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Unidos de Bangu tem evolução problemática, estoura o tempo e risco de rebaixamento preocupa

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A Unidos de Bangu homenageou homenageou o contraventor Castor de Andrade no enredo “Deu Castor na cabeça”, assinado pelo carnavalesco Marcus Paulo, e foi a sexta escola a cruzar a passarela do samba na primeira noite de desfiles da Série Ouro. No geral, a apresentação foi bastante irregular, a escola desfilou já com o nascer do dia, o que prejudicou a harmonia, visto que muitos componentes apresentavam bastante cansaço. A vermelho e branco da Zona Oeste terminou sua apresentação com 58 minutos, o que fará com que a escola seja penalizada em três décimos no julgamento oficial. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE

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Fotos de Allan Duffes e Nelson Malfacini/Site CARNVALESCO

Apesar da justa homenagem ao contraventor Castor de Andrade emocionar em alguns momentos, principalmente, no primeiro mestre-sala, que através de uma maquiagem caprichada, estava representando o próprio bicheiro, a escola se apresentou com lentidão excessiva por quase a avenida, muito por conta da evolução arrastada da comissão de frente, no final, restou a escola correr, o que causou buracos em frente a última cabine de julgadores.

Comissão de Frente

A comissão de frente assinada pelo coreógrafo Vinicius Rodrigues tinha o nome “Botando a banca! Deu samba no jogo do bicho!”, os componentes representavam alguns animais do sorteio do jogo de bicho e com o uso da licença poética, o animal castor, que não faz parte do jogo do bicho, mas, que é o símbolo do homenageado, também foi representado.

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A apresentação da comissão focou no início da história de vida de Castor de Andrade, tudo sob a ótica do mascote que o representava, o Castor. Eram 10 homens e cinco mulheres, todos vestidos de terno branco, com listras vermelhas, a roupa era de fácil leitura e a leveza da roupa contribuiu para o bailado, vale destacar o bonito trabalho de maquiagem nos componentes.. Muito divertida, a comissão arrancou aplausos do público, porém, a comissão se apresentou de forma muito lenta pela avenida, o que atrapalhou a evolução da escola.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Anderson Abreu e Eliza Xavier, veio no setor de abertura da escola, logo atrás da comissão de frente, ela representou o jogo de bicho com numerações entre unidades e dezenas na indumentária. Já o mestre-sala era o próprio Castor de Andrade, com um trabalho de maquiagem incrível, Anderson emocionou o público. No primeiro módulo ele vinha à frente da comissão, apresentando a escola, até que em certo momento ele surgiu junto com a porta-bandeira.

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A roupa, apesar de não ser luxuosa como se espera de um primeiro casal, era de fácil leitura e parecia ser leve, mesmo assim, foi notado um certo nervosismo de Eliza no primeiro módulo de julgamento, ela segurou a bandeira em alguns momentos para que ela não enrolasse, nos seguintes ela já estava mais solta e arriscou passos mais elaborados.

Harmonia

A harmonia da escola foi inconstante durante o desfile, as primeiras alas até cantavam com força e estavam animados, entretanto, o canto não era uniforme, com destaque apenas nos refrões. A agremiação ficou muito tempo parada nos primeiros minutos de desfile, o que visivelmente foi fundamental para o desempenho do canto dos componentes. A ala de baianas desfilou nos primeiros setores da escola, com uma roupa predominantemente rosa, a maioria das senhoras tentavam evoluir e cantavam o samba, porém, algumas apresentavam cansaço. Na última cabine de julgadores, o canto quase não conseguiu ser observado, a escola correu muito e os integrantes das alas estavam assustados com o que estava acontecendo.

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Enredo

O carnavalesco Marcus Paulo optou por uma narrativa de fácil compreensão, o primeiro setor da escola mostrou o bairro de Bangu, representado no primeiro carro, passou pelas ações de Castor de Andrade e tudo que ele fez pela comunidade até se tornar lenda para os moradores, o segundo setor mostrou a paixão de Castor pelo Bangu Atlético Clube, o último setor foi uma homenagem a Mocidade Independente de Padre Miguel, grande paixão de Castor, o carro que fechou o desfile tinha as cores predominantes verdes, além do símbolo maior da escola, a estrela.

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Evolução

Ponto fraco da escola, a evolução se mostrou inconstante durante toda a avenida, o andamento da Bangu foi completamente atrapalhado pelo início da escola, a comissão demorava muito no deslocamento entre os setores e tinha uma apresentação longa em frente aos jurados. A evolução começou de forma lenta, os componentes mal saíam do lugar, as alas também não evoluíram com entusiasmo, talvez pelo atraso no início do desfile, muitos pareciam estar cansados, como a ala de baianas. Por conta da lentidão, a bateria não entrou no recuo e o final da escola se mostrou completamente corrido, um buraco enorme se estendeu do setor oito até o 10, o último carro ficou e a escola seguiu rumo a Praça da Apoteose. O resultado foi o estouro de três minutos, o que fará com que a escola seja penalizada em três décimos no julgamento oficial.

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Samba-Enredo

O carro de som conduziu com empolgação e segurança a obra ao longo do desfile, O intérprete Thiago Brito, juntamente com as vozes de apoio e os instrumentos de corda mostraram entrosamento na avenida. O refrão foi sem dúvida a parte do samba-enredo da Unidos de Bangu cantada com mais intensidade. “O meu palpite é forte. O mundo já sabe, respeite meu nome: Castor de Andrade!” ganhava força a cada passada. O trecho “Vai dar Bangu na cabeça” também foi gritado pela maioria das alas.

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Alegorias e Adereços

O conjunto alegórico da escola se mostrou irregular ao longo do desfile e com alguns problemas de acabamento, pede passagem trouxe algumas paixões de Castor de Andrade, o jogo do bicho e a Mocidade, o led da estrela principal passou apagado e o gerador estava à mostra. A primeira alegoria, intitulada “Palpite certo! Do aspecto rural para o industrial”, apresentou problemas de acabamento em alguns dos animais, a segunda alegoria, “Bangu Atlético Clube, suas suas história , sua glória”, trouxe uma belíssima escultura do homenageado, bem fiel às suas características. Já a última representou a paixão de Castor pela Mocidade Independente de Padre Miguel, no geral, as alegorias foram de fácil leitura.

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Fantasias

O conjunto de fantasias da escola se apresentou de forma uniforme durante o desfile, apesar de simples, não foi observado erros graves de acabamento, os destaques ficaram por conta da alas de passistas, representando líderes de torcida, a fantasia era em tons de vermelho e possibilitou uma boa evolução por parte dos componentes. Outro destaque foi a segunda ala, representando a indústria têxtil, a ala tinha uma leitura muito clara.

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Outros destaques

A bateria do mestre Léo Capoeira representou o Clube do Bangu, vestidos nas cores do time, os 232 ritmistas realizam uma bossa ao ritmo de uma bandinha, encantando o público. A Wenny Isa, irmã de da cantora Lexa, fez sua estreia à frente da bateria.

Com plástica irretocável e grande exibição da Comissão de Frente, Ilha se candidata ao título da Série Ouro

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Rebaixada em 2020, a União da Ilha do Governador deixou claro a vontade de retornar ao Grupo Especial no ano que vem. Na madrugada desta quinta-feira, a escola impressionou com enormes e bem acabadas alegorias. Outro destaque positivo da apresentação da agremiação foi a Comissão de Frente, que se dividiu em várias partes e não cometeu erros. Ao fim do desfile, a Ilha pecou na evolução e teve que correr para fechar o desfile com 54 minutos. A bateria sequer fez toda apresentação no último módulo. * VEJA AQUI FOTOS

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Fotos Allan Duffes e Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

Comissão de Frente

Coreografada por Priscilla Mota e Rodrigo Neri, a Comissão de Frente a União da Ilha trouxe 15 componentes, sendo duas mulheres e 13 homens. Nomeado como o Altar de Orações, o segmento levou também para a Avenida um elemento cênico que representou uma capela. A apresentação representou uma grande oração, trazendo a importância da fé e os milagres da prece através da história de Nossa Senhora Aparecida, também sincretizada no Candomblé por Oxum, e o escravo Zacarias.

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A Comissão de frente trouxe a atriz Cacau Protásio como Nossa Senhora, que em determinado momento da apresentação, interagia com o homem que representava Zacarias. Ao se encontrarem, a Santa quebra as correntes do escravo. Na sequência, Nossa Senhora volta à capela e a imagem de Oxum aparece em cima do tripé. Um manto dourado então é jogado por cima do elemento cênico, causando grande impacto visual. Por fim, o escravo Zacarias retorna segurando a bandeira da União da Ilha, em total de pouco mais de dois minutos de apresentação.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Marlon Flores e Danielle Nascimento vestiam fantasia nas cores da escola, mas também com detalhes em dourado e várias imagens de Nossa Senhora Aparecida espalhadas pela roupa dos dois. Outros símbolos da fé na Santa também são presentes no figurino, como crucifixos, terços e fitas. A dupla representa a fé do escravo Zacarias, que propagou a palavra de Nossa Senhora Aparecida pelo país. Cinderela da Passarela, Wilma Nascimento, mãe de Danielle, apresentou o casal. Sem ventos, a apresentação do casal não teve erros nos módulos e os dois mostraram grande sincronia, leveza nos movimentos e elegância. A roupa de Danielle ainda tinha detalhes em cores azul neon, que funcionaram visualmente. Os dois também cantaram o samba durante todas as apresentações.

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Harmonia

A escola teve bom canto, mas não perfeito. Algumas alas passaram com canto mais fraco, principalmente na segunda estrofe da letra. O canto também foi um pouco atrapalhado no fim do desfile por conta de pequenos problemas de evolução. A partir do 4° setor, a escola diminuiu levemente o canto, nas alas Pescadores de Milagres e Milagre das Velas, mas sem interferir no desempenho do samba da escola. As primeiras alas, em compensação, cantavam o samba a plenos pulmões. Contudo, todas as alas passaram brincando, pulando e dançando.

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Enredo

A primeira parte do desfile apresenta o início da história de Nossa Senhora Aparecida e do milagre do escravo Zacarias. O mesmo havia fugido do patrão, foi capturado e acorrentado. Quando foi levado de volta à fazenda, parou diante da imagem de Nossa Senhora Aparecida, e as correntes se quebraram, tornando-se o primeiro milagre da Santa. Toda a parte inicial do desfile traz em destaque a cor vermelha, que representa o sangue dos escravos derramado no Brasil.

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Na sequência é trazido pelo carnavalesco, a propagação de fé em Nossa Senhora Aparecida, que foi promovida inicialmente por Zacarias e na sequência por Romeiros. O terceiro setor traz o sincretismo religioso da Santa no Candomblé, que é representada pela figura de Oxum e teve resistência inicial no país. No fechamento do desfile, a União da Ilha traz outros milagres associados à Nossa Senhora Aparecida, como o Cavaleiro Ateu e o Milagre das Velas. O enredo foi bem contado, sem problemas e com cronologia bem definida.

Evolução

A escola teve bom início de desfile, sem correria ou lentidão, com alas organizadas e coreografadas. Foi assim até o setor 8, quando a escola passou a acelerar o passo. No último módulo algumas alas e as duas últimas alegorias passaram muito rápido. A bateria dos mestres Keko e Marcelo, que tinha boas bossas com sino de igreja, passou rápido no último módulo e um dos jurados pareceu insatisfeito com a falta da apresentação completa no local.

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Samba

O ponto alto do samba foi o refrão, bastante cantado não só pela escola, mas como pelo público. Ito Melodia teve grande apresentação do início ao fim, sem perder fôlego e impulsionando componentes. Com teor mais melódico, a letra toda, com exceção do refrão, não causou grande impacto e empolgação.

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Fantasias

A fantasia das baianas, ‘Mãe Preta’, chamou atenção não só pela variedade de cores e beleza, mas também pela riqueza de detalhes ao misturar a imagem de Nossa Senhora com Oxum. A ala 6, ‘Propagadores da Fé’, também se destacou com um elemento de medalhas de Nossa Senhora Aparecida. A ala 13, ‘Encantadas’, trouxe representação de Oxum no tradicional amarelo e dourado, com cores vibrantes e o espelho do orixá na mão. Já no último setor, a ala 19, ‘Romaria Insulana’, faz alusão às procissões de grupos religiosos, mas nas cores da escola e exaltando a agremiação com um estandarte da Ilha. Todo conjunto de fantasias de Cahê Rodrigues esteve muito bonito e bem acabado.

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Alegorias

A primeira alegoria, ‘O Milagre de Zacarias’, como o nome diz, trouxe a história do escravo com a Nossa Senhora Aparecida. O carro abordou na parte da frente a pesca no Rio Paraíba do Sul, onde foi encontrada a imagem da Santa, moldada em terracota. O Abre-Alas tinha as cores vermelha e dourada como predominantes, que tem na parte traseira um imponente palácio, que representa a conquista da liberdade e dignidade. Os destaques vieram com fantasias da realeza e exuberância africana, guerreiros da liberdade e da fé, pescadores e negros livres.

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A segunda alegoria, ‘Sincretismo Religioso’, como o nome já diz, trouxe a representação de Nossa Senhora Aparecida nas religiões de matriz africana. O carro tinha uma grande escultura de Oxum, segurando seus tradicionais espelhos, com bastante dourado. No entanto, a parte dianteira da alegoria também exibiu um culto a Oxalá, Deus Supremo dos africanos. Os destaques principais estavam fantasiados como Oxalá, Oxum, Divindade da Mãe do Ouro, e movimentos de Oxum.

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O último carro representou uma grande manifestação de devoção do povo com Nossa Senhora Aparecida. Descrita como ‘Festa no Santuário’, a alegoria teve novamente Zacarias, agora rodeado de fiéis em oração à Santa. As fantasias representavam o Príncipe da Paz, Arcanjo e devotos de Conceição. Na lateral também foi apresentado escadas, que simbolizavam um caminho para o céu, onde estaria Aparecida. Todos os carros da União da Ilha passaram acesos, chamaram atenção pelo tamanho, impacto visual muito belo e com acabamentos impecáveis.

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Outros Destaques

Cacau Protásio como Nossa Senhora chamou atenção do público na Sapucaí. Os passistas mostraram samba no pé com fantasias leves representando Oxum. A rainha Juliana Souza interagiu com o público, sambou e mostrou o canto na ponta da língua. A ‘Baterilha’, que veio com roupas em bege representando o Candomblé, também deu show com coreografia ajoelhada e bossas com sino de igreja.

O Carnaval voltou! Primeira noite de desfiles na Sapucaí emociona sambistas

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O sambista não poderia estar mais feliz, após dois anos de silêncio, o templo sagrado do carnaval carioca voltou a receber os Desfiles das Escolas de Samba da Série Ouro. A cada vez que a sirene anunciava o início dos desfiles era possível ver inúmeros torcedores arrepiados, muitos choraram de emoção e alguns revelaram que sentiram o friozinho na barriga assim que ouviram o samba exaltação da sua escola do coração aportar no setor um.

Ana Cristina 1O site CARNAVALESCO conversou com alguns foliões sobre esse retorno, a maioria se mostrou agradecida por poder pisar novamente na Sapucaí após todo o período complicado devido a pandemia de Covid-19.

A mineira Flúvia Aguilar, de 43 anos, destacou o seu amor pelo carnaval e disse que apesar de não ser carioca, sua paixão começou desde pequena. Para ela, esse momento de retorno é muito importante para mostrar que o samba venceu e continua forte, ela ainda destacou as novas luzes do Sambódromo.

“Carnaval na minha começou quando eu tinha cinco anos de idade, lá em Belo Horizonte, vi pela televisão e me apaixonei, esse amor me fez morar no Rio de Janeiro, sou a mineira mais carioca desse lugar. Esses dois anos de pandemia foram muito difíceis para uma pessoa que ama o carnaval como eu, sou uma pessoa da Sapucaí, sou do samba, da escola de samba, estar aqui hoje é uma alegria muito grande, tô muito emocionada, já chorei, já gritei, já vibrei, eu me arrepio o tempo todo, a experiência nova com as luzes deu uma nova atmosfera para Sapucaí e tô muito feliz e agradecida. Passamos por tudo isso e o carnaval não perdeu sua força, o carnaval é forte”, disse Flúvia.

SoniaAcompanhando os desfiles de uma frisa, Sônia Vicente, de 57 anos, contou que já esteve várias vezes no Sambódromo, tanto para assistir, quanto para desfilar. Dessa vez, o gostinho é especial, após dois anos sem poder pisar na avenida, ela se mostrou feliz com o momento atual da pandemia e destacou que os protocolos estavam sendo respeitados na entrada.

“Pra gente que gosta, pra gente que é carnavalesco, foi sofrível, eu amo carnaval, então chegar na época do carnaval e não ter carnaval é horrível, ficou um buraco, graças a Deus eu acho que o pior já passou e se Deus quiser não vai voltar mais. Esse retorno tá sendo bom porque eu tô vendo que as normas estão sendo respeitadas, isso deixa a gente mais tranquilo. Está sendo incrível, eu cheguei cedo e tá sendo ótimo, a noite foi maravilhosa”, disse a sambista.

MiltonMilton Cunha, figura carimbada do carnaval carioca, também esteve acompanhando a primeira noite de desfiles da Série Ouro, demonstrando a animação de sempre, o carnavalesco pontuou que os dois anos longe das escolas serviu para ele valorizar ainda mais o espetáculo que elas realizam.

“Eu acho que a gente não valorizava esse momento especial, a gente vivia ele no automático, então, era uma coisa muito prazerosa, mas era comum, era normal, quando não teve a gente viu como era bom, como faz falta, então eu acho que hoje é a retomada e valorização de uma coisa muito importante pra gente, que é essa procissão negra, festiva, animada. Eu tô consciente do momento fabuloso, especialíssimo, então eu precisei não ter pra dizer meu amor, é o dobro do que eu achava, eu já amava mas é das galáxias o negócio!”, contou Milton Cunha.

FluviaAcompanhada das amigas, a foliã Ana Cristina Aragão, de 53 anos, estava visivelmente emocionada, para ela, poder voltar para o Sambódromo é um sonho, ela que já desfilou por muitos anos, agora pretende só assistir o espetáculo. Ela conta que a pandemia tirou muitas pessoas importantes do convívio dela, então estar vivenciando esse momento é muito bom.

“É uma emoção enorme, eu amo samba, amo Sapucaí, até vim conversando com uma amiga que carnaval pra mim é isso, é Sapucaí, é Sambódromo, é esse calor da avenida. Eu adoro, já desfilei durante 10 anos da minha vida e agora eu venho só pra assistir. Foi muito ruim ficar esses dois anos fora, a pandemia sugou e tirou muita coisa da gente, passamos por coisas muito ruins, por isso eu acho que esse retorno agora está sendo muito bacana, tá todo mundo com muito gás e muita emoção”, destacou Ana.

Fotos: desfile da Unidos de Bangu no Carnaval 2022

Fotos: desfile da União da Ilha no Carnaval 2022

Primeiro casal da Sossego desfila de Xapiris

Sossego05Para encerrar a primeira noite dos desfiles da Série Ouro, a Sossego, inspirou-se nos relatos de David Kopenawa (Xamã Yanomami) sobre a saga épica e imaginária entre o presente e o futuro. A fantasia do primeiro Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Fabrício Pires e Giovanna Justos, representa o espírito Xapiris, que são os espíritos ancestrais que auxiliam os Xamãs nas jornadas espirituais. Além de revelar aos sábios os segredos para salvar a população das armadilhas do mundo.

O Mestre-Sala Fabrício Pires, explicou que o espírito Xapiris tem o poder de salvar a terra e evitar o caos. Sobre o desenvolvimento da escola ao longo dos anos e as perspectivas para o futuro, o membro da comunidade não esconde a positividade.” Imagino que seja o melhor desfile da Sossego na Sapucaí, embora ainda seja muito nova. Acredito que nesse desfile a escola poderá ser vista com maior potencial. E nos outros anos, seja encarada de maneira mais e com possibilidades”, afirma Fabrício Pires.

Quem também concorda com essa opinião é a Porta-Bandeira Giovanna Justos. “A cada ano a experiência é diferente. Já desfilei em outras escolas, mas viver com a Sossego é completamente diferente. O Largo da Batalha é uma escola que está chegando agora, que abraça as pessoas de forma que as pessoas se sentem em casa, me sinto muito aplaudida e feliz. Desejo que seja um belo carnaval para todos na Marquês de Sapucaí.”

Ambos desfilaram na Sossego pela primeira vez em 2022 e revelaram o carinho pela azul e branco de Niterói. “Tenho muitas experiências, mas em cada escola é diferente. Sinto uma nova emoção e paixão”, ressalta Giovanna. “Tenho ótimas visões sobre a Sossego e acredito no potencial da escola para emocionar o público”, finaliza Fabrício.

“A fantasia veio para representar a realeza da África”, destaca ritmista da Sossego

Sossego04A bateria comandada pelo mestre Laion Rodrigues será a sétima ala a adentrar a Sapucaí pela Acadêmicos do Sossego. O grupo de ritmistas carrega o nome “Tambores ressoam pelo vento” no enredo que trouxe para a Marquês profecias indígenas que alertam sobre um possível colapso do planeta Terra.

A fantasia veio à Sapucaí apostando em cores que lembram a riqueza, principalmente, o dourado, com adereços brilhosos. Com uma fantasia pensada na praticidade dos ritmistas, contou com os braços totalmente livres de qualquer impeditivo que pudesse interferir no rufar dos tambores da Sossego.

A ala sete da azul e branca de Niterói, Região Metropolitana do Rio de Janeiro, levou para os espectadores do Sambódromo a África sendo o berço da humanidade, como o ponto de partida da experiência humana. Em todos os pontos do continente, os Xamãs tocam os seus tambores para evocar os deuses para o ritual do grande encontro. A importância de trazer essa fantasia para o enredo é que veio representando a realeza e a riqueza da África, comentou Rosane Blanco, ritmista da escola niteroiense.

A escola que foi oitava colocada no carnaval de 2020, com 268.1 pontos, buscou inovar em todos os aspectos da escola. Contando com um Rei na bateria, além da já tradicional rainha, Juarez Soares trouxe a Conexão Indígena em sua fantasia. Um importante ponto a se destacar na ala dos ritmistas é sempre o quão prática e funcional ela é para a evolução e desenvoltura da bateria da Azul e Branca de Niterói.

Jurema tem a cura! Acadêmicos do Sossego trouxe à Sapucaí as baianas sendo a cura do mundo

Sossego02Nesta quarta-feira, a última escola do dia, em uma fantasia simples mas que passava o recado que queria. A décima quarta ala que veio à Sapucaí pela escola foi a das baianas, com o título de “Jurema tem a Cura”. Maria Madalena, desfilante da Sossego há mais de 10 anos, relatou, em entrevista para o CARNAVALESCO, o que achou do resultado final da fantasia.

“A fantasia veio leve, e ótima para um desfile perfeito. Com cores vibrantes e dando destaque ao verde que é para os espectadores poderem remeter à Jurema. O figurinista pensou bastante no lado de quem desfila e pôde planejar uma fantasia em que fosse rica mas que não nos impediria de fazer a merecida festa no desfile. Concluindo, no quesito fantasia, as baianas estão nota 10”, cravou.

O figurino assinado por André Rodrigues, trouxe para o desfile a árvore sagrada, Jurema. A planta da família das leguminosas é comum no Nordeste brasileiro e têm princípios psicoativos. Esta planta tem muita importância no culto espiritual dos caboclos e, também é usada na Região Norte do Brasil, tanto que dá nome a um culto chamado de “Culto à Jurema”. No desfile da azul e branco, as baianas representaram a cura do mundo, em que Jurema tem a cura e o axé. É importante trazer a representação desta árvore para nosso desfile, pois em suas folhas estão os segredos para a cura das doenças que tanto nos deixam aflitos e depois dos últimos anos que enfrentamos, é importante trazer o assunto cura para a Sapucaí, mostrar que sempre existe uma luz no fim do túnel, comentou Rosângela Salvador baiana da Sossego.

Sossego01A ala da Escola niteroiense, conta hoje com Lúcia Maria Rêgo, a baiana mais antiga com seus 75 anos. Nos primeiros anos das escolas, só homens saíam neste setor da escola. Porém, hoje em dia, sua evolução e a riqueza de seus trajes sempre emocionam o público. A composição da fantasia conta com uma saia rodada, bata, torso e pano de costa. Ao longo desses anos foi cada vez mais se adaptando ao enredo, virando noivas, estátuas, animais e até mesmo seres espaciais. Lecy Vicente, que desfila na Sapucaí há 15 anos, discursou em entrevista para o site sobre como é desfilar em uma das alas de maior destaque da escola.

“A sensação é diferente de qualquer outra. Parece que nós tiramos força de nem onde sabíamos que tínhamos para dar nosso melhor no desfile. Nós desfilamos nessa ala para sempre deixar a memória latente das tias que lutaram e ajudaram o samba a ser o que é hoje. A ala das baianas, é a única ala que é atemporal, podem falar o que quiser mas sempre lembrarão de como as baianas vem, em qualquer desfile”, disse.

União da Ilha apresenta a Festa no Santuário de Aparecida

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Ilha Aleg02Mãe preta do Brasil, rogai por nós! Entre tantos milagres, Nossa Senhora Aparecida, a Mãe Negra do Brasil é o tema do enredo da União da Ilha do Governador. Em forma de oração e com fé na santa, a Ilha apresentou a celebração da vida e a união dos povos. A Festa no Santuário foi o tema do terceiro carro alegórico, que simboliza o templo que existe em cada pessoa, é uma manifestação de agradecimento e devoção aos milagres da padroeira do Brasil.

Ao longo dos anos, muitos fiéis frequentam o Santuário de Aparecida para pedir, agradecer, colocar uma intenção ou até mesmo rezar. A devoção que é nacional e internacional é comprovada por visitantes. “Fui duas vezes em uma excursão com os meus vizinhos. Gostei muito. A cidade é impressionante. Nossa Senhora Aparecida é do Brasil. E outra afinidade que eu tenho também é do espiritismo, porque eu sou filha de Oxum. Sou devota da Mãe Aparecida”, declara a artesã Maria Helena Fortes, 72 anos.

O ator Flávio Bauraqui, 56, também participou do desfile da União da Ilha. O apresentador ressaltou a importância de falar sobre a cultura e a representatividade negra. “Uma semana antes do convite para desfilar comprei uma imagem de Nossa Senhora Aparecida e dei de presente pra minha mãe. Ela é apaixonada por Aparecida e se tornou atriz aos 63 anos de idade. Nada que acontece é por acaso. O Zacarias é parecido com a figura negra que temos hoje de vencedor, príncipes. Isso que queremos mostrar. Somos todos Zacarias”, finaliza Flávio.

IlhaAleg 03A uruguaiana Nuria Campos, 76, visitou o Santuário, e fez da experiência uma verdadeira história e fé. “Nossa Senhora Aparecida é mãe de todos nós. Quando chegamos em Aparecida do Norte, somos inundados por uma paz, alegria e harmonia interior. Quem já visitou sabe como é bom. É importante para o nosso interior. Só pisando no local para sentir verdadeira sensação. Fiz várias promessas, fui atendida em todas elas e a minha fé é inabalável”, finaliza a pedagoga Nuria.

Coreógrafo da Unidos de Bangu, Vinicius Rodrigues ressalta “malandragem carioca” de Castor de Andrade na comissão de frente

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Bangu 10Não há como falar de Castor de Andrade sem falar do jogo do bicho. Justamente pensando nessa relação do antigo patrono da Mocidade, Vinicius Rodrigues, coreógrafo da Unidos de Bangu, resolveu trazer os bichos do jogo para a Marquês de Sapucaí. Porém, havia um bicho que não pertencia a banca do jogo, o castor, símbolo da família Andrade e do famoso bicheiro.

Em entrevista ao CARNAVALESCO, Vinicius falou sobre a criação do projeto da Comissão de Frente da Vermelha e Branca da Zona Oeste, que arrancou aplausos do público. Além do jogo do bicho, o coreógrafo queria ressaltar o lado malandro e carioca do famoso bicheiro.

“A gente juntou dois pontos do nosso enredo: o jogo do bicho, que é a cara do Castor de Andrade, um dos pontos mais importantes da vida dele e a gente trouxe o lado boêmio, o carisma, a alegria do malandro carioca. A gente trouxe a malandragem junto ao jogo do bicho. É uma coreografia muito raiz, muito samba no pé, tanto que a gente não traz nem o tripé da Comissão de Frente, justamente para destacar isso.”, contou.

Ao falar sobre a figura homenageada do enredo, Vinícius ressalta a importância da figura de Castor de Andrade, até hoje adorado, para o bairro de Bangu e comenta o desafio de retratá-lo na comissão.

“O Castor de Andrade é uma lenda do carnaval e do samba, em si. Estou muito feliz de estar participando da Unidos de Bangu, neste ano, que é muito marcante para escolar falar do Castor, da Zona Oeste. É Bangu falando de Bangu. Estou muito honrado de estar fazendo parte disso”, afirmou.

Bangu 09Ao final do desfile da Unidos de Bangu, surgiu uma pergunta entre o público presente na Marquês de Sapucaí: Quem era o Castor na Comissão de Frente da escola? Trata-se de Phil Sam, dançarino há anos. Ao CARNAVALESCO, ele falou sobre a figura que representou na avenida.

“Estou muito feliz de estar representando essa figura tão importante para o Rio de Janeiro. Estou representando, na verdade, um pouco da personalidade dele, a irreverência, essa malandragem. Eu não tenho nenhuma ligação direta com o Castor, só tenho admiração pela pessoa que ele foi, ajudou muito o bairro e a zona Oeste e as pessoas tem muito carinho por ele”, disse.