Milton Cunha segue como o grande Embaixador do Carnaval Globeleza e será um dos principais nomes da cobertura do Carnaval 2026 da TV Globo. Referência absoluta quando o assunto é a maior festa popular do país, o comentarista terá uma atuação ainda mais ampla neste ano, reforçando seu papel de comunicador e divulgador da cultura carnavalesca brasileira. Em virtude de participação na propaganda do governo federal, ele não estará na parte jornalística da emissora.
Foto: Cadu Pilotto/Globo
Além das tradicionais participações nos programas da emissora, Milton Cunha ganhará um quadro fixo no programa “Encontro”, que estreia no dia 16 de janeiro. A atração irá ao ar todas as sextas-feiras até o carnaval, levando ao público um mergulho no universo da folia. No espaço, Milton vai falar sobre o carnaval em todo o país, apresentando curiosidades, histórias, bastidores e todo o conhecimento acumulado ao longo de décadas de vivência e estudo da festa.
De acordo com informações repassadas ao CARNAVALESCO pela Comunicação da Globo, a proposta do quadro é valorizar a diversidade do carnaval brasileiro, indo além dos desfiles do eixo Rio–São Paulo e mostrando manifestações, tradições e personagens que fazem do carnaval uma expressão cultural única e plural.
Na Avenida, Milton Cunha também mantém sua presença já consagrada pelo público. Tanto em São Paulo quanto no Rio de Janeiro, ele seguirá com sua “Embaixada” no final do percurso dos desfiles, realizando comentários vibrantes, análises e observações técnicas que se tornaram sua marca registrada nas transmissões da Globo.
Com carisma, linguagem acessível e profundo conhecimento, Milton Cunha reafirma em 2026 seu papel como um dos grandes porta-vozes do carnaval na televisão brasileira, unindo entretenimento, informação e paixão pela festa que move milhões de pessoas em todo o país.
O Paraíso do Tuiuti abriu sua temporada de ensaios de rua em 2026 na última segunda-feira, com um grande público presente prestigiando a escola de São Cristóvão, e entregou aos espectadores mais um excelente desempenho de seu belo samba, extremamente contagiante, comandado por um intérprete em estado de graça. Pixulé vive um momento especial na carreira e entrega todo o seu talento, afinação e interpretação à obra, que está na prateleira de cima dos sambas do Grupo Especial para 2026. A parte musical foi o grande destaque de um ensaio redondo, que mostra uma escola encorpada para realizar um belo desfile. Essa missão será posta à prova na terça-feira de carnaval, apresentando o enredo “Lonã Ifá Lukumi”, de autoria do carnavalesco Jack Vasconcelos.
COMISSÃO DE FRENTE
A comissão, comandada por David Lima, tem mostrado uma coreografia bastante interessante, com muito dinamismo e uma dança constante, com elementos da vertente afro-cubana. A figura central da comissão, representando Changó Lukumi, integrou-se muito bem aos demais membros, formando uma teatralização muito bem executada e com ótima sincronia. Uma comissão vibrante e performática, que cria boas expectativas para a apresentação no desfile oficial.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Fotos: Luiz Gustavo/CARNAVALESCO
Vinicius Antunes e Rebeca Tito formam o único casal do Grupo Especial que dançará junto oficialmente pela primeira vez em 2026. Quem assiste ao desempenho de ambos não diz que a parceria é recente, já que, em meses de trabalho, eles alcançaram um ótimo nível de entrosamento e similaridade na dança. Rebeca mostra muita suavidade e graciosidade nos giros, aliando precisão e leveza, além de grande firmeza na condução da bandeira. Vinicius acompanhou bem o ritmo de sua porta-bandeira, mostrando um bailado cortejador, com meneio preciso e um bonito sapateado, sobretudo nos giros em ponto fixo. Uma apresentação de bastante elegância.
EVOLUÇÃO
A escola de São Cristóvão exibiu uma evolução segura em seu ensaio, com um ritmo de avanço constante e componentes evoluindo com firmeza. Faltou soltar um pouco mais as alas para andarem pelas laterais e preencherem melhor os espaços, não apenas no caminhar para a frente, mas, dentro do modelo treinado pela agremiação, uma boa organização se fez presente. A limitação do espaço físico, tomado pelo numeroso público, travou um pouco a passagem da bateria, que seguiu pela rua de forma mais lenta. Com mais espaço na reta final do ensaio, a evolução foi mais solta e vibrante, terminando o treino com muita força.
Leandro Azevedo, diretor de carnaval da Tuiuti, falou sobre o ensaio e a preparação para o desfile. “O primeiro ensaio de 2026, mas voltamos com força total, assim como terminamos 2025. Esse ensaio aqui é muito importante: conseguimos testar a harmonia, ensaiar o andamento, o canto principalmente. A Tuiuti está cantando absurdamente, e depois de cada ensaio a gente fala que esse foi o melhor; aí vem o ensaio seguinte e já mudamos de ideia. A escola está muito madura, a comunidade está feliz. O samba faz diferença. Os críticos do carnaval estão colocando o samba da nossa escola como um dos top 3, isso ajuda muito o trabalho. Não determina, mas ajuda, e o Tuiuti está em estado de graça com ele. Ainda temos dois ensaios técnicos, mas acredito que a escola tem tudo para chegar ao desfile oficial e surpreender. Estamos no caminho certo”, afirmou.
HARMONIA E SAMBA
Um samba de tamanha qualidade como o do Tuiuti merece um canto à altura, e a escola tem entregado isso. Mesmo com alguns termos específicos da cultura afro-cubana e da vertente Lukumi, a melodia é tão agradável e a obra flui tão bem que o canto dos componentes naturalmente se potencializa. A comunidade cantou com entusiasmo na maior parte do ensaio, com exceção das últimas alas, que em alguns momentos arrefeceram o canto, obtendo crescimento novamente na parte final do treino. As alas que vieram antes da bateria sustentaram o samba com bastante força.
O samba foi executado de forma espetacular por Pixulé e seu carro de som. O intérprete se emocionou na largada do ensaio e teve um desempenho de alto nível do início ao fim, brincando com os componentes, usando e abusando da qualidade melódica, passeando pelas notas e mostrando o momento técnico soberbo que atravessa. A obra não cansa, tanto que, mesmo após a passagem da última ala, o samba seguiu por mais um tempo, levantando o público e os componentes. Ressalta-se o entrosamento sensacional de Pixulé com a bateria, comandada por mestre Marcão, resultando em uma impressionante qualidade musical.
“Olha, nesse final de trabalho não falta lapidar nada. A escola está toda perfeita, cantando, o samba na boca do povo e não tem mais o que lapidar é só eu chegar na avenida e executar. Até rimou, é executar, cantar e lapidar”, comentou o intérprete Pixulé.
OUTROS DESTAQUES
A bateria do Paraíso do Tuiuti tem sido um show à parte nos ensaios da agremiação, com muito swing, ritmo e ousadia. Mestre Marcão é craque e tem explorado todas as soluções que o samba lhe proporciona.
“Energia positiva, eu acho que saímos do veste branco que foi uma coisa bem positiva e no nosso retorno agora mais ainda. Sobre lapidar… Falta ainda alguma coisa. Nunca posso falar que está bom. Nunca pode! Tenho meus 98%, mas preciso dizer a você que é 70% porque às vezes tem alguma coisinha e algumas notinha que falta um toque, porque agora está mais rígido. A gente está tentando, não tentando minimizar mais um pouco, porque a gente já viu como é que é, é muito sacrifício durante meses mesmo. Tu vai de sol, vai de chuva e fala ‘pô pelo amor de Deus me ajuda’. No ensaio de rua dá pra pegar melhor. É muito legal eu tenho que agradecer imensamente minha diretoria e ao presidente que me dá o maior apoio e diz ‘meu irmão, a bateria está na tua mão’, disse mestre Marcão.
À frente da “SuperSom”, Mayara Lima mostrou o brilho que possui como uma das rainhas mais queridas do público que acompanha o carnaval.
O CARNAVALESCO conversou com o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Imperatriz Leopoldinense, Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro, sobre a preparação da fantasia para o Carnaval 2026. A indumentária desta temporada está sendo confeccionado em São Paulo.
“O ateliê do Bruno Oliveira é referência no Carnaval de São Paulo. Trazer a visão do Bruno, com tudo o que ele mostra em sua história, não só no carnaval, mas também em grandes espetáculos, é uma aposta. A gente sabe que está com o melhor e tenho certeza de que ele vai brilhar aqui no carnaval do Rio também. Há outros casais que vão realizar o figurino junto com ele; a gente não vai ser o único, e isso mostra que outros colegas pensam igual”, disse Rafaela.
A porta-bandeira explicou ainda que o casal foi pessoalmente à capital paulista para conferir de perto o trabalho do figurinista.
“A gente pôde acompanhar como é feita a confecção, a parte de costura e de adereços, para entender como era o trabalho dele e trazer isso para o nosso método de trabalho. Ele apresentou tudo para gente com muita maestria, de forma impecável. É uma estrutura que eu jamais vi”, comentou a porta-bandeira.
Já Phelipe revelou que a roupa foi desenhada pelo carnavalesco da escola, Leandro Vieira, antes de ser enviada para a confecção em São Paulo.
Apesar da distância, Rafaela garantiu que a quantidade de provas será a mesma caso o figurino fosse produzido no Rio, entre idas da dupla à Terra da Garoa e vindas de Bruno à Cidade Maravilhosa.
“A nossa presidente Cátia e toda a sua diretoria estão dando todo o suporte para que a gente tenha os encontros. As provas finais vão ser no Rio”, adiantou ela.
“Essa roupa vai vir em um caminhão, em um carro que tenha espaço para que nenhuma das peças seja danificada e chegue aqui com toda a segurança, intacta, para que a gente possa ensaiar e, consequentemente, desfilar”, disse Phelipe.
A expectativa é que os ensaios com o traje se iniciem em terras cariocas repetindo a antecedência gresilense dos anos anteriores.
A Dom Bosco é uma escola de samba completamente diferente no universo carnavalesco brasileiro. Enquanto as coirmãs costumam ensaiar em quadras que emulam terreiros e exaltam temos afrodescendentes e originários, a agremiação de Itaquera é fruto de uma Obra Social salesiana – uma das tantas congregações da igreja católica apostólica romana. Engana-se, entretanto, que a origem da instituição a impede de revelar bambas. Leonardo Henrique e Mariana Vieira, primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da agremiação, são excelentes exemplos de tal prática. Com histórias distintas, ambos têm ligações bastante antigas com a escola – e o CARNAVALESCO foi ouvi-los na final do samba-enredo da Dom Bosco de 2026, que revelou a canção que embalará o desfile de “Mariama, Mãe de todas as raças, Mãe de todas as cores, Mãe de todos os cantos da terra”, assinado por Fábio Gouveia.
Fotos: Will Ferreira/CARNAVALESCO
Dupla juventude
Ao relembrar como chegou à agremiação, Mari destacou que a história da escola de samba confunde-se com a própria vida da porta-bandeira: “A fundação oficial da nossa escola é em 2000 e eu desfilo na Dom Bosco desde os meus três anos de idade. Passei pela Ala das Crianças e, quando eu tinha seis anos de idade, em uma surpresa para a minha família, eu me apaixonei pela arte de ser porta-bandeira”, destacou.
Ela, então, relembra a primeira grande inspiração para seguir carreira na folia: “Na época tinha a Tassiane Martins, que era a primeira porta-bandeira, eu olhei ela dançando e fiquei fascinada. falei para os meus pais, que eu queria ser porta-bandeira e eles estranharam”, destacou, relembrando outro histórico nome da instituição e a ligação da própria família com o grêmio recreativo.
Mari, por sinal, é criada na Zona Leste paulistana: “Eu nasci aqui, sou cria de Itaquera, moro bem próximo à instituição obra social Dom Bosco. Os meus primeiros passos foram lá, em projetos sociais, na igreja de Nossa Senhora Aparecida. Como a minha família já vem do carnaval, quando meu pai também veio morar em Itaquera, ele se apaixonou pela Dom Bosco de Itaquera. Lá ele se tornou mestre-sala e essa paixão passou para a família inteira. Desde que eu me entendo por gente eu faço parte da agremiação”, revelou.
Mais baluartes
Citando quem é, para muitos, o maior mestre-sala da história do carnaval paulistano, Mari complementa a história com a agremiação: “Um ano depois, tive a oportunidade de, dentro da nossa principal instituição, fazer o curso com o mestre Gabi. Ele vinha todos os domingos fazer o projeto com as crianças da comunidade. Com os meus sete anos, me tornei porta-bandeira mirim da agremiação. Comecei desfilando na avenida Jacu-Pêssego e fui passando por todos os segmentos da escola e na Vila Matilde, Autódromo de Interlagos… até chegarmos no Anhembi”, comemorou.
Gabriel de Souza Martins, o mestre Gabi, juntamente com a esposa, Venézia Almeida Martins, a Vivi, ganharam o apelido de “Casal Maravilha” e são tidos como o maior casal de mestre-sala e porta-bandeira da história do carnaval paulistano, defendendo o pavilhão do Camisa Verde e Branco entre 1991 e 2002.
Salesiano no samba
A história de Leonardo com a Dom Bosco também é antiga, mas veio de outra maneira: por meio da Obra Social. Ele mesmo explica: “Minha história e a história da agremiação como um todo é bem diferente e é gratificante. Eu, como funcionário da obra, e por não estar desde o início da Obra e nem da escola (mas por saber da história de ambas), todas as vezes que a gente se apresenta e ver os meus alunos por perto falando que nós estávamos lindos… é lindo!”, disse ele, que atualmente é educador social na Obra Social.
Ele mesmo convida o mundo do samba a conhecer ainda mais a agremiação de Itaquera: “É muito gratificante a gente poder mostrar um pouco do nosso amor através da nossa dança. A Dom Bosco é cativante demais, eu tenho certeza que, se as pessoas se propusessem a vir conhecer e sentir o clima da escola, que é bem família, com certeza muitos dogmas seriam tirados da cabeça do pessoal. O pessoal tem muito o estigma de ser ‘só’ a escola do padre, só que vai muito além disso”, pontuou.
Já no carnaval…
Ao contrário da parceira de dança, Léo, entretanto, tem muita história para contar antes de chegar à Dom Bosco. E ela começa no mesmo bairro em que a agremiação está sediada: “Sou nascido e criado na comunidade no entorno de Itaquera. Comecei no carnaval com seis anos de idade – ainda não na Dom Bosco. Eu fui mestre-sala da Leandro de Itaquera e passei por diversos setores na escala: Ala das Crianças, ala coreografada… e não era para eu ser mestre-sala! Era para eu ser Passista de Ouro na época! Com a saída do Alex Cunha na época, não tinha ninguém para ser mestre-sala da Karen Darling. Ela era a primeira porta-bandeira e ela disse que era eu”, revelou.
É importante destacar que a outra escola do bairro, a Leandro de Itaquera (história agremiação e que hoje está no Grupo Especial de Bairros da União das Escolas de Samba Paulistanas [UESP]), foi fundada por Leandro Alves Martins a pedido da filha, que queria ser porta-bandeira. A filha em questão é, justamente, Karen Darling.
O então passista, pouco a pouco, foi pegando gosto por ser mestre-sala: “Eu falei para ela que eu não queria. Eu fui jogado lá, literalmente. E, na época, eu lembro de ter aprendido na quadra da Leandro: não fiz curso, não fiz nada. Tudo que eu aprendi, eu aprendi lá com a Karen, aprendi com o Paulinho Guedes, com o Diego Mota, com o Murilo Félix. Todos eram do quadro e todos me ajudaram. Fiquei na Leandro até 2015, como terceiro mestre de sala”, relembrou.
Saída e encontro
Leonardo, por pouco tempo, ficou fora do carnaval – e, também, do país: “Em 2016, por conta da minha vida fora do carnaval (sou bailarino clássico), eu ia morar em Cuba, para estudar em uma escola de bailado – logo, não iria dançar mais”, revelou.
Não durou muito tempo: “Conheci a Dom Bosco através do meu cunhado – que é cria da Dom Bosco, mesmo. Fui num ensaio e a Tatiane Bernades, que era coordenadora do quadro, falou que a Mariana estava com um problema com o antigo mestre-sala, que não aparecia. Me perguntaram se eu não podia dançar e eu falava que podia naquele dia, mas não ficaria nesse posto – isso faltando dois meses para o carnaval. Nós tínhamos dezoito anos na época e eu fui dançando. A Tati me convidou para coordenar o quadro e, quando eu vi, estava na passarela. Lembro que, no dia do desfile, falei para a Mari ir que eu a seguia. Na época, a escola estava na UESP e eram só três cabines. Conseguimos o nosso 29,9, lembro até hoje. Foi uma nota boa, pelo que a gente ensaiava”, destacou, já dançando com a atual companheira em uma primeira oportunidade.
Após uma nova saída da agremiação itaquerense, o retorno – por ora, definitivo: “Encerrei meu ciclo na Dom Bosco à época porque eu tinha recebido convite para dançar na X-9, fiquei dois anos lá como terceiro mestre-sala. Depois fui para a Tucuruvi, fui segundo lá. E aí, em 2020, retornei para cá – ainda em 2019 e, mais uma vez, com a Mari. E estamos aí até hoje”, comentou.
Emoção diferente
Mari resume como é representar uma escola de samba na qual foi criada e também representa uma Obra Social na qual está presente, como professora de mestre-sala e porta-bandeira para crianças e adolescentes no projeto de recreação da Obra: “É muito diferente porque eu lembro de toda a trajetória que nós passamos, de tudo que foi desacreditado na Dom Bosco como agremiação, como pessoas e, até mesmo, como profissionais. Ver onde nós estamos chegando e a potência que a nossa escola se tornou é muito gratificante. É uma coisa que eu levo na minha raiz. E isso, para mim, é muito importante: representar meu pai, representar minha família, poder defender esse pavilhão, representar o nosso presidente – que é apaixonado por essa escola. É um sentimento diferente, é aquilo que realmente bate. É muito gostoso, mas a responsabilidade também se torna gigantesca”, finalizou.
Durante o evento “Noite dos Enredos”, em agosto do ano ano passado, na Cidade do Samba, a comunidade mangueirense se reuniu para conhecer oficialmente a proposta para o Carnaval de 2026: um enredo que mergulha na história do mestre Sacaca e no universo cultural do Amapá. Entre os presentes, torcedores, compositores e integrantes da escola falaram sobre a importância da homenagem e sobre os sonhos que já começam a se formar para o centenário da agremiação, que será celebrado em 2028.
Campeão em 2019 com o samba que exaltou Marielle Franco, o compositor Danilo Firmino, 34 anos, está na Mangueira desde 2018 e carrega com orgulho o título conquistado naquele ano.
Compositor Danilo Firmino, 34 anos, está na Mangueira desde 2018 e carrega com orgulho o título de 2019
“E fomos campeões. Essa comunidade é um orgulho danado para todo mundo que é carioca. Esse desfile foi memorável. Para mim, particularmente, é um marco na minha vida. Todo mundo que escreve samba escreve para ganhar. E ganhar na Mangueira, ser campeão do carnaval com esse samba, para mim, foi uma das maiores alegrias da minha vida”.
O compositor espera que 2026 mantenha a tradição de enredos com profundidade e identidade. “Primeiro, espero que seja um grande desfile, inclusive com um samba meu de novo. A Mangueira vem com um enredo muito importante, que traz uma parte do Brasil a partir da figura do Mestre Sacaca, em um dos últimos estados a serem reconhecidos, lá no Amapá, mantendo as tradições da Mangueira de fazer o bom debate da tolerância religiosa, do reconhecimento às nossas raízes. O Mestre Sacaca era um curandeiro, um fazedor de garrafadas. O enredo da Estação Primeira de Mangueira tem nossas raízes também em Cartola, Carlos Cachaça, Tia Zica. Eu espero que esse carnaval tenha muita cara dessa comunidade, que busca na ancestralidade os ensinamentos e conhecimentos para continuar sendo essa grande, quase centenária árvore da cultura popular brasileira”.
Sobre o carnavalesco Sidnei França, autor do enredo, Danilo vê a continuidade como um ganho para a escola. “Acho que é uma importância muito grande, que abre o diálogo e o aprendizado para todos nós do Rio de Janeiro. Ter um carnavalesco que veio de São Paulo e demonstrou sensibilidade com a Mangueira e com o carnaval carioca é algo muito interessante. É como se fosse um fruto do nosso carnaval irradiado para outros lugares, que agora retorna. É uma alegria ter o Sidnei aqui com sua equipe, que eu considero e respeito muito”.
Para o centenário, o compositor é categórico: “Eu espero que a Mangueira exalte todos os seus frutos e suas raízes, contando a história da escola junto com a do carnaval e da cidade do Rio de Janeiro”.
Rodrigo Reduzino, 49 anos, pesquisador, funcionário público, diretor do Departamento Cultural da Mangueira e roteirista da série documental Enredos da Liberdade (disponível no Globoplay), vê 2026 como um momento de afirmação cultural.
Rodrigo Reduzino, 49 anos, pesquisador, funcionário público, diretor do Departamento Cultural da Mangueira e roteirista da série documental Enredos da Liberdade
“Espero que seja, como sempre, um grande enunciado de poesia de vida, trazendo uma parcela da população tão importante na construção do nosso país como os afroindígenas e a cultura afroindígena, de um território que muitas vezes desconhecemos e invisibilizamos. Acho que vai ser um grito nacional da importância da população ribeirinha afro-amazônica no cenário nacional”.
Ele também destaca o peso da gestão atual. “O Sidnei soma isso com a marca de uma gestão de uma mulher negra, a primeira presidente mulher eleita na Mangueira, a Guanayra Firmino. É um casamento que só pode dar certo. Que já está dando certo”.
Sobre 2028, Rodrigo resume: “Eu espero algo tão grandioso que não caiba nem no coração”.
Raphael Vinicius, 35 anos, analista de sistemas de Santa Teresa, quer emoção no próximo carnaval. “Um enredo com muita emoção, muita história, uma história inovadora”, diz. Ele aprova a permanência do carnavalesco: “Acho que é um bom investimento da Mangueira”. Para o centenário, é direto: “Um desfile perfeito para ganhar o título”.
Raphael Vinicius, 35 anos, analista de sistemas de Santa Teresa, quer emoção no próximo carnaval
Odilon Neves, 31 anos, de Campina Grande (Paraíba), manguerense desde os três anos de idade, enxerga a escola como universal. “A Mangueira ultrapassa os limites da região Sudeste e do mundo. É divina”.
Para 2026, suas expectativas são altas. “Ela tinha feito um enredo sobre o Norte. A sinopse parece tese de doutorado, muito contextualizada. Minha expectativa é muito boa para os sambas e para o desfile”.
Odilon Neves, 31 anos, de Campina Grande (Paraíba), manguerense desde os três anos de idade, enxerga a escola como universal
Sobre o centenário, não hesita: “Eu gostaria de ver a Mangueira exaltar Leci Brandão. Ela traz a perspectiva feminina de resistência, é um divisor de águas. Uma mulher preta, de representatividade popular, que merece muito esse enredo”.
Caio de Brito Siqueira Leão, 29 anos, morador da própria Mangueira, espera novidades. “Espero que seja diferente e ainda melhor que o deste ano”.
Caio de Brito Siqueira Leão, 29 anos, morador da própria Mangueira, espera novidades
A respeito de Sidnei França, diz: “Eu não conhecia o trabalho dele antes. Gostei do carro do hip hop que ele fez. Espero que agora, no segundo ano, consiga mostrar mais o trabalho dele”. Ele também valoriza a escolha do homenageado: “Nunca ninguém contou a história do Mestre Sacaca. Trazer isso para o Rio é muito gratificante”. E sobre 2028, se emociona: “Eu vou chorar muito, só isso”.
Tayane Nogueira, 24 anos, analista administrativa de Niterói, fala com entusiasmo. “Eu espero muita entrega, muito tudo. O enredo e o tema são maravilhosos”.
Para ela, o carnaval é também conhecimento: “A importância é para o conhecimento da população, para todos ficarem cientes da história do mestre Sacaca. Carnaval é contar história”.
Tayane Nogueira, 24 anos, analista administrativa de Niterói, fala com entusiasmo
E para o centenário? “Espero que a Mangueira se renove, surpreenda e faça algo inacreditável para marcar”.
Romário Souza, 46 anos, presidente da torcida da Mangueira, também confia na escolha do enredo. “Acho que é uma iniciativa muito boa, falando do Amapá. Estamos para brigar pelo título”.
Para ele, Sidnei França é importante: “Veio para acrescentar muito à escola.” E sobre 2028, opina: “Acho que a Mangueira tem que se autohomenagear, pegar vários enredos e transformar isso em algo incrível”.
Romário Souza, 46 anos, presidente da torcida da Mangueira, também confia na escolha do enredo
Com expectativas que vão da emoção pessoal a reivindicações históricas, a comunidade mangueirense demonstra que, enquanto prepara o desfile de 2026, já pulsa no ritmo de um centenário que promete entrar para a história do carnaval carioca.
Bicampeão do Estrela do Carnaval no quesito no qual trabalha, Régis Santos tornou-se garantir de espetáculo nas comissões de frente da Estrela do Terceiro Milênio. Com longa história na folia paulistano e completando cinquenta anos na festividade na cidade de São Paulo, o profissional mostrou muita animação com o trabalho feito e mostrou orgulho por conta das exibições que já realizou no Anhembi. Em uma longa entrevista, o CARNAVALESCO conversou com Régis Santos na final de samba-enredo da Estrela do Terceiro Milênio para o carnaval 2026 e ouviu uma série de reflexões do coreógrafo.
Na visão de Régis, entretanto, tais projetos têm pouco em comum: “O que tem em comum nos dois trabalhos é o desejo que a gente tem de agradar ao público e levar um trabalho com perfeição para o jurado. Essas são as duas características que a gente vai sempre buscar. Nós queremos levar entretenimento, trazer a nota, ser espetáculo. A gente não pode passar batido no palco fazendo arte, a gente tem que mexer em alguma ferida. Pensando nas temáticas dos dois trabalhos, foi muito diferente porque, no trabalho de 2023, a gente estava nascendo da dor, literalmente. Com a alegria do grupo LGBTQIAPN+, a gente estava nascendo da dor, e o trabalho de 2023 trazia o humor para falar da dor. A gente inverteu os caminhos para poder fazer críticas”, comentou.
Detalhando
Pouco depois, Régis Santos fez questão de comentar mais especificamente cada um dos projetos: “São trabalhos bem distintos, são temáticas bem opostas: um trabalho de uma leveza, de uma ludicidade do universo do humor, em que a gente tenta inserir um contexto social para uma visão que a gente possa, mesmo rindo da vida e através do humor, dizer que não está tudo certo. A gente está aqui no fundão da Zona Sul, onde tem muita família cinza. A gente tem muita família que é muito colorida por dentro e cinza por fora. A gente precisa tirar de dentro delas a alegria, o colorido que o mundo tem que dar. O mundo social tem que inseri-las. Aquele projeto tinha esse caráter pela veia do humor, com profissionais que eram do humor propriamente dito. Eu tinha gente ali do Cirque du Soleil, eu tinha gente ali dos Doutores da Alegria, eu tinha gente da SP Escola de Teatro na área de Humor, também tinha colegas meus de teatro e pessoas que fizeram testes. Era um trabalho peculiarmente teatral e que tinha um viés pela veia do humor. Poderia ser uma palhaçada imensa se a gente quisesse, mas a gente não queria. A gente tem que aproveitar o palco e o espaço para falar e sempre exigir que se olhe para as pessoas num sentido plural. Aquele trabalho teve essa dignidade – e com leveza. E o que era bom naquele trabalho é que tinha uma alma infantil não só na essência, mas também na presença. Também tivemos um pouco de ludicidade naquilo que o ilusionismo pôde proporcionar”, comentou, relativo ao trabalho de 2023.
Já no retorno da Coruja ao Grupo Especial, nova premiação – e na mesma categoria: a Estrela do Terceiro Milênio ganhou novamente o Estrela do Carnaval na categoria Melhor Comissão de Frente em 2025: “O trabalho de 2025 é um trabalho de uma importância tão grande quanto, porque a gente não consegue, na verdade, não inserir o social no olhar. Quando você cresce numa escola de teatro, em grupos de teatro, não tem como ser um artista que a gente para a cena, sendo uma pessoa do grupo LGBTQIAPN+, não trazer para a cena a reflexão sobre o maior absurdo que acontece nesse país: ser o país que mais mata pessoas LGBTQIAPN+ no planeta. Quando a gente pensa que a cada 28 horas uma pessoa dessa minoria é morta, é muito escroto e cruel. Aquele trabalho nasceu com muita essência nesse sentido. Eu estou especialmente emocionado te contando tudo isso”, abriu-se.
Gênero escolhido
Para sintetizar a luta pelos direitos do grupo LGBTQIAPN+, Régis Santos baseou-se em uma estilo de bailado bastante especial: “Em 2025, também trouxemos a cena Ballroom, que é um universo extremamente potente e extremamente fundamental na cultura brasileira. A cena nasceu nos Estados Unidos, mas tem uma potência e um lugar de fala que traz as pessoas abandonadas para um lugar de gueto, lugar de porões, de lugares escondidos, que foi como o movimento nasceu, lá na década de 1960, quando as pessoas que apanhavam em casa e eram postas para fora do próprio lar a criaram. Trouxemos isso porque ninguém olha para isso. Se você vê-la, você vai ver que tem gênios, eles fazem coisas com o corpo algo que você deveria ver na TV – mas ninguém dá espaço. No Grupo Especial, tendo a visibilidade da maior emissora do país, eu tinha que dar visibilidade para essa cena”, orgulha-se.
Para tentar o tri
Em 2026, com o enredo “Hoje a poesia vem ao nosso encontro: Paulo César Pinheiro, uma viagem pela vida e obra do poeta das canções”, a Estrela do Terceiro Milênio homenageará o compositor citado no título. E, para exaltá-lo, Régis Santos destacou a genialidade do artista: “A gente vai falar de um gênio, e isso tem uma significância, uma relevância imensa. A gente sempre fala de quem vai para a cena, mas a gente não fala de quem ajuda as pessoas a irem para a cena. Geralmente, você não faz um espetáculo (uma peça ou um filme, por exemplo) falando do roteirista. É sempre muito focado no ator, digamos assim. É muito difícil você falar de quem fica no bastidor. Quando vem o interesse de você falar de um dos maiores gênios da poesia sambística (e não só sambística, porque o cara é plural), o inconsciente coletivo nem sempre sabe quem o Paulo César Pinheiro é. Mas quando você fala do ‘Portela na Avenida’ ou de várias músicas da Elis Regina, por exemplo, todo mundo sabe quem é”, comentou.
Outro ponto que foi destacado pelo coreógrafo é a capacidade de traduzir a espiritualidade: “Eu sou um homem do candomblé, mas ele é o maior artista que retratou a afro-religiosidade. É impressionante o quanto ele fala com propriedade – mesmo não defendendo nenhuma religião. Ele jogou holofote numa crença por meio da poesia e do samba com recorte para a africanidade na cultura religiosa do Brasil, que é muito mágica”, destacou.
Por fim, Régis Santos pontuou o que os fãs de carnaval podem esperar do segmento comandado por ele: “Aguardem uma comissão impactante, aguardem uma comissão que eu estou tendo muita dificuldade. Eu estou em um momento no qual eu estou me desafiando. Quando eu venci o Estrela do Carnaval pela primeira vez, em 2023, me perguntaram como que eu iria me reinventar. Em 2025, ouvi a mesma pergunta. A gente sempre quer fazer o melhor, e não é fácil impressionar e querer sempre impactar. Eu sou um só, não sou o Casal Segredo – e eles são maravilhosos, é uma união linda. A comissão de frente da Estrela do Terceiro Milênio ára 2026 vai trazer muita teatralidade e trabalhar com a essência do poeta na magia de um encantamento que eu espero que atinja o coração das pessoas, com muitas surpresas, emoções, poesias, músicas e teatro”, afirmou, citando Priscilla Mota e Rodrigo Negri, atuais coreógrafos da coirmã Unidos do Viradouro, do carnaval carioca.
Reflexões
Régis Santos também falou um pouco sobre a própria carreira e jornada profissional: “Eu sou um homem de teatro, nasci no teatro. E não sou do teatro superprodução: passeei por grandes produções, fiz grandes musicais, trabalhei com Toquinho, fiz canção para crianças. Mas a minha essência é do teatro de grupo, da guerrilha. E eu sou da quebrada, sou da Brasilândia”, finalizou.
Desde que foram anunciadas as parcerias para a disputa de samba-enredo da Vila Isabel, um samba despontou na frente: a composição do trio André Diniz, Evandro Bocão e Arlindinho. Não foi surpreendente, embora tenha sido emocionante, que o samba tenha sido escolhido para ser o hino do Povo do Samba para 2026.
Atualmente, o samba conta com mais de 340 mil visualizações na versão de disputa, interpretada por Wander Pires, assim como no clipe oficial no YouTube, e mais de 500 mil reproduções no Spotify, figurando entre os mais escutados deste carnaval.
O samba é um sucesso que vai além dos torcedores da Vila. Pessoas que torcem para outras escolas ou apreciam o espetáculo como um todo foram conquistadas pelos versos. Um exemplo é a chefe de cozinha Georgia Gomes, de 48 anos. Ela se considera sambista acima de torcedora e acredita que os sambistas entenderam e gostaram do samba-enredo da Vila Isabel. Para ela, também possuem os melhores sambas do ano o Paraíso do Tuiuti e a Unidos da Tijuca.
Chefe de cozinha Georgia Gomes, de 48 anos, cita a Vila Isabel, Tuiuti e Unidos da Tijuca
“Vila Isabel está incrível! O samba da Vila Isabel é uma coisa para a galera que é sambista e tem entendimento. É um samba que mexeu com o público, deu aquela emoção no coração de todo mundo. Então, eu acho que vai mexer bastante, a Vila”, definiu Georgia.
A Vila Isabel vai levar para a Avenida o enredo “Macumbembê, Samborembá: Sonhei que um Sambista Sonhou a África”, desenvolvido pelos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora e pelo enredista Vinicius Natal, em homenagem ao multiartista Heitor dos Prazeres. A assistente administrativa Marcele Carmo, torcedora da Viradouro, acredita que o samba e o enredo da Vila são marcantes e reconhece que os componentes cantam alto, porém brincou que a escola ficará em segundo, já que a vermelha e branca de Niterói será a campeã.
Assistente administrativa Marcele Carmo, torcedora da Viradouro, acredita que o samba e o enredo da Vila são marcantes
“A Vila Isabel está vindo linda, maravilhosa, com um enredo de peso. Eu acho que, da minha escola, não vai ganhar, mas que vai ficar em segundo lugar. É um samba que pega. O pessoal está cantando alto, vibrando, bandeirola batendo. Está ótimo”, elogiou e brincou a assistente administrativa.
De azul e branco para azul e branco, Adriano Monteiro, torcedor da Beija-Flor, de 26 anos, considera o samba da Vila Isabel antológico, porém sente que a escola poderia ter feito um minidesfile mais empolgante.
Adriano Monteiro, torcedor da Beija-Flor, de 26 anos, considera o samba da Vila Isabel antológico
“Acho que é o melhor samba do ano, antológico. Acho que é um dos melhores sambas da década, vamos dizer assim. Eu esperava um pouquinho mais da performance da escola como um todo, comparando com os outros dois dias anteriores. Eu esperava que a Vila Isabel viesse mais empolgante. Mas o samba é lindíssimo, maravilhoso!”, ponderou Adriano.
Já a empresária Mariane Perrenoud, de 45 anos, que preza pelo espetáculo de todas as escolas, acredita que a Vila está fazendo um pré-carnaval forte e que precisa continuar assim até o dia do desfile.
Empresária Mariane Perrenoud, de 45 anos, preza pelo espetáculo de todas as escolas
“O samba é maravilhoso. Melodia, tudo. Eu acho que tem tudo para ganhar o Carnaval. Está na boca do povo. Eu senti que o povo cantou bastante. Eu acho que, se eles levarem para a avenida o que estão cantando, conseguem brigar lá em cima. Eu fui ao ensaio de rua da Vila, e esse é o clima que tem que levar”, defendeu Mariane.
Os sambistas podem acompanhar o ensaio de rua da Vila Isabel toda quarta-feira, no Boulevard 28 de Setembro. Além disso, os ensaios técnicos já foram marcados e disponibilizados pela RioCarnaval. A azul e branca irá ensaiar na Sapucaí nos dias 31 de janeiro e 7 de fevereiro de 2026. O grande desfile será no dia 17 de fevereiro, no último dia de apresentações do Grupo Especial.
A União de Maricá iniciou a venda de ingressos para o evento “Maricá faz a festa”, que acontece no dia 17 de janeiro, a partir das 18h, no Terraço da Cidade do Samba, na Gamboa, no Rio de Janeiro. O evento contará com uma programação musical diversificada, reunindo apresentações do Samba da Volta, do cantor Marquinhos Sensação e de Arlindinho, além das participações especiais das escolas de samba convidadas Mangueira e Estácio de Sá.
Foto: Leandro Andrade/União de Maricá
Para Matheus Santos, presidente da União de Maricá, a realização do evento na Cidade do Samba simboliza um passo importante dentro de um projeto maior da escola.
“É fundamental para a União de Maricá ocupar os espaços onde o samba habita. Foi assim no Baródromo, tem sido na nossa quadra em Maricá e agora na Cidade do Samba, sempre ao lado das nossas coirmãs. É importante essa integração e estamos bem animados. Todos estão convidados”, afirmou.
Os ingressos do primeiro lote já estão disponíveis para compra antecipada de forma online com o valor de R$ 15,00 através da plataforma Guichê Web.
Serviço
Evento: Maricá faz a festa
Data: 17 de janeiro
Horário: 18h
Local: Terraço da Cidade do Samba
Endereço: Rua Rivadávia Corrêa, 60, Gamboa, Rio de Janeiro
Atrações: Samba da Volta, Marquinhos Sensação, Arlindinho, Mangueira e Estácio de Sá
Ingressos: R$ 15,00 (primeiro lote); venda no Guichê Web https://www.guicheweb.com.br/marica-faz-a-festa_49219?
No próximo sábado, o Império Serrano realiza a edição de janeiro da Feijoada Imperial, na quadra da escola, em Madureira. O evento terá início às 13h e contará com as participações da Mocidade Independente de Padre Miguel e do Cordão do Bola Preta. Os ingressos estão à venda através da plataforma Sympla, com o valor de R$ 25,00 com entrada e feijoada.
Foto: Leandro Andrade/Divulgação Império Serrano
Além das participações convidadas, o elenco show do Império Serrano também está confirmado na programação. Sob a liderança do intérprete Vitor Cunha, os grandes sambas da história do Reizinho de Madureira serão apresentados com os segmentos da escola. Componentes com carteirinha terão entrada gratuita até 15h.
A Feijoada Imperial será realizada na quadra do Império Serrano, localizada no bairro de Madureira, na Zona Norte do Rio de Janeiro. O endereço é Avenida Ministro Edgard Romero, 114. A venda de ingressos acontece na secretaria da quadra, por telefone e pela plataforma Sympla.
Serviço
Evento: Feijoada Imperial de Janeiro
Data: sábado, 10 de janeiro
Horário: 13h
Local: Quadra do Império Serrano
Endereço: Avenida Ministro Edgard Romero, 114, Madureira
Atrações: elenco show do Império Serrano, Mocidade Independente de Padre Miguel e Cordão do Bola Preta
Ingressos:
Componente com carteirinha: entrada gratuita até 15h
Ingresso + feijoada: R$ 25,00
Vendas no Sympla: https://www.sympla.com.br/evento/feijoada-imperial-pre-carnaval/3257660?
Mesas:
Mesa VIP com quatro feijoadas: R$ 200,00
Mesa comum com quatro lugares: R$ 120,00
Vendas: (21) 96460-6117, na secretaria da quadra, e pelo Sympla
O Salgueiro realizou, na noite do último domingo, seu primeiro ensaio de rua de 2026, na Conde de Bonfim, na Tijuca. Mesmo sob chuva e vento, o canto apaixonado da comunidade, a leveza da evolução e a força musical da bateria “Furiosa” sustentaram um ensaio em que cada gesto parecia apontar para a mesma direção: o Salgueiro inicia sua caminhada afirmando, ainda na rua, a celebração da obra e do legado de Rosa Magalhães. A escola será a responsável por encerrar o Carnaval 2026, posição inédita na era Sapucaí, com o enredo “A Delirante Jornada Carnavalesca da Professora Que Não Tinha Medo de Bruxa, de Bacalhau e nem do Pirata da Perna-de-Pau”, assinado pelo carnavalesco Jorge Silveira.
Para o diretor de carnaval, Wilsinho Alves, a escolha por manter o ensaio na Conde de Bonfim, mesmo com chuva, reforça o simbolismo do local para a escola. “A Conde de Bonfim é o coração do bairro, o coração da Tijuca. É uma rua que está sempre cheia e, mesmo com a chuva que caiu hoje, a gente viu a rua lotada, com a comunidade comparecendo em peso”, afirmou.
Segundo o diretor de carnaval, a decisão foi tomada a partir de planejamento e monitoramento das condições climáticas. “Esse era o ensaio que a gente precisava fazer. O desfile está se aproximando e sabíamos que a chuva seria fraca, como acabou sendo. Tudo foi muito bem planejado, com acompanhamento do Centro de Operações do Rio, e por isso mantivemos o ensaio”, explicou. Para Wilsinho, o resultado foi positivo: “O que a gente viu foi um ensaio muito cheio, com a escola presente e respondendo bem”.
COMISSÃO DE FRENTE
Coreografada por Paulo Pinna, a comissão de frente do Salgueiro apresentou uma proposta de execução clara e bem estruturada a partir do próprio desenho do samba. As imagens evocadas pela obra, que remetem aos enredos criados por Rosa Magalhães, são traduzidas corporalmente pela comissão, que assume a tarefa de ilustrar personagens, universos e narrativas presentes na letra.
Há uma preocupação evidente em dar corpo a essas figuras em cena. Nesse sentido, a coreografia dialoga diretamente com a proposta do carnavalesco Jorge Silveira, que define o enredo como uma visita à biblioteca da “Professora”, como Rosa Magalhães é carinhosamente conhecida. A comissão se insere nesse conceito, acionando referências múltiplas desse acervo carnavalesco da artista.
Formada por 20 integrantes, a comissão trabalha com uma grande variedade de formações ao longo da apresentação: desenhos em V, trios, filas indianas, agrupamentos e divisões que se reorganizam continuamente. Essas variações criam dinâmicas que dialogam com os diferentes momentos do samba e mantêm a cena em permanente movimento.
Algumas dessas soluções espaciais e formações remetem, de maneira evidente, a propostas desenvolvidas por Fábio de Melo, coreógrafo responsável por comissões de frente em desfiles assinados por Rosa Magalhães. Há, portanto, um jogo de citação e referência que parece consciente e coerente com a homenagem.
Um dos momentos mais fortes da coreografia acontece no trecho “Mestra, você me fez amar a festa”. Nesse instante, os componentes erguem as mãos para o alto em um gesto de grande potência simbólica. A imagem sugere, ao mesmo tempo, reverência à figura de Rosa Magalhães e entrega: como se a comissão oferecesse rosas ao público, enquanto direciona o olhar do Salgueiro para a décima estrela que a escola tanto almeja. É um momento-chave da apresentação, de forte impacto.
Considerando o contexto de ensaio de rua, ainda sem figurino, adereços ou possível elemento alegórico que dará suporte à narrativa, a proposta se sustenta com clareza. As referências aos diversos personagens dessa “biblioteca” aparecem bem executadas e reconhecíveis.
Entre os pontos de atenção, destaca-se o canto. O samba pode ser mais cantado pelos integrantes da comissão, reforçando a integração entre corpo, voz e musicalidade. Além disso, em alguns momentos, ainda são perceptíveis ajustes necessários na finalização dos movimentos.
No conjunto, trata-se de uma comissão com proposta clara, bem estruturada e bem executada, que articula referências, homenagens e imagens potentes, mas que ainda pode ganhar força ao aprofundar seu convite dramatúrgico e ajustar aspectos de execução para o desfile oficial.
MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA
Sidclei Santos e Marcella Alves reafirmaram, no ensaio da Conde de Bonfim, porque formam um casal de excelência e referência no carnaval. Com desempenho seguro e refinado, os dois apresentaram uma dança de nível máximo, digna de nota 40.
Com domínio absoluto da pista, Sidclei risca o chão e abre caminhos com o bastão que carrega nas mãos, cortejando o pavilhão com a elegância clássica de um mestre-sala que conhece profundamente o ritual que executa. Cada gesto é preciso, cada deslocamento tem intenção, e o espaço responde à sua condução.
Marcella, por sua vez, se destaca pelos giros precisos e rápidos, executados com leveza e controle. Vestidos de vermelho, os dois apresentaram o pavilhão de maneira imponente e, ao mesmo tempo, delicada, com finalizações muito bem resolvidas e absoluto respeito à dança tradicional do casal de mestre-sala e porta-bandeira. Há uma leitura clara do samba, e isso se traduz em escolhas coreográficas que dialogam diretamente com a letra.
Nos trechos em que o samba fala de “caso de amor”, o casal incorpora esse sentimento com sutileza: há um momento de carinho, materializado no gesto em que ambos tocam o rosto um do outro, reforçando o cortejo da dança tradicional do casal dentro do samba. Já no pré-refrão, no verso em que se canta “Mestra”, Marcella executa uma bandeirada em saudação a Rosa Magalhães, gesto carregado de simbolismo e respeito à homenageada.
Durante a simulação da cabine espelhada, o casal apresentou um dos momentos mais interessantes da coreografia. Em uma reverência cruzada, Marcella direciona sua saudação para um lado da cabine enquanto Sidclei faz o mesmo para o outro, os dois de mãos dadas. É um fechamento coreográfico de grande beleza e inteligência cênica, que merece atenção especial para observar sua manutenção ou ampliação no desfile oficial.
SAMBA E HARMONIA
O samba-enredo do Salgueiro para 2026 tem, em seu pré-refrão e refrão principal, o seu eixo de maior potência. Nos versos “Mestra, você me fez amar a festa / eu virei carnavalesco / sonhei ser rosa / te faço enredo”, a escola entrega uma declaração de amor direta, afetiva e profundamente identificada com a comunidade. Esse trecho é cantado com força, convicção e emoção pelo salgueirense, que demonstra estar apaixonado pela obra e plenamente conectado ao discurso do samba.
O canto nesse momento é alto, seguro e coletivo, criando um dos pontos de maior impacto sonoro do ensaio. Essa adesão se estende também ao início do samba, que entra bem cantado, com a escola acompanhando a melodia com boa intensidade e participação consistente dos componentes.
No entanto, ao avançar para o meio da obra, o canto perde força e regularidade. A queda de intensidade no meio do samba acende um sinal de atenção. A situação se agrava quando somada à presença de alas coreografadas, que, como é natural pela exigência física da execução, tendem a cantar menos ao longo do desfile.
Há, portanto, uma margem clara de crescimento para o Salgueiro neste quesito, especialmente no trabalho de canto do miolo do samba, buscando maior uniformidade e resistência vocal ao longo de toda a obra, e não apenas nos trechos mais explosivos.
No carro de som, Igor Sorriso mostrou estar extremamente à vontade no Salgueiro. O intérprete conduz o samba com segurança, chama o público para si, interage com a comunidade, com os moradores e com quem acompanha o ensaio, encarnando o espírito salgueirense de forma festiva e comunicativa. Sua presença cria conexão direta entre escola e público, elemento fundamental para sustentar o canto na rua.
“Sinto que estamos uma evolução. A gente vai entendendo mais como é a escola, e estou tendo um entrosamento muito bom com toda a ala musical, sobretudo, com a direção musical do Alemão. A gente está feliz e trabalhando muito para evoluir, e entregar um trabalho ainda melhor em 2026. Esse samba está em uma crescente. As pessoas vão se envolvendo… é um samba leve, fácil, muito popular. Eu acredito muito no potencial dela, vai dar conta do recado na Sapucaí”, afirmou o intéprete Igor Sorriso.
Mesmo diante da instabilidade técnica inicial com o trio elétrico, Igor Sorriso e a equipe do carro de som demonstraram profissionalismo e tranquilidade na condução do ensaio. O problema foi rapidamente resolvido, e o restante da apresentação transcorreu sem prejuízos, permitindo que o desempenho do intérprete se destacasse de forma positiva.
EVOLUÇÃO
A evolução do Salgueiro foi marcada, sobretudo, pela leveza. Os componentes desfilam à vontade, com naturalidade e prazer visível em estar na rua. Há um clima de brincadeira saudável, de troca constante entre os próprios desfilantes e com o público que acompanha o ensaio, o que se traduz em sorrisos, dança solta e uma ocupação fluida do espaço.
Essa sensação de conforto em pista é mérito direto do trabalho que a escola vem desenvolvendo ao longo da temporada. A evolução acontece sem rigidez, permitindo que o componente performe o samba com liberdade, incorporando a obra de maneira orgânica. O resultado é uma escola que flui, que avança com alegria e que estabelece uma relação viva com quem assiste.
OUTROS DESTAQUES
A bateria “Furiosa” do Salgueiro merece menção especial. Comandada pelos mestres Guilherme e Gustavo Oliveira, a bateria apresentou um som de altíssimo nível, com impacto, precisão e energia contagiante. A resposta do público foi imediata: a “Furiosa” animou quem acompanhava o ensaio e elevou o samba a um patamar de intensidade que marcou a noite.
A condução segura da dupla de mestres se reflete não apenas no rendimento musical, mas também no clima interno da bateria. O momento final do ensaio, em que os ritmistas confraternizam, revela um grupo visivelmente à vontade, coeso e satisfeito com o trabalho que vem sendo desenvolvido. Essa sensação de felicidade e pertencimento se traduz diretamente na qualidade do toque e na entrega coletiva.
Outro destaque importante é a presença do violino na obra. Em momentos pontuais, o instrumento surge acompanhando o canto da escola, justamente nos trechos em que a comunidade canta com mais força. O resultado é uma camada sonora delicada e, ao mesmo tempo, emocionante, que dialoga com a letra e amplia a expressividade do samba. Quando o violino aparece sustentando o canto, o efeito é belíssimo.
“O mau tempo não atrapalhou. Fiquei até surpreso. Graças a Deus deu tudo certo. Hoje tinha que acontecer (o ensaio), porque, com esse maratona de fim de ano a gente ficou muito tempo sem ensaio e isso afeta um pouco a precisão da galera. Estrear da forma como a bateria ensaiou hoje me deixou aliviado. Fiquei feliz em perceber que a galera tá bom com as bossas na mão, andamento perfeito, afinação… isso mostra que o material está bom. Porque não é fácil manter a afinação com essa chuva que deu. O meu balanço de hoje é super positivo. Deu pra ver que estamos no caminho certo”, comentou mestre Gustavo, que também falou sobre a entrada do violino no conjunto musical salgueirense.
“Essa ideia surgiu para trazer um pouco da criação da trilha sonora da Rosa (Magalhães). Ela foi uma carnavalesca que criou muitos personagens que estiveram presentes em vários desfiles. A gente tentou trazer um pouco disso. O violino é um instrumento que caminha muito por dentro dessas trilhas. Também tem a questão de ser um instrumento que tem um timbre que consegue soar bem no carro de som e complementar o violão, o cavaquinho… E a gente conseguiu juntar isso com algumas novidades que a bateria está fazendo esse ano. Acho que com isso a gente está conseguindo trazer um lado mais erudito da Rosa. Ela foi do teatro, foi cenógrafa… e a intenção é mostrar outros lados dela”.
“Casou perfeitamente com a Furiosa. E ainda não mostramos tudo. Podem ter certeza que vocês ainda vão ter novidades na avenida”, completou mestre Guilherme.