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Com samba assimilado e evolução solta, União de Maricá dá ótimos sinais em ensaio de rua para o Carnaval 2026

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A União de Maricá retomou seus ensaios de rua na noite da última sexta-feira, no Centro da cidade. Mesmo sem a apresentação da comissão de frente, a escola mostrou pontos que chamaram atenção positivamente logo neste primeiro encontro rumo ao Carnaval 2026. Com o enredo “Berenguendéns e Balangandãs”, criação do carnavalesco Leandro Vieira, a agremiação será a sexta a desfilar no sábado de carnaval, dia 14 de fevereiro, e volta a ensaiar no mesmo local, sempre às sextas-feiras.

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Fotos: Rhyan de Meira/Divulgação

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal, Fabrício Pires e Giovanna Justo, foi um dos destaques da noite. Mesmo em ensaio, os dois apresentaram um bailado marcado por sintonia e leitura clara do samba. Ele conduziu a dança com atenção constante à porta-bandeira, mantendo o diálogo corporal durante toda a apresentação, enquanto ela girou com leveza e controle da bandeira, sem registros de enrolamento ou perda de eixo. O casal explorou bem os movimentos em relação à melodia, reforçando momentos do samba com giros e deslocamentos precisos, o que contribuiu para o impacto visual do ensaio.

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HARMONIA

O canto foi um dos pontos que mais chamaram atenção ao longo do percurso. Por se tratar de um samba de fácil assimilação, diversas alas apresentaram rendimento consistente, com destaque para setores posicionados no meio da escola, onde o volume de canto se manteve firme.

O intérprete Zé Paulo Sierra, junto ao carro de som, teve papel fundamental na condução do canto, mantendo a escola ligada ao andamento do samba e estimulando a resposta dos componentes. Não houve registro de irregularidade acentuada entre setores, e o canto se manteve relativamente homogêneo durante o ensaio.

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Zé Paulo comentou ao CARNAVALESCO sobre o rendimento da escola nos ensaios, destacando a evolução percebida ao longo das apresentações e o planejamento adotado pela direção para a reta final da preparação. Ele também ressaltou a importância dos ensaios de rua como ferramenta para simular o ambiente real do desfile.

“A gente está indo para o nosso ensaio de rua e acho que a evolução é muito nítida. O que a gente mostrou no minidesfile já é um fruto que a gente está colhendo do que foi feito aqui na nossa avenida. O balanço é muito positivo”.

EVOLUÇÃO

A evolução apareceu como o ponto mais alto da noite. A escola desfilou de forma organizada, com alas caminhando soltas e demonstrando conforto no samba. Não foram observados buracos relevantes ao longo do percurso, e a fluidez entre as alas chamou atenção.

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Houve destaque para alas que sambaram com alegria, mantendo o ritmo sem recorrer excessivamente à formação em fileiras, o que valorizou o conjunto. A movimentação da escola reforçou a sensação de um ensaio bem controlado e com leitura clara de espaço.

SAMBA

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O samba apresentou rendimento crescente ao longo do ensaio. A obra mostrou boa resposta tanto no canto quanto na evolução, favorecida por uma melodia acessível e refrões que rapidamente foram assimilados pelos componentes. O carro de som sustentou bem o andamento, permitindo que a escola mantivesse o canto sem quedas perceptíveis. O conjunto entre bateria, intérprete e alas contribuiu para que o samba se desenvolvesse de forma constante durante todo o percurso.

OUTROS DESTAQUES

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A bateria “Maricadência”, sob o comando do mestre Paulinho Steves, apresentou bossas bem executadas, mostrando que o dever de casa foi feito. As convenções surgiram com clareza e diálogo com o samba, sem comprometer o andamento do desfile. A rainha de bateria, Rayane Dumont, marcou presença interagindo com o público e acompanhando o ritmo da bateria durante o ensaio. A condução geral do trabalho, liderada pelo diretor de carnaval Wilsinho Alves e pelo diretor de harmonia Mauro Amorim, refletiu uma escola organizada neste primeiro ensaio de rua.

Em entrevista ao CARNAVALESCO, o mestre de bateria, Paulinho Steves, responsável por conduzir a Maricadência, avaliou o momento vivido pela escola após a retomada dos ensaios de rua. Segundo ele, o trabalho desenvolvido desde a virada de temporada tem sido marcado por crescimento gradual, com foco na construção coletiva e na preparação técnica para o dia do desfile oficial.

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“O balanço até agora é o melhor possível. Nós viramos aí de 2025 para 2026 com ótimos ensaios de rua. Fizemos um minidesfile muito bom. Eu costumo conversar com a minha rapaziada que é um degrau de cada vez, e esse degrau está chegando ao fim, graças a Deus, para patrilhar e tirar aquela batucada linda no dia do desfile”.

Comunidade canta junto e faz do samba para o Carnaval 2026 o protagonista no ensaio da Unidos de Padre Miguel

Por Ana Júlia Agra e Maria Estela Costa

Em preparação para o Carnaval 2026, a agremiação Unidos de Padre Miguel realizou seu segundo ensaio de rua na última sexta-feira. Entre tantos aspectos que chamaram atenção, a troca do local dos ensaios de rua foi um dos principais. Antes, os ensaios eram realizados na Rua Barão do Triunfo, na Vila Vintém, mas agora passam a acontecer na Praça Guilherme da Silveira, em frente à estação de trem de Guilherme da Silveira. O enredo “Kunhã-Eté – O sopro sagrado da Jurema”, criado pelo carnavalesco Lucas Milato, falará sobre Clara Camarão, símbolo da força da mulher indígena potiguara. O ensaio foi marcado pela harmonia entre o público e o samba-enredo.

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“É um samba guerreiro. Acho que deu para perceber. É um samba que fala de uma guerreira e que já está na boca da comunidade. O diferencial da Unidos é isso aí, a comunidade cantante. Até o dia do desfile ainda temos algumas coisas para acertar, acho que ainda temos uns quatro ensaios aqui na rua até o carnaval. Com certeza agora durante a semana vamos conversar bastante, pontuar o que houve de erros e acertar até o dia do desfile. Que o mundo do samba espere uma Unidos valente, uma Unidos feliz e querendo buscar o seu retorno ao Especial”, disse Cícero Costa, diretor de carnaval.

COMISSÃO DE FRENTE

Abrindo o ensaio, a comissão de frente, comandada por Paulo Pinna, chegou demonstrando uma coreografia bem estruturada e conectada ao enredo, com diversas referências às danças típicas de tribos indígenas. Enquanto o grupo seguia em direção à simulação da primeira cabine, havia muitos movimentos em círculos, momentos em que levantavam as mãos como forma de resistência e até a simulação de flechas com os braços, como se estivessem unidos em defesa de algo.

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Na cabine, os passos mantiveram essa mesma proposta, sempre em sincronia com o samba-enredo. Além das referências já citadas, os dançarinos cantavam e gritavam para incentivar o público e, principalmente, os próprios colegas. O maior diferencial da coreografia foi o momento em que o grupo se organiza em círculo e uma das integrantes surge sendo erguida, em clara referência à homenageada.

Não houve utilização de tripé, o que não fez muita falta no ensaio, apenas aumentou a curiosidade para o dia do desfile. Também não havia fantasia, mas os integrantes vestiam a mesma camisa que os identificava como comissão de frente, além de short branco.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Marcinho Siqueira e Cris Caldas, demonstrou grande respeito pelo pavilhão. Os passos estavam bem sincronizados e valorizavam a bandeira da escola. O mestre-sala, mesmo girando ao redor da porta-bandeira, manteve o foco nela e no pavilhão, reflexo de uma comunicação clara e objetiva entre o casal.

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Eles se apresentaram com figurino funcional para o ensaio: Marcinho usava calça amarelo-manteiga e camisa de botão com as cores da agremiação, enquanto Cris vestia um traje com decote discreto na altura do peito, fenda na perna e o destaque para as duas cores da escola, uma de cada lado.

“O balanço é super positivo. A gente está numa pegada de ensaio bem legal, intensa. Estamos trabalhando junto com o Bruno Germano, que é o nosso preparador físico, e a Ana Formighieri, que é a nossa coreógrafa. Ensaiando praticamente todos os dias. A expectativa é melhor, tenho certeza que a gente vai fazer um desfile lindo”, disse a porta-bandeira.

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“Estamos já nos pequenos detalhes. Já fechamos a coreografia, na verdade, desde antes de virar o ano. E aí agora é só massacrar. Assim, fazer entrar no corpo e a gente poder mostrar para o público com toda a graça, o que a galera gosta de ver”, completou o mestre-sala.

HARMONIA E SAMBA

O samba-enredo foi a grande estrela da noite, com todas as alas, componentes e o público cantando a letra na ponta da língua. Não é novidade que a Unidos de Padre Miguel mantém uma relação forte com sua comunidade, e o ensaio reforçou ainda mais essa conexão.

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Em diversos momentos, o intérprete Bruno Ribas e a equipe da ala musical, junto à bateria, realizaram as tradicionais paradinhas, e a rua vibrava com a potência do canto popular. A junção da bateria com o carro de som e o público fez com que o samba se expandisse com muita energia. Além disso, não houve problemas de equilíbrio entre bateria e carro de som, que estavam no mesmo nível, facilitando a escuta e o acompanhamento do samba.

O único problema de canto ocorreu já no final, na ala 18, quando o samba atrasou e os responsáveis pela harmonia precisaram interromper o andamento para retomar todos do mesmo ponto.

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O refrão é de fácil assimilação, e as demais partes da canção se tornam mais simples de aprender acompanhando as batidas e paradinhas da bateria. A comunidade cantou o samba do início ao fim e, ao término do ensaio, público e componentes se reuniram para aproveitar mais um pouco da obra, evidenciando a sintonia, a conexão e o respeito pela agremiação e pelo enredo apresentado.

EVOLUÇÃO

As alas vieram animadas e, com o auxílio dos diretores, seguiram de forma organizada. Havia preocupação com as filas, mas sem excesso de rigidez, permitindo que os desfilantes ficassem mais à vontade para viver o momento. Algumas alas apresentaram adereços: a primeira ala desfilou com cocares, fazendo referência à cultura indígena. As alas 3 e 4 se apresentaram segurando duas bolas com as cores da agremiação.

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A ala 12, além de adereços como cabos de vassoura, lanças feitas de EVA emborrachado e arminhas de brinquedo, trouxe coreografia mais elaborada. Os adereços faziam parte da dança, que exigia esforço e atenção dos desfilantes, o que acabou reduzindo um pouco a potência do canto. Em contrapartida, a ala 17 também apresentou coreografia, porém com passos mais leves e em sincronia com a batida da bateria, sem prejudicar o canto.

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OUTROS DESTAQUES

O ensaio contou com a presença da rainha de bateria, Andressa Marinho, e das musas Mari Mola, Jaquelline e Lorena Maria, que mostraram muito samba no pé e deixaram claro o carinho e o respeito pela agremiação e sua comunidade.

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‘Cada mulher tem sua Carolina’: ala cênica da Tijuca faz sucesso com emoção e protesto

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Com emoção à flor da pele e discursos que atravessam gerações, a ala cênica que fechou o minidesfile da Unidos da Tijuca transformou “Quarto de Despejo” em gesto coletivo. Em entrevista ao CARNAVALESCO, a diretora artística da escola do Borel e três componentes que fizeram parte da ala “Canindé” falaram de Carolina Maria de Jesus, homenageada no enredo assinado pelo carnavalesco Edson Pereira, como espelho e reafirmação. Para elas, há algo em comum: “cada uma tem uma Carolina dentro de si”.

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Fotos: Marcos Marinho/CARNAVALESCO

Emoção e protesto no centro da encenação

Responsável pelo grupo cênico, a diretora artística Flávia Leal resumiu a noite como uma experiência difícil de colocar em palavras. “Eu não consigo nem falar de tão emocionada que estou. Acho que a Carolina é um pouquinho de todas as mulheres. A gente está trazendo muita verdade, muita emoção”, afirmou. Para ela, a homenagem é também um grito político: “A gente vem em forma de um protesto também. Aguardem o desfile que está chegando. É sobre isso”.

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Fechando o cortejo, a ala é apresentada como uma síntese do enredo e uma forma de colocar Carolina “lá em cima”, como disse Flávia, com entrega e intensidade.

Vânia Pinheiro: reviver no desfile a Carolina que estudou no teatro

A fisioterapeuta, professora de dança e atriz Vânia Pinheiro, de 60 anos, vive uma relação direta com a autora homenageada pela escola do Borel. Em outubro, ela interpretou Carolina Maria de Jesus no espetáculo “A Invasão”, apresentado na Expo Favela 2025. No mini-desfile, reencontra essa preparação de forma ampliada.

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“Ela me representa. Representa a mãe solo, a mulher que corre atrás e não tem medo de barreiras. É uma mulher atual, mesmo tendo nascido lá em 1914”, afirmou. Para Vânia, desfilar homenageando Carolina Maria de Jesus é também devolver à avenida o estudo que fez da autora: “É reviver tudo isso. Estou muito feliz por estar aqui”.

A expectativa, segundo ela, é mostrar a dignidade das mulheres brasileiras e a dor coletiva que atravessa mães e cuidadoras. “Mostrar ao povo a súplica das mães que perderam seus filhos, das mães solo que lutam pelo pão de cada dia. Cada dia nós, mulheres, matamos um leão”.

Maria Leotério: ‘cada uma de nós carrega uma Carolina’

Produtora de eventos, Maria Leotério de Souza, 61 anos, reforça que a homenagem nasce de um reconhecimento profundo. “A Carolina passou o que nós, mulheres pretas, também passamos. A arte que estamos fazendo é dedicada a isso”, contou.

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Para ela, a força da ala está no encontro entre mulheres que reconhecem sua própria história na da escritora. “Cada uma tem uma Carolina na vida, trazemos no coração. É importante mostrar quantas Carolinas deveriam estar na avenida também”.

A intérprete destaca que a escolha da direção por três mulheres pretas na linha de frente dialoga diretamente com o sentido do enredo. “Cada Carolina está dentro de nós, cada uma do seu jeitinho, com o seu pensamento”.

Camila Moreira: da Baixada ao Teatro Municipal, uma Carolina de 20 anos

A bailarina Camila Moreira, 20 anos, do corpo técnico do Teatro Municipal, chegou à ala “de paraquedas”, após convite de Flávia Leal. Não pretendia desfilar em 2026 por conta dos compromissos com o balé clássico, mas não conseguiu recusar o chamado.

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“Eu sempre me senti representada pela Carolina. Estar aqui descreve a minha história, da minha mãe, da minha avó e de tantas mulheres da comunidade”, disse. Camila vê sua presença como um gesto de representatividade para meninas da Baixada Fluminense. “Eu vim da Baixada. estou mostrando para as meninas mais novas que todo mundo tem uma Carolina dentro de si”.

Sobre a encenação preparada para o mini-desfile, a bailarina adianta que o grupo retrata a favela do Canindé. “É tudo muito sofrido, mas vocês vão se surpreender. A mensagem é que cada um descubra a Carolina que existe dentro de si”.

Força final do cortejo

Ao encerrar o minidesfile, a ala cênica da Tijuca transformou a dor e a potência de Carolina Maria de Jesus em presença coletiva. Gerações e trajetórias distintas representaram a escritora que denunciou a fome e registrou a vida na favela do Canindé, em São Paulo, com precisão e coragem.

Como resumiu Maria Leotério, “Carolina está dentro de nós”. No minidesfile do “Pavão”, cada uma delas decidiu trazê-la de um modo específico para a avenida.

Carnaval do Samuka chega à 3ª edição com Beija-Flor e Os Puxadores do Samba no Casarão do Firmino

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Nesta sexta-feira, vai rolar a 3ª edição do Carnaval do Samuka no Casarão do Firmino, com show do Grupo Os Puxadores do Samba e da bateria da Beija-Flor de Nilópolis. A abertura fica por conta da Banda do Casarão, com DJ Nicolle Neumann nos intervalos.

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Foto: Divulgação

O Carnaval está se aproximando, e o Casarão do Firmino começa a esquentar os tamborins com aquele clima de folia. Nesta sexta-feira, dia 9 de janeiro, a partir das 18h, o ator Samuel de Assis, que interpreta João Rubens na novela das nove “Três Graças”, realiza a terceira edição do Carnaval do Samuka. A previsão de público é de aproximadamente 3 mil pessoas no Casarão do Firmino. A dica é chegar cedo para não ficar do lado de fora.

Nesta edição, o ator vai receber o Grupo Os Puxadores do Samba e a bateria da atual campeã do Carnaval carioca, a Beija-Flor de Nilópolis, para uma noite inesquecível, com muito pagode e sambas que marcaram época, além dos sucessos atuais que estarão na Sapucaí.

A abertura fica por conta da Banda do Casarão, com DJ Nicolle Neumann nos intervalos. A festa terá chopp 0800, liberado das 18h às 19h30. Os ingressos já estão à venda por R$ 20,00:
https://www.sympla.com.br/evento/carnaval-do-samuka-puxadores-do-samba-banda-do-casarao/3264375

Mais informações e dúvidas pelo WhatsApp: (21) 99826-2068.
Classificação: 18 anos.

Ney Matogrosso e Imperatriz Leopoldinense apresentam ‘Bloco Na Rua — Em Noite Camaleônica’

Enredo da Imperatriz Leopoldinense para o Carnaval 2026, o cantor Ney Matogrosso realiza no próximo dia 04 de fevereiro, a partir das 20h, no Vivo Rio, uma edição especial do show da Turnê “Bloco na Rua”, desta vez com participação da Rainha de Ramos e seus segmentos. Batizado de “Em Noite Camaleônica”, o show do artista será embalado pela Bateria Swing da Leopoldina, de Mestre Lolo, pelo intérprete Pitty de Menezes, e pelo primeiro casal de Mestre-Sala e Porta-Bandeira, Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro, além de outras apresentações.

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No repertório do cantor, que celebrou 50 anos de carreira em 2025 e terá sua obra e virtuosidade performática celebradas pela verde, branco e dourado na Marquês de Sapucaí, estão sucessos como “Bloco na Rua”, “Jardins da Babilônia”, e clássicos como “Sangue Latino”.

As vendas estarão abertas em breve pela plataforma Ticket 360. Mais informações pelas redes sociais da Imperatriz Leopoldinense.

Em 2026, a Imperatriz Leopoldinense será a segunda escola a desfilar no domingo de Carnaval (15/02). A agremiação busca o seu 10º campeonato com o enredo “Camaleônico”, idealizado pelo carnavalesco Leandro Vieira, que irá para o seu quarto carnaval consecutivo na escola.

Samba da Mangueira ganha potência na rua e escola aposta na espontaneidade dos componentes

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Por Luiz Gustavo e Mariana Santos

A Estação Primeira de Mangueira realizou nesta quinta-feira mais um ensaio de rua em sua preparação para o desfile oficial, que será realizado daqui a pouco mais de um mês. Em um dia menos usual para a escola, já que os treinos de rua costumam ocorrer aos domingos, o que não fugiu ao padrão foi o excelente canto dos componentes, que ecoou forte durante todo o treino da escola, elevando o desempenho de um samba que teve sua funcionalidade colocada em xeque quando foi escolhido, mas que vem ganhando corpo a cada semana.

Matheus e Cintya realizaram uma grande apresentação e foram outro ponto alto do ensaio da verde e rosa, que desfilará no domingo de Carnaval trazendo o enredo “Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra”, desenvolvido pelo carnavalesco Sidnei França.

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Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

COMISSÃO DE FRENTE

Karina Dias e Lucas Maciel prepararam uma comissão de frente de coreografia mais convencional para o ensaio, com uma apresentação de passagem, sem maiores arroubos. Os oito integrantes presentes mostraram boa sincronia e agilidade, em uma execução qualificada que parece revelar pouco do que a dupla pretende apresentar no desfile oficial. O ato final da coreografia, com os integrantes simulando o toque de um tambor durante o refrão principal, arrancou aplausos do público presente.

MESTRE-SALA E PORTA-BANDEIRA

Matheus e Cintya realizaram uma apresentação típica do casal, muito arrojada, técnica e vibrante. O ritmo da dança de ambos impressiona. Na primeira parte do samba, excelentes giros torneados de Matheus em ótima sincronia com o rodar de Cintya, que executou sua série característica curvando levemente o corpo e retomando a postura ereta em seguida.

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No refrão central, gestos e dança foram mais sutis, mas na segunda parte veio o ápice da apresentação, com uma condução perfeita de Matheus em seus meneios, antecedendo uma impressionante série do casal, sobretudo os giros impecáveis e precisos de Cintya, sem perder o tempo rítmico. Matheus exibiu um bailado de passos muito ágeis e sempre com o corpo ereto, elegante. Uma apresentação de alto grau de dificuldade, executada com excelência.

EVOLUÇÃO

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A Mangueira foi uma das escolas que apresentou uma evolução mais solta no minidesfile realizado na Cidade do Samba e, em seu ensaio de rua, a agremiação mostrou que pretende seguir esse padrão no desfile oficial. A maioria das alas ensaiou com muita empolgação, entregando-se ao samba da verde e rosa, brincando e avançando na pista com espontaneidade, sem engessamento ou militarismo. Poucos componentes destoaram nesse quesito, que foi outro ponto de destaque do ensaio mangueirense, com bom uso do espaço lateral da pista.

Dudu Azevedo, diretor de carnaval da Verde e Rosa, falou sobre o ensaio e o funcionamento do samba.

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“Funcionalidade agora é um subquesito do julgamento, mais do que nunca, estamos focando nisso nos ensaios. Tivemos a peculiaridade de o som não estar tão aguerrido, à altura do tamanho da escola, neste ensaio, mas tivemos um canto muito bom. Com essa questão do som, conseguimos perceber melhor as nuances de cada ala, e hoje eu digo que estamos tranquilos com o quesito funcionalidade. O samba funciona para a comunidade, o mangueirense abraçou, bate no peito e canta entusiasmado. A comunidade está cantando e encantando quem vem assistir ao ensaio da Mangueira. Cada ensaio tem sua peculiaridade; hoje foi o problema do som, que nos trouxe uma observação maior sobre o canto de cada ala. Toda quinta-feira ensaiamos setores em separado, ali batemos a parte técnica dos quesitos. Toda a escola está em uma ladeira crescente. Acho que o ensaio técnico será o ponto para apreciar onde chegamos, mas o ápice é o desfile”, ressaltou.

SAMBA E HARMONIA

O samba da Mangueira tem uma característica melódica mais poética do que explosiva, e essa nuance é percebida em seu desempenho. Ainda assim, isso não impede o bom rendimento, realçado pela boa combinação musical entre Dowglas Diniz e a bateria comandada pelos mestres Taranta Neto, que exploram as qualidades melódicas da obra.

O desempenho na noite foi bastante satisfatório, mesmo com os problemas no som ocorridos durante o ensaio, principalmente no microfone de Dowglas, que em alguns momentos quase não foi ouvido por quem estava distante do carro de som. O samba vem se mostrando funcional para a escola, além de sua beleza poética, sobretudo na primeira parte.

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O canto do mangueirense foi muito forte em praticamente todas as alas, sem desnível entre as diferentes partes da obra. A primeira parte, extremamente lírica, foi cantada com força, assim como a segunda, mais aguerrida e convocatória. A escola passou solta e alegre, cantando seu samba com entusiasmo, e, com a questão do som, o canto ecoou ainda mais poderoso, impressionando de forma muito positiva.

“Desde o início do ano, quando fiquei solo, tenho trabalhado bastante com meus diretores musicais, meu fonoaldiólogo, professor de canto, um staff grande para botar em prática tudo o que fazemos aqui na Visconde de Niterói e na quadra, para chegar na avenida e fazer um grande trabalho. Estou seguro. Eu acho que não temos nada para lapidar. Agora é só manter o trabalho. Lapidação acontece quando a gente escolhe o samba, quando faz alguns ajustes, mas agora não tem esse processo de lapidação. É só praticar mesmo, pra chegar seguro na Sapucaí. A rapaziada do carro de som quer trabalhar mais, quer mostrar um trabalho melhor para o público que está assistindo”, disse o intérprete Dowglas Diniz.

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OUTROS DESTAQUES

A rainha Evelyn Bastos é sempre uma atração nos ensaios da Mangueira, adorada pela comunidade e com uma admiração especial por parte das crianças, que, como de praxe, entraram na pista para abraçá-la. Um momento sempre singelo e de enorme significado.

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A bateria “Tem que respeitar meu tamborim”, de Rodrigo Explosão e Taranta Neto, esquentou o ensaio com diversas bossas, sobretudo a do refrão central. Uma bateria em grande fase nos últimos carnavais.

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Canto da comunidade é protagonista em ensaio emocionante do Salgueiro na Maxwell

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Por Matheus Morais e Juliane Barbosa

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Fotos: Juliane Barbosa e Matheus Morais/CARNAVALESCO

De volta à Maxwell após seu primeiro ensaio do ano na Conde de Bonfim, o Acadêmicos do Salgueiro pisou novamente nas ruas do Andaraí para dar continuidade aos seus ensaios de rua rumo ao Carnaval 2026. Com forte presença da comunidade, o destino quis que este dia fosse também o aniversário da homenageada Rosa Magalhães, a mestra que, se estivesse viva, completaria 79 anos. O Torrão Amado cantou o samba do carnaval de Rosa sobre a Rua do Ouvidor durante o esquenta, no início do ensaio, no qual o canto da comunidade foi um dos grandes destaques, assim como a evolução da escola ao longo do trajeto e o desempenho da “Furiosa”, sob o comando dos mestres Gustavo e Guilherme.

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A Academia do Samba levará para a Avenida o enredo “A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau”, desenvolvido pelo carnavalesco Jorge Silveira. O Salgueiro será a escola que encerrará os desfiles do Grupo Especial, a quarta e última a pisar na Sapucaí na noite da terça-feira de carnaval, falando justamente da carnavalesca Rosa Magalhães, um dos grandes nomes da história do carnaval no Rio de Janeiro e no Brasil.

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SAMBA E HARMONIA

Cantando forte em muitos trechos, os componentes do Salgueiro mostraram que estão com o samba na ponta da língua na grande maioria das alas que passaram pela Maxwell nesta quinta-feira. Igor Sorriso e a ala musical do Torrão Amado estiveram muito à vontade com a obra que será levada à Sapucaí, inclusive “jogando” uma passada inteira para os componentes, que sustentaram o canto de forma firme e emocionada em muitos momentos. Ficou evidente que até partes menos cantadas em treinos anteriores foram entoadas a plenos pulmões durante a atividade da agremiação. O componente, de maneira geral, abraçou o samba em homenagem a Rosa Magalhães e mostrou vontade de cantar bem uma obra que trouxe muita emoção, também pela memória da carnavalesca.

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O samba foi retomado pelo carro de som com muita maestria, sob o comando do diretor musical Alemão do Cavaco, que vem realizando um trabalho bastante organizado em toda a parte musical da Vermelha e Branca. O desempenho se destacou neste treino, marcando uma excelente primeira quinta-feira na Maxwell.

EVOLUÇÃO

O salgueirense fluiu com tranquilidade, sem deixar a animação e a emoção de lado enquanto desfilava. A escola apresentou um bom trabalho neste quesito, controlando o tempo do desfile e o deslocamento das alas e dos integrantes, que estavam animados e soltos em diversos momentos, demonstrando leveza. As alas coreografadas também passaram bem, sem prejudicar o ensaio, mostrando boa integração com o restante da escola. Destaque especial para a ala do maculelê, conhecida por suas grandes coreografias, que foi um dos pontos altos da evolução da Academia nesta noite.

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Wilsinho Alves falou com o CARNAVALESCO sobre o processo vivido pela agremiação nesta reta final e os pontos que ainda estão sendo lapidados para o desfile de 2026.

“Acho que a escola só chega pronta perto do desfile, ou no desfile. Dizer que tudo está pronto em novembro, outubro ou janeiro não é a maneira como eu vejo o carnaval. O Salgueiro é uma escola que vem de três anos seguidos de harmonia nota 10; gabaritamos evolução no ano passado também, e acho que vamos novamente gabaritar os quesitos de chão. É um processo que está acontecendo, e eu tenho certeza de que o Salgueiro vai chegar pronto. Nos outros quesitos, a escola está lapidando tudo: o casal, a parte estética, a comissão de frente, com muitos ensaios. O Salgueiro vai disputar o carnaval. Todo mundo pode anotar. Vai fechar o carnaval muito bem e vamos repetir o rendimento que tivemos no mini-desfile e em todos os outros ensaios que temos feito”.

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OUTROS DESTAQUES

A “Furiosa” teve uma excelente noite com a presença de Viviane Araujo, rainha de bateria. Os ritmistas, sob o comando dos mestres Gustavo e Guilherme, realizaram as bossas pensadas para o próximo carnaval.

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“Acertar é que a primeira semana de janeiro surgiu mais um arranjo novo. A gente está passando agora a primeira vez na rua, mas a gente confia na galera que comprou a nossa ideia também. Muita gente está fazendo a primeira vez hoje o que fizemos em um ensaio de bateria na terça-feira. É acertar agora esse novo arranjo e os outros já estão na mão. Demos uma mexida também na introdução, mas como a gente olhou o nosso calendário de ensaio e tem muito ensaio, pensamos: ‘cara pela quantidade de ensaio dá tempo de fazer’, dá tempo de ensaiar a galera e o pessoal comprou a ideia também. Tem vários vídeos que a gente está ensaiando, temos um Home Studio e a gente está gravando pqra facilitar no andamento e hoje teve gente falando ‘cara estão fazendo a primeira vez, mas para a primeira vez já está encaixadinho e tal’ mas é isso que a gente está cobrando da galera e pedindo para galera cooperar e chegar junto”, disse mestre Guilherme.

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“Como o Guilherme falou para você, ainda falta afinar. Ficamos algumas semanas sem ensaiar em dezembro por conta do final do final de ano e aí a gente agora está voltando. Já tivemos um ensaio de rua domingo lá na Conde Bonfim que já foi na minha expectativa um ótimo ensaio. Estava criando uma expectativa que não ia ser legal ali porque a galera tava voltando mas já foi muito bom. Está caminhando, está caminhando assim e a gente está crescendo no momento certo eu acho que o trabalho está moindo, e como você perguntou, falta sim lapidar ali algumas coisas, algumas observações, só tirar um negocinho aqui, colocar um negocinho aqui e querer estar indo no caminho muito certo”, completou mestre Gustavo.

A comissão de frente não esteve presente no ensaio desta quinta-feira, assim como o primeiro casal, Sidclei e Marcella.

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Thay Barbosa lança série sobre a figura da musa da comunidade no carnaval

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A série documental protagonizada por Thay Barbosa, musa da comunidade da Estação Primeira de Mangueira, propõe um olhar sensível e profundo sobre o que significa ser musa no carnaval para além da estética e do espetáculo. Ao longo dos oito episódios, Thay revisita a origem simbólica da figura da musa e reconstrói esse lugar a partir do pertencimento, da ancestralidade e da vivência no samba.

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Foto: Divulgação

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A narrativa percorre espaços fundamentais da cultura carnavalesca — a quadra, a rua e a avenida — revelando como cada um deles forma o corpo, a identidade e a consciência de uma mulher do samba. A série destaca o papel da musa como representante de um território, ponte entre o morro e a Sapucaí, entre as mulheres que vieram antes e as que ainda virão.

“Meu desejo com essa série é apresentar a musa para além do senso comum. No samba, esse lugar não é só estético: ele é cultural, político e profundamente comunitário. Ser musa é representar uma história, um território e uma coletividade”, afirma Thay.

Mais do que um retrato individual, a obra se afirma como um manifesto coletivo sobre o samba enquanto memória, resistência e futuro, reforçando que, no carnaval, a musa não vem sozinha: ela carrega a força de uma comunidade inteira.

O primeiro episódio da série será publicado hoje no perfil da musa no Instagram, no @thay.barbosaa e tem direção e edição da Agência Ponto Preto.

‘Pra tudo começar na quinta-feira’, de Luiz Antonio Simas e Fábio Fabato, ganha nova edição, revista e ampliada 10 anos depois

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Os autores Luiz Antonio Simas e Fábio Fabato lançam, dia 27 de janeiro, terça-feira, no Baródromo, a edição ampliada e revista de “Pra tudo começar na quinta-feira: o enredo dos enredos” (Mórula), obra de referência sobre os enredos das escolas de samba do Rio de Janeiro – a brasileiríssima maneira de contar histórias, criada há quase cem anos.

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simas fabato
Foto: Divulgação

Com pesquisa profunda e linguagem coloquial, o livro investiga a relação das temáticas foliãs com os diferentes contextos de época, já que processam diretamente os acontecimentos de entorno ao longo das décadas. Além disso, analisa a atuação dos principais carnavalescos, decifrando seus métodos de concepção, propostas narrativas, conceitos gerais, além das principais criações levadas à Avenida.

“Originalmente lançado em 2015, a primeira versão não trouxe a autêntica revolução sentida pelo quesito a partir de 2016 – com a chegada de artistas como Leandro Vieira, Leonardo Bora, Gabriel Haddad e Tarcísio Zanon. O imperativo acréscimo joga luz no atual momento”, pontua Simas.

“Houve sacrifício das temáticas no começo do século, mas, nos últimos dez anos – até em razão dos ataques que as escolas sofreram, inclusive de setores do poder público –, os enredos e os debates que propõem reassumiram o protagonismo na engrenagem momesca. A obra é um tratado sobre o presente”, completa Fabato.

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As ilustrações de capa e de miolo são do carnavalesco Fernando Pamplona – considerado o pai de todos os carnavalescos –, falecido em 2013. Pamplona, aliás, faria 100 anos em 2026 e permeia todos os caminhos do livro. Já o prefácio da nova edição é assinado pelo comentarista Milton Cunha, com “orelha” do enredista João Gustavo Melo. A obra traz ainda o prefácio e a orelha da primeira edição, escritos, respectivamente, por Rosa Magalhães e Rachel Valença.

“Quando os autores se debruçam para esmiuçar (e iluminar) o quesito enredo, o empreendimento ganha importância de primeira linha, pois aponta para o entendimento cultural do desfile das escolas de samba – protagonizado por periféricos, que, como artistas populares, desejam ocupar o centro da cidade com suas criações e narrativas”, assinala Milton Cunha no texto que apresenta a obra.

“No final, obviamente, não poderíamos deixar de homenagear três grandes narradoras que nos deixaram recentemente – Rosa Magalhães, Maria Augusta Rodrigues e Márcia Lage. Cuidar do futuro é celebrar quem ajudou a pavimentar os caminhos de uma festa tão diversa”, finaliza Fabato.

PRA TUDO COMEÇAR NA QUINTA-FEIRA: O ENREDO DOS ENREDOS
Luiz Antonio Simas e Fábio Fabato
Mórula Editorial
260 páginas, 14 cm x 21 cm
ISBN 978-65-6128-155-3
2ª edição, revista e ampliada
Preço de capa: R$ 74,00
https://morula.com.br/produto/pratudo

‘Uma comunidade feliz’ Nilce Fran reflete os sete meses de gestão Escafura na Portela

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Os últimos meses da Portela têm sido marcados por resgate, pertencimento e afeto. No último ano, a Majestade do Samba viveu mudanças internas intensas: a volta de crias da casa para a equipe, luto e decisões estruturais. Em entrevista ao CARNAVALESCO, a vice-presidente Nilce Fran reflete sobre os sete meses de gestão ao lado de Junior Escafura. Para a lendária passista, a escola vive um momento de alegria e união que traz renovo para a comunidade.

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nilce fran
Foto: Mariana Santos/CARNAVALESCO

“Nesses sete meses, o portelense está vendo uma Portela mais feliz, uma Portela mais unida, porque é questão de vida. As pessoas não precisam se amar, mas precisam se respeitar, olhar na mesma direção, sabendo que o foco é a Portela, que o bem maior é a Portela”, comentou.

Dentre as mudanças, o luto. A partida do intérprete Gilsinho, em setembro, abalou os corações dos sambistas. Nos preparativos para o Carnaval 2026, a dor da perda foi um combustível para a escolha de um samba enérgico para o próximo ano. “Deus sabe o quanto a Portela precisava de um samba potente, que desse fôlego para a gente, e um intérprete como o Zé Paulo, com esse carisma e pertencimento”, disse a vice-presidente.

Além disso, a volta do mestre Vitinho, cria da Portela e ex-mestre do Império Serrano, traz um novo ar para a “Tabajara do Samba”, que embala os ensaios enérgicos que tomam a Estrada do Portela aos domingos. “Vitinho voltando para casa com esse ‘swing’, com esse molho, com essa energia… É uma Portela totalmente imbuída, sonhando, porque nós podemos sonhar. Uma Portela sonhando e voando, uma comunidade que canta como nunca. O saldo que eu tenho é de uma comunidade feliz”, contou ao CARNAVALESCO.

Ao refletir sobre o balanço dos últimos sete meses da nova diretoria, Nilce Fran considera a infraestrutura e a reorganização da escola como as principais mudanças da gestão.

“Nós chegamos há sete meses trabalhando na infraestrutura, na logística adequada, que precisava de mais amor, de limpeza, de arrumar. Falta ainda muita coisa. Mas as pessoas, os visitantes, veem como essa escola está leve. Nós tínhamos toda uma questão de vendedores, de relacionamento com a infraestrutura do carnaval, da realização do Carnaval, e o presidente da nossa diretoria procurou estreitá-los para que a Portela pudesse ter uma caminhada mais leve, ter mais crédito. Entenderem que, apesar da dificuldade, nós estamos aqui para respeitar o profissional, mas que a Portela precisa se reorganizar”, disse.

Além disso, a vice-presidente destaca uma gestão afetiva, voltada ao bem-estar do componente e que tem refletido na felicidade dos portelenses: “Nós trouxemos a comunidade para nós, dando mais ajuda. Todos viram que nós diminuímos a taxa da comunidade, doando uma blusa, doando uma água depois do ensaio, fazendo uma comida para a bateria, aquele profissional que sai do trabalho direto para a quadra e às vezes não almoçou direito, não sabe se vai jantar quando chega em casa, ou então chega alimentado e pode só dormir, descansar. Nós estamos buscando a revolução. O que eu tenho certeza é que a evolução está aí, a olho nu. Desde o cuidado com a quadra, ao cuidado com a nossa comunidade, com todos os nossos segmentos, com o nosso barracão, com os profissionais que nos atendem, e que nós precisamos que eles tenham a certeza de que a diretoria da Portela é uma diretoria idônea, uma diretoria de verdade”, declarou.

Destaque entre os componentes e nas redes, a distribuição de refeições para os ritmistas é um dos pontos altos das novidades da nova administração. Para Nilce Fran, esse cuidado é um resgate que atravessa a sua própria trajetória na escola.

“Eu cresci vendo a minha mãe, meu pai, fazendo a sopa, o macarrão com galinha para a bateria, e entendendo que o profissional precisava desse carinho. A comunidade é 60% de um desfile maravilhoso. Uma comunidade feliz é uma comunidade que canta. Nós trouxemos cada setor, cada segmento, cada ala para cá, abrimos o nosso coração e dissemos para essa comunidade: ‘nós estamos aqui por vocês’. A Portela é nossa casa, nós precisamos que vocês se sintam felizes para dar o retorno que a nossa escola precisa. A comunidade está nos dando essa resposta ao nosso carinho. E, sobre essa questão dos jantares, não eram nem jantares tão absurdos, mas muito bem feitos, comida feita com carinho. E nós víamos a felicidade do ritmista, do componente. É como em qualquer trabalho: se nós temos uma recíproca, se trabalhamos com amor, com um tratamento melhor, o trabalho sai melhor. Porque, às vezes, não é só o dinheiro. É a energia positiva, bons pensamentos, boas palavras”, explicou.

E, ao falar das cobranças vindas dos portelenses, Nilce não recebe como novidade e concorda: “Tem que cobrar mesmo, a Portela é uma escola pioneira na maioria dos quesitos do carnaval. A Portela é uma escola elegante, é a escola de Paulo, a escola de Natalino, de Dodô, de Monarco, de Doca, de Surica, de Dona Vilma Nascimento. De mulheres elegantes, pessoas vaidosas. A Portela é isso. E o portelense cobra diferente, briga, discute, e nós [eu e o Júnior Escafura] temos história nessa escola. Nós podemos ter falhas porque ninguém é perfeito, mas, mesmo com as nossas falhas, nós vamos buscar o acerto”, afirmou.

E, ao falar sobre o presidente, lealdade e irmandade é o que define o trabalho ao lado de Junior Escafura, desde a eleição em maio de 2025. Segundo Nilce, a parceria na diretoria da escola é a continuidade de uma história que já vem de outros carnavais.

“O Júnior tem uma história na Portela. Eu trabalhei com o pai dele, o Bolão [Luís Carlos Escafura], que foi o homem que me fez madrinha de bateria dessa escola em 1996 e 1997. Era um cara que era meu amigo, meu parceiro. E um dos motivos de eu estar aqui ao lado dele é essa lealdade que o pai dele tinha a mim, que eu tinha a ele. Eu estou trazendo essa lealdade para ele. Então, nós brigamos como irmãos, como filho e mãe, discordamos, concordamos, mas a paixão pela Portela é única. O Júnior ficou alguns anos fora da Portela, e onde ele estava eu ia atrás, dizendo para o povo lá onde ele estava que ele era portelense, que ele ia voltar para casa. Eu fazia uma arruaça, mas era uma arruaça de amor. É uma energia de amigos, de parceiros, e é uma energia que a Portela precisava. Eu disse o tempo inteiro na nossa campanha que a Portela Raiz era uma chapa de lealdade, de parceria. E é isso. E tem que ser assim”, disse.

No primeiro domingo do ano, a Portela voltou à rua com um ensaio de lavar a alma. A chuva banhava Madureira, mas não desanimou os componentes, que cantavam e pulavam durante todo o percurso. Para Nilce Fran, o cenário gera um bom presságio e expectativa para o carnaval que se aproxima.

“Na minha religião, chuva é prosperidade, é axé, energia. E você vê a Estrada do Portela lotada, com um componente cantando como nunca, saltando do chão. Você vê uma escola quicando de energia, de amor. Temos um barracão a todo vapor, mesmo com todas as dificuldades que todas têm, o barracão, em pleno início de janeiro, preparado para atender a sua comunidade. Bateria pronta, baianas prontas, passistas prontos, algumas alas, carros… A expectativa é a melhor possível. Eu aprendi com alguns mestres que uma escola de samba tem que sair campeã de casa, de dentro do barracão, e a Portela vai sair campeã de dentro do barracão. O que vai acontecer nessa uma hora e vinte que nós atravessamos, Deus e nossos orixás estão nos reservando, mas a Portela vai preparada para disputar o título”, garantiu.