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Águia de Ouro mantém alto nível no quesito harmonia e justifica favoritismo

A expectativa pra assistir a atual campeã e uma das favoritas, era alta. Pelo que foi visto, o favoritismo é justificado e resumido em uma palavra: amadurecimento. Os benefícios do título são visíveis no Águia de Ouro: componentes ainda mais entregues, comissão de frente sincronizada e com bailarinos estrategicamente pensados, diretoria focada em cada detalhe na pista, o que resulta numa energia contagiante. É uma escola diferente, mais atenta aos detalhes.

“A gente tem um sistema nosso de trabalho. Agora, hoje mesmo, nós vamos para a quadra, fazer uma avaliação, conversar sobre todos os pontos e cada um fazer a sua análise para sabermos se as coisas batem e o que poderemos melhorar para o desfile. É muito difícil para você analisar uma escola estando ali no meio, por mais que você ande para lá e para cá. Mas no geral, nada que a gente fala muito, que deu muito errado. Teve alguns pequenos erros, ajustes que são normais. Não existe escola que desfila perfeita, em momento algum. Agora é sentar para fazer o máximo para corrigir os problemas que a gente viu. Nós só fizemos um ensaio aqui, mas fazemos muitos ensaios de rua. No ensaio de rua nós fazemos uma simulação de recuo de bateria, tem a mesma distância de pista. Lógico, aqui é sempre melhor, mas o de rua já dá uma boa bagagem em questão de organização. Não tem ponto alto não. Nós somos uma escola muito homogênea, né. Conseguimos equilibrar todos os quesitos. Não dá para dizer que fomos espetaculares. Foi normal”, disse Sidnei Carriuolo, presidente da escola e diretor-geral de carnaval.

Harmonia

O nível de canto da escola sempre surpreende, e surpreendeu. São anos de alto nível, tanto na qualidade da pronúncia das palavras quanto no volume emitido pelos componentes. Pode parecer irrelevante, mas a pronúncia correta de palavras como “Opaxorô” , “Lavar o engano”, assegura a nota máxima no quesito, já que a constância no canto da escola é notada.

Sobre o samba, a construção melódica e as rimas não óbvias, podem garantir um julgamento positivo no quesito. O carro de som conta com um time de cantores principais de alto nível (Douglinhas, Darlan e Serginho do Porto), e mais os intérpretes de apoio, que torna a ala muito segura.

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A repicada do cavaco na retomada do apagão: “Senhor”, também contribuiu musicalmente pro desempenho da escola.

“Como é um ensaio só, temos que entregar tudo nele. De adrenalina, acho que foi mil. Agora a gente vai sentar, analisar e ver como é que foi. Para nós do carro de som é sempre bom, porque a gente está do lado da bateria, sempre aquela atmosfera e empolgação. O destaque é do Águia de Ouro é sempre o canto da escola. Atingimos o nosso objetivo. Se esse entrosamento rolou, é sinal de que correu tudo bem. Esse samba é uma junção de dois grandes sambas e a escola abraçou muito. Eu falo sempre que a Águia de Ouro faz o samba crescer, mas esse em especial, tem uma força muito grande, porque o tema fala de muita coisa que passamos nesses últimos dois anos”, comentou o cantor Darlan Alves.

“A gente não tem a visão total da escola, mas eu acho que foi um ensaio muito bom. Precisamos ajustar algumas coisas, mas estamos no caminho certo. Estamos fazendo muitos ensaios de quadra e de rua. A gente procura sempre se corrigir, se afinar e se acertar””, completou Douglinhas.

Evolução

A Aguia de Ouro trouxe um contigente bem grande pro técnico, o que naturalmente fez a escola andar com uma velocidade maior em comparação a agremiação anterior.

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Notou-se uma estratégia mais compacta no espaço entre as alas. Pra garantir a divisão e evitar invasões dos componentes, os diretores de ala ficavam na organização, em frente.

A primeira ala chamou a atenção pela sincronia da coreografia e empolgação do canto, o que não significa que destoaram do restante da escola.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O primeiro casal da escola, João Camargo e Ana Reis, bailou com terno/vestido azul e amarelo. A sincronia entre eles já é notada há anos, e dessa vez, a dupla ousou mais nos passos, inclusive ao adicionar elementos de temática africana no bailado.

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João Camargo bailou e esbanjou segurança, principalmente ao cravar os passos logo após o giro. Na apresentação da torre do segundo jurado do quesito, ambos olharam fixamente pra cabine.

Bateria

A bateria “Batucada da Pompeia”, mestrada pelo Juca Guerra, fez um ensaio seguro. O apagão no trecho “Senhor”, teve uma resposta empolgante da escola. A bossa inicia com o canto da escola, atabaques entram até a retomada da bateria por completo, o que dura até o início da primeira estrofe do samba. No recuo, a bateria optou pelo “caracol”. Entram de frente e cada fileira volta por dentro.

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“Nós fizemos dois ensaios técnicos de bateria, confesso que fiquei um pouco preocupado até com o andamento que estava oscilando um pouquinho. Mas hoje mostramos o que é a batucada da Pompeia. Deu tudo certo, tudo que planejamos conseguimos colocar na avenida hoje, e acho que foi muito bom. Se repetir isso no dia 23, vai ser nota 10. Temos dois ensaios na quadra, tem a passagem de som aqui ainda. E a gente vai fazer um ensaio de rua. Sempre tem ajustes, nenhuma bateria é perfeita, sempre tem alguma coisinha lá, e a gente procura ajustar. De acordo com os diretores, ritmistas, que falam. Iremos ajustando, a bateria do Águia é bem democrática, todo mundo fala, ouve, e isso é bem legal. Temos na verdade, um paradão e mais uma bossa só. Sempre no samba, no andamento do samba, que é uma característica da bateria do Águia. Algumas retomadas com as caixas, as viradas. Está dando certo não tem porque mudar. Nossass bossas todas elas com mais de 16 compassos que o regulamento pede”, disse mestre Juca, que falou também da fantasia para o desfile.

“Nós vamos de alabê. É uma fantasia muito rica, com muito búzio e dente, muito bonita. São duas cores, isso é uma novidade, ninguém sabe, agora vocês. Vamos sair com a bateria metade azul e metade branca”.

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Outros Destaques

Um destaque do ensaio ficou na conta do Sidney França, o carnavalesco, que trabalhou também como Diretor de carnaval, se comunicando com a diretoria e harmonia através do rádio, e observou cada passo da escola na avenida. Sidney finalizou o ensaio ao lado dos últimos integrantes.

Técnica, segurança e poucos espaços pra erros marcam ensaio da Barroca

A primeira escola do Grupo Especial a ensaiar na noite de sábado, dia 9, fez um ensaio com poucos espaços pra erros. Isso porque, a Barroca Zona Sul demonstrou domínio, segurança e pouca exposição em alguns quesitos, que são: Casal, bateria, comissão e evolução. O ensaio, no geral, foi organizado, sensação de uma escola técnica, priorizando o regulamento, mas sem perder espontaneidade.

“Venho na frente e não tenho muita noção. Mas pelo andamento e pelo volume que me passaram a escola veio bem, e agora vamos fazer uma apuração. Pelo que deu pra ver da escola daqui e na saída, agradou bastante. Acho que em canto, temos como base o andamento na quadra. Na quadra está cantando muito, e acho que está trazendo para cá. Mas a gente tem que melhorar. A Barroca quer chegar, e pra isso é preciso melhorar. O andamento e a tranquilidade das pessoas foram os pontos altos. Hoje fizemos um ensaio mais calmo, no outro tínhamos passado um pouco mais tenso. É isso aí, cantou um pouquinho mais e passou tranquilidade para a escola”, explicou Marcão, diretor de carnaval.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Vestidos com traje todo em rosa claro, Igor Sena e Camila Pancini pisaram na avenida pela segunda vez, com mais segurança e menos nervosismo. Mesmo sendo um ano de estreia pra dupla, a essência jovial do estilo de dança dos casais da agremiação se mantém.

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Pra aproveitar a temática afro do enredo, ambos realizam passos característicos do tema. Igor Sena, por exemplo, também adiciona elementos no seu bailado. No trecho do segundo refrão, ele acrescenta passos de “Jongo”, uma dança ancestral de origem africana.

Estrategicamente, o casal vem logo atrás do abre-alas, o que limita o campo de visão do jurado no momento do desfile.

Harmonia

Um ponto positivo pra esse desfile da agremiação, inegavelmente é o samba-enredo. A construção melódica, rimas e a métrica (divisão de uma linha musical) são elaboradas de forma que foge do “padrão”.

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Escutar o samba durante o desfile, não torna a experiência cansativa, pelo contrário, por ser fluido, o folião acaba se envolvendo.

Questões em relação à pronúncia de algumas palavras podem vir a se tornar uma questão no quesito harmonia. A intensidade e confiança dos componentes durante as estrofes caem, o que faz algumas palavras não serem entendidas com clareza.

Bateria

Primeiro carnaval assinando a bateria da Barroca Zona Sul como mestre único, Fernando Negão teve uma postura de confiança, fato já notado no primeiro técnico. Durante o recuo, ele comandou a cozinha (parte do fundo) com um palco, pra ficar visível aos olhos dos ritmistas, e empolgou a bateria durante o meio do ensaio.

A Bateria Tudo Nosso trouxe bossas que preenchem o tamanho mínimo exigido no regulamento, com segurança. Na bossa do segundo refrão, o início dela é quando os surdos deixam de tocar. Tem uma virada de 2, porém com a retomada apenas das caixas, repiques e surdos de terceira. A bateria volta com um pequeno arranjo de repique e uma sequência de três toques secos.

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O pequeno apagão apresentado pela bateria, mais especificamente no trecho “Meu redentor”, tem a sua retomada iniciada apenas pelos surdos de terceira. A combinação rítmica com o trecho cantado no momento do arranjo, impacta.

A bateria veio posicionado entre o segundo e terceiro setor, o que torna o tempo no recuo menor, em comparação as baterias que entram no início da escola. E isso, assim como no casal, diminui o tempo de exposição ao jurado posicionado no recuo.

“Vem muito bem a escola, aguerrida, mais componentes que da primeira vez. Tem uns detalhinhos para consertar, mas no final vamos chegar 100%. Hoje deu para fazer ajustes. Firmou mais a levada de caixa, virada de dois, de três, as bossas. Tem algumas coisas para arrumar ainda. Mas estamos no caminho certo. Nossos ensaios técnicos no Anhembi, encerramos. Vamos acertar só na quadra mesmo, conversa, pessoal ainda um pouco nervoso, pois faz tempo que não desfila. Assenta adrenalina, mas no final vai dar tudo certo”, disse o mestre Fernando Negão.

Evolução

A escola optou por um primeiro setor mais clássico: Comissão de frente, ala das baianas e abre-alas. A estratégia concentra mais alas no decorrer dos setores, o que transmite a sensação de empolgação dos componentes com mais objetividade e facilita o andar harmônico, fato que pode ser notado no último ensaio técnico da Barroca.

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Pro aspecto visual, os adereços de mãos sempre são uma alternativa acertada pra impacto positivo. O primeiro ensaio da escola contou com isso, algo repetido pela agremiação nesta segunda passagem ao Anhembi. A presença dos objetos, como: bexigas, pedaços de pano, bandeiras etc, não significa que a fantasia trará acessório em sua composição, mas é um ponto que enriquece o treino e a sensação de organização entre os responsáveis das alas.

A ala “Andy Angel”, localizada entre o 2° e 3° setor, traz coreografias que preenchem praticamente o samba inteiro. É uma ala bem coreografada, e sua a parte inicial impacta pela energia.

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Outro destaque entre as alas ficou pra última, em que todos estavam de preto. Os componentes ensaiaram soltos, interagindo entre eles.

Outros Destaques

Mais um ponto que chama atenção, e consequentemente cria expectativas pro desfile, é o tamanho das alegorias da agremiação. As faixas usadas pra demarcar o espaço na avenida preencheram uma parte significativa da pista.

A comissão de frente também foi um aspecto positivo. Bem coreografada e com interação com o público. Alguns componentes cantavam o samba e contavam os passos pra não perder a sincronia da coreografia.

Fotos: ensaio técnico Unidos de Padre Miguel para o Carnaval 2022

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Fotos: ensaio técnico Porto da Pedra para o Carnaval 2022

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Fotos: ensaio técnico do Unidos de Bangu para o Carnaval 2022

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Mestre Wando promete bossa ‘antiga e modernizada’ em reedição da Em Cima da Hora

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Recém-promovida à Série Ouro, a Em Cima da Hora abre os desfiles da Marquês de Sapucaí após dois anos sem Carnaval por conta da pandemia do Coronavírus. Na última sexta-feira, a escola esteve no Sambódromo para realizar o ensaio de bateria, a menos de duas semanas para o desfile oficial. Os ritmistas do mestre Wando treinaram junto ao carro de som no setor 11 da Avenida e o comandante, que estreia pela Sintonia de Cavalcante, falou sobre ser a primeira agremiação a se apresentar.

“Primeiro agradecer por ter essa oportunidade de abrir o Carnaval depois de dois anos. Foi um período muito difícil com essa pandemia, de várias perdas. Então é uma emoção muito grande por estrear aqui de novo, agora como mestre de bateria da minha escola do coração. Não tem nem muito o que falar, é um sonho realizado. Pelo que tenho visto no barracão, a escola vem bem, impactante, com um enredo bom, então é só fazer o trabalho bem feito no dia”, disse Wando, que completou:

“Sempre tem alguma coisa pra melhorar. Nunca está 100%, tem que estar 100% no dia do desfile. Então por isso esse ensaio hoje, para acertar os detalhes, principalmente da bateria com o carro de som. Estamos preparando uma bossa de repique, que antiga, para um samba antigo. Mas é um antigo ‘modernizado’. A importância de ensaiar aqui no setor 11 é treinar no campo que você vai jogar, é o fundamental”, emendou o mestre de bateria da Em Cima da Hora.

Em 2022, a Em Cima da Hora vai reeditar o enredo do Carnaval de 1984, quando trouxe para a Avenida ’33 – Destino D. Pedro II’. O samba é famoso até hoje com os versos ‘Não é mole não, com a inflação’ e ‘Não é tão mole andar de pingente no trem’. A bateria do mestre Wando terá 240 ritmistas, com duas bossas e uma nuance programadas para os desfiles. Quem também esteve presente na Sapucaí foi o intérprete Ciganerey, que também conversou com o site CARNAVALESCO.

“Em um primeiro momento a gente fica um pouco apreensivo, principalmente por ser o primeiro intérprete a pisar na Sapucaí depois de dois anos. Mas eu estou muito confiante no trabalho que venho fazendo junto com o carro de som e com a escola. E a responsabilidade é ainda maior de defender um samba antológico como esse. Creio que vai dar tudo certo na Avenida”, disse Ciganerey, antes de encerrar:

“O mais importante desse ensaio hoje é arrumar as arestas, mexer no que ainda não está certo. O carro de som teve uma conversa com os diretores de bateria porque tivemos um problema na parte harmônica no ensaio técnico. Mas agora está no caminho certo. A escola vai vir bem aguerrida e fazer um belo Carnaval, vamos surpreender e tentar ficar no mínimo ali no Top-5”, completou o intérprete.

É neste domingo! Mart’nália faz samba e estará na lavagem da Marquês de Sapucaí no último dia de ensaio técnico

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O objetivo é abrir os caminhos, trazer boas energias e pedir proteção para que os desfiles aconteçam lindamente, mas se a lavagem da Sapucaí vier acompanhada de um show gratuito, a população agradece. Então, além de participar do evento levando água para todos que estiverem no Sambódromo, a Águas do Rio chegará com a cantora Mart´nália para animar ainda mais a festa. Em cima do carro de som, a sambista vai cantar sambas históricos, além de seu lançamento recente, o “Samba da Água”. O evento é aberto ao público.

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“O nosso compromisso com a sociedade vai muito além do saneamento, levando água e coletando e tratando esgoto. Estaremos ao lado da população quando ela precisar de nós e nos momentos de celebração da vida, como o carnaval, a festa mais democrática e popular do país. Não por acaso a nossa chegada se dá nos ensaios gratuitos levando água para quem vem desfilar ou simplesmente se divertir”, ressalta o presidente da Águas do Rio, Alexandre Bianchini.

Para Jorge Perlingeiro, presidente da Liesa, a tradição, que acontece antes do teste de som e da nova iluminação cênica da Avenida, procura trazer a paz para os desfiles de abril. “O show será uma grande contribuição para levar a energia que as agremiações precisam para fazer um carnaval inédito”, acrescentou Perlingeiro.

Lavagem

A lavagem da Marquês de Sapucaí teve início em 2011 e conta com a presença de baianas, casais de mestre-sala e porta-bandeira, velha guarda, destaques e representantes das escolas de samba mirins. A Águas do Rio esteve nos cinco finais de semana de ensaios técnicos das agremiações. Foram mais de 140 mil copos de 200ml distribuídos para os membros das escolas e o público das arquibancadas. O número equivale a 22,8 mil litros de água, quase três carros pipa. Além disso, a concessionária forneceu 12 bebedouros nos setores abertos ao público.

Samba da Água

A parceria de Mart’nália com a Águas do Rio começou em 2021, quando a artista compôs o “Samba da Água” para marcar a chegada da empresa no Rio de Janeiro. Na letra, a importância da água na vida do cidadão fluminense é exaltada:

(…)
(É água) do mar, chuva ou lagoa
(Com água) até em tempo de estio
(A água) que meu Cristo abençoa
(Pra água) sempre um desafio
(Tem água) até embaixo da ponte
(Só água) faz das águas do Rio
(Pra gente) a mais pura da fonte

Império da Tijuca faz ensaio de bateria no setor 11 e mestre Jordan projeta: ‘Coisas boas vem aí’

A menos de duas semanas para o início dos desfiles da Série Ouro, a Império da Tijuca pisou no solo sagrado para um ensaio de bateria. A escola esteve no setor 11 do Sambódromo na noite da última sexta-feira para lapidar os últimos detalhes do que irá levar à Avenida no dia 21 de abril. Comandante da Sinfonia Imperial, mestre Jordan falou sobre o treino na Marquês de Sapucaí e comentou a expectativa da escola para o Carnaval de 2022.

“A expectativa é muito grande, são dois anos parado, mas conseguimos juntar uma boa bateria e temos uma estrutura muito boa. A direção também é a mesma, então vamos fazer um excelente Carnaval. Vamos trabalhar para conseguir os 40 pontos e o acesso ao Grupo Especial. Sempre dá para melhorar a bateria, mexer em alguma coisa, mas já está tudo 99% pronto para levar a nota 10. São só alguns detalhes que a gente vai lapidar, consertar uma coisa aqui, outra ali”, comentou mestre Jordan, antes de emendar:

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“O ensaio no palco sagrado é muito melhor do que ensaiar na quadra, na rua. Aqui a gente sente a energia do desfile, em frente a cabine de jurados, e dá para treinar já o que temos que fazer. Sou suspeito para falar, mas o barracão, as fantasias e o clima do pessoal é muito bom. Há muito tempo que eu não vejo um ambiente bom desse, de união. Não sei se é tempo longe, mas a escola está em uma vibe muito boa. A Império da Tijuca está muito bonita, vocês podem aguardar coisas boas vindo aí”, complementou.

Em 2022, a Império da Tijuca levará o enredo ‘Samba de Quilombo’ para os desfiles. Nesta sexta, além da bateria, a escola também fez um treino de comissão de frente, casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira e alas coreografadas. Com 210 ritmistas e três bossas, a Sinfonia Imperial promete grande trabalho no Sambódromo e mestre Jordan revelou que a bossa do jongo, que é acoplada na da cabeça do samba, terá grande impacto. Comandante do carro de som, Daniel Silva também falou com o site CARNAVALESCO.

“Essa volta à Sapucaí está sendo uma uma experiência diferente, é como se fosse a primeira vez depois dessa pandemia que o mundo passou, mas foi muito gratificante. Nos ensaios técnicos deu pra ver a alegria das pessoas, o olhar de ‘estamos no nosso lugar’, a sensação de ‘podemos estar aqui de novo’. Tenho certeza que vai ser um Carnaval memorável, não só da Império da Tijuca, mas de todas as escolas. Todos os ensaios técnicos, de todas as agremiações foram maravilhosos, a energia foi muito intensa. Para nós sambistas, isso é maravilhoso. Estamos parecendo crianças nessa volta”, disse Daniel Silva, que finalizou:

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“Esse ensaio aqui é para ajustar os pontinhos que ainda faltam. Treinar em um campo diferente é uma coisa, mas em casa, no campo de jogo, é muito melhor. Nossa expectativa é sempre brigar em cima, sempre. Viemos para cá pensando no topo. Sabemos que é aqui dentro que se ganha, mas tenho plena convicção que vamos chegar aqui no dia 21 e fazer um desfile maravilhoso. Está todo mundo com vontade de vencer. Já é de praxe enredo afro, com ancestralidade de orixá, e esse tema levantou a moral da comunidade. Então pode ter certeza que vamos fazer uma grande apresentação aqui”, encerrou o intérprete.

Entrevistão com Dudu Azevedo: ‘Cobrança é enorme. A Beija-Flor é a maior campeã da era Sambódromo’

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Emplacando a preparação de seu segundo desfile pela Beija-Flor, o diretor de carnaval Dudu Azevedo já teve o mérito de ajudar a escola a apagar a imagem ruim do carnaval de 2019, quando na comemoração dos seus 70 anos, terminou em décimo primeiro lugar. Com Dudu, a escola voltou às campeãs com o quarto lugar em 2020. O desejo agora é por mais. Pelo retorno ao lugar mais alto do pódio, a Beija-Flor já igualou seu maior jejum neste século, contando em anos e lembrando que em 2021 não houve carnaval, a taça já não vem desde 2018. O mesmo intervalo de tempo que aconteceu entre 2011 e 2015.

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Com passagens por União da Ilha, onde ainda ajuda, Salgueiro, Grande Rio entre outras, o diretor de carnaval recebeu a reportagem do site CARNAVALESCO falou sobre a cobrança por títulos dentro da Beija-Flor, relembrou seus maiores carnavais tanto assistindo quanto dirigindo, falou das comparações que surgem de seu trabalho com o de Laíla, sobre o julgamento do quesito harmonia e sobre as perdas de pessoas que a Deusa da Passarela vem sofrendo desde o início da pandemia em 2020.

Como sambista qual é o maior desfile que você viu? Por que?

Dudu Azevedo: “Que eu assisti, cara, eu vou voltar lá atrás, eu vi desfiles do Renato Lage, na Mocidade, na década de 90, eu era apaixonado. Aquele desfile que falava sobre as brincadeiras de criança, que vinha o rosto do menininho jogando ‘Atari’, o olho dele era as televisões, aquele desfile, para mim, é um desfile magnífico, inesquecível (Desfile de 1993). Eu, muito jovem, lembro do ‘Explode Coração’ do Salgueiro (1993), lembro da ‘Festa Profana’ da Ilha (1989), para mim são desfiles que eu guardo muito bem. O desfile da Estácio da ‘Paulicéia Desvairada’ (1992), foi também, assim, muito forte para mim”. O desfile da Beija-Flor 2007, ‘Áfricas’, e o da Vila Isabel do ‘Festa no Arraiá’ (2013), também são magníficos”.

Como diretor de carnaval qual o maior desfile que participou e por que?

Dudu Azevedo: “Como diretor de carnaval, eu guardo três desfiles na minha mente que eu participei do desfile e eu saí da Avenida muito em êxtase. Foi Salgueiro 2014, Salgueiro 2016 ‘Malandro Batuqueiro’, que para mim o final do ‘Malandro Batuqueiro’ é apoteótico, a arquibancada toda pulando e cantando. E, o 2020 da Beija-Flor para mim é muito emblemático, sabe? Uma escola que vinha do décimo primeiro lugar, meu primeiro ano na Beija-Flor, uma escola que tantas vezes eu fui para a Avenida para bater palma para o desfile da Beija-Flor, aquele rolo compressor que passavam na Avenida, e, eu saí da Avenida muito feliz com aquela comunidade, como cantou, como desfilou. Então, estes três desfiles, eu trago muito na minha memória”.

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Você questionou o julgamento do quesito harmonia em 2020. O que sugere para aperfeiçoar?

Dudu Azevedo: “O quesito harmonia, eu acho que tem que ficar totalmente ligado ao canto total da escola. Porque hoje o que a gente vê na maioria das justificativas, algo relacionado ao carro de som. Então, você julga 12, 13 pessoas profissionais, cantores profissionais, músicos profissionais, em detrimento a 3 mil pessoas que o diretor de harmonia fica o ano inteiro ensaiando. E, aí, de repente a escola canta para caramba, tem pessoas cantando no tom, em consonância perfeita, tudo certinho, mas aí um ‘plim’ do cavaco lá no carro de som perde ponto em harmonia. Eu acho que isso não está sendo justo. Eu deixaria a harmonia para o canta da escola, para você ver se a escola está realmente cantando, com ênfase, no tom, em consonância perfeita, não tem desigualdade de canto, um setor cantar mais do que outro, partes do samba são mais cantadas que outras partes, para mim eu julgaria a harmonia assim”.

Gostaria do carro de som ser um subitem do quesito harmonia? Como acontece no samba com letra e melodia?

Dudu Azevedo: “Eu acho que a gente tem que envolver o carro de som de alguma forma no julgamento. Não tenho certeza dessa minha opinião, acho que teria que ser testado para dar certo. Mas, eu envolveria o carro de som no quesito sim samba-enredo. Porque eu acho que um samba bom, mal cantado, ele não chega na sua nota 10. Um samba médio, bem cantado, ele até atinge a nota 10. E o samba bom, mal cantado, ele não atinge a nota 10. Então, eu acho que o samba-enredo tinha que ter um pouco do carro de som para ser julgado. Eu colocaria o carro de som para ser julgado no julgamento de execução do samba-enredo. ‘Mas, pô Dudu, você está certo disso?’. Não sei. É um teste que deveria ser feito para ver essa mudança. É um teste pra gente ver se a gente consegue julgar o samba-enredo bom, bem cantado pelo carro de som”.

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É pesado ter a comparação com o que o Laíla fez na escola?

Dudu Azevedo: “Eu sempre bati palma para os trabalhos do Laíla na Beija-Flor, sempre fui para a Avenida para ver a Beija-Flor passar. E tudo que eu queria era um dia desfilar com uma escola da mesma forma que a Beija-Flor desfilava. Agora, aqui dentro, eu cheguei em um momento em que a escola ficou em décimo primeiro (2019). Uma escola super campeã, e, de repente, não sei, tudo que ela fazia, algo poderia melhorar, algo, de repente, com a evolução do tempo, a gente poderia modificar, entendeu? Mudanças são válidas para as nossas vidas, para o nosso trabalho. Eu procurei conversar com os diretores, com a comunidade, e tirar deles o que eles achavam que era o melhor da escola. E, o que era melhor, se era um trabalho feito pelo Laíla, se era um trabalho feito em um ano sem o Laíla, eu não queria saber, eu queria saber se é o melhor para a nossa escola? Nós vamos trabalhar em cima desse melhor”.

Estar na Beija-Flor é ser cobrado pelo rolo compressor. Como administrar isso internamente e com a comunidade?

Dudu Azevedo: “A cobrança é enorme. A Beija-Flor é a maior campeã da era Sambódromo. Não consegue ficar dois anos sem títulos. Todo mundo cobra títulos. E, a gente está trabalhando para isso. Aquela comunidade é um rolo compressor, a gente brigou esse ano para ter um enredo que se comunicasse com a nossa comunidade e o enredo é totalmente ligado à história de cada um de nós ali, povo preto da Baixada, e, eu tenho certeza que o carimbo, a identidade da escola impressa no canto do Neguinho da Beija-Flor, no rodopiar da Selminha e do Claudinho, na força de uma comunidade que é um rolo compressor, na direção de todos nós feita pelo Almir (Reis), que está na escola há muito tempo, que é o nosso presidente, negro, é o conjunto de tarefas que a gente vai levar para a Avenida para levantar este caneco”.

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A Beija-Flor perdeu diversas pessoas, entre elas, o Leo Mídia e o Bakaninha. Como levantar a cabeça e como construir o trabalho sem eles?

Dudu Azevedo: “Rapaz, pelo lado emocional é bem difícil. Nós tivemos algumas perdas pelo Covid, como o ex-presidente Farid (Abrão David), tivemos o Velloso (Jorge Velloso), não por Covid, mas no período, um cara super campeão com samba-enredo, muito ligado a comunidade. Mas, agora nos últimos três meses, nós perdemos três valores do chão da casa. Três valores muito jovens com futuros mais do que promissores. Por mais que o Bakaninha já fosse uma realidade na nossa quadra, ele ainda esperava dar prosseguimento ao primeiro microfone da Beija-Flor porque o Neguinho falava que ele era o substituto. Então, emocionalmente, bateu muito na gente. Em termos de trabalho, é uma mola propulsora aí para gente. A gente vai cantar, encantar, seduzir o público com toda a paixão, com toda a garra, por eles. E, que eles lá de cima, estejam iluminando a gente. Tivemos o primeiro ensaio sem o Bakaninha, e a força da escola foi muito grande. Uma palavra bem usada pelo presidente Almir foi a palavra amor. É um povo que ama muito a sua escola. É uma família que se ama muito e a gente está, mesmo dolorido, a gente está com muita garra, porque o amor é mais forte do que tudo. E, a gente vai entrar na Avenida e vamos trazer esse caneco em homenagem a esse pessoal que a gente perdeu”.

Muita gente espera a Beija-Flor volumosa em 2022. É por aí?

Dudu Azevedo: ”Desde que eu cheguei aqui, é o que eu falei, o melhor da escola quando a gente conversa com os diretores, com a comunidade, todo mundo quer essa exuberância da Beija-Flor, essa riqueza, esse volume da Beija-Flor. E, a gente vem imprimindo isso. Muita conversa com o Louzada (Alexandre), o nosso carnavalesco. Podem esperar uma Beija-Flor com cara de Beija-Flor. Uma Beija-Flor volumosa, exuberante e riquíssima, com criatividade. Hoje, de repente, a gente já não compra mais alguns materiais valiosos, porém, esses mesmos materiais foram substituídos para ter a mesma plástica, ter o mesmo brilho, o mesmo olhar. Para você falar assim ‘caramba, está tudo muito rico’. Mas, isso é fruto da criatividade do Alexandre Louzada. É um enredo que fala conosco, esse povo preto da Baixada. Queria falar de si. E, o mundo, hoje, precisa disso. O racismo existe. Vivemos em um país racista em que a gente pede só a palavra respeito. A gente não quer ficar falando de intolerância, fazer nenhum ‘mimimi’ com nada. Respeita a história do negro. Mas, não é respeitar o negro na sua história como é contada não. A gente está contando a verdadeira história do negro. Dando valores, a estes seres humanos que fizeram história, nós, que somos negros, que trabalhamos na maior cultura popular do país, que é o carnaval, nós temos o nosso valor. Então, a Beija-Flor valoriza o trabalho do negro, o trabalho de pessoas importantes negras que ao longo da história ficaram apagadas por trás de uma cortina de fumaça. O povo preto da Baixada vai cantar e encantar a Sapucaí, pode ter certeza”.

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Você é um cara que pensa o carnaval fora dos desfiles. O que gostaria de ter durante o ano?

Dudu Azevedo: “Eu acho que carnaval tem que ser o ano todo. Eu já falei isso várias vezes, as pessoas que amam o carnaval falam dele o ano todo. Eu converso carnaval com o presidente Almir o ano inteiro. Tem outras pessoas também que eu converso carnaval. E, eu acho que cabe para gente o desfile principal lá em fevereiro, no calendário de carnaval, mas cabe a gente ter um outro desfile nesse um ano que antecede. O melhor da festa é esperar por ela. A cidade tem que respirar carnaval. Você vai para a Argentina, você desce no aeroporto e estão te vendendo tango. Você almoça ouvindo tango, você toma café vendo tango, o aeroporto está te vendendo tango, você vai ver o estádio do Boca Juniors e lá tem tango. A nossa cidade é de carnaval, a gente precisa entrar neste clima de carnaval o ano inteiro. Com eventos, com desfiles, com várias situações de manifestações culturais. Uma coisa é o desfile das escolas de samba. Isso é muito bem administrado, feito pela Liesa. Beleza! Legal! Agora, quais são as manifestações culturais do carnaval ao longo do ano? Nós precisamos entrar nesse mercado aí, porque isso é cultura. É acabar o carnaval e pegar as esculturas das seis primeiras escolas, a prefeitura de repente tem dois, três carros que a gente vai tirar as esculturas das escolas campeãs, algumas mais referências, vamos montar em cima daquele carro e vamos fazer três, quatro desfiles durante a semana na Marquês de Sapucaí. Desfiles pequenos, do setor 3 ao setor 7. Mas, para você fomentar as pessoas virem ao Rio de Janeiro e curtirem o carnaval. Isso tem que acontecer, com patrocínio privado de repente. A gente tem que pegar a Cidade do Samba e ter desfiles como foi a festa da Série Ouro. A gente tem que ter uma feijoada por mês na Cidade do Samba, aos domingos, que vai lotar. As quadras ficam lotadas quando acontece isso. Agora a gente está na pandemia, mas a pandemia, uma hora vai acabar. Ou, a gente vai conviver com alguns protocolos que dão permissão para a gente aglomerar. Mas, isso tem que ser pensado. Tem que ter exposição de fotos, exposição de artes de carnaval. Tem que pegar essa galera de barracão que faz fantasia, eles têm que trabalhar o ano inteiro. Carnaval é uma indústria que tem que funcionar o ano inteiro. Muita gente só pensa o carnaval em janeiro. Não dá para pensar uma escola só para poder desfilar e ser campeão e dar 10 pelo jurado. A manifestação cultural tem que estar o ano inteiro. Eu sonho com isso”.

Como será a ajuda do Dudu na Ilha?

Dudu Azevedo: “Eu tenho uma dívida de gratidão com a União da Ilha. Com o povo insulano. Minha contratação na Ilha foi depois de um ano muito difícil para mim. Eu faço agora 11 carnavais como diretor de carnaval. E o meu pior momento foi o desfile do Chacrinha na Grande Rio (2018). Quando eu tenho a dispensa na Grande Rio, a gente fica meio que sem saber para onde ir por todo o ocorrido. E, a Ilha abriu as portas para mim. Um dia após o resultado da quarta-feira de cinzas, o presidente da Ilha faz contato com a Beija-Flor, conversa com a presidência aqui e pede para conversar comigo, para que eu possa ajudar a Ilha no grupo de baixo. E, depois deles autorizarem, de eles permitirem que eu fosse, eu falei que ajudaria sim. Porque para mim, gratidão não se prescreve. Eu sou muito grato pela oportunidade que a Ilha me deu. Fiz um novo carnaval no ano seguinte, foi um belo carnaval, a União da Ilha foi cotada para vir nas campeãs e diante desse trabalho tenho certeza que muitas escolas viram. E, como a Beija-Flor acabou me chamando para eu estar aqui na maior das maiores do carnaval, na época do sambódromo, eu falei que ajudaria. E, hoje a gente tem no barracão da Ilha o Edu, o Cahê, o próprio presidente Ney, o seu Luiz Carlos chefe do barracão, eles tocam o carnaval da escola no dia a dia, e, eu sou muito ligado a Beija-Flor no dia a dia. Passo lá dia sim, dia não, no final do dia para bater um papo com eles, para ver como está o ritmo das coisas, mas a ideia é a gente colocar a Ilha na Avenida, mas o dia a dia está sendo muito tocado por eles. A gente só bate papo de carnaval para a Ilha vir com um grande carnaval e voltar ao lugar de onde ela nunca deveria ter saído”.

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Como tornar a evolução dos desfiles mais solta e com samba no pé?

Dudu Azevedo: “Eu acho que é um pouco no julgamento. Confio muito na forma como a gente está falando disso nas reuniões que tiveram agora para jurados. Teve reunião com diretor de carnaval, com carnavalesco, com os presidentes. Acredito muito em uma visão um pouco mais solta do carnaval. Porque quem engessa muito é o julgamento. Porque quando uma escola é campeã, tira nota 10, vira uma tendência você fazer o que aquela escola fez porque você também quer ser campeão. Só que eu acho que arte não tem tendência. Quando algo está sendo feito para uma tendência, eu acredito que deva ser quebrado esse julgamento para que fique livre a arte de qualquer um. Vou dar um exemplo aqui, quando uma bateria passa com um ritmo de uma forma na Avenida que ganha 10, muitas vezes mantendo suas características, isso virou uma tendência. Todo mundo caminha para aquilo ali. E, aí você acaba limitando a criatividade do seu mestre. Eu costumo falar para o meu mestre ‘pensa, faça o que quiser, só mostra no ensaio para gente, para a gente ver se está no contexto do desfile da escola, ou não é alguma coisa só para a bateria’. Porque a bossa, a paradinha, tem que estar no encanto do desfile ser bom, de ser para todo mundo. Fazer todo mundo vibrar. Quando isso acontece só para a bateria, não é tão bom. Quando começam a cobrar do mestre apenas resultado, apenas a nota 10, ele acaba virando tendência o que outro fez. As tendências precisam ser quebradas. Mas, isso acontece também com a plástica do carnaval, quando o carnavalesco faz algo. As alegorias humanas, em algum momento foram copiadas por alguns carnavalescos, porque virou uma tendência quando o Paulo Barros começou a fazer isso. Então, eu acho que as tendências têm que ter um tempo, senão, tem que ser quebradas porque o julgamento não pode deixar a tendência para sempre. Arte é livre, arte é criatividade”.

Em seu segundo ensaio técnico, Vai-Vai apresenta grande melhora no canto

O Vai-Vai realizou o seu segundo ensaio técnico na noite da última sexta-feira visando o seu desfile no próximo dia 23 de abril. O treino foi marcado pela melhora em relação ao primeiro ensaio, além da garra da escola do Bixiga na passarela do Anhembi. Com certeza, isso impacta diretamente na harmonia da escola. O canto sobressaiu bastante e foi o quesito destaque. Inevitavelmente, a pista molhada, atrapalhou o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Reginaldo Pereira (Pingo) e Ana Paula Penteado (Paulinha). A dupla optou por fazer uma dança de segurança. Outra grande citação vai para o público, que mesmo com a forte chuva que caiu antes do ensaio da agremiação, não abandonou as arquibancadas e esperou para ver a escola do Bixiga passar e fazer a festa junto com a comunidade.

“Nosso povo cantando, nosso povo evoluindo. É lógico, é um ensaio preparativo para o desfile. Temos sim sempre coisinhas para corrigir. A perfeição não sei nem se irá acontecer no dia do desfile. É um carnaval difícil. A gente acredita em fazer um trabalho para voltar para os desfiles das campeãs, esse é o nosso objetivo. Aqui é para a gente parar, corrigir, olhar, filmar e gravar. A comunidade do Vai-Vai é a maior. Não tem chuva, não tem sol, ela vem pra guerra, vem pra luta. Com dinheiro ou sem dinheiro. Nós vamos fazer um carnaval com o regulamento debaixo do braço em busca de dar uma resposta para quem viu o ensaio da outra vez e o de hoje da nossa comunidade. Essa semana tivemos mudança no critério de julgamento. As alas de ação justificadas não existem mais. É um trabalho que se refaz, é um novo pensamento, é um novo andamento. Essas ações justificadas eram alas que você não teria que apresentar o figurino, você não seria julgado em evolução, em harmonia e em enredo. Agora, elas não existem mais”, explicou Buiú, diretor de harmonia.

Harmonia

Como dito anteriormente, foi o quesito destaque da escola. Nitidamente, os componentes estavam naquela gana de entrar na avenida. Quem conhece muito bem o carnaval paulistano e os componentes do Vai-Vai, sabe do que se trata esse sentimento.

Claro que de fato ainda não é aquele chão do Vai-Vai de anos anteriores, onde a Saracura estava no auge, mas pelo visto, está dando indícios de que o objetivo é recuperar tudo o que foi feito lá atrás. Para efeito de comparação, as baianas cantavam o samba com muita garra.

Dentro de todo o canto da escola, vale destacar o segundo setor. O hino se fez muito presente nas alas.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Um dos melhores casais do carnaval paulistano, Reginaldo Pereira (Pingo) e Ana Paula Penteado (Paulinha), foram extremamente prejudicados pela pista molhada. Por isso, a dupla optou por fazer uma dança mais segura, com o objetivo de se resguardar e evitar qualquer tipo de contratempo, pois a dança de mestre-sala e porta bandeira em uma pista escorregadia, é um perigo. Apesar disso, dentro do que se pode, a dupla mostrou elegância. Não tiraram o sorriso do rosto e apresentaram o pavilhão com garra, para o grande público que estava na arquibancada vendo a escola do Bixiga.

 

Nas vestimentas, Paulinha estava com um vestido estampado, adereço de cabeça laranja e correntes no rosto. O mestre-sala, Pingo, estava todo de preto, além de vestir uma camisa por baixo combinando com o vestido da porta-bandeira.

Samba-enredo

Tido por muitos como o melhor samba-enredo do carnaval paulistano, o hino do Vai-Vai realmente pegou. A resposta disso também veio das arquibancadas. Além de ter uma letra que é de fácil leitura do enredo, também mostra o que é o Vai-Vai, pois exalta a negritude, a cultura de rua e a sua representatividade dentro do carnaval paulistano. Além disso, homenageia grandes ícones da escola.

Na arrancada, a introdução do samba começou com os últimos versos e já partiu para o refrão principal. Vale ressaltar novamente a consolidação do intérprete Luiz Felipe e seu carro de som. O cantor, que é revelado na escola, vem evoluindo cada vez mais. Isso é fundamental para um crescimento. Outro ponto também é que a ala musical do Vai-Vai ganhou o reforço do experiente intérprete Fernandinho SP. Ele já vem ensaiando há um tempo com a agremiação e é um grande nome para engrandecer o carro de som da Saracura.

Além dos refrões, as partes mais cantadas, são os últimos versos: ‘É dona Olímpia, é seu Livinho, nosso Henricão, eterno caminho… Se o filme marcou, eu não estou sozinho… Vem Sankofa, de volta pro seu ninho’

Bateria

A bateria ‘Pegada de Macaco’, é conhecida por fazer uma forte marcação do samba e embalar o componente e as arquibancadas. Realmente, é isso o que acontece. Já é uma bateria renomada do carnaval paulistano, que hoje é regida por mestre Tadeu e mestre Beto. A batucada não executou tantas bossas e não tem variedades nessa questão, mas esse é o estilo da ‘Pegado de Macaco’.

A bossa de destaque se localiza no refrão principal, onde os surdos de primeira e segunda se sobressaem. Os outros naipes diminuem o volume e apenas os surdos sustentam o samba. É uma bossa que dá para medir bem os compassos, além de notar como a bateria volta na marcação do samba.

Evolução

Devido às alas coreografadas e o conjunto da escola, dá para avaliar que o Vai-Vai teve um desempenho satisfatório no quesito evolução. Porém, talvez não seja o melhor. A escola tem samba no pé, mas as alas comuns não se movimentam muito. Na maioria das vezes, andam somente em linha reta, pois componentes ficam juntos demais dentro da ala. É importante fazer isso para não deixar os buracos, mas lado a lado deve-se deixar o espaço para o componente evoluir de um lado para o outro, mais solto. Porém, essa é a estratégia da escola de se fazer o quesito.

Outra estratégia que a agremiação faz é colocar o casal depois da bateria, que diferente das outras escolas, virá no primeiro setor. Sendo assim, a dupla tem mais espaço e tranquilidade para evoluir. Esse fato é até mais importante para o departamento de harmonia. Vale destacar que a saída do recuo ocorreu sem problema.

Outros destaques

O Vai-Vai perdeu uma componente ícone da escola, Cleuzi Penteado (Tia Cleuzi). A histórica integrante da comunidade, tinha 84 anos e desfilou 79 anos de sua vida pela comunidade do Bixiga. Na concentração, o presidente Clarício Gonçalves, fez um discurso e pediu um rufo de bateria, dedicando todo o ensaio à Cleuzi Penteado.

A comissão de frente estava com uma vestimenta, onde partes dos corpos estavam pintados de tinta branca e homens estavam de saias dessa mesma cor. A dança foi compactada, além de ocupar a pista toda durante toda a apresentação.

Diferente do primeiro ensaio, as arquibancadas estavam cheias para ver o Vai-Vai passar. Muitos fogos e sinalizadores estiveram presentes. Algumas alas usavam bexigas e outros adereços de mãos, dando belo contrates visuais na pista.