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Em novo mandato na União da Ilha, Ney Filardi avisa: ‘Podem esperar um desfile digno e competitivo’

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Ney Filardi será aclamado presidente da União da Ilha do Governador. Ele já esteve no cargo de 2009 até 2018, chegando ao quarto lugar em 2014 com o espetacular desfile “É brinquedo, é brincadeira: a Ilha vai levantar poeira!”. Agora, a escola foi rebaixada no Grupo Especial em 2020 e passará por pequenas mudanças, conforme o dirigente contou em entrevista ao site CARNAVALESCO, e não terá a reedição do samba-enredo de 1998, que o comandante da Ilha já tinha revelado ao site Setor 1.

“Sou totalmente contra fazer reedição. É um belo samba e história. Tenho muito respeito pelo Milton Cunha que desenvolveu o enredo em 1998, mas como sou contra reedição, não tem sentido seguir com essa ideia”.

Ney informou que pretende manter a equipe projetada pela União da Ilha para fazer o próximo carnaval.

“Haverá algumas mudanças, mas poucas. Vou sentar com os carnavalescos e diretores de carnaval para determinarmos os números de pessoas que vão desfilar. Algumas alas que se afastaram da escola vão voltar. Deixo claro que assim que tomar posse vão procurar o Severo Luzardo e Cahe Rodrigues (carnavalescos), Wilsinho Alves e Dudu Azevedo (diretores de carnaval), os meninos da bateria (mestres Keko e Marcelo), o Ito Melodia e o casal responsável pela comissão de frente (Priscila Motta e Rodrigo Negri) que já tive o primeiro contato e tudo leva a crer que vão ficar com a gente. Vou procurar manter todos. Temos um time forte”.

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Recentemente, Ney esteve na eleição presidencial da Liesa muito mais magro após uma séria dieta. Foto: Henrique Matos

Sobre o nome do novo casal de mestre-sala e porta-bandeira, Ney fez mistério. Foi perguntado se efetivaria o segundo casal, Rodrigo França e Winnie Lopes, adorados pela comunidade.

“Estou em conversações sobre o casal de mestre-sala e porta-bandeira, mas nada fechado por enquanto”, disse.

Ney Filardi não está muito empolgado com a possibilidade de realização dos desfiles em fevereiro de 2022, a questão é o pequeno número de vacinados contra a Covid-19 no Brasil.

“Acho prematuro dar opinião agora sobre data do desfile. Se caminharmos ao lado com a vacinação, a tendência é que infelizmente nós não tenhamos o carnaval em fevereiro de 2022. O processo de vacinação no nosso país está muito lento ainda. Enquanto houver esse quadro bastante lento, tudo indica hoje, que não teremos os desfiles em fevereiro. Deus queira que eu esteja errado. É um sofrimento muito grande ficar sem os desfiles. O carnaval é benefício e gera renda para muita gente”.

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Ney Filardi comandou a União da Ilha de 2009 até 2019 conseguindo um 4º lugar em 2014

O novo presidente da Ilha não fez grandes promessas para os insulanos, mas não mostrou nenhum receio com o falado favoritismo do Império Serrano.

“Posso prometer aos insulanos a mesma dedicação. Não sou salvador da pátria, mas se estiver juntos e felizes, com certeza, o sucesso virá. Essa é minha promessa. Todos os insulanos estão tristes. Vamos tentar tirar uma solução dessa grande derrota de 2020, dar uma injeção de ânimo em todos e nos prepararmos para voltarmos ao Grupo Especial. É um lugar que a União da Ilha nunca deveria ter saído. Não só o Império Serrano desponta como favorita, várias outras aparecem como favoritas. Vai ganhar aquela que melhor se apresentar na Sapucaí. Podem esperar da Ilha um desfile digno e competitivo”.

Mestre Ciça toma primeira dose da vacina contra a Covid-19

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Lenda do carnaval, mestre Ciça pisou no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, na manhã deste sábado, não para arrepiar o público com suas paradinhas e o som da bateria “Furacão Vermelho e Branco”, da Viradouro, mas para tomar a primeira dose da vacina contra a Covid-19.

Ao site CARNAVALESCO, mestre Ciça festejou ter tomado a primeira dose da vacina e ter enfrentando mais de um ano de pandemia sem ter sido infectado pelo novo Coronavírus.

“A emoção de tomar a vacina é muito grande. Estou em casa e radiante. É uma vitória. Chegar até aqui em um pouco mais de um ano de pandemia sem ter me infectado é uma felicidade só. Espero que todo mundo se cuide e tome a vacina”.

Eleito pelos fãs de carnaval do site CARNAVALESCO, como destaque do Sambódromo em 2020, Ciça aproveitou para dar um recado claro para todos os sambistas.

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“Não entrem na onda dos loucos que não querem tomar a vacina. Todo mundo tem que se vacinar”.

Enredo do Tuiuti para o próximo desfile aborda histórias de luta, sabedoria e resistência negra

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O Paraíso do Tuiuti mudou o enredo para o próximo carnaval. A escola desistiu de levar para Avenida o enredo “Soltando os bichos”, de autoria do carnavalesco Paulo Barros, e, optou por uma novidade na carreira do artista, que pela primeira vez vai produzir uma temática afro na Marquês de Sapucaí. O anúncio do título do enredo foi dado pelo carnavalesco Paulo Barros, através de um vídeo gravado pelo artista. A divulgação da sinopse e logo oficial vai ocorrer no próximo mês.

“Ka ríba tí ÿe – Que nossos caminhos se abram é o título do nosso enredo. O Tuiuti vai cantar histórias de luta, sabedoria e resistência negra”, afirmou o carnavalesco. * LEIA AQUI: Em coroação da rainha de bateria, presidente do Tuiuti desabafa: ‘Não estou aqui para aturar mimimi de internet’

Renato Thor, presidente do Tuiuti, falou do enredo para o próximo carnaval.

“Chegamos no denominador comum na conversa com o Paulo Barros. Tenho fé que daqui a pouco vai aparecer um milagre e vamos estar de prontidão para executarmos o Carnaval de 2022. O Tuiuti está focado. Sou uma pessoa de fé e acredito muito. Aqui a gente faz carnaval. Sou um apaixonado. Não escolhi ser sambista, nasci sambista”, disse o presidente Renato Thor.

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Antes do anúncio do Tuiuti, a escola fez uma final de samba-enredo com as obras produzidas para o enredo “Soltando os bichos”. A parceria terá sua composição na discografia da agremiação de São Cristóvão. * OUÇA AQUI O SAMBA CAMPEÃO

Recém-contratados no Paraíso do Tuiuti, o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Raphael e Dandara, fez sua primeira apresentação na live comemorativa de aniversário da escola, na tarde deste sábado, e, apresentou uma novidade para o evento especial: os nomes foram bordados no pavilhão. * LEIA AQUI A MATÉRIA

Em coroação da rainha de bateria, presidente do Tuiuti desabafa: ‘Não estou aqui para aturar mimimi de internet’

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Na cerimônia de coroação da nova rainha de bateria do Paraíso do Tuiuti, a empresária e cirurgiã dentista Thay Magalhães, em live comemorativa aos 69 anos da escola, o presidente Renato Thor desabafou e respondeu aos ataques que a escola e a rainha sofreram nos últimos dias. O motivo foi que ela saiu como candidata a prefeita de Mesquita, na Baixada Fluminense, no ano passado, com o apoio do presidente Jair Bolsonaro. Em seu discurso, o dirigente disse que e apaixonado pelo ex-presidente Lula.

“Em um bate-papo convidei a Thay Magalhães para ser a rainha da escola e ela imediatamente aceitou. Ratifico que o samba não tem fronteira, ele é apartidário. Independente de Direita ou Esquerda, eu sou brasileiro. Não estou aqui para aturar mimimi de internet. Queria que os políticos se unissem e pensassem no Brasil. Falo como presidente do Tuiuti. Não tenho partido. Independente do que acontece no Brasil, fizeram um monte de calúnia contra a nossa rainha, sou apaixonado pelo Lula, ninguém vai tirar isso de mim. Todo mundo tem o direito de escolher o que quer para sua vida. Eu gosto do Lula, mas a escola é apartidária. Somos sambistas”, disse o presidente.

Renato Thor aproveitou para afirmar que o Tuiuti é uma escola de comunidade e que sempre valorizou seus componentes.

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“Sempre demos moral para nossas princesas e musas da comunidade. Somos uma das maiores escolas de comunidade. Eu, como sambista, estou coroando a rainha Thay Magalhães e meu pai, cria da comunidade, vai colocar a faixa de rainha. Sei de onde eu sai, vim da ala de crianças, passei pela ala de passistas, fui mestre-sala e com 17 anos assumi a direção de bateria. Esse é o Renato Thor. Desde que coloquei na minha cabeça que eu ia comandar essa escola de samba com amor, carinho e paixão, aceitei esse desafio. O meu sobrenome o samba que me deu. A minha comunidade nunca mais saiu de mim. Sou um apaixonado pelo povo do Tuiuti e pelo samba”.

A nova rainha de bateria agradeceu pelo convite e o convite do Tuiuti. Em sua fala, ela lembrou as rainhas, musas e passistas das outras escolas.

“Muito obrigado o carinho de todos. O Tuiuti é trabalho e zero mimimi. O nosso objetivo é ajudar a comunidade, trazer comunidade e fazer um espetáculo digno a todos que nos assistem”, afirmou Thay Magalhães.

Tuiuti escolhe samba da parceria de Mumuzinho para sua discografia

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Os compositores Mumuzinho, Moacyr Luz, Júlio Alves, Pier e Cláudio Russo assinam o samba para o enredo “Soltando os bichos” que seria apresentado no Carnaval 2021, que não aconteceu devido à pandemia da Covid-19. Mesmo não indo para Avenida, a obra campeã entra na coletânea do Tuiuti e a direção promete que será sempre cantada na quadra.

A final foi neste sábado, durante live comemorativa do aniversário de 69 anos das escola de São Cristóvão. Ao anunciar o resultado, o presidente Renato Thor falou sobre o momento do carnaval.

“Estou muito satisfeito com essa live, independente do momento que nos encontramos hoje. Somos muito solidários com todas as vítimas que se foram e todos que estão no hospital em recuperação. Fizemos uma disputa dos sambas concorrentes do Carnaval 2021, que não tem teve, mas a obra campeã fará parte da nossa coletânea, será cantada na quadra”, afirmou Thor. Ouça abaixo o samba escolhido:

Compositores: Mumuzinho, Moacyr Luz, Júlio Alves, Pier e Cláudio Russo
Intérprete: Wander Pires
Participações Especiais: W Correia Filho, Jorge Xavier

Traz a bicharada toda no convés
Grita o patriarca para o mundo ouvir
Na arca do futuro, o remo das Galés!
Mar de mil crianças do meu Tuiuti
O leão escapou do picadeiro
O gorila quizumbeiro fez a jaula de viola
Elefante levantou em disparada
Mais de uma tonelada agitou a corriola
Quem dera despertar a bela e a fera
O urso e a flor da primavera
Baleias rodeadas de golfinhos
Depois de sete ondas, o caminho…

Liberdade é passarinho…
Livre pra voar e lá vai marola…
Num mundo sem gaiola

Galo não quer briga e nem desaforo
Fala pro toureiro que a tourada não tem touro!
Essa molecada não! Não sente receio
Em botar na placa: Amanhã não tem rodeio!
O homem, esse bicho que maltrata
Da verde mata fez fumaça e chaminé!
Chegou a trupe, um plantel de vira latas!
Não tem veneno, dona aranha dá no pé…
A esperança navega a vida
Desembarca n’Avenida toda arca de Noé!

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Sou cobra criada no samba
Do Paraíso de bamba…
Sou Tuiuti! Sou cria deste chão!
Não tenho medo de bicho papão!

Portela comemora 98 anos com celebrações no fim de semana

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A Portela comemora 98 anos de fundação, no domingo, 11, mas as celebrações serão feitas durante todo o fim de semana. Neste sábado, houve entrega de cestas básicas para funcionários e mais uma edição da feijoada delivery.

No domingo de manhã será realizada uma missa com transmissão on-line pelo Facebook da escola. Ao meio-dia, integrantes da Majestade do Samba irão distribuir 200 quentinhas para pessoas em situação de rua, no entorno da quadra, seguindo todos os protocolos sanitários. Às 15h vamos voltar no tempo e reviver o desfile de 1995, “Gosto que me enrosco”, com retransmissão ao vivo no canal oficial da Portela, no YouTube, com comentários de pessoas que fizeram o desfile. O dia de celebrações termina com uma live especial comandada pela rainha de bateria, Bianca Monteiro, e pela porta-bandeira, Lucinha Nobre. A atração será exibida no canal oficial da Portela, no YouTube, a partir das 18h.

Por conta do agravamento da pandemia no Rio de Janeiro, a azul e branca de Madureira optou por não fazer uma live show para preservar seus integrantes. Pensando no bem-estar de todos, a Portela decidiu realizar uma live de entrevistas recebendo de forma virtual pessoas que fazem parte dos 98 anos de história da escola. Durante a live será revelada uma novidade que vai mexer com os corações dos portelenses.

Aniversario Credito Douglas Lied
No domingo de manhã será realizada uma missa com transmissão on-line pelo Facebook da escola. Foto: Douglas Lied

Sábado 10/04

Feijoada da Portela em Casa

Pedidos pelo site: www.sociosdaportela.com.br/feijoada

Vendas nas opções Drive Trhu (Retirada na Quadra) e Delivery.

Confira abaixo a área de cobertura para entregas:

– Região Central do Rio de Janeiro

– Zona Sul

– Barra da Tijuca

– Zona Norte (Tijuca, Grajaú, Maracanã, Vila Isabel e São Cristóvão, Rio Comprido e Praça da Bandeira)

Domingo 11/04

Missa de aniversário

08:45h – Transmissão pelo Facebook oficial da Portela – @PortelaNoAr

Distribuição das quentinhas

12h – Local de encontro: Quadra da Portela. Entrega por Madureira e bairros adjacentes.

Desfile de 1995

15h – Retransmissão ao vivo de “Gosto que me enrosco” (1995) (https://www.youtube.com/c/PortelaTV)
Live 98 anos da Portela

18h – Transmissão pelo canal do Youtube Portela TV (https://www.youtube.com/c/PortelaTV)

Novo casal do Tuiuti borda nomes na bandeira da escola

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Recém-contratados no Paraíso do Tuiuti, o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Raphael e Dandara, fez sua primeira apresentação na live comemorativa de aniversário da escola, na tarde deste sábado, e, apresentou uma novidade para o evento especial: os nomes foram bordados no pavilhão.

raphael dandara

“É uma honra estar defendendo essa pavilhão. Agradeço toda diretoria e ao presidente Renato Thor por essa oportunidade. É um privilégio vestir essas cores e passar na Avenida defendendo essa bandeira tão histórica do Tuiuti”, disse o mestre-sala.

“É uma honra estar chegando no Tuiuti. Para gente é o início de uma jornada. Uma parceria nova, que estamos apostando, e o presidente Thor apostou nessa parceria, nesse sucesso, para que a gente possa coloborar ainda mais com o carnaval do Tuiuti”, completou a porta-bandeira.

Luiz Antonio Simas: ‘O carnaval sobreviveu, apesar de tudo’

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O que as festas dizem sobre os grupos sociais que festejam? Qual é o sentido de se festejar? Há quem veja as festas como celebrações que alienam as comunidades das durezas cotidianas, representando ritos de esquecimento sem maiores profundidades. Há quem ache que festas são meros eventos desprovidos de sentidos mais amplos que o da celebração ligeira de datas estabelecidas pelo calendário. Ouso discordar dessas perspectivas.

Um dos primeiros pensadores a debruçar-se sobre o estudo das festas, o sociólogo Emile Durkheim percebia a relevância das festas como celebrações de efervescência coletiva que proporcionavam a superação da distância entre os indivíduos. As festas, neste sentido, representam espaços de reavivamento de laços sociais contrários ao da diluição comunitária. É na festa que o indivíduo se dissolve na coletividade, fortalecendo pertencimentos, estimulando sociabilidades e criando redes de proteção social dentro do grupo.

Duvignaud, outro que se dedicou a pensar as celebrações, viu na festa o poder negador, subversivo, anárquico. Uma liberação de si mesmo. A festa luta contra o individualismo e a decadência da vida em grupo.

No caso do Rio de Janeiro, é instigante recorrer a uma frase do poeta e compositor popular Laudenir Casemiro, o Beto Sem Braço. Instado a responder um dia por quê gostava tanto de festejar, o sambista respondeu: porque o que espanta a miséria é festa

E a grande festa da cidade é o Carnaval.

Mais do que a miséria econômica — e há evidentemente uma economia criativa que envolve as celebrações e precisa ser estimulada — a festa espanta misérias existenciais. Numa cidade marcada a ferro e fogo por séculos de escravidão, em que a exclusão social e espacial parece ter sido um projeto consistente dos homens do poder, as celebrações são frestas de incessantes reinvenções da vida, construção de identidades e renovação de pertencimentos ao território

Neste sentido, a gestão do prefeito Marcelo Crivella, absolutamente refratária ao Carnaval, demonstrou não apenas descaso com a cidade, mas intenção em destruir laços de pertencimento e ritos de celebração coletiva que escapassem às expectativas do grupo religioso/político ao qual o prefeito pertence.

Religiões criam laços de pertencimento, redes de sociabilidade, comunidades de afetos, senso de coletividade, sensação de proteção social, sentido de mundo etc. Cabe ponderar, todavia, que não são apenas igrejas, terreiros, mesquitas e sinagogas que criam isso: escolas de samba e blocos de carnaval, além de inúmeras outras formas associativas, também criam laços de pertencimento, senso de coletividade e afetos compartilhados a partir de elementos comuns.

Na disputa pelo poder político misturado ao mercado da fé, e na construção de solidariedade e pertencimento entre seus membros, a gestão Marcelo Crivella, adotou como uma de suas estratégias exatamente a destruição de outros laços de pertencimento, a partir de uma visão binária entre o bem e o mal, tentando fortalecer seu nicho de apoiadores pela desqualificação de outras formas de sociabilidade e saberes.

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A tentativa de intervenção do poder público nas culturas de rua não é invenção recente. No Rio de Janeiro, notadamente, as manifestações de rua são marcadamente caracterizadas pela enzima africana que catalisou de formas diversas as práticas culturais na cidade. O projeto civilizatório mais permanente das elites brasileiras — inscrito no tempo e no espaço — é o da incessante criação de estratégias de controle e domesticação dos corpos. O fim da escravidão exigiu redefinições nestas estratégias de controle e coincidiu com os projetos modernizadores que buscaram estabelecer, a partir da segunda metade do século XIX, caminhos de inserção do Brasil entre os povos ditos civilizados.

O controle dos corpos se articulou permanentemente ao projeto de desqualificação das camadas historicamente subalternizadas como agentes de invenção de modos de vida. Produtoras de cultura, enfim. Este projeto de desqualificação da cultura atuou em algumas frentes, especialmente na repressão aos elementos lúdicos e sagrados do cotidiano dos pobres – notadamente os afrodescendentes — e de tudo aquilo, enfim, que resiste ao confinamento dos corpos, criando potência de vida. A rua é o espaço por excelência destas práticas

Ao longo da história, a sobrevivência potente da rua como espaço de produção incessante de cultura deparou-se com pelo menos três instâncias que tentaram normatizá-la, cada uma a seu modo e com mais ou menos ênfase em cada conjuntura: a repressiva, a moral e a econômica.

A repressiva é representada pelo poder público e seu aparelho de segurança pública. A moral é representada pelo imaginário de festa de depravação dos costumes, segundo os conservadores, e de festa alienante e despolitizada, segundo setores progressistas. A econômica é representada por empresas, mídias, indústria do turismo etc. que veem a rua como um espaço propício à circulação de capitais, difusão de padrões de consumo, propaganda de marcas e similares

A maneira como a prefeitura do Rio de Janeiro lidou com as culturas da rua, e especialmente com o Carnaval, flertou ao mesmo tempo — e aí talvez esteja a novidade — com as três instâncias citadas acima, a saber:

1 – A ordenação em uma dimensão repressiva é amparada na ideia de manutenção da ordem urbana; um argumento justificável em maior ou menor escala, já que o funcionamento da vida cotidiana na cidade pressupõe o cumprimento de normas estabelecidas. O poder público pode jogar com este argumento para legitimar suas ações e a tendência é que parte da população apoie as ações assim justificadas.

2 – A moral responde, sobretudo, a um público específico do espectro político do prefeito evangélico. Transcende, todavia, este universo e tende a ter o apoio de setores conservadores em um arco mais amplo que o religioso. A rua (o terreiro) como o mal e a casa (a igreja) como o bem fundamentam a dicotomia tão cara ao discurso destes setores.

3 – A econômica responde pelo menos a dois interesses: ao de grupos empresariais interessados em capitalizar eventos de rua e ao de grupos de empresários do entretenimento em espaços fechados que acham que perdem público quando a rua se transforma em espaço prioritário para a realização, por exemplo, de rodas de samba e similares.

Entender estas três dimensões que se entrelaçam — a repressiva, a moral e a econômica — é a chave para entender uma gestão que encarou a rua a partir do trinômio “ordem, moral e dinheiro”.

Espremido entre o moralismo conservador, a satanização de certo pentecostalismo e o interesse de empresários do entretenimento, o Carnaval viveu anos difíceis, mas sobreviveu. Não por causa da gestão de Marcelo Crivella, mas apesar dela.

* Por Luiz Antonio Simas – Texto publicado no Relatório da Comissão Especial do Carnaval da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro.

Sambista de corpo e alma nilopolitana! Simone Sant’ana carrega o amor pela Beija-Flor: ‘Minha vida é construída dentro dela’

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No ano de 1995, Simone Sant’ana, tinha 19 anos, era apenas uma estudante da antiga escola Anacleto de Queiroz, localizada à rua Pracinha Wallace Paes Leme, onde no mesmo endereço está localizada a quadra da Beija-Flor de Nilópolis. Sem contato nenhum com a agremiação azul e branca da Baixada Fluminense do Rio, ela foi convidada por suas amigas do período colegial para visitar um ensaio de quadra. Ali, a jovem encontrou o amor verdadeiro. O site CARNAVALESCO conversou com ela e descobriu uma sambista de corpo alma, tendo a sua vida profissional, pessoal, afetiva e social moldada na agremiação nilopolitana.

Simone foi aluna de Laíla, aprendeu tudo do quesito Harmonia, e hoje comanda o grupo ao lado de Válber Frutuoso, sob a direção de carnaval de Dudu Azevedo, esbanjando simpatia e com uma voz cheia de gratidão ao falar da escola que tem como referência sua comunidade. Ela se diz completa em pertencer à família Beija-Flor e nunca ter sofrido algum tipo de resistência ou boicote por parte dos homens em relação ao cargo que ocupa atualmente.

INÍCIO NA ESCOLA

“Eu tinha 19 anos e as minhas amigas da escola me chamaram para ir assistir um ensaio, fiquei impactada com tudo o que eu vi e fiz minha inscrição para a ala da comunidade. Dois anos depois o Laila me chamou para ser líder de comunidade (hoje chefe de ala), e três anos depois ele me convidou para trabalhar com ele. Fui responsável por fazer a montagem da escola na avenida, banco de dados de toda a comunidade, entrega de todas as fantasias, medidas e volantes nas ações de harmonia. Tudo isso até a saída dele após o título de 2018”.

DIREÇÃO GERAL DE HARMONIA

“Após o desfile de 2019, fui convidada pela direção da escola para assumir a harmonia junto com Válber. Eu tinha bastante bagagem para a função, decorrente todos os esse anos de trabalho na escola, a Beija-Flor presa por profissionais feitos dentro da comunidade, e, eu como muitos somos exemplos disso”.

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Simone Sant’anna desfilando pela Beija-Flor na Marquês de Sapucaí. Foto: Eduardo Hollanda

PRECONCEITO QUANTO AO CARGO NA ESCOLA

“Quando eu assumi, foi um desafio muito grande. Todos me abraçaram, não fizeram barreiras para a minha integração. Os homens que se encontravam na harmonia me abraçaram de uma forma nunca vista, fazemos todos os trabalhos juntos. Nunca sofri nenhum tipo de preconceito”.

NOVA BEIJA-FLOR

“As escolas possuem sempre o desafio de inovar. O carnaval passa por um momento de inovação, não dá para fazer carnaval como antigamente. Em 2017 começamos a tentar modernizar, foram alguns desfiles e entendemos que os torcedores e a comunidade queriam aquela Beija-Flor de luxo. Resolvemos voltar com característica nossa, junto ao moderno e acertamos. No último carnaval voltamos às cabeças e o campeonato em 2018”.

MARCAS QUE A ESCOLA DEIXOU

“Tenho muitas coisas boas marcadas na minha vida e todas elas foram a Beija-Flor quem me fez, minha vida é construída dentro dela. Viajei para diversos estados e países que nunca imaginaria como a África. Mas a maior marca que a escola fez foi a minha família, construí ela com a minha vivência nas atividades da Beija-Flor”.

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Simone Sant’anna com Dudu Azevedo e Válber Frutuoso no ensaio de rua da Beija-Flor. Foto: Eduardo Hollanda

SITUAÇÃO INUSITADA NA ESCOLA

“No ano do desfile de Iracema, em 2017, a proposta foi a comunidade ser a harmonia do desfile, todos nós quase, oitenta 80diretores, viemos fantasiados dentro das alas como componentes. Eu vim na primeira e foi uma apreensão do início ao fim. Estou acostumada a vir na lateral fazendo a escola evoluir e ali eu tinha que ir evoluindo como todos e era um nervosismo só”.

GABRIEL DAVID

“A gestão dele foi muito positiva à frente da escola e vai continuar fazendo esse trabalho ainda. Ele é novo e tem ótimas ideias para o carnaval em geral. Hoje, ele com toda essa experiência está fazendo parte da Liga e com certeza será um bem para todas as escolas”.

LAÍLA

“É uma pessoa que eu respeito muito, admiro muito como pessoa e profissional. Tudo o que eu sei e aonde eu cheguei dentro do carnaval, tenho gratidão… ele me ensinou tudo”.

ANÍSIO

“Ele é uma referência para todos da escola. Tem um papel muito forte na vida de muitas pessoas da comunidade, ele sempre teve um olhar de dar acesso e oportunidade para todos, desde estudo até trabalhos, eu sou uma prova disso. Ele tem essa filosofia que todos os presidentes e patronos deveriam ter e o Gabriel comprou essa ideia e não parou de exercer a verdadeira função da Beija-Flor, formar profissionais dentro da escola”.

SER BEIJA-FLOR

“É uma família muito grande e que zela pelo futuro do país, as crianças. Desenvolvemos diversas atividades sociais e educacionais para que elas sejam os futuros profissionais, como hoje eu e meus colegas somos. A Beija-Flor é essa união entre profissionais e comunidade”.