hamilton Vittal e Gê Guimarães

NA FÉ, ABENÇOADO
POR NOSSA SENHORA
SOU NEGRO, SOU REI!
MINHA ALEGRIA
NINGUÉM VAI ESCRAVISAR!
SAMBA É FEITO
PRA SAMBAR!

COM LUTA HERÓIS DA LIBERDADE
GRANDES BAMBAS MANTIVERAM NOSSA VOZ
NA GINGA, CANÇÕES, POESIAS,
NA ARTE DOS NOSSOS ANCESTRAIS

NADA VAI CALAR
NOSSO GRITO
FANTASIA É ILUSÃO
O VERDADEIRO SAMBA
TEM ALMA
TEM CORAÇÃO.

ELE SURGE
NA COMUNIDADE
A FORMIGA É UNIÃO
CANTANDO NO TERREIRO
ESCOLHE O HERDEIRO
POR ELE DAMOS
O MELHOR
NOSSO SANGUE
NOSSO SUOR!

KIZOMBA É AVENIDA
OXALÁ! ALTAR DO AMOR!
A SINFONIA IMPERIAL
SHOW DO CARNAVAL
BATE FORTE SEU TAMBOR
AXÉ ORA YÊ YÊ Ô Ô Ô!

Império da Tijuca 2021: samba da parceria de Douglas

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Compositores: Douglas, Azeitona, Badá e Ivar Sangue bom

Respeita meu samba eu sou o Quilombo
Que o Mestre Candeia inspirou
Reduto de bambas, do bom capoeira, da Preta Princesa guerreira
Das coisas que vó ensinou
A minha arte é minha luta
A resistência
A minha cor, a consciência
A força da gente que nunca se cansa
A sua cultura alcança o mundo inteiro
Partido Alto ao Jongo, Maracatu, Afoxé
É o negro brasileiro

Samba de Preto, “Nego” samba Quilombola
Não nego a raça hoje é dia de graça
Sem preconceitos a Formiga vem aí
Canta Sapucaí

Vamos vestir novamente a simplicidade
Saudar meus heróis e aplaudir sua dignidade
A paz e o amor são as cores do meu Pavilhão
Meu manifesto é o carnaval de pé no chão
Cantar a verdadeira liberdade
Lembrando o poeta e ator
Que saudade !!
Um dia a minha voz vai ecoar de novo
Nessa Kizomba que é do povo
E vai ser mais feliz

Vai subir poeira
A verde e branco não é brincadeira
E vem com fé pisando forte no terreiro
O meu Império traz o samba verdadeiro

Império da Tijuca 2021: samba da parceria de Paulo César Feital

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Compositores: Paulo César Feital, Denilson do Rozario, Cristiano Plácido e Igor Leal

CHEGUEI…
NO LAMENTO NEGRO DE ALÉM-MAR
UM MALEME DE ARUANDA
LÁGRIMAS DE OBATALÁ
EU FUI BATIZADO SAMBA
PELO POVO DE OXALÁ!
E FAÇA O FAVOR DE ME RESPEITAR
SOU O PANTHEON DOS BAMBAS
ONDE AS ROSAS DE ANGENOR
BRILHAM NA LUZ DE CANDEIA, SILAS E SINVAL, SALVE O CARNAVAL!
A FESTA QUE VOCÊ ODEIA
MAS FAZ QUESTÃO DE ENGANAR
E ATÉ DE CANTAR COM QUELÉ, VADEIA!

MEU REINO É O MORRO, NÃO VENDO MINHA FÉ
QUEM NUNCA SUBIU NÃO SABE A LUTA
JAMAIS SABERÁ A HONRA QUE É
SER IMPERADOR DO IMPÉRIO DA TIJUCA!

SE O MEU POVO CIVIL
GENTE DE COMUNIDADE
DEIXAR DE SER TÃO GENTIL
EU TRANSFORMO O BRASIL NUM PAÍS!
LIBERDADE!
E RECUPERO A RAZÃO
MATO A SUA CRUELDADE
SAMBO AO SOM DA PAIXÃO
SOU QUILOMBO, NAÇÃO, VERDADE!

NO IMPÉRIO DA TIJUCA
SOA A VOZ DOS ORIXÁS
SOU NASCIDO ENTRE YORUBÁS
SOBRE O COURO DOS TAMBORES
SANGUE DOS MEUS ANCESTRAIS
NÃO PROVOQUE O DEUS DOS CARNAVAIS!

Império da Tijuca 2021: samba da parceria de Gabriel Machado

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Compositores: Gabriel Machado, Manoel Neto, Juliano Centeno e Leandro Gaúcho

Axé, salve a quilombola caminhada
Venho com fé, de alma lavada
Será que o samba está em nossas mãos?
Meu verso, é sangue de preto e não tá no mercado
Negro partideiro não manda recado
Não se vende a qualquer ilusão
Quero um novo manifesto, um pergaminho
Quilombo que refez nosso caminho
Um sonho com a benção de Candeia
Faz meu Império hoje a sua bandeira

Afoxé ô gira na roda lundu
Ginga jongueiro, maracatu
Pé no chão, onde a herança fez lugar
Capoeira, Capoeira

(Ê baiana) Mãe De Santo, manto, canto e oração
Se fez enredo da canção
A negritude em minha vida
Nas mãos do povo
A “Apoteose”, a “arte”, o ideal
Um samba enredo imortal Cicatrizando a ferida
Quilombo da batucada! Na avenida escravizada
Quilombo vem mostrar o seu lugar
A formiga é igualdade Da raiz um estandarte
Kizomba aos heróis da liberdade

Eu sou Império, agô
Um canto negro ecoou
O ressoar do meu tambor vai te guiar
Orayeye Oxum Docô
Pra mal algum me alcancar
Sou resistência, Sou Quilombo, Saravá

Império da Tijuca 2021: samba da parceria de Claudio Mattos

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Compositores: Claudio Mattos, Thiago Meiners e Marco Moreno

Samba não tem mordaça
É poesia à luz de Candeia (Candeia)
Liberdade em cada nota musical
Quilombo batuque da nossa aldeia
(Fala meu Brasil)
Se cada verso é uma fantasia
Pra enganar a dor de um bamba
O toque do pandeiro é alegoria
O abre-alas do verdadeiro samba
Negra raiz do tambor (ôô)
Que faz o povo cantar

LAIARAIÁ LAIARAIÁ

É semba de Angola que vem de Luanda
Swing que vence demanda
O axé do paticumbum
É sangue de Zambi, Zumbi e Mahin
Que corre em você e em mim
É jêje, nagô e vodum
Samba, meu samba que emana a paz de Martinho
De Luiz Carlos encontrei o meu caminho
Toda candura em Paulinho da Viola
Samba, meu samba é a luz de um dia de graça
Poema do povo, Quilombo da raça
Eu fiz desse amor minha escola

KIZOMBA Ê… FIRMA NO ILÊ
É A BATUCADA DO IMPÉRIO DA TIJUCA
PARTI DO ALTO DO MORRO TRAZENDO O SOM DA COR
QUE NASCE DA ALMA DE UM COMPOSITOR

Dandara Ventapane defende o legado raiz no samba

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Porta-bandeira da União da Ilha, ela é neta de Martinho da Vila e atua em diversas frentes, comprovando que a mulher pode ser o que quiser. Veja abaixo a entrevista para a coluna “Espaço do Sambista”, publicada toda sexta-feira, no jornal MEIA HORA.

Qual é o maior desafio para ser porta-bandeira?

Dandara: “É representar um pavilhão com dedicação, beleza e paixão. Lidar com os contratempos do momento na Avenida (roupa, vento, atraso, ajuste), além de como mulher, ser a representante de tantas outras”.

O que ajudou e o que dificultou em ser neta do Martinho e trabalhar no carnaval?

Dandara: “Tive abertura na Unidos de Vila Isabel para mostrar minha vontade de compor o quadro de casais. Se eu não fosse “de casa”, pois sempre fui presente e desfilante, o caminho seria outro. Pedi para ser a 3ª porta-bandeira, o que não havia na escola. Não tirei o lugar de ninguém. A dificuldade foi exatamente desligar essa conexão: ‘Só está lá porque é neta do Martinho’. Precisou de tempo, e, talvez, que eu saísse da Vila Isabel para mostrar o valor da minha dança e arte”.

Como as escolas de samba podem trabalhar mais com meninas e meninos das comunidades?

Dandara: “É preciso ter ações de trazer o componente com sua família para as escolas mirins e para o convívio cultural do carnaval. Isso vai ser reafirmar, através dos projetos sociais, dentro das escolas de samba, e, assim as crianças vão ter o reflexo cultural em suas vidas. Falando da engrenagem como um todo, é a valorização do artista em diversos níveis dentro da estrutura”.

Você foi recentemente mãe, é porta-bandeira e cantora. Qual é o segredo dessa “super Dandara-Maravilha” para dar conta de tudo?

Dandara: “Está entre ancestralidade e contemporaneidade (risos). Minha mãe, Analimar, é meu espelho de mulher maravilha, ser mãe de três, trabalhar com a música e o que for necessário pra agregar financeiramente em casa. Ter uma rede de apoio é fundamental. Nós, mulheres, queremos ter o poder de decidir o que nos é necessário. Ser “Dandara-Maravilha”, mãe solo, não ser mãe, ter filho e profissão ou só se dedicar a família”.

A Ilha acabou sendo rebaixada e você seguiu. Qual é o tamanho do desafiou em desfilar na Série A?

Dandara: “O tamanho é grande. É uma missão. Colaborar com a escola para se reerguer e voltar ao Grupo Especial. Toda a comunidade e a direção da escola confiou em mim e no meu trabalho, independente da colocação. Isso foi o que me fez continuar na União”.