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Beija-Flor 2021: parceria de Rafael Lima

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COMPOSITORES: RAFAEL LIMA, XANDY BIRAL, DITÃO, SANDRO JTA.R, DIBINHO E HENRIQUE NEGÃO
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL: ELIAS ANDRADE E VINICIUS BILLAS

CANTAR UM NEGRA POESIA
AFRICANIDADE É A RAIZ DO MEU SAMBA
ESSÊNCIA DE FELICIDADE
QUE AFLORA EM MEU PEITO AO “REPRESENTAR
HERÓIS QUE MORDAÇA TANTAS VEZES TENTOU CALAR
E UM “BEIJA-FLOR CRIOULO” INVADE A AVENIDA
VEM “REESCREVER” COM A COMUNIDADE
DEIXE A MENTE VAGAR
UM NOVO OLHAR TRADUZ MINHA COR
PRA VER O NEGRO BRILHAR AO SOM DO TAMBOR

NA RETINTA MADEIRA UMA NOVA HISTÓRIA
“UMA CAMINHO DE LUZ” , RESGATAR A MEMÓRIA
NÃO É SÓ BRAÇO FORTE, É DIVERSIDADE
“EMPRETECE” A IDEIA DA HUMANIDADE

SEMENTES VÃO FLORESCER A ESPERANÇA
UM SONHO SEM PRECONCEITO PRA SONHAR
AGRADECER, RENOVAR MEU AXÉ… Ô Ô Ô
REFLETIR ANCESTRAIS, FAZER MEUS RITUAIS
LIBERTAR MINHA FÉ
QUERO NA MINHA ARTE UM SEMBLANTE FELIZ
REGISTRAR MEU LEGADO COMO SEMPRE QUIS
SOU QUILOMBOLA, UM HERDEIRO DE CABANA
FORÇA NILOPOLITANA, QUE NÃO DEIXE DE LUTAR!

AYÊ, AYÊ, UM CANTO DE LIBERTADE!
AYÊ, AYÊ, ABAIXO A DESIGUALDADE!
A NEGRITUDE VEM MOSTRAR O SEU VALOR
NO PENSAMENTO A VOZ DA BEIJA-FLOR

Beija-Flor 2021: parceria de J. Velloso

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COMPOSITORES: J. VELLOSO, LÉO DO PISO, BETO NEGA, JÚLIO ASSIS, MANOLO E DIOGO ROSA
PARTICIPAÇÃO ESPECIAL: DÁRIO JÚNIOR E CARLINHOS BEIJA-FLOR

A NOBREZA DA CORTE É DE ÉBANO
TEM O MESMO SANGUE QUE O TEU
ERGUE O PUNHO E EXIGE IGUALDADE
TRAZ DE VOLTA O QUE A HISTÓRIA ESCONDEU
FOI-SE O AÇOITE, A CHIBATA SUCUMBIU
MAS VOCÊ NÃO RECONHECE O QUE O NEGRO CONSTRUIU
FOI-SE O AÇOITE, A CHIBATA SUCUMBIU
E O MEU POVO AINDA CHORA PELAS BALAS DE FUZIL
QUEM É SEMPRE REVISTADO É REFÉM DA ACUSAÇÃO
O RACISMO MASCARADO PELA FALSA ABOLIÇÃO
POR UM NOVO NASCIMENTO,
UM LEVANTE, UM COMPROMISSO
RETIRANDO O PENSAMENTO DA ENTRADA DO SERVIÇO

VERSOS PARA CRUZ CONCEIÇÃO NO ALTAR
CONINDÉ JESUS, Ô CLARA!
ESSA GENTE PRETA TEM FEITIÇO NA PALAVRA
DO BRASIL ACORRENTADO AO BRASIL QUE ESCRAVIZAVA

E O BRASIL ESCRAVIZAVA

BAILAM DEUSES NOSSOS ANCESTRAIS
SÃO FILHOS DE ORIXÁS ÔÔ
O PODER ASSUME OS PAPÉIS
RABISCAM NOSSOS PÉS
TODO MUNDO É PRETO A CAMINHO DA LUZ
DA VILA, DOS GUETOS ORFÉUS E EXUS
NOSSOS VELHOS ATABAQUES
ARTE NEGRA EM CONTRA-ATAQUE
VOA BEIJA-FLOR PRETA É SUA ALMA
CHEGA DE ACEITAR O ARGUMENTO
EIS O MANIFESTO DA NEGRURA
EMPRETECER O PENSAMENTO

MOCAMBO DE CRIOULO, SOU EU, SOU EU
TENHO A RAÇA QUE A MORDAÇA NÃO CALOU
ERGUI O MEU CASTELO DOS PILARES DE CABANA
DISNATIA BEIJA-FLOR

Beija-Flor 2021: parceria de Bruno Ribas

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COMPOSITORES: BRUNO RIBAS, THIAGO ALVES, ALAN VINICIUS, NATAN WALLACE E JUNIOR TRINDADE

SOU REI, AFRO-PENSADOR
PÁSSARO VENCEDOR
DA DINASTIA ODARA
JÓIA DOS MEUS IDEAIS
DANÇAM MEUS ANCESTRAIS
TRANSFORMAÇÃO DE FALA
FORTE COMO A COR DA NOITE
DENUNCIO O AÇOITE EM TEMPOS ATUAIS

BANZO SÓ QUEM SENTE SABE
QUE UM DIA COM O PERDÃO DE PAZ

AXÉ MEU IRMÃO AXÉ
AGÔ MINHA MÃE AGÔ
EMPRETEÇO OS OLHOS DESSA GENTE
COLORIR DE PRETITUDE É LUZIR O MEU VALOR
AQUI NÃO PASSARÃO OS COVARDES DA HISTÓRIA (ELES NÃO)
CICATRIZO A MEMÓRIA, CANTO PRA VENCER A DOR

ODODO, ADAJÔ, OLOGBON, INÁ
SOMOS FILHOS DE OGUM, OLORUM OBÁ

ÔÔÔÔÔ… OUÇA A BEIJA-FLOR
VAMOS ERGUER NOSSOS QUILOMBOS
IMPERAR NOSSOS CONCEITOS
LIBERTAR OS NOSSOS SONHOS
É O PODER DO NOSSO POVO PRETO
AS ESTRELAS SOBERANAS, BRILHAM NA COMUNIDADE
É UM ESPELHO DE AFRICANIDADE
VEM DE UM NEGUINHO A VOZ DA LIBERDADE

DUDU AGBARÁ DUDU RILARA Ô
DESDE OS TEMPOS DE CABANA SOU SELMINHAS E PINÁHS
É PRETA A MINHA BEIJA-FLOR

Beija-Flor 2021: parceria de Kirraizinho

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COMPOSITORES: KIRRAIZINHO, ANDRÉ RENATO, DIMENOR BF, DIEGO OLIVEIRA, GABRIEL RAMON E MARQUINHOS BEIJA-FLOR

SERÁ QUE A IMAGEM RETINTA
REFLETE A ALMA DO CRIADOR
SÃO TANTAS LUTAS INGLÓRIAS
MANCHANDO A MEMÓRIA REPLETA DE DOR
PRA SE LIBERTA DA INJÚRIA, PRECONCEITO E SOFRIMENTO
JULGADO, CONDENADO AO ESQUECIMENTO
SEGREGADO O MEU DIREITO DE SONHAR
BASTA ACREDITAR
RACISMO É CRIME, E FERE O SENTIMENTO
ESPELHO DE UMA TAL SOCIEDADE
QUE MATA A SUFOCAR
SÃO CRUZES E NOMES SEM IDENTIDADE
LÁGRIMAS QUE ESCORREM DE SAUDADE

SOU PRETO SIM… ORGULHO DA MINHA COR
SOU PRETO SIM… RESPEITO NÃO É FAVOR
DE PUNHO CERRADO, E PREDESTINADO
A LUTAR E VENCER NA VIDA

É, POR TANTAS VEZES MARGINALIZADA
É, TROCAREM A CHIBATA POR GRANADA
SANGUE CRIOULO, DE CABANA A QUELÉ
REI GANGA ZUMBA, FORÇA E AXÉ
PRA ENALTECER VISTO DE NEGRO O MEU BEIJA-FLOR
NINGUÉM VAI CALAR NEM RASURAR A ABOLIÇÃO
RESPEITE A MINHA HISTÓRIA!
NA LUTA POR TANTAS VITÓRIAS!
VOU RESISTIR ME ABRAÇA MEU IRMÃO

HONRO A MINHA PELE
A TRADIÇÃO NAGÔ
EMPRETECER É A VOZ DA BEIJA-FLOR
TIRA ESSE PRÉ DO SEU CONCEITO E LIMPE O CORAÇÃO
RACISMO NÃO! RACISMO NÃO!

Sinopse do enredo da Imperatriz para o próximo carnaval

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Enredo para a Escola de Samba Imperatriz Leopoldinense – Carnaval 2021 – Dedicado ao presidente Luiz Pacheco Drummond, que desejava muito homenagear o carnavalesco que lhe deu o primeiro título nos desfiles das grandes Escolas de Samba do Rio de Janeiro

Título do enredo: “Meninos eu vi… onde canta o sabiá, onde cantam Dalva e Lamartine”

“La la la la lauê
Fala Martim Cererê!
Vem cá, Brasil,
Deixa eu ler a sua mão, menino,
Que grande destino reservaram pra você”.

enredo imperatriz21

A música tocava todos os dias na novela de Dias Gomes, uma adaptação de Romeu e Julieta passada num subúrbio do Rio. Não sei quem era Montechio ou Capuleto – mas a música nos levava ao subúrbio, a uma escola de samba.

Foi Fernando Pamplona que sugeriu a Dias Gomes, autor da novela, que tomasse a pequena e desconhecida escola de samba de Ramos como sede de sua locação. Ficou conhecida a escola, seu compositor Zé Catimba e o magnífico samba, cujos versos previam um futuro grandioso para um menino que ainda jovem entrou para o Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Seu nome era Arlindo Rodrigues.

Lá conheceu Fernando Pamplona no setor de Cenografia e Montagens. Aprendeu rapidamente e logo se tornou um colaborador nas invencionices do amigo Fernando. Foi assim que entrou em contato com a escola de samba Acadêmicos do Salgueiro. Para lá foi Fernando, para lá foi Arlindo. E juntos fizeram os desfiles tomarem outros rumos – “que grande destino reservaram pra você…” Adicionaram elementos de espetáculos teatrais – como colocar fantasia na bateria – uma inovação –, utilizar proporções grandiosas para os trajes, bordar em grandes espaços, dando visibilidade aos desenhos, e a utilizar de materiais inusitados como os espelhos, que foram substituir as luzinhas, tão em voga na época embora ineficientes. Os temas eram absolutamente inéditos, criando uma nova vertente para enredos cujas histórias não constavam dos livros escolares, como a de Zumbi dos Palmares, de Chica da Silva e de tantos outros, dando ênfase a assuntos ligados a negritude. Muitos desses enredos acabaram virando filmes, dado o sucesso que alcançaram.

Um dia, Arlindo resolveu mudar de ares e de escola de samba, e foi para a Mocidade Independente de Padre Miguel. Deu Arlindo na cabeça! O enredo Descobrimento do Brasil conseguiu desbancar as outras concorrentes, deixando até mesmo o Salgueiro de seu amigo Pamplona para trás.

Foi o primeiro campeonato da escola de Padre Miguel. Alguns temas tinham forte cunho nacionalista. Arlindo dirigira um espetáculo no Theatro Municipal com música de Villa Lobos intitulado Descobrimento do Brasil. Pois virou enredo em várias ocasiões sob ângulos diferentes

A Canção do Exílio lhe serviu de referência para o desfile da Imperatriz em 1982, “Onde canta o Sabiá”, e foi um representante do romantismo em sua obra. Em cada carnaval, um novo Brasil nos era apresentado através de suas interpretações da cultura do nosso povo.

Depois de uma breve permanência em Padre Miguel, aceitou o convite para assumir o carnaval da escola de samba Imperatriz Leopoldinense, a convite de seu presidente Luizinho Drumond. Escolha acertada, e o presidente, disposto a levar sua escola para ficar entre as melhores dos desfiles, deu carta branca ao carnavalesco. Novamente a estrela de Arlindo iria brilhar.

E Gonçalves Dias influenciou sua obra, impregnada de nacionalismo romântico com toques do modernismo de Villa-Lobos e de seu Descobrimento do Brasil, a negritude na louvação à Bahia e ao Carnaval de Lamartine. Por uma dessas incríveis coincidências, Arlindo conhecera pessoalmente Lamartine, que era júri de concurso de quadrilhas em Ramos, sendo Arlindo o criador do troféu desse mesmo concurso.

“Eu vou embora, vou, no trem da Alegria, ser feliz um dia…” Seria uma alusão à estrada de ferro que passava em Ramos ou ao trenzinho caipira do Villa-Lobos?

Inquietos, tanto o presidente Luisinho quanto Arlindo, depois de separados por um tempo, voltaram a se encontrar para celebrar a Estrela Dalva. Novamente o teatro se misturou ao carnaval, pois o espetáculo Dalva lotava todos os dias o Teatro João Caetano. Foi nesse ano que a estrela Arlindo se apagou, deixando lembranças de grandes criações tão brasileiras.

Vendo o programa do espetáculo Descobrimento do Brasil, notamos mais um de seus achados. Na lista de aderecistas, na ficha técnica, um deles se destaca: João Jorge Trinta, que viria a se tornar um grande carnavalesco.

Eles viveram tudo que contei, mas eu… meninos, eu vi.

Rosa Magalhães, carnavalesca

enredo imperatriz21

Zé Katimba – antes de tudo um forte – Luiz Leitão ´Acervo universitário do Samba – vol 2 – 2016

100 Anos de Carnaval no Rio de Janeiro – Haroldo Costa – editora Irmãos Vitale 2001

O Maior Espetáculo da Terra – Luiz Carlos Prestes – editora Lacre – 2015

Wikipedia – Acadêmicos do Salgueiro

Enredo – Onde canta o sabiá – 1982- gres Imperatriz Leopoldinense

Enredo – Estrela d’Dalva – 1987- gres Imperatriz Leopoldinense

Catálogo da Exposição – Arlindo Rodrigues Carnavais de Arlequins e querubins -Dr Ricardo Lourenço – idealizador e curador.

Ouça o samba-enredo do Império Serrano para o Carnaval 2022

Compositores: Paulo César Feital, Henrique Hoffman, Andinho Samara STS, André do Posto 7, Jefferson Oliveira e Ronaldo Fininho
Intérpretes: Nêgo e Igor Vianna

Firma ponto no juremá, pro corpo fechar
Patuá e Ladainha
Risca pemba no chão
Tem erva, farinha e facão
A vida é rinha!
Ginga de Angola ancestral
Falange, Ogã, berimbau
Besouro… Saravá… Serrinha!
Canta o justiceiro vingador
Que Mestre Alípio ensinou
O negro há de se orgulhar

Filho de faísca é fogo
Se entra no jogo é pra incendiar

Camará… Mangangá… Toque de Cavalaria
Camará… Mangangá… Não aceita tirania
Se quebrar pra São Caetano
O cativo azeda o mel
Negro feito na cabaça não se rende a coronel

No Tucum o fim da vida
Finda a vida nasce a luta
E o revide do pretume
Idalina força bruta
Amazonas valentia
Salve Manoel Pereira
Meia lua de caboclo rabo de arraia é pedreira
Não chore não meu mano
Que eu volto já
Contra toda intolerância sou Exu de Oxalá
Não chore não meu mano
Que eu volto já
Hoje o Rei da Resistência
Capoeira quer jogar

Bate marimba Camará
Camugerê Paticumbum
Sou eu Império
Da Patente de Ogum

Luma disponibiliza para leilão vestido e sandália para ajudar Natal do Bailado Solidário

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Uma das maiores incentivadoras do projeto Bailado Solidário, que vem ajudando casais de mestre-sala e porta-bandeira, durante a pandemia da Covid-19, a ex-rainha de bateria, Luma de Oliveira, disponibilizou um vestido de cristal Swarovski e um parte de sandália para leilão em prol do grupo.

* CLIQUE AQUI PARA PARTICIPAR DO LEILÃO

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“Toda renda será revertida para ajudar no Natal dos mais de 200 casais de mestre-sala e porta-bandeira cadastrados. Quem adquirir essas peças não terá só um lindo vestido e/ou sandália, mas também o amor e a boa energia dela, além da nossa gratidão”, disse o mestre-sala Diogo Jesus, um dos organizadores do Bailado Solidário.

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Luma de Oliveira é a madrinha do projeto Bailado Solidário. O vestido foi utilizado por ela para assistir aos desfiles das escolas de samba na Marquês de Sapucaí.

Charles Silva retorna ao posto de intérprete oficial da Unidos da Ponte

A Unidos da Ponte anunciou o retorno do intérprete Charles Silva como voz oficial da escola. O jovem, que já defendeu o carro de som em 2014, é cria da comunidade e comemora a volta à agremiação em um novo momento de sua carreira.

Charles é nascido e criado em São João de Meriti. Começou sua trajetória na Independente da Praça da Bandeira e logo em seguida chegou no carro de som na Unidos da Ponte, até ser oficial em 2014. Atualmente, também é integrante do carro de som do Salgueiro e primeira voz oficial da Independentes de Olaria.

charles ponte

“Estou muito feliz em retornar a escola. Quero agradecer o convite de toda direção e dizer que darei o meu melhor neste retorno a azul e branca de São João de Meriti. Sou nascido e criado na comunidade, será uma honra fazer parte novamente desta família”, revelou Charles.

A Unidos da Ponte levará para Marquês de Sapucaí o enredo “Santa Dulce dos Pobres – O Anjo bom da Bahia”, que será desenvolvido pelos carnavalescos Guilherme Diniz e Rodrigo Marques.

Em Cima da Hora anuncia seu novo casal de mestre-sala e porta-bandeira

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A Em Cima da Hora anuncia a contratação de Jackeline Gomes e Johny Matos para assumirem o posto de 1º casal de mestre sala e porta-bandeira da escola. A dupla chega para compor o novo quadro de profissionais da azul e branca.

Jackeline tem bastante experiência como porta-bandeira. Passou por escolas como Caprichosos de Pilares, Império Serrano, São Clemente, Lins Imperial e na própria Em Cima da Hora, onde começou sua carreira e também teve uma passagem em 2018.

Retornando para a azul e branca de Cavalcanti, a porta-bandeira aposta na nova parceria com Johny aliada a muito ensaio para um desfile de sucesso: “Meu retorno a escola é com foco total e a expectativa dessa nova parceria é grande. Focar nos objetivos em busca de nota máxima e mostrar um trabalho com bastante maestria. Apesar de ser a primeira vez que dançarei com Johny não tenho dúvidas que faremos um belo trabalho”.

casal emcimadahora

E falando no novo mestre-sala da agremiação, Jhony Matos também passou por escolas como Independente da Praça da Bandeira, Unidos da Ponte, Grande Rio (na ala dos casais de mestre-sala e porta-bandeira), Império Serrano e Porto da Pedra, onde ficou nos últimos três anos como segundo mestre-sala.

Animado, Johny também vê na sua chegada uma grande expectativa para defender o pavilhão da tradicional escola de Cavalcanti: “Fiquei muito feliz com o convite do Heitor pra fazer parte da família Em Cima da Hora. Dançar com a Jacke é uma honra pra mim. Prometo todo meu esforço pra fazer um belo trabalho e agradeço de todo coração a oportunidade que a escola está depositando em mim e no meu trabalho”.

A Em Cima da Hora retorna à Sapucaí reeditando o samba do enredo de “33 – Destino Dom Pedro II”, reescrito pelo enredista Diego Araújo e que será desenvolvido pelo carnavalesco Alex Carvalho.

Leia a sinopse do enredo da São Clemente para o próximo carnaval

CARNAVAL 2021 – G.R.E.S. SÃO CLEMENTE
PRESIDENTE: RENATO ALMEIDA GOMES
ENREDO: UBUNTU
CARNAVALESCO: TIAGO MARTINS
HISTORIADOR-ENREDISTA: MARCOS ROZA

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Somos um, somos todos a cuidar uns dos outros e do nosso lugar. Ubuntu, termo africano da língua Zulu, oriundo do tronco linguístico bantu, se conjuga na primeira pessoa do plural: NÓS. Ressignifica a construção de um futuro dentro do presente. A coletividade nos alcança. “Ubu” evoca a ideia do ser e “ntu” indica toda manifestação do ser-sendo, em constante movimento. Nossa Escola de Samba se transforma em Escola de Vida, voluntária de uma grande missão social, na qual o princípio é a garantia do bem-estar coletivo dos seres humanos ao redor do mundo. São Clemente! Nós, eu e tu, somos uma só voz. O encontro étnico enriquece os gestos afetivos e contínuos à realeza africana. Conecta-nos à vivência e aos ensinamentos da Mãe África; traduz o sentimento da filosofia ubuntu, identidade de uma gente de pele preta que compartilha, que é solidária à dignidade humana e à troca de saberes. O ser-sendo clementiano flerta com o mundo negro africano, cria laços de apoio mútuo, veste a esperança e personifica, em desfile, a xenofilia. Enreda-se à reativação da comunidade afreekana, à plena realização do ser: o direito a ter direitos, Humanidade para Todos!

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Ardente em sensações vivas, a rara missão, pulsa. Afaga a dor, emana amor e gratidão. Anuncia o alcance adquirido pela força das ações humanitárias. Materializa a generosidade e o desprendimento – valorizando o trabalho e a crença das mulheres Yanomamis. Incorpora o espírito de ubuntu ao colo materno de Amma, a santa dos abraços. Pede benção, saúda as Ialorixás, matriarcas do terreiro que preservam a humanidade do seu povo nas religiões afro-brasileiras. Corre, acolhe, ampara, socorre, renova a bondade das missionárias religiosas. Segue! Recria a fé e o pranto, a romaria de um velho padre, quase santo. Cultua um santuário à vida, um rito de humana compaixão que firma o passo e estende a mão.

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Solta a voz da memória e denuncia: tipificado ou estrutural, racismo é crime. Como trança que nos aproxima, segue a ancestralidade nos rincões escravocratas e ecoa pelos ares a resistência e a luta do Quilombo dos Palmares. Humanidade? Essa fora negada com os fragmentos de uma lei. Uma áurea exclusão de uma política conservadora de libertação. O punho é cerrado contra o mito da democracia racial: o negro desafia, atua, experimenta, ergue-se da palavra, despadroniza a tormenta! Luta Abdias, luta Mandela, lutam Luther King e Malcolm X, todos prestam à terra – de que são filhos – discursos bravios à condição de sujeitos de conhecimento contra a discriminação racial. Ao som da reciprocidade, Teresa lidera um quilombo, Garcia envia uma carta, o diário de uma favelada inspira…pois a fala da mulher preta nasce desse chão. Tudo em movimento: negro, unificado e antirracista; ubuntu da nossa existência junta e reflete da alma os protestos de que vidas negras importam!

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A vida eleva o conceito da filosofia ubuntu para além dos territórios africanos. Sem perder o foco, a missão segue, enxerga e envolve-se. Salvando vidas sem descanso na lida do dia a dia, sejam pessoas afetadas por acidentes naturais, conflitos armados ou pandemias, o trabalho de Médicos sem Fronteiras, de organizações de saúde e voluntários, aponta para onde caminha humanidade. Atos, atitudes, sensibilidade! Ação da Cidadania sugere “fome zero” para um Brasil em estado de calamidade. Age na contramão da desigualdade social e coroa, a luz da caridade, a princesa Diana como a “rainha do povo”. A ensinagem da vida afirma-se da arte das bonecas abayomis, feitas sem costura, que trazem a herança cultural africana do “abay” – encontro – e “omi”, precioso, como representação, no enredo do meu samba, das ações sociais realizadas pelas Ong´s – organizações não governamentais. Nesse trajeto do pensamento africano, a história educa e a missão clementiana preserva a ética humana, incluindo as ações desenvolvidas por meio da educação integral do Instituto Ayrton Senna, a valorização do grupo e o respeito às diversidades. E recriando a esfera de valores da Humanidade para Todos, atualiza os dados! Integrando a essa mesma humanidade, promove o sentido ecológico de ser e estar no mundo, um ato político de respeito ao meio ambiente. Permitindo-nos ouvir a voz da Natureza, o canto dos girassóis, enxergar o suor das folhas a cada raiar do sol e denunciar os diversos crimes ambientais: as queimadas das florestas, a caça predatória de animais em extinção, a poluição dos ares e dos mares. Tudo sufoca e destrói a Grande Mãe, a única que pode garantir a nossa própria sobrevivência.

5 Como consequência natural da formação da cultura popular, a missão social da São Clemente compartilha do mesmo sentimento de comunidade levando-nos à compreensão das linguagens artísticas como vínculo de humanização deflagrado da preservação da memória, das tradições e dos valores de pertencimento: “eu sou na medida em que o meu coletivo é”. E se conecta com o que de mais profundo e humano cada um de nós guarda em si. Diretamente ligada à cosmovisão dos mitos populares da cultura bantu, tudo se alinha à ética africana e ecoa espontaneamente dos tambores de crioula, da tradição dos jongueiros e dos laços identitários do bloco Ilê Ayê. Encontra com o samba e com o conceito de união, herança que se aprende quando criança. A alegria é coroada pela relação dos seus ideais: desfila os ensinamentos das escolas mirins e preserva a cultura dos nossos carnavais.

É a saga dos encontros, que (re)conecta pessoas e entidades a um grande abraço social, no qual a Escola de Vida sugere uma reflexão contra todo tipo de preconceito e discriminação. A São Clemente é o Carnaval da Inclusão ser-sendo resistência, porque Somos Todos Nós UBUNTU.

clemente2021

Glossário:
Afreekana – é o primeiro sistema de organização social no mundo e o responsável por manter viva a população afrodescendente.

Ialorixá – nos terreiros de candomblés, é a mãe de santo, matriarca responsável pelo culto aos orixás.

Yanomamis – refere-se à Associação das Mulheres Yanomami Kumirãyõma (AMYK) criada em 2015 pelas mulheres Yanomami da região de Maturacá para valorizar os saberes das mulheres e estimular os jovens sobre o conhecimento tradicional, especialmente sobre o artesanato.

Xenofilia – sentimento de simpatia pelo estrangeiro, congraçamento com outras culturas.

Referências:
GLOBAL Humanitarian Assistance. Defining humanitarian assistance. 2017.

DOSSIÊ IPHAN. Jongo no Sudeste. Brasília, DF: Iphan, 2007.

NOGUERA, Renato. Ubuntu como modo de existir: Elementos gerais para uma ética afroperspectivista. Revista da ABPN.V.3 p. 147-150. 2011.

PONTES, Katiúscia Ribeiro. Kemet, escolas e arcádeas: a importância da filosofia africana no combate ao racismo epistêmico e a lei 10639/03; 2017.

RAMOSE, Mogobe B. A ética do ubuntu. 2002.

_________, Mogobe. Globalização e ubuntu. In: SANTOS, Boaventura; MENESES, Maria Paula (Orgs.). Epistemologias do Sul. São Paulo, 2010.p.175-220.

Carnavalesco: Tiago Martins
Pesquisa e texto: Marcos Roza
Desenvolvimento: Tiago Martins, Marcos Roza e Érica Portilho.