A Unidos de Bangu homenageou homenageou o contraventor Castor de Andrade no enredo “Deu Castor na cabeça”, assinado pelo carnavalesco Marcus Paulo, e foi a sexta escola a cruzar a passarela do samba na primeira noite de desfiles da Série Ouro. No geral, a apresentação foi bastante irregular, a escola desfilou já com o nascer do dia, o que prejudicou a harmonia, visto que muitos componentes apresentavam bastante cansaço. A vermelho e branco da Zona Oeste terminou sua apresentação com 58 minutos, o que fará com que a escola seja penalizada em três décimos no julgamento oficial. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

Apesar da justa homenagem ao contraventor Castor de Andrade emocionar em alguns momentos, principalmente, no primeiro mestre-sala, que através de uma maquiagem caprichada, estava representando o próprio bicheiro, a escola se apresentou com lentidão excessiva por quase a avenida, muito por conta da evolução arrastada da comissão de frente, no final, restou a escola correr, o que causou buracos em frente a última cabine de julgadores.
Comissão de Frente
A comissão de frente assinada pelo coreógrafo Vinicius Rodrigues tinha o nome “Botando a banca! Deu samba no jogo do bicho!”, os componentes representavam alguns animais do sorteio do jogo de bicho e com o uso da licença poética, o animal castor, que não faz parte do jogo do bicho, mas, que é o símbolo do homenageado, também foi representado.

A apresentação da comissão focou no início da história de vida de Castor de Andrade, tudo sob a ótica do mascote que o representava, o Castor. Eram 10 homens e cinco mulheres, todos vestidos de terno branco, com listras vermelhas, a roupa era de fácil leitura e a leveza da roupa contribuiu para o bailado, vale destacar o bonito trabalho de maquiagem nos componentes.. Muito divertida, a comissão arrancou aplausos do público, porém, a comissão se apresentou de forma muito lenta pela avenida, o que atrapalhou a evolução da escola.
Mestre-sala e Porta-bandeira
O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Anderson Abreu e Eliza Xavier, veio no setor de abertura da escola, logo atrás da comissão de frente, ela representou o jogo de bicho com numerações entre unidades e dezenas na indumentária. Já o mestre-sala era o próprio Castor de Andrade, com um trabalho de maquiagem incrível, Anderson emocionou o público. No primeiro módulo ele vinha à frente da comissão, apresentando a escola, até que em certo momento ele surgiu junto com a porta-bandeira.

A roupa, apesar de não ser luxuosa como se espera de um primeiro casal, era de fácil leitura e parecia ser leve, mesmo assim, foi notado um certo nervosismo de Eliza no primeiro módulo de julgamento, ela segurou a bandeira em alguns momentos para que ela não enrolasse, nos seguintes ela já estava mais solta e arriscou passos mais elaborados.
Harmonia
A harmonia da escola foi inconstante durante o desfile, as primeiras alas até cantavam com força e estavam animados, entretanto, o canto não era uniforme, com destaque apenas nos refrões. A agremiação ficou muito tempo parada nos primeiros minutos de desfile, o que visivelmente foi fundamental para o desempenho do canto dos componentes. A ala de baianas desfilou nos primeiros setores da escola, com uma roupa predominantemente rosa, a maioria das senhoras tentavam evoluir e cantavam o samba, porém, algumas apresentavam cansaço. Na última cabine de julgadores, o canto quase não conseguiu ser observado, a escola correu muito e os integrantes das alas estavam assustados com o que estava acontecendo.

Enredo
O carnavalesco Marcus Paulo optou por uma narrativa de fácil compreensão, o primeiro setor da escola mostrou o bairro de Bangu, representado no primeiro carro, passou pelas ações de Castor de Andrade e tudo que ele fez pela comunidade até se tornar lenda para os moradores, o segundo setor mostrou a paixão de Castor pelo Bangu Atlético Clube, o último setor foi uma homenagem a Mocidade Independente de Padre Miguel, grande paixão de Castor, o carro que fechou o desfile tinha as cores predominantes verdes, além do símbolo maior da escola, a estrela.

Evolução
Ponto fraco da escola, a evolução se mostrou inconstante durante toda a avenida, o andamento da Bangu foi completamente atrapalhado pelo início da escola, a comissão demorava muito no deslocamento entre os setores e tinha uma apresentação longa em frente aos jurados. A evolução começou de forma lenta, os componentes mal saíam do lugar, as alas também não evoluíram com entusiasmo, talvez pelo atraso no início do desfile, muitos pareciam estar cansados, como a ala de baianas. Por conta da lentidão, a bateria não entrou no recuo e o final da escola se mostrou completamente corrido, um buraco enorme se estendeu do setor oito até o 10, o último carro ficou e a escola seguiu rumo a Praça da Apoteose. O resultado foi o estouro de três minutos, o que fará com que a escola seja penalizada em três décimos no julgamento oficial.

Samba-Enredo
O carro de som conduziu com empolgação e segurança a obra ao longo do desfile, O intérprete Thiago Brito, juntamente com as vozes de apoio e os instrumentos de corda mostraram entrosamento na avenida. O refrão foi sem dúvida a parte do samba-enredo da Unidos de Bangu cantada com mais intensidade. “O meu palpite é forte. O mundo já sabe, respeite meu nome: Castor de Andrade!” ganhava força a cada passada. O trecho “Vai dar Bangu na cabeça” também foi gritado pela maioria das alas.

Alegorias e Adereços
O conjunto alegórico da escola se mostrou irregular ao longo do desfile e com alguns problemas de acabamento, pede passagem trouxe algumas paixões de Castor de Andrade, o jogo do bicho e a Mocidade, o led da estrela principal passou apagado e o gerador estava à mostra. A primeira alegoria, intitulada “Palpite certo! Do aspecto rural para o industrial”, apresentou problemas de acabamento em alguns dos animais, a segunda alegoria, “Bangu Atlético Clube, suas suas história , sua glória”, trouxe uma belíssima escultura do homenageado, bem fiel às suas características. Já a última representou a paixão de Castor pela Mocidade Independente de Padre Miguel, no geral, as alegorias foram de fácil leitura.

Fantasias
O conjunto de fantasias da escola se apresentou de forma uniforme durante o desfile, apesar de simples, não foi observado erros graves de acabamento, os destaques ficaram por conta da alas de passistas, representando líderes de torcida, a fantasia era em tons de vermelho e possibilitou uma boa evolução por parte dos componentes. Outro destaque foi a segunda ala, representando a indústria têxtil, a ala tinha uma leitura muito clara.

Outros destaques
A bateria do mestre Léo Capoeira representou o Clube do Bangu, vestidos nas cores do time, os 232 ritmistas realizam uma bossa ao ritmo de uma bandinha, encantando o público. A Wenny Isa, irmã de da cantora Lexa, fez sua estreia à frente da bateria.













O site CARNAVALESCO conversou com alguns foliões sobre esse retorno, a maioria se mostrou agradecida por poder pisar novamente na Sapucaí após todo o período complicado devido a pandemia de Covid-19.
Acompanhando os desfiles de uma frisa, Sônia Vicente, de 57 anos, contou que já esteve várias vezes no Sambódromo, tanto para assistir, quanto para desfilar. Dessa vez, o gostinho é especial, após dois anos sem poder pisar na avenida, ela se mostrou feliz com o momento atual da pandemia e destacou que os protocolos estavam sendo respeitados na entrada.
Milton Cunha, figura carimbada do carnaval carioca, também esteve acompanhando a primeira noite de desfiles da Série Ouro, demonstrando a animação de sempre, o carnavalesco pontuou que os dois anos longe das escolas serviu para ele valorizar ainda mais o espetáculo que elas realizam.
Acompanhada das amigas, a foliã Ana Cristina Aragão, de 53 anos, estava visivelmente emocionada, para ela, poder voltar para o Sambódromo é um sonho, ela que já desfilou por muitos anos, agora pretende só assistir o espetáculo. Ela conta que a pandemia tirou muitas pessoas importantes do convívio dela, então estar vivenciando esse momento é muito bom.
Para encerrar a primeira noite dos desfiles da Série Ouro, a Sossego, inspirou-se nos relatos de David Kopenawa (Xamã Yanomami) sobre a saga épica e imaginária entre o presente e o futuro. A fantasia do primeiro Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Fabrício Pires e Giovanna Justos, representa o espírito Xapiris, que são os espíritos ancestrais que auxiliam os Xamãs nas jornadas espirituais. Além de revelar aos sábios os segredos para salvar a população das armadilhas do mundo.
A bateria comandada pelo mestre Laion Rodrigues será a sétima ala a adentrar a Sapucaí pela Acadêmicos do Sossego. O grupo de ritmistas carrega o nome “Tambores ressoam pelo vento” no enredo que trouxe para a Marquês profecias indígenas que alertam sobre um possível colapso do planeta Terra.
Nesta quarta-feira, a última escola do dia, em uma fantasia simples mas que passava o recado que queria. A décima quarta ala que veio à Sapucaí pela escola foi a das baianas, com o título de “Jurema tem a Cura”. Maria Madalena, desfilante da Sossego há mais de 10 anos, relatou, em entrevista para o CARNAVALESCO, o que achou do resultado final da fantasia.
A ala da Escola niteroiense, conta hoje com Lúcia Maria Rêgo, a baiana mais antiga com seus 75 anos. Nos primeiros anos das escolas, só homens saíam neste setor da escola. Porém, hoje em dia, sua evolução e a riqueza de seus trajes sempre emocionam o público. A composição da fantasia conta com uma saia rodada, bata, torso e pano de costa. Ao longo desses anos foi cada vez mais se adaptando ao enredo, virando noivas, estátuas, animais e até mesmo seres espaciais. Lecy Vicente, que desfila na Sapucaí há 15 anos, discursou em entrevista para o site sobre como é desfilar em uma das alas de maior destaque da escola.
Mãe preta do Brasil, rogai por nós! Entre tantos milagres, Nossa Senhora Aparecida, a Mãe Negra do Brasil é o tema do enredo da União da Ilha do Governador. Em forma de oração e com fé na santa, a Ilha apresentou a celebração da vida e a união dos povos. A Festa no Santuário foi o tema do terceiro carro alegórico, que simboliza o templo que existe em cada pessoa, é uma manifestação de agradecimento e devoção aos milagres da padroeira do Brasil.
A uruguaiana Nuria Campos, 76, visitou o Santuário, e fez da experiência uma verdadeira história e fé. “Nossa Senhora Aparecida é mãe de todos nós. Quando chegamos em Aparecida do Norte, somos inundados por uma paz, alegria e harmonia interior. Quem já visitou sabe como é bom. É importante para o nosso interior. Só pisando no local para sentir verdadeira sensação. Fiz várias promessas, fui atendida em todas elas e a minha fé é inabalável”, finaliza a pedagoga Nuria.
Não há como falar de Castor de Andrade sem falar do jogo do bicho. Justamente pensando nessa relação do antigo patrono da Mocidade, Vinicius Rodrigues, coreógrafo da Unidos de Bangu, resolveu trazer os bichos do jogo para a Marquês de Sapucaí. Porém, havia um bicho que não pertencia a banca do jogo, o castor, símbolo da família Andrade e do famoso bicheiro.
Ao final do desfile da Unidos de Bangu, surgiu uma pergunta entre o público presente na Marquês de Sapucaí: Quem era o Castor na Comissão de Frente da escola? Trata-se de Phil Sam, dançarino há anos. Ao CARNAVALESCO, ele falou sobre a figura que representou na avenida.