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Pela primeira vez em 103 anos, Bola Preta não desfila no carnaval

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Pela primeira vez em 103 anos, Bola Preta não desfila no carnaval
Cordão da Bola Preta fez em 2020 seu 102º pelas ruas do centro do Rio de Janeiro. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Quem não chora não mama! Segura, meu bem, a chupeta! Lugar quente é na cama, ou então, no Bola Preta é a famosa marchinhas de carnaval do tradicional cordão carioca. Quem caminhar pelo centro do Rio de Janeiro no próximo sábado não vai ouvir a marchinha e muito menos sentir o calor de centenas de milhares de pessoas que costumam se reunir no início da manhã de sábado há vários anos.

Pela primeira vez, em 103 anos de história o Cordão da Bola Preta, o mais tradicional cordão do carnaval carioca, não desfilará pelas ruas da cidade. O motivo é o mesmo pelo qual qualquer aglomeração é desaconselhada: a pandemia de covid-19.

Com a doença, que se transmite facilmente pela proximidade de pessoas, o carnaval carioca foi suspenso. Escolas de samba e blocos carnavalescos estão proibidos de fazer eventos pela cidade no período de 12 a 22 de fevereiro. E com isso também a folia do Bola Preta teve que ser cancelada.

Transmissões online nos dias de carnaval

“A tristeza de não ter nosso desfile no sábado de carnaval enche nossos corações de emoção. Gostaríamos muito de manter intacta nossa história, com 102 anos consecutivos de desfiles no sábado de carnaval e de bailes em nossa sede. Mas o Cordão da Bola Preta sempre teve o compromisso com a vida e, neste momento, não resta outra alternativa que não seja a de ficar em casa, ligar o som, pular, jogar confete e serpentina para o alto, mas dentro de casa, na segurança com a nossa família”, afirma o presidente do bloco, Pedro Ernesto Marinho.

Segundo ele, o Bola Preta está enfrentando dificuldades financeiras, porque desde 25 de fevereiro de 2020 o cordão não faz nenhuma atividade em sua sede. “Das atividades na sede, das apresentações do bloco, das festas, dos aniversários, das nossas feijoadas é que vem nosso faturamento. E esse faturamento serve não só para manutenção, para o dia a dia da nossa sede, como também para somar ao que a gente consegue com eventuais patrocinadores do desfile. É um ano sem qualquer receita”. Sem receitas, tampouco é possível fazer intervenções necessárias, como a instalação de um telhado no salão principal.

Pedro Ernesto já pensa em 2022, quando, ele acredita, estaremos livres da covid-19. “Essa pandemia vai acabar, ela vai passar. Quando passar, aí a gente vai festejar, a gente vai celebrar a vida, vai celebrar a aglomeração da paz, da alegria, do amor, porque o Bola Preta é isso, é tradição, paz, folia e respeito à vida. Nossa expectativa para o ano de 2022 é que seja um ano sem a presença da covid-19, com toda a população brasileira vacinada. Se Deus quiser, em 28 de fevereiro de 2022, vamos realizar o 103o desfile do Cordão da Bola Preta”.

Quem pensa, no entanto, que o carnaval de 2021 passará em branco para o Bola Preta, está enganado. Com base na proposta de curtir a folia em casa, o bloco transmitirá online apresentações gravadas no Teatro Rival Refit, sem a presença de público. A primeira transmissão será no sábado, às 11h30, nos canais do Youtube do Cordão e do teatro.

Também haverá apresentações na segunda e terça-feira, às 20h, nos mesmos canais. “Vamos aproveitar a live inclusive para pedir às pessoas doações para o nosso querido Bola Preta. A gente precisa muito da mão da sociedade e das autoridades para vencer este momento tão complicado que estamos passando”, disse Pedro Ernesto.

  • Com informações da Agência Brasil

Avalie os desfiles do Tuiuti 2018, Unidos da Tijuca 2010 e Imperatriz 1989

Carnaval Wall, primeiro reality show do samba: conheça o participante Daniel Oliveira

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O mestre-sala Daniel Oliveira é mais um felizardo que vai participar da primeira edição do Carnaval Wall, o primeiro reality show do samba. O sambista, que estreou no carnaval como composição de alegoria, acredita que o programa vá amenizar um pouco a tristeza dos amantes da folia já que não teremos desfile este ano. O CARNAVALESCO conversou com Daniel sobre suas expectativas para o reality.

– O que representa participar do primeiro reality show do carnaval?

“É uma honra imensa, tenho a certeza de que o Carnaval Wall será marcante. Estar nessa primeira edição, ao lado de grandes ícones do Carnaval de São Paulo além de ser maravilhoso, é um privilégio”.

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– O que o público pode esperar da sua participação no programa?

“Eu sou uma pessoa muito tranquila, desde que não pisem no meu calo. Fácil de fazer amizade, extremamente competitivo e que ama uma cervejinha. Então, podem esperar muita determinação nas provas, e muita bagunça boa nas festas”.

– Sem desfile em fevereiro e os ensaios o programa pode amenizar essa saudade dos sambistas?

“Com toda certeza! Creio que essa é uma das metas do reality e será alcançada com louvor. Acho que todos os participantes farão de tudo para trazer mais e mais entretenimento para o nosso povo”.

– Conte sua história com o carnaval? Seu primeiro desfile e o que já fez.

“Tenho 27 anos, sendo que há 15 anos integro o Carnaval de São Paulo. Comecei em 2006 como Composição de Alegoria da Acadêmicos do Tucuruvi, onde desfilei até 2010. Em 2009 no curso da Amespbeesp, comecei minha trajetória com Mestre-Sala. Como Mestre-Sala desfile por três anos na Tradição Albertinense, dois anos na Império Lapeano, também integrei o quadro de Casais da União Imperial, Uirapuru da Mooca. Durante três anos também fui mestre-sala da Leandro de Itaquera, encerrando o ciclo em 2019. Hoje sou o mestre-sala da Escola de Samba Saudosa Maloca, indo para o 3° desfile junto com a agremiação. Tenho uma gratidão imensa por cada agremiação que passei, muito me honra”.

– O que pretende fazer com o prêmio de R$ 5 mil caso vença o reality?

“Olha com o prêmio, ainda não sei, talvez guardar para emergências, por conta da pandemia não sabemos direito o que nos espera lá na frente. Agora a viagem de cruzeiro, o acompanhante está sendo bem disputado viu”.

‘Carnaval é educação e cultura’: o samba da Vila Isabel em 1987

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Avalie agora o desfile do Salgueiro 1993

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Artigo: ‘A memória do carnaval em um ano sem carnaval’

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Por Pedro Migão

Lembranças, muitas vezes, ficam nas memórias. Mas, se não são registradas, se perdem.

O fenômeno das escolas de samba cariocas tem, em números redondos, 90 anos. Desde a ideia do jornalista Mário Filho (sim, o mesmo que dá nome ao Maracanã) de criar um “concurso de samba” a fim de preencher o período do ano sem futebol em seu jornal “Mundo Sportivo”, décadas e anos e noites de desfiles se passaram.

Fla e CSA

Um parêntese se faz importante, aqui: o leitor pode se perguntar se, com o desfile tendo aproximadamente 90 anos, há escolas mais antigas que isso. Este processo é fluido, não estanque, ainda mais em época onde o samba fazia a transição de algo perseguido pela Polícia, coisa de “vadiagem”, para algo aceito socialmente e, até, sendo utilizada como forma de legitimação perante à população por parte do poder constituído.

Então, manifestações carnavalescas embriões de escolas de samba já existiam antes mesmo das escolas se definirem como tal. Os sambas do Estácio, de Oswaldo Cruz e da Mangueira são anteriores à Deixa Falar (depois Unidos de São Carlos, depois Estácio de Sá), à Portela e à Mangueira enquanto agremiações consolidadas e estruturadas.

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As agremiações atravessaram muitos tempos nebulosos, mas sempre resistiram. Não pararam em tempos de guerra, mas a Portela era imparável e foi heptacampeã. Atravessaram as tensões políticas dos Anos 60 e 70, em sua maioria adesistas, em outras subvertendo o sistema contando a história do negro e de seus heróis – alô Salgueiro!

Na década de 80, com a redemocratização, a liberdade também marca de forma generalizada o cotidiano da Sapucaí. Em um novo palco, desenhado e construído em tempo recorde.

Mas também a década de 80 marcaria o início de uma era. Em 1985 o Império Serrano veio com o enredo “Samba, Suor e Cerveja, o Combustível da Ilusão”, sobre a cerveja e patrocinado por uma marca ainda na ativa. A década de 90 e a primeira do novo milênio trouxeram uma miríade de enredos deste naipe, desde “CEPs” até coisas como homenagem a shopping center ou a empresas de aviação – neste caso, duas no mesmo ano.

Curiosamente, o enredo que marca o fim desta era de enredos patrocinados é o mais emblemático destes: por R$4 milhões a Unidos do Porto da Pedra cantou as virtudes do iogurte, em samba enredo que, segundo os autores Cláudio Russo e André Diniz, veio com uma série de expressões que necessitavam estar na composição que foi à avenida.

A escola acabou rebaixada – e pensar que este enredo por muito pouco não parou na Portela…

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De lá para cá, a retração dos patrocinadores devido à crise econômica (especialmente, mas não somente) trouxe uma arejada nos enredos, que comandaram um forte renascimento do samba de enredo. Hoje, temos composições que não ficam nada a dever em qualidade a composições inolvidáveis dos tempos de outrora.

O leitor pode ver que, em cerca de 500 palavras, contei quase um século de história. Mas, claramente, isso não é suficiente.

Mais que isso: as histórias e, especialmente as estórias do carnaval e das escolas de samba estão se perdendo. Personagens fundamentais da história estão morrendo e levando para o túmulo todo o conhecimento adquirido e, não só isto, a memória da festa.

Neste ano sem carnaval, alguns abnegados estão se esforçando para registrar em vídeos, lives e podcasts um pouco que seja destas memórias. Histórias como, por exemplo, da Águia Redentora, que misturou em uma única alegoria o sagrado e o profano, o símbolo da cidade e o da Portela.

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O ano de 2021 marcará o primeiro desde 1932 sem o desfile oficial. Em 1952 não houve julgamento devido à chuva (e, reza a lenda, a uma manobra do Império Serrano), mas houve o desfile oficial. No ano seguinte, inclusive, a Portela esquentou a garganta e a bateria com um samba que era claramente uma alusão ao julgamento invalidado.

Com isso, quando formos pensar no que foi o ano de 2021 para as escolas de samba cariocas, nos lembraremos de todos estes esforços de registro dos tempos passados. As lives, os vídeos, os podcasts, os futuros livros (ao menos dois estão em gestação) irão nos contar não somente as memórias dos carnavais vividos, mas também a do carnaval que não ocorreu. E evitar que as histórias e estórias continuem a ir para o túmulo sem serem registradas – alô, você!

Também podemos pensar em 2021 como um ano de reflexão. Critérios de julgamento, critérios de governança, a inserção das agremiações em suas comunidades… As escolas só resistirão se deixarem de existir em função dos 65 minutos de desfile e pensarem como um verdadeiro clube comunitário, aglutinador de uma comunidade os 365 dias do ano.

Histórias resgatadas, estruturas pensadas… Há muito sendo feito e a se fazer.

No final tudo vai passar e, assim, poderemos todos vacinados voltar à Sapucaí ano que vem e brindar o retorno da festa – logicamente, com uma boa IPA.

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Pedro Migão é economista, dono do canal de YouTube dedicado às memórias do carnaval Ouro de Tolo e membro do Conselho Fiscal da Portela

Castor de Andrade vira série no Globoplay

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Castor de Andrade, além de ser enredo da Unidos de Bangu no Carnaval 2022, ganhou uma série, que será exibida em quatro episódios, na plataforma do Globoplay a partir do próximo dia 11. “Doutor Castor” trará casos irreverentes e situações inéditas da história do bicheiro mais famoso do Rio de Janeiro.

No final dos anos 60, Castor assumiu a direção do Bangu Atlético e conquistou diversos títulos, como o inesquecível Carioca de 1966. Castor também foi Presidente da Mocidade Independente de Padre Miguel, sua escola de coração, onde faturou cinco títulos.

“Ficamos felizes demais ao receber essa notícia. Com o cancelamento do carnaval, tivemos que guardar a nossa homenagem ao Castor para o próximo ano, então ver que a história dele ganhou uma série e será exibida nas plataformas digitais no período que seriam os desfiles é sensacional”, revelou o presidente Leandro Augusto.

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“Deu Castor na cabeça” é o enredo que a Unidos de Bangu levará para a Marquês de Sapucaí e será desenvolvido pelos carnavalescos Clécio Régis e Marcus Paulo no Carnaval 2022.

Carnaval Wall, primeiro reality show do samba: conheça Rodolfo Massafera

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Rodolfo Massafera é mais um felizardo que terá a oportunidade de participar do primeiro reality show do carnaval. Ele não fica de fora de um desfile, seja como destaque ou nos bastidores. Nas redes sociais se declara “amante do carnaval”. Massafera ama a folia e pretende mostrar no jogo um lado que poucos conhecem, totalmente diferente das polêmicas das redes sociais. O site CARNAVALESCO conversou com o sambista e futuro publicitário, que ainda não sabe o que fará com o prêmio, caso seja o vencedor. Confira a entrevista na íntegra.

O que representa participar do primeiro reality show do carnaval?

“A proposta realmente me surpreendeu. Convivemos com algumas pessoas das escolas de samba, mas são poucas as que temos convívio mais íntimo. Esse período será para mim um desafio imenso, afinal conviver com outras pessoas com pensamentos diversos, mas um sentimento comum de amor ao carnaval será contraditório e agregador”.

O que o público pode esperar da sua participação no programa?

“Conhecer o Rodolfo de verdade! Aquele que a família ama, que os amigos verdadeiros respeitam e não ver somente as declarações polêmicas das redes sociais. Sou sincero, mas busco a lealdade como uma diretriz da minha vida”.

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Sem desfile em fevereiro e os ensaios, o programa pode amenizar essa saudade dos sambistas?

“Acredito que o impacto do Covid-19 nas vidas de todos nós, sambistas ou não, é sem igual. O entretenimento vendo pessoas conhecidas do carnaval pode amenizar, mas de coração para um sambista não ouvir o hino de sua escola e ver seu pavilhão rodando é uma dor sem tamanho”.

Conte sua história com o carnaval. Seu primeiro desfile e o que já fez.

“Minha trajetória acredito que é diferente da maioria dos participantes do reality. Dediquei minha vida ao carnaval nos bastidores. Integrei as equipes dos principais ateliês de confecção de fantasias do carnaval, vesti musas, rainhas, destaques, casais de mestre-sala e porta-bandeira, além de comissões de frente. Pude em algumas oportunidades desfilar como destaque, mas minha paixão é ajudar o carnaval nos bastidores. Meu primeiro desfile foi em 94 ou 95, não lembro exatamente, pela Leandro De Itaquera, e de lá pra cá vi o carnaval se transformar e se reinventar. Como desfilante passei pela Nenê de Vila Matilde, Águia de Ouro, Mocidade Alegre e Vai Vai. Como profissional de ateliês acredito que a maioria das escolas de samba já tenham recebido algum trabalho feito por mim”.

O que pretende fazer com o prêmio de R$ 5 mil caso vença o reality?

“Ainda não pensei, mas certamente irá me ajudar em alguns projetos pessoais”.

Cláudio Vieira: ‘A Fortaleza de São João’

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Estávamos transmitindo os desfiles da Série A para a Rádio Globo. Davi Rangel na locução, eu nos comentários, Guilherme Grilo, Marcela Capobianco e Diana Rogers na pista. Nossa cabine ficava bem em frente ao Setor 1.

Davi anunciava a entrada da Escola, dava as informações básicas – enredo, carnavalesco, alegorias, componentes, etc. – e, decorridos uns seis ou sete minutos, pedia que eu comentasse a abertura do desfile.

Desde então, rolava um papo delicioso com os repórteres da pista, colocando o ouvinte dentro do desfile.

A cada alegoria que entrava, Davi passava o microfone para que eu situasse o carro no contexto do enredo. E assim foi, Escola por Escola, até que ele anunciou:

– E agora, entrando na Avenida, a terceira alegoria… o carro da Fortaleza de São João.

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Levei um susto. O enredo não falava nada disso. Recorri ao livro fornecido pela Lierj e também não encontrei nenhuma informação a respeito.

Disse estar havendo algum engano, pois o enredo não falava na Fortaleza de São João. Davi discordou. Apontou para as gorduchas que vinham nos queijos mais altos e alegou:

– Só pode ser, Cláudio. Olha só quantos canhões!

Tive que desligar o microfone.