O Acadêmicos do Cubango inicia nesta quarta-feira, a partir das 19h, os ensaios de comunidade para o próximo Carnaval. A escola convoca todos os componentes para participarem do treino. As inscrições para os interessados em desfilar nas alas de comunidade da escola também ocorrem no mesmo dia. É preciso levar: duas fotos 3×4; xerox do comprovante de residência, xerox da identidade e a xerox do comprovante de vacinação contra a Covid-19.
Foto: Magaiver Fernandes
No próximo Carnaval, o Cubango desfile com o enredo “O amor preto cura: Chica Xavier, a mãe baiana do Brasil”, do carnavalesco João Vitor Araújo. A quadra do Cubango fica na Rua Noronha Torrezão, 560, bairro do Cubango, Niterói.
Considerado um dos maiores clássicos da música popular brasileira de todos os tempos, “Retalhos de Cetim” acaba de ganhar uma releitura na voz de Pipa Brasey. Gravado no lendário estúdio Abbey Road, em Londres, com a participação de uma orquestra de violinos da Rússia, o single marca uma nova fase da carreira da cantora e celebra os 80 anos do compositor Benito Di Paula, que lançou a canção em 1973.
Gravar “Retalhos de Cetim” era um sonho antigo de Pipa, que sempre fez questão de cantá-la em seus shows. Além disso, a música tem um valor afetivo muito especial em sua vida. “Eu sempre amei essa música, porque ela emociona e deixa todo mundo arrepiado. No meu caso, tem uma razão ainda mais forte. Meu pai, que já faleceu, gostava muito dela, e eu lembro que foi a última música que pude cantar para ele. Então, além de reverenciar a obra do mestre Benito Di Paula, essa gravação também é uma forma de homenagear meu querido pai. Cada frase dessa canção consegue despertar em mim essa alegria de um laço eterno de gratidão, amor e muita saudade”, revela Pipa.
Com produção musical de David Cabral, o single reuniu profissionais de diversas partes do mundo. A base da faixa foi feita na cidade de São Paulo. Para colocar a voz, no entanto, Pipa esteve no Abbey Road, o estúdio mais famoso do mundo, na Inglaterra, onde astros como os Beatles e Roberto Carlos já gravaram. O arranjo contou, ainda, com o talento de músicos russos.
“Retalhos de Cetim” já foi regravada por nomes como Jair Rodrigues, Alcione, Elymar Santos, Xande de Pilares, entre outros ícones da MPB. A releitura de Pipa Brasey, que já está disponível em todas as plataformas digitais, confirma a força deste clássico que atravessa gerações e gerações de brasileiros, quase cinco décadas após seu lançamento.
Morando na Suíça há 30 anos, Pipa Brasey, Madrinha do carro de som da Portela, escola de samba que mais vezes venceu o carnaval do Rio, a artista participa dos desfiles da agremiação na Marquês de Sapucaí há sete anos. Em 2020, deixou o posto de destaque de carro alegórico e aceitou o convite para cantar o samba-enredo com o intérprete oficial Gilsinho.
Outra marca importante de sua carreira é o intercâmbio musical. Mesmo com a agenda de shows interrompida por causa da covid-19, a cantora realizou, desde março de 2020, mais de 20 lives com alguns dos maiores nomes da música brasileira, entre eles Jorge Aragão, Leci Brandão, Dudu Nobre e Xande de Pilares. No mesmo período lançou um EP com as canções autorais “Forte e Ascendente”, “Pode Chorar” e “Virou Saudade”, disponíveis nas plataformas digitais.
A Acadêmicos do Grande Rio terminou em primeiro lugar na terceira etapa da pesquisa do CARNAVALESCO sobre os sambas-enredo do Grupo Especial do Rio de Janeiro para o Carnaval 2022. A escola de Duque de Caxias fechou com 9,93. A Mocidade e a Viradouro em segundo com 9,92 e Beija-Flor e Tuiuti em terceiro com 9,89.
Unidos da Tijuca com 9,86. Vila Isabel teve 9,85. Portela com 9.84, Imperatriz com 9.83, Salgueiro com 9,80. São Clemente com 9,79 e Mangueira com 9,78.
Abaixo, você confere o ranking dos sambas do Grupo Especial após as três etapas da pesquisa. A quarta e última etapa será de 18 de novembro até 30 de novembro.
Ao longe, acho que já dá para ouvir o rufar das batucadas. Parece distante, é bem verdade, mas não tanto quanto o maior hiato que o desfile das escolas de samba já enfrentou em sua história. Sei lá, talvez eu esteja ficando doido após tanto silêncio. Mas o cenário é favorável para que possamos nos reencontrar com o chão cinza e as arquibancadas de concreto da Marquês de Sapucaí. É um reencontro com quem somos, nossa gente, nosso país e nossas histórias. A cada desfile, somos atravessados pelas subjetividades e emoções que nos fizeram amante dessa festa.
Ao longo de oito décadas de cortejos, nunca tivemos tanto tempo para maturar os enredos a serem desenvolvidos. E pensar que até a década de 1970 era comum agremiações anunciarem seus temas só depois da virada do ano, hoje é algo impensável. Desde março de 2020, já temos enredos e sinopses sendo anunciados e, assim, ao longo dos meses, essas narrativas vão se reconstruindo, ganhando novos sabores e se remodelando até ganharam seu contorno final nos dias da folia. Pra isso, o ritmo na Cidade do Samba aos poucos vai se acelerando, a maioria dos barracões já deu alguma largada para a produção dos seus desfiles.
Mas que cenário é esse que vivem as escolas de samba de 2022? O que dois anos de hiato ensinaram para as agremiações? O contexto municipal é completamente diferente, saí o Bispo e entra o sambista, mas ainda enfrentamos governantes ignorantes da potência da nossa festa em diversas esferas. A crise social e econômica que enfrentamos fez sumir de vez os temas patrocinados e, no contexto artístico, já parece clichê afirmar o surgimento de uma “nova geração de artistas”. Das seis primeiras posições de 2020, a maioria era assinada por artistas que surgiram no Especial há menos de dez anos.
E o que isso trouxe de frescor para os temas a serem desenvolvidos? Tudo. Vivemos hoje um carnaval que se importa muito mais com o “discurso”, mesmo que o artístico e administrativo ainda entrem em conflito, gerando contradições instigantes. Se houve um tempo esteve em moda falar em patrocínio, hoje, parece fundamental falar de pautas socias e cotidianas. Pensando nisso, é impossível não começar falando do carnaval que se aproxima sem apontar a predominância dos chamados “enredos afro”.
O que levanta várias outras questões. Primeiro, a de se debater o que de fato abarca essa terminologia genérica e suas múltiplas possibilidades. O que é um enredo afro? Existe apenas um eixo ou vários? Podem ser as narrativas com foco nas religiões afro-brasileiras, caso de Grande Rio e Mocidade, ou que versam sobre figuras pretas, como Vila Isabel e Mangueira. Há ainda reflexões críticas e que abarcam a questão social, como Salgueiro, Tuiuti, Portela e Beija-Flor. É um leque complexo e instigante, sobretudo por se tratar, em sua grande maioria, de narrativas muito bem desenvolvidas e necessárias.
Temos, sem dúvidas, uma safra forte e potente de enredos a serem levados para a Avenida em 22. Temas que dialogam com o nosso momento histórico, dos casos de racismo que foram discutidos nos contextos nacional ou internacional. E, não, nunca é “demais” temas dessa natureza. Ainda mais quando a própria variedade de oito narrativas chamadas “afro” nos indica diferentes vertentes e prismas para repensar a diáspora africana, as religiosidades brasileiras, questões sociais e, principalmente, a presença negra na cultura brasileira. Definitivamente “enredo afro” não é tudo igual.
O que mais me chama atenção num primeiro olhar dessas narrativas é a forma como algumas agremiações costuraram seus enredos a si mesmas, louvando sua própria trajetória. Fazendo uma analogia básica, a mesma peça de roupa em várias pessoas possui caimentos diferentes. Parece ser o mesmo caso. Uma escola de samba é um corpo coletivo único, com uma identidade forjada ao longo das suas trajetórias, com signos que ajudam a reconhecê-las comunitariamente. Sejam desde signos mais básicos, como cores e mascotes, como os enredos e o tipo de sambas que melhor vestem essas agremiações.
Pensando nisso, é de grande valor quando uma instituição cultural consegue costurar de maneira natural ao seu enredo a sua própria história e seus personagens. É um exercício tanto de memória, que ajuda a consolidar os nossos artistas do carnaval, como de afirmação dos valores que ajudam a consolidar essa noção de pertencimento coletivo. Quase todas as agremiações conseguiram trazer esse valor para os seus enredos. Ou seja, tornar aquela narrativa única a partir do seu próprio olhar.
A Portela é uma escola que ficou conhecida por usar bastante esse tipo de recurso. Seja qual fosse o enredo, geralmente estão lá citações a Paulo da Portela, Candeia, Clara, Natal e tantos outros. Mas em um país que cuida tão pouco da sua memória, quem vai cuidar melhor do seu legado senão ela mesmo? Por mais que as vezes o excesso seja um pecado, quando esse processo é bem feito gera identificação e mais valor ao desfile.
Ao cantar “Igi Osè Baobá”, a Águia de Madureira certamente não deixará de louvar os frutos de sua jaqueira e da sua Velha Guarda. E, dessa vez, nada mais propício do que costurar a resistência da cultura afro-brasileira através do próprio samba e de suas escolas. Esse mesmo recurso narrativo é presente mais visivelmente nos enredos de Salgueiro, Beija-Flor e Mocidade. A verde e branco explora a ligação do orixá Oxóssi com a sua bateria, aproveitando para louvar seus ritmistas e músicos. Desde o lendário Mestre André como nomes que vão ser apresentados ao grande público através do seu cortejo, como Quirino e Tia Chica.
É o mesmo caso de Cabana, um dos grandes intelectuais da Beija-Flor que será louvado pela azul e branco dentro do fio narrativo que envolve “Empretecer o pensamento é ouvir a voz da Beija-Flor”. O título já deixa claro a intenção de valorizar a voz da própria escola. Isso seja tanto pelos seus artistas em destaque, como Selminha e Neguinho, como toda a comunidade preta que rasga o chão da Sapucaí ano a ano. É um traço que traz originalidade e assinatura para uma escola acostumada a cantar os chamados “enredos afros”, ainda mais após uma mal sucedida auto-homenagem em 2019.
Outra agremiação com tradição nessa linha temática, o Salgueiro não poderá deixar de se incluir como uma das formas de “Resistência” do seu enredo assim batizado. Para isso, podemos aguardar referências aos seus carnavais históricos da década de 1960. E por falar da própria folia, há casos em que contar sua história é o grande trunfo e mote principal da narrativa. Entram nessa categoria, os temas de Vila Isabel, Imperatriz e Mangueira, como o trio “Angenor, José e Laurindo” na verde e rosa; o negro rei Martinho na azul e branco do bairro de Noel e o histórico carnavalesco Arlindo Rodrigues na verde e branco da Leopoldina.
E não para por aí. Em alguns outros exemplos, essa ligação não estão tão explícita, mas também se faz presente. A Grande Rio, por exemplo, busca um elo com a comunidade de Duque de Caxias ao usar como figura-chave a filósofa urbana Estamira, que habitava o aterro sanitário de Gramacho, em seu enredo sobre Exú. No caso da Unidos da Tijuca, o fio que conecta a narrativa de Jack Vasconcelos com história da azul e amarelo é a afirmativa de resgatar os enredos indígenas que foram desenvolvidas por Oswaldo Jardim na agremiação.
Enfim, são múltiplas ligações, múltiplas leituras que nos ajudam a perceber o ponto forte de cada narrativa. Esse texto, serviu apenas como um panorama do que teremos em temos de enredo para o carnaval que se desenha. Ao logo das próximas semanas, eu volto nesse espaço gentilmente cedido pelo Carnavalesco para explorar outras vertentes e potências para 2022, trazendo escolas que ainda não foram citadas e aprofundando outras.
Leonardo Antan é mestre e graduado em História da Arte pela UERJ, com pesquisas sobre o carnaval carioca. É ainda curador, editor e produtor cultural, ligado ao coletivo multiplataforma Carnavalize. Lançou recentemente o livro “Laroyê Xica da Silva” e a exposição virtual “Sal60”.
Compositores: Paulinho Bandolim, Guilherme Sá, Edgar Filho
Intérprete: Daniel Silva
Clamo a presença dos ancestrais
Arde a chama na candeia, a luz dos seus ideais
Livre, o samba faz escola, manifesto no terreiro
Sou quilombola
Vou de pé no chão
Resgatar a pureza dos meus carnavais
O novo pavilhão
Foi Oxum quem bordou de dourado e lilás
Vem maracatu do caboclo lanceiro
Dança o caxambu, jongueiro
Saravá lundú, afoxé, capoeira
No rabo de arraia não leva rasteira
Puxa o partido pro mestre versar (Candeia!) BIS
Firma na palma da mão a noite inteira
Risca no amoladinho, ioiô
Ô iaiá, vem mexer com as cadeiras (vem sambar)
Sou da arte negra sentinela
Um quilombo em cada favela
Contra toda forma de opressão
Sou a poesia sem mordaça
Tambores em dia de graça
Heróis e heroínas da abolição
Sou o canto forte de Palmares
A vibrar pela cidade
Um grito sufocado a resistir
Inspiro a verdadeira liberdade
Valeu, Zumbi
Quem leva a noite na cor BIS
De verde e branco é rei
Mostra seu valor
No Império da Tijuca
Negritude é lei (Negritude é lei, é lei)
COMPOSITORES: EVANDRO BOCÃO, ANDRÉ DINIZ, DUDU NOBRE, PROFESSOR WLADIMIR, MARCELO VALENÇA, LENO DIAS E MAURO SPERANZA
INTÉRPRETE: TINGA
Ferreira, chega aí
Abre logo uma gelada, vem curtir
A avenida engalanada
Nossa gente emocionada vai reluzir
Os sonhos de iaiá
Suas glorias e cirandas, resgatar
Não acaba quarta-feira, a saideira
Nem o meu laiaraiá
Raízes da roça para o pretos forros
Tanto talento não guarda segredo
O dono do palco, o Zumbi lá do morro
Pela 28, chinelo de dedo
Se a paz em Angola lhe pede socorro
Filho de Teresa, encara sem medo
Seguiu escola do Pai Arraia
Reforma agrária e festa no arraiá
m cada verso, mais uma obra-prima (bis)
Ousar, mudar e fazer sem rima
(Só você pra fazer sem rima)
Profeta, poeta, mestre dos mestres
África em prece, o griô, a referencia
O senhor da sapiência, escritor da consciencia
E a cadência de andar, de viver e sambar
Tão bom cantarolar por que o mundo renasceu
Me abraçar com esse povo todo seu
Eu vou junto da família
Do Pinduca à alegria pra brindar
Modestia à parte, o Martinho é da Vila
Partideiro, partideiro ó
Nossa Vila Isabel brilha mais do que o sol
Canta negro rei, deixa a tristeza pra lá (bis)
Canta forte minha vila, a vida vai melhorar
(A vida vai melhorar)
O músico Eri Galvão, 73 anos, que há 34 carnavais atuava como um dos especialistas no quesito Samba-Enredo, faleceu no hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, no Rio de Janeiro. Eri nasceu em Natal, RN, era um apaixonado por bossa-nova e tocava violão no Vinicius Piano Bar, em Ipanema.
A família comunica a parentes e amigos que o velório acontecerá nesta terça-feira, 16, das 9h às 16h, no Cemitério Parque da Colina, em Niteroi. A cerimônia de cremação será realizada na tarde de quarta-feira, 17, com a presença de familiares, exclusivamente.
Em nome de toda a Diretoria da Liesa, o presidente Jorge Perlingeiro e o coordenador de Julgadores, Júlio César Guimarães, externam profundo pesar pela perda do brilhante colaborador, manifestando votos de sentimentos à Família Galvão, pedindo que Deus ilumine a nova jornada do querido Eri.
O site CARNAVALESCO prepara mais uma edição do prêmio “DESTAQUES DO ANO“. A primeira edição foi no ano passado. Dessa vez, com não tivemos desfiles em 2021, no Rio de Janeiro e em São Paulo, as categorias destaques da Sapucaí e do Anhembi não estão presentes. Acrescentamos outras, como influenciador (a) e criação literária. Até o dia 30 de novembro, o leitor poderá indicar pessoas e escolas de samba. De 1º de dezembro até 13 de dezembro será o prazo para votação. A festa de premiação acontecerá no dia 18 de dezembro, em local que ainda será divulgado pelo site.
Nesta fase atual de indicações, vamos levar em consideração apenas os nomes citados pelo público. Na outra etapa o sistema de pontuação será o seguinte para cada categoria: 40 pontos para o mais votado pelos internautas, 30 pontos para o mais votado pela equipe do CARNAVALESCO e 30 pontos para o mais votado entre os jornalistas. Em caso de empate, o escolhido será o que venceu na votação popular.
No dia do aniversário de 126 anos do Flamengo, nesta segunda-feira, 15 de novembro, integrantes da Estácio de Sá estiveram na Gávea e foram recebidos pelo presidente Rodolfo Landim. A bateria “Medalha de Ouro” e o elenco show da escola deram um pequena amostra do que a escola de samba do Brasil está preparando na homenagem ao rubro-negro.
Vice-presidente de Embaixadas e Consulados, o dirigente Maurício Gomes de Mattos falou do enredo. “É o Flamengo na Avenida. Vocês vão fazer a diferença nesse carnaval com o nosso Flamengo”.
Foto: Divulgação/Estácio
Em 2022, a Estácio reeditará o enredo “Cobra Coral, Papagaio Vintém…#VESTIRUBRONEGRO não tem pra ninguém”, apresentado em 1995.
Em estado de graça, a Viradouro reencontrou a Avenida Amaral Peixoto, em Niterói, no ensaio de rua que “rompeu o isolamento de uma infinita solidão” e o que se sentiu na tarde de domingo foi a emoção dos sambistas. Os componentes que chegavam aos poucos foram dando cor à avenida e mesmo aqueles que estavam de máscaras demonstravam o “sorriso no olhar” validando o apelido da cidade. O presidente da escola, Marcelinho Calil contou que o ensaio foi simbólico e apresentou a retomada da vida.
“Este ensaio é simbólico e que por si só entra para história: é a retomada da vida. A emoção vai tomando conta e nós nem temos noção do quanto simboliza nossa volta, a gente relembra de tanta gente que ficou pelo caminho por essa pandemia, lembra que nosso enredo fala diretamente de outro momento. Então, voltar em um momento adequado, pertinente e oportuno, apresentando o enredo que a gente vai falar, eu acho uma emoção que toma conta da gente, é um choro, mas é um choro de alegria. Tecnicamente falando a escola vem tendo um nível de exigência muito alto, mas temos que ter um pouco de paciência já que é o primeiro ensaio, temos testes e coisas para ajustar e isso colocaremos em prova aqui, para emdezembro aprimorar. A emoção é a tônica deste ensaio, alinhado com um pouco de técnica”, disse o presidente.
“Amor, escrevi esta carta sincera…”
O samba-carta rendeu um ensaio de muita emoção e garra dos componentes da vermelho e branco. Mostrou que não só o lirismo foi sentido por aqueles que acompanharam, mas a vibração das vozes de uma comunidade que, sem sombra de dúvida, declarou o amor pelo carnaval. Alex Fab, um dos diretores de carnaval, pontuou que era para os componentes ficarem à vontade no ensaio para que eles pudessem externar toda sua alegria: “Eu pedi para comunicar aos componentes que todos tivessem o sentimento de gratidão, hoje temos que deixar os componentes mais à vontade para cada um externar a sua alegria, sem grande cobrança, mas como a escola é disciplinada, vamos alinhar a técnica com a emoção”.
“Virei noites à sua espera Por te querer quase enlouqueci…”
Muitos estavam aguardando por esse dia, o dia do retorno, o presidente de honra Marcelo Calil disse que nem conseguiu dormir na noite anterior por conta da ansiedade. “Vou falar uma frase: ‘Eu gosto tanto da Amaral Peixoto, do ensaio de rua, que eu nem dormi a noite, já vim cedo aqui.’ A gente tem muita alegria de poder reviver isso, chega até se emocionar! E tomará que até o carnaval consigamos fazer mais ensaios e que essa pandemia vai embora de vez”.
Mas, não foi só ele que perdeu o sono, a nova rainha da bateria Erika Januza comentou que até com Deus ela conversou de tanta ansiedade pelo dia: “Eu estou virada, não consegui dormir de ansiedade. Hoje quatro da manhã eu pensei: ‘senhor, preciso dormir. Hoje é meu primeiro momento aqui, estou muito ansiosa e feliz por esse momento”.
“Pintei o rosto de saudade e andei por aí Segui seu olhar numa luz tão linda Conduziu meu corpo, ainda O coração é passageiro do talvez”
A condução do corpo foi o tom do ensaio para Rute Alves, defendendo o pavilhão da Viradouro, ela contou que além da técnica, o coração, na verdade, a emoção, será algo que todos terão que trabalhar no próximo carnaval: “Além da técnica, nós teremos que conduzir nossa emoção para que ela não possa atrapalhar, para que ela não sobreponha nosso trabalho. E é isso que estou tentando aqui. Hoje eu acordei e falei ‘meu Deus, depois de mais de um ano e dessa nuvem tenebrosa que está indo embora, chegou o dia de voltarmos para Amaral.’ Está difícil conter, mas, é muita felicidade e gratidão, por cada pessoa que posso encontrar aqui e saber que a pessoa está bem e que sobreviveu diante de tantos que não tiveram essa oportunidade, eu estou muito feliz”.
“Alegoria ironizando a lucidez Senti lirismo, estado de graça Eu fico assim quando você passa”
Zé Paulo, o intérprete da escola, ficou em estado de graça o tempo todo no ensaio, como sempre foi ao público “declamar” o samba-carta e como um Pierrot Apaixonado encontrou na Amaral Peixoto um pouco da Colombina que é o carnaval. Zé fez uma reflexão do que passou com o ensaio. “Passei o dia todo pensando no mix de lembranças do último carnaval que ensaiamos aqui, além do que aconteceu nesse período que ficamos parado, então ver o dia de hoje com essa rua cheia, parece que o carnaval é domingo que vem. Então, estou muito feliz de verdade”.
“A Avenida ganha cor, perfuma o desejo Sozinho te ouço se ao longe te vejo Te procurei nos compassos e pude Aos pés da cruz agradecer à saúde”
Os carnavalescos da Viradouro escreveram o enredo de 2022. Por isso, devemos pensar que eles já imaginaram o grande momento, da avenida tomando cor. O site CARNAVALESCO conversou com os artistas Tarcísio Zanon e Marcus Ferreira. O primeiro apontou que o ensaio foi de retomada, e que o que mais o encantou foi ver os componentes emocionados: “Hoje é a retomada, nossos corações estão explodindo de alegria, vendo essa Amaral Peixoto cheia novamente e vê os componentes da Viradouro emocionados é o que mais nos encanta, o carnaval vive disso”.
Já seu parceiro, Marcus Ferreira, pontuou a importância da ciência para este momento e relembrou que o ensaio foi importante para o último campeonato: “Estou emocionado, a ciência está provando que temos que voltar à nossa normalidade. A Amaral Peixoto é um lugar muito importante para Viradouro, o reencontro de tudo que a Viradouro fez no carnaval passado, e a gente acredita que tudo que fizemos no desfile passado, o campeonato, todo o nosso trabalho começou aqui”.
“Choram cordas da nostalgia Pra eternidade, um samba nascia”
Com bossas e com a bateria afinada, a bateria de mestre Ciça agregou ao samba-carta. Em todos os momentos ela não deixou o samba desandar, além disso, mostrou que o tom lírico do samba não é um problema. Perguntado como seria o controle da emoção versus a técnica, Ciça respondeu: “Nós temos que controlar a emoção e ficar de olho na técnica, mas é difícil controlar a emoção da rapaziada que está de volta ensaiando na rua, mas vale a pena! Primeiro dia na rua depois da pandemia, a gente está com saúde que é o mais importante, com esse samba então, será uma emoção só, uma coisa muito bonita”.
“Não perdi a fé, preciso te rever Fui ao terreiro, clamei: Obaluaê! Se afastou o mal que nos separou Já posso sonhar nas bênçãos do tambor”
Com um sorriso largo e conduzindo sua porta-bandeira brilhantemente o mestre-sala Julinho é daqueles que demonstra que em nenhum momento perdeu a fé, ele pontuou que é grande a emoção de retornar: “É uma emoção indescritível, além da sensação de estar preparando para um novo carnaval que a cada ano é um novo carnaval, um novo desfile. Porém, este ano vai ser diferente, pois é um carnaval diferente, aliado a esta sensação a gente imagina ‘estou vivo’, todo mundo daqui está vivo e ao mesmo tempo traz a memória de alguém que perdeu, alguém próximo, então hoje será um ensaio de emoção, e não tem como não falar de emoção na escola que é emoção sem contar com esse samba emocionante”.
“Amanheceu! Num instante já Os raios de sol foram testemunhar O desembarque do afeto vindouro Acordes virão da Viradouro”
Pulsante, a felicidade aportou na enseada de Niterói. Alex Neoral, um dos coreógrafos da comissão de frente disse que o ensaio mostra que ocorrerá o que antes era dúvida, o carnaval de 2022: “Agora vamos sentir de novo a emoção que é está aqui, com público, estamos agora sentindo mesmo que o carnaval vai acontecer, antes era só dúvidas, mas o ensaio é a confirmação que vai realmente acontecer”.
E essa certeza trouxe uma grande quantidade de pessoas não-componentes para acompanhar o ensaio, afinal, eles vieram ouvir os acordes da Viradouro. Marcio Jahú, também coreografo da comissão de frente, pontuou a presença dos niteroienses no ensaio: “E hoje, será uma diversão com uma alegria de estarmos voltando, para mim Niterói desceu toda para ver esse ensaio e a gente vai fazer com muita a alegria e sentir a energia do carnaval de volta”.
“Tirei a máscara no clima envolvente Encostei os lábios suavemente E te beijei na alegria sem fim Carnaval, te amo, na vida és tudo pra mim”
O coordenador da ala de passistas, Valci Pelé, também deu sua opinião no retorno: “Emoção está próximo aos amigos e comunidade, e fazer o que mais amamos na vida que é o carnaval, que é o acolhimento”.
“Assinado: um Pierrot Apaixonado Que além do infinito o amor se renove Rio de janeiro, 5 de março de 1919″
“Hoje é para soltar a musculatura É para deixar o grito contido de mais de um ano sair. Esse ensaio é libertador, dia de celebrar e poder comemorar que estamos vivos, não esquecendo das pessoas que fizeram a passagem. Mas, como somos tarados por trabalho, vamos ver depois onde deu certo, onde temos que melhorar. Porém, queremos mais emoção nos olhos dos nossos componentes do que um erro técnico. O povo de Niterói hoje espera da gente o nosso grito de liberdade falando assim: ‘carnaval, te amo, na vida és tudo para mim!”, finalizou Dudu Falcão, um dos diretores de carnaval.