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Guardiões do casal da Vila Isabel reviveram comissão de frente de desfile de 1988

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Vila01A Vila Isabel no carnaval de 2022 homenageou o ícone da escola, Martinho da vila. O enredo ‘Canta, Canta, Minha Gente! A Vila é de Martinho’, levou para Sapucaí a trajetória de vida do poeta, compositor, cantos, sambista e presidente de honra da agremiação. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da escola, formado pelo mestre sala Marcinho Siqueira e a porta-bandeira Cristiane Caldas teve a companhia dos Guardiões da Kizomba na Avenida.

Você não leu errado, os Guardiões da Kizomba estiveram na Marquês de Sapucaí em 2022, mas é claro, não é a famosa comissão de frente de 1988 que fazia a síntese do enredo ‘Kizomba, Festa da Raça”. Tratou-se de uma homenagem para aquela comissão. Os guardiões do primeiro casal levaram o axé de Zambi, Deus supremo, criador e senhor do mundo, para o desfile da Vila Isabel.

O enredo de sucesso no fim dos anos 80 talvez tenha saído do imaginário de algumas pessoas, ou fuja de pessoas mais jovens, mas quem lembra ou conhece ainda se emociona com ele. Lembrando o enredo ou não, o certo é que os componentes responsáveis por fazerem os Guardiões mostraram a equipe do site CARNAVALESCO que o seu autor, Martinho da Vila, é atemporal.

“Lógico que lembro. Foi a festa da raça e eu inclusive desfilei. Esse enredo ajuda a mostrar como o Martinho é uma entidade da nossa cultura, um rei do samba de partido e isso tudo me deixa extremamente feliz”, disse Alex de Oliveira para equipe do site CARNAVALESCO.

“Eu tenho uma memória afetiva muito presente, porque já ouvia bastante na casa dos meus tios e depois veio o enredo que vi na televisão. Poder participar do desfile da Vila esse ano me deixa muito feliz”, informou Henrique Seixas.

Alex e Henrique fazem contraponto a integrantes mais novos, como Gerson Medeiros e Gabi Ribeiro, que não possuem as recordações da ‘Festa da Raça’, mas falam com carinho, respeito e admiração sobre o artista homenageado.

“Eu não tenho lembranças do enredo do Martinho, mas meus pais são fãs dele e eu cresci ouvindo. Martinho é um gênio e estar homenageando ele é para deixar todo mundo feliz, porque é um enredo de muita honra e simboliza resistência, porque o Martinho é um cara preto que superou todas as barreiras e se tornou esse ícone”, contou Gerson Medeiros

“Eu não lembro do desfile da Kizomba, mas o Martinho é um poeta que representa muito. Fiquei muito feliz quando recebi o convite para fazer parte dos guardiões, primeiro por ser a Vila Isabel e depois por ser um ano de Martinho,” comentou Gabi Ribeiro

O enredo proposto por Martinho ajudou a Vila Isabel levantar o seu primeiro título entre as gigantes do carnaval carioca. Em 1987 a Lícia Caniné, esposa de Martinho naquele momento assumiu a presidência da escola e desejava que o enredo de 1988 fosse um símbolo da luta contra o racismo. Martinho acabou sendo autor do enredo que derivou da palavra Kizomba, palavra em kimbundo, de origem angolana. Seu significado é ‘confraternização da raça’.

Sua comissão de frente representava os guerreiros africanos, símbolo da garra e superação do povo preto, mas como a escola estava fraca financeiramente, foi obrigada a realizar a fantasia com materiais baratos, como sisal, tecidos com estampas de inspiração em África e palhas. O resultado foi uma comissão de frente de pouco brilho, mas muita presença. Em 2022, a escola mostrou uma fantasia rica e bem-acabada, com uma segunda pele que parecia uma pintura de tribos de região de origem Banto (hoje a região dos Congos e Angola) remetia a retalhos de tecido inspirados em África, por cima da segunda pele havia uma armadura na cor marrom e um aveludado laranja, essa armadura tinha detalhes em azul, amarelo e búzios brancos. Na parte superior dos corpos, uma ombreira imponente com muita palha e tecido e na cabeça um adereço que acompanha a parte debaixo, mas possui um conjunto de penas branca, cinza e azul no topo. Uma verdadeira festa personificada, ou melhor, uma Kizomba.

Ritmistas da Grande Rio se engajam na luta do título inédito e da intolerância religiosa

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GR04bFigura mais atacada pelos intolerantes religiosos, o Orixá dos caminhos, dos mercados e da comunicação, Exú é o enredo da Acadêmicos da Grande Rio de 2022. Todo o simbolismo do primeiro orixá e sua passagem pela Umbanda estão diluídos em alas e alegorias da Tricolor de Caxias.

Figura mais que importante nos cultos de matriz africana, a percussão, o toque, a música e o som, encantam os corpos e estabelecem os transes e a comunicação de entidades e guias com os presentes nos cultos e festas. Além de promover alegria e fazer dançar. E numa escola de samba não é diferente, a bateria, coração da escola de samba provoca esses efeitos em quem assiste e embala o componente, através do toque. O coração pulsante da Grande Rio veio trajada com a fantasia “Nunca foi sorte sempre foi exu”, homenageando fazendo uma analogia aos jogos, gorros utilizados no culto de Exú e capas homenageando as figuras de Seu Zé Pelintra, Maria Padilha, Tranca Rua e do Malandro carioca Madame Satã. Felizes com o significado do figurino, os ritmistas comemoraram o significado da roupa e a confecção da peça, como fez analista contábil Pablo Barreto.

“A roupa tem muita presença e não incomoda a gente. Gostei desse lance nas costas, cada ritmista é um naipe de baralho e uma personalidade, cada um representa uma personificação de Exú. É meu primeiro ano, mas parece que estou há sois, três anos. O clima da bateria e da escola é muito gostoso. A comunidade é muito engajada. Parece que é uma família mesmo e tá todo mundo no propósito do primeiro título”, elogiou um dos integrantes do naipe de tamborim.

GR04cQuem também fez questão de elogiar a confecção da peça foi o costureiro Patrick que também é praticante de religião de matriz africana.

“Desfilo na bateria desde 2018 e esse ano gostei muito do figurino. O acabamento está muito bem, o chapéu está ótimo. Sou macumbeiro assumido e o enredo é muito forte. Todas as escolas falam de tema afro, fora a Vila Isabel. E isso é muito legal, para gente que é macumbeiro a gente fica muito animado”, concluiu o ritmista.

Unanimidade entre os desfilantes, o carnaval em abril provocou uma sensação diferente no componente. Desde 2005 na bateria da Grande Rio, o ritmista Alerson creditou o clima mais ameno do outono como fator determinante para desfilar com menos incômodo e discordou veementemente de quem acreditava que a Grande Rio levaria para avenida um tema pesado.

“O figurino tá bem leve, tá bem confortável. Ele é um pouco quente por conta de algumas texturas aveludadas, mas nada que atrapalhe. O Carnaval em abril deu uma ajudada, embora o carnaval de fevereiro seja maravilhoso. Eu achei o tema maravilhoso, nenhuma escola anteriormente já abordou este enredo na avenida. Em 2020 já vínhamos com tema afro e esse temos Exu que é luz, que é caminho. Mesmo que as pessoas achem pesado, para gente que está dentro não é isso, é maravilhoso”, avaliou o veterano da Invocada.

GR04aDestaque na letra do samba e presente na narrativa, Exu Capa Preta veio representando por ninguém mais, ninguém menos que a autoridade máxima da bateria de Caxias, mestre Fafá. Fazendo coro com o manifesto anti intolerância religiosa da escola, Fafá contou que se sente honrado em homenagear a entidade e pediu ajuda ao sagrado para ajudar a escola a arrematar o caneco.

“Venho representando seu Capa Preta. Foi um pedido do carnavalescos. E topei na hora. Espero que ele abra nossos caminhos para Vitória. Eu me sinto muito honrado de estar falando de Exu. Ainda mais com toda a força da intolerância religiosa. Eu espero que ele abra os nossos caminhos e que façamos algo antológico. Estamos com a melhor expectativa possível. Viemos trabalhando muito forte. Acho que a Grande Rio merece muito este título. Com muito humildade e respeito a todo mundo. Nossos patronos não medem esforços para colocar carros belíssimos, gigantes na avenida. A gente quer trazer esse caneco para Caxias e tirar essa zica da gente”, desejou o comandante da bateria.

‘A Grande Rio está na briga pelo título’, diz porta-bandeira Taciana Couto

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GR03Com o enredo “Fala Majeté! – Sete chaves de Exu”, a Acadêmicos do Grande Rio entrou na avenida falando sobre o orixá que é guardião da comunicação. Incorporando as manifestações culturais que são ligadas a simbologia e também a história de Exu.

Aposta da noite, é impossível não notar o talento do jovem primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da tricolor de Caxias, Daniel Werneck e Taciana Couto. A dupla possui a sincronia perfeita e tem a jovialidade como trunfo.

Representando “A criação”, as fantasias do casal dialogavam com as divindades envolvidas no processo de criação do mundo de acordo com as cosmogonias africanas: Olodumaré, Oduduwa e Exu, com a presença do orixá nos mitos de criação.

Nas cores prata, vermelha, preta e branca, a fantasia do casal é de uma delicadeza linda. Com a saia da porta-bandeira com plumas em vermelho e preto com bolinhas em branco. Já a do mestre-sala era toda trabalhada na cor prata e com pedrarias e ele carregava consigo uma palma também do mesmo tom.

Cria da comunidade caxiense, a primeira porta-bandeira Taciana Couto, esteve desfilando na Pimpolhos da Grande Rio (escola mirim) desde os cinco anos de idade. Relembrando o carnaval passado, onde ela juntamente com Daniel representaram “Exu e pomba gira”. Já para o desse ano, o orixá Exu também está presente no figurino da dupla.

A porta-bandeira conta um pouco sobre o que isso representa: “Representar a criação do mundo, com vários instantes e histórias envolvidas é muito importante. E a relação de exu com essa criação e muitas ideias é algo de extrema relevância”.

Com uma história de vida totalmente ligada às escolas de samba e à arte de dançar. É o que define o primeiro mestre-sala da escola de Caxias, Daniel Werneck, que assumiu o cargo em 2015. Daniel, em entrevista ao site CARNAVALESCO explica sobre a essência da representatividade da fantasia do casal.

“Quando Oxalá é designado para criar o mundo e ele acaba recusando o pedido de Olodumaré. Que pede que antes de oxalá criar o planeta, desse um presente para Exu que nega e acaba se embebedando com o vinho de palma. E Oduduwa quando vem a terra, pega o segredo e cria o mundo e dá o sopro da vida”.

Como foram dois anos sem carnaval por conta da pandemia de covid-19, o mestre-sala Daniel destaca o quão importante é estar simbolizando a criação do mundo em sua fantasia e a representatividade que o enredo sobre Exu traz:

“Hoje isso pra gente é de extrema importância, pois viemos representando justamente isso, que a vida tem um começo, meio e fim, pois como passamos no meio de uma pandemia em que perdemos muita gente. O enredo serve até para desmistificar o que as pessoas pensam pelo orixá, já que acham que exu é algo pesado e na realidade é muito leve”.

Sem dúvidas a Grande Rio arrepiou todos com o desfile que fez nesta noite, a porta-bandeira Taciana expõe a sua opinião sobre como a escola veio: “A escola veio aí para brigar pelo título, então confiamos que fizemos o nosso maior e melhor. Pois nos dedicamos muito para isso, ensaiando e trabalhando bastante. Tenho certeza que apresentamos um trabalho muito bom na avenida”.

Baianas da Grande Rio vibram com espetáculo propiciado pela escola na avenida

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GR02A ala das baianas, uma das de maior prestígio das Escolas, da Tricolor de Caxias trouxe a representação “Ventou no Canavial”. Um dos principais destaques para a fantasia é que a cana-de-açúcar, Irèké, é um alimento associado à Exu e é muito utilizado em oferendas e rituais específicos. Maria de Fátima, que está em seu primeiro ano pela escola de Caxias após sua promessa de sobreviver à pandemia se concretizar, em entrevista ao site, comentou sua opinião sobre desfilar nesta ala e sobre a fantasia.

“É maravilhoso, nós nos sentimos como se fossemos rainhas. A fantasia está dez, muito bem feita, bem acabada, tecidos de boa qualidade, o que garante a nossa estabilidade como baiana.”

Inspirada em uma narrativa recorrente de terreiros, segundo o qual Exu fuma cachimbo, toca flauta, chupa cana e assovia ao mesmo tempo. Os ventos de Oyá, unidos ao poder de transformar de Exu, possam espalhar por todos os canaviais contemporâneos as chamas da magia capaz de quebrar o medo, a dor, o obscurantismo e a opressão.

Em variações de combinações de cores da escola, as baianas entrelaçadas ao sincretismo presente no samba para saudar Exu enquanto a força que, juntamente com a justiça de Xangô e à intempestividade de Iansã, conduziu milhares de escravizados à lutar pela liberdade. Maria de Fatima Carvalho, desfilante há 8 anos como baiana na Escola, contou, em entrevista para o site, a importância de trazer essa fantasia à Sapucaí.

“Nós somos as colhedoras de cana, da lavoura de cana que faz a cachaça. Exu não é o que o povo fala, Exu é do bem. As pessoas têm que procurar coisas boas, não para ruindade. Se vai procurar a ruindade, Exu faz. Tem que pedir muito, Exu é coisa divina.”, concluiu.

Coreógrafa da Grande Rio diz que principal mensagem da comissão de frente foi contra intolerância religiosa

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GR01A Grande Rio foi a quinta escola a se apresentar neste início de domingo, trouxe para a Sapucaí o enredo de Exu. Na comissão de frente, “Câmbio Exu” representou o pedido de proteção para a abertura dos caminhos, apresentou uma interpretação poética para o que os espectadores pudessem imaginar o Exu em sua essência. Beth Bejani, coreógrafa da comissão de frente, em entrevista ao site CARNAVALESCO, contou como foi o processo criativo para a coreografia apresentada.

“A gente estudou muito tempo, demos um pouco de sorte também porque tivemos 2 anos de muita pesquisa, então a gente foi conseguindo acrescentar ainda mais coisas ao trabalho. Os meninos ajudaram muito com a dinâmica da coreografia, com todo o processo. Foi um processo incrível durante todo esse tempo”

“Trouxemos muita energia, com nossos efeitos, por conta do tamanho que se tornou a comissão de frente, mas pudemos trazer, acima de tudo alegria, irreverência. Porque nós trouxemos uma condição de desmistificar que Exu é um personagem do mal e não tem nada disso, é um agente folclórico da nossa cultura popular”, completou Hélio Bejani, também coreógrafo da comissão.

A parte principal da apresentação foi proposto um olhar de conexão entre os mundos terrestre e espiritual, representado como uma espécie de mediador. A comissão da escola de Duque de Caxias, contou a história de uma catadora de lixo, moradora da cidade, que se comunicava com Exu através de um telefone e contava com expressões misteriosas. Com a proposta de deixar a seguinte mensagem a quem assistiu: A energia que vem da transformação é poderosa!

O cenário foi criado com a catadora e os outros catadores vivendo no meio de uma civilização julgada como lixo, insatisfeita com a situação, a personagem principal busca formas de se reconectar com a fé, e colocou em cheque os valores distorcidos da nossa sociedade.

“A gente trouxe como principal mensagem a fé, a intolerância religiosa, contra o preconceito, esses são os pontos principais. Após o ensaio técnico, recebemos uma rede de apoio, pessoas pedindo para que a gente siga e vença por eles. Pessoas que nunca puderam dizer qual era sua fé, sua religião por sofrerem críticas”, completou Beth.

Águia de Ouro 2022: galeria de fotos do desfile

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Fotos: desfile da Mocidade Independente no Carnaval 2022

Coreógrafo da Unidos da Tijuca, Sérgio Lobato fala sobre relação com Jack Vasconcelos: ‘Tinha até um receio, mas foi maravilhoso’

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Tijuca04Quarta escola a pisar na Sapucaí no segundo dia de desfiles do Grupo Especial, a Unidos da Tijuca apresentou o enredo “Waranã-A Reexistência Vermelha”. Para a Comissão de Frente, a escola do Borel apostou no coreógrafo Sérgio Lobato, que retorna à Tijuca, agremiação pela qual fez sua estreia na Sapucaí, em 2006.

No seu primeiro trabalho no retorno à Unidos da Tijuco, o coreógrafo apresentou uma comissão em que retratava a “A Reexistência Vermelha”, com o surgimento da etnia Mawé, na qual retratava a morte e o renascimento de Kahu e a resistência indigena brasileira.

Em entrevista ao Site CARNAVALESCO, Sérgio Lobato comentou sobre o processo de criação do projeto da Comissão de Frente da Tijuca. Segundo ele, a criação e pesquisa da coreografia se deu junto ao carnavalesco da escola, Jack Vasconcelos.

“Foi um processo de pesquisa, junto com o carnavalesco Jack Vasconcelos, até chegarmos a uma ideia, um conceito e aí, fomos buscando subsídios para trazer para minha coreografia. Estamos representando a lenda que fala de Tupanã, do bem e do mal, e também trago essa dualidade na coreografia, um pouco dos guetos. Tem muita energia, muita força, muitas coisas bonitas.”, revelou.

Quando questionado sobre o ponto alto da coreografia que foi apresentada na avenida, o coreógrafo preferiu não determinar um único momento, mas sim, contou apostar no conjunto da sua coreografia.

“Não tem uma parte específica, o conjunto coreográfico é muito forte, a história que nós contamos, em um samba só.”, afirmou.

O carnaval de 2022, para Sérgio, marcou a primeira vez em que trabalhou em conjunto com o carnavalesco Jack Vasconcelos, contratado pela Tijuca para este carnaval. Ao falar da relação com o artista, Sérgio Lobato revela ter tido um certo receio de trabalhar com o carnavalesco, que considerava muito sério. Porém, reafirma sua ótima relação com o mesmo.

“Foi bem legal trabalhar com o Jack. Eu confesso que, no início, tinha até um receio, quando falaram que eu ia trabalhar com o Jack, eu nunca tinha trabalhado e sempre achei uma pessoa muito séria. Mas, foi maravilhoso, uma união, entrosamento e parceria.”, concluiu.

Análise da bateria da Unidos da Tijuca no desfile de 2022

Uma grande apresentação da bateria Pura Cadência de Mestre Casagrande. Houve uma exemplar afinação de surdos, amparando musicalmente os demais instrumentos, onde se destacaram o swing envolvente dos surdos de terceira, além da fabulosa caixa de guerra tijucana. As caixas da bateria da Tijuca, com toque uniforme e uníssono, constituem uma base rítmica que preenchem por completo o trabalho acima da média da cozinha da bateria da Unidos da Tijuca. O acompanhamento das peças leves se manteve sólido durante toda pista. Uma ala de chocalhos apresentando valor sonoro com toque preciso de volume elevado. A ala de tamborins tocou com firmeza, executando o desenho simples de forma coesa e obtendo um acrescento musical notável ao ritmo.

O carreteiro dos tamborins da Tijuca engloba um toque identitário que mescla os movimentos de 2 x 1 e 3 x 1. Essa união ajuda no ressoar das caixas, sempre consistentes da bateria da Tijuca. A paradinha da cabeça do samba apresentou uma musicalidade fluída, com um belo arranjo musical. Foi possível notar os tamborins entrando no corredor da bateria, para auxiliar a retomada do ritmo em sua plena síncope na parte de trás do ritmo. As execuções das paradinhas nos módulos de julgadores foi correta, não havendo qualquer problema sonoro evidenciado na pista de desfile.

A bateria de Mestre Casão se apresentou com destaque no primeiro módulo de julgadores, de cabine dupla. Com direito à reconhecimento dos jurados com notórios aplausos. A exibição na última cabine dupla foi simplesmente apoteótica, tendo levado o público ao delírio, assim como encantado os julgadores.

Mocidade Alegre executa desfile impecável e se destaca como principal favorita ao título

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Terceira escola a desfilar na noite de desfiles de sábado, a Mocidade Alegre protagonizou um verdadeiro show e entrou forte na disputa pelo título. Seguramente, superou todos os desfiles da sexta. A escola foi praticamente impecável em todos os quesitos e setores. O enredo, homenageando Clementina de Jesus, foi contado de forma linear, falou de toda vida da cantora, como paixão pela música, escola de samba e religiosidade. A comissão de frente, que tinha a figura de Carolina de Jesus, foi interpretada pela artista Thelma Assis, pegando todos de surpresa. Um fato que a Mocidade guardou a sete chaves. O canto da comunidade ecoou com força e, o intérprete Igor Sorriso, conduziu os componentes da Morada com uma energia gigante. De fato, a Mocidade Alegre, que é uma das maiores campeãs do carnaval paulistano, pode levantar o caneco depois de oito anos.

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Comissão de frente

A ala da escola, comandada por Jhean Allex, representou “Devoção, festejos e ancestralidade: O fascínio da Clementina”. Tiveram como figurantes as “Lavadeiras”, “Os brincantes das folias de reis” e a própria Clementina de Jesus. Com o objetivo de retratar a influência das lavadeiras na vida da cantora, houve bailarinas com típicas fantasias lavando às margens dos rios. Dentro da apresentação, se colocou um elemento alegórico dourado com anjos negros no lado direito e esquerdo. Vale destacar que algumas dessas lavadeiras, carregavam bacias, enquanto outras apenas encenavam. Os brincantes da folia, dançavam pela pista toda dançando carregando uma fantasia com uma espécie de fantoche. Uma grande surpresa foi revelada durante o ato. A artista e ex-BBB, Thelma Assis, foi a atriz que protagonizou o papel de Clementina de Jesus durante toda a apresentação. Pegou todos de surpresa e, quando o público viu, a reação positiva foi imediata. Thelma é Mocidade Alegre fanática há muito tempo. Desfilou de passista há muitos anos e, agora, ganhou um papel pra lá de importante. Simplesmente foi a protagonista da homenageada do enredo. Uma emoção muito grande.

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Mestre-sala e porta-bandeira

Rodeado de guardiões, o casal Uilian Cesario e Karina Zamparolli, representeu as “Bençãos à Clementina”, e fez uma grande apresentação. A dupla executou corretamente os giros em sentido giro horário e anti-horário e, o sorriso no rosto de Karina, é algo a se destacar dentro da apresentação. Nas cores vermelho e dourado, as fantasias eram leves. A porta-bandeira optou por usar um material que desse destaque às cores na parte de baixo. Isso ajudou totalmente para o sucesso do casal dentro da pista. As vestimentas usadas pela dupla, foram em vermelho e dourado. A única diferença é que também usava uma capa em azul claro.

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Harmonia

O samba-enredo escolhido foi de agrado da comunidade desde o início. Impulsionados pelo intérprete Igor Sorriso, a comunidade da ‘Morada do samba’, mostrou um canto totalmente agradável em seu desfile. Se confirmou o que foi feito nos ensaios. O cantor, junto ao seu carro de som, teve uma atuação de gala. Em questão de colocar a escola para o alto, sem dúvidas, Igor Sorriso está nas primeiras prateleiras. A interação com as arquibancadas e todo o público também é outro ponto importante a se destacar. Isso se nota no apagão dentro do refrão principal.

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Enredo

O intuito da Mocidade Alegre foi exaltar uma das maiores cantoras e compositoras da história da música brasileira. Clementina de Jesus foi uma das revolucionárias e elevou o patamar de toda a arte musical brasileira. Isso porque, em suas obras, disseminou repúdio contra o racismo e o machismo. Uma mulher extremamente empoderada e com muitas raízes de ancestralidade africana e, dentro disso, a Morada buscou um enredo desse tipo.

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O tema foi executado de uma forma linear. No início, a Mocidade Alegre abordou suas origens com a comissão de frente, casal de mestre-sala e porta-bandeira, duas alas cênicas e carro abre-alas. A agremiação conta isso como forma de “flor de raiz africana”. No segundo setor, a escola contou a história de Clementina, onde citou seu início na música, o canto no morro, a paixão por cozinhar, a relação das escolas de samba com Portela e Mangueira e outras grandes influências na vida de Clementina. Na terceira parte, foram colocadas algumas obras que fizeram parte de sua carreira, seja em parcerias ou inspirações de músicas. No quarto setor, contou-se sobre a religiosidade de Clementina, como “Influências católicas”, “Influências africanas” e “Sincretismo brasileiro”. Fechando o desfile, a Mocidade Alegre falou de africanidade e o cortejo de coroação.

Evolução

Foi outro quesito destaque da escola, principalmente por inovar e se ajoelhar no refrão principal. Na parte do samba, onde se canta: ‘A Mocidade se ajoelha aos seus pés, todas as alas se ajoelhavam e voltavam logo após o refrão terminar. Um efeito sensacional que chocou e levantou toda a arquibancada. Esse ato foi feito quatro vezes, entre os minutos De resto, o andamento da Morada também fluiu com muita potência 20, 36, 45 e 49.

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Em certas partes do samba, a comunidade tem uma coreografia padronizada. Destaque para quando a escola canta o ‘iô’ três vezes, onde os componentes vão de um lado para o outro.

Samba-enredo

O hino da Mocidade Alegre tem uma letra muito bem elaborada. Foi feita de uma forma explicativa e alegre. Diferente dos últimos dois anos, a obra não conta com palavras afros ou indígenas. Sendo assim, a comunidade conseguiu pegar mais fácil. Além disso, o entendimento do hino ficou mais fácil. Em todas as partes do samba, dá para entender o contexto e a mensagem que a agremiação quis passar.

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Dentro da pista, todas as partes foram cantadas com força. É até difícil especificar. Porém, pelo apagão feito pela bateria e o fato da comunidade se ajoelhar, o refrão principal se destaca. A parte do ‘iô’ é criticada, mas foi outra que pegou com os componentes.

Fantasias

As fantasias da Mocidade chegaram na avenida muito luxuosas. A escola optou por usar materiais como plumas em cima dos costeiros, dando um efeito de primeira dentro da pista. Aparentemente, todas as alas vieram sem erros de acabamento. A vestimenta da ala sincretismo brasileiro foi o destaque principal. Os costeiros apareciam como asas, com materiais que pareciam dar essa sensação e, na parte de baixo, havia a figura do espírito santo. Também há de se destacar a ala de abertura, que é a “Flor de Raiz Africana”.

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Alegorias

A primeira alegoria, veio apresentando as origens de Clementina de Jesus, onde aparecia uma espécie de teatro, com cortinas abertas nas cores vinho e dourado. No complemento do carro, havia esculturas de anjos ao lado e uma grande igreja.

O segundo carro alegórico, nomeado:” Descendo dos morros, subindo nos palcos – a trajetória da dama negra do samba, a voz de navalha”, simbolizou o a musicalidade de Clementina e mostrou a relação com as escolas de samba cariocas, Portela e Mangueira. Na parte de trás, duas esculturas de grandes destaques: Clementina carregando um surdo verde e rosa na cabeça e uma águia se mexendo. Obviamente, fazendo referência à Portela e Mangueira.

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A terceira alegoria, intitulado como: “Nas ondas do rádio e dos discos de vinil, a musicalidade de quem foi feita para vadiar”, apresentou todo o talento de Clementina. Tinha a cantora com um microfone à frente do carro e, no topo, um disco de vinil girando.

O último carro alegórico, teve como: “– Sob o manto da mãe África, a negritude coroa Clementina, a Rainha Quelé”, mostrou toda a africanidade na vida de Clementina de Jesus. No topo, mostrou-se a figura do orixá Obaluaê com uma coroa, que mexia os braços e a cabeça, além de outras figuras afro. Foi a alegoria destaque da escola. Tinha a cor toda em dourado.

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Outros destaques

A bateria Ritmo Puro, comandada por mestre Sombra, tem como principal característica dar um destaque maior aos surdos de terceira e as caixas. As bossas foram de total sucesso no desfile. Obviamente, o apagão do refrão principal, que fez a escola ajoelhar, ficou para a história e foi o destaque da batucada. Dentro do recuo, a bateria entrou e saiu de novo no mesmo momento, para se curvar ao jurado frente ao box.