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Império Serrano Esporte Clube move ação contra o Paduano no Tribunal de Justiça Desportiva

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A direção do Império Serrano Esporte Clube entrou com uma ação no Tribunal de Justiça Desportiva (TJD/RJ) contra o Paduano alegando que o clube cometeu irregularidades na questão sanitária no jogo decisivo da semifinal do Carioca da Série C, domingo passado, em Bangu. Segundo o Império, o clube mandante do jogo não cumpriu o previsto no protocolo do Jogo Seguro da Federação de Futebol do Rio de Janeiro.

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Foto: Emerson Pereira/Divulgação

Veja abaixo a nota do Império:

“Em partida realizada pela semifinal do Campeonato Carioca – Série C, no último domingo, a diretoria do Império Serrano Esporte Clube apontou para irregularidades na questão sanitária por parte da equipe do Paduano. O clube mandante do jogo não cumpriu o previsto no protocolo do Jogo Seguro da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, colocando em risco todos os envolvidos, uma vez que só realizaram testes de Covid-19 em 30 de junho.

Vale destacar que a Ferj enviou uma determinação, através de e-mail, em que os clubes deveriam realizar os testes de Covid-19 nos dias 18 e 19 de agosto, sendo-os entregues à entidade no dia seguinte. O Império Serrano cumpriu com a sua obrigação, diferentemente do Paduano.

Prezando pela segurança sanitária de seus atletas, a diretoria do Império Serrano Esporte Clube procurou o delegado do jogo, o Sr. Rafael Moura, e avisou que não colocaria os atletas em risco, uma vez que estamos com uma crescente taxa de contaminação por conta da variante Delta. Após ligações, o delegado comunicou que a equipe do Império Serrano deveria entrar em campo sob o risco de perder por WO.

O jogo atrasou o início em 10 minutos e a equipe do Império solicitou que a Federação então assumisse a responsabilidade pela atitude. O delegado da partida disse que faria constar isso tudo em súmula, o que não foi feito, limitando-se a dizer que a equipe imperiana apontou possíveis irregularidades.

Isso é muito grave, tendo em vista o momento pandêmico que vivemos, quando a prioridade deveria ser a segurança sanitária de todos. Cabe ressaltar que a equipe do Ceres foi suspensa por não apresentar testagem atualizada, na última edição do Campeonato Carioca – Série B2, perdendo sua partida por WO ao não cumprir com suas obrigações sanitárias, tal qual o Paduano fez.

Diante do exposto, o Império Serrano Esporte Clube, através de seu Departamento Jurídico, moverá ação no TJD/RJ com uma notícia de infração sobre o ocorrido no último domingo”.

São Clemente 2022: parceria de Thiago Meiners

Compositores: Thiago Meiners, Cesar Ricardo, Claudinho, Rodrigo Alves, Beto Savanna, William do Salão, Marcelo Carvalho e Marco Moreno
Intérpretes: Igor Sorriso e Pitty di Menezes / Part. Ailton Graça

Olha pro céu, meu amor
Abriu-se a cortina do paraíso
Anjos e holofotes anunciam
Meu lugar sempre será no seu “sorriso”
Luzes da ribalta iluminando
Versos de um roteiro sem ponto final
A estrela principal, doce gargalhada
Chama Dona Hermínia para desfilar
Eu vou seguir o som da batucada
A plateia emocionada e o Clementiano a cantar

NO AR, MINHA VIDA É UMA PEÇA
E O LENÇO ESTAMPADO ENFEITA O LUAR
SE A COMÉDIA FAZ ESCOLA
NESSA ZORRA, VAI QUE COLA
SEJA LIVRE PRA AMAR

Cheguei, fui roubando a cena
Nos teatros, camarins e avenidas
Brilhei em toda tela de cinema
Arte que imita a vida
Não chora!
Meu companheiro, cuide bem dessas crianças
Sei que ainda é tempo de esperança
E há tanto pra se aprender
Não chora, minha mãe… Sorria!
O riso é resistência desse povo
E hoje vale a pena ver de novo
O palco do samba a me receber

PRA APLAUDIR DE PÉ E A GENTE SER FELIZ
COM ALEGRIA E FÉ, ACORDA MEU PAÍS
É PAULO GUSTAVO PRA SEMPRE PRESENTE
NO MAIS LINDO ATO, LÁ VEM SÃO CLEMENTE

Ouça o samba-enredo da São Clemente para o Carnaval 2022

Compositores: Cláudio Filé, James Bernardes, Arlindinho Neto, Braguinha, Colaço, Marcus Lopes, Caio, Tinguinha, Danilo, Gustavinho, Kaike Vinícius e Igor Leal

O CÉU ME SORRIU
A IRREVERÊNCIA ME CHAMOU, EU VOU
IMORTAL É NOSSA RELAÇÃO
A BENÇÃO LHE DOU, NUM GESTO DE AMOR
PRA VOCÊ VESTIR
PRETO E AMARELO E SORRIR
ATUAR COM OTELO E DERCY
PRA PLATEIA VIBRAR, GARGALHAR, DELIRAR
NA PRÓXIMA CENA, NO PRIMEIRO PLANO
NEM SÓ MARCELINA, NEM SÓ JULIANO
MILHÕES DE HERDEIROS
ANUNCIANDO A MÃE DE TODO BRASILEIRO

DONA HERMÍNIA MANDOU AVISOU QUE PODE
SAMBAR NA AVENIDA E DIZER NO PÉ
MULHER COM MULHER TUDO BEM
HOMEM COM HOMEM TAMBÉM
O NEGÓCIO É AMAR ALGUÉM

DE”THALES” O AMOR VENCEU
O SENTIMENTO MAIS FIEL
SEMENTE QUE GEROU ROMEU
SEMENTE QUE GEROU GAEL
EXEMPLO DE ATITUDE PRA UMA NOVA GERAÇÃO
CORRENTE DE AMIZADE SEMPRE EM ALTA TENSÃO
VAI QUE COLA ESSE MEU DESPEDAÇADO CORAÇÃO
AH CORAÇÃO!!!
SOU EU A PRIMEIRA PLATÉIA
DIVINA “IDEA”, DEI LUZ AO SEU BRILHO
A NOSSA VIDA É UMA PEÇA
GRAÇAS A VOCÊ MEU FILHO

SÃO CLEMENTES, AQUELES QUE AMAM QUE CUIDAM QUE SENTEM
MOSTRANDO A CARA DA NOSSA GENTE
“RIR É RESISTIR SEGUIR EM FRENTE”
PAULO GUSTAVO PRA SEMPRE!

São Clemente 2022: parceria de Rodrigo Índio

Compositores: Rodrigo Índio, Alexandre Araújo, Rodrigo Peçanha, Rodrigo Gauz, Rafael Mikaiá, Drédi, Amado Osman e Andre Batata
Intérprete: Carlos Júnior

FILHO, TUA HISTÓRIA É TÃO LINDA
IMAGINO AÍ EM CIMA COMO O CÉU TE RECEBEU
PALMAS, INFINITAS GARGALHADAS
TUA ALMA DEBOCHADA
UMA ESTRELA JUNTO AOS TEUS
HOJE ME OLHEI NO ESPELHO E VI TEU SEMBLANTE BATEU A SAUDADE BUSQUEI UM RETRATO
SORRISO NO ROSTO SEGUI ADIANTE PRA MAIS ESSE ATO DE AMOR À VIDA E QUEM DIRIA? EU DEVIA TE ENSINAR QUEM APRENDEU FUI EU A ENTENDER E AMAR

TEM CONFETE, PURPURINA, ARCO ÍRIS, SERPENTINA
BRAVO! O SONHO NÃO ACABOU
SE A VIDA IMITA A ARTE, MESMO SE ESTIVER EM MARTE, É PRA LÁ QUE EU VOU!

VEM CHEGANDO DONA HERMINIA,
DÁ UM TEMPO MARCELINA
JULIANO SE REVELOU
SE A ARTE IMITA A VIDA TE ENCONTRO NA AVENIDA,
É PRA LÁ QUE EU VOU!

A VIDA É UMA PEÇA, UM FILME, UM ENREDO,
UM QUEBRA-CABEÇA PRA SE MONTAR
PARECE “ABSURDO” VIRAR
BEYONCÉ
MAS NÃO ME INTERESSA O QUE VÃO FALAR
FALAR DO SENTIMENTO QUE VIROU FASCINAÇÃO
NOSSA FAMILIA MUITO MAIS QUE INSPIRAÇÃO
À FLOR DA PELE CULTIVAR UM LINDO AMOR
INESQUECÍVEIS AMIZADES SEMEOU SILENCIOSA CARIDADE….
GÊNIO BRINCALHÃO, GANHA ETERNIDADE

VAI COMEÇAR O SEU SHOW
O INGRESSO JÁ ESGOTOU
PAULO GUSTAVO CHEGOU, SAPUCAÍ QUE ISSO GENTE? É SÃO CLEMENTE SORRIR É UM ATO DE RESISTIR

Ouça o samba-enredo da Dragões da Real para o Carnaval 2022

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Compositores: Thiago SP, Léo do Cavaco, Renne Campos, Marcelo Adnet, Darlan Alves, Rodrigo Atração, Alemão do Pandeiro, Alfredo Rubinato, Paulo Senna, André Carvalho e Tigrão.
Intérprete: Renê Sobral

“Dá licença de contar”
No raiar dessa manhã
Que essa gente feliz: é Adoniran!
Na passarela, o povo diz no pé!
“Nóis” vai sambando até quando Deus quiser

“Acorde”, foi dizendo o cavaquinho
Uma “prova de carinho”
“Tá” gravada nesse chão…
Desperto no romper da madrugada
Abraçando a batucada, saudade vou cantar
Botei torresmo no verso, na contramão o amor
Fiz da miséria poema, “se alembra” disso Doutor?
“As amizade” deu samba e numa cena cruel…
Saudosa maloca virou arranha-céu

Levei “frechada” do olhar, chorei no pé do fogão
Vi o progresso chegar, sem dó nem educação
A vida é dura, mas a rima é sempre boa
Em cada “canto” dessa terra da garoa

E além disso, tem outra coisa, meu bem
Às 11 parte meu trem nos trilhos da inspiração
Rumo à “Esperança” onde nasce o carnaval
Berço de nossas tradições
Dragões, amanheço em teus braços
Eternizando os nossos laços
Adeus, Escola! Eu vou me embora
Mas meu nome vai ficar
“Feito uma BRASA que jamais se apagará”

Ouça o samba-enredo do Mocidade Alegre para o Carnaval 2022

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Compositores: Márcio André, Fabiano Sorriso, China da Morada, Marquinho, Biel, Lucas Donato, Daniel Katar, Bello e Marcelo Valencia
Intérprete: Igor Sorriso

É lindo ver a mulher negra lutar!
Quem te vê sorrir, não há de te ver chorar!
Rainha Quelé, vem ser coroada!
Na minha, na sua, na nossa Morada!

Negra na alma e na cor
Flor de raíz africana
Batuque de jongo, Folia de Reis
Orgulho de ser Valenciana
Saiu da roça, iaiá! Foi pra cidade…
Voou com a Águia altaneira
Cercada de bambas, caiu no samba
De verde e rosa lá em Mangueira
Senhora da Glória, de tantas batalhas
A Rosa dos palcos, a voz de navalha

Na hora da sede você pensa em mim (ê laiá!)
Não vadeia Clementina! Eu vou vadiar!
Foi o tombo do navio… marinheiro só!
No balanço do mar!

Yô, yôo! Yô, yôoo!
O seu cantar é uma prece
No altar do samba resplandece
“Aonde Deus fez a morada”
Emana a luz do nosso Senhor
E o Saravá de todos Orixás
Filha de Zambi!
Identidade, aura ancestral
Da negritude, retrato mestiço
De fato a voz dos escravos
Ginga, capoeira, partideira… Axé!
A Mocidade se ajoelha aos seus pés!

Ouça o samba-enredo do Vai-Vai para o Carnaval 2022

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Enredo: “SANKOFA”
Compositores: Xande de Pilares, Peu, Claudio Russo, Junior Gigante, Jairo Limozini e Bruno Giannelli.

VOLTEI!
PORQUE DE FATO SEMPRE FUI ESPECIAL
E O POVO VIBRA AO ME VER NO CARNAVAL
EU SOU SOBERANA!
BRILHA SANKOFA, REFLETE EM MEU OLHAR
TODA A REALEZA AFRICANA
E VAI…VOLTAR AO PASSADO PRA SE ENCONTRAR
JUNTAR OS PEDAÇOS DA VELHA MEMÓRIA
UM DIA APARTADOS POR TODO ESSE MAR…
ANANSE! MALANDRO QUEBROU A CABAÇA ENCANTADA
A SABEDORIA AXANTE ESTAMPADA
NUM BERÇO DE OURO VAI SE REVELAR

PRETA BATUCADA
NOSSA ARTE MEU IRMÃO
É MADEIRA MAIS ESCURA
ATÉ NA PALMA DA MÃO
SALVE A CULTURA, NO MEIO DA RUA
É TRADIÇÃO E O SAMBA CONTINUA

PELO ALVORECER, ENTRE ARRANHA CÉUS
RELUZ A COROA, MEU LUGAR MEU TROFÉU
ONDE O NEGRO NÃO É QUALQUER UM
ONDE REALMENTE ELE IMPORTA
“É PÉ NA PORTA” UM BAMBA DO VAI-VAI…
É DONA OLÍMPIA, É SEU LIVINHO
NOSSO HENRICÃO, ETERNO CAMINHO
SE O “FILME” MARCOU, EU NÃO ESTOU SOZINHO
VEM SANKOFA DE VOLTA PRO SEU NINHO

TAMBOR AFRICANO, DE NEGRA BRAVURA
É O MESMO TAMBOR DA SARACURA
QUILOMBO DO SAMBA NÃO MORRE JAMAIS
EU SOU VAI-VAI

Não deu! Império Serrano empata com o Paduano e está eliminado do Carioca da Série C

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Não faltou raça e emoção, mas infelizmente o Império Serrano está eliminado do Carioca da Série C. Na tarde deste domingo, em Bangu, o Reizinho empatou em 1 a 1 com o Paduano, e, como perdeu o jogo de ida por 1 a 0, viu o adversário ir para final e garantir a vaga na Série B2 da competição. O adversário na final será a equipe de Búzios, que superou Belford Roxo na outra semifinal.

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Foto: Emerson Pereira/Divulgação

Debaixo de chuva, o Império Serrano partiu para o ataque desde o início da partida. O gol veio logo aos 4 minutos. Keven cobrou escanteio e Igor Salles abriu o placar.

A esperança tomou conta dos imperianos. Só bastava mais um gol para vir a classificação. A equipe do técnico Marcelo Mariano foi para cima do Paduano. Aos 16, Maurício recebeu bola de Keven, mas a defesa tirou e salvou o que seria o gol do Reizinho.

Na volta do intervalo, a ansiedade tomou conta de todos dentro de campo. Aos 7, após uma falta no meio-campo, o jogador Anderson, do Paduano, teve que ser retirado de campo em uma ambulância.

A partida ficou paralisada por mais de 30 minutos até uma nova ambulância chegar no estádio de Moça Bonita. Com mais posse de bola, o Império Serrano lutou o tempo inteiro pelo gol salvador.

Aos 31, Keven aproveitou a sobra da bola e mandou um foguete para fora. A partir daí, o fim foi dramático. Aos 49, veio a ducha de água fria. Em um contra-ataque, o Paduano empatou o jogo e assegurou a vaga na final e na Série B2 do Carioca.

Ao site CARNAVALESCO, o técnico Marcelo Mariano falou da partida. “O time é sensacional. Só tenho que parabenizar. O Império Serrano vai continuar. Não sei como será com a comissão e atletas, vamos aguardar o que a diretoria vai resolver, mas estou sempre às ordens”, disse.

Adoniran é o enredo da Dragões da Real para o Carnaval 2022; leia a sinopse

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DRAGÕES DA REAL
CARNAVAL 2022
Enredo: Adoniran

Carnavalesco e enredo: Jorge Silveira
Sinopse: Fábio Fabato

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Desperta, São Paulo!
Desperta para ver sair do túmulo o filho único da canção eterna, umbigo nas quinas, torto querubim das esquinas, das cruzas e encruzas, o verso, o reverso e o verbo sentido no gerúndio. Contesta com vida e diplomacia de bar a profecia do poetinha Vinicius. Convoca os dragões e demônios do batucar miúdo, os homis tudo, caixas de fósforo e de ressonância d’uma poesia rueira – aí, sim, a sua perfeita tradução. Quais, quais, quais, quais colá. Adoniran Barbosa andarilho, candeeiro observador aceso, plantou a flor de sua arte até mesmo em viaduto. O homem que falava aquilo que as pessoas enrolam pra dizer. Vorta neste enredo como “arma penada” para outra vez balançar cadeiras na porta de casa, animar serestas, enfiar a colher de pau no caldeirão agridoce da Pauliceia. Eis os cacos ajuntados do tempo por João Rubinato – sua graça na certidão – porta-estandarte, mosaico, caleidoscópio dos causos de um século todinho e de gentes como a gente.

Sua palavra traz a dona, o vendedor, o engraxate, o doutô. Desfiou a cidade mezzo linho, mezzo desalinho, Gioconda enigmática a sorrir Itália, Mooca, Casa Verde, riqueza e piolho, contraste. Tudo e tutti na rima que arranha ruído de povo. Plac ti plac plac. Di dirim dim, di dirim dom dom.

A roçadura entre a lembrança romântica do palacete assobradado de outrora e a dor doída ante a selva de pedra que se impôs. Como é que faz? Rasgou o coração, mas o dono mandou derrubá. A metrópole que mais cresce pôs concreto nos afetos. Restou a maloca no peito, saudosa e querida, dim dim donde nós passemo os dias feliz de nossa vida. Quando bate onze da manhã, pouco antes do sol a pino na moleira, o enxadão da obra que traz o progresso econômico a poucos, e o retrocesso das quimeras a tantos, descansa. Hora de almoçá a marmita na calçada. Arroz, feijão, torresmo à milanesa. A vida é dureza, João.

Só que adiante um pouco, bãosis, a Lua se insinua, cicerone formosa das farras e dos amores que a noite atrai. Trabalhador também vadeia, vam s’embora, camaradas. Primeiro, o Arnesto nos convidou prum samba lá pros lados d’onde mora. Nós fumos, mas ao chegar no Brás… Não encontremos ninguém. Que baita reiva! Isto não se faz. Só que bamba que é bamba não balança, ensinou algum filósofo do copo cheio. A noite ainda criança solta as mariposas em vorta das lâmpidas malandras que dedilham o cavaquinho até a coisa isquentá. Esticam tanto a corda mi… Que, beijo em beijo, vira tudo aliança e prova de carinho. Difícil não se derreter com as frechadas do olhar, o peito parece táubua de tiro Álvaro, todo esburacado, nem tem mais onde furar. Poeta se apaixona de cruzamento em cruzamento, pede pro amor ficar mais um pouquinho, até o baile emudecer. Mas também para ele dá a hora, mora longe, o maquinista sempre entrega Jaçanã como destino. Se perder o trem que parte às onze, xiiiiii, só amanhã de manhã. A mãe nem dorme, coitada, enquanto o marmanjo não chega: o homem-menino é folião apaixonado, mas tem casa para olhar. E se o sujeito for casado? Aí só resta implorar: joga a chave, Matilde. Joga a chave, meu bem.

Contam os sabidos que quando o ébrio ainda engatinhava, Pirapora de Bom Jesus se esparramou São Paulo adentro com o samba de bumbo a tiracolo. Sim, cordões caipiras forjados em cruz, curimba e raízes rurais foram o berço da fuzarca no estado. Já crescido, Adoniran viu-se um pouco em Geraldo Filme balançando o terreiro com a mão na zabumba, bebeu Dionísio Barbosa, o revolucionário folião da Barra Funda, fez ecoar o Tambu de Henricão, que escreveu a glória do Bixiga e partiu levando saudades. Sambistas romeiros a encantar o espírito da Pauliceia e inspirar as fricções urbanas da obra do demônio sagrado que, ao contrariar a morte, regressa à sua Vila Esperança, aurora dos carnavais. A partir de um fevereiro em que amou Maria Rosa, a primeira colombina, sua arte foi o abrigo para tantos gênios primeiramente chamados de vagabundos.

E se a metrópole teimava em crescer na carona de espigões e contradições, o couro paulistano não titubeou quando chamado ao toque. Rompidos os cordões umbilicais, viraram escolas de samba. Camisa, Vai-Vai, Peruche, Vila Maria. E o Nenê, óbvio. Sujeito pessoa física e jurídica. Cartorial forma de dedicação, ares de crônica musical de Rubinato. Sampa do matriarcado também. Sua bênção, Madrinha Eunice, fundadora da Lavapés, a pioneira. Saudades, Dona Olímpia. Saudades, Tia Zefa. Saudades todas. Mas ói nois aqui traveiz pra arrumá um batuque campineiro, de rua, de bar, de Avenida.
“Adonirando” aqueles que encontra, o poeta ajeita o chapéu, passa o dedo no bigode fino e capricha no acento italiano para rever a sua São Paulo bem no capítulo final do espetáculo ainda inconcluso. Cruzou a fronteira e venceu o que os homens do lado de cá desconhecem porque é carnaval, delírio fantasiado de liberdade – nome de bairro e mantra. Ele brinca, faz estrelá ou chuvê, as horas vareiar, pita e dedilha até triunfar o Sol da vida real, este que entrega o adeus à escola e o tamborim respeitado ao melhor dos ritmistas.

Canta, enfim, pra subir, mas deixa um recado: já fui e sou uma brasa. Se assoprarem, posso acender de novo.

Será? Bem, não convém duvidar: este aí, ah, nem garoa apaga.

Quaisgudum, tchau!