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Freddy Ferreira analisa bateria da Portela no ensaio técnico na Sapucaí

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Uma grande apresentação no ensaio técnico da bateria “Tabajara do Samba”, da Portela, marcando a estreia do mestre Vitinho. Uma bateria portelense com seu característico peso de surdos, musicalidade refinada nas bossas e nível técnico apurado nos mais diversos naipes.
Na parte da frente do ritmo da Portela, um naipe de chocalhos de nítida virtude sonora coletiva tocou interligado a uma ala de tamborins de alta qualidade técnica. O casamento musical entre chocalhos e tamborins — ambos uníssonos — foi o ponto alto do belo trabalho das peças leves portelenses, que ainda contaram com um naipe de agogôs sólido, executando convenções rítmicas e pontuando as variações melódicas do samba da escola. Uma ala de cuícas segura tocou de forma ressonante, auxiliando também no preenchimento musical da cabeça da bateria. Na primeira fila do ritmo, um naipe de xequerês se exibiu de modo correto, assim como ritmistas tocando tambor de ilú, que também deram sua contribuição rítmica às peças leves.
Na cozinha da Águia, percebeu-se uma afinação de surdos extremamente acima da média. Os marcadores de primeira e segunda foram firmes e precisos, enquanto os surdos de terceira ficaram responsáveis pelo típico balanço da bateria da Portela. Uma ala de repiques tocou de forma coesa junto a um naipe de caixas bastante consistente, com toque coletivo de destaque e a clássica rufada portelense bem pontuada.
Bossas de alto impacto musical foram exibidas com segurança durante todo o cortejo. Sempre baseadas nas nuances melódicas do samba, imprimiram musicalidade e se aproveitaram da pressão sonora dos surdos para a construção da sonoridade. Conversas rítmicas envolvendo os mais diversos naipes fizeram parte das paradinhas, ajudando a impulsionar os componentes da agremiação com bossas dançantes. Destaque para o belo arranjo do refrão do meio, com direito à bateria abrindo no centro para um momento coreografado e dançante. Esse, aliás, foi um dos instantes em que a “Tabajara” mais se movimentou, atraindo forte ovação popular. As movimentações coreografadas em meio ao ritmo provocaram aplausos sempre que exibidas, evidenciando um conjunto que alcançou alta performance técnica aliada a uma entrega energética.
Um grande ensaio técnico da “Tabajara do Samba”, na estreia de Vitinho como mestre de bateria da Portela. Um ritmo genuinamente portelense foi apresentado, aliado a bossas dançantes e impactantes. A coletividade musical apurada de todas as peças foi um dos grandes destaques da bateria da Águia. Um ensaio técnico que renova a esperança de uma “Tabajara” pronta para brigar pela pontuação máxima no desfile oficial, após uma exibição segura, técnica e vibrante.

Freddy Ferreira analisa bateria do Paraíso do Tuiuti no ensaio técnico na Sapucaí

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Um ensaio técnico muito bom da bateria “Super Som”, do Paraíso do Tuiuti, sob o comando do mestre Marcão. Uma conjunção sonora de destaque foi exibida. Bossas com boa musicalidade auxiliaram a impulsionar o melodioso samba da escola de São Cristóvão, garantindo boa receptividade do público quando executadas.

Na parte da frente do ritmo do Tuiuti, um naipe de chocalhos de exímia qualidade técnica tocou interligado a uma ala de tamborins com trabalho coletivo bem caprichado. O casamento musical integrado entre tamborins e chocalhos contribuiu para o brilho sonoro das peças leves, que também contou com o luxuoso auxílio de um naipe de cuícas ressonantes.

A cozinha da “Super Som” apresentou uma afinação de surdos acima da média, auxiliando marcadores de primeira e segunda a realizarem um trabalho sólido e preciso. Os surdos de terceira deram um balanço único aos graves. Repiques de boa técnica musical tocaram junto de um naipe de caixas bem consistente, evidenciando o grande trabalho envolvendo os médios. Na parte de trás do ritmo, surgiram as congas, utilizadas magistralmente em uma bossa específica.

Bossas altamente musicais foram executadas de forma cirúrgica pela “Super Som”. O belo solo das congas no refrão do meio tem potencial para ser arrebatador no dia do desfile oficial. Exibido junto de chocalhos e cowbell, promete ser um dos pontos altos da musicalidade da escola. A conversa rítmica dos diversos arranjos, aproveitando-se das nuances do melodioso samba do Tuiuti, mostrou-se apropriada e funcional durante todo o cortejo.

Uma apresentação muito boa da bateria “Super Som”, dirigida pelo mestre Marcão. Um ritmo bem vinculado à bela obra da escola do bairro imperial foi exibido. Uma bateria do Tuiuti que esbanjou classe ao tocar, executou arranjos requintados e apresentou ótima fluência entre os mais diversos naipes, graças a uma boa equalização de timbres. Mestre Marcão, seus diretores e ritmistas têm motivos de sobra para saírem satisfeitos e otimistas desse grande treino no campo de jogo, visando o desfile oficial.

Freddy Ferreira analisa bateria do Salgueiro no ensaio técnico na Sapucaí

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Um ótimo ensaio da bateria “Furiosa”, do Acadêmicos do Salgueiro, sob o comando dos mestres Guilherme e Gustavo. Uma bateria salgueirense com forte impacto da pressão sonora do peso dos surdos nas bossas, apresentando um ritmo bem vinculado às suas principais características. O saudosismo envolvido nos novos surdos de acrílico serviu como estímulo emocional para a boa entrega energética dos ritmistas, além de prestar uma merecida homenagem ao eterno mestre Louro.

Na parte da frente do ritmo salgueirense, uma ala de cuícas seguras se exibiu com solidez. Um naipe de chocalhos, fazendo jus ao nome, apresentou um apurado nível técnico coletivo. Uma ala de tamborins de inegável qualidade sonora complementou as peças leves, realizando um desenho rítmico pautado pelas nuances melódicas do samba da escola branca e encarnada do bairro da Tijuca.

Na cozinha da “Furiosa”, uma excelente afinação pesada de surdos foi percebida, bem conectada à tradição salgueirense. Linda homenagem à própria história musical do Salgueiro foi o renascimento dos surdos de acrílico, tão famosos na época do lendário mestre Louro. Marcadores de primeira e segunda tocaram com firmeza característica e segurança, inclusive quando luxuosamente requisitados nas bossas. Os surdos de terceira deram um balanço envolvente aos graves, além de participarem de forma efetiva dos arranjos das bossas, sempre com requinte. Repiques coesos tocaram junto de um naipe de caixas sólido e de uma boa ala de taróis, contribuindo para o preenchimento dos médios e dando aquele molho “furioso” ao ritmo do Torrão Amado.

Bossas de boa musicalidade foram exibidas com precisão por ritmistas muito bem ensaiados. Sempre seguindo as variações melódicas do samba-enredo para consolidar o ritmo, contaram com pressão sonora proveniente do peso dos surdos, além de um trabalho caprichado dos surdos de terceira nos arranjos. Paradinhas de certa complexidade foram apresentadas com tamanha segurança que a fluência musical, mesmo diante de arranjos com elevada dificuldade de execução, manteve-se intacta.

Uma ótima apresentação da bateria “Furiosa” do Salgueiro no ensaio técnico, dirigida pelos mestres Guilherme e Gustavo. Um ritmo possante, proporcionado por uma afinação de surdos bem pesada, plenamente inserida na tradição musical salgueirense. Bossas impactantes e dançantes foram exibidas com bastante precisão, com os ritmistas demonstrando segurança absoluta mesmo diante de arranjos complexos.

Freddy Ferreira analisa bateria da Vila Isabel no ensaio técnico na Sapucaí

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Um excelente ensaio técnico da bateria “Swingueira de Noel”, da Unidos de Vila Isabel, regida por mestre Macaco Branco. Uma conjunção sonora de raro valor musical foi obtida, graças a uma afinação pesada de surdos, à fluência impecável entre os naipes e a uma equalização de timbres privilegiada.

Na cabeça da bateria da Vila, uma ala de chocalhos primorosa executou com brilhantismo técnico um desenho rítmico, pontuando as melodias do belo samba da escola. Tudo interligado a um naipe de tamborins musicalmente muito acima da média. A convenção rítmica dos tamborins, mesmo com certo grau de dificuldade, foi executada de modo cirúrgico. Impressionante a coletividade musical de todo o naipe, em que, por toda a pista, parecia haver apenas uma peça tocando, graças à pulsação rítmica semelhante entre todos os ritmistas. Muita educação musical e coesão rítmica no casamento especial entre tamborins e chocalhos. Diferentemente de anos anteriores, as cuícas vieram enfileiradas por dentro da bateria, fugindo da organização tradicional e reverberando sua sonoridade ao longo de todo o ritmo. O feijão com arroz bem temperado dos cuiqueiros da Vila Isabel ajudou a marcar o samba com qualidade musical para os demais ritmistas.

A parte de trás do ritmo da Vila contou com uma afinação de surdos acima da média, conferindo o aspecto peculiar à bateria da escola do bairro de Noel. Surdos de primeira e de segunda tocaram com firmeza e segurança, contribuindo tanto para a marcação do ritmo quanto para a explosão sonora das bossas. Os surdos de terceira, com um balanço bastante envolvente, deram molho à sonoridade dos graves com eficácia, inclusive nas paradinhas. Um naipe de caixas tocando de forma reta e consistente atuou junto a uma ala de taróis tecnicamente privilegiada, com sua clássica batida rufada. Um naipe de repiques de alto valor técnico também auxiliou no preenchimento da musicalidade dos médios.

Bossas amplamente conectadas ao melodioso samba da Vila foram exibidas, sempre executadas de maneira impecável. Um conjunto de bossas que misturou a pressão sonora da afinação pesada dos surdos ao trabalho técnico apurado das mais diversas peças. São paradinhas sobretudo dançantes, como a conversa rítmica diferenciada no refrão do meio, que ainda conta com uma retomada clássica da Vila assim que entra a segunda do samba. Uma criação musical destacada pela boa integração com a obra vilaisabelense.

Uma excelente apresentação da bateria da Unidos de Vila Isabel, comandada por mestre Macaco Branco. Um ritmo autêntico da bateria da Vila, com marcações pesadas, caixas retas consistentes e um balanço inigualável no toque dos taróis. O casamento musical entre tamborins e chocalhos também merece menção, diante de tanta integração. Bossas dançantes auxiliaram a impulsionar os componentes, engrandecendo um dos mais lindos sambas do carnaval.

Dudu Azevedo fala sobre segundo ano como diretor de carnaval da Mangueira, organização interna e expectativas para 2026

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Pelo segundo ano consecutivo à frente da direção de Carnaval da Estação Primeira de Mangueira, Dudu Azevedo afirma viver um momento de grande responsabilidade e realização pessoal. Sambista de berço, ele destaca que ocupar o cargo em uma escola com a dimensão histórica e simbólica da Mangueira ainda é algo difícil de mensurar. “É muita honra e muita glória estar na Mangueira. Eu não sei mensurar a grandeza de ver que hoje eu estou na maior coisa chamada planeta, que é a Mangueira”, afirma.

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Dudu ressalta que fazer parte da escola representa integrar uma instituição marcada pela ancestralidade e pela identidade negra. “É uma escola de raiz, que respeita o samba e que representa, com certeza, a maior cultura do Brasil”, diz. Segundo ele, o trabalho na direção de Carnaval é coletivo e sustentado por um grupo de lideranças internas que participa ativamente das decisões estratégicas do desfile.

Ao comparar os carnavais de 2025 e 2026, Dudu aponta um avanço significativo na maturidade do projeto. “No ano passado, a galera acreditou. Este ano, a galera já faz”, resume. Para ele, a principal mudança está no nível de engajamento da comunidade e das equipes envolvidas. “O trabalho parece mais sólido. Existe cooperação, abraço ao projeto e uma sensação de que todo mundo já entendeu o caminho”, afirma. Dudu destaca ainda a rotina de reuniões semanais e debates internos como parte fundamental desse processo.

Outro ponto destacado pelo diretor é o momento financeiro vivido pela escola, que, segundo ele, tem impacto direto na qualidade do trabalho desenvolvido no barracão. “A Mangueira hoje tem a ministra do Planejamento, a presidente Guanayra Firmino. A forma como ela dá condições de infraestrutura e como todos os profissionais recebem em dia faz muita diferença”, explica. Ele cita ferreiros, carpinteiros, aderecistas e equipes de ateliê e barracão como parte de uma engrenagem que depende de organização e previsibilidade.

“O reconhecimento financeiro é fundamental para o trabalho artístico. O artista gosta do reconhecimento financeiro, e isso permite cobrar e exigir o trabalho com responsabilidade”, afirma. Segundo Dudu, a gestão da escola trata o cumprimento dos pagamentos como obrigação básica. “Quando a gente conversa, ela fala que não está fazendo nada demais, está fazendo o que é certo”, completa.

Dentro desse processo, o trabalho plástico desenvolvido pelo carnavalesco Sidnei França ganha centralidade. Dudu avalia que o artista chega ao segundo Carnaval com a Mangueira mais seguro de sua linguagem e mais conectado à identidade da escola. “O Sidnei já fez um Carnaval muito bonito no ano passado, e agora ele vem com uma assinatura ainda mais clara de Mangueira”, afirma. Para o diretor, o carnavalesco conseguiu assimilar pedidos e sensibilidades do mangueirense sem abrir mão de seus próprios traços. “Ele tem uma assinatura muito bela, com traços que só ele tem”, destaca.

Dudu ressalta que a estética do desfile de 2026 nasce do cotidiano do barracão e da convivência direta com o processo criativo. “É emocionante estar no barracão todos os dias acompanhando o trabalho dele”, afirma. Segundo ele, a leitura visual do desfile deve evidenciar identidade, acabamento e coerência plástica, pontos considerados fundamentais para a Mangueira.

Novo sistema de som da Sapucaí provoca avaliações, comparações e expectativas do público na primeira noite de ensaios técnicos do Grupo Especial

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A primeira noite de ensaios técnicos do Grupo Especial na Marquês de Sapucaí foi também um grande teste de escuta. Além das baterias afinadas, dos intérpretes aquecendo a voz e das arquibancadas voltando a pulsar, o público acompanhou atento a estreia do novo sistema de som da Passarela do Samba, que substitui o tradicional carro de som e promete uma experiência mais uniforme ao longo da avenida.

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A novidade, no entanto, ainda em fase de ajustes, provocou percepções diversas entre o público presente, que avaliou desde a distribuição do áudio nos setores até a clareza da bateria e da voz dos intérpretes. Para muitos, o primeiro impacto foi positivo; para outros, as falhas pontuais acenderam o alerta para a necessidade de correções antes dos desfiles oficiais.

Autônoma e torcedora da Portela, Alessandra Guedes acompanhou os ensaios mesmo com o coração dividido em casa — o marido é da Mocidade Independente. Para ela, o sistema ainda precisa de ajustes, mas o saldo da estreia é animador.

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“Tiveram muitas falhas no som e espero que a gente consiga corrigir a tempo, mas está muito bom. No geral, dá pra curtir”, avalia.

A análise mais técnica veio de Paulo Roberto Rodrigues, profissional da área de tecnologia e audiovisual e torcedor da Mocidade. Ele destacou que os problemas não foram generalizados, mas localizados.

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“O som pecou muito na hora da Niterói e no início da Mocidade. O esquenta não chegou até o setor 1, ficou um pouquinho a desejar”, explica. Ainda assim, ponderou que a experiência não foi comprometida por completo. “Teve falha, mas dá pra ouvir bem. Está maneiro.”

A questão da distribuição sonora entre os setores foi um dos pontos mais citados pelo público. Angela Rosa, empregada pública federal e portelense, chegou após as primeiras escolas, mas conseguiu perceber diferenças importantes durante o ensaio da Mangueira.

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“Consegui ouvir a voz do cantor, mas a bateria eu não consegui ouvir bem”, comenta, chamando atenção para o equilíbrio entre os elementos sonoros, fundamental para o julgamento e para a emoção do desfile.

Entre os mais jovens, a recepção foi marcada pelo entusiasmo. Letícia, de 25 anos, atendente de padaria e torcedora da Estação Primeira de Mangueira, aprovou a mudança logo de cara.

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“Eu estou achando espetacular do início ao fim. Mudou bastante, melhorou muito. Não tenho o que reclamar”, afirma. Segundo ela, não houve falhas tão perceptíveis, nem mesmo nos momentos mais sensíveis do ensaio técnico.

Na arquibancada, a comparação com o antigo carro de som foi inevitável. Valesca Cristina Siqueira de Figueiredo, de 43 anos, auxiliar administrativa e mangueirense, destacou que a principal melhoria está na continuidade do áudio ao longo da avenida. “Está muito melhor do que com o carro de som. Antes tinha aquele problema de a bateria passar e ficar sem som em alguns pontos. Agora a gente consegue escutar melhor a bateria e o intérprete”, avalia.

Apesar das avaliações distintas, o sentimento predominante entre o público foi de expectativa. A estreia do novo sistema de som é vista como um avanço estrutural importante para o espetáculo, mas também como um processo em construção, que exige testes, escuta ativa e ajustes finos.

Amazônia Negra ganha corpo e alma na comissão de frente da Mangueira para o Carnaval 2026

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Durante o primeiro ensaio técnico realizado na Marquês de Sapucaí, na última sexta-feira, a dupla de coreógrafos da Estação Primeira de Mangueira, Lucas Maciel e Karina Dias, conversou com o CARNAVALESCO sobre as expectativas para a comissão de frente no Carnaval 2026. Em meio ao clima de ajustes finais e intensa preparação, os dois falaram sobre o momento da carreira, o amadurecimento do trabalho no Grupo Especial e os desafios impostos pelo novo formato da cabine espelhada, além de comentarem o que o público pode esperar da performance da Verde e Rosa.

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A Mangueira levará para a Avenida o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju: o Guardião da Amazônia Negra”, desenvolvido pelo carnavalesco Sidnei França. A proposta exalta os saberes ancestrais afro-indígenas, a medicina da floresta e o marabaixo do Amapá, homenageando Raimundo dos Santos Souza, o Mestre Sacaca, curandeiro e defensor das tradições amazônicas. Dentro desse universo simbólico, a comissão de frente terá papel central na apresentação da narrativa, traduzindo em movimento, imagem e emoção a força espiritual e cultural do tema.

Ao falar sobre o significado desse trabalho em suas trajetórias, Karina destacou o processo de construção contínua e o amadurecimento artístico.

“Acho que é uma crescente, não me sinto nem lá em cima, nem começando. Estamos numa escadinha que, graças a Deus, vem dando certo. Estamos construindo tijolinho por tijolinho”, afirmou.

Lucas reforçou a ideia de evolução constante e o aumento da responsabilidade a cada novo carnaval.

“Eu acho que a gente vem com um retorno muito positivo e, com isso, a cobrança vem maior. A gente se desafia a cada ano mais. E eu acho que cada ano é um ano diferente, então é um processo maravilhoso”.

Questionado sobre a consolidação do trabalho da dupla no Grupo Especial, Lucas fez questão de destacar que, apesar dos reconhecimentos recentes, o caminho ainda é longo.

“Eu acho que temos muito para crescer ainda, apesar de termos um Estandarte de Ouro. Foram três anos de trabalho. É um trabalho consistente, senão não estaríamos onde estamos, mas ainda vamos crescer muito”.

Um dos pontos mais comentados da entrevista foi a cabine espelhada, novidade que promete transformar a dinâmica das apresentações das comissões de frente. Para Lucas, o impacto será significativo tanto para os artistas quanto para o público.

“Acho que a cabine espelhada vai ser uma surpresa para todo mundo. É um novo módulo, uma nova apresentação, um novo estilo de apresentação. Cada coreógrafo vai interpretar da sua maneira, e este ano a gente vai ter muitas surpresas. Estou muito ansioso, acho que vai ser um ano muito diferente artisticamente”, afirmou.

Sobre a orientação da apresentação, se será mais voltada aos julgadores ou à Praça da Apoteose, o coreógrafo explicou que o objetivo é alcançar todos os olhares.

“De alguns anos para cá, a gente já vem trabalhando uma apresentação para que todo o público consiga ver. A ideia da cabine espelhada é bacana. Apesar de, no momento dos jurados, já termos esse instante de reverência, com coisas mais focadas para eles, o nosso trabalho, no geral, tem sido bem consistente para que todos consigam ver e participar”.

Ao ser indagado sobre possíveis surpresas, Lucas preferiu manter o mistério. “Vou deixar no ar se a apresentação da comissão será em 360°, para não dar muitos spoilers”, disse, aos risos.

Amor, respeito e protagonismo feminino: Ariadne Lax e Bruna Lopes aprofundam identidade artística da comissão de frente da Unidos da Tijuca

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Assumir uma comissão de frente na Marquês de Sapucaí nunca é apenas criar passos ou desenhar movimentos. É carregar uma história no corpo, traduzir um enredo em gesto, emoção e silêncio. É abrir caminhos. Desde 2025 à frente da comissão de frente da Unidos da Tijuca, Ariadne Lax e Bruna Lopes vêm transformando esse espaço em território de narrativa, sensibilidade e impacto. As coreógrafas agora encaram um dos enredos mais profundos e necessários da temporada: a vida e a obra de Carolina Maria de Jesus.

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Desde os primeiros esboços, o trabalho já nasce atravessado por emoção. Para Ariadne, contar a história de Carolina é mais do que um desafio artístico, é um marco pessoal, profissional e humano.

“Na carreira? É um enredaço. Não tem como não se emocionar. A gente está aproveitando cada etapa e vai fazer de tudo para entregar um trabalho com muito amor e respeito. A história da Carolina é incrível. É uma honra contar essa história em forma de balé. É importante não só para a nossa carreira, mas para a Tijuca, para o carnaval e para quem vai assistir”, afirmou.

O sentimento que guia a construção da comissão vai além da técnica. Há pertencimento, responsabilidade e consciência do lugar que essa história ocupa. Em 2026, a comissão de frente da Tijuca não apenas abre o desfile, ela abre um diálogo potente entre arte, política, memória e feminilidade.

Bruna Lopes fala desse impacto com a voz de quem se reconhece na narrativa. Carolina não é apenas personagem histórica; é espelho, é símbolo, é presença viva.

“Não tem como nós, mulheres, não nos emocionarmos com essa história. Ela toca no coração de cada Carolina que existe dentro de nós. Mexe com a nossa vivência, com a nossa luta, com a nossa trajetória. Esse trabalho é um momento muito importante não só na nossa carreira, mas na nossa vida”, destacou.

A renovação da dupla pelo segundo ano consecutivo também representa maturidade e confiança. Se em 2025 o desafio era se apresentar à escola, agora o sentimento é de pertencimento pleno, de liberdade criativa conquistada com entrega e trabalho.

“Esse é o nosso segundo ano na Tijuca. Hoje existe confiança, existe liberdade artística. Quando você chega, precisa mostrar quem é. Com o tempo, as pessoas veem o trabalho, acreditam, confiam. Este ano, a gente sente que o trabalho é nosso. A gente tem propriedade sobre o que está criando”, explicou Bruna.

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A novidade técnica da cabine espelhada, que transforma a Avenida em um espaço circular, surge como aliada da proposta artística. Para Ariadne, o novo formato amplia a potência do espetáculo.

“Eu acho que só engrandece. O desfile vira uma arena, um espetáculo em 360 graus. É para todos verem, para todos sentirem. A história da Carolina precisa ser vista de todos os ângulos”, avaliou.

O samba-enredo atua como fio condutor emocional da comissão, atravessando gênero, classe, história e política. Para Bruna, cada verso carrega uma ferida aberta e, ao mesmo tempo, um gesto de resistência.

“Toca no meu coração porque eu sou mulher. Falar de uma mulher que foi catadora de papel e se tornou escritora é falar de sobrevivência, de dignidade, de cultura. É falar de literatura, de política, de exclusão e de voz. Isso mexe profundamente com a gente”, afirmou.

Superação, entrega e tradição: Diogo Jesus e Bruna Santos vivem o carnaval 2026 como afirmação na Mocidade

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O Carnaval 2026 chega como mais um capítulo de resistência, amadurecimento e entrega para o casal de mestre-sala e porta-bandeira da Mocidade Independente de Padre Miguel, Diogo Jesus e Bruna Santos. À frente de um dos pavilhões mais tradicionais do samba, os dois encaram mais um desfile conscientes do peso que carregam e certos de que a evolução é diária, construída muito antes de a Sapucaí se abrir.

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Para Diogo, o sentimento que resume o momento é direto e simbólico: superação.

“Superação. Acho que, a cada ano que passa, a gente vem se superando, tanto aqui na Sapucaí quanto fora, nos nossos trabalhos, no dia a dia. É superação para mim, superação para o nosso trabalho e, com certeza, para o nosso espírito”, afirmou o mestre-sala, destacando que o crescimento não se limita à avenida, mas atravessa a rotina, os ensaios e a vida profissional do casal.

Bruna amplia esse olhar ao falar da responsabilidade assumida desde que chegaram ao posto. Para ela, a cobrança e o compromisso não são recentes.

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“A responsabilidade vem desde 2020, desde quando a gente assumiu o posto. Eu e o Diogo assumimos uma responsabilidade muito grande, até porque assumimos a condução de um casal. Essa cobrança já vem de muito tempo. A gente tenta, a cada ano, melhorar, a cada dia a mais, para superar o nosso trabalho e o nosso desempenho na Avenida”, explicou a porta-bandeira.

A busca pelos 40 pontos segue sendo um norte constante, mas o Carnaval 2026 traz um novo desafio técnico: a cabine espelhada. Diogo reconhece que a tensão aumenta, mas garante que o preparo acompanha a mudança.

“A busca é incansável o ano todo. Termina um carnaval e a gente já pensa no outro. Este ano são 60 pontos e cabine espelhada, então vai ser um pouco mais tenso, mas estamos preparados. Temos uma rede de apoio, pessoas trabalhando com a gente, e com certeza vamos dar o nosso melhor”, afirmou.

Bruna, por sua vez, enxerga a novidade como um ajuste, não como uma ruptura.

“Acredito que não muda muita coisa, até porque a gente já está acostumado a dançar em 360 graus na quadra. Isso já é comum para nós. A diferença é que o novo assusta, dá aquele friozinho na barriga por ser novidade. É preciso ter atenção para os dois lados, mas estamos trabalhando muito bem isso junto aos coreógrafos. A ideia é chegar aqui, fazer o melhor e que os jurados gostem da nossa coreografia”, disse.

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Sobre a fantasia, o casal mantém o mistério, mas deixa escapar um clima de exuberância. Entre risos, adiantam apenas que o visual terá brilho, muitas cores e a identidade verde e branca que representa a Mocidade, reforçando a expectativa para o desfile.

A construção da dança, ponto central da apresentação, é descrita por Diogo como um encontro entre tradição e contemporaneidade.

“Sou muito tradicional na minha dança, enquanto a Bruna vem com uma energia e uma modernidade muito fortes. Os coreógrafos trabalham bem isso com a gente. Conseguimos conciliar, mesclar, e com certeza sai uma dança bonita, porque a gente trabalha muito para isso”, afirmou.

Entre técnica, emoção e compromisso com o pavilhão, Diogo Jesus e Bruna Santos chegam ao Carnaval 2026 reafirmando não apenas a busca pela nota máxima, mas o respeito à história da Mocidade e à arte do casal de mestre-sala e porta-bandeira. Um trabalho que segue sendo lapidado dia após dia, com a superação como princípio e a avenida como palco final.