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Como uma deusa, Beija-Flor ensaia em Nilópolis nos braços do povo

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No gás final para o tão aguardado desfile das escolas de samba, em abril, a Beija-Flor retornou seus ensaios de rua, na noite do último sábado. Uma mudança simples de dia, que costumava ser aos domingos, fez a Avenida Mirandela encher de nilopolitanos fervorosos e dispostos a gritar o samba sem parar. Com uma harmonia invejável e uma evolução categórica, a azul e branca de Nilópolis parece ter a receita certa para tudo funcionar no grande dia. O ensaio não contou com a presença dos componentes da Comissão de frente e seu ponto alto foi o canto.

Diferente do que aconteceu nos últimos ensaios, dessa vez, a data apontava para um sábado. A previsão era de chuva e uma frente fria se aproximava. Mas, nem a natureza estragaria um dia de graça. As nuvens não vieram e a lua virou espectadora, em um céu estrelado, que testemunhou um ensaio digno da Deusa da Passarela. A Avenida Mirandela, palco de diversos ensaios de rua, aos domingos, estava lotada. Das varandas, os moradores gritavam em busca de serem notados pelos defensores de um pavilhão idolatrado. Era a Beija-Flor que passava de forma contagiante.

Não parecia só um ensaio de rua. Parecia uma escola de samba que estava se despedindo do povão para ir desfilar já no dia seguinte. Porém, o melhor é que o dia de hoje ainda tem mais algumas datas para se repetir. A mudança do dia funcionou porque era visível que tinha muito mais gente para aplaudir, pedir fotos com Claudinho e Selminha, gritar o nome da Raíssa e gravar stories dos passistas. Dudu Azevedo, diretor de carnaval, explicou a mudança para o sábado e já aprovou a nova data.

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“Muita gente começou a falar que, fazer os ensaios aos sábados, deixaria os domingos livres. Aqui, aos domingos, acontece uma feira e a gente só armava as grades depois dela. Fazendo sábado, logo cedo a estrutura já estava pronta. E acho que a gente acertou, porque ficou bem cheio… O nosso povo está aqui e fizemos um grande ensaio. Presenteamos a nossa população, que é apaixonada pela escola”, explicou.

Harmonia e Samba-Enredo

O canto dava pra se ouvir de longe. Era como se todo mundo tivesse disposto a gritar de forma minimamente afinada, que nem era a exigência quando Dudu Azevedo avisou aos componentes: “não quero ninguém cantando. Quero todos gritando o samba”. E assim foi feito do início ao fim. O canto não caiu e, se tem uma coisa que eles amam, é esse samba.

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Samba, que é devidamente coreografado. Todos sabem a hora de levantar um braço ou bater no pulso. Como quem tem feitiço na letra, é encantador a forma como os nilopolitanos tomaram o samba-enredo como hino da vida deles. E o público vai junto com o carro de som. A equipe de cantores não deixa nada a dever e entrega mais que o necessário para que o ensaio aconteça. Bem entrosados, o time ajuda a agitar a massa nilopolitana.

O público canta o tempo inteiro, com uma ressalva: eles só param de cantar para gritar a rainha e o casal.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Casal que era só amor com a turma da grade. A população foi para rua, chamava e iam Claudinho e Selminha levarem a bandeira. Por todo lado eram aplausos e um assédio aconchegante, que mostra o quão ícones da escola eles são.

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Fotos de Allan Duffes/site CARNAVALESCO

“Lá no Sambódromo você tem o palco e tem que atender a algumas regras. Aqui, a gente tem que atender o carinho do nilopolitano. É lindo eles verem o patrimônio da cidade deles, que é a Beija-Flor, passando pertinho. Nem todo morador de Nilópolis desfila na escola, mas ama a Beija-Flor e seus artistas que fazem a diferença lá na Marquês de Sapucaí”, disse Selminha Sorriso.

Sobre a apresentação, nunca é qualquer coisa. Eles que apresentaram um pouco do levarão ao desfile, ainda prometem guardar surpresas, embora tudo o que eles fazem ainda parece ser uma surpresa. Falando no desfile, o de 2022 será o trigésimo em que dançam juntos, sendo 27 pela Beija-Flor.

Neste sábado de Mirandela cheia, Selminha era leveza. Quanto ao Claudinho, o que ele faz dançando parece tão sofisticado que não é uma questão para poucos, mas sim só para ele mesmo. É capaz de flutuar e pousar sem correr nenhum risco.

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Evolução

Risco zero é o que parece ser a evolução da escola. Ninguém parado, ensaio fluindo e ainda deu para terminar com bastante calma. A direção de harmonia era só sorrisos, assim como o diretor de carnaval, que comemorou a apresentação da noite.

“A gente vem fazendo os ensaios direto, às quintas-feiras. A quadra já dá uma visão de trabalho muito boa, mas claro que a rua é fundamental. O canto está muito forte, a evolução está alegre e solta. Temos quase certeza de que teremos o resultado desejado”, disse Dudu Azevedo.

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Outros destaques

Quem também brilhou nessa volta da Beija-Flor às ruas foram os passistas. Extasiados, eles faziam de tudo para levantar o público. É claro que conseguiram e ainda arrancavam calorosas reações da plateia. O grupo de rapazes que possuída pandeiros nas mãos, ainda arriscavam umas acrobacias. Mais um motivo para fotos e gritos de incentivo de todos os lados.

Agora, aparentemente a azul e branca de Nilópolis tem um novo dia para ensaiar e mil motivos para se encher de esperança para a apuração. Como carnaval só se resolve no desfile, o que precisa ficar para o torcedor é a expectativa e a confiança de que os filhos de Abrãao estão trabalhando forte por um final feliz.

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Fotos: ensaio técnico da Lins Imperial

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Fotos: ensaio técnico do Império Serrano

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Fotos: ensaio técnico da Em Cima da Hora

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‘Bebida e comida para consumo próprio estão permitidos nos ensaios técnicos’, garante Gabriel David

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O diretor de marketing da Liesa, Gabriel David, fez algumas publicações neste sábado para esclarecer o que está permitido de comida e bebida que o público possa levar para o Sambódromo, nos ensaios técnicos, que começam com três escolas da Série Ouro. Ele reconheceu que a Liga falhou na comunicação inicial, já que foi bastante reestritiva e causou preocupação nos sambistas.

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“A cervejinha para o consumo próprio pode ser levada. O que está proibido é que os ambulantes circulem dentro do Sambódromo vendendo produtos para outras pessoas. Para consumo próprio, tanto bebida, quanto comida, podem ser levadas pelo público. Pequenas quantidades de comida e bebida podem entrar. A gente tinha vários problemas de liberação dos ensaios técnicos (por parte do poder público) por venda de produtos ilegais que aconteciam ali dentro. Lá dentro, a cerveja será R$ 5 e vai ser muito fácil de comprar do que era no passado. Não vamos criar alvoroço em cima disso. Reconheço que a primeira comunicação foi muito reestritiva por parte da Liga. Foi um erro nosso. Existe uma questão de segurança e jurídica que precisamos atender para os ensaios técnicos serem realizados”.

Gabriel David respondeu também e negou a possibilidade de cobrança de entrada para os ensaios técnicos. “Todos os ensaios técnicos são 100% gratuitos. Assim como, a água que será oferecida pela Águas do Rio para o público em todos os setores do Sambódromo. Arquibancadas e frisas são 100% gratuitas em todos os ensaios. A Liga, inclusive, está indo atrás de pessoas que falsamente estão cobrando valores, de forma indevida, e não podem. Não paguem! Os ensaios técnicos tem que ser do povo e de forma acessível. A ideia é que lá dentro seja o mais barato possível, lógico que nem tudo que a gente imagina, conseguimos realizar no primeiro momento. Estamos mudando todo o sistema de bebida e comida no Sambódromo, inclusive, para os desfiles”.

Por fim, Gabriel David falou sobre a iniciativa da Liesa de transmitir ao vivo todos os ensaios técnicos do Grupo Especial pelo YouTube. “As transmissões vão ser ao vivo todos os domingos. Todas escolas daquele. Ainda não consigo fazer para o Grupo de Acesso neste primeiro momento. Estamos utilizando para transmissão o antigo canal da Liesa, que possui 20 mil inscritos, e agora será o Rio Carnaval. O Milton Cunha vai comandar as transmissões”.

Com enredo sobre ‘empretecer’, Beija-Flor recebe intelectuais e influenciadores negros na quadra e barracão

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Símbolo da cultura e resistência do povo preto da Baixada Fluminense, a Beija-Flor de Nilópolis fez festa na quinta-feira, em sua quadra e seu barracão, para receber um grupo de intelectuais e influenciadores digitais negros chamados para o desfile de 2022. O enredo deste ano é “Empretecer o pensamento é ouvir a voz da Beija-Flor”, uma exaltação à inteligência negra brasileira — detalhes do tema foram conhecidos pelo grupo de convidados, que inclui nomes como a cantora Teresa Cristina e o ator e escritor Rodrigo França, entre outros.

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Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação

No fim da tarde, a azul e branca abriu sua Fábrica de Sonhos na Cidade do Samba, Zona Portuária do Rio de Janeiro, para que os convidados pudessem conhecer detalhes do desfile desenvolvido pelo carnavalesco Alexandre Louzada a partir de ideias pensadas coletivamente pela comunidade nilopolitana. Louzada conta com o apoio do grupo de artistas negros André Rodrigues, Fabynho Santos e Rodrigo Pacheco no processo de criação.

Do barracão, os intelectuais e influenciadores foram guiados à quadra, em Nilópolis, onde assistiram ao espetáculo embalado pela bateria “Soberana”, dos mestres Plínio e Rodney e da rainha Raissa de Oliveira; pela voz sem igual de Neguinho da Beija-Flor; pelo casal de mestre-sala e porta-bandeira Claudinho e Selminha Sorriso e também pelos demais segmentos da agremiação.

‘Mais que urgente’, diz França

Além de Teresa Cristina e de Rodrigo França, a “comitiva” incluiu a escritora Katiuscia Ribeiro; a acadêmica Winnie Bueno; a escritora e roteirista Eliana Alves Cruz; o advogado Joel Luiz Costa, junto da equipe do Instituto de Defesa da Pessoa Negra e a economista Giselle Florentino, com o time da Iniciativa Direito a Memória e Justiça Racial. Todos receberam camisas do enredo da Beija-Flor para este ano e foram convidados a se apresentar com a escola: ela é a sexta e última a desfilar no dia 22 de abril, sexta-feira, na Sapucaí.

“Fico lisonjeado. Como professor de Filosofia, o enredo da Beija-Flor me parece um mecanismo de democratizar o saber: a escola de samba volta à sua vocação de traduzir o que o povo e a comunidade pensam sobre si e a sociedade em geral. Empretecer é mais do que urgente num país em que 56% da população se declara como negro e negra e também diante do apagamento que a nossa população sofre. É uma honra estar junto com a escola”, disse França.

Katiuscia Ribeiro fez coro a França, elogiando os detalhes apresentados no barracão e na quadra:

“É fundamental empretecer o pensamento e trazer uma outra narrativa que reconheça a verdadeira história dos povos negros. As escolas de samba são espaços de construção de pensamento e saber, e isso irá atravessar a Avenida com uma história potente. Parabéns à Beija-Flor por trazer a verdade: porque verdade é poder. E reconhecer a nossa trajetória enquanto negros permitirá um futuro grandioso para todos nós”, finalizou Katiuscia.

Luto no samba! Morre Severo Luzardo, carnavalesco da União da Ilha

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Faleceu neste sábado o carnavalesco da União da Ilha, Severo Luzardo, vítima de um câncer. O artista tinha voltado para escola para fazer o enredo “O vendedor de orações” com o carnavalesco Cahê Rodrigues.

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“É uma questão de sensibilidade. Somos dois artistas. Sei respeitar o melhor momento do Cahê e ele também sabe. Quando existe um respeito, existe um grande carnaval”, disse Severo na época ao site CARNAVALESCO sobre a parceria com Cahê.

A União da Ilha fez uma publicação sobre o falecimento do artista. “A União da Ilha do Governador e seu presidente Ney Filardi lamentam profundamente o falecimento de nosso carnavalesco Severo Luzardo na manhã deste sábado. Severo assinou os enredos “Nzara NDembu” (2017), “Brasil Bom de Boca” (2018), A Peleja Poética Entre Rachel E Alencar No Avarandado Do Céu”(2019) e “O Vendedor de Orações, para o carnaval deste ano. Que Deus possa confortar seus amigos e familiares neste momento tão difícil. Que o manto de Nossa Senhora Aparecida, personagem central do enredo de 2022, possa cobrir esse seu filho com seu Manto. Descanse em paz, Severo Luzaro! A União da Ilha decretou luto e, por isso, o nosso Ensaio Show de hoje está CANCELADO”.

A Liga-RJ que comanda a Série Ouro fez uma publicação sobre o artista. “Com muita tristeza, recebemos a notícia do falecimento do carnavalesco Severo Luzardo, da União da Ilha do Governador. A LIGA RJ se solidariza com a agremiação, sua comunidade e toda diretoria”.

Com uma longa carreira como figurinista de TV, Severo estreou no Grupo Especial através da Ilha. Ele passou pelo Arranco do Engenho de Dentro, Dendê, Boi da Ilha, Cubango e Império da Tijuca. Na televisão, Severo fez figurinos para novelas “Laços de Sangue”, “Flor do Caribe”, “Escrava Mãe, “A Terra Prometida” e filmes como “O Tempo e o Vento”.

Sábado com gosto de saudade no início dos ensaios técnicos da Série Ouro

Após dois anos sem desfiles, o Sambódromo da Marquês de Sapucaí volta a receber ensaios de escolas de samba para o Carnaval 2022, que será realizado a partir de 20 de abril. O primeiro dia de treino na Passarela é com a Série Ouro, a partir das 19h, pisam no solo sagrado dos sambistas as escolas Em Cima da Hora, Império Serrano e Lins Imperial.

A entrada é gratuita. Para participar, será necessário comprovar a vacinação contra Covid-19, de acordo com o calendário da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro. A comprovação poderá ser feita através do certificado de vacinação digital – disponível no aplicativo ConecteSUS –, caderneta de vacinação ou comprovante de vacinação.

A Em Cima da Hora vai abrir os trabalhos às 19h segundo previsão da Liga RJ. A agremiação de Cavalcanti, na Zona Norte do Rio, tem responsabilidade de inaugurar a nova pista, que foi totalmente reformada e pintada, para trazer maior qualidade às apresentações das escolas. A azul e branca tem a volta de Ciganerey ao microfone principal da escola. A escol reeditará neste carnaval o enredo de 1984, ’33-Destino Dom Pedro II’. A Em Cima da Hora será a primeira a desfilar na quarta-feira, 20/04.

Em sequência uma das favoritas ao acesso para o Grupo Especial passará pela Marquês de Sapucaí, o Império Serrano. Muita coisa mudou na escola desde o trágico desfile de 2020, um dos piores da história da escola. A nova gestão inseriu ânimo e recursos na comunidade. O grande destaque da escola é sem dúvida o carnavalesco Leandro Vieira, que em 2020 deu à Imperatriz o título no Acesso. A dupla de intérpretes, Igor Viana e Nêgo, além da bateria Sinfônica do Samba, de mestre Vitinho, devem ser os pontos altos da apresentação imperiana. O glorioso encerrará os desfiles da Série Ouro em 2022 sendo a última da segunda noite de apresentações em 21/04, com o enredo ‘Mangangá’.

Fechando esta primeira noite de ensaios técnicos com as escolas da Série Ouro será a vez da Lins Imperial, agremiação da região do Lins de Vasconcelos, Zona Norte da capital fluminense. A verde e rosa regressa ao Sambódromo depois de 11 anos afastada. A escola se apresentará na segunda noite de desfiles da Série Ouro, abrindo os trabalhos no dia 21/04. A escola trará o enredo ‘Mussum Pra Sempris – Traga o Mé que hoje com a Lins vai ter muito samba no pé!’, uma homenagem ao lendário humorista, morto em 1994.

Serviço
Ensaios Técnicos – Série Ouro
12/03/2219h – Em Cima da Hora
20h – Império Serrano
21h – Lins Imperial
Entrada Franca

Voltei! Porque de fato sempre fui especia! Com clima emotivo, Vai-Vai abre a temporada de ensaios técnicos no Anhembi

Começou na noite da última sexta-feira a temporada de ensaios técnicos das escolas de samba de São Paulo. O Vai-Vai, que é a agremiação com mais títulos no carnaval paulistano, deu o pontapé inicial. O dia foi marcado por um clima de muita emoção por parte de todos os sambistas envolvidos no Anhembi. O enredo da escola, “Sankofa”, combina muito com o que presenciado na pista. Se trata de voltar ao passado para ressignificar o presente e construir o futuro. Uma verdadeira mensagem de que o carnaval voltou!

Analisando o ensaio do Vai-Vai, claramente houve um nervosismo por parte de alguns componentes ao pisar na avenida. Algo normal para um primeiro momento de reencontro, e, também, por tudo que a escola passou nos últimos anos. Mas, tecnicamente, isso pode impactar diretamente na evolução ou harmonia da escola. São ajustes a serem feitos.

Harmonia

O Vai-Vai é famoso pelo grande “chão” que a escola sempre demonstrou. Seus componentes são bem aguerridos e nitidamente colocam o seu amor ao pavilhão dentro do samba-enredo. Mas, como dito anteriormente, houve uma grande insegurança por parte de alguns e isso comprometeu o canto de algumas alas, principalmente, do primeiro setor. Vale ressaltar a linda apresentação das baianas, que entoaram muito bem o hino de 2022. A partir do segundo do segundo setor, já foi possível ver alas mais animadas e cantando bem, honrando a característica da Saracura. Portanto, não houve equilíbrio nesse quesito. Sentimos algumas alas bem entrosadas e outras não. Componentes mais leves e outros menos.

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Fotos: Felipe Araujo/Divulgação Liga-SP

Para Gabriel Melo, diretor de carnaval da escola, de fato alguns erros devem ser corrigidos, mas a atuação foi dentro do esperado. “A gente fez um ensaio para testar algumas situações e conseguimos fazer o que queria. Agora, nós temos que ajustar alguns segmentos que naturalmente são devagar, como algumas coisas de performances, mas no geral, a escola passou tecnicamente dentro do que a gente queria e dentro do nosso tempo. O rendimento do samba pra canto foi muito bom, nós temos alguns pontos para melhor na questão individual dos componentes que pode ser um pouco mais solta. Sentimos que eles estavam com medo de errar, mas o ensaio é pra isso. Casais foram bem, comissão fez o que precisava fazer hoje, que era só a marcação. O andamento foi bom e fechamos com 1h01”, disse.

Segundo o diretor, o ponto alto da escola no ensaio, foi o canto da escola. “O ponto alto acho que foi o canto da escola. É um novo estilo de samba pra escola, que nunca nesse estilo. A gente está sempre observando como vai ser o comportamento dos componentes, especialmente quando se passa do recuo de bateria, onde o samba dá uma ‘sentada’, mas o carro de som foi bem e acho que o ponto mais forte da escola foi esse”.

Mestre-sala e porta-bandeira

O casal Reginaldo Pereira e Paula Penteado, mais conhecidos como Pingo e Paulinha, protagonizou o melhor quesito da escola no ensaio. Um bailado que encanta, uma sincronia que envolve e o entrosamento dentro do samba é nota 10. A forma em que eles estendem o pavilhão com garra, é algo a se destacar. Foi um verdadeiro espetáculo que o casal deu nesta noite. Um desempenho totalmente satisfatório e, se continuar assim, tem tudo para alcançarem o êxito máximo. Destaque para o figurino da porta-bandeira, que estava com uma maquiagem no rosto totalmente dentro do contexto do enredo. O mestre-sala, Pingo, avaliou o ensaio.

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“Nosso rendimento, nossa avaliação é que ocorreu tudo bem, tudo perfeitamente bem. O que nós ensaiamos, conseguimos efetuar aqui na pista. Graças a Deus a energia da nossa comunidade ajudou muito. Os componentes, com muita alegria, cantando o samba, essa energia que faltava para a gente depois de dois anos sem carnaval. Foi ótimo, quero agradecer e felicitar a harmonia da escola”.

A porta-bandeira, Paulinha, falou sobre a performance da escola dentro da avenida. “Como a gente veio na frente da escola, não conseguimos ver muito o final. Os nossos erros, a gente acaba vendo. Por exemplo, internamente, se atrasa no tempo, ou em reuniões. Eu e o Pingo estamos muito na frente da escola. A gente não consegue ver o restante. A gente vê o final, e olha pelo que eu estou vendo, está sendo lindo”.

Sobre o rendimento do casal, a artista foi breve. “A gente até se surpreendeu, pois sempre tem ajustes a serem feitos. E hoje foi impecável. Dia 26 tem mais e agora tem que ser duas vezes melhor”, completou.

Samba-enredo

O hino do Vai-Vai para 2022 é considerado um dos melhores do carnaval paulistano, principalmente, quando é cantado ao vivo. Hoje não foi diferente. Como dito anteriormente, algumas alas se destacaram e outras não. As alas dos setores 2 e 3 tiveram uma performance melhor entoando o hino da escola. Vale destacar o ótimo carro de som da Saracura, comandado pelo intérprete Luiz Felipe. O cantor é cria da escola e vem se destacando cada vez mais. O Vai-Vai é famoso por revelar e trabalhar com personalidades vindas da própria escola, e, com certeza, o intérprete Luiz
Felipe pode trilhar um caminho de sucesso no carro de som da comunidade da Bela Vista.

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O samba é destaque e tem uma grande ala musical para liderar tudo isso. Luiz Felipe disse que a crescente pode vir com os erros corrigidos. “O samba vem em uma crescente em cada ensaio, e hoje provou mais uma vez que o Vai-Vai juntamente com sua comunidade faz o samba acontecer naturalmente. Hoje foi bom, temos muitas coisas a melhorar. São erros nossos internos, que a gente corrige em reuniões na semana em ensaios gerais, na quadra e de rua, mas acredito que até dia 23 de abril estaremos prontos, com os erros corrigidos em busca de um grande resultado”, comentou.

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O intérprete também exaltou a comunidade e a bateria Pegada de Macaco. “O ponto máximo é a nossa carta na manga, nosso povo, nossa comunidade, nossa bateria que já vem em uma pegada pra frente e o nosso povo que eu não tenho nem palavras, sem comparações”, elogiou.

Bateria

Historicamente, a bateria Pegada de Macaco, tem a característica de apenas dar o andamento para o samba e levantar a comunidade e o público presente no Anhembi. Porém, devido ao regulamento mudado em 2020, todas as baterias devem realizar bossas para conquistar a nota máxima e, o Vai-Vai, construiu duas, sendo uma delas dentro do segundo refrão. Mestre Beto, diretor de bateria do Vai-Vai, falou sobre o rendimento.

“Nosso setor bateria vai passar três breques. Agora não tem como ficar somente na tradição, porque hoje existe um critério dentro do regulamento e, se a gente não cumprir, não vamos nos sair bem. Hoje foi bom, mas eu prefiro ajustar para ser ótimo”, disse.

Beto também revelou uma bossa especial que não foi feita neste ensaio. “A bossa especial que nós não fizemos, é a que fala da Dona Olímpia, Seu Livinho, que é uma bossa que tem 23 compassos. Ela está pronta, mas na dúvida, é melhor não executar. Hoje eu fiz uma bossa e duas passagens e, no dia do desfile, vão ser três bossas e três passagens”, completou.

Evolução

No quesito evolução, a análise fica mais ou menos parecida com a harmonia, pois faltou equilíbrio. Algumas alas, realmente tinham os componentes com o samba no pé e, outras, era algo mais “robótico”. No conjunto, a escola contou com algumas alas coreografadas, o que ajudou bastante no quesito. Destaque para a ala do último setor, que é dos negros acorrentados. Nela, os componentes cantam e coreografam com muita garra.

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No balanço geral, o Vai-Vai fez um ensaio bem equilibrado. Os primeiros treinos dentro do Anhembi, servem para corrigir os erros e aperfeiçoar para o grande dia. A comunidade da Bela Vista é forte, cantou bem, mas precisa mostrar isso no desfile inteiro. Componentes e alas que estavam em um ritmo menor, com certeza podem melhorar, pois fazem isso nos ensaios de quadra e de rua.

Veja galeria de fotos do ensaio

Componentes da Imperatriz matam ansiedade pelo retorno da escola à elite do carnaval carioca

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“Vem me encantar/Volta pro seu lugar”. Os versos do refrão principal do samba-enredo da Imperatriz Leopoldinense, composto por Gabriel Melo, já dão o tom de resgate que a Verde e Branca de Ramos está vivendo para o próximo carnaval. Depois de amargar em 2019 um rebaixamento, a escola juntou os cacos, trouxe o aclamado Leandro Vieira em 2020, além de ter reforçado o time em outras posições e foi campeã do Grupo de Acesso. Agora para 2022, após dois anos sem carnaval, com Rosa Magalhães de volta, a ansiedade é grande e a expectativa é maior ainda para que a Imperatriz não só retorne ao Grupo Especial, mas se utilizando, porque não, do exemplo da Viradouro em 2019, 2020, venha a disputar e conquistar títulos, retornando a um protagonismo na elite do carnaval carioca.

Um dos diferenciais apontados para o momento que a escola vem demonstrando estar vivendo é um resgate da relação com a comunidade de Ramos, que parece ter percebido a necessidade de abraçar ainda mais a agremiação após o rebaixamento em 2019. Durante a abertura do Rio Carnaval 2022, na primeira noite de apresentações na Cidade do Samba, a reportagem do site CARNAVALESCO conversou com alguns componentes da Verde e Branca de Ramos, que abriu o evento, sobre o sentimento de retorno não só ao Grupo Especial, mas de protagonismo na festa.

A empolgação é grande para a integrante da ala das baianas, dona Teresa Cristina, que desfila na escola há 7 anos e faz parte da comunidade de Ramos. Dona Teresa nem pensa em sentimento de disputa por permanência no grupo ou desfile das campeãs, a baiana já quer que o foco esteja na briga pelo título do carnaval de 2022. “Nós estamos muito felizes que ela voltou para o Grupo dela, que ela era para ficar lá. É uma emoção, muita emoção que a gente está pela Imperatriz. Eu estou muito empolgada para o carnaval e nós vamos brigar pelo título”.

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Para Rita Almeida, que já não desfilava há algum tempo pela escola, a ansiedade pelo dia oficial do retorno da escola ao Especial é grande. Rita também ressaltou que a garra dos componentes tem aparecido claramente nos ensaios e por isso a Imperatriz pode acreditar em voos maiores. “É muito emocionante estar aqui de novo na Cidade do Samba, é maravilhoso. Só de pensar no dia do desfile é uma emoção que dá. A gente está aqui e a expectativa é de ganhar, chegar próximo, brigar pelo primeiro lugar, pensar em campeã, e a gente vai ser campeã. A escola se renovou muito, muito mesmo, nos ensaios, muita garra, o pessoal parece que está, assim, com o sangue fervendo na veia para buscar esse campeonato. A gente merece. Eu acho que o povo está mais unido, acho que a união é a diferença. Todo mundo buscando uma coisa só”.

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Já Raquel Ribeiro, integrante da comissão de frente comandada por Thiago Soares, a emoção de estrear na escola em um ano tão importante já fez com que a componente percebesse o amor que a comunidade de Ramos tem pela Imperatriz. “Só de voltar da pandemia já é uma emoção gigantesca, o carnaval por si só já é uma grande emoção. Mas, poder estar com a Imperatriz e com ela retornando, ainda mais a Imperatriz que é uma escola de Grupo Especial, e é muito emocionante, é uma sensação que não tem explicação o que vai ser estar na Sapucaí, o que já é estar aqui. A Imperatriz é uma escola sensacional, é meu primeiro ano desfilando na Imperatriz, e poder estar à frente da escola na comissão de frente, é um orgulho muito grande, uma satisfação muito grande e eu estou muito feliz por estar fazendo parte disso. É uma comunidade completamente apaixonada pela escola, a gente percebe no canto”.

Para o integrante da velha guarda da Imperatriz Leopoldinense, Celso de Araújo, a própria letra do samba da escola para 2022 já fala do retorno da escola para o seu lugar, que segundo Celso é entre as melhores do carnaval carioca.

“É muito interessante, aí que o povo tem que se unir com a gente que o carnaval é do povo e não só das escolas, mas tem que ser do povo. Eu estou adorando pois ela está voltando ‘pro’ seu lugar. O samba está dizendo tudo isso. Voltar para o seu lugar, que a Imperatriz tem que voltar. Quem não conheceu a Imperatriz, a Imperatriz é uma escola que sempre foi boa, sempre estava nesse lugar, entre as melhores, mas a gente vai voltar se Deus quiser, Deus quer. Ela está forte, vai brigar por título. A gente não vai brigar mais não, a gente vai voltar com todo respeito às coirmãs”.

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Componentes de outras escolas também manifestaram a sua alegria pelo retorno da Imperatriz, uma escola de tradição. Welton Miranda, da comissão de frente do Salgueiro entende que o retorno da Verde e Branca de Ramos traz mais força para os componentes das outras escolas.

“É de muita importância, é para dar essa força para a gente que está aqui há mais tempo. É uma escola tradicional que valoriza as outras quando também está na disputa e o próprio carnaval”.

Lucas Eduardo, passista da Beija-Flor, valoriza a tradição da escola e relembra o tempo em que fez parte do time de componentes da Imperatriz.

“Todas as escolas de samba são importantes. Eu posso falar com particularidade porque eu fui passista da Imperatriz Leopoldinense. Então, a Imperatriz é uma escola de tradição. E, eu acho que tradição é uma coisa que a gente deve se manter. E, por isso, estamos aqui hoje (dia dos desfiles de Abertura do Rio Carnaval), pela resistência, estamos hoje na Cidade do Samba representando o carnaval do Rio de Janeiro que deveria estar acontecendo na Marquês de Sapucaí”.

Com o enredo “Meninos eu vivi… Onde canta o sabiá, onde cantam Dalva e Lamartine”, a Imperatriz vai abrir os desfiles do Grupo Especial em 2022, se apresentando no dia 22 de abril.