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Mayara Lima é a nova musa do camarote Rio Praia

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Um dos melhores e mais disputados espaços da Sapucaí o camarote Rio Praia confirmou mais um nome de peso no elenco de vips para as noites de folia. Além da rainha Gracyanne Barbosa que, pelo terceiro ano consecutivo brilhará como majestade do camarote, Mayara Lima , princesa do Paraíso do Tuiuti, será presença certa no local que fica em frente ao segundo recuo das baterias. A sambista que arrebatou a internet ao ter um vídeo seu em total sincronia com os ritmistas da escola de São Cristóvão, recebeu o convite para ser musa do camarote, junto com Mileide Mihaile.

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Foto: Denilson Santos/Divulgação

Com ingressos que custam a partir de R$1790, o Camarote Rio Praia celebra o quarto ano de realização, tendo como marcas principais o glamour, requinte e a excelente localização. O espaço de três andares, contempla 900 foliões por noite com total infraestrutura além de open bar e open food. Entre as atrações do espaço estão Mumuzinho, Belo, Diogo Nogueira, Israel e Rodollfo, Matheus Fernandes e Dudu Nobre.

Entre os serviços, transfer partindo do Pestana Atlântica Hotel, local do meeting point, além de customização estão incluídos no valor do passaporte, que pode ser adquirido na Bilheteria Digital ou através da Central de Vendas (21) 99994 3632.

Série Barracões: Portela promete desfile alegre e elegante em enredo com resgate às raízes africanas

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O segundo ano dos carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage no comando do carnaval da Portela promete ser repleto de simbolismo, força e ancestralidade. Através do enredo “Igi Osé Baobá”, a dupla pretende contar a história do Baobá, árvore sagrada africana relacionada à sobrevivência, sabedoria, ancestralidade e resistência. No carnaval de 2020, a Portela fechou a primeira noite de desfiles e realizou uma apresentação muito elogiada plasticamente, porém, erros na abertura da escola tiraram a chance da volta no desfile das campeãs após uma longa sequência de bons resultados, para esse ano, a azul e branca de Madureira quer voltar a estar entre as seis melhores escolas colocadas. No meio da turbulência que é o último mês de preparação antes do desfile, Márcia recebeu a reportagem do CARNAVALESCO no barracão para questionamentos e falou sobre como o enredo surgiu.

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“O enredo surgiu por parte da escola, o Fábio Pavão (vice-presidente), que é o historiador, junto com a comissão de carnaval, desenvolveram essa pesquisa e nos ofertaram essa possibilidade de falar do Baobá, até porque na época do surgimento desse enredo houve todo um movimento de enredos afros, acho que muito motivado pelo caso do americano George Floyd. Surgiu assim uma vontade de fazer um movimento em prol da causa, a partir daí nós pegamos toda essa parte histórica e compilamos para que isso coubesse em cinco setores”, conta Márcia.

Após 50 anos, o portelense poderá cantar na avenida um enredo de temática africana e a escolha pelo Baobá não poderia se mostrar mais acertada, a árvore possui múltiplos significados, está ligada à ancestralidade, tem ligação com a religiosidade, é chamada de árvore sagrada , fornece alimento para a fauna e populações que vivem ao seu redor, além da resistência, já que os escravos trouxeram suas sementes para o Brasil como forma de ligação com sua terra natal. Assim como o Baobá, a Portela é uma escola com raízes profundas.

“Durante a pesquisa o mais interessante foi ver que apesar de toda mazela, de toda dificuldade, a essência, a realeza que está na alma deles, a cultura e o que viveram lá, não naufragou, nem com o tempo, nem com a dureza com que eles atravessaram. Eles eram povos que tinham príncipes, uma sociedade desenvolvida, e foram realmente dizimados, arrancados daquele pertencimento para virem aqui serem tratados como animais, mas lá na alma, no fundo, o orgulho ficou, eles não sucumbiram, e isso é o melhor que a gente encontra, não é pra justificar, nem pra suavizar, mas eles são incríveis, na dança, na música, na religiosidade, na culinária, é muito rico, é muita informação importante que nos foi deixado”, destaca a carnavalesca.

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Nos últimos carnavais o quesito comissão de frente tem sido o calcanhar de aquiles da Portela, nem mesmo quando foi campeã, em 2017, a azul e branca gabaritou o quesito, feito esse que não ocorre há mais de 20 anos. Para o próximo ano, a carnavalesca Márcia Lage conta que todos os esforços estão sendo feitos para que a comissão se destaque e seja o grande trunfo da escola.

“Espero que esse ano seja o ano da comissão, a gente aguarda ansioso para tirar esse estigma de uma comissão que não pontua, sinceramente estou esperando que esse ano venha, inclusive, eu estou cuidando pessoalmente para que dê tudo certo, os figurinos estão sendo feitos aqui no barracão, então a gente tá sempre dando uma supervisão, to metendo a mão na cola, enfim, todo esforço necessário para que a gente consiga pontuar”, conta Márcia.

Adiamento dos desfiles

A pandemia de covid-19 pegou todos de surpresa no ano de 2020 e com isso impossibilitou a realização dos desfiles no ano seguinte, o pré carnaval deste ano foi marcado pela incerteza. Para a reportagem do site CARNAVALESCO, Márcia comenta como foi para ela esse adiamento e como afetou a preparação da Portela para o desfile.

“Estávamos com o sangue fervendo para apresentar em fevereiro, mas aí surgiu o adiamento, o tempo é o tempo, para carnaval o tempo nunca é muito, sempre é pouco, teve o adiamento, entramos naquele momento de relaxamento, se disser que facilitou é uma verdade, mas às vezes aquela cochilada depois do almoço faz com que você perca o pique, nós demos uma cochilada natural, houve um delay, mas o tempo corre, falta um mês só, quando ver já está o desfile batendo na porta. Foi bom? Sim, mas nós estávamos preparados para terminar o carnaval em fevereiro, mas aí veio a bomba do adiamento”, conta a carnavalesca.

O trabalho na Portela seguiu dentro do planejado mesmo após o adiamento, porém, como dito por Márcia, o relaxamento foi natural, houve também a questão financeira, problema que a maioria das escolas enfrentam nos últimos anos.

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“Tudo foi postergado, a entrada da grana que entraria em fevereiro agora vai ser só em abril, sinceramente acho que como mês não combina, perdemos o calor do verão, perde-se público, muitos se programam para tirar férias em fevereiro, o emprego não vai te dar férias novamente para você vir para a folia, quem gosta mesmo do carnaval perdeu um pouco, foi confuso, em fevereiro, nos dias do carnaval, tivemos um evento enorme na Cidade do Samba, então é um negócio meio cabuloso, adiou mas teve e muita gente foi, pra mim ficou meio estranho e ao mesmo tempo eu não acho que facilitou a preparação, eram todos ensaiando, até que veio o balde de água fria. O desejo de ficar naquela última semana limpando carro ou vendo só ajustes finais deixou de acontecer há muito tempo, estamos sempre correndo contra o tempo, isso não é culpa da Portela, o carnaval tomou um tamanho muito grande”, pontua Márcia.

Proposta visual do desfile

A plástica da Portela promete ser extremamente elegante, mesmo com um enredo africano, em que os tons mais escuros costumam ganhar destaque, Márcia garante que os tons da escola estarão presentes em todos os setores, a escola perpassa pelo azul branco e ouro, as cores quentes farão parte do desfile, porém, não é nada que choque, já que a ideia do desfile é mostrar a força de um povo e não suas mazelas.

“Como o portelense adora azul e branco, eu acho que eles vão se identificar com o abre-alas e com o último carro, que são os que mais tem as cores da Portela. Vamos esquentar a escola com tons terrosos, até porque remete a essa questão da árvore, da raiz, mas podem esperar uma escola bastante elegante, até como fantasia em tudo, não pegamos o lado mais doloroso, o objetivo principal é mostrar a força desse povo que veio pra como escravo, mas veio em pé, a força, o conhecimento e a realiza não se destruiu, podem ter tentado, mas está dentro ainda, isso ninguém tira.

Motivo de orgulho para todo portelense, a águia da escola promete ser tradicional, como de habitual, ela vem na abertura da escola e a carnavalesca afirma que ela terá detalhes africanos. Mesmo notabilizados por desfiles contemporâneos e de visual high-tech, Renato e Márcia fizeram carnavais primorosos usando a temática africana, público e crítica sempre aplaudiram seus trabalhos, principalmente no Salgueiro com os enredos Candaces, de 2007, e o Tambor, campeão em 2009.

“Eu acho que mais uma vez nós vamos conquistar o público e crítica, sem falsa modéstia, ao meu ver o trabalho está muito bom e vai surpreender, tem diferença fazer um afro numa escola de cor quente, tudo corrobora, a paleta é quente, tudo remete a calor, a coisa solar, outra coisa é fazer afro numa escola de tons frios, é uma coisa que devemos esquentar, mas sem perder a mão, sem virar Salgueiro, não pode Salgueirar aqui dentro, mas fica elegante, pelo o que vejo dos portelenses, eles estão felizes com que estão vendo”, conta a carnavalesca.

Entenda o desfile

A Portela será a segunda escola a entrar na avenida no dia 23 de abril, sábado, pelo Grupo Especial. A azul e branca buscará o seu 23º campeonato, e para isso contará com 28 alas e 5 carros alegóricos em seu desfile.

Setor 1: “A gente abre falando da sacralidade, que é a importância do ritual, da conexão da árvore, do aspecto simbólico da árvore, dessa conexão que ela faz entre o céu e a terra, com os orixás, toda essa parte envolvida nessa conexão espiritual. é um setor que a gente vem branco, ouro e azul”.

Setor 2: “O segundo setor entra na árvore como um elemento vital, que não só alimenta a vida dos humanos ali, mas ainda prossegue neste ritual de alimentar o espírito, da sabedoria, porque ela dá fruto, ela é reservatório de água, então ali você tem a árvore nesse simbólico do alimento e da vida material”.

Setor 3: “No terceiro setor a gente entra com a savana, que é uma vida importante dentro desse universo africano, até porque muitos dos símbolos desses animais, os dentes por exemplo, estão intrínsecos na cultura deles e nos rituais também”.

Setor 4: “Nesse setor a gente segue para a parte mais densa do enredo, é o navio negreiro, que é árvore tombada lá, que vem como um navio trazendo os escravos, mas atravessa, porém fecunda, as sementes vem pra cá e fecundam em forma de samba, de manifestação artística e cultural”.

Setor 5:”O último setor é uma ode ao samba, ao maracatu, todas essas expressões musicais de danças oriundas de influência afro”.

Fim da pulseirinha! Reconhecimento facial e comprovante de vacinação são os controles de acesso ao Camarote do King em 2022

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O Camarote do King está com o meeting point a todo vapor. São mais de 1000 credenciamentos por dia para os desfiles da Série Ouro, Grupo Especial, Campeãs e Feijoada do King, que acontece no domingo, dia 24. Os ingressos de quinta-feira já estão esgotados e o camarote deve receber mil pessoas por noite.

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O camarote também emplaca novidades na forma de acesso. Esse ano não há mais controle por pulseiras. Desta vez o acesso será controlado por face id, o reconhecimento facial. Desse modo, cada cliente precisa ter o app King Ingressos baixado no celular, credenciar o comprovante de vacinação e também a foto de perfil. A máquina faz o escaneamento facial na chegada ao camarote e já valida o comprovante de vacinação.

A diretora executiva do Camarote, Lilian Martins, afirma que o credenciamento funcionou bem, mas que se deparou com um tempo maior do que o previsto, já que muitos clientes enfrentaram dificuldades de conseguir o comprovante de vacinação do ConecteSUS.

“Domingo foi um dos dias mais cheios aqui no meeting point, mas a gente acabou percebendo uma dificuldade das pessoas em acessarem o ConecteSUS para conseguir o comprovante de vacinação com QR Code. E o Aplicativo do King só libera a validação do ingresso, com o comprovante de vacinação anexado”, explicou.

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O credenciamento para retirada de ingressos e camisas começou no sábado, dia 16 de abril. Lilian também percebeu que neste carnaval fora de época, o público está sendo majoritariamente carioca. O Professor de Matemática Bruno Marcos Gomes é do Rio de Janeiro, já esteve na Sapucaí, mas irá assistir aos desfiles pela primeira vez em um camarote e está animado pela experiência.

“Eu comprei assim que acabou o carnaval de 2020, tinha um amigo que esteve no King, acompanhei pelas redes sociais e decidi que em 2021 iria ao Camarote. Ninguém esperava a pandemia e os adiamentos dos desfiles, mas eu tinha certeza que as escolas voltariam a desfilar. Estamos muito animados para voltar ao Sambódromo”, relatou.

Em 2022 o camarote de 1200 m² está decorado com a temática da Turquia, contará com espaço de beleza, open food e open bar e os badalados shows da Boate King com apresentações de Xandy de Pilares, Ludmila, Arlindinho, Rennan da Penha, Clareou, Molejo, Cordão do Bola Preta, Vou pro Sereno, João Gabriel e outras atrações.

Em 2022 o King também tem novos parceiros, além dos já tradicionais patrocinadores como a cerveja Petra, do Grupo Petrópolis, gin Beefeater, vodka Absolut, agora chegam ao reino do setor 8 a Coca-cola, o grupo Landim e a sorveteria Kibon.

Carnaval voltou! Público e personalidades do samba comentam sobre a expectativa para os desfiles no Sambódromo

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Depois de aproximadamente 25 meses do último carnaval, público e desfilantes têm a chance de voltar ao solo sagrado da Marquês de Sapucaí com o objetivo de celebrar a vida e a alegria. Enfrentamos um novo desafio com a chegada e disseminação do coronavírus 103 anos depois do carnaval de 1919, o primeiro após a pandemia de gripe espanhola que dizimou milhares de vítimas. Graças à ciência, hoje podemos retomar as nossas vidas e ver o carnaval ocupar novamente o seu lugar de destaque na cultura popular brasileira. A reportagem do site CARNAVALESCO ouviu algumas pessoas que compartilham de um sentimento em comum: a paixão pela festa.

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Rosimery dos Santos com meia década de vida e de paixão ao samba. Ela que é cozinheira de profissão e integrante do departamento feminino da Unidos da Tijuca, sua escola de coração, não esconde o brilho no olhar ao pisar no Sambódromo após um longo intervalo de tempo. “Não só para mim, mas o retorno do carnaval para quem é do samba está significando muito. Como sambista, nós vivemos disso. Eu falo até para meu patrão o quanto sou apaixonada por esse universo. Eu nasci dentro do samba, sou sambista desde a barriga da minha mãe, há 50 anos. Eu acho tudo de bom, mesmo sendo um carnaval mais para frente, um pouco distante de fevereiro. As pessoas que amam vão passar nessa avenida muito emocionadas”, conta.

A sambista destaca também que a volta de Eduardo Paes à gestão da cidade traz um sentimento de alívio. “Ele é o nosso prefeito carnavalesco, então, eu acho que vai ser mais especial ainda. Acredito também que essas mudanças que ocorreram, de ter dois carnavais, devem prosseguir ano que vem. Tudo que muda é para melhor e eu torço por isso”, finaliza.

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Para o designer Pablo Sander, de 36 anos, o carnaval de 2022 representa, acima de tudo, a vida. “Estar aqui, sentir-se vivo, sentir que vencemos uma pandemia, que vencemos um desgoverno e tudo que jogava contra o ser humano. Poder vivenciar o carnaval novamente, saber quantas pessoas estavam com a gente que não estão mais hoje, é mais do que nunca uma vitória”, relata.

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Alegre, Doralice Lima de 65 anos é telefonista no dia a dia. Já em seus momentos de folga, veste a camisa da sua escola do coração, a Unidos do Viradouro. Ela que desfilará na ala das perucas, não escondeu o sorriso ao regressar para a Sapucaí. “O sentimento aqui dentro é que eu tirei a máscara e agradeci à Deus. Perdemos muitos amigos, mas onde eles estão, estamos dançando e celebrando para eles e por eles”, comenta com os olhos marejados.

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A dançarina e coreógrafa Lizandra Duarte é desfilante da Grande Rio e aguarda ansiosa para o dia do desfile de sua escola do coração. “Para mim é um prazer estar aqui no Sambódromo de volta ao carnaval que nos fez tanta falta. Essa alegria, essa diversidade cultural que nos faz vibrar, que é nosso maior patrimônio. Eu me sinto muito feliz de estar aqui participando e espero que tudo dê certo para todas as escolas”, destaca.

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Para os profissionais que trabalham com a festa, o regresso é, acima de tudo, um alívio. Figurinista e projetista de carnaval há 25 anos, Roberto Monteiro acredita que o sentimento é de encerrar um ciclo. “Nós guardamos essa energia durante praticamente dois anos, principalmente com quem trabalha com o carnaval, com escola de samba. Mais do que foliões, temos um comprometimento profissional e acumulamos essa energia que finda um ciclo. E após isso, vem a renovação. A sensação é essa. Eu defendo a Viradouro tem dois anos e a escola onde eu comecei no carnaval, então, fecha campo semântico e cria uma alegria que se redobra”, ressalta.

Quem também compartilha da mesma percepção é Tarcísio Zanon, um dos carnavalescos da vermelho e branco de Niterói. “Ao definir o enredo, houve o entendimento de que teríamos que trazer uma mensagem de esperança para o coração das pessoas. Quando descobrimos essa história de que a 103 anos atrás o povo carioca conseguiu ressignificar a história da população carioca e brasileira por meio do carnaval é incrível. O carnaval de 1919 foi o firmamento para que nós estejamos aqui nesse momento, é mais do que significativo”, diz.

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Com o coração repleto de felicidade, Zanon destaca que o samba continua cada vez mais vivo. “Em 1919 foi o primeiro ano em que o samba se tornou o maior ritmo do carnaval, então, isso só demonstra a sua força, a força da nossa gente e do carioca. Eu estou muito emocionado com tudo isso. É a retomada, a celebração da vida e o amor por essa festa linda que vamos declarar aqui. Independentemente de qualquer coisa, de qualquer rivalidade, o carnaval vive disso e é o momento em que o sambista vai retomar o seu lugar e viver tudo o que ele ama”, reitera.

Artista e comunicador do Camarote do King, Jimmy Ieger eleva o papel da arte ao dar a devida importância na vida de profissionais que têm o carnaval como uma fonte de renda. “Eu criei o slogan do Camarote do King que é ‘aqui a nossa arte não para’, ou seja, eu acho que pessoas precisam de pessoas. Nós fazemos parte do maior espetáculo da Terra, então, isso impactou muito. Eu como artista, que sempre saio para fazer entrevistas com pessoas, vou às quadras das escolas de samba e não conseguia fazer isso na pandemia porque não tinha. Sendo um pouco mais pragmático, a principal dor foi de não poder exercer arte na prática, afinal, ela não se faz apenas na teoria. Até um livro que você vai ler é assim. E isso se expande para os carnavalescos, os artesãos, para os componentes, aderecistas. O carnaval é um compilado de múltiplos artistas unidos em um só lugar com um objetivo comum”, cita.

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Ieger lembra também de profissionais impactados em cadeia ao longo dos últimos anos, como maquinistas, engenheiros, jornalistas e outras tantas. “Graças a Deus eu, assim como alguns outros, tiveram a oportunidade de seguir com seus empregos e muitos não, inclusive no show business. Eu acredito que o momento mais nostálgico será o carnaval histórico para o mundo a partir da próxima semana. A pandemia trouxe toda a destruição sentimental e corporal, mas trouxe também toda a parte de reflexão e do novo. Tudo o que vai vir será o novo. Nunca foi reformada como agora. As luzes são inéditas. A alegria das pessoas em estar batalhando pelo seu melhor”, comenta.

Ao Pablo, Roberto, Tarcísio, Jimmy, Rosimery, Doralice, Lizandra e tantos outros apaixonados pelo carnaval, o desejo é de que seja inesquecível. Nesta quarta-feira, ao soar a primeira sirene da Marquês de Sapucaí, corações de sambistas pulsarão forte e em perfeita harmonia. Finalmente, o maior espetáculo da Terra vai começar.

Vila Isabel tem em comissão de frente o seu pior quesito nos últimos cinco anos. Alegorias, bateria, harmonia e samba são os melhores

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Buscando um campeonato que não vem há nove anos, a Unidos de Vila Isabel tem na irregularidade de seus quesitos o seu grande adversário para voltar a festejar no bairro de Noel Rosa e Martinho da Vila. Como mostraremos a seguir na série ‘De olho nos quesitos’, a azul e branca intercala desempenhos excelentes com outros decepcionantes às vezes um ano após o outro.

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Nenhum quesito da escola tem média abaixo de um décimo perdido por ano. Os melhores desempenhos, que são em alegorias, bateria, harmonia e samba-enredo, perderam 0,7 ponto desde 2016. Resultado só superior à São Clemente, que tem o seu melhor quesito em bateria com uma perda de 0,8 nos últimos cinco anos. Foram 85 décimos de penalização para a Vila, o que dá uma média de 1,7 ponto perdido por ano.

Confira o desempenho da Vila Isabel quesito a quesito:

Alegorias e Adereços

Um dos quatro quesitos onde a Vila tem o desempenho mais satisfatório, mas muito longe de ser bom. 0,7 ponto perdido em cinco anos, ou seja, uma média superior a um décimo por desfile no quesito. Mas a tendência é de melhora, afinal tanto em 2019 quanto em 2020 a escola fechou o quesito conquistando os 30 pontos possíveis.

Bateria

Mesmo quadro de alegorias. Decepcionante de uma maneira geral, mas um dos melhores desempenhos da escola. A punição mais severa se deu no desfile de 2016, ainda sob o comanda de mestre Wallan. Na ocasião foram três décimos, número alto se considerarmos que bateria é o quesito que menos penaliza as escolas. Em 2018 foram outros dois décimos e em 2017 e 2019, um. A nota 30 finalmente chegou em 2020.

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Foto: Diego Mendes/Divulgação Vila Isabel

Comissão de Frente

Quesito mais problemático da Vila nos últimos cinco carnavais, apesar de ter gabaritado com Patrick Carvalho em 2019 e 2020, o que deixa mais evidente o problema que vinha anterior. A escola perdeu 14 décimos em três anos (2016, 2017 e 2018). Média impressionante de 4,6 décimos. Em 2016 foram seis e em 2017 e 2018 mais quatro.

Enredo

Mesmo com a melhora recente da escola, como o 3º lugar obtido em 2019 por exemplo, a Vila Isabel vem sendo recorrentemente punida em enredo. Para muitos especialistas as narrativas apresentadas na avenida têm sido falhas e isso se reflete nas notas. A escola não gabarita desde 2016 e desde 2017 foi 1 ponto no total de perda neste importante quesito.

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Evolução

Mais um quesito onde a Vila Isabel tem um rosário de punições, o que difere do período áureo da escola, entre 2010 e 2013, quando tinha uma das melhores evoluções do Grupo Especial. A situação vem melhorando (em 2019 foram 30 pontos, por exemplo) com perdas mínimas em 2018 e 2020. Mas os desempenhos abaixo da crítica em 2016 e 2017 jogam a média no chão, pois em cada um desses anos foram quatro décimos perdidos em evolução.

Fantasias

Quesito de desempenho muito abaixo para uma escola que almeja as primeiras colocações. Acima apenas de comissão de frente. Conforme nossa reportagem vem contextualizando, os frágeis desfiles de 2016 e 2017 contribuem para esses números da Vila. Sete décimos foram perdidos nesses dois anos. Em 2018 foram três, em 2019 veio a nota máxima e em 2020 a escola voltou a ser descontada em mais dois décimos.

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Harmonia

Um dos quatro quesitos de melhor desempenho da Vila, com média de de apenas um décimo perdido por ano. No desfile de 2019 a nota máxima foi alcançada. Os anos de 2016, 2017 e 2020 foram um pouco abaixo, com dois décimos em cada, totalizando os sete décimos perdidos no quesito.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

A Vila teve três casais diferentes no período estudado pela reportagem do CARNAVALESCO. Phelipe Lemos e Dandara Ventapane em 2016 perderam dois décimos. Raphael Rodrigues e Amanda Poblete em 2017 também perderam dois. Em 2018, com a polêmica fantasia elaborada por Paulo Barros, Raphael Rodrigues e Denadir Garcia perderam quatro décimos. Em 2019 a mesma dupla gabaritou os 30 pontos. Mas em 2020 o mesmo casal foi descontado em três décimos, totalizando 1,1 ponto de punição.

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Samba-Enredo

Escola de grandes sambas na história do carnaval, a Vila vem tendo desempenhos decepcionantes nos últimos anos com obras que não condizem com a discografia da escola. Se em 2016 e 2017 o samba segurou desfiles problemáticos, a partir de 2018 a situação se inverteu. A gestão da escola melhorou mas os sambas perderam sete décimos nos últimos três carnavais. Mesmo assim o quesito é um dos quatro melhores da Vila, ao lado de alegorias, bateria, harmonia e samba-enredo.

Série ‘Barracões’: Em casa, Edson Pereira quer deixar recado para o mundo do samba com desfile da Unidos de Padre Miguel

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Cinco anos depois de encantar a Marquês de Sapucaí em um desfile sobre o orixá Ossain, o carnavalesco Edson Pereira retornou à Unidos de Padre Miguel. Para o carnaval de 2022, o Boi vermelho quer fazer um novo xirê na avenida, em homenagem a Iroko, a árvore-orixá. Com a promessa de um desfile carregado de emoção, a UPM quer mostrar sua grandeza para o mundo do samba, como revelou Edson, em entrevista ao site CARNAVALESCO.

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“A mensagem que eu quero passar com esse enredo, é que a Unidos de Padre Miguel é uma escola que, de fato, é uma escola de samba. Ao meu ponto de vista, é uma escola que me ensinou tudo que eu sei. Falar da Unidos e deixar uma mensagem, eu deixaria especificamente para o mundo do samba, que olhe para Unidos de Padre Miguel como a grande escola que ela é e a respeite como tal porque é esse lugar que ela merece”, afirmou.

Retorno à Unidos de Padre Miguel e resgate das características plásticas

Nos últimos anos, em que a Unidos se consolidou como uma das principais escolas do Grupo de Acesso do Rio de Janeiro, a escola da Zona Oeste sempre apresentou carnavais grandiosos, com muito volume, características essas que são compartilhadas com o carnavalesco Edson Pereira. Depois de quatro carnavais afastado da escola que o projetou, Edson retorna ao Boi Vermelho, do qual se diz torcedor, para resgatar as características de carnaval da escola.

“Na verdade, não é uma volta, eu nunca saí da Unidos de Padre Miguel. A UPM, pra mim, é uma comunidade na qual eu nasci, cresci como profissional e respeito muito. A Unidos sempre esteve dentro de mim e estou voltando para fazer este trabalho, esse ano, porque acredito que o grupo da Série Ouro se fortaleceu e eu não podia deixar minha escola de coração sem ter uma representação forte nesse carnaval. A gente discutiu, conversamos muito sobre isso e queríamos fazer um carnaval forte e, por isso, estou aqui presente para dar apoio máximo para Unidos de Padre Miguel poder conquistar o título tão sonhado”, disse.

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“Eu aprendi a fazer carnaval na Unidos de Padre Miguel, agradeço muito a escola por ter me dado a oportunidade de crescer como profissional e essas características que hoje são da UPM, também são de propriedade minha, eu me apropriei disso e a Unidos também se apropriou. Hoje, a gente se vê como uma coisa só. A gente pode esperar, sim, que a Unidos de Padre Miguel vai vir grandiosa, fazendo a diferença, mais uma vez, no grupo de acesso e lutando por uma vaga no Grupo Especial”, completou.

Ideia do enredo

Justamente pensando no último carnaval da parceria Edson Pereira-Unidos de Padre Miguel, o sucesso com “Ossain-o poder da cura”, o carnavalesco e a comunidade da escola pensaram em um enredo com a mesma pegada, para tentar repetir o sucesso de 2017. Para manter a linha do enredo, Edson aposta na homenagem a outro orixá, Iroko, pouco difundido no Brasil. Em exaltação à árvore-orixá, o Boi Vermelho promete fazer um xirê, festa em culto aos orixás, na avenida.

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“O enredo é autoral. O último carnaval que eu fiz na Unidos de Padre Miguel, que foi Ossain, marcou muito e a comunidade tinha muito desejo de fazer um carnaval com essa mesma pegada, essa mesma perspectiva de afro. Para não fazer algo como Ossain, a gente preferiu fazer Iroko, um orixá pouco difundido no Brasil, com uma característica muito própria que, cada terreiro de cultura afro no Brasil, tem uma árvore de Iroko plantada, que é um orixá muito respeitado. A gente pretende fazer esse xirê na avenida porque Iroko é detentor do tempo e o tempo é o que a gente mais precisa hoje, aprender a respeitar o tempo. E Iroko vai nos mostrar isso, através desse enredo, que é de uma cultura e importância muito grande e o carnaval, mais uma vez, prova a responsabilidade de como se fazer carnaval de como ensinar fazer carnaval e Iroko e Unidos de Padre Miguel só tem a agradecer por um carnaval de tanta qualidade”, contou Edson.

Emoção como trunfo

Com um enredo aclamado pela comunidade e as características plásticas que casam com a escola, a Unidos de Padre possui um grande trunfo para o carnaval de 2022: a emoção. É o que garante o carnavalesco Edson Pereira.

“O grande trunfo da Unidos de Padre Miguel para o próximo carnaval é a emoção, será um carnaval de muitas emoções, de estar voltando ao grande templo do samba. A prova disso foi o nosso ensaio técnico, com a comunidade muito bem preparada, que está muito aguerrida e com muito desejo de conquistar seu objetivo maior, que é ser campeã do carnaval”, afirmou.

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Quanto questionado a respeito do momento mais emocionante do carnaval da Unidos de Padre Miguel para 2022, Edson Pereira afirma não conseguir classificar os momentos de seus desfiles, os quais considera “um filho”. Apesar disso, o carnavalesco promete um desfile marcado por grandes momentos na avenida.

“Se você perguntar isso para um pai ou para uma mãe, você vai estar sacrificando esse pai e essa mãe porque o carnaval é como se fosse o nosso filho, todos os momentos vão ser muito importantes. É só a gente ter o olhar de espectador e de sambista e vamos ver que o carnaval da Unidos de Padre Miguel será um carnaval de grandes momentos, de grande emoção”, disse.

Entenda o desfile:

Para contar o enredo “Iroko-É tempo de Xirê”, a Unidos de Padre Miguel contará com três alegorias, um tripé de pede-passagem e 2200 componentes.

Abertura: “A gente abre o carnaval com um tripé, que é aonde a gente fala do princípio da vida, no olhar místico africano, no qual a galinha cisca a terra e expande o mundo para criar o universo, que é uma mensagem de Oxalá e nosso boi vermelho vai estar inserido em tudo isso”.

Primeiro setor: “A gente já vai falar desse grande momento, que é a criação do mundo. Na primeira alegoria, a gente vai falar que é tempo de xirê e para que existe o xirê e a gente possa falar do nosso culto afro-brasileiro, precisa de Iroko, a árvore sagrada, porque ela é detentora dessa folha, que é única e necessária para qualquer culto africano e o xirê é o ritual onde todos os orixás estão ali, juntos, para fazer desse momento, uma grande festa”.

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Segundo setor: “Nós vamos de Iroko propriamente, o tempo, que é o que determina tudo que a gente precisa fazer na nossa vida. A gente precisa acreditar que o tempo é responsável não só por aquele específico momento, mas pela responsabilidade que você tem em todos os momentos, em cada passo da sua vida. É tempo de xirê porque nós vamos mostrar que o culto africano precisa respeitar a natureza para que o tempo nos devolva os nossos grandes e melhores momentos. A segunda alegoria fala sobre isso”.

Terceiro setor: “A terceira alegoria fala sobre o ritual africano, no qual a família ingena, que é detentora do céu e da terra, onde são fincadas as raízes da árvore de Iroko e faz essa ligação do céu e a terra. As raízes estão fincadas na terra, mas os galhos estão apontados para o céu. Essa é a mensagem que a gente vai deixar com Iroko. E o pássaro sagrado,
que seria o Irilé, vai estar no topo do nosso desfile, olhando por nós e por todos que estarão na Marquês de Sapucaí, deixando essa mensagem de paz, liberdade e saúde para todo mundo, que é o que mais almejamos nesse momento”.

A Unidos de Padre Miguel será a quinta escola a desfilar na segunda noite de desfiles da Série Ouro.

Série ‘Barracões’: União da Ilha caminha na fé em Nossa Senhora Aparecida

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A União da Ilha teve no seu último carnaval, muitos problemas técnicos graves, e acabou rebaixada no Grupo Especial. De 2020 para cá, muitas movimentações aconteceram internamente, inclusive, uma nova votação para presidência por conta do falecimento do ex-presidente Djalma Falcão. Com a chegada do presidente Ney Filardi, a tricolor insulana iniciou um processo de resgate da alegria característica da Ilha. Pensando em não repetir os mesmos erros de 2020, a equipe de direção de carnaval em conjunto com os carnavalescos Cahê Rodrigues e o falecido, Severo Luzardo, chegaram na definição do enredo ‘O Vendedor de Orações’. A equipe do CARNAVALESCO esteve presente no barracão da escola e participou da coletiva de impressa com Cahê Rodrigues e Dudu Azevedo. Cahê foi quem falou sobre o processo de escolha desse enredo, o que tem de influência do Severo Luzardo na preparação para esse desfile que promete apagar um ano carnaval desastroso da Ilha e qual a mensagem que a escola deseja passar na avenida.

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“Quem trouxe o enredo foi o Severo e o Ney enquanto devoto acaba abraçando. A direção de carnaval também entendeu que era um enredo adequado para o momento que a população vem enfrentando e seria bacana retomar o carnaval falando de esperança, de fé e milagres. O enredo foi abraçado automaticamente na primeira lida do texto da sinopse e o desfile em si tem muito do Severo, tem o sentimento inicial trazido por ele. O desenvolvimento foi feito por nós dois desde o primeiro momento, é claro que nossa amizade facilitava muito a troca. A gente tinha o mesmo sentimento em relação ao desfile. Severo era apaixonado pela Ilha, ele que me trouxe para cá, porque quando acontece a vinda do Laíla, o Severo não quis continuar e quem indica meu nome foi ele. Quando o Ney assume a escola, ele me mantém e convida o Severo para fazer parte da equipe, então todo processo criativo foi feito por nós dois. Hoje, com a ausência dele, toda a minha luta dentro do barracão é para a gente preservar a memória dele e suas ideias iniciais. É claro que aconteceram modificações, porque a partir do momento que se tem duas pessoas e uma delas não está mais, nós passamos a ter que tomar algumas decisões, mas nada que mudasse a ideia, roteiro e rumo do desfile. Não era muito uma questão de criar, era questão de enfeite e finalização de projeto”, afirmou Cahê Rodrigues.

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O enredo, “O vendedor de Orações”, traz a história do escravo Zacarias, que após fugido da fazenda em que era escravo, é perseguido e capturado por um capataz da fazenda e depois acaba acorrentado. Adiante, Zacarias será levado ao açoite e quando está no caminho para lá, ele passa na frente de uma capela, pede permissão para fazer uma prece antes do castigo e tem a permissão concedida. Zacarias se ajoelha e pede sua liberdade a Nossa Senhora Aparecida, como um milagre suas correntes se arrebentam, o capataz se rende aos pés da santa e Zacarias promete virar seu peregrino. A União da Ilha acredita que a história de Zacarias é a aposta certa para tirar da memória o clima pesado deixado na avenida no último ano, mas também acredita que sirva de inspiração para a quebra das amarras da vida através de fé e alegria.

“Quando olhamos para a história do Zacarias que foi um negro acorrentado que fugiu para ser livre, é perseguido, capturado e acorrentado e num momento de fé e desespero ele faz uma prece e essas correntes se arrebentam, a analogia que a União da Ilha faz para esse carnaval é que qualquer um de nós que tenha fé no coração é capaz de arrebentar qualquer barreira e qualquer corrente. Muitas das vezes nos vemos nesse caminho sem luz, principalmente, no que foi esse momento de pandemia, porque vivemos praticamente dois anos de incertezas, sem saber o que seria da gente, qual seria o nosso futuro, se vai ter trabalho, se vai ter comida na mesa. Como sobrevive com essas incertezas todas? Na história do escravo Zacarias nós vemos exatamente isso, vemos que nada é impossível quando você crê de verdade. Da mesma forma que as correntes dele foram arrebentadas, as nossas correntes do dia a dia também podem ser arrebentadas através da nossa fé e a mensagem que a Ilha vai levar para avenida é que nada é impossível para aquele que crê em algo”, explica Cahê.

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Para desenvolver um desfile em cima desse tema, a União da Ilha se preocupou desde o início do trabalho em estar em contato com a igreja. Por meio do carnavalesco Severo Luzardo, a escola fez o primeiro contato e enviou por escrito a sinopse do enredo com um pedido de autorização. Receberam o sim como resposta, desde que observassem as pontuações feitas na sua sinopse e modificassem os pontos. Com o sinal positivo dado pela igreja, Severo e Cahê iniciaram os trabalhos de elaboração do desfile, todavia, no meio do percurso o carnavalesco Severo Luzardo adoeceu e se afastou do barracão.

Com Severo distante, Cahê assumiu toda a frente do barracão e encontrou dificuldades na adaptação dos trabalhos sem seu colega e amigo, pois como trabalhavam em dupla eles fazia uma divisão de tarefas com objetivo de não sobrecarregar um ou outro, logo, havia informações de tarefas do Severo que o Cahê não tinha acesso e eram fundamentais para o desenvolvimento do trabalho.

“A gente tinha uma divisão de tarefas no processo para não sobrecarregar nem um e nem o outro, aí quando ele começou a se afastar do barracão acabou que muitas informações ficaram com ele e nós entendíamos que não poderíamos passar por cima dele, até porque a gente acreditava que ele iria voltar, só que ele foi começando a se agravar e quando começou uma pressão da Liga sobre as documentações e toda aquela coisa de defesa, tinham coisas que eu não tinha e que eram dele, aí foi quando eu liguei pro filho dele para entender o que realmente estava acontecendo. Severo era muito reservado nesse sentido, ele não abriu o jogo para ninguém, nem para mim e para o Ney. Aí o filho dele que foi falar que ele na verdade estava internado já fazia mais ou menos três semanas e ele falou ‘Olha, meu pai não vai ter condições de voltar para escola. Mesmo ele saindo do hospital, ele não terá condições de ir para o barracão, segue o trabalho, porque meu pai não está tendo nem mais condições de escrever direito’. Pedi para ele me trazer tudo que o Severo tivesse de informação. Procurei tudo que tínhamos em conversas, estudei a ideia dele e comecei a montar o quebra cabeça. Foi uma loucura, mas a gente conseguiu amarrar a história toda, conseguiu montar o quebra cabeça e graças a Deus eu hoje estou tranquilo, porque a Ilha vai para avenida respeitando a ideia e sentimento do Severo desde o início mesmo que eu esteja na frente do projeto”, relatou Cahê.

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Ainda sobre adaptação, é interessante saber que a União da Ilha se desfez de tudo referente ao carnaval que pretende ser esquecido. Começando pelo carro que parou na avenida e indo até as fantasias, porém, para não dizer que absolutamente tudo foi embora, a escola ainda possui as estruturas de ferro dos carros passados, porque o poder de investimento no Grupo de Acesso é bem inferior ao Especial. Por conta disso, a Ilha também montou o desfile de 2022 utilizando e resgatando peças do Grupo Especial, no entanto, como possui boa estrutura de trabalho, foram feitas modificações de design e cores de alguns elementos. Vale ressaltar também, que foram criteriosos na escolha das peças de reaproveitamento e para o público, não será fácil identificar os elementos vindos de outras escolas.

“A comissão será um ponto altíssimo, mas não vai ser o mais emocionante porque esse ano o desfile todo da Ilha será emocionante. Acredito que a presença do escravo Zacarias será muito forte e simbólica. E esse escravo virá em diversos pontos do desfile e em épocas diferentes, porque terá o escravo aprisionado, o processo de libertação dele e depois o vendedor das orações, então o público vai acompanhar toda trajetória desse escravo até ele ser abençoado por Nossa Senhora Aparecida, que em determinado ponto do desfile irá passar pela metamorfose do sincretismo religioso e virará mamãe Oxum. Vai ser um desfile gostoso, porque está muito didático, a leitura está fácil, as cores estão leves, tem o vermelho, o azul e tem muito dourado. Tem uma abertura de desfile com muito vermelho, porque falamos do sangue negro e da luta pela liberdade, mas depois resgatamos a nobreza africana através da liberdade… teve toda uma poesia na construção e acabou dando um desenho gostoso de acompanhar”, informou Cahê Rodrigues.

Entenda o desfile

1 º setor: Os mistérios da fé. Setor em que a Ilha conta um pouco da transição do escravo Zacarias desde a sua captura até o momento de sua libertação e quando acontece a metamorfose de um escravo aprisionado para um príncipe africano aos olhos de Nossa Senhora Aparecida. Esse primeiro setor vai da comissão de frente até o carro abre alas.

2º setor: Caminhos da fé. Setor que apresenta quando Zacarias se torna um peregrino vendedor de orações. É quando a escola mostra um pouco do andarilho e os cantos que ele percorreu mostrando a imagem da santa, as pessoas que ele conheceu na caminhada e a aventura que ele percorreu nessa libertação.

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3º Setor: As duas faces da mãe preta do Brasil. Setor em que a escola entra no sincretismo existente no Brasil, fala um pouco da transição, conta sobre a perseguição que os pretos sofriam por conta dos seus cultos chegando até a ‘Mãe do Ouro’, que é a alegoria que encerra o terceiro setor da escola.

4° Setor: A devoção da Ilha. Setor de encerramento, será aquele que mostrará toda a relação da fé do torcedor da escola. Será apresentada uma grande caminhada de devoção em que terão outros milagres da Nossa Senhora Aparecida e haverá o convite a todo o público a ser abençoado de alguma forma com o manto da santa.

Ficha técnica do barracão
Diretor de barracão: Luiz
Chefe de ateliê: Ana, Ricardo, Cleo e Tereza
Ferreiro chefe: Jhow
Madeira: Castelinho e Washington
Pintura de arte: Clécio e Sávio
Artista de Parintins responsável por dar movimento a algumas peças: Augles
Iluminação: Fuca
Desfile
Alas: 22
Alegorias: 3
Tripé: 2. Um tripé como elemento

Três participantes do BBB 22 vão desfilar no Império Serrano

O Império Serrano terá ex-BBBs em seu desfile, que acontece na próxima quinta-feira, dia 21 de abril. Vyni, Larissa Tomásia e Luciano Estevan estarão juntos do Glorioso na Marquês de Sapucaí. Rhudson Victor, apresentador do “A Eliminação”, completa o time de influenciadores no Reizinho de Madureira.

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Será a estreia de todos no maior espetáculo da terra. O convite veio através do presidente Sandro Avelar e da primeira dama Rosana Farias. Todos já anunciaram suas participações através das redes sociais da escola. Os quatro abrirão o desfile imperiano com muito samba no pé e animação.

O Império Serrano será a oitava e última escola a se apresentar pela Série Ouro, na quinta-feira. A escola busca voltar ao Grupo Especial com o enredo “Mangangá”, sobre o capoeirista baiano Besouro, de autoria do carnavalesco Leandro Vieira.

Carnaval, por que essa celebração ficou tão popular ao redor do mundo?

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O Brasil é conhecido como o país do futebol e do Carnaval e, por sua enorme popularidade nacional e entre os turistas, essa celebração já se tornou popular ao redor do mundo.

O Carnaval brasileiro conta com muita festa, música, alegria e até mesmo uma competição interessante: o desfile das escolas de samba. Nele, diversas comunidades do Rio de Janeiro e de São Paulo disputam o título de melhor escola do carnaval fazendo um enorme desfile.

Muitas pessoas até apostam em quem será a vencedora. Não é algo como as apostas esportivas, que você acessa um site de apostas e escolhe sua opção preferida, mas sim algo entre as pessoas. Se você gosta de apostar em esportes, o indicado é dar uma olhada no mightytips Brasil. Lá você encontra as melhores casas de apostas para o público brasileiro.

Voltando ao Carnaval… Vamos entender o motivo dessa festa popular brasileira ter se tornado tão amada ao redor do mundo.

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Atração para Turistas

Que o Rio de Janeiro é uma cidade que atrai muitos turistas todo mundo sabe, mas você sabia que muitos deles fazem questão de ir para a Cidade Maravilhosa na época do Carnaval só para aproveitar a festa?

Pois é, segundo eles “Não há festa como o carnaval das brasileiras”. Se pensarmos bem, o Carnaval é algo extremamente divertido, onde você pode pular, dançar e se fantasiar sem ser julgado pelas pessoas ao seu redor. É um momento de felicidade, onde as pessoas conseguem esquecer um pouco do estresse do dia a dia.

Além disso, os desfiles de escolas de samba são extremamente bem planejados e muito bonitos. A sua grandiosidade também sempre atrai a atenção dos estrangeiros que estão visitando o Brasil.

Apesar de não estar efetivamente na lista de festa folclóricas brasileiras, o Carnaval já se tornou algo característico do país e, por isso, a maioria dos estrangeiros já pensa nesse evento quando falamos do Brasil.

Divulgação na Mídia
Outro motivo que fez com que o Carnaval brasileiro tivesse uma maior popularidade internacionalmente é a grande divulgação que ele recebe na mídia. E não estou falando somente dos canais televisivos locais, que transmitem os desfiles, mas também das redes sociais e filmes.

É normal que, quando o Brasil aparece em filmes de Hollywood, por exemplo, mostre um pouco do Rio de Janeiro. Alguns deles costumam mostrar também o Carnaval, na tentativa de mostrar um pouco das atividades sobre festas populares brasileiras.

Além disso, com as redes sociais hoje em dia, muitos artistas nacionais e internacionais postam fotos e vídeos deles participando do Carnaval. A maioria deles prefere obviamente ficar em camarotes, enquanto outros até mesmo participam dos desfiles.

Ainda há os cantores que fazem blocos e trios-elétricos pelas cidades ao redor do país, como é o caso da cantora Anitta, que vem fazendo um enorme sucesso internacional e sempre participa do carnaval do Rio.

Carnaval no Mundo
Que no Brasil tem Carnaval todos sabemos, mas você sabia que essa celebração também está na lista de festas populares no mundo? É verdade, existem outros países que também celebram o carnaval, e alguns até um pouco parecidos com o nosso.

Entre as principais cidades onde também há desfiles e celebrações de carnaval há:
Porto da Espanha (Trinidad e Tobago)
Santa Cruz de Tenerife (Espanha)
Nova Orleans (Estados Unidos)
Veneza (Itália)
Colônia (Alemanha)

Dentre esses citados acima, podemos dizer que o carnaval de Trinidad e Tobago é o mais próximo daquele que temos no Brasil. Os desfiles contam com fantasias extravagantes e muito brilho, além de, é claro, plumas e outros acessórios.

Já o mais diferente certamente é o de Veneza, já que este conta com o tradicional baile de máscaras para marcar o ápice da celebração do Carnaval, com roupas bufantes remetendo à época da monarquia.

Conclusão

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O Carnaval, apesar de acontecer em diferentes partes do mundo e ter se tornado bastante popular lá fora, ainda continua sendo considerada uma celebração característica brasileira.

É uma celebração de alegria e liberdade, além de muitas cores e brilhos. Todo ano, os brasileiros, principalmente os cariocas, esperam a chegada de Fevereiro ou Março para poderem ir para as ruas, bailes e, obviamente, o Sambódromo, para dançar e se divertir bastante.

Aposte no Brasil

Se você gosta de apostas mas não pode apostar nas escolas de samba brasileiras, não se preocupe, ainda existem as apostas esportivas online onde você pode apostar nos esportes mais populares do Brasil e do Mundo.

Até mesmo programas como o BBB e apostas de política estão disponíveis em muitos desses sites.

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Assim você poderá encontrar o melhor site de apostas para você e poderá apostar no Brasil e nos seus esportes favoritos.

Conheça a Corte Real do Carnaval Carioca 2022

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A Corte Real do Carnaval carioca foi coroada no dia 7 de janeiro de 2022 na Cidade do Samba. A escolha do Rei, Rainha e Princesas da folia de 2022 ocorreu pelo somatório do voto popular e dos jurados. Wilson Dias da Costa Neto foi coroado Rei Momo 1º e Único, assumindo seu quinto reinado: já foi o monarca do Carnaval carioca em 2014, 2015, 2016 e 2019. Alex de Oliveira Silva foi escolhido Vice-Rei. Thaiana Rodrigues Pinheiro foi coroada Rainha, e Luara Neto Lino e Deisiane Conceição de Jesus foram coroadas 1ª e 2ª princesas.

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Além do título e da coroa, para representar o Carnaval do Rio durante todo o ano, Rei e Rainha recebem um prêmio de R$ 30 mil. Já as princesas receberam R$ 22,5 mil cada, além da faixa e tiara. O Vice-Rei recebe R$ 3,5 mil.

Rei Momo: Wilson Dias da Costa
Idade: 35 anos
Profissão: Locutor
Escola de Samba: Vila Isabel

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Rainha: Thaiana Rodrigues Pinheiro
Idade: 29 anos
Profissão: Artista e dançarina
Escola de Samba: Salgueiro

Vice-Rei: Alex de Oliveira Silva
Idade: 49 anos
Profissão: Arquiteto e urbanista
Escola de Samba: Mocidade

1ª Princesa: Luara Neto Lino
Idade: 27 anos
Profissão: Professora de samba, dançarina
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Escola de Samba: Salgueiro

2ª Princesa: Deisiane Conceição de Jesus
Idade: 34 anos
Profissão: Professora de maquiagem
Escola de Samba: Império Serrano