A Acadêmicos do Grande Rio segue firme na preparação para o Carnaval 2026, apostando na continuidade de um método de trabalho que tem rendido resultados expressivos à escola de Duque de Caxias. Em entrevista ao CARNAVALESCO, o diretor de carnaval Thiago Monteiro falou sobre o desenvolvimento do enredo “A Nação do Mangue” e destacou a tranquilidade da agremiação mesmo com a estreia de Antônio Gonzaga como carnavalesco solo no Grupo Especial do Rio.
Gonzaga assume o comando artístico após atuar como assistente de Gabriel Haddad e Leonardo Bora durante parte da vitoriosa passagem da dupla pela tricolor caxiense, além de ter trabalhado na Portela com André Rodrigues. Segundo Thiago, essa trajetória faz com que não haja uma ruptura estética ou metodológica no trabalho da escola, garantindo a manutenção de um padrão já consolidado.
“O Gonzaga é um cara muito organizado, assim como a Grande Rio. Temos um cronograma que é como um trilho. Dentro desse trilho, a mudança estética não é tão grande, porque o Gonzaga já bebeu bastante da fonte do Gabriel e do Leo como assistente. Não existe uma ruptura total”, afirmou o diretor.
De acordo com Thiago Monteiro, a Grande Rio consolidou ao longo dos últimos anos uma forma própria de planejar e executar seus projetos carnavalescos, o que permite que as transições de profissionais aconteçam de maneira segura e estruturada. O cumprimento rigoroso do cronograma é apontado como um dos pilares desse processo.
“O planejamento e o cronograma estão sendo cumpridos de forma muito parecida, o que nos dá mais tranquilidade. Hoje, independente do profissional que esteja na escola, a Grande Rio tem uma forma de fazer o seu trabalho, uma metodologia de como implementar o seu projeto”, completou.
Com o enredo “A Nação do Mangue”, a escola aposta na continuidade de uma identidade artística e organizacional que se tornou marca registrada da agremiação nos últimos carnavais. A confiança no processo, segundo a direção, é fundamental para que a Grande Rio siga competitiva e forte na disputa do Grupo Especial, mantendo o alto nível que a colocou entre as protagonistas recentes da Sapucaí.
O Carnaval de Vitória deu um passo importante rumo aos desfiles de 2026. Todos os sambas-enredo das escolas filiadas à Liesges, liga responsável pela organização das agremiações, já estão disponíveis nas principais plataformas musicais. A iniciativa marca um feito inédito na folia capixaba: pela primeira vez, todos os sambas do carnaval foram distribuídos de forma massiva nas redes digitais, ampliando o alcance e a visibilidade.
O álbum reúne as obras que embalarão os desfiles no Sambão do Povo e conta com produção musical do músico carioca Rafael Prates. A distribuição ficou a cargo da editora Street Music, que já possui experiência consolidada no universo do samba e do carnaval, com trabalhos realizados junto à Liga RJ e à Superliga, no Rio de Janeiro, além da UESP, em São Paulo.
Após resultados expressivos no cenário carioca, a chegada da Street Music ao carnaval de Vitória tem como objetivo impulsionar ainda mais a festa capixaba, que vem crescendo em estrutura, qualidade artística e projeção nacional a cada ano. A presença dos sambas nas plataformas digitais permite que as obras alcancem um público mais amplo, ultrapassando as fronteiras do Espírito Santo e fortalecendo a identidade musical das escolas.
O projeto já apresenta números positivos, com altos índices de acesso e compartilhamento nas redes sociais, reforçando o potencial do Carnaval de Vitória no ambiente digital. A disponibilização antecipada dos sambas também contribui para o engajamento do público e para a valorização do trabalho de compositores, intérpretes e comunidades, consolidando mais um avanço na profissionalização e na difusão do carnaval capixaba.
O universo do audiovisual, da música e do carnaval se encontram no clipe “Meu Nome é Maalum”. A produção marca o início da parceria entre a produtora Pé de Moleque Filmes e os Pimpolhos da Grande Rio, que em 2026 levarão Maalum para a avenida. A música é assinada por Ifátókí, Mayra Freitas e Yaya do Cavaco, artistas que traduzem em versos e melodia a força simbólica e representativa de Maalum. A direção do clipe é de Victor Fiuza e Magna Domingues, com produção da Pé de Moleque Filmes.
As gravações foram realizadas no barracão dos Pimpolhos da Grande Rio, e todo o elenco é formado pelas crianças da escola mirim, reforçando a autenticidade, a potência coletiva e o vínculo direto com o universo do samba. Esse projeto só foi possível por que foi financiado com pela Lei Paulos Gustavo/SECEC.
Mais do que um lançamento musical, “Meu Nome é Maalum” representa um gesto de afirmação cultural, identidade e pertencimento, unindo cinema, infância, música e carnaval em um mesmo projeto artístico e social. O clipe traduz, em imagens, a energia da comunidade, a força das tradições e o protagonismo das novas gerações.
A estreia do clipe acontece em clima de celebração, abrindo oficialmente o caminho para o Carnaval de 2026, quando os Pimpolhos irão cantar Maalum na avenida, ampliando ainda mais o alcance dessa história.
O governador Cláudio Castro decretou, nesta sexta-feira, o reconhecimento dos desfiles das escolas de samba como Patrimônio Cultural do Estado do Rio de Janeiro. A medida, publicada no Diário Oficial, consolida o espetáculo como símbolo da identidade cultural fluminense e reforça o Carnaval como política permanente de valorização cultural, geração de empregos e desenvolvimento econômico.
“O Carnaval é a maior expressão cultural do país. Reconhecer os desfiles como patrimônio é garantir proteção, valorização e respeito a uma tradição que movimenta a economia, gera empregos e leva o nome do Rio de Janeiro para o mundo”, afirmou o governador.
Com o decreto, os desfiles passam a integrar oficialmente o conjunto de bens culturais protegidos pelo Estado, assegurando respaldo institucional às escolas de samba, aos profissionais do setor e a toda a cadeia produtiva envolvida na realização do espetáculo.
Na prática, o reconhecimento como Patrimônio Cultural fortalece a segurança jurídica para ações de fomento, preservação da memória e apoio continuado às escolas de samba. A medida amplia a base legal para investimentos públicos, parcerias institucionais e políticas de valorização profissional.
Além disso, o decreto contribui para a preservação dos saberes tradicionais do samba e consolida o Carnaval como um ativo estratégico do Estado, tanto do ponto de vista cultural quanto econômico.
Investimentos, turismo e impacto econômico
O Carnaval de 2025 contou com um investimento histórico de R$ 90 milhões do Governo do Estado, o maior já realizado. O aporte resultou em recorde de turistas, fortalecimento do turismo, estímulo à cultura e impacto direto na economia fluminense.
-Tivemos recorde de turistas, fomentando turismo, cultura, economia e empregos. O Carnaval é desenvolvimento, é oportunidade e é orgulho para o Rio de Janeiro – destacou o governador.
O Estado do Rio registrou um impacto positivo de R$ 6,5 bilhões na economia durante o período do Carnaval. O fortalecimento da folia também se traduziu em geração de trabalho e renda. Dados da Divisão de Economia e Inovação da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo mostram que as vagas temporárias para o Carnaval no estado cresceram 8,6% em 2025.
O período também impulsionou o empreendedorismo fluminense. Entre janeiro e o início de fevereiro de 2025, foram criados mais de 2,1 mil novos empreendimentos ligados direta ou indiretamente ao Carnaval no Rio de Janeiro.
A estimativa, com base em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, é que a festa tenha gerado cerca de 70 mil empregos, beneficiando principalmente os setores de comércio, serviços e turismo.
As raízes do samba ganham lugar de honra na Sapucaí com o projeto inédito do Camarote Rio Praia: Rodas de Samba. Para o Carnaval 2026, o camarote apresenta uma celebração autêntica da essência do gênero, levando para a avenida algumas das casas de samba mais representativas do Rio, espaços que preservam a tradição nascida nos quintais, nas rodas de amigos e nas ruas que moldaram a história do samba. Guiado pela ideia de que o samba nasce da convivência e da alma do povo, o Rio Praia convidou cada casa a comandar as seis noites de folia, trazendo sua identidade, sua roda e a energia que move seus frequentadores durante todo o ano.
“Se o samba nasce na raiz, é na Sapucaí que ele floresce”, resume o conceito do projeto. Com isso, o Rio Praia reafirma sua missão de valorizar não apenas a festa em si, mas também os elementos que sustentam o estilo musical: suas tradições, intérpretes, instrumentistas e as rodas que mantêm o ritmo vivo todos os dias. Com apresentações que unem escolas de samba, músicos, público e influenciadores, o camarote promete noites únicas e cheias de personalidade: cada casa traz sua roda; cada roda, uma história; cada história, um encontro entre a origem do samba e o maior espetáculo do planeta.
Sob curadoria dos músicos Nanda Monteiro e Rodolfo Marques, sócios do Grupo Confraria Carioca, a programação destaca a potência das rodas mais marcantes da Cidade Maravilhosa.
Programação das Rodas de Samba:
• Sexta-feira (13/02) Quintal da Lapa convida Grupo Confraria Carioca
• Sábado (14/02) Quadra do Cardosão convida Samba da Alvorada
• Domingo (15/02) Samba dos Guimarães convida Grupo Confraria Carioca
• Segunda-feira (16/02) Samba do JB convida Casa de Marimbondo
• Terça-feira (17/02) Samba Redentor convida Grupo Confraria Carioca
• Sábado das Campeãs (21/02) Base do Samba convida o Grupo S.E.R. – Samba Enredo de Raiz, em uma noite especial ao lado dos intérpretes oficiais das grandes escolas de samba: Pit de Menezes — Imperatriz Leopoldinense Dowglas Diniz — Mangueira Evandro Malandro — Acadêmicos do Grande Rio Emerson Dias — Unidos de Niterói Igor Sorriso — Salgueiro
Além das emblemáticas Rodas de Samba, o Camarote Rio Praia confirma um line-up com grandes nomes da música brasileira para os shows principais de 2026: Xande de Pilares (13/02), Thiago Martins (14/02), Arlindinho e Thiago Soares (15/02), Pixote (16/02), Tiee (17/02) e Belo (21/02).
Com uma das estruturas mais completas da Sapucaí, o Rio Praia está localizado entre os setores 8 e 10, com vista privilegiada para o 2º recuo da bateria. O espaço oferece open bar premium, buffet assinado por chef, transfer exclusivo, ambiente climatizado, banheiros privativos, DJs, área beauty, customização de abadás, área VIP, lounge corporativo e o meeting point oficial no Pestana Rio Atlântica, em Copacabana.
O camarote reafirma sua posição como um espaço onde o samba é celebrado com respeito, protagonismo e orgulho. Em 2026, mais do que uma experiência premium, o Rio Praia exalta a cultura que moldou o Carnaval carioca e segue emocionando gerações.
Rio Praia 2026: onde a raiz do samba encontra a Sapucaí. Onde a roda vira espetáculo. Onde o samba é rei!
Serviço: Localização: setores 8 e 10 da Sapucaí, de frente para o 2º recuo da bateria Site oficial:https://camaroteriopraia.com.br Link de venda: ingresso.camaroteriopraia.com.br Central de vendas: (21) 99994-3632 Instagram: @camaroteriopraia
Um dos nomes mais emblemáticos dentre os de baterias na cidade de São Paulo pertence à Unidos de Vila Maria. Durante o período em que foi comandada por Rodrigo Moleza, o grupo de ritmistas da agremiação foi, inclusive, rebatizado: a antiga Raiz Verdadeira ganhou o nome de Cadência da Vila. O antigo comandante, entretanto, foi para o Águia de Ouro. Agora sob o comando de mestre Marcel Bonfim, entretanto, ele garante que pouca coisa vai mudar. Em entrevista ao CARNANVALESCO no lançamento do enredo da Unidos de Vila Maria para o Carnaval 2026, “Do chão que alimenta a culinária que encanta: Brasil um banquete de sabores“, o novo comandante da Cadência da Vila falou sobre o que será mantido e quais serão as mudanças em relação ao antigo mestre.
A escolha pelo substituto de Rodrigo Neves, popularmente conhecida como Moleza, foi quase que óbvia na Unidos de Vila Maria. Depois de treze anos à frente dos ritmistas, Moleza foi para o Águia de Ouro e deixou mestre Marcel Bonfim como novo mestre da bateria da Unidos de Vila Maria – ele que estava no Morro da Casa Verde e era um dos diretores tidos como braço-direito do agora comandante da Batucada da Pompeia.
Marcel destacou que o grosso do trabalho segue o mesmo, mas haverá alguns ajustes: “A gente vai colocar um pouquinho do nosso tempero. O trabalho vai continuar com o mesmo legado. A gente vai colocar um pouquinho da nossa identidade, um pouquinho mais para frente – mas não vai ser muita coisa. A gente também trocou algumas polegadas de surdo para dar um grave mais aflorado, é importante destacar isso. Mas, no geral, a gente vai seguir nessa linha”, comentou.
Felicidade pelo posto
Ao destacar como se sente chegando ao posto de comandante da Cadência da Vila, mestre Marcel não escondeu a felicidade: “É uma alegria muito grande assumir o comando da Cadência da Vila. Eu cheguei aqui em 2012 e, ao longo desses anos, a gente fez o trabalho junto com o Moleza. E, agora, a escola optou para que eu faça parte da escola como mestre de bateria, para cuidar da Cadência da Vila. A gente vai seguir o legado que foi deixado”, finalizou.
Com o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, desenvolvido pelo carnavalesco Tiago Martins e pelo enredista Igor Ricardo, a Acadêmicos de Niterói levará para a avenida, em 2026, uma homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O enredo da atual campeã da Série Ouro e estreante no Grupo Especial gerou enorme repercussão dentro e fora do mundo do carnaval. O CARNAVALESCO conversou com os segmentos sobre a homenagem que será feita ao presidente Lula. Felizes com a homenagem, os componentes da Acadêmicos de Niterói ressaltaram o legado do homenageado.
Wallace Palhares ressalta a importância dos programas sociais
Presidente da Acadêmicos de Niterói, Wallace Palhares defendeu a escolha do enredo e citou a própria trajetória como reflexo das políticas de Lula. “Eu cresci na favela do Fumacê, em Realengo, e tive a oportunidade de estudar graças aos programas sociais do governo Lula. Nada mais justo do que exaltar quem fez isso por milhares de brasileiros”.
Carnavalesco: enredo servirá de ensinamento para a sociedade
O carnavalesco da escola, Tiago Martins, acredita que o enredo servirá de ensinamento para a sociedade. “Eu acredito que o carnaval está aí para ensinar. Muitas vezes, o que a gente leva para a Sapucaí cai até em prova do Enem, porque os professores trabalham em cima dessas pautas”.
“Acredito que esse enredo vai ensinar muita gente. E, de repente, aquelas pessoas que são contra ou têm um pensamento diferente podem compreender um pouco mais por meio do desfile. Claro, de uma forma carnavalizada, mas que leva mensagem. Não tenho dúvidas de que a Niterói vai estar na Sapucaí para dar uma aula para essa galera”, completou.
Branco Ribeiro diz que a vida da família mudou após governos Lula
Em sua estreia na Acadêmicos de Niterói, o mestre de bateria Branco Ribeiro também comentou sobre mudanças em sua vida após os mandatos do presidente Lula. “Eu tenho 31 anos, e a vida da minha família mudou depois dos mandatos do Lula, assim como acredito que a vida de milhares de brasileiros também. Independentemente de posição política ou de instabilidade que o país possa viver, ele foi a pessoa que deu ao Brasil, principalmente à classe mais baixa, o poder de conquistar coisas novas, de alcançar espaços que antes eram restritos apenas a quem tinha condição financeira”.
“A questão política é muito particular, assim como a questão religiosa. A gente precisa estar aberto, entender e respeitar todas as opiniões, independentemente de quais sejam”, salientou.
‘Nossas vidas foram marcadas pelo governo Lula’, diz coreógrafo
O coreógrafo Handerson Big, que fará dupla com Marlon Cruz no comando da comissão de frente da escola, também ressaltou o legado de Lula para a sociedade. “Para mim e para o Marlon, não poderia existir presente maior do que estrear no Grupo Especial justamente representando o presidente Lula, porque as nossas vidas foram marcadas pelos governos dele. Eu não peguei muito os programas como o Prouni, porque sou de um tempo um pouquinho anterior. Já o Marlon pegou. Mas, de toda forma, os primeiros governos dele significaram uma melhora de vida primordial para a gente”, disse Handerson.
“Representar o Lula é um presente. E a gente espera que o nosso trabalho conscientize o brasileiro. A função da nossa comissão de frente é justamente essa: mostrar que nós somos o povo, a parte trabalhadora do país. É importante lembrar que o Lula não vai ser eterno. Então precisamos pensar sempre em pessoas e políticos que, assim como ele, governem pelo povo e para o povo”, completou.
‘Quem é do samba dá valor às oportunidades que o Lula possibilitou ao povo pobre’, diz porta-bandeira
Porta-bandeira da escola, Thainara Matias lembrou que a história do presidente ecoa no coração do samba: “Quem é do samba geralmente vem de muita luta, da periferia, e dá valor às oportunidades que o Lula possibilitou ao povo pobre. Eu sou cria do morro, meus pais não tiveram a chance de estudar, e graças a políticas públicas pude me tornar mestre em Educação. Muitos sambistas vão se reconhecer nessa história”.
‘Assim como vai ter um para atacar, vão ter dez para defender’, diz Emerson Dias
Também estreante na escola, o intérprete Emerson Dias afirmou que considera a homenagem “justíssima”. “Independentemente do cargo que ele ocupa, foi um trabalhador que veio do Nordeste, do Agreste, batalhou para chegar onde chegou. Alcançou a Presidência, o posto mais alto do nosso país, e nos representa. Representa muitos brasileiros”.
Emerson também comentou sobre as possíveis represálias que o enredo pode receber por parte dos críticos ao presidente Lula. “O que seria do amarelo se todo mundo gostasse do azul? Acho que quem está na chuva é para se molhar. A nossa questão aqui é fazer Carnaval, independentemente da ideologia de cada um. Cada um tem a sua ideologia, faz parte. Assim como vai ter um para atacar, vão ter dez para defender”, disse.
O diretor de Harmonia da Niterói, Marcelinho Emoção, afirmou que “a história do presidente fala por si: de onde ele veio, o que ele se tornou, a liderança que exerce hoje. Não precisamos nem falar muito do Lula, porque a trajetória dele já mostra quem ele é, de trabalhador nordestino a líder mundial”.
Primeira a desfilar no domingo de carnaval, a Azul e Branca da Cidade Sorriso levará para a avenida o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. O tema será desenvolvido pelo carnavalesco Tiago Martins e pelo enredista Igor Ricardo.
Desde 2016, o pesadíssimo pavilhão do Rosas de Ouro é defendido por Isabel Casagrande, já histórica porta-bandeira da agremiação. Há, entretanto, uma peculiaridade no quesito na agremiação: as mudanças de nomes para compor o quesito. Desde 2024, Uilian Cesário carrega tal responsabilidade – e a parceria já trouxe um grande fruto: o título do Grupo Especial de 2025, com “Rosas de Ouro Em Uma Grande Jogada”. A reportagem do CARNAVALESCO conversou com a dupla para falar sobre a parceria entre ambos na final de samba-enredo do Rosas de Ouro para o Carnaval 2026.
Há mais de três décadas no Rosas de Ouro, Isabel Casagrande possui plena confiança de toda a agremiação. Ela própria foi a responsável por escolher o novo profissional: “A escola me deixa com total liberdade para eu escolher um mestre-sala. Não são eles que escolhem: eu quem escolhi. Na época, o Everson acabou saindo, eu fui atrás de um mestre-sala e fiz o convite para ele, que estava disponível. Foi uma grata surpresa ele ter aceitado. Estamos indo para o terceiro ano e a nossa sincronia, a cada ano, vai ficando melhor. Tudo que você faz repetidamente com amor dá certo. A gente está indo pelo caminho certo, está tudo certo”, comentou.
Ela fez questão de exaltar o antigo parceiro: Everson Sena, com quem bailou entre 2020 e 2023 – e que, no ciclo carnavalesco de 2025, chegou ao Camisa Verde e Branco. De 2016, quando se tornou a primeira porta-bandeira, Isabel também dançou com Marcos Eduardo (entre 2016 e 2018) e com Edgar Carobina (em 2019). Com Uilian Cesário renovado, ele chegará ao terceiro ano na Roseira – e se empatará com os dois primeiros parceiros de Isabel como o companheiro que mais dançou com o histórico nome azul e rosa.
Uilian, além de confirmar o convite, deu a visão dele sobre a chamada de Isabel: “O convite para vir para o Rosas veio de uma forma muito gentil: através da própria Isabel. Eu confesso que eu não tinha expectativa de voltar a dançar por conta da minha breve passagem, pela minha curta história. Eu imaginei que eu, basicamente, tinha vivido esse sonho e tinha, de fato, realizado essa grande conquista. Mas a vida é muito maluca e acabou me surpreendendo, surpreendendo todos os meus amigos, toda a minha família. E a Isabel me chamou para uma conversa cara a cara e deixou claro o interesse em estar fazendo parte enquanto casal para o então próximo desfile – que, no caso, era o de 2024. Foi um carnaval muito especial enquanto sincronia, enquanto união, enquanto parceria”, destacou.
União
O mestre-sala destacou o quanto a cumplicidade com Isabel está em alta: “A gente tem aprendido dia a dia a ser, basicamente, o que o outro precisa – basicamente, um complemento: não só na dança, mas na vida, também. Parte das nossas conversas são falando de pista, desfile, fantasia e coreografia; mas, hoje, acho que a gente conseguiu encontrar um espaço seguro e confortável para também falar do Uilian e da Isabel fora da quadra. Esse é um dos pontos principais para que a gente consiga crescer enquanto pessoa e enquanto profissional, enquanto amigos, enquanto casal de mestre-sala e porta-bandeira, também. É engraçado porque, ao longo da minha construção, ao longo da minha preparação, ainda um pouco mais jovem, eu ouvia que o casal de mestre-sala e porta-bandeira é, basicamente, um casal de marido e esposa. Hoje eu valido essa informação que me passaram – e eu tenho certeza de que o bom resultado, o bom trabalho apresentado, com certeza, tem como ingrediente a confiança, a harmonia, a paz e uma troca sensível e humana entre duas pessoas”, afirmou.
Trabalho árduo
O título veio apenas no segundo ano da dupla, e o mestre-sala destaca que é possível melhorar ainda mais: “Esse trabalho está acontecendo, a gente tem aprendido, tem errado bastante, tem acertado bastante e não estamos confortáveis com a nota desse último desfile. São muitas coisas a serem questionadas e entendidas a partir dos olhos dos jurados. É, basicamente, catar os caquinhos que ficaram ao longo do caminho e tentar construir um castelo próspero e feliz. A gente está tentando fazer isso da melhor maneira possível, com muito empenho, dedicação e amor”, finalizou.
Citadas por Uilian, em 2025, a dupla teve uma nota 10, duas 9.9 e um 9.8. Já em 2024, foram três 10 e um 9.9.
O Barroca Zona Sul foi uma das escolas que mais mexeu com o público durante o ciclo carnavalesco para os desfiles de 2025. Embalado pelo arrasa-quarteirão samba “Os Nove Oruns de Iansã” (vencedor do Estrela do Carnaval, organizado e concedido pelo CARNAVALESCO, na categoria “melhor samba-enredo de 2025”), a agremiação teve problemas com o segundo carro alegórico – resultando na décima segunda colocação do Grupo Especial, a última antes do grupo de escolas que são rebaixadas para o Grupo de Acesso I. Esse, entretanto, não foi o único ponto da verde e rosa a ser penalizado na apuração.
Para falar sobre questões relativas aos sambas-enredo da agremiação e também sobre os quesitos estéticos da Faculdade do Samba, Ewerton Rodrigo Ramos Sampaio, popularmente conhecido como Cebolinha, falou com a reportagem do CARNAVALESCO pouco depois da gravação do clipe do samba-enredo do Barroca Zona Sul de 2026, que embalará o desfile de “Oro Mi Maió Oxum”, assinado pelo carnavalesco Pedro Alexandre, popularmente conhecido como Magoo.
Tradição musical
Há anos, o Barroca é elogiado pela qualidade dos sambas-enredo que leva para a avenida. Se a canção de 2025 “furou a bolha”, temporadas anteriores já marcavam ótimas obras da agremiação do Jabaquara. Cebolinha destacou que tal identidade é fruto de uma construção de uma década: “Referente à questão do samba, a gente já tem um time de compositores formado. Ao longo do tempo, grandes sambas vêm sendo aclamados e estão acontecendo no Barroca Zona Sul. Desde 2015, o Barroca vem trazendo grandes sambas para a avenida. Em 2025, foi um samba fora da casinha. A gente só deu sequência, a gente quer sambas no mesmo nível. O samba de 2026 também já aconteceu, também. Estamos no caminho certo”, comemorou.
Foto: Will Ferreira/CARNAVALESCO
Vale destacar que o ano citado por Cebolinha coincide com a temporada em que ele começou a presidir a escola, sucedendo Gerado Sampaio Neto, popularmente conhecido como Borjão, pai dele próprio e tido como um dos grandes baluartes da história verde e rosa e do carnaval paulistano como um todo.
Empolgação verde e rosa
Para 2026, de acordo com Cebolinha, a comunidade da Faculdade do Samba virá no mesmo ritmo que nos anos anteriores: “A comunidade já vem muito empolgada com o samba para 2026! Todos vêm acompanhando e vêm trabalhando muito em cima desse samba, todos estão bastante contentes. O resultado disso tudo virá na pista, como a gente fala. Em 2025, a gente acertou em muita coisa. No dia, acabou tendo uma fatalidade que aconteceu e o resultado não veio a ser melhor. Mas, claro, vamos trabalhar para isso não acontecer no próximo ano”, disse.
Quesitos estéticos
Se pontos de avaliação ligados ao samba-enredo estão em alta no Barroca Zona Sul, os que dependem de imagens vêm sendo penalizados pelos jurados. Desde 2014, até onde foi possível para a reportagem pesquisar os mapas completos de notas da agremiação, a Faculdade do Samba não consegue gabaritar os quesitos Alegoria e Fantasia.
Para explicar com riqueza detalhes o próprio pensamento, Cebolinha preferiu destrinchar cada um dos itens de julgamento: “Falando primeiramente do quesito alegoria, para mim, foi um dos conjuntos mais bonitos do carnaval. A gente perdeu só um décimo de alegoria, no caso, referente à batida do carro. Na realidade, a gente trouxe a nota – a batida que nos fez ser despontuados”, comentou.
O outro ponto, obviamente, também foi abordado por Cebolinha: “Em relação ao quesito Fantasia, é o que a gente fala: é um cuidado muito grande. A escola, visualmente, melhorou muito. A gente está falando de 1.500, 2.000 pessoas. Às vezes, pode acontecer de um adereço cair… é uma questão que acontece às vezes, uma fatalidade. A escola está trabalhando muito bem em cima da parte plástica, o visual da escola está cada vez melhor e a tendência, pode esperar, é que, em 2026, a parte plástica vai surpreender muita gente”, finalizou.
No quesito Alegoria, o Barroca perdeu um décimo na primeira cabine de jurados (que foi descartado por ter sido a nota mais baixa no conjunto de avaliações); já em Fantasia, foram dois décimos perdidos: um no segundo e outro no terceiro módulo.
Foi cantando “Eu sou a água, sou a terra, sou o ar, sou Portela” que a menina Victória Campos, com apenas 8 anos, estreou oficialmente na Sapucaí com a sua escola do coração. Levada à escola pela mãe, Vick, como é carinhosamente conhecida na Portela, vai, em 2026, para o seu terceiro ano consecutivo como musa da comunidade. Mas, assim como uma águia, ela sonha voos maiores.
“Eu cheguei à Portela através da minha mãe. Com 7 anos, ela era da bateria Tabajara do Samba. Eu não podia desfilar ainda porque a minha idade não permitia, mas eu vinha ao lado dela com roupa de passista, com florzinha na cabeça e tudo. Em 2008, com 8 anos, eu desfilei pela primeira vez na Ala das Crianças. Depois entrei no projeto social. Desfilei na Ala de Passistas em 2009, pelo primeiro ano como passista, e fui até 2023. Em 2023, tive a honra de participar do concurso da Corte do Carnaval pela Portela, por isso fui consagrada musa da comunidade e agora estou indo para o meu terceiro ano como musa e irei concluir meu 19º ano como comunidade da Portela ao todo”, contou Vick.
Vick, que também é estudante de nutrição, está sempre ao lado das passistas da escola, que antes eram suas parceiras de ala, mas continuam no dia a dia da musa. Além disso, ela não esconde a admiração e as referências que tem por outras estrelas do carnaval, também oriundas de alas de passistas.
“Eu carrego, claro, o legado da minha eterna coordenadora, Nilce Fran, que faz tudo com aquela delicadeza, aquela classe. Também da minha rainha de bateria, Bianca Monteiro, que é uma referência gigantesca, representando todas nós da ala de passistas à frente da bateria. Evelyn Bastos também tem uma representatividade muito grande para todas nós, e Mayara Lima, que é o sucesso da atualidade”, disse a musa.
De desfilar ao lado da mãe, passar pela Ala das Crianças, projeto social, ala de passistas e, por fim, musa da comunidade, Vick não esconde, e nem tem falsa modéstia, quando o assunto é o próximo passo dentro da escola. Almejando “pegar o diploma”, a musa revela que reinar à frente da “Tabajara do Samba” é um sonho antigo.
“É um sonho de menina. Eu acredito que toda passista tem esse sonho de um dia ser rainha da sua comunidade, claro, respeitando muito a minha rainha Bianca Monteiro. Mas eu penso em um dia conquistar esse lugar, se Deus permitir e, claro, se a minha comunidade também permitir, conquistar esse legado para concluir a nossa história. Eu falo que ser rainha da nossa escola é concluir, pegar o nosso diploma”, revelou Vick.
Sempre impecável com seus looks temáticos e brilhantes, a musa chama a atenção desde o momento em que coloca os pés na quadra. Diversos torcedores pedem fotos, abraçam e não escondem o carinho pela garota que viram crescer andando pela quadra.
“Escolher meu figurino é uma loucura, porque eu jogo para o ateliê e sempre deixo eles criarem à vontade. Eu acredito que, quando eles têm essa liberdade, fazem com mais amor e dedicação, sem aquela perturbação. Eu deixo na mão deles, só dou uma ideia aqui e ali; o resto é com eles”, disse a musa, que falou da fantasia de 2026 e revelou que fez um pedido ao carnavalesco André Rodrigues.
“Só falei para o André: ‘Olha só, pensa que eu estou treinando o ano inteiro, hein?’. Mas eu espero uma fantasia linda, de muita representatividade. Porque eu sempre falo que estou ali não representando apenas a minha história, mas a trajetória de todas as meninas da comunidade que são e estão ali”, contou Vick.