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Mauro Cordeiro: ‘Sabiá, o griô do meu torrão’

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O que é memória? Compreendo a memória como uma construção coletiva, um trabalho de registro realizado por um determinado grupo social, um quadro geral dos eventos significativos para sua existência. Esta memória coletiva forma uma espécie de acervo de lembranças compartilhadas que ajudam, inclusive, a promover a coesão do grupo. O passado é permanentemente reconstruído e ressignificado pela memória coletiva. Neste sentido, a memória é uma produção.

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Foto: Divulgação

Nas múltiplas e diversas filosofias africanas, sobretudo naquelas oriundas da África Ocidental, a oralidade desempenha papel fundamental na manutenção dos valores, saberes e práticas dos grupos sociais. É neste sentido que o papel dos griôs era central. A expressão griô tem origem francesa, já cunhada no período colonial para designar os diversos tipos de personagens que desempenhavam atividades semelhantes. Em solo africano eles eram nomeados de formas distintas de acordo com cada povo e etnia, mas algumas das suas nomenclaturas eram diali, gueséré, wambabé, aouloubé e guewél.

O griô é um narrador, alguém responsável pela manutenção da história de um grupo e a transmissão dessa história e dos seus saberes através de contos, cantos e crônicas; sempre de maneira oral atuando na manutenção da história local. Através dos griôs a memória coletiva dos grupos sociais é preservada em um processo produtivo operado, via de regra, pelos mais velhos.

Na história do Acadêmicos do Salgueiro um personagem se destaca pela produção da memória através da oralidade: Djalma de Oliveira Costa. Ao longo dos seus 95 anos de vida, seu Djalma se notabilizou pela sensibilidade, pela articulação e pelo poder de liderança. Foi um dos fundadores da agremiação, teve a alcunha de “prefeitinho do Salgueiro”, testemunhou e protagonizou acontecimentos que, pela sua ação, transformaram-se em marcos temporais e memoriais do que é a escola.

É impossível contar a história da agremiação sem reconhecer o papel de destaque de Djalma. Na escola ele foi o primeiro intérprete, compositor vitorioso, diretor de carnaval, candidato a vice-presidente em eleições gerais e, por fim, aclamado presidente de honra. Liderança expressiva do morro. Articulador social. Um sabiá, nosso griô. Ao longo dos anos recebeu milhares de pesquisadores, apaixonados e curiosos no acervo que construiu, mas as verdadeiras preciosidades eram as deliciosas histórias que relatava.

Djalma Sabiá não era um guardião da memória salgueirense, ele era o seu produtor. Foi através da construção dos sentidos de um passado que viveu que Sabiá nos ensinou o que o Salgueiro é. Este processo produtivo da memória em vermelho e branco se estende para muito além dos nove títulos, das revoluções e dos carnavalescos tão celebrados; o Salgueiro de Sabiá é aquele dos anônimos artistas populares que ainda vivem pois foram registrados em suas histórias tão gentilmente compartilhadas por décadas. É o Salgueiro da unidade de um morro que já encantava a cidade pela sua musicalidade, pelas suas festas, pela religiosidade que atraía visitantes e através dos carnavais se eternizou. É, fundamentalmente, o Salgueiro que existe para ser vivido e partilhado no dia a dia e somente assim pode ser compreendido.

Em novembro de 2020, o Sabiá descansou. Como um grande ancestral, o griô é eterno. Um ancestral é um antepassado, familiar ou não, que deixa uma herança espiritual na Terra contribuindo para evolução da comunidade ao longo de sua existência. Essa herança, deixada pelos ancestrais de um grupo social, atua tanto como forma de manutenção da força vital quanto para estabilização e coesão daquele grupo. Enquanto houver Salgueiro, produto direto da contribuição de seu Djalma, nosso baluarte viverá representando “a
saudade dos nossos bambas lá do céu”.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRUNO, Leonardo. Explode, coração: histórias do Salgueiro. Coleção
Cadernos do Samba. Rio de Janeiro: Verso Brasil, 2013
COSTA, Haroldo. Salgueiro, academia de samba. Editora Record, 1984.
HALBWACHS, Maurice. Memória Coletiva. Editora Vértice, 1990.
LOPES, Nei. Enciclopédia brasileira da diáspora africana. Selo Negro
Edições, 2014.
LOPES, Nei; SIMAS, Luiz Antonio. Dicionário da história social do samba.
Editora José Olympio, 2015.
LOPES, Nei; SIMAS, Luiz Antonio. Filosofias Africanas. Editora Civilização
Brasileira, 2020.
NATAL, Vinícius Ferreira. Cultura e Memória na Escola de Samba Acadêmicos
do Salgueiro. Mestrado em Antropologia). Universidade Federal do Rio de
Janeiro, 2014.

Mauro Cordeiro: Doutorando em Antropologia (UFRJ), Mestre em Ciências Sociais (PUC-Rio) e Licenciado em Ciências Sociais (UFRRJ). IG: @maurocordeiro90 TT: @maurocordeirojr

Comissão de frente da Portela inicia ensaios na Sapucaí

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A comissão de frente da Portela já começou os ensaios na Marquês de Sapucaí. Esta semana, o coreógrafo Manoel Francisco e sua equipe estiveram na Passarela do Samba para fazer o reconhecimento da área e marcar a coreografia que deve ser apresentada em cada cabine de jurado.

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Foto: Divulgação

Feliz com o andamento dos preparativos para o desfile de 2022, Manoel Francisco encara os ensaios no Sambódromo como a concretização do trabalho que foi planejado ainda durante o início da pandemia.

“Perceber que está se concretizando, de fato, e se materializando o trabalho do carnaval, é uma grande emoção. Porque teve um momento que não tínhamos garantia de absolutamente nada, trancados em casa nesse momento horroroso. Então, a excitação de estar trabalhando pra colocar carnaval em pé, é gigantesca! É um embrião, mas já viemos aqui fazer o reconhecimento de território que é importantíssimo! E bola pra frente, vamos colocar isso de pé!”, enfatiza o coreógrafo.

No próximo carnaval, Portela levará para a Avenida o enredo “Igi Osè Baobá”, desenvolvido por Renato Lage e Márcia Lage, que retrata a simbologia e a história dos baobás. A agremiação será a segunda escola a desfilar na segunda-feira de carnaval.

Confirmado! Secretário de Saúde diz que Rio de Janeiro atingirá índices que permitem realização do Carnaval 2022

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A 100 dias da festa mais tradicional da cidade do Rio, e em sua última audiência pública, a Comissão Especial de Carnaval da Câmara do Rio recebeu, nesta sexta-feira, representantes do Poder Público, das ligas de escolas de samba, dos blocos de rua e dos trabalhadores ambulantes. Na reunião, o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, afirmou que a cidade jáatingiu praticamente todos os indicadores apontados em um estudo apresentado por especialistas da Fiocruz e da UFRJ à comissão.

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Cidade está com uma das menores taxas de hospitalização desde o início da pandemia – Marcos de Paula/Prefeitura

Presidente da Comissão, o vereador Tarcísio Motta (PSOL) questionou Soranz sobre os indicadores epidemiológicos e os protocolos sanitários que serão usados pela Prefeitura do Rio para a realização do evento. O parlamentar apresentou os indicadores que foram propostos para um carnaval seguro na cidade. Entre eles o indicador de porcentagem de testes diagnósticos positivos, a taxa de contágio da cidade do Rio de Janeiro e a taxa de vacinação no Brasil, estados e municípios.

Em relação aos três índices, o Rio já conseguiu alcançar, no momento, a porcentagem de 3% de positivos sobre o total de testes, sendo que a meta a ser conquistada era de 5%. A taxa de contágio,que deve estar abaixo de 1, hoje é de 0,76. A cidade também conseguiu zerar a fila de internação para casos de síndrome respiratória aguda grave. Um outro indicador importante é a taxa de vacinação, que deve estar acima de 80% da população total. Atualmente, a cidade se encontra com um percentual de 76%, mas deverá alcançar, até o carnaval, o índice estabelecido.

Com o cenário atual, Daniel Soranz garantiu que há, na cidade do Rio de Janeiro, segurança sanitária para a realização da festa de Momo. “A cidade do Rio vem conseguindo reduzir os casos de Covid-19 e, nos casos de síndrome gripal, 97% são referentes a outras doenças não relacionadas à Covid-19”, explicou. No entanto, o gestor ressaltou que, qualquer mudança dos indicadores, a população será notificada e a Prefeitura irá retornar com as medidas mais restritivas.

O epidemiologista Roberto Medronho, da Faculdade de Medicina da UFRJ, considerou os indicadores positivos, mas mostrou-se preocupado com a população de fora do Rio. Para ele, a Prefeitura precisa exigir o passaporte vacinal de quem vier aproveitar o carnaval carioca. “A Prefeitura do Rio precisa deixar claro que exigirá o passaporte vacinal para quem adentrar ao município no Natal, Réveillon e carnaval”.

O secretário Soranz afirmou que a Prefeitura irá analisar o cenário em outros países. “A maioria dos países com muitos casos ainda não alcançou a cobertura vacinal adequada e não realizou a dose de reforço para idosos. No Rio, a cobertura vai aumentar nos próximos meses”, complementou. Soranz ainda revelou que a secretaria já cobrou que o Ministério da Saúde avalie a possibilidade de manutenção da exigência de passaporte vacinal dos estrangeiros.

Organização da festa

Outros três temas foram tratados também na audiência pública. A possibilidade de concessão de um auxílio emergencial para os trabalhadores dos barracões foi descartada pelo diretor de Operações da Riotur, Rafael Bandeira. A decisão foi lamentada pelo vereador Tarcísio Motta. “Os trabalhadores dos barracões passaram fome por causa da suspensão do carnaval durante a pandemia da Covid-19. Infelizmente, a Prefeitura do Rio fez o anúncio, mas não conseguiu implementar”.

Sobre o carnaval das escolas de samba, foi cobrada a realização de obras na Cidade do Samba 1 e a construção de um novo espaço, que se chamaria Cidade do Samba 2. Diretor-presidente da RioUrbe, Rafael Salgueiro explicou que, no momento, uma empresa trabalha na readequação de um projeto já existente para prevenir e combater incêndio nas instalações da Cidade do Samba 1. Para a Cidade do Samba 2, de acordo com Rafael Bandeira, da Riotur, ainda é preciso identificar o melhor terreno para abrigá-la.

Relatório final

Tarcísio Motta adiantou alguns pontos que deverão fazer parte do relatório final da comissão, que deverá ser lançado no dia 6 de dezembro. Uma das sugestões será que a Secretária Municipal de Saúde, junto com a Fiocruz, possa fazer uma campanha para conscientizar os trabalhadores dos barracões a se vacinarem e usarem máscaras. O parlamentar ainda defendeu a implementação de uma política permanente de incentivo aos blocos de rua e a distribuição paritária de recursos entre as diversas agremiações dos diversos grupos do carnaval carioca, incluindo as escolas mirins. “Queremos estar nas ruas, mas precisamos ter responsabilidade sanitária. O carnaval é um direito do cidadão, e o Poder Público tem o dever de garanti-lo”, concluiu o parlamentar.

Participaram também da audiência pública a vereadora Monica Benicio (PSOL), relatora do colegiado; Marcelo Salek, do Instituto Municipal de Vigilância Sanitária; Marcello Vianna, da Cet-Rio; o pesquisador Hermano Castro, da Fiocruz; Bruno Tete, diretor da Liga Independente do Grupo A do Rio de Janeiro; Antonio Gonçalves, representante da Liga Livres/RJ; Valéria Wright, representante da Liga Sambare; Dani Freitas, representante da Liga Coretos; o carnavalesco Milton Cunha e Paulo Cesar Xavier, presidente da Federação dos Blocos Afro do Rio de Janeiro.

Andrea de Andrade está de volta ao Carnaval do Rio: beldade agora brilha na Vila Isabel

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Conhecida por belíssimas passagens pela Marquês de Sapucaí entre 2006 e 2013, primeiro pela Mocidade e depois pela Vila Isabel, a influencer fitness Andrea de Andrade está de volta ao Carnaval do Rio, sob o manto azul e branco da escola do bairro de Noel Rosa.

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Foto: Divulgação

A gata, que é atentamente seguida por mais de 570 mil pessoas no Instagram, é a nova musa da agremiação da Zona Norte carioca. Ela já havia ocupado o posto em 2013, ano do último campeonato conquistado nas bandas da “Swingueira de Noel”.

Andrea foi recebida na quadra da Vila nesta quinta, onde participou do ensaio da escola para o Carnaval de 2022, em homenagem a Martinho da Vila. A gata vestiu um vestido azul, com direito à transparências, e usou joias de prata, em referência às cores do pavilhão.

Ela foi recebida pelo presidente Fernando Fernandes e pela musa Paula Bergamin, que também desfila pela Vila.

Canal Bis estreia série que homenageia compositores das escolas de samba

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O Canal Bis estreia nesta sexta-feira um programa que promete emocionar os apaixonados pelo carnaval carioca. “O Samba Me Criou” é uma série em quatro episódios que homenageia os compositores ligados às escolas de samba – desde os fundadores, do início do século passado, à geração mais recente, surgida nos últimos 20 anos.

Foto: Divulgação

O primeiro programa será dedicado ao Império Serrano. Na semana seguinte, virá o Salgueiro e, na sequência, a Mangueira. O último episódio, exibido no dia 10 de dezembro, vai reverenciar a Portela. A série marca a estreia na direção de Leonardo Bruno, que também assina o roteiro dos episódios.

A proposta da série é desvendar a linhagem de compositores ligada a cada agremiação, observando como essa herança deu frutos, que florescem até hoje. Afinal, a tradição dos poetas surgidos nas rodas da Portela, com forte sotaque rural, tem diferenças marcantes da turma que veio da Mangueira, com sua melancolia melódica. “O Samba Me Criou” reverencia nossos compositores a partir das cores (e sons) que norteiam suas obras.

“No primeiro programa, por exemplo, partimos dos ícones Silas de Oliveira, Mano Décio da Viola e Dona Ivone Lara, mostrando a importância desses três nomes para a música brasileira, com obras que são cantadas em qualquer roda de samba. Em seguida, trazemos a geração que bebeu nessa fonte, com Aluísio Machado, Beto Sem Braço e Arlindo Cruz. Por fim, chegamos a Pretinho da Serrinha e Arlindinho, os sambistas que hoje defendem com muita qualidade a imensa tradição da Serrinha”, explica Leonardo Bruno.

O programa do Salgueiro passa por nomes como Anescarzinho, Noel Rosa de Oliveira, Geraldo Babão, Nei Lopes, Bala e Almir Guineto, chegando a Xande de Pilares e Fred Camacho. No episódio da Mangueira, a narrativa disseca as obras de Cartola, Nelson Cavaquinho, Nelson Sargento, Hélio Turco, Padeirinho e Leci Brandão, trazendo Enzo Belmonte como representante da nova geração. No programa de encerramento, a seleção portelense traz Paulo da Portela, Candeia, Manacéa, Monarco, Paulinho da Viola, Noca da Portela, João Nogueira e Zeca Pagodinho, todos reverenciados pela atual estrela da azul e branco, Teresa Cristina.

Os programas trazem entrevistas com sambistas e especialistas no assunto, como Luiz Antônio Simas, Haroldo Costa, Helena Theodoro, Rachel Valença, Luís Carlos Magalhães, Nilcemar Nogueira e Marília Trindade Barboza, entre outros. Uma rica pesquisa de acervo traz à tona imagens raras de Nelson Cavaquinho no Buraco Quente, Zeca Pagodinho no início de carreira e Leci Brandão cantando em seus primeiros festivais.

“A ideia do programa é perpetuar as obras destes mestres, jogar luz sobre alguns nomes que andavam meio esquecidos e estimular as próximas gerações a perseguirem as linhagens de suas escolas. As agremiações do carnaval carioca têm uma produção musical fantástica e é preciso mostrar isso. Fico muito feliz pelo fato de colocar essa atração no ar pelo Bis, um canal que sempre valorizou a música brasileira”, diz Leonardo.

“O Samba Me Criou” vai ao ar no Bis (canal 620 na NET) sempre às sextas-feiras, a partir das 23h, com reprises nos seguintes horários: sábados, às 13h30m; segundas, à 1h e às 15h; terças, às 6h30m; quartas, às 11h30m; e sextas, às 19h. O programa é a uma produção da Lucky Play Content. Datas de estreia dos episódios: Império Serrano (19/11), Salgueiro (26/11), Mangueira (03/12) e Portela (10/12).

Dia da Consciência Negra contará com uma roda de samba em homenagem à Dona Ivone Lara

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As ruas e bares da Tijuca, Maracanã e Vila Isabel sempre foram palcos de diversas manifestações artísticas populares, incluindo as famosas rodas de samba, já que as regiões abrigam escolas de samba tradicionais do Rio de Janeiro, como a Mangueira, Unidos da Tijuca, Salgueiro, Vila Isabel e Império da Tijuca. Os bairros também entraram para a história das carreiras de diversos sambistas imortais: Cartola, Carlos Cachaça, Jamelão, Beth Carvalho, Nelson Sargento, Noel Rosa e entres outros baluartes. No dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, a partir das 14h, a Estácio Maracanã – na rua Morais e Silva, 40, na Tijuca – promoverá uma roda de samba para homenagear Dona Ivone Lara, unindo o movimento negro, a luta pelos direitos das mulheres e, logicamente, o samba.

roda ivone
Foto: Divulgação

A iniciativa faz parte do tributo à grande “Dama do Samba”, justamente no ano de seu centenário, no projeto Estátua de Brilho. Neste dia, além da roda de samba, será realizada a inauguração do super campus Estácio Maracanã, que apresentará ao público, pela primeira vez, a estátua de bronze de Dona Ivone Lara. Os tijucanos elegeram a sambista após um mês de votação que ocorreu por meio da internet. A roda de samba – evento aberto ao público e totalmente gratuito – será composta somente por cantoras negras que fazem parte do circuito carioca de samba da atualidade. Já confirmaram suas presenças André Lara (neto da Dona Ivone Lara) e Alex Ribeiro (filho do também músico Roberto Ribeiro), além de outros convidados.

Dona Ivone Lara, mulher negra da década de 20, foi a primeira cantora a assinar um samba-enredo e a fazer parte da ala de compositores de uma escola. Agora será uma das primeiras mulheres negras brasileiras a receber uma estátua de brilho em sua homenagem.

Vale ressaltar ainda que a atração será a primeira de muitas que o novo campus Estácio Maracanã vai proporcionar aos moradores do bairro da Tijuca e de toda a cidade do Rio de Janeiro.

“Nossa bandeira será fincada com uma estátua de bronze com o nome de uma joia rara, o que deixa a gente bem feliz, afinal de contas, a logomarca da Estácio também é uma joia: um diamante. A homenagem à Dona Ivone Lara vai valorizar ainda mais os nossos acervos e patrimônios, fortalecendo a história da Cidade do Rio de Janeiro”, afirma Eduardo Guedes, diretor de Marketing da Estácio.

Serviço:

Evento – Roda de samba e apresentação / inauguração da estátua de brilho de Dona Ivone Lara
ABERTO AO PÚBLICO E GRATUITO – AO AR LIVRE
Dia – 20 de Novembro – Dia da Consciência Negra
Hora – a partir das 14h
Local – Novo campus Estácio Maracanã
Endereço – Rua Morais e Silva, 40, na Tijuca

PARAÍSO DO TUIUTI: samba-enredo o Carnaval 2022

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Compositores: Cláudio Russo, Moacyr Luz, Júlio Alves, Alessandro Falcão e W. Correia Filho
Intérprete: Celsinho Mody, Grazzi Brasil e Carlos Jr.

Olodumarê mandou
Oxalá me conduzir pelo céu da liberdade
Me falou Orunmilá
Vai meu filho semear pelo mundo a humanidade
Nos caminhos de Exu
Me perdendo encontrei nua e crua essa verdade
Que a raiz do preconceito
Nasce do olhar estreito da cruel desigualdade
Sou Alabê gungunando o tambor
Trago cantos de dor, de guerra e de paz
Pra ver secar todo pranto nagô
E gritar por direitos iguais
Meu sangue negro que escorre no jornal
Inundou um oceano até a Pedra do Sal

Eh! Dandara!
A espada e a palavra eh!
Não vai ser escrava
Hei de ver noutras negras minas
Um baobá malê que nasceu do chão
Pra vencer a opressão com a força da melanina

Negro é cultura e saber
Ka ri ba ti yê caminhos de sol
Por onde Otelos, Stellas e Teresas de Benguela
Se fazem farol
Pra iluminar alafins
E morrer só de rir feito mil Benjamins
E cantar! Cantar! Cantar!…
A beleza retinta que veio de lá
E cantar! Cantar! Cantar!…
Pra saudar o meu orixá

Ogunhiê! Okê Arô!
Laroyê! Meu pai kaô
Tem sangue nobre de Mandela e de Zumbi
Nas veias do povo preto do meu Tuiuti

Nota: O intérprete Carlos Jr. está com o pé quebrado e não pode vir ao Rio de Janeiro para os últimos ensaios do Tuiuti.

Sossego: samba-enredo o Carnaval 2022

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Compositores: Diego Tavares (in memoriam), Marcelo Adnet, Junior Fionda, Marcelinho Santos, Thiago Martins, Yago Pontes, Diego Nogueira, Rod Torres, Deodônio Neto, Gabriel Machado e Paulo Beckham
Intérprete: Nino do Milênio

PAJÉ VOLTOU PARA CONTAR QUE O CÉU DESABOU
FUMAÇA TRAZIAM SAGRADAS VISÕES
NA DANÇA ANCESTRAL ME REVELOU
DAS ERVAS EVOCOU OS GUARDIÕES

XAPIRI ME PERDOE DO QUE NÓS FIZEMOS DE URIHI
XAPIRI ENSINOU A CUIDAR E VAMOS DESTRUIR
A RAZÃO ANCESTRAL EVOCOU SUA VOZ
SÓ NÃO DEIXE O MUNDO CAIR SOBRE NÓS

OMAMA ESCONDEU NA FLORESTA
PEDAÇOS DO CÉU CONTRA OS OLHOS DA AMBIÇÃO
A GANÂNCIA SENTE FOME
E O MAL QUE NOS CONSOME MATA O HOMEM E O QUINHÃO

XAMÃ CURA A TERRA DA GUERRA DA GENTE
DOS MITOS QUE DEIXAM A TRIBO DOENTE
ENFIM DESCERÁ DE UMA ESTRELA UM ÍNDIO GUERREIRO
DE PELE VERMELHA CABOCLO FLECHEIRO

OKÊ OKÊ ARÔ… ODÉ ODÉ
A JUREMA QUE DESMATA TEM A CURA E O AXÉ
OKÊ OKÊ ARÔ… ODÉ ODÉ
“APESAR DE VOCÊ” EU AINDA MANTENHO A FÉ

EU NÃO LARGO DA BATALHA… SOSSEGO
NOSSA ALDEIA NUNCA FALHA… AUÊ AUÊ
SACUDINDO A POEIRA DAS CINZAS VOU RENASCER

 

De volta ao Especial, Tucuruvi propõe reflexão sobre o carnaval

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De volta ao Grupo Especial de São Paulo, o Tucuruvi já toca sua preparação para o desfile em 2022. O site CARNAVALESCO visitou o ensaio de canto. A escola levará para o Anhembi o enredo “Carnavais…De lá pra cá o que mudou? Daqui pra lá o que será?”.

Rodrigo Delduque, diretor de carnaval, comentou a volta dos ensaios. “O sentimento era de saudade. Voltar a fazer o que sempre fizemos, com amor, dedicação. Estamos nos preparando para a volta triunfal. Nossa programação será toda quinta e sábado”.

Intérprete oficial do Tucuruvi, Leonardo Bessa, falou do entrosamento com a bateria. “É uma alegria muito grande. Passamos mais de um ano sem contato com as pessoas que gostamos tanto. Poder voltar é a certeza que tudo voltará ao normal. Vamos fazer o carnaval da melhor maneira possível. A Tucuruvi está preparada. O nosso samba é um grito de alerta para o povo do carnaval e do samba. Fizemos um desfile de alto nível em 2020, a sintonia é perfeita do carro de som e bateria”.

Diretor harmonia, Gabiru, ressaltou a vontade dos componentes da escola. “A gente já está trabalhando com máscara. Estamos seguindo os protocolos. Temos que estar preparados para tudo. O componente está consciente. Se tiver que desfilar com máscara vamos cumprir. Nossa comunidade está com muita vontade e energia. Será um ano em que a comunidade vai agregar ainda mais. Podem esperar um canto forte e alegre. O samba e o enredo pedem”.

Comadante da bateria do Zaca, mestre Serginho explicou o sentimento da volta dos ensaios com os ritmistas. “As pessoas estão muito animadas. Tivemos bastante calma para trabalhar o samba e fazer os arranjos. Vamos levar três bossas para Avenida. Será uma sequência, como fizemos em 2020. A expectativa é grande. Estou em casa com essa comunidade. A bateria é uma família”.

Para o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Luan Caliel e Waleska Gomes, revelou que não parou de ensaiar.

“É sinal de superação. Passamos por tudo isso e estamos aqui. É um encontro, renascimento. Estamos novamente com nosas famílias. A nossa preparação sempre foi bem intensa. Mesma na pandemia, a gente não parou, apenas reduzimos. O condiciamento ainda não é o mesmo de 2020, mas já estamos desde julho no Anhembi e seguindo no trabalho para conseguirmos o melhor resultado para escola. O que posso dizer da fantasia é que o nosso carnaval é passado, presente e futuro”, citou a porta-bandeira.

“A pandemia foi difícil para todo mundo. Dançar é muito importante para gente. Reencontrar a comunidade e conversar é maravilhoso. Sentir o nosso clima. O ensaio é também para o psicológico. Já estamos com entrosamento legal, a coreografia acertamos algumas coisas e podem esperar um ano muito melhor. Vamos abrir o carnaval com tudo. Nossa fantasia é imponente”, completou o mestre-sala.

VEJA FOTOS DO ENSAIO

BEIJA-FLOR: samba-enredo o Carnaval 2022

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Compositores: J. Velloso, Léo do Piso, Beto Nega, Júlio Assis, Manolo e Diogo Rosa
Intérprete: Neguinho da Beija-Flor

A NOBREZA DA CORTE É DE ÉBANO
TEM O MESMO SANGUE QUE O SEU
ERGUE O PUNHO, EXIGE IGUALDADE
TRAZ DE VOLTA O QUE A HISTÓRIA ESCONDEU
FOI-SE O ACOITE, A CHIBATA SUCUMBIU
MAS VOCÊ NÃO RECONHECE O QUE O NEGRO CONSTRUIU
FOI-SE O ACOITE, A CHIBATA SUCUMBIU
E O MEU POVO AINDA CHORA PELAS BALAS DE FUZIL
QUEM É SEMPRE REVISTADO É REFÉM DA ACUSAÇÃO
O RACISMO MASCARADO PELA FALSA ABOLIÇÃO
POR UM NOVO NASCIMENTO, UM LEVANTE, UM COMPROMISSO
RETIRANDO O PENSAMENTO DA ENTRADA DE SERVIÇO

VERSOS PARA CRUZ, CONCEIÇÃO NO ALTAR
CANINDÉ JESUS, Ô CLARA!!
NOSSA GENTE PRETA TEM FEITIÇO NA PALAVRA
DO BRASIL ACORRENTADO, AO BRASIL QUE NÃO SE CALA

VERSOS PARA CRUZ, CONCEIÇÃO NO ALTAR
CANINDÉ JESUS, Ô CLARA!!
NOSSA GENTE PRETA TEM FEITIÇO NA PALAVRA
SOU O BRASIL QUE NÃO SE CALA

MEU PAI OGUM AO LADO DE XANGÔ
A ESPADA E A LEI POR ONDE A FÉ LUZIU
SOB A TRADIÇÃO NAGÔ
O GRÊMIO DO GUETO RESISTIU
NADA MENOS QUE RESPEITO, NÃO ME VENHA SUFOCAR
QUANTAS DORES, QUANTAS VIDAS NÓS TEREMOS QUE PAGAR?
CADA CORPO UM ORIXÁ! CADA PELE UM ATABAQUE
ARTE NEGRA EM CONTRA-ATAQUE
CANTA BEIJA-FLOR! MEU LUGAR DE FALA
CHEGA DE ACEITAR O ARGUMENTO
SEM SENHOR E NEM SENZALA, VIVE UM POVO SOBERANO
DE SANGUE AZUL NILOPOLITANO

MOCAMBO DE CRIOULO: SOU EU! SOU EU!
TENHO A RAÇA QUE A MORDAÇA NÃO CALOU
ERGUI O MEU CASTELO DOS PILARES DE CABANA
DINASTIA BEIJA-FLOR!