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Imperio Serrano 2021 – samba da parceia de União Serrana

Compositores: União Serrana

NA LUTA E NA DANÇA, LIÇÕES DO PASSADO
ESTÃO NA LEMBRANÇA, OS PRETOS MARCADOS
TEM A PROTEÇÃO DE SEUS ORIXÁS
É CORDÃO DE OURO, É CORPO FECHADO
REAGE NO OXÊ DE XANGÔ E VENCE A BATALHA
GOLPEIA QUE FILHO DE OGUM NÃO PODE APANHAR
CONFIA NO BRILHO DA LUA CHEIA
É MESTRE ALÍPIO LANÇANDO UM OLHAR… DE LÁ
RESPEITA O TOQUE DO BERIMBAU
E VINGA SEU POVO DESSA RASTEIRA
ENSINA “SINHÔ” E JAGUNÇO QUE A FORÇA DO MAL
NÃO VENCE NA RODA DE CAPOEIRA

Ê! CAMARÁ
CHAMA PRA JOGAR NA LADEIRA
LAROIÊ, SEU SENTINELA
TEM MANDINGA NA FAVELA

O BOM MANDINGUEIRO, VALENTE GUERREIRO
VOANDO NOS SALTOS SUMIA NA MATA
DE “MORTE MATADA”, ELE NÃO MORRIA
DANÇAVA NO AR, BALA NÃO TEMIA
MAS O DESTINO É ASSIM
RESOLVEU DAR UM FIM, O HERÓI FEZ SANGRAR
A TRAIÇÃO PELA FACA DE TUCUM
TRANSFORMOU EM LADAINHA E POESIA
“CALÇA, CULOTE, PALITO ALMOFADINHA”
VIROU SAMBA NA SERRINHA PRO IMPÉRIO ENCANTAR

HOJE O COURO VAI COMER
SARAVÁ POVO DA GIRA
O TERREIRO VAI TREMER VENDO O DIA CLAREAR
ABRE A RODA NA CLAREIRA PRO CAPOEIRA GINGAR
A LAPINHA MAIS FORMOSA
TEM BESOURO MANGANGÁ

Acompanhe ao vivo: eliminatória de samba do Império Serrano

Morre Jorge Velloso, presidente da ala de compositores da Beija-Flor

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O compositor Jorge Velloso, da Beija-Flor de Nilópolis, faleceu neste sábado. Ele exercia o posto de presidente da ala de compositores nilopolitana. Não foi divulgada a causa da morte e nem o local do velório e enterro.

jorge velloso2

Com os sambas-enredo assinados por Jorge Velloso a Beija-Flor foi campeã do Grupo Especial em 2007, 2008 e 2015.

Desde 1994, Jorge Velloso participava das disputas de samba da Beija-Flor. O compositor terminou campeão em cinco oportunidades e passando de vinte finais.

Em entrevista para Revista Explosão in Samba, em 2016, Jorge Velloso declarou seu amor para Beija-Flor.

“A Beija-Flor é tudo na minha vida. Tudo meu está aqui dentro, o Anízio é um pai para todos nós, damos a vida pela Beija-Flor e brigamos por ela. Eu me sinto muito bem aqui dentro. Temos o Gabriel que é a renovação dentro de nossa escola, um jovem muito participativo de tudo e tenho certeza que em breve será o nosso grande líder. Ele é preparado e justo, o que é muito importante para um comandante”.

Confira a sinopse do enredo em homenagem a Martinho da Vila

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logo vila2021 menorCANTA, CANTA, MINHA GENTE! A VILA É DE MARTINHO!

Sinopse de Enredo

“Canta, canta, minha Gente, deixa a tristeza pra lá!”
Canta, Vila Isabel, Morro dos Macacos, Pau da Bandeira e todo o povão Branco e Azul, pois a Festa é da Raça!
Canta feliz da vida o outro Poeta que o Samba te deu, legado eterno do povo teu!
“Canta forte, canta alto, que a vida vai melhorar”, pois o samba foi feito de morro e a Festa é na Raça para a gente impor e celebrar a negritude!
Vamos abrir mais uma vez caminho à nossa ancestralidade, que pede passagem com a vida do Rei Negro das “kizombas, andanças e festanças”, coroado pela brasileira terra negra com força e fé das Áfricas e de Angola!
Morro é África, malandro é guerreiro de lança em punho e a criançada brincando pelas vielas e correndo pela savana.
“Ô dai-me licença ê!
Ô dai-me licença!
Uma licença de Zambi
para cantar umas zuelas no toque do Candomblé”.
É Mano Martinho, Vila!
Simbora?

***

Batuques invadem o Morro dos Macacos e passeiam pela Vila num convite animado à coroação. Por becos e vielas, seus camaradas descem escadas e ladeiras acompanhados pelo riso inocente das crianças admiradas que entoam melodias eternizadas por ele. Ele, cujo caminho até a coroação foi longo, nasceu na roça onde sentia o vento no rosto e a liberdade nos pés. Corria solto o moleque pelo chão batido, brincando sob a benção do carinho de Mãe Tereza e do amor devoto de Vó Procópia a proteger o garoto contra mau-olhado e assombração. Duas Barras marcada no coração do menino que veio à luz no Carnaval, um ano depois – quem diria? – da partida de Noel. Mal sabia o pequeno Zé que o Axé o preparava para encantar o povo. É a vida que começava a ser tecida pelos caminhos que Zambi quis.

Resistir! O rapaz vai acompanhado pelo tempo, que o conduz a outras praças. Carrega consigo a verdade do mundo estampada na pele. Com os Pretos Forros, na inteligência do dia a dia na Boca do Mato, Martinho fez samba no morro desde cedo, mesmo com a dor da dura vida que seus olhos testemunhavam. Percebeu que ser um só não bastaria para enfrentar a desigualdade. Cantarolava amores, amigos, a família e, múltiplo, virou Sargento Martinho, sem nunca vacilar na felicidade. Negro que segurou no peito as responsabilidades para gritar, partideiro, a revolta contra brancas maldades.

Batucando aqui e acolá, suas personalidades poéticas cresciam, encantando uma Menina-Moça, Vila Isabel, amor à primeira vista. O encantamento foi mútuo. Ela lhe deu inspiração e, a ela, o Poeta declamou paixão. O nome mudou, casamento em que o tempo não faz mais sentido, só há eternidade. Fez, da sua casa, Casa de Bamba, onde todos são bem-vindos. Avolumavam-se canções e partidos-altos, aquele amor transbordando alegria! Nas curvas salivadas dos musicados amores pela Vila e outras cabrochas, encantou-nos, o Devagar, com a língua dada a prazeres. Toques e beijos, palavras e mãos, seios e desejos – vibra com jeito, meu violão, para fazer tremer esse chão!

VilaSempre feliz, quis brincar Carnaval e desfiou seu Carnaval de Ilusões sob a benção de Noel. Martinho eterno menino, sorriso no alto, amor-paixão pela Coroa, o Branco e o Azul tingindo a gente em noites de fascínio e magia, dedicação foliã entre confetes e serpentinas. Sentiu a quentura da folia e decidiu que o mundo daquele jeito feliz era seu lugar. Então, foi tudo montado para que o povo, ao seu som, sempre quisesse sambar! O Martinho? Mora lá na Vila… É o tal do Martinho da Vila, nosso Rei Negro da Folia.

Afinal, fez química com batidas ancestrais. Deu liga. Gênio popular, misturou o sacolejo dos sons, sembas, sambas, partidos-altos, pagodes e canções. Roça, favela, comunidades, terreiros, Duas Barras, Vila e a gema do Rio de Janeiro. O cavaco era na rua, da rua. Resistência, o tom do sambista. Na escola das favelas, na sabedoria dos botequins e na boemia do Boulevard, na cachaça de beira de calçada e na cerveja com os compadres, vive a simplicidade de gente sábia e desce mais uma para embalar a cantoria.

Daí, reencontrou nas Áfricas sua história por completo. De Luanda, memórias, dom, talento, afeto. Ancestralidade é teu nome, Martinho, e a Vila te saúda! Suas andanças rumo ao Ventre Mãe reaparecem no sorriso aberto e Angola se faz presente. Voltando aos ancestrais, ecoam as vozes daqueles que possuem a força da cor. Nosso Poeta abre caminhos de lá pra cá e daqui pra lá. Intercambia, como elo, passado e futuro e Angola abraça o Embaixador Negro!

Aliás, Martinho sempre esmurrou o preconceito. Por aqui, certeiro, levantou-se também pela Democracia que seu Brasil há muito já não via. Mané com ele não se cria! Diretas pela liberdade e o menino da Vila com o dedo na ferida. Pé ante pé, há muito trocara o marchar pelo sambar e desafiou a censura de não poder criar e ser feliz do jeito que se é Martinho, da Vida! Cantou pela liberdade nos dois mundos unos separados pela covardia da escravidão. Martinho do Brasil e de Angola, Canto Livre! Kalunga e Kizomba, bem, chegou a hora!

Festa da Raça! Na Sapucaí, conquistas da luta negra pela liberdade, tantos Brasis Quilombos dos Palmares, tantos Palmares-Brasis a festejar: negras e negros que lutam pela dignidade. No Centenário da Abolição, bom lembrar que negra foi a canção, samba que ferveu e ferve no sangue das passistas, na alma das baianas, na Swingueira de Noel, nas negras e negros que mandaram e mandam na Avenida. Valeu, Zumbi! Tem grito forte nos Palmares e aqui! Martinho guerreiro quimbundo, Zumbi abençoando e Zambi dando força: Concerto Negro ontem, amanhã e agora.

E seguiu, “devagar, devagarinho”, o sambista e sambador, também malandro engenhoso inspirado quando com tinta na mão. Alma brasileira-angolana e a Lua de Luanda iluminando seus livros. Salve a amada família, a das favelas, das Áfricas, de Barras, de sangue e da Vila, tudo tema de prosas e poesias, Martinho lambendo com amor a cria! Veio de longe a vocação de prosador. Bateu papo com o Bruxo do Cosme Velho quando para ele fez samba nos idos da Boca do Mato. Saber da rua, da roça, dos barracos, olho no olho de qualquer dotô e nosso nêgo quebrando o racismo de cada dia no gingado sábio – “Crioulo não é doido!” e negro impõe respeito! Martinho sim, Doutor com conhecimento de causa, da vida e dos livros! Escreveu histórias, Zé das Cantorias! Martinho das Letras, a Academia o reverencia! O Rei derrama sabedoria nas páginas e, em verso e prosa, encanta e declama a vida.

Cabem, assim, mil Martinhos nessa história. Sem pressa, o Poeta Negro enredou suas memórias no chão sagrado da Vila, preparou o quintal pro pagode com os amigos, celebrou causos da fazenda, da favela, dos subúrbios e da folia, a mesa farta sempre em boa companhia – cantos de lavadeiras, corações de malandros, crenças e crendices, papos de cozinha. Cadenciado, brincou e brincará! Compadre Noel, aquele abraço só no sapatinho e na alegria!

E agora é a vez de vocês correrem soltos, meninas e meninos da Vila, pois lá vem a coroação do Mestre Rei Martinho. Aprendam com o Griô de Gbala: é sobre a gente negra, nosso sangue, nosso carnaval, nossa ancestralidade, que hoje ele com a gente fala. O morro desce “feliz da Vila”: a vida dele vamos coroar! E vamos renascer das cinzas, tudo acabando na quarta-feira só pra recomeçar, pois nossa negra felicidade jamais vai terminar. Uma “Boa Noite”, Vila Isabel! Nossa garra na terra de bambas é celeste, infinita, e o resto a gente aprende com Martinho Mestre, só no laiaraiá!

Ergue a cabeça então, Comunidade, e pisa forte na Avenida! Ginga, samba, semba!

Arranquem do peito o grito preso e cantem alto com orgulho a força e a fé da nossa negra-alma-samba, deixando qualquer tristeza pra lá!

É dia do Teu Martinho, Vila!

Incendeia a Sapucaí, vamos pra cima e sim, bora kizombar!

Enredo: Edson Pereira, Victor Marques, Clark Mangabeira

Sinopse e Texto: Victor Marques, Clark Mangabeira

Milton Cunha e os destaques de luxo: Edmilton Paracambi

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Por Milton Cunha, Victor Raposo, Thiago Acácio, Reinaldo Alves, Tiago Freitas e João Gustavo Melo

Edmilton Paracambi 01“TRAVA NA BELEZA: Imaginários sobre o destaque de luxo de escola de samba”, que será publicado no Dossiê da Revista Policromias do LABEDIS, Museu Nacional da UFRJ, com Editoria de Tania Clemente.

Para chegar aos núcleos temáticos, fizemos uma série de entrevistas que passamos a publicar no site CARNAVALESCO, duas vezes por semana. Este material acabou não entrando no corpo do texto, por limitação de espaço, e não queríamos deixar de mostrar. É uma homenagem aos esforços destes luxuosos personagens que habitam nossos sonhos de folia! Viva os Destaques de Luxo, mensageiros do glamour.

Edmilton Paracambi – Viradouro

O que você imagina que a plateia imagina quando te vê passando na avenida durante o desfile?

Edmilton Paracambi: Eles imaginam que somos deuses do mundo do samba. Destaque de luxo é admiração, beleza, empoderamento, determinação, representatividade, amor, glamour, um resplendor de sonhos, prazer e satisfação. É como um pavão ao exibir suas penas, formando um arco resplandecente da vaidade e do belo transmitido. É teatro e criatividade.

Gostaria de saber como surgiu o seu interesse em ser destaque de luxo? Quando foi o seu primeiro desfile nesse posto? Como e quando foi a sua chegada na Viradouro? Já desfilou em outras agremiações nesse posto? Se sim, quais?

Edmilton Paracambi: Há 35 anos atrás conheci um amigo, em Paracambi. Veio de Nilópolis trabalhar aqui. Ele tinha uma ala de fantasias e saia na Beija-Flor e através dele começou meu interesse por me fantasiar. Ele nessa época saia também no Leão de Nova Iguaçu, ai fui ser destaque do Leão de Nova Iguaçu. Meu primeiro desfile foi no ano de 1997. Minha chegada na Viradouro foi através de um amigo que já saia na Viradouro e me levou para lá. Já fui destaque da Beija-Flor, Cubango de Niterói e Império da Tijuca.

Como é o seu planejamento para desfilar? Qual o seu papel na concepção e elaboração da fantasia? E como é a relação do carnavalesco nesse processo?

Edmilton Paracambi: A elaboração da fantasia é sempre o carnavalesco que vê tudo. Depois que ele desenha, me manda a foto e aí vejo se gosto e mudo alguns detalhes. O carnavalesco sempre fala o material que ele quer, a cor da plumagem e vou seguindo a orientação dele. Esse ano, por exemplo, ele pediu que tivesse uma pintura de arte para envelhecer a roupa depois de pronta.

E em relação ao personagem/papel que você vai interpretar no desfile. Você faz alguma preparação corporal, nos aspectos de gestual e de semblante? Como que você “encarna” aquilo que está vestindo? Como internaliza as personagens que representa?

Edmilton Paracambi 02Edmilton Paracambi: Quando venho representando algum personagem sempre procuro ficar parecido, com maquiagens no rosto, perucas e luvas. Faço uma pesquisa do personagem e procuro até dançar como o personagem. Na passagem da avenida incorporo totalmente o personagem.

Você tem apego com as fantasias? Como lida com a ideia de que ela será vista em pouco tempo pelo público?

Edmilton Paracambi: Não tenho apego as fantasias. Já fiz muitas doações de fantasias e tenho algumas guardadas que vou expor aqui na minha cidade. Acho que a cidade do Rio de janeiro teria que ter um local com essas fantasias tipo um museu do carnaval. Muitas roupas lindas já se perderam. Muitas pessoas têm vontade de ver essa arte de perto. O público mesmo que assiste deve ficar imaginando de que material será feito essas roupas. As pessoas que assistem devem ficar passadas com tanta beleza. E deve ficar com a imagem na mente por muito tempo eu mesmo ficava quando ia assistir desfile de fantasias.

Para você, o que faz uma fantasia de destaque se eternizar na mente de quem assiste os desfiles? E o que faz um destaque se distinguir dos demais destaques de luxo do carnaval?

Edmilton Paracambi: Nós, destaques, nos distinguimos pelo material que usamos, tipos de pena, grandiosidade. E na montagem somos artistas diferentes.

Tem alguma fantasia ou fantasias por qual você sempre é lembrado (a) ou que tenha se tornado inesquecível para as pessoas? Se sim, por qual motivo isso aconteceu?

Edmilton Paracambi: Tenho uma fantasia prata e vermelha, em tons de rosa, que na abertura do carnaval aqui de Paracambi usei. Tinha uma máscara na mão, fui muito aplaudido quando cheguei no salão com ela. Todos queriam tirar fotos. E, no outro dia, usei na Viradouro. A cidade toda parou para me ver na televisão com aquela fantasia. Vim em cima de um bonde. Foi incrível e inesquecível.

Edmilton Paracambi 03Você considera o luxo essencial para a festa? Se sim, por qual motivo?

Edmilton Paracambi: O luxo é essencial. Todo mundo gosta de ver luxo e no carnaval existem materiais luxuosíssimos. Todos querem ver.
Antigamente, cada destaque vinha em uma alegoria.

Hoje, com a diminuição do número de carros, isso tem sido menos frequente. Como você enxerga essa mudança? É um problema para você dividir a atenção do público?

Edmilton Paracambi: A mudança de carros alegóricos, para mim, ficou mais grandioso. Os carros alegóricos agora vêm com mais destaques e acho que chamam mais a atenção do público.

Pra você o que a figura do destaque simboliza para os demais componentes da escola? E como é a relação deles com você?

Edmilton Paracambi: O destaque é realmente uma figura de destaque da escola de samba. Queremos ser destacados e investimos muito dinheiro não para ser melhor que ninguém, mas é uma coisa de dentro da gente mesmo, uma vaidade. Em relação aos componentes, tem muito carinho comigo. Eu sempre vou para a quadra, danço. Sou tratado com muito carinho.

O carnaval vem passando por uma crise financeira e muito se fala que as escolas precisam voltar às suas raízes. Você acha que a comunidade se sente representada quando vê vocês nos dias de hoje? Sentiu alguma mudança na relação entre você e a comunidade nos últimos anos?

Edmilton Paracambi: Acho estranho. Todo ano tem crise e as escolas acabam vindo lindas. Acho também que podem usar material alternativo e criatividade, mas isso todas têm de sobras. Na Viradouro, já saio há anos e não sinto mudanças não. É uma escola maravilhosa. Minha segunda família. Amo muito todos.

Você falou, na resposta ao Milton, que as pessoas enxergam vocês como deuses do mundo do samba? Como você se sente ocupando esse lugar de divindade? Existe alguma devoção das pessoas com vocês nesse lugar de deuses?

Edmilton Paracambi: Sim. Existe uma devoção que não tem vínculo com a religiosidade à Deus, aos orixás e outros seres divinais, mas sim com o amor, respeito e admiração ao que fazemos pela arte do samba. No meu caso, tenho pessoas que há décadas acompanham minha trajetória sendo destaque de luxo. E, realmente, me tratam com uma devoção, uma certeza, uma espera, um frenesi, uma torcida e até preces e orações para que meu personagem, meu figurino de destaque de luxo aconteça de forma impecável mais uma vez, mais um ano, mais um carnaval. Sendo cada dia de apresenta-lo, dia da celebração deles, meus seguidores, fãs dos Deuses do carnaval, ano a ano.

Com quanto tempo de antecedência você chega no sambódromo? Em qual tipo de carro você chega? Quantas bolsas você carrega? Como são feitas essas bolsas? Tem pessoas para dar apoio? Na hora que chega e vê as alegorias desmontadas, de tarde, muito antes de qualquer pessoa, o que você sente? O que você pode contar desse processo de montagem e depois de desmontagem da alegoria? Sente tristeza de jogar lá de cima os plumeiros? Como é essa sensação?

Edmilton Paracambi: Eu moro distante, há uma hora do Rio, em Paracambi. Vou com uma Doblô com a fantasia no bagageiro. Chego sempre uma hora da tarde fico com medo do trânsito, carrego 20 bolsas que são feitas de tecido grosso e tenho 5 apoios, fora os da escola. Chego, fico muito feliz e me sinto como se fosse subir em um castelo. Triste no final que tem que retirar tudo e as vezes quebra muitas penas, mas é maravilhoso.

 

Sambódromo do Anhembi abrigará Espaço Cultural do Carnaval

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anhembiA partir do dia 31 de outubro, sábado, os sambistas vão poder matar a saudade do sambódromo do Anhembi. E isso não é sobre ensaios técnicos ou desfiles, não. O palco das escolas de samba vai se transformar em área de lazer, com direito a ciclofaixa, ambiente para prática de esportes e diversão, e, como não poderia faltar, um espaço cultural atribuído ao Carnaval. A ocupação dedicada às escolas de samba na Arena de Lazer Sambódromo do Anhembi vai ser inaugurada no sábado (31), com exposição de pavilhões, maquetes de alegorias, esculturas, painéis informativos e instagramáveis, oficinas artísticas, pocket shows, além da exibição de desfiles e documentários do Carnaval paulistano.

Visitação

Localizado no setor J do sambódromo, o Espaço Cultural do Carnaval ficará aberto para visitação de terça a domingo, das 10h às 18h, com entrada gratuita. Até fevereiro de 2021, a ocupação carnavalesca vai oferecer diferentes experiências ao público, a começar pela exposição de inauguração, que vai trazer informação e conhecimento sobre os saberes e fazeres das práticas carnavalescas, que têm o título de Patrimônio Cultural Imaterial do Estado de São Paulo.

Mostra de inauguração

Os visitantes vão encontrar esculturas usadas em desfiles, além das maquetes das alegorias que passaram pelo sambódromo. Para garantir a selfie, tem espaços instagramáveis. Os pavilhões das 34 agremiações filiadas e o da prória Liga-SP também farão parte da mostra. Painéis informativos sobre a estrutura de um desfile de escola de samba, o mapa de localização das entidades e informações sobre seus projetos socioculturais compõem a estrutura.

Projetos futuros

Nos próximos meses, o Espaço Cultural do Carnaval no sambódromo do Anhembi vai abrigar, também, um telão para exibição de desfiles e documentários sobre o Carnaval, uma exposição de fantasias, oficinas artísticas e palestras gratuitas —  já a partir de dezembro de 2020 —, e pocket shows das agremiações no recuo da bateria, aos finais de semana.

Arena de Lazer Sambódromo do Anhembi

No final de setembro, o prefeito Bruno Covas (PSDB) anunciou a adaptação do sambódromo do Anhembi para abrigar uma área de lazer. Além do memorial dedicado ao Carnaval, o projeto prevê uma área de caminhada, ciclofaixas, espaço para prática de esportes, uma zona para uso de patins, patinete e skate, foodtrucks e um espaço reservado para pets.

A gestão do espaço, hoje feita pela SPTuris, ficará por conta da concessionária que ganhar a concessão do complexo do Anhembi por 30 anos, em leilão. Covas, que é candidato à reeleição para a Prefeitura da capital, também sugere que a iniciativa privada que vencer o leilão implante aparelhos de ginástica e brinquedos como roda gigante na nova área de lazer de São Paulo.

Carnaval 2021

Em 2021, o desfile das escolas de samba de São Paulo não acontecerá em fevereiro. Por conta da pandemia de covid-19, o próximo Carnaval foi adiado para maio, por ora. A transferência de data foi anunciada pelo prefeito de São Paulo, Bruno Covas, e pelo governador, João Doria, em coletiva de imprensa.

 

O que você pensa sobre a realização dos desfiles das escolas de samba no meio do ano em 2021?

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O governo estadual do Rio de Janeiro acenou com a possibilidade de apoio ao carnaval 2021 do Grupo Especial, em uma data em julho (3 e 4/07), e a decisão está nas mãos dos dirigentes das escolas de samba, e, claro na autorização do poder público municipal, do Judiciário e de um protocolo das autoridades sanitárias. Segundo a coluna do jornalista Ancelmo Gois, em O Globo, cada escola receberia R$ 1,5 milhão pelo ICMS.

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O site CARNAVALESCO quer saber sua opinião. Vote abaixo.

‘O estado é laico e não podemos confundir o púlpito com o palanque’, diz Benedita da Silva

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Benedita01O site CARNAVALESCO inicia nesta sexta uma série de entrevistas com os candidatos à Prefeitura do Rio. Milhões de cariocas vão às urnas no próximo dia 15 de novembro para eleger o representante que vai gerir o município pelos próximos 4 anos. O carnaval é uma das agendas mais importantes da cidade, afinal de contas a arrecadação obtida com os dias de folia fomenta a economia da capital fluminense os 365 dias do ano. Por isso nossa reportagem entrou em contato com os candidatos. As perguntas foram rigorosamente as mesmas para todas as candidaturas.

A primeira entrevistada é candidata Benedita da Silva (PT). Benedita se elegeu vereadora do Rio em 1982. Quatro anos mais tarde estava no Congresso Nacional, como deputada federal, reeleita em 1990. Militante do movimento negro desde o início de sua trajetória oolítica, foi derrotada nas eleições de 1992 para a Prefeitura do Rio. Em 1994 elegeu-se senadora da república. Cargo que abdicou em 1998 para ser vice na chapa de Anthony Garotinho ao governo estadual. Eleita com o companheiro de chapa, Benedita assumiu o Palácio Guanabara em 2002, após a renúncia do titular para concorrer à presidência da república. Está na terceira legislatura consecutiva como deputada federal pelo Rio de Janeiro. Benedita é a autora do projeto da lei Aldir Blanc, que estabeleceu um auxílio emergencial para os trabalhadores da cultura.

Confira a entrevista com a candidata:

Benedita03A atual gestão comandou uma cruzada contra o carnaval e as escolas de samba. A sua gestão vai dar apoio institucional e financeiro à festa?

Benedita da Silva: Sim, a prefeitura vai voltar a dar apoio institucional e financeiro ao Carnaval. Segundo a Constituição, o Estado é laico e não podemos confundir o púlpito com o palanque, como tem feito o prefeito. O Carnaval é uma manifestação cultural vigorosa, grande gerador de emprego e renda. O desfile da Sapucaí é o maior espetáculo da Terra. Jamais a prefeitura poderia ignorar essa atividade tão fundamental para o carioca e para atrair turistas do país e de todo o mundo, gerando uma poderosa arrecadação.

As escolas da série a tem cada vez mais dificuldades em construir o seu desfile sem barracões. Qual a sua opinião sobre a Cidade do Samba 2?

Benedita da Silva: Mesmo antes da pandemia, as escolas de samba já vinham tendo dificuldades para levar o Carnaval, muito em função da má vontade do prefeito. É importante ajudar as escolas de samba a encontrarem os caminhos para superar seus desafios de financiamento. O apoio da prefeitura pode ajudar, mas as escolas também precisam encontrar maneiras para sustentar suas atividades.

Como a prefeitura pode fomentar o carnaval de rua e os blocos, que trazem milhares de turistas para a cidade no período de carnaval?

Benedita da Silva: Primeiro, não interferindo arbitrariamente em sua livre manifestação. Segundo, garantindo segurança, condições sanitárias, promoção da cidade e de sua cultura no Brasil e no exterior. Terceiro, buscando conjugar a alegria com a conveniência dos moradores e o fluxo do trânsito. O resto é por conta dos foliões.

Benedita02O que você considera que deva ser feito com o sambódromo? Passar ao governo estadual ou manter com a prefeitura?

Benedita da Silva: O Sambódromo deve continuar com a prefeitura, que precisa ser mais eficiente e produtiva no uso desse espaço durante o ano todo. Já tivemos muitos shows na Praça da Apoteose, eventos que geram muito trabalho para o povo e alegria para a cidade. O que falta é vontade e capacidade de trabalhar e promover o turismo do Rio.

Como a sua candidatura enxerga a importância do carnaval para a arrecadação da cidade do Rio de Janeiro?

Benedita da Silva: Muito importante, não só durante o período do evento, mas também durante todo o ano, com o trabalho dessa verdadeira indústria. Nós precisamos criar roteiros culturais no Rio, para atrair mais turistas. E nesses roteiros, o mundo do samba é obrigatório. As atividades precisam acontecer o ano todo.

Blocos da Sebastiana decidem não desfilar em 2021

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blocos rio2019Não haverá carnaval de rua na cidade do Rio de Janeiro no ano de 2021. A decisão foi tomada na noite da última terça-feira, em uma reunião virtual, que contou com a presença de representantes dos blocos, da Riotur, do Ministério Público, além de especialistas das áreas de saúde e de segurança pública. O cancelamento das apresentações foi decidido devido a falta de condições sanitárias, mediante a ausência, até o momento, de uma vacina para Covid-19, doença responsável por vitimar mais de 12 mil vidas até agora, somente na capital fluminense.

Após a divulgação da decisão, o site CARNAVALESCO conversou com Rita Fernandes, presidente da Associação Independente dos Blocos de Carnaval de Rua do Rio de Janeiro, a Sebastiana, que explicou um pouco mais dos detalhes por trás desta decisão.

“As condições colocadas pelo pessoal da saúde na reunião era de que até julho, ao que parece, não vai haver ainda a possibilidade de imunização da população. Então, sem essa certeza de ter a população segura, a gente não pode fazer. E se liberar no segundo semestre, do ponto de vista mais operacional, para nós já se torna inviável. Por isso, a gente não fará no segundo semestre, o que acabou resultando então na decisão de que não vai ter carnaval de rua em 2021”, defendeu Rita.

Para reportagem, Rita Fernandes ainda justificou quais seriam exatamente os fatores que não permitiriam a realização do carnaval de rua no segundo semestre de 2021, mesmo com a questão da pandemia já solucionada.

“É inviável fazer no segundo semestre, primeiro porque a cidade já tem um calendário próprio, inclusive com grandes eventos, com o Rock in Rio; segundo, toda parte de regulamentação e regularização, já ficaria um pouco apertada; terceiro, porque o patrocínio também fica mais difícil, afinal a gente já começa a ficar em cima do ano de 2022. Então, tem uma série de questões de legalização, patrocínio, regulamentação, que impossibilitam. E mais do que isso, existe dos blocos e dos organizadores, de maneira geral, um desânimo generalizado em função desse adiamento”, explicou.

No entanto, apesar de descartado um carnaval de rua fora de época, propostas para festa não passar em branco no ano que vem vão ser estudadas. “Nós vamos procurar outras alternativas, como as lives, os shows, eventos fechados, coisas que a gente possa ter controle”, relatou Rita.

Porém, a presidente da Sebastiana já antecipa que será algo distante ao habitual. “Quando liberar, a gente vai fazer uma celebração, mas não é o carnaval como ele é, com aqueles desfiles, aquelas datas, carro de som… O que nós vamos fazer, quando possível, é uma coisa muito diferente de um carnaval nos moldes tradicionais”, assegurou.

Ao todo, a Sebastiana é composta pelos seguintes blocos: Bloco da Ansiedade; Bloco do Barbas; Bloco das Carmelitas; Bloco Virtual; Escravos da Mauá; Gigantes da Lira; Imprensa que Eu Gamo; Meu Bem,Volto já!; Que merda é essa?; Simpatia é Quase Amor; e Suvaco do Cristo.

Luiz Lima participa de encontro na Cidade do Samba e apresenta seu plano para o carnaval do Rio

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LL LiesaO candidato Luiz Lima (PSL) à Prefeitura do Rio de Janeiro esteve na Cidade do Samba, local que abriga os barracões das escolas de samba do Grupo Especial, para apresentar ao presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Jorge Castanheira, o seu plano para o setor cultural e o carnaval da cidade. Ele estava acompanhado do vice Fernando Veloso (PSD). O diretor de carnaval da Liga, Elmo José dos Santos, também participou do encontro.

Luiz Lima falou sobre a importância do carnaval para a economia da cidade e destacou o papel cultural e social das escolas de samba.

“O samba é um grande investimento para o município. São muitas pessoas empregadas pelas escolas. E cada real investido, seja da iniciativa privada, dos hotéis, seja da Prefeitura, você tem o valor revertido cinco vezes para o município. É importante entender a importância do turista que vem para o Rio curtir o carnaval, porque parte do que ele gasta vai para a saúde, para a educação, para infraestrutura, para segurança. Além de valorizar a cultura, a gente está valorizando o bolso e o bem-estar dos cariocas. É inadmissível para mim alguém não perceber o quanto o samba, o futebol e o esporte como um todo são especiais”, analisou Luiz, que tem a construção da Cidade do Samba 2, com barracões para o Grupo de Acesso, como uma de suas propostas para o setor.

Luiz Lima ressaltou a força das escolas de samba para geração de emprego, e, principalmente, para a cultura do Rio de Janeiro.

“Cada escola de samba gera 200 empregos, o ano todo. Temos que fazer parcerias com as escolas e ter como contrapartida os projetos sociais e culturais que elas já desempenham nas suas comunidades, como no caso da Mangueira, da Portela, do Salgueiro, da Beija-Flor e outras. Então como é que o prefeito do Rio pode não gostar de carnaval? Veja o caso do Rock in Rio, em 2021, que vai movimentar 700 mil pessoas. Uma das saídas para o Rio no período pós-pandemia é realização de grandes eventos. Quando alguém fala em tirar recurso do carnaval, será que eu tenho que desenhar? Ora bolas, isso traz recurso para a cidade. O dinheiro que o turista gasta na cidade vai ajudar a financiar o salário do servidor, por exemplo, os 850 reais por mês que custa uma criança na escola… No entanto, o comportamento da atual administração em relação ao réveillon e aos três últimos carnavais – o de 2020, por exemplo, não contou com nenhum centavo da prefeitura às escolas de samba – revela uma absoluta incompreensão sobre a diferença entre gasto e investimento”.

Sobre o Carnaval 2021, Luiz Lima disse que não há tempo para que ele seja realizado em fevereiro, mas deu alternativas para o futuro.

“Vamos incentivar a realização de lives e eventos de música para que a data não passe em branco. Outro ponto importante é garantir assistência para os trabalhadores do universo das escolas de sambas e blocos, que estão sentindo no bolso as consequências da pandemia. São pessoas que dependem do funcionamento da indústria do carnaval. Penso também no carnaval fora de época, entre maio ou até julho de 2021, que é a época de férias, para que a gente possa festejar o fim da Covid-19 e retomar com força a presença dos turistas na nossa cidade. Defendo a valorização do carnaval, com incentivos ao Grupo Especial, aos Grupos de Acesso e blocos tradicionais, além da construção da Cidade do Samba 2, para o Grupo de Acesso. Passando a pandemia, temos que otimizar o Sambódromo para ele funcionar o inteiro, com restaurante temático e shows, e a Cidade do Samba também”.