Por Milton Cunha, Victor Raposo, Thiago Acácio, Reinaldo Alves, Tiago Freitas e João Gustavo Melo
“TRAVA NA BELEZA: Imaginários sobre o destaque de luxo de escola de samba”, que será publicado no Dossiê da Revista Policromias do LABEDIS, Museu Nacional da UFRJ, com Editoria de Tania Clemente.
Para chegar aos núcleos temáticos, fizemos uma série de entrevistas que passamos a publicar no site CARNAVALESCO, duas vezes por semana. Este material acabou não entrando no corpo do texto, por limitação de espaço, e não queríamos deixar de mostrar. É uma homenagem aos esforços destes luxuosos personagens que habitam nossos sonhos de folia! Viva os Destaques de Luxo, mensageiros do glamour.
Alex Araújo – Unidos da Tijuca, Tuiuti e Carnaval de SP
O que você imagina que a plateia imagina quando te vê passando na avenida
durante o desfile?
Alex Araújo: Quando eu entro na avenida com a fantasia toda pronta, a primeira coisa
que deve-se passar pela cabeça das pessoas é de como tudo aquilo está belo, em seguida creio que se perguntam quanto foi gasto, como eu consigo carregar todo esse peso, como fiz para estar desfilando como destaque e principalmente qual é a sensação de estar vivendo tal momento. Para resumir tudo isso em uma única palavra, creio eu que as pessoas ficam “deslumbradas”.
Gostaria de saber como surgiu o seu interesse em ser destaque de luxo? Quando
foi o seu primeiro desfile nesse posto? Como e quando foi a sua chegada na Tijuca e Tuiuti? E no Carnaval de São Paulo? Já desfilou em outras agremiações nesse posto? Se
sim, quais?
Alex Araújo: Por motivos de viver intensamente o carnaval há 20 anos, eu sempre
sonhei em ser Destaque. Comecei como Destaque de luxo na Escola de Samba Camisa Verde e Branco, em 2002, onde fiquei 15 anos na escola. Depois fui Destaque da X9 paulistana, na Rosas de Ouro a qual escola que estou até hoje e também no Rio de Janeiro, na Unidos da Tijuca e na Paraíso do Tuiuti.
Como é o seu planejamento para desfilar? Qual o seu papel na concepção e elaboração da fantasia? E como é a relação do carnavalesco nesse processo?
Alex Araújo: Pego o figurino, já estudo o Desenho e já começo arte e ferragem, logo
após começo a confecção da fantasia. Este ano, meu papel foi o desenvolvimento e
adereçamento, decoração e arte plumária. Minha relação com os carnavalescos, eles sempre me ajudam muito, pois se tenho dúvidas de algo já pesquiso com ele. E em relação ao personagem/papel que você vai interpretar no desfile.
Você faz alguma preparação corporal, nos aspectos de gestual e de semblante? Como que você “encarna” aquilo que está vestindo? Como internaliza as personagens que representa?
Alex Araújo: Olha eu tento fazer o mais real possível com maquiagens e as fantasias.
Agora o gestual não sou muito performático não.
Você tem apego com as fantasias? Como lida com a ideia de que ela será vista em
pouco tempo pelo público?
Alex Araújo: Na verdade venho trabalhando já um tempo com o desapego, tanto que
minhas 3 fantasias de 2020 já foram embora. Hoje em dia não guardo mais até mesmo porque é difícil lugar pra guardar tantas coisas.
Pra você, o que faz uma fantasia de destaque se eternizar na mente de quem
assiste os desfiles? E o que faz um destaque se distinguir dos demais destaques de luxo do carnaval?
Alex Araújo: Acredito que a Fantasia se eterniza devido ao conjunto e visual que
chame atenção e o que faz o destaque distinguir dos demais e sua identidade e sua conduta de respeito ao colega.
Tem alguma fantasia ou fantasias por qual você sempre é lembrado (a) ou que
tenha se tornado inesquecível para as pessoas? Se sim, por qual motivo isso aconteceu?
Alex Araújo: A fantasia da Rosas de Ouro de 2019. Ela teve uma arte plumária
contendo muito luxo numa cartela de cores expressiva e de requinte. A Fantasia da Unidos da Tijuca de 2020. Ela foi muito imponente com muitas penas e com um degradê de cores
suntuosa.
Você considera o luxo essencial para a festa? Se sim, por qual motivo?
Alex Araújo: Acho que o luxo sempre é essencial, mas também acho importante a
originalidade e que também não deixa de ser rica em detalhes.
Antigamente, cada destaque vinha em uma alegoria. Hoje, com a diminuição do
número de carros, isso tem sido menos frequente. Como você enxerga essa mudança? É
um problema pra você dividir a atenção do público?
Alex Araújo: Enxergo essa mudança como normal devido à falta de verba das agremiações. Eu não tenho problema algum em dividir alegoria ou até mesmo a atenção do público, pois quando o destaque é um ser de Luz você sempre irá brilhar independente. Acho
que há espaço pra todos.
Pra você o que a figura do destaque simboliza para os demais componentes da
escola? E como é a relação deles com você?
Alex Araújo: O destaque simboliza para os componentes algo intocável. Está no
pedestal. Que na verdade não temos que ser ou estar. Eu sou super aberto a conversas com a comunidade, gosto de trocar essas experiências com eles. Eu, Alex, não vejo tanta diferença, mas sei que somos muito importantes para a alegoria ainda mais que somos julgados no quesito alegoria.
O carnaval vem passando por uma crise financeira e muito se fala que as escolas
precisam voltar às suas raízes. Você acha que a comunidade se sente representada quando vê vocês nos dias de hoje? Sentiu alguma mudança na relação entre você e a comunidade nos últimos anos?
Alex Araújo: Acredito que minha comunidade se orgulha muito do meu trabalho,
empenho, dedicação e comprometimento. Percebo que hoje eles respeitam mais o nosso
trabalho. Você falou, na resposta ao Milton, sobre os olhares de deslumbramento do
público.
Conte mais um pouco sobre esse momento de troca entre você e quem está te
contemplando?
Alex Araújo: Acredito que ficam encantados com o deslumbramento que são as
fantasias. E admirados com os quão corajosos somos ao carregar tamanho peso das roupas em tamanha altura!
Você também falou que as pessoas devem se questionar como foi que conseguiu
chegar a esse lugar de destaque. Acredita que vocês ocupam, no imaginário das pessoas, um lugar considerado impossível de ser atingido por elas?
Alex Araújo: Eu converso muito com o público e os componentes, eles realmente
acham impossível, até mesmo por que é muito restrito e não há oportunidades. Eu tiro por
mim e minha chegada no Rio de Janeiro. Foi muito difícil! Na hora que praticamente esqueci a ideia, surgiram com os convites. Até mesmo falta um pouco mais de união ao grupo de Destaques. Eu estou fazendo agora um trabalho de união com essa ponte SP e RJ. Para tentar fazer esse contato mais próximo, para que todos se conheçam e se respeitem, pois há muita vaidade infelizmente.


O site CARNAVALESCO inicia hoje a série de reportagens “Por Onde Anda?”, que tem o intuito de trazer para os leitores o que andam fazendo alguns dos nomes que marcaram a história do carnaval carioca, mas que nos últimos anos estão afastados da festa. E o primeiro a conversar com a reportagem é o cantor e compositor Paulinho Mocidade.
Na sequência, Paulinho Mocidade seguiu explicando a decisão de se afastar da festa. “Carnaval eu já fiz o que tinha de fazer. Fui tetra campeão na Sapucaí, sendo bi-campeão na Mocidade e bi-campeão na Imperatriz Leopoldinense. Tive alguns sambas antológicos na carreira, na Mocidade, como ‘Elis, um trem de emoções’ de 1989 e ‘Como era verde o meu Xingu’ de 1983, além de ‘Sonhar não custa nada, ou quase nada’ de 1992 que a imprensa considera o maior samba da história da Mocidade e um dos 20 maiores sambas-enredo de todos os tempos. Me sinto muito honrado e orgulhoso por isso”, prosseguiu.
Um dos líderes nas negociações entre escolas de samba e poder público para a retomada dos eventos do mundo do samba, o empresário Gabriel David explicou por meio de suas redes sociais como se dará o processo de reabertura das quadras na próxima fase de retomada prevista pelas autoridades sanitárias.
Sem previsão de data e nem mesmo de como irá acontecer, tudo que envolve o próximo desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro trata-se de uma incógnita. Porém, mesmo em meio às incertezas, diversos artistas da festa seguem ativos e atuantes, no processo de criação e desenvolvimento do espetáculo.
O Rio de Janeiro vem aos poucos retomando as suas atividades econômicas que foram paralisadas em virtude da pandemia do novo coronavírus. Na próxima etapa de flexibilização as quadras das escolas de samba devem ser contempladas com a liberação de funcionamento parcial.
Os candidatos à Prefeitura do Rio foram convidados para um game proposto pelo Jornal O Globo, onde tiveram de responder perguntas sobre diversos assuntos da cidade. Duas dessas perguntas tratavam do carnaval especificamente. 13 dos 14 candidatos participaram. Apenas Henrique Simonard (PCO) não respondeu aos questionamentos enviados.
A pandemia do novo coronavírus já provocou a morte de mais de 150 mil brasileiros. Somente no estado do Rio, cerca de 19,3 mil vidas foram perdidas por conta da Covid-19, doença provocada pelo vírus. Em meio a este estado de calamidade pública, as atividades das escolas de samba estão completamente paradas, e a falta de perspectiva acerca de quando haverá uma vacina, tornaram incerto o futuro de quando poderá ocorrer os desfiles, com a devida segurança.
O site CARNAVALESCO conversou com o presidente executivo da Lierj, Wallace Palhares, sobre o atual momento de indefinições na festa e de fragilidade das escolas. A entrevista completa pode ser conferida abaixo:













