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Cláudio Vieira: ‘A evolução do público’

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Aconteceu durante o intervalo de uma noite de ensaios técnicos no Sambódromo. Um grupo instalado nas frisas do setor 4, reunido à beira de um isopor recheado de latinhas, fazia o tempo passar enquanto a chuva não vinha e as apresentações de domingo não começavam.

Um casal comparava as performances de Portela e Imperatriz, que ensaiaram na véspera. O nível da conversa chamou a atenção. Comecei a prestar atenção nos comentários, quando o rapaz perguntou:

– Você está falando no aspecto conceitual ou estético?

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A jovem que o acompanhava respondeu:

– Conceitual mesmo. Percebi que a Imperatriz “sanfonou” algumas vezes, mas os diretores de harmonia consertaram a tempo, deixando-a mais compacta e coesa.

Ele fez nova observação:

– Mas a Portela gabaritou! Um desfile linear, sem oscilações. Harmonia e evolução impecáveis!

– Porém… O samba tem uma estrutura melódica que pode atrapalhar – argumentou a moça.

O público também está ficando “tecnicamente perfeito”.

Carnaval Wall, primeiro reality show do samba: conheça a participante a porta-bandeira Waleska Gomes

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A porta-bandeira Waleska Gomes é uma das selecionadas que vai participar do Carnaval Wall, primeiro reality show de samba. E, não poderia ser diferente, assim que saiu o anúncio de inscrições para o programa, os fãs da artista fizeram um verdadeiro mutirão nas redes sociais.

O “Tropa da Waleska” não sossegou até o dia em que o nome dela foi lido, ao vivo, na live de apresentação dos grandes sortudos. O site CARNAVALESCO conversou com a sambista, que também é modelo e tem se destacado nas redes sociais com vídeos divertidos. Waleska está muito feliz em poder participar do programa e promete muita diversão para os fãs.

O que representa participar do primeiro reality show do carnaval?

“Muita alegria em estar fazendo parte desse projeto para sambistas. Tudo que é relacionado a carnaval eu amo participar”.

O que o público pode esperar da sua participação no programa?

“Muita risada, animação, alegria em ser sambista e muito orgulho em ser porta-bandeira. Espero que vocês gostem e se divirtam muito com o programa, e com os conteúdos, que eu tenho certeza que estão sendo preparados com muito carinho para vocês, e que os Sambistas apoiem mais os projetos e iniciativas feitos para nós mesmos”.

Sem desfile em fevereiro e os ensaios o programa pode amenizar essa saudade dos sambistas?

“Na minha opinião, não. Porque uma coisa não supre a outra. Porém o que vale, é a iniciativa em criar um conteúdo para os sambistas”.

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Conte sua história com o carnaval? Seu primeiro desfile e o que já fez.

“Sou filha de sambistas, porta-bandeira há anos. Trabalho com carnaval o ano inteiro fazendo shows e viagens internacionais representando o carnaval”.

O que pretende fazer com o prêmio de 5 mil caso vença o reality?

“Comprar uma geladeira nova pra minha mãe (risos)”.

Criatividade, nota 10! Viradouro estreia programa com Zé Paulo recebendo intérpretes de outras escolas

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A atual campeã do Grupo Especial do Rio de Janeiro segue ditando novidades no carnaval. Dessa vez, a Viradouro estreou o programa “Zé Paulo não canta Viradouro”, nesta terça-feira, nas redes sociais da escola, com o intérprete principal da escola de Niterói, Zé Paulo Sierra, recebendo o cantor Neguinho da Beija-Flor. Pelo projeto, Zé não cantou sambas da sua escola e acompanhou todas obras da azul e branco nilopolitana, além de clássicos do samba cantados por Neguinho.

O presidente da Viradouro, Marcelinho Calil, foi o apresentador do programa. Ele vestiu a camisa do enredo da Beija-Flor para o Carnaval 2022, “Empretecer o pensamento é ouvir a voz da Beija-Flor”. Durante a live, o dirigente respondeu uma pergunta por telefone de um internauta sobre a decisão da vermelho e branco de autorizar que os componentes possam mudar suas obras concorrentes para o desfile de 2022, que foi revelada em uma reunião na quadra da escola, na noite de segunda-feira, com os compositores inscritos na disputa.

“Chamamos os compositores na quadra e pedimos que voltassem os sambas. Temos agora uma lacuna sem o carnaval em 2021. Com a extensão desse período do carnaval, temos tempo para preparar. Entendemos que as obras deixaram a desejar em determinado ponto, se destacavam por um lado e um outro deixaram a desejar. A sinopse foi muito bem desenvolvida, na minha opinião, o vídeo foi muito elogiado, e o mais importante agora não é se foi falha ou não do compositor. Confio muito na minha ala, senão, nem tinha mandado voltar, porque temos tantas outras alternativas no mundo do samba. Se pedimos para voltar é porque confiamos na ala. A gente aproveitou também para ler de outra forma a sinopse na quadra, de forma pausada, e com os carnavalescos. Otimismo total, tenho certeza que a Viradouro terá um grande hino pela frente. Faz parte do mundo do samba, da preparação, tudo para conseguir fazer o melhor para nossa escola”, disse Marcelinho Calil.

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O presidente da Viradouro aproveitou para falar do projeto da live, que será realizado quinzenalmente, com o intérprete Zé Paulo e os cantores convidados.

“Quando pensamos no primeiro nome para abrir esse projeto foi unânime e indiscutível. Neguinho da Beija-Flor é uma lenda viva do carnaval do Rio de Janeiro. Falo isso emocionado. Quando entramos no mundo do samba temos vários desejos e sonhos. Algo que nunca tinha imaginado era estar nessa live batendo papo”.

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Neguinho da Beija-Flor cantou seus sambas de meio de ano e os clássicos dos sambas-enredo da escola de Nilópolis. Além disso, o artista revelou histórias curiosas que viveu no carnaval, ainda respondeu perguntas dos internautas e aprovou o programa.

“A Viradouro tem feito carnavais maravilhosos, lindos. É um prazer estar aqui. Agradeço o convite. Foi bonito demais. Muito honrado de ter dado o pontapé inicial nesse projeto. A Viradouro vai vir com a corda toda no Carnaval 2022. Uma escola apresentar o carnaval que vocês apresentaram em 2020 só engrandece o espetáculo”.

Zé Paulo Sierra falou também da estreia do programa.

“Uma das coisas que me inspira no Neguinho é a identificação com a escola. Ter o Neguinho com a gente na estreia elevou o sarrafo. Parabenizo o presidente da Viradouro pela ideia do programa. Admiro o Neguinho e tive a oportunidade de dividir sambas com ele. Carnaval precisa de coisas novas, o tempo todo, para que todos possam crescer ainda mais. Me sinto feliz e honrado de participar dessa história”.

Veja abaixo na íntegra o programa:

Sem desfile em 2021, torcedor da Mocidade faz festa de aniversário temática sobre ensaio da escola do coração

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A pandemia da Covid-19 parou o mundo do samba, mas não impediu que Leonardo Gadelha, de 23 anos, torcedor da Mocidade Independente de Padre Miguel, comemorasse seu aniversário, no dia 17 de janeiro, com um ensaio temático da sua escola de coração. Morador do bairro de Santa Cruz, Zona Oeste do Rio, o jovem é funcionário de operações do Metrô Rio, e um daqueles sambistas que carrega no DNA o amor pelo carnaval. Com influência da família foliã, o samba sempre foi quesito número um na casa dos Gadelhas.

Desde criança, o garoto já dava sinais de que a paixão pelo carnaval e pela Mocidade Independente de Padre Miguel seria eterno. Não tendo como fugir do universo de bamba, ele virava as quatro noites de carnaval assistindo os desfiles pela TV e ouvindo os relatos de sua família, integrante da escola do bairro, a Acadêmicos de Santa Cruz. Léo Gadelha, como é mais conhecido, sempre teve suas datas de aniversário com temas de carnaval.

Após o último carnaval, o mundo começou a enfrentar uma grave crise sanitária, causada pela pandemia do novo Coronavírus, vindo a quarentena e com ela o isolamento social. Para Leonardo, o fiel torcedor, era um momento de se repensar como se comemoraria seu aniversário em janeiro de 2021. Acostumado a realizar suas comemorações nos eventos da Mocidade, ele teve a ideia de fazer um simples almoço em sua casa para os familiares e não contava com uma surpresa das pessoas mais próximas.

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“Me considero uma pessoa de muitos amigos e por conta da pandemia eu não poderia chamar todos para estarem comigo. Comentei com a minha família de fazermos um almoço simples mesmo, só entre a gente, sem chamar ninguém, e com muito samba no som. Queimamos uma carne no quintal, como planejei, eis que surge uma mesa decorada, meus instrumentos musicais, meu chapéu, minha flâmula, e um bolo. Não acreditei que estava acontecendo uma festa temática da minha Mocidade Independente de Padre Miguel”.

A comemoração seguiu no dia 20 de janeiro, quando a Mocidade fez a primeira live para eliminatória de samba-enredo.

“Era feriadão no Rio, dia de Oxóssi/São Sebastião, reunimos a família inteira, compramos aquele lanche reforçado, preparamos aqueles drinks bem gelados e documentamos a letra dos 11 sambas concorrentes. Foi incrível! Fiquei muito feliz e orgulhoso com o que foi apresentado. Agora, com o cancelamento do carnaval em julho, eu espero, de coração, que a escolha do samba para 2022 possa ser um evento já presencial. Em outubro mais ou menos. Se Deus permitir, todos estarão vacinados e prontos. Seria uma alegria já poder sentir esse clima “pré-carnaval” ainda esse ano e com certeza poder comemorar meu aniversário do ano que vem no meu lugar preferido. Que saudades eu estou da minha casa, que saudades do Maracanã do Samba, a quadra da minha Mocidade”.

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Ele acompanhou a fase difícil da escola de coração e os sambas chamavam sua atenção.

“Comecei a acompanhar o carnaval fielmente a partir de 2007. Os carnavais da Mocidade não passavam por uma fase tão boa. Eu não vivi os anos de ouro. O que eu tinha de embasamento da escola é que ela desfilava bem e ficava sempre distante das campeãs. Em contrapartida, os sambas da Mocidade sempre me chamavam atenção. O de 2008 é um dos que eu mais escuto até hoje: ‘Minha Mocidade… guerreira! Traz a igualdade, justiça e paz’. Com o passar do tempo, eu cresci, fiz amigos no mundo do samba e por ironia do destino todo o meu grupo de amizade que vai para Sapucaí ver os desfiles juntos são torcedores da Mocidade. Eles me fizeram conhecer o ensaio de rua na Guilherme da Silveira, o ensaio de quadra, a assistir aos desfiles antigos que renderam o campeonato para escola. Me fizeram enxergar a Mocidade com outros olhos”.

Leonardo Gadelha disse que ainda não teve oportunidade de desfilar pela sua escola do coração:

“Nunca tive esse prazer de desfilar, pelo fato dos ensaios de rua acontecerem domingo/segunda. A rotina de trabalho me impede de estar assíduo em todos os compromissos, mas olha, estão perdendo um componente brabo, viu?! Duvido que alguém pule e cante mais do que eu, do início ao fim”.

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Neguinho da Beija-Flor aprova cancelamento dos desfiles em 2021: ‘Não teria graça nenhuma ter o carnaval’

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O intérprete Neguinho da Beija-Flor participou da estreia do programa “Zé Paulo não canta Viradouro”, na noite desta terça-feira, nas redes sociais da atual campeã do Grupo Especial, e foi perguntado sobre o cancelamento dos desfiles em 2021 no Rio de Janeiro.

“Infelizmente, a pandemia parou o mundo. Não houve Olimpíada (2020), Parintins, o forró de Caruaru e o melhor réveillon de Copacabana, considerado um dos melhores do mundo. Foi uma decisão acertada. Fazer carnaval pensando nos entes queridos que perdemos. A pandemia não acabou e ainda vamos perder muita gente, infelizmente. Não teria graça nenhuma ter o carnaval. Em 2022, voltamos com mais garra, sem medo e sem o sentimento de estar desfilando em cima dos cadáveres. Fui um dos primeiros que disse ser contra não ter carnaval em 2021”.

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Neguinho da Beija-Flor no programa da Viradouro que estreou nesta terça-feira. Foto: Reprodução de internet

O presidente da Viradouro, Marcelinho Calil, aproveitou para falar que concordou com o cancelamento do Carnaval em 2021.

“Concordo em gênero, número e grau. Acho que não é o momento. Existem muitas preocupações ainda. Posteriormente, vamos conseguir realizar um espetáculo à altura do que a gente vinha apresentando nos últimos anos. Tudo tem seu tempo”.

Terça de carnaval com comércio aberto! Fecomércio RJ assina termo que permite funcionamento em horário integral

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A Fecomércio RJ firmou com o Sindicato dos Empregos do Comércio do Rio de Janeiro, o Termo Aditivo à Convenção Coletiva de Trabalho, que permite a todas as empresas de comércio da capital, que tiverem interesse, o funcionamento na terça-feira de Carnaval (16/02/2021), e a adoção do horário integral na quarta-feira de Cinzas (17/02/2021), mediante a formalização de termo de adesão. Na segunda de Carnaval, fica mantida a autorização para o funcionamento normal do setor.

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“Trata-se de um pleito da Federação que beneficiará os comerciantes de toda a cidade em um período atípico. O feriado foi mantido, mas as autoridades anunciaram que não vão permitir comemorações oficiais da data, como desfiles de escolas de samba e blocos de rua, por conta da pandemia. Para auxiliar os empresários nesta retomada econômica, conseguimos negociar a permissão para que as empresas do comércio da cidade funcionem normalmente nestas duas datas. Esperamos que a medida contribua para o aumento das vendas e dê a todos o fôlego necessário para o setor voltar a crescer”, explica Antonio Florencio de Queiroz Junior, presidente da Fecomércio RJ.

Museu do Samba propõe que seja feito um ato simbólico no Carnaval 2021

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O carnaval das escola de samba e dos blocos não acontecerá em 2021 devido à pandemia da Covid-19, mas a data segue no calendário e não pode ser esquecida pelos sambistas e autoridades públicas. Por isso, o Museu do Samba propôs para secretaria municipal de Cultura a realização de uma agenda simbólica e de valorização do samba como forma de expressão.

“Embora não tenhamos condições sanitárias de realizar os desfiles das escolas de samba acreditamos ser importante marcar simbolicamente o carnaval, até como um ato de resistência a tristeza e a dor deste momento”, diz um trecho do ofício enviado pelo Museu do Samba, assinado pelo presidente do Conselho Deliberativo, Neuzo Sebastião de Amorim Tavares.

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Ao site CARNAVALESCO, fundadora do Museu do Samba, Nilcemar Nogueira, deu detalhes da ideia.

“Como um lugar importante da nossa ancestralidade, pela Tia Ciata e todas as Tias, pelos sambistas que já se foram, achamos apropriado marcar a data com um gesto simbólico, sem presença de público, e guardada todas as recomendações sanitárias. Seria um grupo pequeno de baianas, com o simbolismo da lavagem desse chão onde tantos pisaram e também como uma homenagem aos que se foram por causa da Covid, além de ser uma manifestação de esperança que em breve estaremos todos juntos. O surdo, um único surdo, marcaria essa pequena procissão, com um coração que bate e quer continuar a bater, a do samba e do carnaval”, explicou Nilcemar.

Cláudio Vieira: ‘Na marca do pênalti’

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Durante a transmissão dos desfiles do Grupo de Acesso Série A, uma repórter de uma emissora de rádio correu até a Dispersão, de onde chamou o locutor, anunciando uma entrevista com o presidente da escola que acabara de desfilar:

– Ninguém entendeu nada do enredo, nem os componentes, nem o público. Ninguém cantou, ninguém vibrou. A Escola passou fria e pode até descer – comentou a jornalista.

O presidente concordou:

– Também não gostei.

A repórter não perdeu tempo e emendou outra pergunta:

– Estão dizendo por aí que o senhor já está pensando até em demitir o carnavalesco. Isso é verdade?

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O presidente sorriu e respondeu:

– Quem pode dizer isso é o presidente da escola que está desfilando. Eu sou presidente da escola que desfilou antes.

O locutor chamou os comerciais.

Reality show do samba, o Carnaval Wall: conheça a participante Flávia Félix Capela

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O site CARNAVALESCO, canal oficial de notícias do Carnaval Wall, primeiro reality show do samba, começa a divulgar os participantes que vão participar do programa. Flávia Félix Capela, mais conhecida como Flávia Capela, foi uma das selecionadas.

“Eterna gratidão irei representar a todos que acreditaram em mim”, foi dessa forma que a musa comemorou, nas redes sociais, a entrada no reality. Conversamos com a beldade que promete causar no programa. Confira a entrevista na íntegra. * AQUI: TODOS OS PARTICIPANTES

O que representa participar do primeiro reality show do carnaval?

“Representa ser especial, significa responsabilidade em representar diversas pessoas que amam carnaval assim como eu, ainda mais nesse momento que o país está passando”.

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O que o público pode esperar da sua participação no programa?

“Alegria, diversão, otimismo, samba, comida boa porque amo cozinhar, mas claro “A minha boca não é baú”, e não estou morta? Então, se precisar causar a gente conversa”.

– Sem desfile em fevereiro e os ensaios o programa pode amenizar essa saudade dos sambistas?

“Com esse reality creio que será uma forma de amenizar essa saudade”.

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Conte sua história com o carnaval? Seu primeiro desfile e o que já fez.

“Eu escolhi a minha escola há dez anos. Iniciei quando decidi que escolheria uma escola para desfilar e então procurei a Gaviões da Fiel, escola que amo de coração. Após desfilar comecei a querer me aperfeiçoar busquei na internet e descobri o Samba Fitness, onde através da minha professora e amiga hoje Mayara Santos, pude entender melhor do samba e desfilar onde faço até hoje então ensaio o ano inteiro”.

O que pretende fazer com o prêmio de R$ 5 mil caso vença o reality?

“O valor irei doar, agora, a viagem irei curtir e aproveitar pois será inesquecível”.

De paradinha à bossa! Criatividade musical e respeito às tradições são os pilares da diferença entre baterias

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Segundo muitos especialistas, a definição rápida de bateria é “Coração de uma escola de samba”, e, mesmo sendo a principal responsável pelo lado musical, ela pulsa através de maneiras diferentes de acordo com a agremiação. Quanto mais apaixonado e interessado pelo universo das baterias, notará que cada agremiação tem uma forma singular em que esse coração bate. Mais rápido ou mais devagar, mais forte ou menos intenso. O fato é que, mesmo seguindo um padrão de ritmo exigido, o processo de construção se diferencia.

O artigo discorre sobre a criatividade musical, mas já chegaremos lá. Antes, volto pra 1959, ano em que o Mestre André, um dos maiores sambistas que já existiu, tropeça durante o desfile da Mocidade Independente de Padre Migue e toda bateria para. Ele se levanta, rodopia e aponta para que o repique retome o samba. Aos gritos delirantes da arquibancada, Mestre André ali acaba de inventar a “paradinha”. No começo uma espécie de resposta geral da bateria para as frases do repique, hoje se tornou variações que aproveitam todos os instrumentos, das mais diferentes formas possíveis.

O próprio julgamento estimula as variantes de ritmos. No começo, era exigido na cabeça do refrão com a retomada na primeira estrofe, atualmente é livre. Isso desperta um debate polêmico, afinal, qual é a real função de uma bateria? Dito isso, naturalmente formam-se dois grupos: os que utilizam como argumento que “a função da bateria é de sustentar o canto da escola” com os que defendem a “liberdade, ousadia, variação e estímulo para empolgação do sambista”.

Inegavelmente o assunto pode servir para uma nova coluna, mas o fato é que a forma de construir uma paradinha pode dizer muito sobre a bateria. Para facilitar o entendimento, levantei alguns pontos principais na hora de definir uma linha de trabalho. Primeiro, “o que o enredo pede?”. Um tema alegre, pressiona a bateria para bossas vibrantes e explosivas. Um desfile dramático e reflexivo, uma postura de mais valorização das linhas melódicas, e assim sucessivamente. Segundo “qual o nível técnico?”, isso vai definir o caminho após o esboço inicial, ou simplifica ou insere mais elementos. Terceiro é “como a subjetividade vai influenciar o trabalho?”. Independente da classificação, a busca pela nota máxima passa pela interpretação do mestre. Isso faz com que a bateria apresente uma extensa variedade de bossas com coreografias, e outras se concentrem em apenas duas paradinhas com variantes que garantem uma avaliação positiva por parte dos julgadores.

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Mestre André no comando da bateria da Mocidade Independente. Foto: O Dia

Até mesmo com todas as informações acima, a bateria ainda demonstra traços fortes de identidade. Por exemplo, as quebras de ritmos da bateria e ataques do naipe de caixa, com a divisão entre o tarol, feita nas bossas do Salgueiro. Assim como no caso da Mocidade Independente que aproveita a informação da batida de caixa das duas baquetas pra acrescentar informações no momento do breque, alinhando com frases dos surdos de marcação. Dentro de uma única bossa existem elementos que se autoexplicam, ao mesmo tempo que comunicam parte de sua história.

Além dos vários exemplos, a bateria da Mangueira também defende bem a característica citada. A permanência da batida de caixa, a forma de tocar os tamborins e o reconhecível andamento com apenas o surdo de primeira, demonstra o respeito com a história da escola.

Mas não se limita ao andamento, nas paradinhas a bateria aproveita bastante os timbres do timbal e a retomada de dois compassos apenas com surdos. O próprio Mestre Wesley, logo quando assumiu o cargo há três anos, optou por uma postura de lapidação com os ritmistas em prol da forma em que a bateria se apresenta.

Esse é um dos poucos exemplos que estão presentes no trabalho de uma bateria de escola de samba. Prova de que é possível fornecer um material musical moderno, respeitando as origens da escola.

O músico e mestre de bateria da Vila Isabel, o Macaco Branco, é nascido na escola e apresenta um trabalho de alta qualidade, aliado com a tradição da escola de samba.

“É muito importante que eu preserve a tradição e o ritmo tradicional de onde eu nasci, e fui criado. Eu falo da Vila porque é a escola que eu trabalho, mas acho isso para todas as escolas. Cada bateria tem a sua característica! Imagina se todas tocassem de forma igual? Qual seria o critério? O jurado precisa julgar em cima das características da Vila Isabel, da Mangueira a mesma coisa. Eu creio que preservar o ritmo da escola, ainda mais nós que somos oriundos, é mais que obrigação”, afirmou Macaco Branco.

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Afinal, o mérito da criatividade musical em evolução no carnaval pode ser atribuído para diferentes destinos. Desde os sambistas mais antigos até os da nova geração. Desde o jovem da escolinha até o diretor de bateria. Porém, a vivência histórica coletiva de uma agremiação seja a explicação mais justa ao espetáculo musical diverso entre as baterias, que ao mesmo tempo é similar no seu ponto de partida ideológico.

O destino é o mesmo, mas o caminho é puramente individual.