Vila Maria mostra entrosamento entre quesitos musicais em seu segundo ensaio técnico
A Unidos de Vila Maria realizou na noite de sábado seu segundo ensaio técnico no Sambódromo do Anhembi. Se preparando para ser a quinta escola a se apresentar na primeira noite de desfiles do Grupo Especial, a “Vila Mais Famosa” mostrou boa melhora no conjunto de quesitos em relação ao treinamento anterior na Passarela do Samba. Com destaque para o entrosamento entre o time de canto, liderado por Wander Pires, e a bateria Cadência da Vila.

Harmonia cresceu com a presença de mais componentes
A escola trouxe mais componentes que há 3 semanas atrás, e essa força extra se encarregou de dar corpo ao canto da comunidade da Zona Norte que, com os devidos ajustes, promete fazer uma grande apresentação no desfile oficial.
Cesinha, que é um dos membros da direção de harmonia da Vila, fez uma análise do desempenho no segundo ensaio, além de apontamentos a serem ajustados. “Em comparação ao primeiro ensaio hoje tivemos uma pequena evolução, tanto no quesito Harmonia como no quesito Evolução. Precisamos ainda ter uma certa cautela na cabeça da escola, no espaçamento do Casal, da Comissão de Frente para que a gente não sofra nenhuma penalidade baseado no quesito Evolução. Há uma penalidade que tem no balizamento da Comissão de Frente que acaba acarretando no balizamento de Evolução”, disse.
Questionado se a comunidade captou a mensagem de união entre os povos que o enredo almeja transmitir, Cesinha mostrou otimismo. “Sim, captou. A gente está falando sempre da importância de cada cidadão, de cada ser humano, na construção de um mundo melhor. Isso está sendo mostrado tanto em nossos ensaios de quadra quanto nos ensaios de rua, e conseguimos mostrar hoje um pouco mais aqui no Sambódromo do Anhembi”, completou.
A presença em maior peso de desfilantes foi exaltada pelo diretor ao comentar sobre o que mais gostou neste ensaio. “A alegria vem bastante de alguns componentes que chegaram agora, opessoal que ficou um pouco afastado com a incerteza do carnaval, se vai ter ou não desfile. Então com a retomada de alguns desses componentes, eles puderam trazer para nós essa alegria, e falar ‘poxa, realmente essa comunidade está com a gente aqui’, e isso foi um dos pontos positivos. Além, é claro, da nossa Cadência da Vila que sempre dá um show à parte”, concluiu.
VEJA GALERIA DE FOTOS DO SEGUNDO ENSAIO DA VILA MARIA
Bateria colhe frutos de reinvenção com grande desempenho
Se depender da bateria Cadência da Vila, o ritmo da escola não será uma preocupação. Sob comando de Mestre Moleza, a Vila Maria procurou se reinventar ao longo da pandemia, com direito até a escolinha online com utensílios domésticos no lugar de instrumentos. Para alguns pode até ter soado estranho, mas o resultado desses esforços foi bastante positivo para o entrosamento dos ritmistas, na opinião de seu líder que mostrou fazer bom uso das ferramentas online que estão à disposição. “Esse ensaio foi muito melhor que o primeiro. Em termos técnicos para a bateria, a gente fez uma análise bem legal, com todos os materiais, os vídeos de vocês, dos colegas de vocês, todos os vídeos do YouTube da galera que vem prestigiar. A gente é muito crítico com nosso trabalho, sabemos que podemos melhorar, e até o último minuto estaremos trabalhando. Hoje foi nota 10, mas queremos tirar 11 no dia, então não vão faltar esforços, para fazermos esses últimos ensaios e fazer um grande carnaval, um grande trabalho, comemorando 10 anos sob minha gestão”, declarou o mestre.
Moleza aproveitou para explicar o que está sendo preparado pela bateria para o desfile, além de observar alguns ajustes que foram feitos para o segundo ensaio. “São cinco bossas planejadas, bem distribuídas durante todo o samba. É uma decisão até estratégica perante o regulamento que pede essa questão da performance, da criatividade, então dependendo do trecho do samba que a gente estiver passando pela cabine, temos um arranjo para poder soltar e conseguir esses dois décimos que necessitamos para a bateria tirar 10. Fizemos o ajuste em uma bossa, colocamos as frases solos do repique todos na cabeça do tempo, para evitar que um componente, por não ter uma noção de música, possa interpretar errado esse arranjo e cantar fora do compasso. É um pequeno ajuste que é imperceptível para alguns, mas para nós fez total diferença. Acredito que encaixou muito bem com a alegria e a confiança. Tinha muita gente debutando, a molecada da escolinha, então veio o primeiro ensaio, tirou o peso da estreia e hoje vocês puderam ver a galera toda feliz, mais descontraída e mais consciente do que tinha que fazer”, detalhou.

O mestre demonstrou estar muito orgulhoso de seus ritmistas, a alegria da comunidade foi o que ele mais gostou de ver neste ensaio. “O ponto alto é a alegria. Ver a alegria dos meus ritmistas, da criançada que toca aí, dos mais antigos que me receberam bem e até hoje estão correndo comigo. Isso não tem preço. A parte técnica a gente resolve lá, faz ensaio e tal. Mas essa parte da alegria, você vê que é espontânea, eu não posso cobrar alegria de um ritmista, a alegria vem através de um bom trabalho e quando eles ficam satisfeitos. Uma coisa é eu me iludir e dizer ‘o ensaio foi bom’, estou iludindo, mas quando eles estão felizes, aí é prova que realmente o ensaio foi muito bom”, finalizou.

Melhora importante no momento certo
A Vila Maria conseguiu corrigir diversos elementos irregulares em seu segundo ensaio técnico no Sambódromo. A Comissão de Frente manteve a expressividade de sua dança, que já havia agradado anteriormente, assim como o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, que também fez uma apresentação positiva.
Tecnicamente falando, irretocável. A evolução fluiu sem percalços e permitiu aos componentes dançarem e cantarem. O canto, inclusive, melhorou consideravelmente, e isso é um ótimo sinal de que o samba pode funcionar muito bem no dia do desfile. A chegada de mais componentes ajudou a dar um ânimo importante, e fazendo os devidos ajustes podem ajudar a alcançar as notas que a escola deseja conquistar.

A Vila Mais Famosa marcou presença nos últimos dois desfiles das campeãs. Resultados esses que mostram que os grandes trabalhos dos anos 2000 estão sendo reconquistados. Em sua segunda passagem pelo Sambódromo do Anhembi nesta temporada de ensaios técnicos, a Vila mostrou que soube analisar suas falhas anteriores e que pode melhorar ainda mais na luta para colocar a primeira estrela em seu pavilhão tão tradicional. E se o mundo precisa de cada um de nós, a Vila Maria está muito bem encarregada de ser seu porta-voz.
Em seu segundo ensaio, Gaviões da Fiel apresenta grande melhora
Na noite deste sábado, os Gaviões da Fiel realizaram o seu segundo ensaio técnico visando o carnaval de 2022. O treino foi marcado pelo ambiente forte que a comunidade quis mostrar. Com isso, o canto foi o destaque. A agremiação passou por uma semana conturbada e tinha tudo para ser um ensaio desanimador, com um contingente menor, mas os componentes resolveram mostrar que nada está perdido e a comunidade corinthiana continua forte para o desfile de 2022. A força da arquibancada, que é tão característica da agremiação, hoje serviu para embalar ainda mais os foliões dentro da pista.

Harmonia
Foi o quesito destaque da escola. Os componentes vieram embalados com a intenção de realmente dar uma resposta. O número de pessoas que a agremiação conseguiu levar, também chamou muita atenção. Sem sombra de dúvidas, a quantidade de componentes em relação ao ensaio anterior, foi gritante.
Vale destacar o apoio dos integrantes de harmonia, que foram fundamentais para corrigir os componentes dentro do canto.
Porém, apesar de ter sido o quesito destaque da escola, alguns foliões cantavam o samba de forma errada no trecho: ‘herdeiro da senzala Brasil’, muitas vezes, se trocou a palavra ‘herdeiro’ por ‘guerreiro’. Apesar de ser um grande erro, pode ser facilmente corrigido.
Carlos Tadeu Miranda, diretor de harmonia dos Gaviões da Fiel, ficou contente com o desempenho da comunidade. “Pra mim esse ensaio foi um resgate. Hoje eu senti o canto e a empolgação dos nossos componentes dentro do samba, que é muito bom. O canto em relação ao primeiro ensaio, eu diria que melhorou em 70%. A característica dos Gaviões é o canto e nós estamos resgatando isso. O samba é muito bom, a letra é de uma qualidade excelente e tudo isso ajuda. A escola que canta, supera qualquer coisa. Por tudo que aconteceu nessa semana, foi uma superação pra nós e eu me sinto de alma lavada”, desabafou o diretor.
VEJA GALERIA DE FOTOS DO SEGUNDO ENSAIO DA GAVIÕES DA FIEL
Mestre-sala e porta-bandeira
O casal Wagner Lima e Gabriela Mondjian, protagonizaram outro ensaio de segurança. Totalmente satisfatório. Mostraram muita sincronia dentro dos giros e na coreografia. Sorriram e mostraram o pavilhão com garra o ensaio inteiro. Ambos estavam com o figurino na cor amarela. Destaque para o mestre-sala Wagner, que chegando ao final do treino, dançava gritando e incentivando a sua parceira Gabriela. Os dois estamparam muita felicidade e estão se mostrando cada vez mais dignos de ostentar o pavilhão alvinegro por muito tempo.

Samba-enredo
Um dos grandes sambas do carnaval paulistano para 2022, foi digno de um canto de destaque nesta noite de sábado. Como analisado antes, no primeiro ensaio a escola veio em um número menor e cantando menos. Já nesse segundo treino, o hino foi elevado para outro patamar. O carro de som liderado por Ernesto Teixeira, o longevo e interminável, teve um ótimo desempenho. Destaque para os cavacos. Ao invés de apenas marcar o samba na avenida, os instrumentos de corda também improvisam alguns arranjos dentro do samba. O que dá uma diferenciada do usual.
As partes mais cantadas pela comunidade são a última estrofe e o refrão principal.
O intérprete Ernesto comentou sobre alguns ajustes a serem feitos. “Para falar sobre isso a gente tem que esperar a análise técnica da diretoria e da harmonia. Todo o ensaio é filmado e registrado. A diretoria acompanha, e tem gente que só fica observando os detalhes técnicos. Agora, durante a semana a gente avalia isso com calma pra entender se precisa melhorar algo para o dia 23. Acho que sempre dá para dar um gás a mais, até porque no dia 23 a arquibancada estará toda tomada, e isso por si só já mexe com o componente. E a gente sabe que grande parte das pessoas que estão nas arquibancadas no dia que a gente desfila é gente que está ali para torcer pela Gaviões, então esse é um fator positivo que a gente tem que se prevalecer dele. Saber a hora de entrar o samba no momento certo, cantar o hino da Gaviões para já mexer com esse povo, trazer no sangue, trazer na veia, trazer no coração, e acredito que isso tudo vai contagiar ainda mais os nossos componentes, então vai ser melhor”, analisou.
O cantor acrescentou sobre o samba, o enredo e afirmou que se faz necessário nos dias de hoje.
“A gente tem passado muito a letra do samba, e a pedimos nos ensaios, nos grupos, para as pessoas realmente interpretarem o samba, entenderem o que estão falando. Então cada linha do samba tem uma mensagem. É um enredo que se faz necessário. Eu diria que se faz necessário há 500 anos. Ele está atual desde sempre. A gente tem que lutar sempre pelas transformações, pelo respeito, pelo fim da intolerância e da hipocrisia. É uma luta eu diria que eterna, como é a luta do bem contra o mal. Mas é um enredo que caiu muito bem para a Gaviões da Fiel nesse ano”, finalizou.

Bateria
O andamento da bateria foi outro destaque da escola. A cadência tomou conta de vez da ‘Ritimão’, regida por mestre Ciro. Quando se trata de um ritmo cadenciado, nota-se que os surdos de terceira e as caixas predominam a bateria. Três bossas foram executadas e, entre elas, a paradinha da última estrofe (‘meu gavião’) se destaca. A batucada toda para e a comunidade canta em uma só voz.
As outras bossas se localizam no refrão do meio e no refrão principal do samba.
Mestre Ciro, diretor de bateria dos Gaviões da Fiel, analisou o ensaio. “Gostei muito do desempenho da Bateria, do ritmo, do clima, da vontade de alcançar o objetivo que foi demonstrada por todos os ritmistas. Em relação ao primeiro ensaio, nós mexemos na formação da bateria, no posicionamento de alguns ritmistas, e no posicionamento das terceiras também, afim de trazer um andamento mais consistente pra esse ensaio e eu gostei bastante do resultado”, pontuou.
Ciro também acrescentou sobre as bossas e do ponto alto do treino. “Serão três bossas na avenida. Uma delas é dividida em duas partes que somam mais de 20 compassos e é ela que apresentaremos aos jurados para conquistarmos a nota de performance. Com relação ao ensaio, pra mim o ponto alto foi poder mostrar que os Gaviões estão unidos, fortes e com disposição de sobra pra defender a nossa bandeira e a nossa entidade em qualquer situação”, finalizou.

Evolução
A escola teve uma evolução satisfatória. Não houveram buracos ou espaçamentos entre as alas ou nas medições de alegorias. Houve grande sincronia entre os integrantes de harmonia e componentes, que cooperaram corretamente com todas as instruções dadas. Os foliões cumpriram devidamente o que se pede. Evoluíram de um lado para o outro. Não se limitaram a ficar na linha vertical da pista.
Em alguns momentos, a comunidade faz uma coreografia padrão. O refrão principal, na frase ‘basta é um grito que embala o povo’, estendem a mão para frente. Movimento que simboliza um ‘pare’. Na frase ‘meu punho é luz de Mandela’, as alas levantam cerram os punhos e levantam o braço. Quando chega no refrão do meio, nos versos ‘essa terra é de quem tem mais, conquistada através da dor’, as alas levantam o braço e giram para esquerda e para direita. Por fim, na última estrofe do samba, ‘Meu Gavião, chegou o dia da revolução, onde a democracia desse meu Brasil, faça o amor cantar mais alto que o fuzil’, os componentes levantam os braços e batem palmas até o término da última frase.

Outros destaques
A comissão de frente, mais uma vez, mostrou uma encenação forte. De início apresenta-se um grupo com sete pessoas e, logo atrás, o restante. Totalizando 15 bailarinos dentro da ala. No grupo de trás, vinham tripés trazendo palavras ante ao preconceito, como ganância, ira, intolerância, soberba, egoísmo, opressão.
A maioria das alas estavam segurando bexigas em preto e branco.
Arquibancada monumental fez grande festa e toda ela acendeu sinalizadores quando a bateria passou
O ensaio também contou com a presença da musa dos compositores Ana Paula Minerato.
Uh!Tererê! Samba funciona e bateria se destaca em ensaio com canto forte da Estácio de Sá
A derrota do Flamengo na final do Campeonato Carioca para o Fluminense em nada influenciou o ensaio técnico da Estácio de Sá, neste sábado. Com reedição do enredo de 1995, em homenagem ao Rubro-Negro, impulsionado pelo ótimo desempenho da bateria Medalha de Ouro, de mestre Chuvisco, o samba da escola funcionou perfeitamente na Avenida e foi cantado a plenos pulmões pela comunidade e boa parte do público presente na Sapucaí. A comissão de frente também deu show na pista e arrancou aplausos, assim como a evolução da agremiação, com componentes leves e soltos. O ponto a corrigir está no quesito Mestre-Sala e Porta-Bandeira. Feliciano Junior e Alcione Carvalho tiveram muitas dificuldades com o forte vento que atingiu a Sapucaí. A Vermelha e Branca cruzou a pista em 55 minutos. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO
“As impressões foram as melhores possíveis, apesar do Flamengo não ter colaborado, mas acho que a comunidade mostrou para o que veio, né? Cantou bastante, a bateria é sem comentários e estou muito satisfeito com o que vi hoje. É uma sensação maravilhosa. Depois de dois anos sem ver minha escola, poder ver esse montão de gente cantando. Sabe? Emoção a flor da pele hoje.Eu ainda quero que a gente continue trabalhando o samba. Eu sei que tá todo mundo cantando, porque a letra é fácil, mas vamos massificar esses dias aí com muito canto e evolução da escola. O leão tá quietinho, mas podem esperar porque o coro vai comer!”, prometeu o diretor de carnaval Julinho Fonseca.

Harmonia e Samba-Enredo
Impulsionada pelo bom desempenho do samba e da bateria, a Estácio fechou o penúltimo dia de ensaios técnicos da Série Ouro com um show de canto da comunidade. As alas demonstraram força logo no início da apresentação, com destaque para a ala 2, ‘Rita e João’, e para os componentes que virão no primeiro carro alegórico da escola, além da ala nove, que mostrava muita garra no canto. As baianas também estavam com o samba na ponta da língua, e bem vestidas, com as cores da escola. As alas depois da bateria diminuíram um pouco o ritmo, como a ala 17, ‘Dança da Lua’, mas nada que atrapalhasse o canto da agremiação.
O carro de som da escola, comandado por Serginho do Porto, soube conduzir perfeitamente o samba e o fez funcionar na avenida. As partes que fazem referência mais explícita ao Flamengo, como “É mengo tengo/No meu quengo é só Flamengo/Uh! Tererê/Sou Flamengo até morrer” e”Vesti rubro-negro/Não tem pra ninguém”, foram as mais cantadas pelos componentes da escola.

“Está aí, é uma prévia do que vem no dia 21. Estamos aqui para tirar as dúvidas. O andamento não caiu um só minuto e o samba se tornou leve. É um samba clássico que já está na cabeça de todo mundo, isso é muito importante. A Estácio foi muito feliz quando ela reedita um samba que é a cara do povo, é a cara da alegria e da maior torcida do Brasil. Mesmo quem não é flamenguista canta e mesmo eu, que sou vascaíno, estou cantando melhor que muitos flamenguistas por aí”, brincou o intérprete Serginho do Porto.
Mestre-Sala e Porta-Bandeira
Se os casais não precisaram se preocupar com a chuva neste sábado, o vento foi o principal inimigo das duplas. Atrapalhados pelo forte rajada, o primeiro casal da escola, Feliciano Junior e Alcione Carvalho, apresentou algumas falhas em sua apresentação. A porta-bandeira enrolou o pavilhão em todos os módulos julgadores, sendo no segundo mais de uma vez. Apesar dos problemas causados pelo clima, alguns detalhes positivos foram apresentados na pista, como alguns momentos no qual o mestre-sala fez gestos em referência ao enredo da escola, como o “Vapo” e “comemoração do Gabigol”. Além disso, o casal estava com uma bela roupa para o ensaio, ela, de preto e prata, e ele, em um tom de bege claro. Os dois se olhavam a todo momento durante a apresentação. O casal completou a exibição nas cabines com 1m46s.
“É muito emocionante depois de tanto tempo retornar a Marquês de Sapucaí, no meu caso estar voltando para minha escola depois de treze anos, mas eu sinto que passar com a Alcione é uma sensação diferente e nada melhor do que voltar para nossa casa, né? Eu sinto que passamos bem, passamos leves, então estou feliz. Eu diria que o saldo foi positivo no ensaio de hoje”, acredita o mestre-sala.

A porta-bandeira falou sobre a dificuldade que teve com o forte vento da Sapucaí. “Olha… algo bem atípico, né? Estamos acostumados com o verão que é um clima diferente, mas é da natureza, a gente não consegue controlar, né? Mas a energia é que conta e deu tudo certo, graças a Deus. Muito feliz! É emocionante voltar depois de tanto tempo, tantas dúvidas sobre quando ou se ia acontecer o carnaval e a gente poder pisar aqui depois de tudo que passou é tão emocionante… estar com a nossa escola, nossa comunidade, uma nova parceria que está sendo incrível e a gente pôde trabalhar bastante para entregar para a Estácio o melhor que ela merece, então eu tô muito feliz”.
Bateria
A bateria do mestre Chuvisco foi uma das grandes atrações do dia. Com diversidade de bossas, a ‘Medalha de Ouro’ animou principalmente os setores 2 e 3, os mais cheios deste sábado. Uma das bossas ocorre no refrão do meio, enquanto outra vai de ‘Seis jovens remadores’ até ‘Ganhar em terra e mar’. Chuvisco preparou uma batida de funk, e promoveu uma paradinha para a escola cantar e bater palmas, assim como a torcida do Flamengo, de ‘Só o amor’ até ‘Campeões da nova era’. Em alguns momentos, também, a bateria dava pequenas paradas para o público cantar alguns trechos do samba. Durante as chamadas para a realização das bossas, os diretores da bateria da Estácio também faziam referência ao Flamengo com a famosa comemoração do Gabigol. À frente da bateria Medalha de Ouro, um componente da escola vinha fazendo embaixadinhas.
“O ensaio me surpreendeu, não esperava tanto e eu acho que a bateria está pronta para o desfile. Fui surpreendido hoje por essa bateria maravilhosa da Estácio de Sá. As bossas serão as que nós executamos hoje, nós só temos que ajustar algumas coisas com a evolução da escola porque tem bossas que nós temos que parar, por conta das coreografias. Então, a gente tem que ajustar isso direitinho com a harmonia e com evolução da escola para executar com tranquilidade”, esclareceu o mestre Chuvisco.

Evolução
A Estácio de Sá passou sem grandes problemas de evolução, sem correrias ou lentidão, com componentes muito leves, soltos e empolgados, como pede o enredo da escola. Os harmonias chamaram atenção de alguns componentes em algumas alas com relação ao posicionamento, principalmente nas primeiras fileiras, mas nada que atrapalhasse a evolução da escola. Com muita alegria, empolgação e samba no pé, a ala de passistas da escola, com roupas douradas, além de evoluir e sambar, os componentes da ala cantavam a letra do samba a plenos pulmões. As alas vieram intercaladas em vermelho e branco com o verso do samba “Paixão que arde sem parar”.

Outros destaques
Comandada por Ariadne Lux, a comissão de frente da Estácio de Sá brindou o público presente com uma bela e animada coreografia de abertura da escola. Com uma roupa simples e leve, camiseta da escola e bermuda preta, os componentes da comissão faziam diversas referências ao futebol durante suas apresentações aos módulos de julgadores. Na apresentação, alguns componentes tiravam a blusa e a rodavam no ar, como tradicionalmente acontece em estádios de futebol. Em outro momento, os integrantes da comissão soltavam papel picado e lançavam bolas de futebol para as arquibancadas. E, por fim, uma bandeira com “Festa na Favela” era hasteada por outros integrantes, levando o público ao delírio.

Quem esteve presente na Sapucaí foi o arbitro de vídeo, o VAR, fantasia de um tradicional torcedor rubro-negro, Robson Porto, assíduo frequentador dos jogos do clube. No fim, a escola também trouxe um tripé com agradecimento a outras co-irmãs que ajudaram a agremiação de São Carlos na preparação do Carnaval, como Viradouro, Salgueiro, Mangueira, Imperatriz, Grande Rio e Vila Isabel.

Com o enredo “Cobra Coral, Papagaio Vintém #VestiRubroNegro Não Tem Pra Ninguém”, a Estácio de Sá será a terceira escola a desfilar na segunda noite de desfiles da Série Ouro
Participaram da cobertura: Leonardo Damico, Gabriel Gomes, Lucas Santos, José Luiz Moreira, Walter Farias. Fotos de Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO
‘Baterilha’ capricha com sino e bossas em ensaio da Ilha com destaque também para comissão de frente
Em um enredo com temática religiosa, homenagem à Nossa Senhora Aparecida, nada mais dentro do contexto do que a União da Ilha do Governador trazer um sino de igreja dentro da bateria. Mas a pergunta era se sonoramente ia dar certo? E deu. Além da surpresa para o público da Sapucaí, que já havia sido testada em um ensaio de rua na Estrada do Galeão, a “Baterilha” de mestre Keko e Marcelo deixou boa impressão com bossas e com ritmo forte para o samba. Ito mais uma vez trouxe a empolgação de sempre expressando com sua voz a grande emoção que o enredo realmente pede. A comissão de frente de Rodrigo Negri e Priscila Motta foi outro destaque, apresentando a história de um grande milagre da Santa ao libertar um escravo. O canto da comunidade foi satisfatório, pode-se perceber todas as alas cantando, mas como ponto de correção ainda pode melhorar um pouco na intensidade. Outro aspecto a corrigir, é a evolução, que ainda pode ser mais alegre e empolgar mais, ainda que não tenha apresentado erros. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO
“Nós viemos preparados para o desfile, então acho que fizemos. O andamento da bateria, a animação do povo estava super legal… sempre que acaba eu converso com o meu povo para saber o que cada um traz do seu ponto, mas eu vim na frente e achei tudo perfeito. A evolução foi no tempo certinho também, acho que viemos certinhos. Treinar no reconhecimento do campo é bom demais, porque já faz a gente se relacionar com a emoção de estar aqui, né? Ainda mais a gente que ficou parado por dois anos e machucados, porque a Ilha veio de um descenso. Assim, eu tenho certeza de que os sorrisos que eu vi aqui hoje são prova de que estar aqui é muita emoção para todos”, entende o diretor de carnaval Dudu Azevedo.
Harmonia e Samba-enredo
O samba que tem muito o caráter de uma oração começou com muita força, impulsionado por um Ito “incorporado” que levava o componente a vibrar. Funcionou muito bem no início da escola, com bastante canto inclusive da comissão de frente que tinha alguns dançarinos que praticamente berravam a obra. Algumas alas coreografadas do início também mantiveram o nível como a ”ala dos escravos”, e a ala “Rita e João” que vinha logo depois. Mais para o meio do desfile, o canto diminuiu um pouco de intensidade e se começou a ver algumas alas com integrantes que não cantavam. Depois, um pouco mais para as últimas alas, a escola voltou a cantar mais forte e por inteiro, como uma das últimas alas ” A magia da ilha” que mostrava além de canto, empolgação na evolução. As baianas, que também se destacaram no canto, vieram na cor que União da Ilha e o manto de Nossa Senhora de Fátima compartilham, o azul, com uma imagem da santa na blusa.
“Eu não tenho dúvida que são só elogios. O nosso ensaio técnico de hoje foi como se fosse o nosso desfile oficial. Nós viemos para isso, para a luta. Nós queremos voltar e voltar com um propósito: voltar com mérito e é isso que a Ilha vai fazer. Um carnaval lindo e uma escola linda. Deixamos aqui o chão chorando, sangrando emocionado e vibrando. Isso que nós vamos fazer no dia 20 de abril e se Deus quiser levantar esse caneco aí”, prometeu o intérprete Ito Melodia.
Mestre-sala e Porta-bandeira
Marlon Flores e Danielle Nascimento, como todos os casais da noite de ensaios da Série Ouro, tiveram que enfrentar um forte vento que atingiu a Marquês de Sapucaí. A bandeira chegou a dobrar levemente algumas vezes durante a apresentação nos módulos, mas Danielle, experiente, soube contornar a situação e não deixar enrolar. A dupla mostrou bastante vigor e presença na dança. Danielle estava vestida de azul, enquanto Marlon usava um elegante terno branco. Em uma bossa que lembrava um Ijexá, no trecho “Banhei seu rosário com axé, Na gira de candomblé, com Oxum na cachoeira, os dois realizaram um passo de dança afro.
“A impressão foi muito boa. Aqui é um termômetro e a gente fez um teste do nosso trabalho para ver o que a gente ainda pode melhorar até o dia do desfile, então estamos muito comprometidos, com foco e muito felizes de estarmos pisando novamente aqui (Sapucaí) e sentir essa energia boa. Se hoje a energia está boa, imagina no dia do desfile? E a gente usa da energia da comunidade, da energia da escola para melhor apresentarmos nosso trabalho, então vamos na fé e dar nosso máximo agora para conseguir alcançar nota máxima e contribuir o que a escola está dando para gente”, prometeu Danielle.

“Como a Dani disse, nós estamos muito felizes. Nós conseguimos fazer o que nós viemos treinando ao longo da semana, então hoje, esse ensaio foi fundamental para a gente poder olhar e ver onde que a gente acertou, errou e onde pode melhorar, porque a ideia do trabalho é ajudar a Ilha a voltar para o grupo especial. Nada melhor do que ensaiar no palco principal. Foi uma experiência incrível e vamos fazer muito bonito e entrar com muita garra no dia do desfile”, explicou Marlon.
Bateria
A Baterilha levou para a Avenida, a surpresa que já tinha apresentado para a comunidade no último ensaio de rua. O enorme sino de igreja foi incorporado às bossas e deu uma sonoridade diferente, mas pertinente ao enredo, principalmente por aparecer somente nos momentos em que os outros instrumentos silenciavam, e por ser tocado no andamento do samba, marcando como se fosse um metrônomo. Em um dos momentos do sino, os componentes abaixavam em reverência à Santa.
“Eu gostei muito, estou muito feliz, depois de dois anos sem pisar na Passarela, a bateria fez uma apresentação, pode se dizer, tecnicamente perfeita. Não digo perfeita, porque sempre temos uma coisinha ou outra a melhorar, mas eu posso dizer que a bateria está pronta para o dia 20. Estou muito feliz com minha rapaziada e é só agradecer”, analisa mestre Marcelo.

Outra bossa de destaque era no trecho “Banhei seu rosário com axé, Na gira de candomblé, com Oxum na cachoeira”, em que os ritmistas tocavam um Ijexá. “Eu estou até sem palavras, a gente está há dois anos passando por vários momentos difíceis pessoais e poder estar aqui de novo, com essa galera, além de ter uma bateria de boa qualidade, ver nossos ritmistas juntos da gente, pois perdemos alguns, então, é uma emoção muito grande poder estar aqui novamente. Eu não tenho como avaliar porque quem seria eu para poder avaliar minha própria bateria, mas tenho certeza que a gente conseguiu fazer o trabalho que a gente vinha fazendo antes e pode ter certeza que o melhor está por vir”, comemorou Mestre Keko.

Evolução
A União da Ilha não apresentou problemas de buracos, ou alas que invadiam o espaço uma das outras. Em geral a agremiação veio compacta, um único momento de descuido que quase gerou um buraco, mas que foi evitado a tempo foi quando a ala Angels da Ilha que vinha depois da bateria, logo depois do terceiro módulo evoluiu um pouco mais rápido quando a bateria entrou no recuo e as baianas que vinham logo atrás tiveram um pouco de dificuldade para preencher o espaço, o que não chegou a gerar um problema. Em geral, a escola evoluiu corretamente, podendo ser mais espontânea. Algumas alas coreografadas trouxeram boa dinâmica para o desfile, um dos destaques foi a ala “Passo marcado” que trazia os componentes com mantos e chapéus, cada um representando uma cor da bandeira da agremiação, com bastões nas mãos que possuíam luzes, dando um bonito efeito quando executavam a coreografia. A ala de passista veio com roupas mais comportadas e trazia uma menina vestida de Nossa Senhora à sua frente.

Outros destaques
A comissão de frente, como citado anteriormente, foi um grande destaque do ensaio, trazendo os componentes representando escravos, com uma roupa bem maltrapilha e suja, no tom bege, encenando um dos milagres mais famosos que é remetido à Santa, a libertação do escravo Zacarias. Logo no início do desfile, representado o Abre alas, a Ilha trouxe um elemento alegórico com a imagem de Nossa Senhora Aparecida e o símbolo da agremiação atrás. A escola também trouxe boas referências de Oxum que no sincretismo reporta a figura de Nossa Senhora Aparecida, dando uma boa pista da bandeira contra a intolerância religiosa que a Ilha também deve trazer ao correlacionar as religiões de matriz africana com a católica.

No esquenta, Ito cantou um samba em homenagem ao dia dos autistas, além dos tradicionais “É hoje” e “Festa Profana”, além do tema “Nossa Senhora”, de Roberto Carlos, onde trocou o verso” “Cuida da minha vida” por “ Cuida da minha Ilha”, e dedicou o ensaio a pessoas importantes da Ilha que faleceram do último carnaval para cá, como o carnavalesco Severo Luzardo, que também foi homenageado com sua foto no último elemento alegórico que encerra o desfile da Ilha e o ex-presidente Djalma Falcão. Com o enredo “o vendedor de orações”, a agremiação insulana será a quinta a desfilar na primeira noite da Série Ouro.
Participaram da cobertura: José Luiz Moreira, Walter Farias, Leonardo Damico, Gabriel Gomes, Lucas Santos. Fotos de Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO
Com bom samba, Vigário Geral passa com problemas em evolução e harmonia
Primeira escola a passar pela Marquês de Sapucaí no penúltimo dia de ensaios técnicos da Série Ouro, a Acadêmicos do Vigário Geral mostrou a força do seu samba, muito elogiado no pré-carnaval. Compacta, a agremiação trouxe sua comunidade para a avenida e iniciou seu treino por volta de 20h30. Apesar do bom desempenho da obra, buracos e algumas correrias foram perceptíveis em vários pontos diferentes do Sambódromo. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO
“A impressão que eu tive é que a escola cantou bem, principalmente a frente da escola, nossa comissão de frente se apresentou muito bem e nossa bateria além do samba funcionou muito bem. Nós ainda temos coisas a melhorar, mas até o desfile vai ficar tudo pronto. Eu quero aprimorar o canto e ver a escola mais compacta. É para a comunidade acreditar e abraçar porque a gente vem para fazer bonito neste carnaval”, afirmou o diretor de carnaval da Vigário, Ney Lopes.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Há pouco mais de dois meses anunciados como o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Vigário Geral, Diego Jenkins e Thainá Teixeira mostraram sincronia na apresentação em frente aos módulos de julgamento que durou pouco menos de dois minutos. Trajados em azul que dá o tom no pavilhão da escola e detalhes de estampa vermelha, o casal enfrentou um vento forte durante a execução do bailado, fazendo com que a bandeira dobrasse levemente no final da apresentação. Mas, é notório ressaltar as pegadas seguras na bandeira por parte de Diego e a apresentação bem nítida do pavilhão da Thainá Teixeira. No geral, os dois demonstraram graça e muita conexão em meio à uma bela coreografia, que estava com movimentos limpos. O casal também aparentou calma, sintonia e alegria, se olhando o tempo inteiro. Além dos passos tradicionais, a dupla incorporou passos afro em sua dança.
Thainá Teixeira falou sobre as dificuldades impostas pelo forte vento. “Ventou em todos os módulos, foi impressionante que ao longo da avenida nem ventou tanto, mas era só a gente entrar numa cabine e começava a ventar muito. Eu driblei o vento, mas não sei ao certo como eu fiz. A gente torce para que não venha vento no dia, para que não chova… mas se tiver que ser com vento vai ser, se tiver com chuva também. Na quarta-feira nós estivemos aqui e também ventou muito, aí hoje eu trouxe outra bandeira, trouxe a bandeira antiga de Vigário. Eu vim com ela, porque ela é bem mais pesada que a minha de apresentação, então imaginei que pudesse me passar mais segurança, também molhei ela e é isso… apesar do vento, eu estou muito feliz, porque conseguimos trazer muita coisa que testamos e quero agradecer ao Diego e a todo mundo envolvido”, comentou a porta-bandeira.
“Eu quero agradecer a Deus e a Thainá, porque nós conseguimos fazer absolutamente tudo que temos ensaiado todos os dias. Teve um vento que tentou atrapalhar a gente, mas graças a Deus eu tenho uma porta-bandeira muito eficiente, que me passa confiança e conseguiu driblar a ventania. Para mim foi lindo, foi emocionante e eu estou chegando aqui com a sensação de dever cumprido, porque tudo que a gente ensaiou, consertou e repetiu mil vezes, a gente conseguiu fazer aqui”, revelou o mestre-sala Diego Jenkins.
EVOLUÇÃO
De longe, o “calcanhar de aquiles” da Vigário e o que precisa ser ajustado para o desfile oficial. Houve um grande clarão envolvendo a apresentação do segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira, desde o primeiro módulo de julgamento até o último, localizado no setor 10. Um espaço muito maior do que o normal foi aberto entre eles e as alas que antecedem e sucedem a dupla. Isso fez com que o ritmo de andamento da escola fosse prejudicado: hora evoluiu regularmente num ritmo constante, hora precisava acelerar os passos de forma brusca, fazendo com que as filas formadas dentro das alas se misturassem. O segundo casal da escola também precisou se revezar por toda a avenida entre compensar o grande buraco deixado, ou pedir espaço porque estava sendo estrangulado pelas alas. Alguns adereços de mão como bexigas nas cores da agremiação e pompons também ajudaram algumas alas nas coreografias e trouxeram maior movimento.

HARMONIA
Apesar do excelente samba, algumas alas da escola não aproveitaram o ensaio para cantá-lo. A escola passou sem que fosse notada alguma cola, no entanto, os componentes passaram cantando pouco, exceto pelo refrão principal que era cantando com força. Durante o treino, era possível observar alguns componentes da ala, que veio na sequência do tripé que representava o abre-alas, conversando e com celular na mão, ao invés de entoar a obra. Entretanto, a ala dos compositores cantou forte o samba por inteiro, assim como a ala das baianas, das passistas e a ala dos escravos, ala que também tinha coreografia bem ensaiada. Da concentração até a praça da apoteose, os componentes fizeram bonito e entoaram com força e muita garra a obra para o carnaval de 2022.

SAMBA-ENREDO
Comandado por Tem-Tem Jr, o carro de som da Vigário Geral deu show na Marquês de Sapucaí. O samba, que contou com a participação de Xande de Pilares na gravação, auxiliou a bateria na sustentação e manteve o andamento durante todo o desfile. De longe, o refrão possui uma pegada forte e é o ponto de explosão para a escola. Os versos Atabaque evocou orixá no Ilê / E o ponto firmou no toque do alabê / Pequena África… Raiz cultural / O samba resiste na Pedra do Sal levantaram a plateia presente no Sambódromo. O intérprete Tem-Tem Jr analisou o rendimento da obra no ensaio.

“Eu acho que foi muito forte em relação a forma com que a gente esperava, até um pouquinho mais. É um samba muito resistente, não cai nenhum minuto. Eu acho que o povo percebeu a cadência. A conexão do carro de som com a bateria é uma sintonia excelente. Minha escola, passando com muita alegria. Estou emocionado. “Um samba muito aclamado pelo povo. Vocês podem ver pela internet, sempre com muitos elogios, graças a Deus. Os carnavalescos foram muito felizes na escolha do enredo e os compositores mais ainda na feitura da obra. Eu só tenho que agradecer a toda equipe”.
BATERIA
Comandada pelo mestre Luygui Silva, a bateria da Vigário Geral apresentou um belíssimo trabalho em seu ensaio na Sapucaí. Com bossas que elevaram a potência do samba, o andamento foi mantido do início ao fim. Foi possível perceber cada um dos instrumentos e em nenhum momento a bateria atravessou o carro de som. À frente da bateria estava a rainha Egili Oliveira que esbanjou samba no pé. Vestida com as cores da escola e um belo adereço dourado na cabeça, a beldade mostrou estar preparada para o carnaval e atendeu público e imprensa com muita simpatia. Damásio dos pratos, famoso por desfilar em outras escolas como a Mocidade Independente de Padre Miguel, também estava presente. Mestre Luygui revelou que a “ Swing Puro” virá com 220 ritmistas para o desfile, além de explicar as bossas e convenções que pretende fazer.
“Uma avaliação muito positiva, mas não foi 100%, não foi 10 e eu acredito que o 10 nós vamos buscar no dia do desfile. Temos que melhorar pequenos detalhes, mas o ensaio foi muito produtivo, foi muito bom. Digamos que estamos 99% prontos para o desfile e até o desfile, a gente chega a 100%. Nós vamos apresentar essas duas convenções que fizemos aqui hoje, para valorizar mais o samba, ditar mais o ritmo dele, que é muito bom e é um dos melhores do carnaval. Então, a gente nunca trabalha só pensando em nós mesmos, a gente trabalha pensando na escola, no conjunto”.
OUTROS DESTAQUES
A ala de passistas, além de evoluírem muito bem, sambaram ao longo de todo o percurso pela avenida. Destaque para a roupa confeccionada em estampas que remetiam à África. A velha-guarda da escola também passou bonito logo na frente do primeiro tripé de alegoria, que são três ao todo.

Vale destacar também a bravura da comissão de frente em uma coreografia marcante e muito bem ensaiada. A apresentação durou dois minutos e trouxe 15 bailarinos, que esbanjaram muita energia, vestidos com saias coloridas e rostos maquiados de branco. A coreografia mostrou algumas referências de atividades características dos ancestrais, como por exemplo: passos de danças afro, movimentos característicos de religiões de matrizes africanas, referência ao ritual de incorporação que é visto nos terreiros de candomblé e umbanda, etc. A Vermelha, Azul e Branca da Zona Norte presenteou o público com uma ala das baianas vestida no tradicional branco que destacava as guias e patuás que vinham no pescoço das componentes da ala e adereços multicoloridos em suas cabeças
Com o enredo Pequena África: Da Escravidão ao Pertencimento – Camadas de Memórias entre o Mar e o Morro, a Acadêmicos do Vigário Geral será a sexta escola a desfile no segundo dia de desfiles da Sério Ouro em 21 de abril, feriado de Tiradentes.
Participaram da cobertura: José Luiz Moreira, Walter Farias, Leonardo Damico, Gabriel Gomes, Lucas Santos. Fotos de Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

