Série Ouro celebra volta dos ensaios técnicos que não aconteciam desde 2017
As 15 escolas da Série Ouro do Rio de Janeiro, que vão desfilar na Sapucaí, na quarta e quinta, em abril, estão ensaiando na Avenida, com o mesmo tratamento que o Grupo Especial, o que não acontecia desde 2017. Ao site CARNAVALESCO, o presidente da Liga-RJ, Wallace Palhares, comemorou o retorno.

“A volta é o grito na garganta de um ensaio que estava entalado desde 2017. Veio a gestão desastrosa do ex-prefeito e ficamos esse tempo todo sem ensaio técnico. É de direito das escolas ensaiarem. São gigantes e com protagonismo muito grande no mundo do samba. Foi um cala boa de quem achava que a Série Ouro não poderia fazer”, disse Palhares.
Segundo o presidente da Liga-RJ, o mundo do samba poderá perceber que todas 15 agremiações vão passar bem na Marquês de Sapucaí.
“Hoje, o grupo é Série Ouro. As pessoas desdenhavam quando chamavam de acesso. A gente vale muito, nossas escolas possuem protagonismo. Vocês puderam ver que todas escolas que passaram até agora estão organizadas e isso será até o fim”.
Perguntado sobre o sentimento do retorno ao Sambódromo, Wallace Palhares confessou que ficou emocionado.
“Já chorei. Sempre sou forte. Nunca fico nervoso, já fui presidente de escola e diretor de canraval, mas confesso que fiquei nervoso no primeiro dia dos ensaios técnicos, porque estava devendo isso ao mundo do samba”.
São Clemente recebe visita de Dona Déa na Cidade do Samba
A São Clemente recebeu na última sexta-feira, na Cidade do Samba, a visita de Dona Déa Lúcia, mãe do humorista Paulo Gustavo, que será homenageado pela escola no próximo carnaval no enredo “Minha Vida é uma Peça. Acompanhada de Juliana, irmã do ator, Dona Déa foi recebida pelo presidente Renato Almeida Gomes e pelo carnavalesco Tiago Martins, que apresentou as alegorias e fantasias para o desfile. Déa falou sobre a visita ao barracão clementiano.

“Fiquei muito emocionada. Já ri, já chorei… Fui muito bem recebida aqui por toda a família clementiana. Só de falar já dá vontade de chorar, mas será lindo o desfile. É verdadeiro o que eu estou falando. Não é porque é homenagem ao meu filho, mas porque a escola se superou”.

Ela também falou sobre os preparativos da São Clemente e a expectativa para o desfile.
“Era o meu sonho entrar aqui no barracão porque eu já havia desfilado na São Clemente com ele. Agora chegou a hora de homenageá-lo. Está tudo lindo, alegre, com a cara dele, com o jeito de tudo que ele sempre fez. É nota dez para a escola”.

Bateria da Viradouro dá show em ensaio na Sapucaí e mestre Ciça promete ‘grande espetáculo’
Campeã do Carnaval 2020, a Viradouro mostrou mais uma vez porque é dada como uma das favoritas ao título em 2022. No Setor 11 da Sapucaí, a bateria Furacão Vermelho e Branco promoveu grande espetáculo, com variedade de bossas e excelência dos ritmistas. A escola também levou algumas alas, passistas e casais de mestre-sala e porta-bandeira na última sexta-feira. Mestre Ciça comemorou o retorno ao Sambódromo e projetou o desfile, em abril.
“Sensação de estar aqui de novo é de vitória depois de toda essa pandemia. Eu estou há mais de 50 anos no samba, isso aqui é minha vida. O samba perdeu grandes pessoas nessa pandemia, então nós estamos aqui e vamos desfilar por eles. Psicologicamente e financeiramente foi muito difícil esse período, então eu sou um vitorioso de ainda estar aqui, com 65 anos. Teve um período que eu fiquei seis meses sem sair de casa, parecia que eu ia ficar maluco. É maravilhoso poder estar aqui de novo”, disse Ciça, que completou:
“A gente vem pra fazer espetáculo. Foi muito difícil ensaiar nessa pandemia, ficamos um ano e meio parados. Estamos ensaiando quase todos os dias agora, sacrificando um pouco a rapaziada pra poder chegar aqui a ponto de bala e fazer um grande desfile”, comentou o mestre da Furacão Vermelho e Branco.
Ao todo, a Viradouro levará 290 ritmistas para o desfile na Marquês de Sapucaí, com quatro ou cinco bossas. Ciça revelou que a bossa principal só foi introduzida na bateria na última semana. A Furacão Vermelho e Branco apresentou criatividade e diversidade, com pratos, ritmistas agachados, e canto forte dos integrantes durante uma das bossas. O mestre também comentou a utilização do metrônomo por parte dos jurados. O aparelho mede o BPM (batidas por minuto) da bateria.
“Eu não sou muito de acordo com isso, porque cada bateria tem a sua característica e isso tem que ser respeitado. Se for esse o parâmetro, acho errado. Não pode se ditar isso aos mestres de bateria. A não ser que eles julguem a queda do andamento. Se você entra de um jeito, e sai de outro, aí tem que ser penalizado mesmo. Tem que medir se a bateria vai manter o andamento. Mas não concordo muito com o uso do aparelho não”, encerrou Ciça.
Quem também marcou presença no ensaio foi Zé Paulo Sierra. Com potência e entusiasmo contagiantes, o cantor comandou o carro de som em alto nível na última sexta. O intérprete da Viradouro também falou sobre o retorno à Sapucaí, projetou o desfile no próximo mês e falou sobre o ‘favoritismo’ da escola de Niterói para o bicampeonato.
“Estar aqui é sempre bom, cantar aqui é algo indescritível, é o melhor lugar do mundo para quem milita no samba. Mais um dia de vitória, estou muito feliz. É mais uma etapa, essa aqui é uma, o ensaio técnico é outra e o desfile é a última peça do tabuleiro. Foram quase oito meses de ensaio, é atípico, tudo muito novo depois dessa pandemia e um carnaval fora de época”, disse Zé Paulo, antes de complementar:
“Acho que vai ser o carnaval dos carnavais, vai ser muito disputado, todas as escolas estão muito preparadas e com muita vontade de ganhar. A Viradouro está muito preparada, como esteve em 2019 e 2020, e vamos brigar por mais um título. Muita gente fala em favoritismo, mas tudo acontece aqui dentro, se não der tudo certo na Sapucaí, não ganha. É torcer para que tudo dê certo, e eu tenho certeza que vai dar”, garantiu o cantor.
Sucesso na comunidade, Iza esbanja simpatia e samba no pé em ensaio da Imperatriz
Nascida e criada em Olaria, bairro vizinho a Ramos, Iza ganhou o mundo, se tornou uma cantora renomada de sucessos como “Ginga” e “Pesadão”, mas nunca negou suas origens. Desde o carnaval de 2020 reinando à frente da Swing da Leopoldina, comandada por Mestre Lolo, a artista vai estrear em 2022 no Grupo Especial e tem se feito presente na comunidade neste momento de preparação. Nesta sexta-feira, a cantora participou do ensaio realizado na quadra da Verde e Branca de Ramos mostrando muita simpatia, tirando fotos, cumprimentando todo mundo, e claro, não poderia faltar, esbanjando samba no pé.
Em entrevista ao site CARNAVALESCO, Iza projetou o momento de retorno à Sapucaí depois de dois anos sem carnaval.
“Eu vou sentir muita felicidade, muita gratidão pois significa que a gente venceu esse momento, e que a gente está de volta e que as coisas estão voltando ao normal. É uma promessa que as coisas estão voltando ao normal. E isso é muito especial. Agora é o momento, é um momento de retorno, de felicidade, muita gratidão por fazer parte dessa escola”, explica a cantora.
João Felipe Drumond, diretor executivo, comentou a enorme influência que a rainha de bateria tem nas jovens das comunidades que constituem a Imperatriz Leopoldinense.
“Eu acho que a Iza é para a grande maioria das crianças, das jovens da Imperatriz, das jovens do Complexo do Alemão, das jovens do Morro da Baiana, das jovens da Zona da Leopoldina e do Rio de Janeiro, do Brasil, uma fonte de inspiração, uma pessoa que representa muito para essas pessoas. Quantas vezes a gente não escuta uma menina que está com a gente aqui na comunidade falar ‘eu queria ser a Iza’? Representa muito, pela história dela de superação, muito por onde ela veio. Ela é daqui, ela é de Olaria, uma rainha como a Iza é tudo que uma escola sonha. Além da grande artista que ela é, ela é uma pessoa que foi nascida e criada aqui é fonte de inspiração para muita gente”.
João Drumond também falou de como tem se acontecido a relação entre a cantora e a Imperatriz.
“A gente só tem a agradecer a Iza, acho que é uma parceria boa para todos os lados. A Iza não gosta muito de aparecer neste sentido, mas ela tem nos ajudado muito nos projetos sociais, ela ajudou muito nas doações para Petrópolis, nos ajudou muito nas doações que a gente faz na quadra, uma pessoa que está sempre preocupada em fazer o bem, ajudar a comunidade, e é uma pessoa que na medida do possível tenta estar alinhada com a escola para se fazer presente. Infelizmente, ela teve Covid-19, participou do mini desfile na cidade do samba, e não pode estar com a gente no ensaio técnico, mas agora é reta final, vai estar aqui com a gente direto, e vamos sacudir a Avenida com ela a frente da bateria”, projeta.

Bastante entrosado com Iza, mestre Lolo no ensaio deu espaço para que a rainha pudesse brilhar ainda mais e ser aclamada pelos componentes da escola. O mestre é só elogios para a rainha de bateria da Swing da Leopoldina.
“É gratificante, a gente que vê ela pela televisão, ver ela pessoalmente, é outra parada. E, graças a Deus ela é muito simpática. Está sempre participando, ela está bem, está bem, sabe cantar o samba, samba muito, faz as bossas, dança, a gente vai mandar bem na Avenida”, aposta mestre Lolo.

A comunidade de Ramos também demonstrou todo o seu carinho pela rainha da bateria da Imperatriz que respondia a todo momento jogando beijos e dando atenção aos componentes enquanto quebrava tudo ao som do samba que vai embalar o carnaval da Imperatriz 2022. Para a professora Glória Dias, de 57 anos, que vai estrear esse ano desfilando pela Verde e Branca de Ramos, Iza é uma rainha que entende os anseios da comunidade e inspira novas gerações com muita representatividade.

“Ela é presente na comunidade, e ela é perfeita, não tinha rainha melhor. A escola está muito bem representada por ela. É um exemplo para as meninas aqui seguirem, ela realmente é representatividade, para as mulheres negras saberem realmente aonde podem chegar, e realmente chegam, ela só confirma isso”, entende a professora.
Já para a integrante da Velha Guarda da escola, Rosely Neto, Iza tem a cara da escola por ser uma pessoa nascida e criada na região, e seu sucesso e suas conquistas orgulham demais a comunidade.

“Ela realmente nos representa, ela é uma rainha da comunidade, então todos nós recebemos ela com muito carinho, estamos muito satisfeitos com a presença dela a frente da bateria. É uma pessoa que conseguiu atingir grandes coisas. Ela nasceu aqui, ela é de Ramos, ela foi criada aqui e hoje ela voltou para o lugar dela. É ótimo, ela é famosa, ela vai trazer muitas glórias, ela vai trazer muita coisa boa para a nossa comunidade. Então, nós devemos nos sentir muito orgulhosos dela”, explica dona Rosely Neto, que é porta-bandeira da velha guarda.
A Imperatriz segue a sua preparação para o carnaval 2022 após ter realizado seu ensaio técnico. Neste domingo (20), com concentração às 16h na Rua Cardoso de Moraes com João Torquatto, em Ramos, a escola realiza mais um ensaio de rua.
‘Brincando no Avenida’, Mancha Verde realiza o primeiro ensaio técnico no Anhembi
A Mancha Verde abriu na noite da última sexta-feira o segundo fim de semana de ensaios técnicos do carnaval paulistano. O ensaio da escola alviverde foi marcado pelo discurso do presidente Paulo Serdan, onde o mandatário falou para a comunidade esquecer o treino e apenas brincar na avenida. Apesar disso, deu para ver uma Mancha Verde organizada na pista. Teve show pirotécnico nas arquibancadas e realmente uma festa dos componentes e torcedores da escola. Porém, mesmo com toda essa folia e leveza, deu para fazer uma grande análise dos quesitos neste ensaio. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO
Harmonia
A comunidade da Mancha Verde é conhecida por cantar bastante em todos os ensaios. No último treino de quadra, a escola teve um problema de luz e som no ambiente, mas os componentes não pararam de cantar o samba e, por isso, foram muito elogiados pelo presidente Paulo Serdan no mesmo dia. Esse acontecimento, somado ao discurso do presidente no ensaio técnico (citado acima), fez a escola entoar o hino de 2022 ainda mais. Foi nítido. Em todos os setores, o volume foi bastante alto e elogiado por Bruno Ferrari, integrante de comissão de harmonia.

“Nós nos surpreendemos, porque a escola compareceu em peso, entendeu o recado e respondeu com maior animação e alegria. Todos os componentes emocionados em voltar depois de dois anos aqui no Anhembi, ensaiamos com muita alegria, foi o que a diretoria pediu e eles atenderam. Viemos tirar uma onda, teve gente muito emocionada e que até passou mal. Foi um ensaio maravilhoso. Lógico que tem detalhes a serem acertados, mas isso é o básico”, disse.
Paulo Serdan, presidente da agremiação, falou sobre a paradinha que a escola realizou durante o ensaio técnico. O carro de som e a bateria pararam e, o intérprete Freddy Vianna, só ditou o ritmo do samba.
“Na verdade, não estava combinado isso. Eu falei com o mestre Guma e nós fizemos na hora. Hoje, depois de dois anos, é a primeira vez que a comunidade pisa aqui e, foi o que eu falei, nós não nos preocupamos com o tempo. Lógico que alguma coisa vimos com a comissão de frente, mas temos que deixar o pessoal passar a vontade”, comentou.
O presidente também aproveitou para dizer que a escola está praticamente pronta há um tempo. “Nós estamos finalizados há muito tempo. É que depois da saída do Jorge, nós inventamos outras coisas, mexeu em outras, mas graças a Deus, estamos prontos há um bom tempo já. Quando todos estavam na dificuldade, nós tínhamos um recurso e continuamos trabalhando, mantendo nosso pessoal e deu para dar uma ajuda legal”, completou.
Mestre-sala e porta-bandeira
O casal Marcelo Silva e Adriano Gomes, vencedores do último prêmio Estrela do Carnaval, teve um desempenho satisfatório. Na apresentação para as torres de jurados, mostraram sincronia, leveza e sorriso no rosto. Nos demais terrenos do Anhembi, foi visto que o casal deu uma “segurada”. A porta-bandeira avaliou o ensaio. “Estamos montando a coreografia tem um ano e meio. A gente colocou na avenida para ver se vai dar certo. Mas já entendemos que tem coisa que a gente vai ter que trocar daqui uma semana. Mas o ensaio é para isso, para ver se vai dar certo no conjunto da obra. Uma coisa é a gente vir aqui toda semana e fazer o nosso ensaio especifico sem a escola junto. Com a escola junto a gente precisa ver se o andamento vai dar certo ou não. Vamos trocar algumas coisas de posicionamento, tanto da posição de jurado, para a gente vir no próximo ensaio mais perfeito. A gente tem uma coesão na nossa dança muito forte, que é o sincronismo. Se a gente perder isso, não vai tirar nota. Para o próximo ensaio, a gente vai trabalhar muito isso, é o nosso posicionamento de saída do jurado. Perante a posição que a gente está na escola hoje. É uma coisa pouca, dá para fazer a partir de amanhã”.

Wagner também analisou o ensaio e citou uma lesão na perna. “Na verdade, é isso que a Adriana falou. A gente está há um ano ensaiando. Hoje, a gente colocou em prática o que a gente tem ensaiado com o andamento da escola. A gente vai ter que adaptar ao andamento. Deu 100% certo? Não, não deu. Como a Adriana disse, trabalhar com a sinceridade. Mas agora é trabalhar com o andamento da escola também que é preciso. A nossa apresentação, a dança em si para esse carnaval está pronta. Agora é adequar a dança ao andamento da escola. Para mim é minha perna melhorar. Estou com probleminha na perna, mas estou treinando para o carnaval. Estou fazendo uma fisioterapia e até lá vai dar tudo certo, se Deus quiser”, finalizou.
Samba-enredo
O hino da Mancha Verde para o desfile é bastante leve em sua melodia. Atende muito bem a proposta do enredo e possibilita a comunidade de entender com facilidade e cantar forte. Destaque para a última estrofe do hino. A mais cantada pelo componente. “A terra, deixando o clamor pra humanidade, a nobre missão de preservar, nosso futuro e nosso lar”. Os refrões também são bastante cantados. Prova essa, vista no ensaio técnico. O carro de som, comando pelo intérprete Freddy Viana, vem muito bem treinado há tempo. Destaque para as segundas vozes que eles fazem durante o canto. Freddy Viana analisou o treino e exaltou o samba.

“Sou suspeito para falar. Acho o samba da Mancha Verde um dos melhores do ano, e um dos melhores que a escola já teve, na história da Mancha. Ainda não tivemos a oportunidade, vai acontecer é claro, de sambar com esse samba, alegorias e tudo mais. Mas olha, vou te falar, minha ala musical juntamente com cordas e cantores eles são apaixonados pelo samba, e estão fazendo um trabalho magnífico. Eu tenho certeza que
esse Anhembi vai balançar com o samba da Mancha. Sempre pode melhorar alguma coisinha né? Sou muito chato com detalhes, e o som mesmo não ajudou muito. A gente tem um som sem um retorno da avenida. No segundo ensaio isso aí já será colocado, o som será posto na avenida. E nós vamos corrigir eventuais falhas, mas como falei, sou muito detalhista, e são coisinhas mínimas que iremos resolver, vamos arrebentar com o
samba”, explicou.

O cantor também exaltou a escola e a saudade que estava de ensaiar no Anhembi. “Ponto alto foi a escola toda, a escola está vibrando, está com vontade, como o carnaval de São Paulo inteiro está com vontade de pisar nesta avenida. E a Mancha não é diferente, e ela tem uma essência diferente, que ela é uma escola guerreira, de chegada, e nós vamos chegar. Saudade tremenda, a cada samba que eu fazia um esquenta ali eu me arrepiava mais e mais. E saber que nós estamos de volta, que o samba resistiu, é a melhor coisa do mundo. A gente tem que agradecer papai do céu por isso, que nós estamos vivos e estamos cantando, celebrando, mais uma vez o nosso samba”, afirmou o cantor.
Bateria
A batucada Puro Balanço, comandada por mestre Guma, teve um bom desempenho neste ensaio. Executou as bossas corretamente. Mas, o ponto alto foi o momento em que realizaram a paradinha dentro do samba, deixando a comunidade da Mancha Verde cantar sozinha. Destaque para a bossa da última estrofe que é emendada com o primeiro refrão. O desenho do tamborim e os chocalhos também se sobressaem dentro da batucada. Vale ressaltar que a bateria irá desfilar no primeiro setor da escola. Pelo menos é o que foi mostrado neste ensaio. Meste Guma, diretor de bateria da escola, enalteceu a energia da escola.
“Acho que no geral, assim, o que contou mais foi a vibração da volta. A volta tão esperada de juntar a escola na avenida. A gente ficou um bom tempo parado, praticamente 2 anos. A gente está falando do mesmo carnaval, o mesmo samba. Dentro de casa a gente cansa um pouco. A gente estava com essa sede de sair e ver o que ia acontecer aqui. E hoje, a minha avaliação, nem tecnicamente porque na bateria a gente sabe que passou bem, passou legal, mas a energia, a atmosfera que estava hoje na avenida, assim, surreal. Eu senti isso no geral. Meu ponto positivo, destaque, vai pra energia da galera. Todo mundo cantando, motivado, vibrando, principalmente na bateria. Meu destaque é esse”, disse.

Guma também avaliou o ensaio e falou sobre as bossas que a bateria vem realizando. “Sempre tem coisas a melhorar. Agora, a gente vai pra casa, esfria a cabeça, abaixa a adrenalina. A gente vai assistir o que vem de material pra avaliar e conversar com a diretoria. Mas sempre tem pontos pra gente acertar até o dia do desfile. A gente tem mais um ensaio técnico, temos ensaio na quadra também. Tudo que a gente vai apresentar já executamos aqui. Viemos de um processo longo e cansativo, então não tem segredo, não tem mistério. A gente está trabalhando em cima do regulamento, pra cumprir as obrigações, pra tirar nota, pra somar com todos os quesitos. São duas bossas que nós fizemos. Como no critério tem a pontuação de criatividade, a gente acabou juntando essas duas bossas em uma só, mas em trechos diferentes do samba, uma no começo do samba e uma no final. Ouvindo parece que tem mais coisas, mas terão duas bossas”, explicou.

Evolução
Apesar da escolar ter “brincado”, como indicado pelo presidente Serdan, a evolução da escola foi correta. Não houve buracos, os espaçamentos entre um componente e outro dentro das alas, estavam corretos e os harmonias das escolas, ficavam orientando a comunidade durante todo o percurso. Queira ou não, alguns componentes, vão para o ensaio com a mentalidade de ensaiar e executar tudo corretamente, mas com o discurso, talvez esse peso das costas tenha sido tirado e o folião tenha se soltado devido a isso. Vale ressaltar que o espaçamento das fitas que compõe o tamanho das alegorias, foi bem executado e não influenciou no andamento da escola.

Outros destaques
O ensaio começou com o esquenta da bateria. Após foram cantados os sambas de 2019, ano do título da escola, e o hino de 2020. Depois disso, já partiram para a arrancada. Como a Mancha Verde foi a escola solitária a fazer o ensaio técnico nesta sexta-feira, uma talvez liberdade maior, pois o ensaio começou alguns minutos depois de 21h45 (horário marcado para o início). Destaque importante: Aparentemente, a comissão de frente, vem simbolizando algo referente à cultura afro. Em sua maioria, a ala é composta por mulheres.

Portanto, foi um ensaio satisfatório e agradável de assistir para quem estava no Sambódromo do Anhembi. Como dito anteriormente, a escola foi induzida pelo presidente Paulo Serdan, a brincar na avenida e, realmente, essa foi a tônica do primeiro ensaio técnico da Mancha Verde visando seu desfile de 2022.

