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Apesar da forte chuva, Tom Maior realiza grande ensaio técnico

No fim da tarde e começo da noite de domingo, a Tom Maior realizou o seu primeiro ensaio técnico no Anhembi com o objetivo de se aprimorar para o seu desfile em abril. O treino foi marcado pelo temporal que ocorreu no meio do treino e que lavou a alma dos componentes da comunidade vermelho e amarelo. Nada abalou o ânimo dos desfilantes, pelo contrário, parece que foi um gatilho para incendiar ainda mais o canto, que já era muito bom. Vale
ressaltar que mesmo com as fortes ameaças de chuva e o horário não tão comum de ensaio (18h), a Tom Maior conseguiu levar um ótimo contingente de pessoas. As alas compareceram em peso. Isso mostra o comprometimento da comunidade.

Harmonia

Até pelo ótimo número de pessoas levadas ao ensaio, o canto foi o destaque neste primeiro ensaio. Sem hesitar, toda a  comunidade foi muito bem. A entrega das alas foi ótima. As duas últimas estrofes do samba, são as mais cantadas, juntamente ao refrão principal. Também tem o detalhe da chuva. Sempre se diz que atrapalha tudo, e é um fato, mas nesse caso foi diferente. Na hora que começou o temporal, os desfilantes se empolgaram ainda mais. A alegria da comunidade de Sumaré era nítida e tudo foi demonstrado dentro do canto.

O diretor de harmonia, Yves Alexeiv, analisou a performance da Tom Maior. “Sensacional. Voltar aqui ao Anhembi depois de dois anos de ausência, reencontrar os nossos componentes e conseguir fazer o ensaio técnico. A largada foi emocionante. Ouvir o nosso hino aqui de novo foi marcante. Tivemos um bom contingente, com praticamente todas as alas completas, e do jeito Tom Maior. O jeito descontraído, alas soltas, sem marchar, que é o jeito que a gente, gosta, o jeito que a gente estipula para o nosso desfile. Dentro do que a gente se propôs a fazer achei que foi muito bom. Tem alguns erros a corrigir, e é por isso que fazemos ensaios, né? Mas temos pelo menos aí vinte e poucos dias para o carnaval e ainda dá tempo para corrigir os problemas, inclusive para o segundo ensaio técnico. Mas eu saio com um sentimento muito bom e com expectativa muito boa para o desfile”, disse.

Yves também falou das péssimas condições de enfrentar uma forte chuva. “O andamento foi prejudicado pela forte chuva que caiu no meio do ensaio. Toda parte de comunicação de rádio pifou, cronômetro pifou, foi meio caótico. Foi uma chuva muito forte. Mas o dia que não chover no ensaio da Tom Maior não é ensaio da Tom Maior. A gente já tem uma tradição aqui com chuva e então vamos nos preparar inclusive pra isso, né? Vai que no dia do desfile acontece a mesma coisa, então a gente tem que estar sempre preparado. Não pode falhar o cronômetro, não pode falhar a comunicação. É o tipo de coisa que temos que corrigir para os próximos ensaios’, completou.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O longevo casal Jairo Silva e Simone Gomes, que está indo para mais um ano juntos na comunidade do Sumaré, desempenhou um papel satisfatório dentro do possível. Antes do ensaio começar, já havia caído alguns pingos de chuva, o que foi suficiente para deixar a pista molhada e, perto do recuo, começou a tempestade. A porta-bandeira até tirou o salto para desfilar descalça. Na chuva, o quesito que se mais complica é o casal. O pavilhão fica pesado, o vento aumenta e a pista fica molhada.

casal tom
Fotos de Felipe Araujo/Divulgação Liga-SP

“Se não cair essa chuva nesse horário, não é a Tom Maior. É lógico que atrapalha. Tem que redobrar os cuidados na avenida. O chão é escorregadio, tanto que eu tirei a sandalha. Achei que ia melhorar e não melhorou, mas é bom também que te dá aquela energia
gostosa”, disse a porta-bandeira.

Simone Gomes analisou sua atuação individual. “Graças a Deus consegui executar tudo direitinho a nossa coreografia. Nós estamos há muito tempo trabalhando isso. Deu tudo certo’, finalizou.

Samba-enredo

É um fato que o samba da Tom Maior caiu nas graças da comunidade. O enredo do ‘Pequeno príncipe do sertão’, remete a algo muito mais alegre. Essa é a característica da escola. Quase todos os anos vitoriosos da agremiação vermelho e amarelo, foram seguindo a linha de contar uma história de forma lúdica. Sempre que a Tom Maior fizer isso, a tendência é a comunidade acatar a ideia e contribuir para o sucesso dos desfiles e ensaios.

Também vale destacar a atuação do intérprete Gilsinho, que está estreando no carro de som da Tom Maior e já está se mostrando adaptado à nova casa. O cantor conduziu muito bem o samba durante todo o percurso de ensaio.

gilsinho tom

Gilsinho, intérprete da escola, exaltou a comunidade. “Achei muito bom. Achei que a comunidade se comportou muito bem e cantou o samba. A harmonia ajeitadinha, fazendo o trabalho dela. Bateria não tenho nem o que falar, a bateria do Carlão é top de linha, chega quase à perfeição. Ninguém chega à perfeição, mas a gente chega bem perto disso. E, claro, eu estou super feliz, a escola passou bem, passou com tempo bom, entramos no box com tranquilidade, saímos com tranquilidade, e a escola passou toda tranquila. Carro de som maravilhoso, todo mundo cantando muito bem, com energia, mas sempre com a técnica apurada. Foi muito bom, os casais se apresentaram muito bem. Foi bom, eu gostei demais. De onde vi, do que eu vi, foi bom demais. No segundo ensaio a gente pode dar um pouquinho a mais. Se chegamos a 80% hoje, no próximo ensaio daremos tudo pra chegar ao 100%. A chuva, quando caiu, eu senti que a escola deu aquela descansada, mas acordou e veio todo mundo no embalo, foi super legal. Tomara que no dia 9 não chova”.

Bateria

A bateria ‘Tom 30’ teve uma atuação satisfatória. Dá para notar uma mistura de andamento cadenciado com uma certa aceleração em alguns momentos, o que casou com que o samba pede. Destaque para a bossa do refrão do meio, onde as caixas se sobressaem e ditam o ritmo de tudo. Pegando o gancho, tal instrumento é destaque. A afinação desse naipe é o que sustenta e dá o tom de toda a bateria.

mestre tom

O diretor de bateria, mestre Carlão, avaliou o desemprenho da Tom 30. “Avaliação nossa é a melhor possível. Nós começamos sem chuva, ensaiamos debaixo de temporal. Depois terminamos sem chuva. Nós tivemos tudo hoje, as três estações climáticas, ou duas pelo menos, que possam acontecer, nós encaramos hoje. Foi um bom desfile que o pessoal teve, a comunidade, as alas, fico feliz, a bateria se comportou bem, vamos trabalhar, dia 9 tem outro. Os instrumentos estavam bem preparados, para a chuva, a previsão era de chuva. E correu tudo bem, bom ensaio” analisou.

Evolução

Nem a chuva atrapalhou a evolução da Tom Maior. Tirando a porta-bandeira Simone, que teve de tirar o salto e desfilar descalça após o temporal, os componentes conseguiram cumprir o seu dever. Houve uma sincronia muito bacana entre os integrantes da harmonia e as alas. Os componentes sabiam e acatavam os deveres de posicionamento no mesmo instante. Com certeza, isso se deve aos ensaios de rua da agremiação. A Tom Maior ensaia constantemente no Bom Retiro e isso dá uma noção maior de espaço que deve ser imposto dentro da pista.

compoenentes tom

Outros destaques

Vimos uma comissão de frente com uma dança bem alegre, trazendo um grande elemento alegórico e com uma vestimenta de quadrilha. Todos com camisas quadriculadas e chapéus de palha. Na dispersão, Gilsinho mostrou a alegria de desfilar com a sua filha, Maria Eduarda. “‘E eu tive a honra de desfilar com a minha filha, Maria Eduarda, que é a segunda princesa infantil do carnaval. Tirou a maior onda comigo aí hoje, e a gente está super feliz com isso”, disse. Maria Eduarda também se mostrou bastante feliz em estar ao lado de seu pai. “Eu estou muito feliz. É a primeira vez, né, então eu estou muito feliz, e vamo que vamo que aqui é Tom Maior, hein. É tudo nosso, “brincou.

Comunidade canta forte e Tatuapé faz ensaio avassalador

O Tatuapé realizou na noite de domingo o seu primeiro ensaio técnico, no Anhembi, visando o carnaval de 2022. Dentre as escolas que também ensaiaram neste dia, a agremiação azul e branco foi a que mais se destacou. Uma performance fantástica que a comunidade executou na pista. Evolução e harmonia da escola foram os pontos altos no treino. O samba-enredo puxado por Celsinho Mody, colaborou para o ensaio ser produtivo. Do início ao fim. Uma arrancada que levantou o astral dos desfilantes de uma forma sensacional.

Harmonia

Como observado, o canto da comunidade ecoou no Anhembi. A análise feita é que não dá para escolher qual ala cantou mais ou menos. Todas foram impecáveis do início ao fim. O sorriso estampado no rosto dos componentes era nítido. A interação dos integrantes da harmonia com os desfilantes foi de suma importância para essa atuação. Todo o trabalho de canto que estava sendo desenvolvido nos ensaios de quadra, foi colocado na avenida. E até melhor. A harmonia sempre é trabalhada de uma forma densa dentro da agremiação. Os ensaios são levados a muito sério. Aos sábados, por exemplo, que seria um dia para descontrair, os desfilantes comparecem em peso para ensaiar de fato. Vemos isso frutificar dentro da avenida.

Eduardo dos Santos, um dos presidentes e membro da comissão de carnaval, avaliou o ensaio. “Foi muito legal, e para nós, tínhamos uma expectativa muito grande em cima desse ensaio. Primeiro, porque ele foi recheado aí de saudade, de emoção, né? Há dois anos que a gente não pisava aqui no nosso solo sagrado do carnaval de Sâo Paulo. Estava todo mundo com muita saudade, com muita vontade. O povo estava emocionado. A gente concentrou lá debaixo de um temporal, mas acho que isso serviu para animar ainda mais o nosso povo. Nossas alas estão praticamente esgotadas, a nossa quadra está recebendo um número muito legal de pessoas, que era exatamente a nossa expectativa. E nós estamos fazendo sempre nossos ensaios de quadra, ensaios de rua, mas é sempre uma expectativa grande quando a gente vem pra cá, até pra gente sentir, medir se tudo que a gente está fazendo lá realmente confirma aqui. Por ser o primeiro ensaio, depois de dois anos, com essas condições todas, com chuva, apesar de tudo a gente fez um ensaio bom, muito bom. Como primeiro foi muito bom, e dia 10 de abril a gente volta pra cá, e eu tenho certeza que ele vai ser melhor do que foi hoje e dia 22 de abril a gente vem pra cá e eu tenho certeza que será melhor que os dois juntos”, disse o dirigente.

Eduardo também enalteceu a comunidade, que realmente deu um show no ensaio. “Como sempre é a sua comunidade, seu componente. Esses caras que se entregam, que são apaixonados por nossa escola e que mesmo com essa tempestade que caiu aqui vieram pra cá, cantaram como sempre cantaram, evoluíram como sempre evoluíram. Essa é a nossa grande marca. A marca do Tatuapé é a nossa comunidade. Sem o nosso componente, nós não somos nada, e graças a Deus eles estavam aqui hoje como sempre, fazendo seu papel, cantando como nunca, evoluindo como nunca, evoluindo como nunca, trazendo essa energia toda aí e eu tenho certeza que a gente só tem a melhorar”, completou.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O casal Diego do Nascimento e Jussara de Sousa teve um ótimo desempenho no ensaio. A felicidade ao final do treino corrobora com a análise. Mostraram movimentos sincronizados, sorriso no rosto, coreografia leve dentro do samba e de fácil leitura. Ambos ensaiaram vestidos na cor azul marinho e laranja. O mestre-sala avaliou o desempenho no ensaio e se mostrou feliz com a apresentação.

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Fotos de Felipe Araujo/Divulgação Liga-SP

“Superou as nossas expectativas. Nós estávamos confiantes, mas nós tínhamos nossos ensaios específicos, com caixinha de som. Hoje a gente sentiu realmente a energia da escola, porque se a gente for falar do canto da Tatuapé a gente absorve essa energia e não tem cristão que pare um casal de mestre-sala e porta-bandeira quando começa a dançar. Pra mim foi mais do que esperávamos hoje’, comentou.

Jussara completou dizendo que se surpreendeu com desempenho no ensaio. “Fiquei até um pouco emocionada, porque são dois anos que a gente não pisa aqui com a bateria, praticamente dois anos. Claro, com toda a responsabilidade que a gente tem, a emoção não deixaria de estar presente no nosso ensaio. E concordo com o que o Diego falou. Eu até me surpreendi com nosso ensaio. A gente vem ensaiando muito durante a semana, aqui no Anhembi e fora daqui fazendo nossos treinos funcionais, cuidando da máquina que o nosso corpo. Não podemos nos esquecer do corpo. Foi lindo, a escola está de parabéns. Agradecer à comunidade, à nossa diretoria, e dia 10 tem mais”, finalizou a porta-bandeira.

Samba-enredo

O tão aguardado samba do Tatuapé dentro da avenida, pegou. O hino da agremiação, demorou para ser divulgado. Até foi escolhida uma junção. Mas, a escola optou por fazer alguns ajustes e resolveu colocar em público muito tempo depois. A introdução, onde se fala, “toca aí mandingueiro”, foi uma boa sacada da escola e deu um ritmo diferente.

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O brilhante Celsinho Mody, que também foi um dos destaques nos ensaios, novamente colocou a comunidade para cima. Desde que chegou, faz isso com maestria e construiu uma identidade enorme com a agremiação. Impressionante como o cantor brinca dentro do samba. O intérprete proporcionou uma arrancada fenomenal, que de longe deu para ver como ele colocou os componentes lá no alto. Vale destacar o refrão do meio: ‘tanacinê, tanasanã, ina inê, tanuotã’. Uma linguagem diferente que é usada especificamente no canto do Preto Velho. Encaixar isso dentro do samba, foi uma bela sacada do Tatuapé.

Celsinho Mody também exaltou o canto da comunidade. “Primeiro que é uma satisfação e eu agradeço a Deus pela oportunidade de cantar nesse palco mais uma vez em um ensaio técnico. O Tatuapé é uma escola linda, né, que tem prazer de cantar, sambar e ser feliz. Eu vi uma escola cantando muito, praticamente berrando o samba, uma evolução linda, uma bateria maravilhosa e eu sou apaixonado por esse samba. Hoje foi um dia de vitória com muita certeza’” analisou.

Bateria

A bateria ‘Qualidade Especial’, regida por mestre Igor, mostrou um desempenho satisfatório. Como de costume, o andamento foi acelerado, o que é a característica da batucada da escola e, a impressão que se passa, é que o samba-enredo foi construído pensando nesse andamento. Sobre as bossas, o destaque vai para a de ‘Aruanda’. Tem duas nessa parte. Mas, a principal é a que interage com a comunidade, onde os componentes cantam a uma só voz. Outra bossa que aparece é no refrão principal. Nessa, os surdos e os agogôs são mais destacados. Aliás, o agogô é um símbolo da agremiação. Está estampado no pavilhão da escola e sempre é enaltecido dentro da batucada ‘Qualidade Especial’.

Mestre Igor, diretor de bateria do Tatuapé, falou sobre o ensaio. “Por ser o primeiro ensaio, foi bastante positivo. Nós temos algumas coisas para corrigir, é natural. Mas poucas coisas, a gente está chegando pertinho do 100% para poder fazer o desfile no dia 23, entramos no dia de São Jorge”, explicou.

mestre tatuape
Fotos de Felipe Araujo/Divulgação Liga-SP

Igor também falou das bossas e do ponto alto do ensaio. “Dentro da bateria não tenho como avaliar muito o que aconteceu no ensaio. Mas acho que o canto da escola foi um ponto bastante alto. Da bateria tínhamos algumas coisas a acertar do ensaio que fizemos na quinta-feira. Foi corrigido. Ponto alto é a gente trabalhando para nosso povo cantor. As nossas bossas são todas para nossos componentes cantar, arquibancada cantar. ‘A gente vem com três bossas. Mais um apagão e uma gracinha que tem ali no meio. Vai tudo vir para a avenida, já está tudo certinho para vir”, completou.

Evolução

A evolução do Tatuapé foi perfeita. As alas evoluíram perfeitamente, sambaram no pé e ninguém ficou parado. Os componentes evoluíam de um lado para o outro, sem ficar em linha reta, o que se manda para atingir a nota máxima. As alas coreografadas vinham destacando a época do café, como a plantação. Outra ala de destaque veio com um cajado, fazendo movimento do Preto Velho, se encurvando para trás e para frente.

baianas tatuape

Toda a comunidade tem algumas coreografias que são padrão em certos momentos. Na parte do ‘Aruanda’, todos levantam o braço para cima. Logo após o primeiro refrão, onde o samba fala ‘incorporei’, os componentes movimentam o corpo para trás e para frente.

Outros destaques

A comissão de frente vem representando o Preto Velho junto aos orixás. Na encenação, tivemos a divindade homenageada, junto com Xangô, Oxóssi, Oxum, Oxalá e todos os divinos orixás. Dava para identificar os orixás pois eles estavam com seus objetos característicos. Xangô de martelo, Oxóssi com arco e flecha, Oxum com seu espelho e Oxalá de cajado. Os movimentos atenderam muito bem o que se pede no manual, que é preencher o espaço e remeter de forma correta e fácil o que a escola quer apresentar na avenida.

Com canto forte e show de Claudinho e Selminha, ‘Dinastia Beija-Flor’ mostra que está de volta

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Aguardado com muita ansiedade pelo povo do samba e seus torcedores, o ensaio técnico da Beija-Flor de Nilópolis no último domingo conseguiu superar todas as expectativas e arrebatou o público presente na Marquês de Sapucaí. Desde a comissão de frente, com passos marcados e coreografia muito bem definida, passando pelo bailado primoroso de Selminha e Claudinho, a potência da bateria e um samba-enredo festejado pelo nilopolitano, a harmonia e evolução coroaram um trabalho que se desenvolve cada vez mais forte pelo time da escola. Ao todo, o treino levou 1h06 da concentração à dispersão. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO

“Foi um grande ensaio, conforme a gente vem fazendo na Mirandela, aqui a gente marca o tempo mais exato da escola, a evolução perfeita, no nosso tempo e deu tudo certo. Agora só preciso bater um papo com quem vinha mais atrás para saber como é que foi. Estamos ensaiando tem muito tempo, acho que estamos prontos. Mas é depois de hoje que de repente algum diretor de ala, harmonia ou carro de som vai conversar para confirmar se está tudo certo. Acredito que a escola está muito pronta, ensaiada, todo mundo sabe o que vai fazer e estamos muito felizes”, disse Dudu Azevedo, diretor de carnaval.

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Fotos de Allan Duffes/Site CARNAVALESCO

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Três décadas de uma linda história de amor. É assim que Selminha Sorriso e Claudinho chegarão na avenida em 2022: comemorando 30 anos de uma parceria que emociona todo sambista. Há 27 anos somente na Beija-Flor, o bailado preciso da porta-bandeira, com toda sua graça, leveza e sorriso inconfundível, completa um casamento eficiente com o riscado afiado do seu mestre sala. Não é possível negar que por onde passam, o casal paralisa quem assiste a apresentação deslumbrante da dupla. Ao longo dos 2m40 em frente aos módulos de julgamento, eles arrancaram aplausos do público presente na Sapucaí.

Em termos técnicos, não houve falhas de execução. A bandeira esteve todo o tempo desfraldada, casal com olho no olho, cortejo, bailado preciso e muito vigor. Trajados em azul bebê, ela com um belo vestido em pedrarias e ele com um terno cintilante, os dois se apresentaram com categoria e elegância. Poder acompanhá-los é um deleite para os olhos.

“Aqui é nosso lugar de fala. O nosso quilombo. Somos privilegiados quem está nesse carnaval. Agradecer pelas vidas e orar por quem se foi. Sempre um mistério pisar aqui, não tem receita de bolo, a emoção se renova. A nossa fantasia é roupa mais diferente que vestimos. Tanta gente esperando a gente. São 30 anos como casal”, comentou Selminha.

“A gente estava com fome e sede disso. Perdemos tantas vidas. Agora, vamos celebrar a vida. Ainda não colocamos a coreografia, ainda tem muita surpresa”, completou Claudinho.

Harmonia

O canto forte dos seus componentes prevaleceu durante a passagem da Beija-Flor pela passarela. A comunidade nilopolitana abraçou a obra com muito vigor e entusiasmo. Todos os segmentos da agremiação provaram que estão com a letra do samba decorada, o que reflete o excelente trabalho de harmonia da azul e branco. Não houve oscilação de canto.

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Muitas foram as alas que se destacaram ao longo de todo o percurso pela avenida. Já na abertura, antecedendo o tripé que representava o abre alas, a primeira ala coreografada deu um show na execução da coreografia e no canto. Destaque também para as alas 13 e 15. A segunda, além de entoar com bravura a letra do samba, estava com uma minuciosa pintura facial para compor o figurino no ensaio. Da concentração até a praça da apoteose, vozes se misturaram em um coro vindo do peito do nilopolitano.

“Foi nítida a garra da nossa família, a família Beija-Flor, a garra do povo do samba, eu tenho certeza absoluta que quem vai ganhar é a nossa festa. Depois de dois anos dessa saudade toda do mundo do samba, do carnaval, a gente não tem nem palavras, estou super feliz. Mais uma vez um sonho realizado, nós sambistas somos vencedores por tudo o que a gente passou, a pandemia violentíssima, o nosso povo tá aí de pé. Logicamente, lamentando muitos que se foram, mas a festa continua”, disse Neguinho da Beija-Flor.

Evolução

A Beija-Flor levou um grande número de pessoas para a Marquês de Sapucaí, se mostrou compacta e evoluiu sem problemas pela pista. Os componentes da azul e branco preencheram toda a avenida. Pode-se ver muita gente à vontade para mostrar seu samba no pé. A escola trouxe algumas alas coreografadas, propiciando um belo efeito visual. Em uma das alas os integrantes vestiam capas cor de laranja com frases anti racistas como “Respeite a cor da minha pele”, “Meu cabelo é resistência, não é moda”, entre outras…

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Não houve correrias ou lentidão, muito pelo contrário. Com calma, a escola fluiu de uma maneira muito segura. Era possível observar no rosto dos brincantes a leveza e a alegria de retornarem ao solo sagrado do sambista. Ao longo de toda a passarela, diretores de alas direcionaram os desfilantes para que tudo saísse conforme o planejado.

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Quem acompanhou o ensaio do último domingo, observou que a escola levará para seu desfile várias alas coreografadas. Todas, sem exceção, executaram seus passos de maneira exemplar, sem enroscos, correria ou lentidão. O uso de bastões nas coreografias trouxe o volume apropriado. Vestindo saias azuis e com uma bela estamparia em tons mais quentes na camiseta, as baianas da Beija-Flor evoluíram com bravura. Já na frente da bateria, a ala de passistas da escola também representou à altura do que a escola levou na avenida. O nilopolitano deu show.

Sem dúvida, foi um grande ensaio da Beija-Flor, com o protagonismo dos segmentos da comunidade nilopolitana que cantaram e sambaram até o fim. Porém, a quantidade de pessoas que não faziam parte do ensaio e estavam transitando na pista era grande.

Samba-Enredo

O samba-enredo foi intensamente cantado pelos integrantes da azul e branco de Nilópolis. Provou que a “Dinastia Beija-Flor” está de volta com toda a sua potência. Os versos “Mocambo de crioulo sou eu, sou eu/ Tenho a raça que a mordaça não calou” eram entoados com ainda mais intensidade.

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Para sustentar o samba, um carro de som de peso: Igor Pitta, William Santos, Ronaldo Junior e Jéssica Martin conduziram a apresentação ao lado do intérprete oficial da escola, Neguinho da Beija-Flor. Sempre preciso, a principal voz da escola manteve o fôlego e sustentou a melodia durante todo o ensaio com sua voz e presença inconfundível. Mesmo depois de décadas, Neguinho é, sem dúvida, um dos grandes pilares e responsável pela presença de impacto que a agremiação causa ao pisar na avenida. No início, o intérprete dedicou o ensaio ao cantor Bakaninha, que faleceu no final de janeiro. O tradicional grito de guerra dele foi substituído por “Olha o Bakaninha aí, gente”.

Bateria

A bateria, dos mestres Rodney e Plínio, sustentou o canto da escola e manteve o mesmo andamento até o fim do ensaio. Foram diversas bossas, uma delas no começo do samba “A nobreza da corte é de ébano/ Tenho o mesmo sangue que o seu…”, onde há um “apagão”, retomado logo depois pela levada dos repiques-mor.

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Na frente da bateria veio Raíssa de Oliveira, a rainha da escola. Vestida com uma fantasia com muitos búzios, a beldade mostrou mais uma vez seu samba no pé. Ao seu lado, Neide Tamborim, com uma bela fantasia em tons mais quentes e uma cabeça muito exuberante, exibiu uma performance à altura. Com uma presença sempre vibrante e muito samba no pé, a personalidade mostrou-se afiada com o ritmo e cadência da “Soberana”. Além disso, as duas esbanjaram simpatia na interação com a arquibancada.

“No prisma da bateria, pra mim foi perfeito, a escola cantou, a bateria veio maravilhosamente bem, mas não foi surpresa nenhuma porque a gente trabalha muito. Eu não estou desmerecendo ninguém, é que podem até trabalhar igual a gente, mas trabalhar mais que a gente não trabalham e o resultado é um ensaio maravilhoso e que você vê o semblante feliz dos ritmistas, então isso é reconhecimento do trabalho. Eu estou muito orgulhoso, porque aqui é uma família. Vamos desfilar com 250 ritmistas. O samba é muito rico, com melodia muito rica”, afirmou mestre Rodney.

Outros Destaques

Assinada por Marcelo Misailidis, a comissão de frente da azul e branco apresentou passos fortes e um canto potente. Na análise pré-carnaval do que foi observado no ensaio, a expectativa é de que a escola traga a mais bela e impactante comissão em comparação com os últimos desfiles. Os bailarinos receberam uma tinta dourada no corpo que compôs o figurino utilizado nas mesmas cores. Em seus pés, sapatos de couro rústico e búzios. O grupo executou uma dança extremamente plástica e expressiva em cima da letra do samba.

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Por fim, destaque também para o tripé que representava o carro abre-alas e exibiu dois telões em que figuras históricas da Beija-Flor foram apresentadas. A imagem de Laíla, um dos nomes mais importantes da trajetória da soberana pela passarela do samba, emocionou.

A ex-bbb Brunna Gonçalves e a cantora Jojo Todynho vieram como destaques, sambando entre as alas da escola. Com o enredo Empretecer o Pensamento é Ouvir a Voz da Beija-Flor, desenvolvido pelo carnavalesco Alexandre Louzada, a agremiação de Nilópolis será a última a desfilar no primeiro dia do Grupo Especial, na sexta-feira, 22 de abril.

Participaram da cobertura: Eduardo Frois, Ingrid Marins, Gabriel Gomes, José Luiz Moreira, Isabelly Luz, Karina de Figueiredo, Lucas Santos, Luan Costa, Allan Duffes, Philipe Rabelo e Walter Farias

Furiosa e comissão de frente roubam a cena em ensaio técnico do Salgueiro com forte canto da comunidade

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O Salgueiro fechou o terceiro dia de ensaios técnicos do Grupo Especial com um show de canto da comunidade e grande exibição da bateria Furiosa. Neste domingo, a comissão de frente de Patrick Carvalho também teve apresentação digna de aplausos, além do comando do microfone com maestria por Emerson Dias e Quinho. Infelizmente, a perfeição no ensaio ficou para próxima, devido a um erro do casal de mestre-sala e porta-bandeira no primeiro módulo julgador. O ensaio da vermelha e branca, com enredo ‘Resistência’, durou 1h03. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO

“O canto da comunidade está de arrepiar! Eu tive um problema e acabei deixando de estar presente em um dos ensaios, acompanhei pela internet e fiquei impressionado com o canto da comunidade, eu não tinha noção do quanto a minha comunidade canta. A minha comunidade hoje está muito além daquilo que podemos esperar de uma escola de samba, no ensaio mostramos o que é ter o Salgueiro na avenida. Entrar aqui, ver o público e as as coirmãs se apresentando é simplesmente emocionante. Por incrível que pareça, desde o primeiro ensaio que fizemos com a comunidade, parecia que já estávamos prontos para desfilar. Fizemos o ensaio de canto na quadra, pensei que já estávamos prontos para ir para a rua. Quando fomos para a rua, afirmei que já estávamos prontos para vir a avenida, e agora digo que estamos prontos para o desfile oficial”, assegurou Alexandre Couto, diretor de carnaval.

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Harmonia

O Salgueiro colocou, mais uma vez, à prova o chão forte da comunidade e cantou o samba do início ao fim. Todas as alas da escola não pouparam voz e impulsionaram também as arquibancadas, que foram junto com a agremiação. As alas vieram intercaladas com camisas vermelhas e brancas, e algumas trouxeram alguns adereços, como bolas e lenços. A ala 8, ‘Loucura Salgueirense’, foi uma das mais animadas, e em determinado momento, a ala 17 passou um pouco mais fria.

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Alguns componentes da agremiação cometeram alguns erros durante o samba. O verso “A bala que marca” foi cantado “A bala que mata” por algumas pessoas da escola. A palavra “Galanga” também foi confundida por “Kalanga”. A ala 20, ou melhor, Mercedes e Batistas, que mesmo com um ballet coreografado apresentou componentes mostrando que o samba está na boca.

Samba-Enredo

Assim como Portela e Mangueira, o Salgueiro teve o samba criticado após a escolha, contudo, o que foi visto na Sapucaí provou o contrário. A escola gritava o samba, impulsionado com maestria por Quinho e Emerson Dias, que veio em cima do carro de som, chamando a escola o tempo todo e aplicando injeção de ânimo nos componentes. A comunidade, assim como as arquibancadas explodiam no refrão. De ‘Torrão Amado’ até ‘Sou diferente’ era a parte mais cantada do samba, enquanto ‘Hoje cativeiro é favela’ até ‘Contra a mordaça’ tinha leve queda de entonação.

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“Eu acho que foi uma surpresa. Muita gente falando que o samba não era isso ou aquilo, tá aí a resposta. Samba bom é o que o povo canta e aconteceu isso aqui hoje. O povo cantou, a escola cantou e se divertiu. O andamento foi gostoso. Pra mim está pronto para ir ao desfile. A Sapucaí já comprou a ideia do samba. É um samba muito alegre, muito popular, muito pra cima e isso faz toda a diferença. Vamos com tudo para nosso desfile”, garantiu Emerson Dias.

Bateria

Os mestres Guilherme e Gustavo tiveram grande noite no comando da bateria Furiosa. Desde o setor 1, a bateria do Salgueiro já empolgava as arquibancadas e durante o ensaio não foi diferente. Os ritmistas da vermelho e branco fizeram ótimo espetáculo, com direito à coreografia, onde todos se abaixavam e colocavam os punhos em erguidos. Neste momento, a bateria parava e os componentes soltavam o grito de ‘Salgueiro, Salgueiro!’. Os irmãos mostraram algumas bossas, como a ‘Rio Batuqueiro’ até o fim do refrão, e “Hoje cativeiro é favela” até “Meu quilombo, escola”. Grávida, Viviane Araújo vestia roupa dourada e prata em brilhante, foi ovacionada pelo público e esbanjou carisma.

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“Pra mim o ensaio foi energia pura! A gente acaba que não consegue ver a escola, porque está com olhos e mente fixados na bateria, mas é aquilo que a gente fala pra eles antes de entrar na Sapucaí, antes de qualquer coisa a gente tem que brincar e se divertir, mas é brincar de maneira séria. A impressão desse ensaio é magia, energia e resistência. Com certeza, no dia do desfile, a gente vai brincar, encantar e resistir na avenida. Vão ser 280 ritmistas”, disse mestre Guilherme.

“Talvez, tenha surpresinha no desfile, mas vamos trazer o que vocês viram hoje. São duas bossas um pouquinho maiores do que estamos acostumados, com maior grau de complexidade e ta tudo de acordo com o enredo também, vamos fazer algo legal para galera cantar que é resistência”, citou mestre Gustavo.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O casal Sidclei e Marcella Alves mostrou grande entrosamento, uma dança leve, aliada com a  sincronia impecável da dupla. Os dois estavam vestidos de vermelho, com cada exibição durando uma média de dois minutos. Porém, durante a apresentação no primeiro módulo de julgadores, o pavilhão acabou enrolando durante poucos segundos. A porta-bandeira teve que consertar com a mão.

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Em dado momento da coreografia, o casal se desvinculava e Marcella realizava um balanço dos ombros característico da entidade pomba gira, enquanto Sidclei em um segundo momento, faz referência para Xangô. O casal demonstrou sintonia na avenida, estavam com movimentos casados e ótimo tempo de realização, também mostraram um olhar atento e constante no parceiro. Quando foi realizar as pegadas na bandeira, Sidclei foi preciso e pegou na parte superior, em conjunto com a porta-bandeira, deixou o símbolo da escola sempre bem evidente aos jurados e público.

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“Foi muito emocionante. A gente está muito feliz de poder estar de voltar. O trabalho está muito intenso. Faz toda diferença sentir essa energia que o público pasa para gente. Nossa fantasia está pronta. Vermelha e branca, já é uma dica. A pista não mudou muita coisa. Está cheia de vala e bem chamuscada. O segundo módulo está demais, o primeiro tem uma ladeira muito grande e o meio não está marcado certo”, comentou a porta-bandeira.

“O Salgueiro é realmente uma escola diferente. O ensaio técnico é um termômetro para o desfile. Como todas escolas, existem erros e acertos, fizemos um excelente ensaio. Saiu tudo certo e vamos mais fortes para o desfile oficial”, completou o mestre-sala.

Comissão de Frente

A comissão de frente, de Patrick Carvalho, abriu os trabalhou para o Salgueiro de forma impecável. Com força e irretocável sincronia, os dançarinos fizeram ótima apresentação, bastante elogiada pelo público no Sambódromo. Os componentes formavam dois grupos, alguns de vermelho, cobertos por glitter e outros de iaôs, em exibição dividida em algumas partes. O coreógrafo, que fez grande trabalho com a equipe, foi bastante vibrante durante toda Avenida.

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Evolução

O Salgueiro não cometeu graves erros de evolução no ensaio técnico deste domingo, mas alguns pequenos detalhes devem ser levados em conta. Nos últimos dois setores do ensaio, as alas correram um pouco, causando reclamação do público, e até mesmo de alguns componentes. No segundo módulo julgador, um buraco foi aberto antes da velha guarda, mas corrigido alguns segundos depois. No geral, a escola teve organização das alas e bastante animação das mesmas.

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Outros destaques

É imprescindível destacar o canto das baianas, seu figurino impecável que mesclava entre o tradicional branco na parte superior e uma saia florida que trazia rica palheta de cores, além das mudas de diferentes ervas, como por exemplo: Arruda e Alfazema.

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No início da apresentação, logo atrás do casal, o Salgueiro trouxe um grande painel com a logo do enrego. As passistas da escola vieram vestidas em tom se salmão, com saltos vermelhos e adereços dourados na cabeça, enquanto os masculinos se vestiam com calça vermelha e sapato dourado.

A ala do funk também roubou a cena e apresentou uma parede de caixas de som que remetem aos antigos bailes funk dos anos 1990 e 2000, além de componentes bem coreógrafos com passos característicos do funk carioca, a presença de uma personagem que trazia a memória da ‘Lacraia’, famosa bailarina de funk e toda alegria da Mc Tati Quebra Barraco que foi ovacionada por todos os setores da avenida.

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A agremiação também contou com celebridades como o ator e ex-BBB Babu Santana, e a empresária e irmã de Neymar, Rafaella Santos, que agora é musa da agremiação. A vermelho e branco também trouxe uma ala com mulheres em roupas pretas de bailarina. O Maculelê de Carlinhos do Salgueiro veio também com roupas pretas e com grande apresentação misturando passos famosos do ‘Tiktok’. Após o grande ensaio técnico deste domingo, fica a promessa de um ótimo desfile no dia 22 de abril.

Participaram da cobertura: Leonardo Damico, Ingrid Marins, Gabriel Gomes, José Luiz Moreira, Isabelly Luz, Karina de Figueiredo, Lucas Santos, Luan Costa, Allan Duffes, Philipe Rabelo e Walter Farias

Conjunto forte de quesitos! Samba, comissão de frente e evolução são destaques no ensaio da Unidos da Tijuca

A Unidos da Tijuca abriu o terceiro dia de ensaios técnicos do Grupo Especial, na noite de domingo, com empolgante desempenho na avenida. Os componentes da agremiação tijucana evoluíram de forma muito correta na pista. Além disso, a comissão de frente, coreografada por Sérgio Lobato, arrancou aplausos do público. Com o enredo “Waranã – A Reexistência Vermelha”, a escola fez um ensaio bom, compacto e que durou pouco mais de 1 hora de duração. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO

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Fotos: Allan Dufes/Site CARNAVALESCO

Em seu esquenta, que durou cerca de oito minutos, além do samba-exaltação, a escola relembrou aquele que é considerado o maior samba de sua história, “O dono da terra”, de 1999. Ainda antes do início do ensaio, o mestre Casagrande fez um emocionado discurso, no qual falou sobre o andamento dos trabalhos dos quesitos e do barracão tijucano.

O início do ensaio foi avassalador. Quando Wic Tavares entoou o samba da escola para o carnaval de 2022, o público começou a cantar com todo vigor. A intérprete que estava com um lindíssimo vestido amarelo com borboletas mostrou a voz potente que tem e o entrosamento que possui com o pai. A comunidade abraçou toda obra e era possível ouvir, mesmo longe do carro de som, as vozes dos componentes cantando o samba.

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“A comunidade está brincando carnaval, se divertindo e cantando muito esse samba maravilhoso que a nossa escola tem. Eu venho ensaindo aqui há meses, mas hoje é diferente, é um ensaio geral e acredito que para os componentes tenha sido maravilhoso. Foram dois anos sem carnaval, os componentes estão eufóricos e brincaram muito. Ainda temos quase um mês, tem muita coisa para ser acertada, e hoje foi um bom dia para vermos o que está errado e o que está certo”, comentou Fernando Costa, diretor de carnaval.

Harmonia e Samba-enredo

O canto da comunidade tijucana, de maneira geral, teve bom desempenho na avenida Marquês de Sapucaí. Com forte início de ensaio, as primeiras alas da escola entoavam o samba a plenos pulmões, com destaque para a primeira ala, logo após o primeiro casal. Desde 2016 que a agremiação não cantava assim em um ensaio técnico. Entretanto, as últimas alas, após a passagem da bateria e do carro de som, ainda podem evoluir mais nesse quesito, tendo canto aquém do apresentado pelo início da escola.

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O samba da Unidos da Tijuca, composto por Anderson Benson, Eduardo Medrado e Kleber Rodrigues, teve ótimo desempenho na pista e impulsionou a apresentação da escola. O trecho “Erê, essa mata é sua/Erê, vem provar doce mel”, do refrão principal, foi o mais cantado pelos componentes e pelo público presente no Sambódromo. A ala cinco, “Curumim”, não parou um minuto sequer de cantar e também fazer uma coreografia com balões azul e amarelo. Além disso, o desempenho do carro de som, comandado por Wantuir e a estreante Wic, foi de alto nível e maestria para conduzir a obra.

“Na minha humilde opinião, eu acho que vai ser o samba do carnaval, até pelo fato de que vamos ter um carnaval completamente diferente, bem mais regional. Um carnaval com bem mais brasileiros na Marquês de Sapucaí. Eu acho que nosso samba vai balançar tudo isso aí. Tenho certeza absoluta disso, até porque nas apresentações nas quadras das coirmãs, a aceitação é maravilhosa”, garantiu Wantuir.

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“Foi 10. Hoje é dia 27, né? Você já percebeu que as datas batem? A gente se apresentou na Cidade do Samba em 27 de fevereiro. Dia de Cosme e Damião é dia 27. Domingo é dia de erê. Não tinha melhor dia para a gente vir mostrar a força do nosso samba. E outra coisa: não subestimem as crianças, afinal, eles são porta-voz dos orixás. Se estamos aqui, no dia de domingo que é o dia de erê, não é à toa. É só aguardar o erê botando todo mundo para pular”, completou Wic.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Unidos da Tijuca, Phelipe Lemos e Denadir, em seu primeiro carnaval juntos, veio ao ensaio técnico com figurino na cor do pavilhão. Ela, de azul-pavão e ele, de azul e amarelo e um belo cocar na cabeça, também nas cores da escola. O desempenho do casal foi bastante satisfatório na avenida, digno de aplausos. Com muita garra, ambos demonstraram entrosamento e cantaram bastante o samba, durante a apresentação. A coreografia foi muito bem montada, com passos leves. O casal estava “flutuando na avenida” e claro mostrando o sincronismo perfeito. A dupla une talento e carisma.

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“Uma sensação poder voltar nesse solo sagrado. Foi um ensaio emocionante para gente. A energia do povo, o samba da Tijuca mexeu com o público. É continuar trabalhando para fazer o máximo no dia 23 de abril. Vamos mostrar uma dança alegre, solta, o tradicional, o feijão com arroz bem temperado”, disse o mestre-sala.

“É uma emoção muito grande dança com o Phelipe. A gente é amigo de muitos anos. Foi bem fácil dançar junto. Um conhece a dança do outro. Foi um ensaio muito bom, proveitoso, de para mostrar um pouco do que vamos fazer no dia do desfile. Nossa fantasia está perfeita. A pista está boa, como o Phelipe falou ainda tem um desnível e com certeza até o desfile vão acertar”, completou a porta-bandeira.

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Evolução

Outro destaque da amarelo e azul do Borel, que passou sem sustos. Muito animados, os componentes evoluíram pela pista de maneira leve e correta, com a escola bem compactada, ao longo do ensaio. Em alguns trechos do samba, várias alas da escola faziam algumas referências a letra do samba, como no trecho “De pele vermelha, os frutos de uma nação”, no qual os componentes passavam a mão nas próprias peles.

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A ala das passistas da escola, com as mulheres de amarelo e os homens de amarelo e azul, também foi destaque. Seus componentes esbanjaram simpatia e samba no pé durante toda a avenida. A tradicional ala das baianas da escola merece um destaque, as belas senhoras cantavam o samba e estavam vestidas de um alaká estampado e, em cada uma tinha uma cor e estampa floral diferente da outra. Praticamente todas as alas vieram com acessórios de cabeça e balões nas cores da agremiação, mostrando entusiasmo, canto e dança para que a escola fizesse bonito na avenida.

Bateria

Com cocar na cabeça, foi assim que os ritmistas da “Pura Cadência” foram para o ensaio técnico. Apresentando coreografias e paradinhas, eles mostraram que não estão para brincadeira. Porém, vale citar que o samba parece pedir um andamento “mais para frente”, embora, essa decisão seja exclusiva do mestre e da direção tijucana. A rainha de bateria, Lexa, brilhou à frente dos ritmistas e esbanjou simpatia. Ela que no esquenta estava com um esplendor com penas em azul, tirou e ficou usando só o collant também em azul com acessórios brilhantes e uma tiara na cabeça.

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“A escola está pronta, né? A Tijuca é muito grande, é uma escola gigante e com uma comunidade muito intensa, que vive o dia a dia da escola. A Tijuca chegou! E quando a Tijuca chega… e olha que ainda mexeram com ela, que é o pior, mas eu não vou me prolongar nisso, porque quando mexem com a minha comunidade a gente desce mesmo e vai pra cima. Esse ano nós vamos vir com 262 ritmistas. São três bossas funcionais: a bossa do meio, que é indígena; a do refrão que eu acho que é a bossa do carnaval, pelo menos dizem que é a bossa do carnaval, e tem a bossa de segurança na cabeça do samba. Eu trabalho dentro do regulamento. Eu me desprendo de qualquer vaidade minha para servir a escola”, explicou mestre Casagrande.

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Comissão de Frente

Comandada pelo coreógrafo Sérgio Lobato, a comissão de frente tijucana veio com bailarinos vestidos como indígenas e com um cocar nas cores azul e amarelo. A comissão de frente foi um destaque a parte, com a dança que remete a traços indígenas, o time de dançarinos mostrou muito sincronismo ao fazer a coreografia. Em certo momento da apresentação, um dos bailarinos era arremessado para o alto na parte em que o samba diz “e nasce o Kahu’ê o Curumim”. Os integrantes não pararam de cantar o samba, mesmo fazendo diversas coreografias.

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Outros destaques

Ainda no setor 1 e um pouco antes de começar o esquenta, a rainha de bateria, a cantor Lexa, distribuiu camisas da escola para o público presente. Além das camisas, os intérpretes tijucanos, Wantuir e sua filha Wic Tavares, entregaram doces no setor 1 e também no 5.

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Outro destaque da agremiação do Borel foi o segundo casal, Matheus André e Lohane Lemos. Muito animados, ambos fizeram uma boa apresentação, em uma bonita roupa laranja estampada da porta-bandeira e branca do mestre-sala.

Com o enredo “Waranã, a reexistência vermelha”,desenvolvido pelo carnavalesco Jack Vasconcelos, a Unidos da Tijuca será a quarta escola a desfilar na segunda noite de desfiles do Grupo Especial. A julgar pelo seu desempenho no ensaio técnico, a agremiação tijucana tem tudo para fazer uma bela apresentação no dia oficial do desfile.

Participaram da cobertura: Ingrid Marins, Gabriel Gomes, José Luiz Moreira, Isabelly Luz, Karina de Figueiredo, Lucas Santos, Luan Costa, Allan Duffes, Philipe Rabelo e Walter Farias

Vice-presidente da Liesa acredita no sucesso do novo modelo comercial para o carnaval e diz que transmissão das campeãs no Multishow traz novo público

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Há 22 anos na Liesa, o vice-presidente Hélio Motta conversou com Milton Cunha na abertura da transmissão dos ensaios técnicos na noite de domingo. O dirigente falou sobre o trabalho na Liga. “É uma nova mentalidade na Liga. A gente conseguiu imprimir uma mentalidade mais reformista. Pensando o fora da pista, a experiência do público. As escolas se renovam dentro da pista. Todo ano tem algo novo. A Liesa está tentando fazer o mesmo. Estamos fazendo um grande trabalho operacional para o público ter uma melhor experiência. Para os próximos três anos estamos vendo um crescimento muito bom”, disse.

heliomotta

Em 2022, a novidade é que os desfiles das campeãs, no sábado, será transmitido ao vivo pelo canal Multishow. O vice-presidente da Liga disse que a ação faz parte da estratégia de renovar o público. “O projeto de renovação do público é muito importante. O Multishow conversa muito bem com esse público mais jovem. Será uma pegada mais dinâmica. É um modo da gente ter um teste legal e quem sabe a gente consegue adotar para outros carnavais”, frisou.

Ele respondeu como surgiu o convite para ser vice-presidente da Liesa e falou das novidades. “Fui convidado para fazer parte do novo projeto de mudança da Liesa. Não existia o departamento de marketing. Estava no estatuto, mas não de fato. A gente agora está formatando e envelopando o espetáculo de modo comercial, buscando novas empresas, para darmos mais fôlego financeiro para que todas escolas façam grandes desfiles”.

Hélio Motta contou que o desafio da Liesa no Sambódromo é resolver questões e depois pensar no futuro. “O Sambódromo é muito grande, com grandes entradas. A gente quer normatizar algumas coisas. Por exemplo, reduzimos em 40% toda quantidade de geradores na Sapucaí. Fomos otimizando. Essa é a grande palavra. Primeiro, a gente tem que estabilizar, aprimorar e depois progredir”.

O dirigente elogiou os ensaios técnicos e frisou que a Liesa tem que ouvir cada vez mais os sambistas. “O ensaio técnico é tão bom quanto o carnaval. A gente antecipando montagem pode fazer isso como um segundo carnaval com muito mais força. Está aqui o público que é do samba. Quem consome carnaval o ano inteiro. Temos que pensar mais nesse público. Vejo a Liga como grande porta-voz do sambista. Temos que ouvir mais e saber o que ele quer. Também temos que transformar a Cidade do Samba com calendário. Tudo tem que ter planejamento”.

Por fim, Hélio Motta ressaltou o sucesso da abertura do “Rio Carnaval”, na Cidade do Samba. “A abertura do “Rio Carnaval” foi maravilhosa. O sambista ficou muito contente. Vale a reflexão do que podemos aprimorar em termos de organização. Precisamos criar um calendário cultural para Cidade do Samba”.

Fotos: ensaio técnico do Salgueiro para o Carnaval 2022

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Fotos: ensaio técnico da Beija-Flor para o Carnaval 2022

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Fotos: ensaio técnico da Unidos da Tijuca para o Carnaval 2022

Ao vivo ensaios técnicos: Unidos da Tijuca, Beija-Flor e Salgueiro na Marquês da Sapucaí

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