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Niterói 2026: Galeria de fotos do desfile
Da ancestralidade ao 150 BPM: Unidos da Ponte transforma Sapucaí em baile funk
A terceira alegoria da Unidos da Ponte não passa pela Marquês de Sapucaí, ela invade. Com o carro “Vem pro Baile Funk! – Carro dos Artistas Funkeiros”, a escola transformou a avenida em pista de dança, reunindo nomes históricos e contemporâneos do movimento em um manifesto sonoro e visual da cultura periférica.

Integrando o enredo “Tamborzão: O Rio é baile! O poder é black!”, a agremiação leva para a Sapucaí a força do funk como continuidade de uma linhagem cultural que atravessa o lundu, o maxixe, os bailes da Black Rio e chega ao 150 BPM. A base em preto e branco remete aos paredões de som, enquanto grafismos africanos e a estrutura em lona evocam tanto as tendas das comunidades quanto o egungun, símbolo de ancestralidade.

Mais do que entretenimento, o carro afirma resistência, identidade e empoderamento.
Entre os destaques está Iasmin Turbininha, primeira DJ mulher de funk no Brasil, nascida na Mangueira e uma das principais difusoras do 150 BPM. Defensora do fim da criminalização do funk, a DJ descreveu o momento como histórico.

“Essa homenagem é uma honra pra mim que sou funkeira desde criança, isso é histórico. Eu nunca vou me esquecer deste momento. Eu sou Mangueirense, mas agora a Unidos da Ponte se tornou a escola do meu coração. A mistura de ancestralidade africana e tecnologia está presente na minha carreira. Hoje o futuro é tecnologia e a gente consegue mostrar muito sobre de onde a gente veio e a representatividade do funk. O samba junto do funk é uma luta para fazer as pessoas entenderem a nossa cultura periférica. O funk incomoda, mas o incomodado que se mude com o seu preconceito”.

Outra presença marcante é a MC Nem, relíquia do Jacarezinho e pioneira do funk carioca, com mais de 20 anos de trajetória. Revelada nos anos 2000 ao lado da Furacão 2000, ela vive na Avenida um reconhecimento simbólico do movimento que ajudou a construir.
“Foi muito gratificante viver a Unidos da Ponte representando o funk na Sapucaí, o território oficial do samba. Eu vim dos anos 2000, foi muita luta e às vezes a dúvida se realmente o nosso funk iria para frente no Brasil. Estar aqui hoje é ver que somos gigantes e que valeu a pena não desistir. É impossível não ficar feliz. O funk é um espaço de afirmação e poder, junto com entretenimento. Somos confusão, gritaria, diversão e muita dança com o paredão explodindo.”
Ao levar o tamborzão para o palco do samba, a Unidos da Ponte reafirma que o funk não é ruptura, é continuidade. É herdeiro direto das manifestações negras que sempre transformaram exclusão em expressão cultural.
Na Sapucaí, o baile ganhou status de patrimônio vivo. E quando o grave bate no peito, não é apenas som: é território, memória e identidade ecoando em 150 batidas por minuto.
Stevie B marca presença no Camarote King reverencia o funk na Sapucaí
A Marquês de Sapucaí ganhou brilho internacional com a presença do cantor norte-americano Stevie B, que marcou presença no Camarote King para acompanhar os desfiles da Série Ouro antes de desfilar pela Unidos da Ponte. A escola levou para a avenida um enredo em homenagem ao funk, gênero profundamente influenciado pelo freestyle e pelo Miami bass, vertentes musicais das quais o artista é uma das principais referências nos Estados Unidos.
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Conhecido mundialmente por sucessos como “Because I Love You (The Postman Song)” e “Spring Love”, Stevie B demonstrou entusiasmo ao viver a experiência do carnaval brasileiro, principalmente após o contratempo de saúde que quase o impediu de participar da festa. Internado às pressas na semana anterior devido a um aumento de pressão, ele comentou a recuperação:
“Eu passei muito calor durante a semana e isso aumentou minha pressão, mas os médicos me liberaram e estou me recuperando muito rápido. É maravilhoso ver todos aqui hoje e curtir o espírito do carnaval”.
Casado há mais de trinta anos com a empresária brasileira Paula Hill, Stevie divide a rotina entre o Rio de Janeiro e Las Vegas e fala português com fluência, chegando a arriscar algumas frases no idioma durante a entrevista.

A passagem pelo camarote também foi marcada pelo carinho ao anfitrião do espaço, o empresário Joãozinho King, a quem o cantor fez questão de elogiar:
“Eu gosto muito do King e ele sabe disso. Adoro estar na companhia dele e fiquei muito feliz com o convite para curtir essa noite de carnaval nesse espaço maravilhoso. O João King é uma inspiração para muitas pessoas, sempre criando novos projetos. O legal é que comigo aqui agora temos dois Kings no King”, brincou.
Durante a noite, Stevie B recebeu atenção do público e de outros artistas presentes no Camarote King, como MC Poze, que registrou o encontro ao lado do ídolo.
Sobre as expectativas para os desfiles, incluindo o da Unidos da Ponte, o cantor demonstrou curiosidade:
“Eu não conheço todas as escolas que vão se apresentar hoje, mas espero ser surpreendido. Tenho certeza de que nada vai decepcionar. Todo mundo trabalha muito e a qualidade é alta em tudo. Eu quero apenas absorver.”
Ao final, Stevie B deixou um recado para os fãs brasileiros e comentou sobre o adiamento recente de um show, remarcado para a próxima terça-feira, dia 17, após a internação:
“A todos os meus fãs brasileiros, obrigado. Tenham paciência. Sei que o show foi adiado, mas vai acontecer. Se preparem para muita coisa boa em 2026. Tem muitas novidades vindo aí. A coisa vai ser realmente bem animada”.
A presença do artista reforçou o diálogo entre a música brasileira e suas influências globais, tornando a noite ainda mais especial para a Unidos da Ponte e para o público que lotou a Sapucaí.
Cabine a cabine Grupo Especial de São Paulo: Saiba como cada escola de sábado desfilou
Abrindo a noite dos desfiles de sábado do carnaval paulistano, o Império de Casa Verde trouxe para a avenida do samba as “Jóias Negras Afro-Brasileiras”. O enredo prestou homenagem às mulheres empoderadas que usavam jóias pelas ruas de Salvador/BA, no século XVIII. O gigantismo e a suntuosidade do carro abre-alas chamaram a atenção logo no início do desfile do Tigre Guerreiro. O uso do dourado foi predominante em toda a plástica da agremiação.














Cabine a cabine Grupo Especial de São Paulo: Saiba como cada escola de sexta-feira desfilou
A primeira noite de desfiles do Grupo Especial de São Paulo mostrou que o Carnaval de 2026 continua equilibrado e provavelmente será decidido novamente nos detalhes. Dragões e Tatuapé largam na frente, com os desfiles mais técnicos desta madrugada inicial.
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MUM e Colorado surpreendem pela beleza e originalidade plástica. Enquanto Barroca, Vai-Vai e Rosas apostaram na empolgação de suas comunidades e em belos sambas para tentarem entrar nessa briga também. Confira o ponto de vista do último setor do Anhembi.
Mocidade Unida da Mooca
Das sete escolas que passaram pelo Anhembi na sexta-feira, a Mocidade Unida da Mooca foi a única estreante no Grupo Especial. E logo na entrada foi possível ver que a comunidade da MUM soube lidar bem com tamanha expectativa. O forte samba-enredo, conduzido pelo competente time de canto (Emerson Dias, Gui Cruz e Ste Oliveira) e sustentado pela bateria Chapa Quente, proporcionou toda a empolgação que a escola precisava para fazer uma grande abertura de Carnaval.

Mais um ponto alto do desfile foram as alegorias e fantasias de extremo bom gosto e capricho. O carnavalesco Renan Ribeiro desenvolveu o enredo “Gèlèdés Agbará Obinrin” exaltando a mulher negra a partir da cultura iorubá, com alas de fácil leitura, o que contribuiu para a aceitação popular. O casal Jeferson Gomes e Karina Zamparolli apresentou um bailado muito sincronizado e seguro, indo além das belas fantasias.

A MUM veio com um canto uniforme, no entanto, demorou 39 minutos para chegar com a sua comissão de frente ao setor E, o último do sambódromo. Isso fez com que a escola acelerasse mais o passo a partir de seu segundo setor, buscando não comprometer o tempo máximo do desfile. O cronômetro foi encerrado com 1h05 minutos, faltando apenas 20 segundos para estourar o limite.
Colorado do Brás
Já não era mais sexta-feira, 13, quando a Colorado do Brás pisou na avenida do samba com o enredo: A Bruxa Está Solta, Senhoras do Saber Renascem na Colorado. E a “cabeça” da escola foi de arrepiar a arquibancada. Especialmente pela comissão de frente, com bastante dramaticidade e expressão facial, e que soube muito bem conquistar o público com o seu caldeirão efervescente.

Em tons escuros, com uma iluminação lilás, o carro abre-alas gerou grande impacto pela beleza e criatividade. As fantasias da Colorado pareciam ter uma leveza incomum e também eram de fácil leitura. O enredo retratou um pouco da perseguição de mulheres sábias que foram demonizadas como bruxas de forma pejorativa. Em uma das alegorias a escola trouxe esculturas de personagens “bruxas” de diferentes universos ficcionais.

O casal Brunno Mathias e Jessika Barbosa veio com belíssimas fantasias, e se mostraram alegres e atentos. A Colorado de forma geral evoluiu tranquilamente e de maneira uniforme ao longo da passarela, porém o canto da comunidade, no último setor, poderia ter sido mais intenso. A escola encerrou sua passagem pela avenida com tranquilidade quando o relógio marcou 1h02 minutos.
Dragões da Real
Na busca do seu primeiro título no Grupo Especial, a Dragões apostou no luxo e no requinte para fazer o desfile mais correto da noite, do ponto de vista do setor E. Trazendo um enredo sobre as “Guerreiras Icamiabas”, a escola mostrou logo a que veio nas primeiras passadas do samba.

Uma marcante comissão de frente abriu o desfile da tricolor, que apresentou uma coreografia de fácil leitura e muito bem ensaiada. Outro grande destaque do desfile fica por conta do imenso dragão, símbolo da escola, que vinha no carro abre-alas. Aliás, um conjunto alegórico de extremo bom gosto. Assim como as fantasias, que possuíam uma bela variação na paleta de cores.

O samba foi bem interpretado pelo Renê Sobral, que juntamente com a bateria Ritmo Que Incendeia, ajudou a trazer o público para cantar junto com a escola. Um canto potente deu o tom do desfile que se candidata ao título do carnaval. A escola fechou a sua apresentação com 1h03 minutos, sem problemas.

Acadêmicos do Tatuapé
Falando sobre a reforma agrária, a azul e branca da Zona Leste trouxe o enredo “Plantar pra Colher e Alimentar, Tem Muita Terra Sem Gente? Tem Muita Gente sem Terra”. E a bela comissão de frente do Tatuapé veio coesa e bem ensaiada, porém com um grande elemento alegórico que acabava tampando a visão do abre-alas.

O primeiro casal, Diego e Jussara, se mostraram muito seguros e bem conectados em seus movimentos. O canto da comunidade foi intenso ao longo do desfile, enquanto a evolução da agremiação se manteve constante pelo Anhembi. O samba funcionou, assim como a bateria que, sob os comandos de mestre Cassiano foi sem dúvidas uma das melhores da noite.

As fantasias do Tatuapé foram outro destaque do desfile. Alas extremamente diversas nas cores, criativas nos materiais e de fácil leitura no enredo. O carro abre-alas foi outro ponto alto da escola, porém as demais alegorias pareciam não acompanhar o mesmo gigantismo ou a mesma originalidade. A escola fechou o portão com 1h02 minutos.
Rosas de Ouro
Atual campeã do último carnaval, a Rosas de Ouro apostou na astrologia para tentar o bicampeonato em 2026. Porém, devido a um atraso no envio da pasta com informações do desfile à Liga, a escola começará a apuração com menos 0,5 décimos, o que já dificultaria bastante essa missão inicial da roseira. Um dos destaques do belo desfile é o desempenho da bateria de mestre Rafa, juntamente com a interpretação de Carlos Jr.

Plasticamente foi o melhor conjunto da noite, tanto em fantasias, quanto em alegorias. Nitidamente se viu uma escola luxosa e opulenta, relembrando os grandes carnavais da Rosas de Ouro. Mas a saída de um componente da comissão de frente, ainda na concentração, pode comprometer ainda mais as previsões iniciais da azul e rosa da Brasilândia. Ele formaria, junto com o restante dos integrantes, os 12 signos, que acabaram ficando incompletos sem o signo de Leão.

A evolução manteve um bom ritmo durante toda a passagem da Rosas de Ouro, que demorou quase uma hora para entrar no sambódromo devido à resíduos de óleo que acabaram ficando pela pista após a passagem da escola anterior. O casal Uilian e Isabel esbanjou sincronia e elegância na dança executada no setor final. A roseira encerrou sua passagem com 1h03 minutos.
Vai-Vai
Já pela manhã de sábado, com um céu avermelhado, o Vai-Vai entrou na passarela com a força do chão de sua comunidade, acompanhada pelas arquibancadas. O público do Anhembi passou a tremular as bandeiras alvinegras enquanto a escola cantava sobre os estúdios de cinema “Vera Cruz” e a cidade de São Bernardo. O samba-enredo, conduzido por Luiz Felipe, cumpriu sua função de embalar o desfile, ao lado da bateria Pegada de Macaco.

Logo no início, uma comissão de frente muito bem coreografada e dramatizada apresentava grandes personagens do estúdio Vera Cruz, como Amacio Mazzaropi, com toda a irreverência que lhe era característico. Vedetes também abrilhantaram a bela apresentação do quesito. O casal estreante, Pedro e Mirelly, realizou uma passagem segura e bem conectada nos movimentos. A parte plástica da escola começou impactante, mas com algumas falhas de acabamento em um dos rolos de fita do carro abre-alas.

As fantasias e os dois últimos carros eram um pouco mais simples do que o que havia passado no Anhembi até então. Além disso, a escola iniciou o desfile no ritmo acelerado que lhe é característico, o que fez com que a parte final da escola parasse por alguns instantes antes de adentrar a dispersão. O Vai-Vai fechou o portão com tranquilidade quando o relógio marcou 1h04.
Barroca Zona Sul
Encerrando a sexta-feira de Carnaval, a Barroca Zona Sul só não desfilou com sol porque o dia estava nublado. Com o enredo “Oro Mi Maió Oxum”, a verde e rosa selecionou para a avenida diversas histórias com o protagonismo da orixá do ouro. O que gerou um dos melhores sambas de enredo da safra de 2026, brilhantemente puxado no desfile por Dodô Ananias e Tinguinha.

Logo no carro abre-alas, uma imensa escultura de Oxum em dourado resplandecia sob o céu acinzentado de São Paulo. As outras alegorias também acompanharam a beleza e a criatividade do primeiro carro, porém algumas falhas de acabamento foram observadas na lateral esquerda do último carro. As fantasias mantiveram o grande nível plástico da Barroca, dando um belo efeito visual no conjunto da escola.

O canto da comunidade da Zona Sul foi outro grande destaque do desfile. No entanto, a evolução da escola deixou um pouco a desejar logo após a bateria Tudo Nosso adentrar ao recuo. Já o casal Cley e Lenita fez uma apresentação segura e bem sintonizada no Setor E. A escola encerrou sua passagem dentro do tempo limite sem mais problemas.
Premiado pelo ICAIS, Camarote King transforma Carnaval em vitrine de sustentabilidade
O Camarote King se tornou vitrine de tecnologia social ao implementar o sistema de saneamento circular da EcoFábrica Omìayê, iniciativa nascida na comunidade da Mangueira, e foi reconhecido com certificação ambiental concedida pelo Instituto Cultural e Ambiental de Inovação Social (ICAIS).
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Da favela para o maior espetáculo da Terra
Sempre atento às iniciativas que unem impacto ambiental e transformação social, o Camarote King descobriu a EcoFábrica Omìayê, criada na comunidade da Mangueira em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF), viu ali uma solução alinhada ao seu compromisso com a sustentabilidade e decidiu adotar o projeto.
A fábrica reaproveita óleo de cozinha usado para produzir sabão e detergente ecológicos e já reciclou mais de mil litros do resíduo, evitando a contaminação de rios e da rede de esgoto. Ao trazer essa tecnologia social para dentro da Sapucaí, o King ampliou alcance da ação e reforçou seu protagonismo na construção de um carnaval mais responsável.
Na prática, o óleo descartado das cozinhas do camarote vira matéria-prima, o produto limpa o ambiente e ainda contribui para reduzir a carga poluente lançada na rede, fechando o ciclo da economia circular. O sabão produzido também é usado nas cozinhas e banheiros do espaço.
Sustentabilidade aplicada em larga escala
A coordenadora de inclusão e acessibilidade do King, Carol Basílio, explicou que a iniciativa vai além da coleta seletiva e da reciclagem.

“Temos a responsabilidade social de tratar o esgoto de toda a marca da Sapucaí enquanto o nosso sabão desce pela rede. Ou seja, toda a minha louça é lavada com esse sabão, todos os meus espaços são lavados com esse sabão. Descobrimos que havia a química ideal por baixo do camarote, que era o que precisávamos para, estrategicamente, tratar todo o esgoto. Isso também é uma semente ambiental global. O camarote hoje representa tratar 29 mil litros de esgoto por hora, da matriz até ele”.
Além disso, o camarote mantém parcerias com cooperativas de catadores, sendo pioneiro na reciclagem de resíduos de todos os tipos durante o carnaval. A equipe de inclusão e sustentabilidade também promove ações de conscientização ambiental, orientando foliões e trabalhadores sobre descarte correto e separação de lixo.
Impacto social
Além do impacto ambiental, a iniciativa gera emprego e renda na própria Mangueira, com moradores capacitados e contratados para atuar na produção dos sabãos, reafirmando a transformação social.
Os produtos são distribuídos gratuitamente a moradores que entregam óleo usado, incentivando o descarte correto e fortalecendo o vínculo comunitário.
Reconhecimento e certificação
O compromisso ambiental do espaço foi reconhecido oficialmente pelo ICAIS, responsável pela certificação anual de eventos que cumprem práticas sustentáveis.
“O ICAIS foi fundado para transformar a sociedade de forma positiva, utilizando eventos culturais, sociais e esportivos como ferramenta. Vemos isso como uma iniciativa essencial para o meio ambiente e para a sociedade. Todos os anos certificamos não só o Camarote King, mas outros eventos, desde que cumpram práticas sustentáveis. A gente faz a vistoria, conferimos se está tudo dentro das normas e vem aqui apoiar”, afirmou Fernanda Borriello, presidente do instituto.
Para a diretora executiva do Camarote King, Lílian Martins, o prêmio representa compromisso com o futuro.
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“Sensação de dever cumprido. De estar fazendo para melhorar o mundo. Eu acho que a gente faz muito pouco pelo planeta. Eu não vou ter problema, mas acredito que meus netos terão, se a gente não cuidar”.
Assim, o Camarote King mostrou que o Carnaval pode ser também o palco de transformações sociais que vão além do espetáculo apresentado na passarela.
Freddy Ferreira: ‘Som alto nas caixas prejudicam baterias pela pista’
O Carnaval carioca passa atualmente por uma verdadeira revolução sonora. Após anos utilizando a mesma empresa, a escolha foi por encerrar esse vínculo e acreditar no desafio de um novo projeto. Obviamente uma mudança de norte conceitual tão desafiadora provoca questionamentos. Uma conclusão básica envolvendo os desfiles do grupo de acesso indica que, infelizmente, a captação e a sonorização ainda estão aquém do potencial necessário para valorizar musicalmente a festa.
Alguns problemas foram presenciados e outros relatados por sambistas, ritmistas e diretores de bateria. O primeiro deles é referente ao elevado volume nas caixas de som por toda a pista. Esse fato tem prejudicado em demasia os ritmos das baterias. Enquanto tocavam e andavam, os próprios ritmistas do Acesso puderam perceber as vulnerabilidades e inconstâncias por todo o cortejo. Tem pontos da pista em que a sonoridade dos naipes médios (caixas e repiques) e as peças leves (agudas) são escutadas com dificuldade, já que o elevado volume nas caixas de som acabam encobrindo musicalmente esses trabalhos. Isso, por si só, tira grande parte da experiência sensorial envolvendo a aproximação de uma bateria de escola de samba.
Um exemplo claro disso aconteceu durante o desfile da bateria “Fora de Série” da Acari. Sendo uma das mais seguras e constantes de todo o grupo, ainda assim, o volume altíssimo de uma caixa de som no segundo recuo chegou a prejudicar tanto que causou uma embolada no ritmo, por falta de percepção sonora por parte dos marcadores, que diante de um volume altíssimo perderam a referência, o que causou essa instabilidade. Por causa da educação musical e da excelência rítmica, em poucos segundos a bateria da Acari (bastante segura e bem comandada) já voltou ao normal, após diretores balançarem os braços na tentativa de marcar o andamento e ritmistas cantarem o samba. O elevado volume na referida caixa de som foi instantaneamente sinalizado à equipe responsável com tablets em mãos, que não tomou nenhuma ação mediante a imediata reclamação.
Outro ponto que diminuiu o impacto da experiência sensorial da chegada das baterias se refere a sonorização do ritmo que já sai mixada na própria caixa. Impressionante como praticamente só dá para ouvir os surdos, juntos de cordas (altas) e vocais (também elevados). Essa mixagem tem ficado bem aquém da excelência musical apresentada pelas baterias. Simplesmente ficam inaudíveis a sonoridade de naipes médios, além de se perder pelo caminho grande parte do brilho musical que os mestres projetaram com inovações ou adesão de instrumentos que visem agregar o aspecto de espetáculo ao show envolvendo seus ritmos.
É de conhecimento público que alteraram o número de microfones, que antigamente eram doze para um total de oito. Tal fato pode sim estar deixando de valorizar e contemplar musicalmente a sonoridade de alguns naipes importantes dentro da musicalidade das baterias. Fora que, nitidamente, essa mixagem pode e precisa melhorar, até para que os belos trabalhos musicais sejam assimilados de forma integral, o que pelo som que sai das caixas fica simplesmente impossível. Seguindo assim, é possível dizer que a mixagem de todos os naipes não está à altura do trabalho rítmico apresentado pelas baterias. Esse questionamento demanda avaliação interna com talvez alguns ajustes, visando valorizar a sonoridade produzida com muita dedicação por cada ritmo de bateria, que quer seu trabalho exibido de forma integral e fidedigna em relação a cada musicalidade desenvolvida.
Mediante uma situação praticamente alarmante se faz necessário alguns alertas para as baterias do grupo especial que desfilarão na Sapucaí a partir desse domingo. O primeiro deles é utilizar dois técnicos de som (um em cada lado da pista) andando alguns metros à frente do ritmo da bateria, para ir sondando a situação envolvendo os volumes das caixas e contando com a colaboração da própria equipe de som para realização de ajustes que podem impactar de forma positiva as passagens de cada ritmo.
A situação se torna crucial dentro do segundo recuo, onde eventuais instabilidades sonoras podem causar emboladas e desencontros rítmicos, jogando o índice anímico de ritmistas lá embaixo. Uma dica bem básica, mas sempre necessária é pedir que os ritmistas cantem o samba, cada vez que uma caixa de som alta estiver próxima, pois assim fica mais fácil marcar mentalmente o andamento e não se perder musicalmente.
Outra orientação de um sambista apaixonado e preocupado é que a própria empresa de som reavalie a altura elevada acima do normal nas caixas dispostas pela pista de desfile. Não há dúvida que o desenvolvimento desse trabalho esbarra em inúmeros desafios, como se fosse praticamente trocar o pneu de um veículo em movimento durante a realização de uma corrida.
A dificuldade é compreensível, mas um alinhamento mais refinado entre a própria equipe de captação sonora também ajudaria a integrar as pretensões de todos os envolvidos. Não há dúvida, por exemplo, que a empresa responsável pela sonorização abraçou esse projeto com vontade de fazer dar certo. E é exatamente por isso que se faz necessário que esses questionamentos ajudem a melhorar a qualidade do serviço sonoro prestado.
Rosiane Pinheiro e Madu simbolizam luta operária à frente da bateria do Vai-Vai
O Vai-Vai levou à avenida um desfile de forte impacto simbólico, unindo história, trabalho e representatividade feminina no Carnaval 2026.
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No Carnaval 2026, o Vai-Vai apresentou o enredo “A Saga Vencedora de um Povo Heroico no Apogeu da Vedete da Pauliceia”, construindo uma narrativa que exaltou o trabalhador, a formação de São Bernardo do Campo, as greves operárias e a força coletiva responsável por erguer a cidade e moldar sua identidade. À frente da bateria “Pegada de Macaco”, a madrinha Rosiane Pinheiro e a rainha Madu deram corpo, voz e emoção a esse discurso, transformando a avenida em espaço de memória, resistência e pertencimento.
TRAJETÓRIA, MATURIDADE E REPRESENTATIVIDADE NA FRENTE DA BATERIA
Madrinha da bateria “Pegada de Macaco”, Rosiane Pinheiro falou sobre o significado pessoal e simbólico de ocupar esse posto no Vai-Vai.

“Para mim, este evento representou um marco significativo. Originária do Rio de Janeiro, mas criada em Salvador dos dois aos quarenta e sete anos, e agora residente em São Paulo, o Vai-Vai significou muito. Os dois primeiros anos foram como uma transição marcante. Quando o presidente me viu no camarote aqui em São Paulo e me convidou, senti-me extremamente honrada, sendo uma mulher negra com quase cinquenta anos na época, e hoje, com mais de cinquenta, na frente da bateria”, disse Rosiane Pinheiro.
A madrinha destacou o impacto dessa vivência na sua relação consigo mesma e com outras mulheres.
“Com 52 anos, esta oportunidade permitiu que eu demonstrasse o valor das mulheres, independentemente da idade, da forma física ou de qualquer outra característica. Já me viram em diversas formas, com cabelo raspado, enfrentando crises de depressão e ansiedade. Hoje, isso me trouxe amor, realização, paz e união”, disse a madrinha.
VAI-VAI COMO FAMÍLIA E ESPAÇO DE ACOLHIMENTO
Rosiane Pinheiro definiu o Vai-Vai como um ambiente de convivência, aprendizado e afeto, marcado por conflitos naturais e reconciliações.

“O Vai-Vai foi como uma família, onde nos apoiamos mutuamente, nos aproximamos e, às vezes, tivemos desentendimentos, mas sempre houve reconciliação. Sem conflito não existe união verdadeira. Aqui, tudo sempre se resolveu. Este foi meu terceiro ano na frente da bateria como madrinha. Prefiro ser chamada de ‘Dinda’ ou ‘Madrinha’”, disse Rosiane Pinheiro.
Ao avaliar sua passagem pela avenida neste desfile, a madrinha ressaltou a evolução pessoal ao longo dos anos.
“Este ano foi o melhor que vivi. Nos anos anteriores, cobrei-me muito em relação ao samba e à forma física. Trabalhei intensamente nesses três anos. Passei por aqui hoje sabendo que a comunidade me abraçou, primeiro como musa de destaque e depois como madrinha, e isso me fez sentir muito valorizada. Retornar à frente de uma escola como o Vai-Vai foi uma honra. Acreditei e acredito que conquistaremos mais um título”, disse a madrinha.
‘O SONHO DO OPERÁRIO’ COMO IMAGEM E DISCURSO
A fantasia de Rosiane Pinheiro dialogou diretamente com o enredo apresentado pela escola.
“A fantasia representou ‘O Sonho do Operário’. Os parafusos, as chaves de fenda, as correntes e todo o maquinário da fábrica de carros simbolizaram o sonho de cada trabalhador. Todo sonho teve valor. Viajar, comprar uma casa, estudar, cuidar de si. O sonho do operário representou dignidade, respeito, uma boa condição de vida, um lar confortável, uma família, um salário justo e reconhecimento no trabalho e em casa”, disse Rosiane Pinheiro.
EMOÇÃO E PERTENCIMENTO NA COROA DA “PEGADA DE MACACO”

Rainha da bateria “Pegada de Macaco”, Madu falou sobre a intensidade emocional vivida durante o desfile.
“Ainda estive tomada pela emoção. Foi uma experiência carregada de sentimentos. Vi muitos colegas da escola na plateia e, em diversos momentos, precisei me conter para não chorar. Isso mostrou a força e a união da nossa escola. Independentemente de estarmos na escola ou na avenida, somos um grupo forte e coeso. É sentir que aquele é o seu lugar, a sua base, onde você cresceu”, disse a rainha.
Ao comentar a passagem pela avenida, Madu destacou a fluidez do desfile e a troca com o público.
“Senti muita emoção quando tudo fluiu bem. Tudo correu perfeitamente, e o olhar e a energia das pessoas me deixaram muito satisfeita com o que apresentamos”, disse Madu.
FANTASIA, OPERÁRIOS E IDENTIDADE COLETIVA
A rainha explicou o conceito da fantasia e sua relação direta com o enredo do Vai-Vai.
“Minha fantasia representou os operários. A bateria também simbolizou os operários, e eu, como figura feminina, representei esse grupo. O enredo abordou a luta dos trabalhadores de São Bernardo do Campo, as greves e toda a contribuição que eles deram para a construção da cidade”, disse Madu.
Com Rosiane Pinheiro e Madu à frente da bateria “Furiosa”, o Vai-Vai transformou o enredo em um desfile de forte carga simbólica, onde memória operária, identidade popular e representatividade feminina caminharam juntas, reafirmando a avenida como espaço de luta, sonho e pertencimento.
Presidente Ka comenta enredo diferente e investimento forte em impacto visual na Colorado
Hoje foi o primeiro dia de desfiles do Grupo Especial de São Paulo, e a Colorado do Brás se destacou na avenida pelo impacto de suas alegorias e fantasias.
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Em entrevista concedida após a apresentação oficial no Carnaval 2026, o presidente da escola, Antônio Carlos Borges, o Ká, ressaltou o forte investimento no setor plástico e na concepção visual do enredo.
“Realmente tínhamos que fazer isso, dessa vez precisávamos de mais ação, mais movimentação. Para mim, foi legal”, conta o presidente.

Na avenida, a Colorado apresentou um enredo que ressignifica a figura da bruxa como símbolo de resistência e poder feminino, atravessando a Inquisição, os saberes ancestrais silenciados ao redor do mundo e chegando à reapropriação contemporânea dessa imagem.
Segundo o presidente, a dimensão plástica foi pensada para atender ao caráter lúdico da narrativa.
“Na verdade, foi um grande investimento, porque, como o enredo é lúdico, com mais ação e movimento do que parado, tivemos que fazer algumas coisas a mais. Ou seja: as bruxas, vestidos, alegorias que soltam fogo e fumaça de dentro delas, simulações de fogo na fogueira, coisas explodindo, fumaça no chão, comissão de frente com um dos bruxos içados”, diz o presidente.

A construção ampliou o olhar para diferentes culturas que propuseram a reapropriação da imagem da bruxa no imaginário popular e na vivência atual. Para a escola, era também um território novo a ser explorado.
“Na média, a gente investiu em um novo enredo, e esse é um tipo de enredo que a gente não tinha feito ainda. Ele chama para frente, mais do que nunca; é um tipo de enredo diferente de tudo o que a gente já fez. Esse enredo foi diferente mesmo”, explica Antônio.
Com alegorias grandiosas, fantasias elaboradas e maquiagem marcante, a Colorado apostou em uma narrativa visual intensa. Ao final da apresentação, o presidente ressaltou a resposta da comunidade e do público nas arquibancadas.
“A escola cantou, e a arquibancada cantou bastante. É muito sentimento, muita emoção. Você vê o que está enfrentando e sente que realmente chegou, a mensagem foi entregue, a mensagem na bancada e em todos os projetos. E agora é sentimento de dever cumprido. Independentemente da posição e do que aconteça, o sentimento é de dever cumprido”, completa.
Intérprete Luiz Felipe destaca energia da torcida do Vai-Vai durante desfile
Não existe arquibancada vazia no Anhembi antes do Vai-Vai desfilar. Maior campeã do carnaval paulistano com 15 títulos, a “escola do povo” possui uma das grandes torcidas da cidade, além de extremamente fiel. Uma sinergia absurda entre comunidade e escola que mais uma vez foi posta à prova com a agremiação da Bela Vista pisando na Avenida já no
amanhecer.
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Desfilando na sexta-feira após quatro anos, a preto e branco retomou uma tradição de passar pelo Anhembi na primeira noite de Grupo Especial. O intérprete Luiz Felipe, cria da casa em seu sexto ano comandando a ala musical da escola, considera que o dia não faz diferença para o Vai-Vai.
“Sou a favor do seguinte, quem quer um bom resultado não escolhe dia nem horário. Sexta-feira, sábado, não ligo para isso, importante é que a escola está na pista, tá na luta, está brigando. E sendo primeira ou última escola, o povo é fiel ao Vai-Vai, é um casamento perfeito”, ressaltou.
O intérprete destacou que os trabalhos em cima do samba escolhido são sempre realizados pensando no público, já contando com o maciço apoio do torcedor. “ É um trabalho que a gente faz dentro da quadra desde quando o samba foi escolhido, já pensamos no público pois Vai-Vai tem sempre um público forte. Vínhamos ensaiando nos dois ensaios técnicos e
hoje foi o grand finale. A escola cantou muito, passou esse mar alvinegro, não é uma família, é uma nação”, afirmou Luiz Felipe que também definiu a meta da agremiação para 2026.
“Devagar, não podemos dar o passo maior que a perna, a escola está se reestruturando, aos poucos voltando a ser Vai-Vai, mas eu quero essa vaga no sábado das campeãs, essa é a minha expectativa após esse grande desfile”, finalizou.














































