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Em ensaio arrebatador, Unidos do Viradouro canta forte e dá show em bateria e casal

Única escola a ensaiar neste domingo, a Unidos do Viradouro fez uma apresentação emocionante durante o teste de luz e som da Marquês de Sapucaí. Cantando alto a todo momento, a comunidade da escola abraçou o samba composto por Felipe Filósofo e parceria. A bateria Furacão Vermelho e Branco, comandada por mestre Ciça, deu um show à parte em suas bossas e coreografias. O elegante bailado do primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Julinho e Rute, também foi um dos pontos altos do treino. A atual campeã do carnaval mostrou no chão da avenida, ao longo de 1h05 de ensaio, que deverá disputar o bicampeonato. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO

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Fotos de Allan Duffes/Site CARNAVALESCO

Antes da arrancada da escola, o intérprete Zé Paulo Sierra entoou trechos do samba de cada uma das agremiações que compõem o Grupo Especial no carnaval de 2022. No esquenta, o cantor relembrou o samba do bicampeonato da escola, o famoso “Ensaboa”, que foi muito cantado pelo público das arquibancadas. Antes do início, o presidente de honra da escola, Marcelo Calil, discursou para incentivar a comunidade no ensaio. A se destacar, também, apresentação da bateria ao setor 3, na qual os ritmistas tiraram as máscaras, em alusão ao verso do samba da Viradouro. Em seu grito de guerra, Zé Paulo homenageou o falecido Dominguinhos do Estácio, muito identificado com a escola de Niterói, com o seu “Olha a Viradouro chegando”.

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“Eu venho na bateria. Por isso, eu vou falar meu sentimento. Foi o melhor possível, conseguimos alinhar tudo aquilo que eu venho falando desde sempre que é emoção, alegria, espontaneidade e técnica. Isso é o que nós entendemos ser necessário para fazer um bom desfile, não estou falando de ganhar título, porque o importante é fazer um bom desfile e aí o título se torna uma consequência. A avaliação de hoje é a melhor possível, até mesmo pela resposta do público e pela resposta de alguns profissionais que passaram por aqui. Estou muito feliz e a gente sabe que treino é treino e jogo é jogo, mas é bom saber que se treina bem. É manter essa pegada de hoje, mas se você me perguntar no último ensaio eu ainda vou te responder que queremos trabalhar alguma coisa. Eu diria que hoje estamos 100% prontos, porque no desfile temos que estar 120%”, disse o presidente Marcelinho Calil.

Harmonia e Samba

Confirmando o que já vinha se repetindo nos ensaios da Avenida Amaral Peixoto, em Niterói, o canto dos componentes da Viradouro é forte e contínuo. Os componentes de todas as alas, do início ao fim da escola, berravam o samba, muitas vezes dificultando a audição da voz do intérprete e do carro de som. A ala das baianas passou cantando e girando bonito, com todas elas de saia branca, lenço branco e cordões coloridos. A escola está totalmente envolvida em um “lirismo e estado de graça” por conta dessa volta do carnaval. A primeira ala coreografada, e a ala 21, já perto do fim, que tinha componentes com guarda-chuvas na mão, foram os grandes destaques no canto.

Se havia qualquer dúvida ou questionamento acerca do funcionamento do samba da Viradouro, em formato de carta, essas foram completamente sanadas na Sapucaí. O auge é a declaração de amor no fim: “Carnaval te amo, na vida és tudo pra mim”, cantada com ainda mais intensidade pelos componentes da escola. O “clima envolvente” de todo o ensaio foi mantido com excelência pelo carro de som da escola, que tem o intérprete Zé Paulo Sierra como voz principal.

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“Hoje a gente sabe que é uma grande festa. A Viradouro foi campeã, então é legítimo fazer essa festa, esse teste. Mas não esquecemos da parte técnica, pois estamos fazendo um bom trabalho na Amaral. Mostramos que de fato estamos preparados para disputar título e fazer uma boa apresentação no dia 22 de abril. A gente tem trabalhado muito tempo. É um carnaval que está demorando dois anos e dois meses. É claro que entre uma proibição e outra de fazer o carnaval, viemos ensaiando e treinando. A escola ensaia muito, a expectativa foi fazer o melhor possível aqui e no desfile ainda mais. O que erramos aqui, temos 10 dias para sentar, conversar e consertar. Não temos que ir com esse peso todo. Fazendo algo parecido com o que acontece na Amaral, consigo que seja satisfatório. Se alguma outra escola fazer melhor do que a gente, não é conosco. O que vamos fazer é algo melhor do que em 2020, posso garantir”, disse Dudu Falcão, um dos diretores de carnaval.

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“Reproduzimos o que fizemos esse tempo todo na Amaral Peixoto. Queria muito aproveitar para agradecer a Deus por estar aqui, toda hora e glória a ele. Atravessamos um momento de muita dificuldade, não digo só a iradouro, e sim todas as outras escolas. Noite maravilhosa, espero que todos tenham sido abençoados por esse desfile. Se não estivéssemos prontos faltando 10 dias para o carnaval, seria um erro nosso. Mas aquilo que por ventura analisarmos que deu errado, sentaremos para conversar e ajustar com certeza. A marca da Viradouro é ser uma escola eclética. Uma escola que fala de amor, paixão e emociona as pessoas. Nosso sentimento é esse, nossa mensagem é essa. Retomar, renascer. Nossos artistas nos brindaram com um enredo que não é nosso, é de todos vocês que podem esperar um desfile com muito amor e paixão, pois é o que sabemos fazer”, completou Alex Fab, outro comandante da direção de carnaval.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O casal de mestre-sala e porta-bandeira, Julinho e Rute, fez uma excelente apresentação, esbanjando talento e emoção do começo ao fim. A coreografia da dupla está muito bem sincronizada entre eles e o samba da escola. Os dois conversam no olhar para executarem seus movimentos e apresentarem o pavilhão da Viradouro. O figurino impecável era predominantemente bege, com detalhes amarelo na barra da calça dele e na barra da saia dela, como se fosse um tecido do século passado. Julinho levava uma coroa na cabeça, enquanto Rute usava uma tiara com as flores de Obaluaê, as pipocas. Os dois cantavam o samba durante toda a avenida. O bailado do casal em frente ao módulo de julgamento durou cerca de 2min23s.

“Eu vou repetir uma palavra para você que eu já repeti várias vezes, minha palavra é gratidão! Eu estou muito grata por poder estar aqui hoje. Sou grata pela saúde, saúde dos que podem estar aqui na arquibancada, cada desfilante e, que também é a sensação de poder estar aqui representando, desfilando e ensaiando para quem não pode estar aqui. A gente sempre ensaia com outro andamento, com o samba ao vivo, mas hoje pudemos fazer mais um ajuste de tempo, junto com a bateria. O bom é que a gente conseguiu ajustar no próprio ensaio e nas cabines saiu super certo”, disse a porta-bandeira.

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“A sensação é de paz, de alegria, de agradecimento por a gente ter passado esses dois anos, do jeito que a gente passou, independente do carnaval foi o que aconteceu em nossas vidas, no mundo inteiro. Hoje, a gente tem a sensação de sobrevivência, o carnaval sobreviveu porque bateram muito na gente. Poder estar brindando o público depois de todas as escolas que passaram e a gente fechar um ciclo de ensaios, eu acredito que a Viradouro fez um grande desfile, não é ensaio não. Só agradecimento. Estou comemorando 15 anos dançando ao lado dessa diva que é a minha porta-bandeira”, completou o mestre-sala.

Bateria

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A Furacão Vermelho e Branco, de mestre Ciça, já começou o ensaio levantando a arquibancada do setor 1, ao executar uma bossa coreografada, conhecida como “bossa dos pratos”. Os integrantes se ajoelham, silenciados, enquanto os repiques tocam. Depois, os ritmistas das caixas se levantam e mantêm o ritmo, até que tocadores de pratos surgem para complementar a convenção, que lembra o ritmo de marchinha. O público correspondeu aplaudindo e vibrando durante todas apresentações em frente aos módulos de julgamento. O andamento da escola foi mantido até fim, dando sustentação a todo o treino da Viradouro. Em seu primeiro carnaval à frente da bateria, a rainha Erika Januza utilizou uma bela roupa dourada. No momento da “bossa dos pratos”, ela levantava uma bandeira que remetia aos antigos carnavais.

“A bateria veio legal, teve problema com o som da Avenida, ainda não estava 100%. O desempenho da bateria foi ótimo, maravilhoso, a gente viu o resultado da nossa proposta para a bateria. Foi muito bom. A ‘bossa dos pratos’ é essa que apresentamos, ainda temos ajustes, mas até o dia do desfile tudo estará certo”, contou mestre Ciça, que vai desfilar com 290 ritmistas.

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Evolução

A Viradouro evoluiu de forma compacta e dinâmica durante o seu ensaio. As alas percorreram a pista com muita fluidez. Destaque para a sincronia das alas coreografadas, que dançam, evoluem e não param de cantar o samba. O único problema aconteceu durante a passagem da ala de passistas pelo setor 10, um componente se machucou e teve que ser retirado. Abriu um espaçamento excessivo entre o segundo casal, o tripé, a ala de passistas e a ala que veio à frente dos passistas. Logo depois, a direção da escola e os componentes conseguiram corrigir o deslize para retomar a evolução compacta.

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Outros destaques

A Unidos do Viradouro levou para a avenida, três caminhões/tripés com telões de led. No primeiro, eram exibidas imagens do carnaval de 1919. No segundo, um homem recebia uma carta e depois também eram exibidas imagens que remetiam a um carnaval antigo. E, no mais emocionante, o terceiro, eram mostradas personalidades do mundo do samba, de várias agremiações, retiram as máscaras, em uma referência a letra do samba-enredo.

“O som não ajudou em nada a gente hoje. Eu estou feliz demais, cansado. A gente pede um pouco mais de seriedade nisso, o espetáculo para ficar bonito, tem que estar tudo funcionando direitinho. A gente confia e tem certeza que no dia 20, o som vai estar ok. Mas hoje não é dia de reclamar, é dia de agradecer. A escola cantou muito e a arquibancada também correspondeu, espero que seja assim para o dia do desfile”, comentou o intérprete Zé Paulo Sierra.

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A comissão de frente da Unidos do Viradouro abriu o ensaio com muita desenvoltura e dramaticidade em sua coreografia. Seus integrantes realizavam movimentos ágeis e expressivos para contar essa história de amor pelo carnaval. Dirigido por Alex Neoral e Márcio Jahú, o grupo dividiu a apresentação em dois momentos. O primeiro foi um grande bailado de saias vermelhas. O segundo envolvia uma dança mais suave, com os bailarinos de preto e vermelho trazendo leques nas mãos. Junto com a comissão de frente vinha lindo um tripé vermelho com o brasão da escola em dourado. Em frente ao módulo de julgamento, o grupo levou por volta de 2min16s para concluir sua apresentação.

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“A energia foi lá em cima, a gente tentou jogar bastante com o público, também trabalhamos bastante a comissão para estar aqui hoje, produzimos, escolhemos uma roupa bonita e para mim a nossa nota de hoje é 10, ou melhor, é 50. A escola toda está preocupa em trazer o melhor carnaval, um desfile a altura do que foi o último ano”, comentou Márcio Jahú.

“Como no desfile de 2020, nós estamos sintetizando o enredo todo, mas é sempre uma incógnita qual será a recepção do público. A gente sempre acha que falta coisa, então realmente só sabemos no dia. Eu brinco que não tivemos tempo de comemorar nosso campeonato, mas parando para pensar nós fomos campeões por dois anos, né? Então representa muita ansiedade, não só pelos dois anos de carnaval parado, mas também pelo adiamento que tivemos, aí ficamos num misto de emoções. É uma aflição, porque estamos trabalhando há dois anos, mas também é a espera de uma catarse e eu acho que esse vai ser o carnaval do século. Vai ser o carnaval de todos os carnavais”, afirmou Neoral.

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Pode-se ver uma escola alegre, emocionada e muito confiante de que fará um ótimo desfile. O amor pelo carnaval está no ar e no rosto maquiado dos componentes da Viradouro. Muitas alas utilizavam adereços de mão ou máscaras. Toda de vermelho e branco, a velha guarda passou com estilo e elegância. Veio até um grupo de artistas desfilando de ‘pernas de pau’. Lore Improta, musa da escola, também esteve presente no ensaio, com uma fantasia toda branca.

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A vermelho e branco de Niterói encerrou os ensaios técnicos para o carnaval 2022 com muito lirismo e empolgação, confirmando que é uma das favoritas na briga pelo título. “Não há tristeza que possa suportar tanta alegria” é o título do enredo que pode trazer à Viradouro um bicampeonato inédito. A agremiação será a quinta a desfilar no dia 22 de abril, pela primeira noite do Grupo Especial, que será em uma sexta-feira. Até lá, sua comunidade seguirá virando noites à sua espera.

Participaram da cobertura: Eduardo Fróis, Gabriel Gomes, Allan Duffes, Lucas Santos, Leonardo Damico, Isabelly Luz, Ingrid Marins, Karina Figueiredo, Philipe Rabelo, Marina Perdigão, José Luiz Moreira, Luan Costa e Walter Farias

Lavagem da Sapucaí celebra a vida, emociona sambistas e abre os caminhos para os desfiles

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Após dois anos de saudade, a tradicional lavagem da Marquês de Sapucaí foi feita na noite de domingo. Com o objetivo de abençoar e abrir caminhos para as escolas de samba, a cerimônia deste ano teve um significado especial: o reencontro dos sambistas com o Sambódromo e a celebração da vida após momentos difíceis durante a pandemia. O cortejo, mais uma vez, encantou e emocionou o público presente. A celebração que une diferentes religiões contou com a presença de representantes religiosos, além de inúmeros componentes das agremiações dos Grupos Especial e da Série Ouro. * VEJA AQUI FOTOS

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Fotos de Allan Dufes/Site CARNAVALESCO

A imagem de São Sebastião, padroeiro do Rio de Janeiro, abriu o cortejo junto com a corte do carnaval e casais de mestres-salas e porta-bandeiras mirins e adultos das agremiações, além das baianas, munidas de vassouras, água de cheiro e defumadores. Esse ano o cortejo contou com a participação especial da cantora Mart´nália, que veio no carro de som, onde cantou sambas históricos, como “Kizomba, a festa da raça”. Ao lado da cantora, os intérpretes, Nêgo, Serginho do Porto, Leonardo Bessa e Diego Nicolau, entoaram sambas-enredos clássicos de todas as agremiações. O prefeito Eduardo Paes, vestido de branco e de chapéu, acompanhou os ritmistas, junto de um tantam.

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O presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Jorge Perlingeiro, e o diretor de Carnaval da Liesa, Elmo José dos Santos, destacaram a importância desse momento para o carnaval e projetaram um ano de desfiles grandiosos. “É uma noite muito especial para todos nós, muita emoção e religiosidade, depois de alguns adiamentos a casa está pronta, já preparada para os desfiles e não vai ser pouco não, serão grandes desfiles, as escolas vão fazer o dever de casa”, pontuou Perlingeiro.

“Agradecer a papai do céu e a todos os orixás, é o momento de celebração, estamos celebrando a vida, obrigado a Deus por nos manter vivos e podendo continuar a ajudar manter viva a nossa raiz, vamos fazer o maior espetáculo de todos os tempos”, disse Elmo.

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A lavagem começou com o sistema de som da Sapucaí tocando “Nossa Senhora”, de Roberto Carlos. Na sequência, nas vozes dos cantores Serginho Piciani e Flávia Saoli, a música “Coisa de Pele” e “A voz do Morro” foram performadas, ao som dos cavaquinhos e dos atabaques. A cerimônia seguiu com o Centro Espírita Vovó Carolina. Foi formada uma roda com atabaques para as representações de Exu e Iemanjá. Logo após, Marcelo Guimarães cantou o hino de São Sebastião, padroeiro da cidade do Rio de Janeiro. A imagem do santo, que representa Oxóssi no sincretismo religioso com a religião de matriz africana, foi levada por um carro na avenida.

Em seguida, o padre Antônio, da Arquidiocese do Rio de Janeiro, pediu um minuto de silêncio pelos mortos da Covid-19. Depois, o padre chamou todos os foliões e os componentes, para orar o Pai Nosso. “É um momento único, de muitas felicidades, depois de um período de pandemia, de muita tristeza, nós estarmos aqui para expressar a nossa alegria e gratidão é muito bom, feliz por estar aqui novamente e partilhar dessa alegria, sinto uma grande felicidade no coração por estar aqui junto com a nossa comunidade carnavalesca”, disse o padre.

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Antes da entrada das baianas de todas as agremiações para realizar a lavagem, o comentarista Milton Cunha foi chamado ao palco para discursar para os componentes. “Chegou o dia, a hora é essa de pedir a benção das nossas mães baianas. Nossas tias protetoras, rezadeiras, curandeiras, curadoras. Mães baianas, condutoras dos destinos da sagrada família do samba”.

O que se viu a seguir foi pura emoção, nas frisas e arquibancadas as pessoas acompanhavam com atenção a passagem dos integrantes, muitas baianas carregavam nas mãos água e folhas que serviam como prosperidade e purificação. O ritual, que já virou tradição no carnaval carioca, limpou os caminhos e enviou energias positivas e sorte nos desfiles oficiais das escolas de samba.

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“Estava todo mundo com saudades, é uma felicidade só, estávamos todos doidos para voltar, cada uma pela sua agremiação, defender o hino da sua escola, a saudade tava enorme, a expectativa é de muita luz para a Marquês de Sapucaí, um grande retorno para todas as escolas, que tenhamos saúde, felicidade e um carnaval esplendoroso de alegria, foi difícil ficar longe, o coração ficou apertado e a lágrima rolou, mas estamos de volta”, contou Maria da Glória, representante da Associação de Baianas do Estado do Rio de Janeiro.

Tia Nilda, de 80 anos, que representava as baianas da Mocidade Independente de Padre Miguel, falou sobre esse momento que estamos vivendo. “A emoção é muito grande, temos que agradecer a Deus por nos dar a oportunidade de estarmos aqui, então a gente precisa saber a aproveitar com pé no chão, as pessoas tem que tirar o ódio do coração, deixar o seu amigo caminhar, na vida nós estamos se reinventando, a vida é um presente, vamos aproveitar”, comentou a baiana.

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O site CARNAVALESCO conversou com diversos sambistas e personalidades, que nos falaram sobre a importância do evento para o mundo do samba e também sobre seus projetos para os desfiles oficiais. “É maravilhoso estar aqui, para nós, sambistas, é a redenção da realidade, visto tudo isso que a gente passou, poder estar aqui na Sapucaí lotada ver a lavagem é muito positivo, contando os dias para os desfiles oficiais, há pouco tempo atrás parecia inimaginável que isso aconteceria outra vez. Temos certeza que todo mundo no planeta precisava disso e o sambista também, então chegou a nossa hora de cantar e de sambar muito aqui”, comentou o diretor de marketing da Liesa, Gabriel David.

Sobre a expectativa para os desfiles, Gabriel acredita que serão todos de alto nível e que poder assistir esse espetáculo será um grande privilégio. “Os desfiles serão de altíssimo nível, tenho acompanhado a Cidade do Samba diariamente, praticamente todos os barracões estão prontos, todas as escolas, sem a menor sombra de dúvidas vão entregar desfiles para serem campeãs, agora só observando todas elas vamos ter o privilégio com certeza de ver um carnaval de alto nível e tão aguardado depois de um ano sem carnaval, expectativa lá em cima e que vença a melhor”.

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Porta-bandeira da Beija-Flor de Nilópolis há 26 carnavais, Selminha Sorriso esteve ao lado de seu mestre-sala, Claudinho, durante a lavagem. Eles vieram a frente das crianças do projeto de escolinha de mestre-sala e porta-bandeira que ambos têm na escola da Baixada, bastante emocionada, ela falou sobre a importância dessa noite para o samba. “Eu já me emocionei no começo, ver a vida voltando, a nossa cultura sendo preservada, envergamos, mas não quebramos, foi um momento difícil para a humanidade, a cultura sofreu muito, nós somos aglomeração mesmo, ver o dia de hoje acontecendo é gratificante, é motivo de entrar aqui, agradecer aos deuses do samba e levar mesmo a avenida, com água de cheiro e abençoar a todos e os desfiles que acontecerão em breve. É um carnaval atípico, mas não perdeu o encanto, estamos com mais amor, estamos mais agradecidos e será o melhor e maior de todos os tempos, hoje é um dia de bençãos”, disse Selminha.

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Sobre a importância das crianças no carnaval, Selminha acredita que é fundamental para a manutenção e perpetuação do samba junto às gerações futuras. “Criança é o futuro, vem as tias baianas, que são as nossas tradições, os moldes da nossa cultura e vem as crianças com os seus pavilhões mostrando que o samba tá vivo e que somos resistência cultural de um povo, vamos passar de geração em geração nossa cultura, que tudo se perpetue, que seja mais 100 anos da nossa cultura sendo elevada e preservada”, contou a renomada porta-bandeira.

Estreando na Unidos da Tijuca neste carnaval, a porta-bandeira Denadir Garcia fez questão de acompanhar a lavagem, ela desfilou ao lado de outros casais logo na abertura do cortejo, bastante emocionada, ela conta que é um privilégio estar ali. “A sensação é inexplicável, foram dois anos longe, a gente tentando fazer aquilo que mais ama e com a pandemia não conseguimos, hoje eu fiz questão de estar aqui, a lavagem da avenida é muito importante e o meu desfile com certeza com papai do céu abençoando vai ser maravilhoso”, pontuou Denadir.

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Durante a lavagem, em torno de 130 ritmistas ficaram responsáveis por tocar pelo percurso, o mestre Casagrande foi responsável pela liderança, mas dividiu o comando com os outros mestres presentes. Dentre eles, o mestre da Unidos de Vila Isabel, Macaco Branco, que se mostrou extremamente feliz por poder presenciar esse retorno da lavagem. “A expectativa é a maior possível, poder voltar a fazer aquilo que a gente tanto ama é muito bom, a nossa cultura, o carnaval, não tem preço, não tem dinheiro no mundo que pague viver isso aqui, isso aqui é indescritível, parecia que a gente tava preso em um livro de história sem fim, que não acabava nunca, mas graças a Deus estamos voltando a respirar o carnaval outra vez”, comentou o comandante da bateria Swingueira de Noel.

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A última lavagem da Sapucaí, em 2020, foi marcada pela grande quantidade de chuva que caiu, um verdadeiro dilúvio lavou a alma do sambista naquela noite, para esse ano a previsão era novamente de chuva. Mas, nem a natureza foi capaz de estragar o que se tornou mais uma noite memorável para os cariocas. (Colaborou Gabriel Gomes)

Fotos: ensaio técnico da Viradouro para o Carnaval 2022

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Fotos: Lavagem do sambódromo para o Carnaval 2022

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Tri da Boa Vista pode se tornar realidade! MUG, Novo Império e Jucutuquara disputam restante do pódio

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Os desfiles do Carnaval de Vitória abriram o calendário dos desfiles fora de época. Anualmente, a festa popular acontece na capital uma semana antes da data oficial do Rio de Janeiro e São Paulo. Desta vez, por ser em abril, e os próximos dias fazerem parte da semana santa, RJ e SP terão seus desfiles em 15 dias. Na noite do último sábado, sete agremiações colocaram belíssimos espetáculos na passarela do Sambão do Povo. Vale ressaltar o excelente número de pessoas presentes nas arquibancadas que abrilhantaram ainda mais cada desfile apresentado.

Boa Vista, Mocidade Unida da Glória e Novo Império fizeram grandes desfiles. Porém as três irão perder pontos: por ultrapassar o tempo regulamentar, desacoplagem de seus carros alegóricos e ausência do tripé da comissão de frente, respectivamente. Apesar disso, a escola que errou menos e sofrerá uma perda mínima de perda de décimos é a Independente de Boa Vista, que pode se tornar tricampeã. Jucutuquara e Piedade também podem sonhar com boas posições, já que seus erros foram quase nulos. Imperatriz do Forte e Andaraí foram as escolas que mais sofreram com os problemas financeiros que atingiram as escola e vão brigar décimo a décimo para se manter no grupo de elite do carnaval capixaba.

Jucutuquara

A primeira escola a pisar na passarela foi a Unidos de Jucutuquara. Presidida por Rogério Sarmento, a escola falou de suas raízes. Com o enredo “O povo inteiro vai saber, é Jucutuquara que vem lá”, os carnavalescos Jorge Mayko e Wanderson Cesar idealizaram na avenida uma homenagem aos 50 anos da escola. A terceira colocada no carnaval de 2020 entrou na passarela pontualmente às 22h. A harmonia da escola junto com o samba-enredo foram alguns dos destaques. No carro de som estava o experiente intérprete Igor Sorriso, que tem passagens por escolas pela São Clemente, Vila Isabel e atualmente Mocidade Alegre (SP). Mesmo sem ter ido a tantos ensaios, o cantor demonstrou segurança e bastante entrosamento com a bateria de mestre Serginho, que executou diversas bossas ao longo da avenida. * VEJA AQUI FOTOS DOS DESFILES

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Uma delas, no trecho ” Lembro a vibração na arquibancada / Nos bares a torcida apaixonada / E o bloco pelas ruas desfilar, além de paradinha, os ritmistas batiam palma com as mãos pra cima, momento que causava grande frisson. Outro que teve bastante conexão com o público foi a apresentação da comissão de frente. Os bailarinos representavam tecelões e ao final da coreografia desfraldavam o primeiro pavilhão da escola, ainda como bloco carnavalesco. Em seguida de forma rápida a atual bandeira era exibida.

O primeiro casal da escola formado por Gessya Santana e Arhur Astori vestia uma bela fantasia envolta por penas verdes em diferentes tons. Nas pontas, os fuês em verde claro embelezavam ainda mais a indumentária da saia da porta-bandeira. A troca de olhares entre os dois no decorrer da apresentação mostrava confiança e certeza de que estavam apresentando o que havia sido ensaiado. A evolução da escola foi prejudicada alguns momentos, e apesar de não ter precisado correr para desfilar no tempo regulamentar, alguns buracos entre alas foram vistos na avenida.

Imperatriz do Forte

Presidida por Artur Kadratz, a escola do Forte São João levou para avenida o enredo “Em busca do 10”, do carnavalesco carioca Márcio Puluker. Algumas complicações em alegorias fizeram com que a agremiação demorasse cerca de 15 minutos após o sinal verde para dar seu pontapé inicial. A comissão de frente do jovem coreógrafo Vinicius Couti abria o desfile uma coreografia baseada em movimentos indianos. Com movimentos de extrema sintonia, os bailarinos vestiram roupas nos tons verde e rosa da agremiação, dando um belíssimo efeito visual já no primeiro setor. * VEJA AQUI FOTOS DOS DESFILES

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Estreando na escola, o casal de mestre-sala e porta-bandeira Vinícius Costa e Júlia Mariano estava com uma indumentária que valorizava ainda mais as cores da agremiação. Com uma saia um pouco mais curta que os demais casais da noite, Júlia conseguiu desenvolver muito bem a apresentação ao lado do seu parceiro. A coreografia também possuía alguns rápidos movimentos que lembravam a cultura indiana, abrilhantando ainda mais a sintonia de ambos.

Caracterizada por ter uma bateria repleta de pratas da casa, mestre Vitor Rocha e seus ritmistas fizeram apresentações bastante consistentes, sendo esse o quesito que mais se destacou. Já na abertura das notas de alegorias e adereços a escola vai passar por alguns percalços. Problemas de acabamento foram reparados e alguns queijos estavam sem seus respectivos destaques.

Novo Império

A azul, branco e rosa do Caratoíra, presidida por Alessandro Souza, foi mais uma escola que optou por olhar para suas raízes nesse carnaval. Com o enredo “Santo Antônio, olhai por nós”, desenvolvido pelo experiente carnavalesco Paulo Balbino, a agremiação se propôs levar para a passarela um tema que se comunicasse de ponta a ponta com o folião, pelo fato de homenagear o santo e o bairro onde fica localizada sua comunidade. * VEJA AQUI FOTOS DOS DESFILES

Apesar da confiança e do clima positivo do pré-carnaval da escola, um grave problema no elemento cenográfico da comissão de frente impediu que ele entrasse. O quesito que dependia completamente do elemento – um globo terrestre envolvido pela coroa (símbolo da escola) – deverá ser bastante penalizado. Além disso, deverá também perder pontos em enredo, por não desfilar de acordo com o que estava escrito na pasta de jurados e será despontuada por ter mais de 15 componentes aparentes na comissão.

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Kleyson e Amanda, que formam o primeiro casal da agremiação, vestia uma bela fantasia com penas em tons azul e branco. Juntos desde 2018, os dois fizeram coreografias com bastante sincronia e via-se na expressão de ambos a certeza de que estavam executando de maneira correta.

Responsável por conduzir o belo samba-enredo da agremiação, Kleber Simpatia mais uma vez se destacou e mostra porque é considerado um dos grandes nomes do carnaval. A bateria da escola, apelidada de Orquestra Capixaba de Percussão, fez apresentações ousadas durante toda a extensão da avenida e com várias coreografias. Uma delas foi o ato de ajoelhar, feito por todos os ritmistas durante o trecho “A benção, conceda o meu último pedido, a sétima estrela em meu pavilhão, soltar o grito: É campeão”. Ao concluir seu desfile no tempo regulamentar as arquibancadas e camarotes ovacionaram a escola com gritos de “é campeã!”.

Boa Vista

Quarta escola a pisar no sambão do povo, a Independente de Boa Vista entrou na passarela com o objetivo de mostrar porque é a atual bicampeã e que merecia levar o tri para Cariacica. O enredo “O pássaro de fogo traz a boa nova… É tempo de amar!” desenvolvido por Robson Goulart contou sobre a lenda do surgimento do Moxuara e Mestre Álvaro, cartões postais do Espírito Santo. * VEJA AQUI FOTOS DOS DESFILES

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A comissão de frente da fez uma bela e sincronizada apresentação, com referências a passos de rituais indígenas. O xamã, presente também na comissão, foi o grande destaque tanto pela sua entrega no personagem quanto pelo figurino que estava vestindo. Nos quesitos plásticos, a escola deve garantir as notas. Suas enormes alegorias estavam bem acabadas e sem grandes defeitos aparentes.

As fantasias, tinham bastante volume mas sem impedir o componente de desfilar e se divertir. Emerson Xumbrega, presidente, cantor e um dos compositores do samba-enredo conduziu muito bem a parte musical da escola, com muito entrosamento com a bateria dos mestres Gustavo e Vitor. O trecho “O pássaro de fogo anunciou: A “Tribo Boa Vista” chegou!” era cantado a plenos pulmões pelo chão da agremiação. O casal Bruno Simpatia e Vanessa Benittez vestia uma indumentária nas cores azul, verde e preto. Com faisões apontando pra cima em sua saia, somado ao belíssimo costeiro de seu parceiro, ambos fizeram uma apresentação que garantiu aplausos nas cabines julgadoras.

Foi um desfile próximo a perfeição técnica, como a Boa Vista tem feito nos últimos anos, com regulamento debaixo do braço. E com isso, é a grande favorita para ser campeã do carnaval capixaba em 2022.

MUG

A Mocidade Unida da Glória levou para passarela do samba o enredo  “O Leão em caravana traz ao palco da folia a imagem e a semelhança com um quê de fantasia”, desenvolvido pelo carnavalesco Osvaldo Garcia, que tinha como proposta levar uma grande caravana de bonecos e personagens para avenida, mostrando a importância desses elementos e sua constante presença no dia-a-dia das pessoas e que muitas vezes passa despercebida. * VEJA AQUI FOTOS DOS DESFILES

Um dos destaques do desfile foi o reencontro entre a MUG e seu intérprete Ricardinho, que havia se afastado da agremiação desde 2011. A volta dele ao microfone oficial e a forma com que conduziu o samba-enredo foi um dos grandes destaques do leão da Glória.

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Outro destaque positivo foi a grandiosidade e exuberância das alegorias. Extensas e muito bem acabadas, esse foi sem um dos melhores conjuntos alegóricos que passou pela avenida. Apesar de estarem muito bem acabadas e de bastante bom gosto, o primeiro carro da agremiação passou por alguns problemas, Com 30 metros de comprimento, a alegoria que continha os leões guardiões da caravana de gepeto teve dificuldade para ficar alinhada corretamente. E por algumas vezes os leões ficaram desgovernados e desacoplados. Prejudicando a escola no quesito enredo, e também nas obrigatoriedades.

A comissão de frente, comandada por Marcelo Lages, apesar de não possuir elemento cenográfico, contracenava com a primeira parte do abre-alas. Os bailarinos deram vida a uma apresentação extrovertida e bem entrosada. Destaque para os bonecos suspensos que chamavam bastante atenção do público.

A bateria do mestre Carlos Magno executou bossas que devem garantir mais uma vez o gabarito no quesito. Klaura e Hudson, que juntos formam o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, vestiram uma bela fantasia em tons de roxo com dourado. Eles representavam o faraó e a boneca. Sem grandes ousadias na apresentação, e focada no cortejo que o mestre-sala deve fazer a sua dama, a coreografia foi correta. O samba-enredo composto por Diego Nicolau e Dudu Nobre caíram no gosto do muguiano que estava desfilando e também dos presentes assistindo. O trecho “Minha MUG é, sonho de esperança” no refrão principal era gritado por todos.

Piedade

Com o desejo de trazer de volta os tempos áureos da escola, a diretoria da escola optou levar para avenida uma reedição do enredo  “Da riqueza do café, sua força e majestade”, que foi tema do último campeonato da agremiação, em 1986. Apesar de ser uma reedição do tema, é importante ressaltar que o samba-enredo foi reescrito e não é o mesmo daquela época. * VEJA AQUI FOTOS DOS DESFILES

A comissão de frente, coreografada por Mauro Marques, representou a vinda do grão pela do palheta. Optando por não ter nenhum elemento cênico de grande escala, os bailarinos interagiam apenas com um baú que era para transporte dos objetos cênicos e também participava da apresentação. Entrosados e com samba na ponta da língua, a coreografia era finalizada com as palavras “Café” e “Piedade” sendo formada por elementos que estavam nas mãos dos bailarinos.

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Atrás da comissão estava o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Luzimar e Layli, vestidos com uma indumentária nas cores marrom, laranja e dourado. A saia com faisões e plumas viradas para o chão davam um belíssimo efeito no momento do giro da porta-bandeira. Enquanto ela rodopiava, seu parceiro riscava o chão com maestria, resultando numa bela apresentação do casal da escola.

Desenvolvido pelo carnavalesco Jorge Caribé, artista que já assinou diversos carnavais no Rio de Janeiro, e com passagens recentes pela Novo Império (2016-2018), o desfile começou imponente com um belo letreiro com o nome da escola acoplado ao abre-alas da escola. Segundo regulamento e organização dos desfiles, a Piedade deveria ter entrado na avenida por volta das 4h da manhã, ainda de madrugada. Porém, um problema técnico num dos guindastes que leva as composições as alegorias atrasou o desfile da agremiação, fazendo com que ela entrasse na avenida com os primeiros raios de sol.

Como isso não estava planejado, praticamente todo efeito de iluminação que a Piedade havia proposto ficou ofuscado pela luz solar. Em seu primeiro ano como intérprete oficial da Unidos da Piedade, Thiago Brito, que até 2020 era intérprete da MUG, conduziu com muita qualidade o belo samba. Ele, que também é um dos autores do samba, mostrou um ótimo entrosamento com a bateria Ritmo Forte, comandada pelo mestre Tereu. A bateria ousou nas bossas e paradinhas que exaltavam ainda mais o chão da escola.

Andaraí

A campeã do grupo de acesso A em 2020 foi a última a desfilar no Sambão do Povo. Com o dever de encerrar os desfiles de 2022, o Andaraí desfilou com o enredo “Mulemba”, desenvolvido por Alex Santiago, que visava resgatar a história do bairro onde a escola fincou suas raízes. Coreografada por George Falcão, a comissão de frente representava os guardiões da árvore sagrada. Eram 12 bailarinos vestidos de guardiões, metade na cor verde e metade na cor rosa. Cores essas que também estampam o pavilhão da agremiação. No decorrer da apresentação, figuras místicas do folclore saiam de dentro do pé de mulembá, que estava como elemento cenográfico, e faziam parte da coreografia. Santa Martha, que também é nome do bairro onde fica localizada a escola, finalizava a apresentação do quesito. * VEJA AQUI FOTOS DOS DESFILES

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Em seguida, o Andaraí apresentou o início de um setor mais afro diaspórico, com referências a orixás e religiosidade. Nas fantasias, foi possível perceber infelizmente uma reclamação que era feita por todos os presidentes. A dificuldade de vendê-las afetou bastante o número de contingente das alas, deixando um pouco a desejar no volume para preencher com totalidade as linhas de desfile.

Outro ponto negativo a ser mencionado foi a falta de acabamento em algumas alegorias. Ostentando o pavilhão da agremiação, o casal Wesley Blank e Alana Marques vestiam uma bela roupa em tons dourados e laranja, as cores se misturavam e davam um lindo efeito compondo os giros da porta-bandeira. Ciente das dificuldades que é para uma escola recém-chegada ao grupo especial, o Andaraí “compensou” a falta de verba e investimento nos quesitos plásticos, com o forte canto de sua comunidade nos quesitos de chão. A bateria fez paradinhas pontuais em trechos do samba, que era cantado forte pelos componentes principalmente no trecho final do refrão: “Andaraí somos filhos desse chão”.

APURAÇÃO

Na próxima quarta-feira, conheceremos a escola campeã do carnaval capixaba em 2022. Encerrando assim um ciclo de trabalho que durou mais de 2 anos. A partir das 16h30 inicia-se a leitura dos envelopes com as escolas que desfilaram na quinta-feira, em seguida escolas do grupo A – que desfilaram na sexta – e por fim, das agremiações de sábado.

Fotos: Confira imagens do desfile da Andaraí

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Fotos: Confira imagens do desfile da Unidos da Piedade

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Fotos: Confira imagens do desfile da Mocidade Unida da Glória

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Fotos: Confira imagens do desfile da Boa Vista

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