A frequência de público no Sambódromo durante os desfiles das escolas de samba do Grupo Especial, diante de todos os obstáculos causados pela pandemia de Covid-19, foi avaliada como “muito boa” pela direção da Liesa. Ao receber os relatórios oficiais do Sistema de Acesso à Passarela do Samba, o presidente Jorge Perlingeiro revelou que 154.665 compradores de ingressos passaram pelas catracas nos três dias de desfiles oficiais, além dos 22.476 credenciados, o que representa uma média de frequência diária de 59.047 pessoas. Sobre os credenciados, envolvendo prestadores de serviços, profissionais de Imprensa, convidados das Escolas de Samba e da LIESA, o presidente comenta que o número de crachás emitidos foi 4% menor que o do último Carnaval, em 2020.
Foto: Fernando Maia/Divulgação Riotur
“Nossa meta é reduzir bem mais, porém 2022 foi um Carnaval atípico. Havia uma saudade muito grande do espetáculo, que não era realizado há dois anos e, atendendo às determinações das autoridades sanitárias, foi adiado por quatro vezes ao longo desse período. Mas, felizmente, foi uma festa maravilhosa, um espetáculo digno das tradições de nossas Agremiações. Foi um desfile memorável, como desejava o Prefeito Eduardo Paes, elogiado pela crítica especializada e pelo público, que tomou a pista ao final dos desfiles de sábado, 23 de abril, e das Campeãs, uma semana depois”, afirmou o presidente.
Segundo o relatório, todos os camarotes foram vendidos e receberam um público de 7.296 pessoas por dia, acrescido de uma média diária de 15.000 pessoas nos lounges, espaços agregados a vários deles. Já nas frisas registrou-se um público médio de 4.395 pessoas/dia, enquanto nas arquibancadas especiais a média foi de 11.000 pessoas/dia e, nas populares, a média ficou em torno de 11.500 pessoas/dia. Nos demais tipos de ingressos (cadeiras individuais do Setor 12, Padock, HC, tribuna, box especial e PNE) foi registrada a média de 2.153 pessoas/dia.
Série Ouro
O documento informa também que os desfiles da Série Ouro, realizados nos dias 20 e 21 de abril (quarta e quinta-feira, respectivamente), registraram um público de 74.738 compradores de ingressos, além dos credenciados. Somando-se os cinco dias de desfiles, as catracas da Passarela do Samba registraram um público de 229.403 pessoas.
A Inocentes de Belford Roxo contratou Matheus Machado para ser seu novo primeiro mestre-sala. Ele assume o cargo ao lado da primeira porta-bandeira Jaçanã Ribeiro.
Foto: Divulgação
“É uma emoção muito grande defender o pavilhão da Inocentes de Belford Roxo, que é uma escola com uma comunidade imensa e com uma história de glória, no carnaval carioca. Agradeço ao presidente Reginaldo Gomes e ao vice-presidente Leandro Santoro por este convite que muito me engrandece. Estou feliz demais de estar representando esse pavilhão. Podem ter certeza que vou dar o meu melhor, e fazer o possível e o impossível para apresentar um trabalho fantástico, na Sapucaí ao lado da minha porta-bandeira Jaçanã Ribeiro”, disse Matheus Machado.
O novo mestre-sala é cria do Império Serrano. Seu primeiro desfile pela verde e branco aconteceu em 2013. Matheus é filho da ex-porta-bandeira Andrea Machado. Ele foi último carnaval foi campeão na Série Ouro.
“Desejo muito sucesso ao Matheus Machado em nossa escola, que a partir de hoje é a escola que o seu coração irá defender na avenida. Ele é um jovem talentoso, que a cada ano vem se destacando com sua dança e seu profissionalismo, sei que juntamente com Jaçanã irá buscar as notas máximas que precisamos para chegar ao Grupo Especial. Seja bem-vindo Matheus! ”, disse o presidente da Inocentes, Reginaldo Gomes.
A porta-bandeira Jaçanã Ribeiro externou seus sentimentos ao saber que Matheus Machado será seu novo mestre-sala.
“É um prazer ter como par o Matheus, pois é um mestre-sala, que é disciplinado, responsável e tem a arte do samba. Sempre fui admiradora da sua mãe Andreia e agora terei a oportunidade de dançar com o seu filho. Agora é trabalhar”, comentou Jaçanã Ribeiro.
De volta ao Sambódromo da Marquês de Sapucaí, a União de Jacarepaguá já escolheu seu enredo para o Carnaval de 2023. “Manuel Congo e Marianna Crioula, os Heróis do Vale do Café”. A escola desfilará pela Série Ouro. Veja abaixo o logo do enredo.
Título na Série Prata
Duas escolas tradicionais do carnaval carioca, o Arranco do Engenho de Dentro e a União de Jacarepaguá, venceram a Série Prata no Carnaval 2022 e conquistaram o acesso para Série Ouro. Dessa forma, elas voltam a desfilar no Sambódromo da Marquês de Sapucaí em 2023. Foram rebaixadas para Série Bronze: Difícil é o Nome, Unidos da Villa Rica e Unidos da Vila Kennedy. O Arranco venceu a Série Prata desfilando na sexta-feira. A União de Jacarepaguá conquistou o acesso vencendo no sábado. Como fez mais pontos na soma dos dois dias, a União de Jacarepaguá ficou com o título da Série Prata e o Arranco com o vice-campeonato.
Como foi o desfile de 2022
Quinta escola a desfilar na segunda noite de desfiles da Série Prata, a União de Jacarepaguá apresentou o enredo “De ventres Africanos, os sonhos de liberdade!”, desenvolvido pelo carnavalesco Lucas Lopes, que propunha uma reflexão crítica sobre os 150 anos da promulgação da Lei do Ventre Livre. Com destaque para seu bom conjunto estético, a escola mostrou força na Intendente Magalhães. Além disso, o samba da escola, composto por Diego Nicolau e parceiros, se destacou no desfile, impulsionando o canto.
Comandada por mestre Marquinhos, a bateria da União de Jacarepaguá teve bom desempenho na noite. Representando os Soldados Capoeiras na Guerra do Paraguai, os ritmistas sustentam com maestria o desfile da escola.
Esteticamente, a escola passou bem na avenida, com um bom conjunto de fantasias e alegorias. De destaque, o abre-alas da escola que, com muita criatividade e materiais remetentes à estética africana, passou a mensagem que propunha no enredo. Além dele, os outros elementos alegóricos da escola também passavam, de forma muito clara, o enredo.
Representando “Os negros guerreiros guardiões da mãe África”, a Comissão de Frente da União fez bela apresentação na Intendente Magalhães. Com roupa e coreografia bastante africanizadas, a Comissão cumpriu bem seu papel na avenida.
O primeiro casal da escola, Rogério Júnior e Natália Monteiro, também passou bem na avenida. Com uma roupa represetando “Negros e negras que carregam o sangue nobre africano”, o casal demonstrou muita fibra e garra na coreografia. Em sua roupa, a porta-bandeira trazia uma boneca nas costas, como um bebê.
A Unidos de Bangu acertou a renovação do seu primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira. Crias da comunidade, Anderson Abreu e Eliza Xavier seguem conduzindo o pavilhão da mais antiga escola de samba da Zona Oeste e vão para o quarto desfile no posto.
Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO
Eles chegaram na Unidos de Bangu para o carnaval de 2018, quando formaram o segundo casal. No ano seguinte, foram promovidos e seguem por mais um ano defendendo a nota no quesito. Eliza Xavier não escondeu a felicidade com a renovação:
“É sempre um prazer fazer parte da Unidos de Bangu porque aqui estou construindo a minha história. Eu sou nascida e criada no bairro e fico feliz em renovar, em poder continuar na escola. Podem esperar mais um ano de determinação e de disciplina. Levamos muito a sério o carnaval”, afirma a porta-bandeira.
Fazendo coro às palavras de Eliza, Anderson Abreu comemorou a continuidade do trabalho no mais antigo pavilhão da Zona Oeste. Ele destaca que os ensaios para o próximo ano começarão o quanto antes, pois o intervalo entre os desfiles será menor.
“Bangu é a nossa casa. Estar por mais um ano formando o casal da escola só nos deixa mais orgulhosos. É um trabalho sério que desenvolvemos, com muita dedicação e amor. O ciclo para o próximo desfile será menor e os trabalhos irão começar o mais breve possível” garante Anderson.
Em 2022, a Unidos de Bangu apresentou o enredo “Deu Castor na cabeça” e ficou na 7ª colocação da Série Ouro.
O carnaval realizado em abril não alterou o cronograma dos projetos sociais da Estácio de Sá. Uma das oficinas mais procuradas, a de percussão, retoma suas atividades a partir do dia 19 de maio na quadra da escola.
Sob o comando de mestre Chuvisco e da diretoria da bateria Medalha de Ouro, os alunos têm a oportunidade de aprender não somente a tocar os instrumentos que compõem a bateria, mas também de se apresentar nos eventos da escola.
“A escolinha é uma oportunidade para as crianças, jovens e adultos, de aprender de forma divertida. É um projeto que sempre descobre talentos e, muitos deles hoje, já integram a bateria da Estácio e de outras escolas também”, comenta o comandante da Medalha de Ouro.
Para os interessados, as aulas acontecem sempre a partir das 19h30 e crianças até 12 anos não pagam. A mensalidade custa R$70 por cada instrumento pretendido. A quadra da Estácio de Sá fica na rua Salvador de Sá, 206 – 208, Cidade Nova.
O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Imperatriz Leopoldinense, formado por Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro, realizou o primeiro ensaio, na terça-feira, na quadra da agremiação, em Ramos, Zona Norte do Rio, rumo ao próximo desfile. A dupla retoma a parceria após sete anos afastada. Lemos e Theodoro dançaram na verde, branco e ouro de 2011 a 2015.
Foto: Divulgação
“Voltar a dançar na Imperatriz e com a Rafaela é voltar a um passado vitorioso com a certeza de um futuro muito próspero. Somos parceiros na dança e na vida e vamos honrar muito esse pavilhão”, comemora o mestre-sala.
Juntos, Phelipe e Rafaela já gabaritaram o quesito e conquistaram dezenas de prêmios da mídia especializada ao longo dos anos.
“Nós fomos lançados ao Carnaval pela Imperatriz. Tenho certeza que essa retomada será de muito sucesso já em 2023. Trabalharemos muito duro para isso”, afirma a porta-bandeira.
A reestreia da dupla acontecerá na feijoada do próximo dia 05 de junho, que contará também com apresentação de toda equipe da Imperatriz para o próximo Carnaval. As informações do evento ainda serão divulgadas.
Além de Phelipe, a escola de Ramos, presidida por Cátia Drumond, contratou o carnavalesco Leandro Vieira, o coreógrafo Marcelo Misailidis e o intérprete Pitty de Menezes.
O presidente do Sossego, Hugo Júnior, anunciou nesta terça-feira a renovação do carnavalesco André Rodrigues. Ele seguirá em jornada dupla, já que também é carnavalesco na Beija-Flor. Para o desfile de 2023 da escola de Nilópolis, ele assinará na dupla com Alexandre Louzada. * VEJA AQUI FOTOS DO DESFILE DO SOSSEGO
Veja o comunicado do presidente do Sossego sobre a renovação com André Rodrigues. “Ele não larga da batalha! André Rodrigues segue como nosso carnavalesco para o carnaval de 2023. Já estou sentindo cheiro de mais um grande enredo e um MEGA desfile, hein!”
O Acadêmicos do Sossego encerrou a primeira noite de desfiles da Série Ouro em 2022 com uma ótima apresentação com o enredo “Visões xamânicas”. Em entrevista para o site CARNAVALESCO, após o desfile, o carnavalesco declarou que não imaginava desfilar com o dia clareando, mas que o importante foi que a comunidade curtiu.
“Não esperava desfilar de manhã, mas se a galera se divertiu, curtiu, é isso que importa. Sou muito estratégico para algumas coisa e fique bem bolado de desfilar de manhã. Estou feliz com o resultado do trabalho”.
A Unidos de Bangu segue reformulando os seus segmentos para 2023. Marcelo Chaves, que estava na Unidos da Ponte, assume o comando da harmonia da mais antiga escola da Zona Oeste. Diretor de carnaval em 2015, ele retorna à agremiação visando o próximo ciclo carnavalesco.
Foto: Divulgação
Experiente, Marcelo Chaves iniciou a sua trajetória no carnaval em meados da década de 1980, na escola de samba mirim Corações Unidos do CIEP. Ao longo desses anos, ele integrou a harmonia da Imperatriz Leopoldinense, Salgueiro e Grande Rio. Nos últimos anos, esteve na direção de carnaval da Unidos da Ponte. Contente, ele comenta sobre o retorno para Bangu.
“Voltar para essa escola é motivo de muita alegria. Estou contente com o convite da diretoria da escola e confiante que vamos fazer um grande trabalho para 2023. A Unidos de Bangu está consolidada no grupo e é hora de buscar novos voos. Faremos um trabalho com os pés no chão, mas sempre almejando grandes resultados”, afirma Chaves.
Além do novo diretor de harmonia, a Unidos de Bangu contratou o intérprete Pixulé, o mestre de bateria Laion Jorge e o carnavalesco Robson Goulart. Em 2022, a escola ficou na 7ª colocação da Série Ouro.
O primeiro casal da Portela, Marlon Lamar e Lucinha Nobre, renovados para 2023, vencedores do prêmio Estrela do Carnaval 2022, como o melhor do Grupo Especial, recebeu o site CARNAVALESCO para um papo aberto sobre o desfile de 2020, o deste ano, o futuro e o quesito mestre-sala e porta-bandeira. A propósito, o Estrela do Carnaval foi o primeiro prêmio que os dois ganharam juntos e foi conquistado em 2017 graças ao desfile que apresentaram pela Porto da Pedra.
“Foi o primeiro prêmio que ganhamos juntos, quando ainda estávamos na Porto da Pedra. Ele tem uma simbologia, porque nós já havíamos trocado para Portela, aí recebemos o prêmio com a bandeira e fantasia da Porto da Pedra e depois no mesmo evento nos apresentamos com a Portela. Foi um momento muito legal de transição”, disse porta-bandeira Lucinha Nobre.
Para o casal, esse carnaval de 2022 foi diferente, pois estavam vindo de um desfile de 2020 com problemas. O próprio casal assumiu seus erros na proposta passada, assim como o vice-presidente Fabio Pavão, que em outra conversa com a equipe do site CARNAVALESCO, também reconheceu que a escola poderia ter feito diferente. Marlon e Lucinha deram uma aula de superação, se uniram mais do que nunca e o resultado do processo foi de arrepiar.
“Estávamos mais unidos do que nunca. Muito pelo que ocorreu no Carnaval passado eu foquei na segurança em cima da Lucinha e a Lucinha na segurança em cima de mim, aí colocamos como meta que juntos éramos imbatíveis. Depois de tanta coisa que passamos, nos demos as mãos e falamos que o resultado iria chegar. Acredito que a união e a cumplicidade foram as chaves para esse baú de ouro no final do arco-íris”, comentou o mestre-sala Marlon Lamar.
“Fora nossa união, a gente precisa dizer que trabalhou muito. Nós nos deparamos com muitas dificuldades, por exemplo: O Marlon foi para São Paulo, aí ensaiávamos remotamente com o Marlon em São Paulo, a Camille em Portugal e eu aqui no Rio. Quando ele conseguiu vir para o Rio, anunciaram o adiamento do carnaval, eu é que fui para São Paulo. Só que o Marlon tinha que começar a estudar, nós dois estávamos com muitas dificuldades de aspecto emocional, desconfiados, desacreditados e nós nos sentíamos desacreditados por nós mesmos e pelas pessoas, porque saímos do último carnaval sem nota. Por isso, a gente se colocou num lugar de estreantes e começamos a trabalhar… fiz um trabalho diferente dos outros anos, porque contratei um personal e fiquei oito meses com ele. Ele foi muito parceiro e fez um planejamento fantástico”, completou Lucinha Nobre.
Quem olha o jeito descontraído e bem-humorado dos dois, pode acreditar que a superação foi simples e fácil para eles, mas quem pensar assim cometerá um erro terrível. Após contarem que o segredo do sucesso está na união e cumplicidade, o casal revelou o processo entre o carnaval de 2020 e o de 2022.
“Agora, eu posso dizer que, depois daquela apuração nós ficamos três dias seguidos trancados dentro do meu quarto sem falar com ninguém. A gente chorou muito, olhávamos um para o outro e nos desmanchávamos, no primeiro dia nem comemos e no terceiro dia descobrimos que roubaram o carro da Lucinha. Nós recebemos um combo, os dois desenvolveram crise de ansiedade e eu acreditava que isso nunca iria afetar a gente. Sabe? Foi muito doido”, disse Marlon.
“Aquele carnaval de 2020 ficou batendo na gente o tempo todo do processo para esse ano. Nós depois fomos para Uruguaiana, aí não teve carnaval lá e voltamos já ouvindo a história de pandemia, pandemia, pandemia. Marlon teve que ir para São Paulo por questões financeiras, depois entramos num buraco muito difícil de sair. Eu tive depressão, nós tivemos muitos choros e nisso ainda começou a morrer um pessoal na Portela, minha mãe ficou doente, meu relacionamento de seis anos acabou. Tudo o que tinha para acontecer de ruim, aconteceu de uma vez só, mas foi nesse momento em que o Marlon passou para a faculdade de Medicina e aí eu parei e falei: ‘Calma aí e vamos!’. Foi quando contratei o personal, nós tomamos a decisão de trabalhar com a Camille e isso tem influência total no resultado, porque ela foi minha ensaiadora por 15 anos, mas parou para ter o filho. Ela ajudou a gente na Porto da Pedra, mas ainda não era nossa ensaiadora, quando foi em 2019 ela se mudou para Portugal. Nos separamos, mas em 2021 quando veio o negócio do online, o Pavão falou que acreditava ser possível e nós voltamos a trabalhar. Outra pessoa que temos que agradecer nesse processo é o Fernando Magalhães, porque ele fez uma roupa incrível, assim como a nossa maquiadora também fez. Todos nós trabalhamos muito”, contou Lucinha.
E, mesmo o casal tendo sigo enaltecido pelo público, recebido muitos elogios da imprensa e da comunidade do carnaval como um todo, na apuração eles perderam um décimo, logo, era impossível não perguntarmos como eles lidaram com isso e se chegaram a ler a justificativa.
“É só ver os vídeos. Os vídeos do carnaval passado mostram que foi ruim mesmo. Fato. Só que esse ano não, esse ano nossa respiração, olhar e cabeça eram combinados, a dança solta era combinada. Ouvi alguém dizendo que fomos para Avenida com o regulamento debaixo do braço e foi bem isso mesmo, sabe? E, ainda sobre os jurados, teve jurado distribuindo notas 10 e aí é outro ponto também que eu não concordo, se todo mundo vai sair com nota 10, por que eu vou ensaiar? Outra coisa que eu discordo é que esse ano tivemos mesmo peso duas medidas. Os 50 pontos da Taciana e do Daniel (casal da Grande Rio) foi super merecido, mas a gente e outros casais mereciam também. Para encerrar, eu gostaria de falar da dança do casal, porque nós não podemos descaracterizar ela. Eu adoro macumba, nós somos macumbeiros, a gente também usa dessa inspiração, mas esse ano exageramos nas referências as danças dos Orixás e nós temos que ter cuidado para não descaracterizarmos a dança do mestre-sala e porta-bandeira”, afirmou Lucinha.
“Eu olhei a justificativa e não concordo de forma alguma com ela. Eu não consigo entender o ponto de vista dela para dar 9.9, mas agora é trabalhar para que isso não se repita. Ela falou que a gente tinha uma dança com dinâmicas diferentes e isso eu não concordo de jeito nenhum, mas agora não temos mais como discutir. A nota já foi dada. O jurado ao lado dela nos deu o 10, então é uma coisa que eu realmente não entendo. Eu agora vou trabalhar para em 2023 não cair em outra justificativa como essa. Respeito, mas eu não consigo concordar com o que foi escrito”, disse Marlon.
Apesar do ótimo desfile de 2022, Lucinha Nobre acabou a temporada com o pé quebrado. Ela contou ao site CARNAVALESCO como aconteceu. “Foi nada demais, eu fui assistir ao desfile da Vila Isabel, fui dar um beijo no meu irmão, vi o casal passando, vi a comissão de frente, vi um pedaço do desfile até a bateria, mas quando eu voltei eu pisei em falso naquela calçada que tem antes da grade azul e meu pé virou. Nem cheguei a cair não, só ficou doendo muito. Voltei pro camarote para terminar de ver a Vila, depois fui para o hotel. Quando foi no dia seguinte eu estava com muita dor ainda, então resolvi ir ao médico e fizemos uma chapa. Fraturei o quinto metatarso”.
Como Lucinha mesmo comentou, ao lado dela está atualmente o jovem Marlon Lamar, que atualmente está conciliando a carreira no carnaval com os estudos para medicina em São Paulo e ele explicou para o CARNAVALESCO, como faz para conciliar as atividades.
“Planejamento é a palavra-chave. Medicina é uma faculdade integral, se você conseguir montar um cronograma em que se tenha as prioridades bem definidas, quais os compromissos da semana você se vira. Eu sei que minhas primeiras 12 horas do dia são destinadas a faculdade, então quando eu chego da faculdade eu estudo o que foi dado no dia e desse modo não acúmulo matéria e isso permite que eu esteja no carnaval. Eu preciso dizer também que quem me levou até o curso de medicina foi o carnaval, porque eu nasci dentro de uma escola de samba e cresci ouvindo que sambista não podia fazer isso e aquilo, que quem era do samba era da bagunça e o carnaval era coisa de quem não tinha o que fazer. Só que eu entendia o contrário, sempre estive dentro dos projetos sociais. Fora isso, eu nunca tive dinheiro para fazer um curso pré-vestibular ou ter um professor particular, então foi o carnaval que possibilitou estar na faculdade. Espero que essa aliança entre medicina e carnaval sempre seja amorosa. Espero ser o mestre do carnaval”.
A dupla portelense também falou sobre a renovação com a Portela para o desfile de 2023. “Eu fiz da Portela a minha família. A Portela é tudo o que eu tenho no Rio de Janeiro, é onde tenho meu pai, meu tio, periquito, papagaio. O carnaval do ano que vem será mágico”, prometeu o mestre-sala.
“Me preparei a vida inteira por esse momento. Algumas pessoas dizem que no centenário tem que ter identificação, raízes etc. Ninguém pode dizer que eu não tenho minhas raízes na Portela, porque mesmo tendo saído a minha raíz ficou plantada aqui e agora eu estou colhendo os frutos com o Marlon. Tenho certeza de que de onde a Dodô estiver ela estará me abençoando, também tenho muito orgulho de ter recebido do departamento cultural da escola a ponteira da Dodô”, completou Lucinha.
Lucinha acompanha o trabalho das outras escolas como um todo, portanto, sendo uma porta-bandeira já consagrada, ela concorda que há uma renovação acontecendo e se há algum nome em especial que chame atenção dela.
“Vejo umas meninas chegando sim, mas precisamos respeitar a maturidade. Acredito que o meu auge, o da Seliminha, e o da Giovana está aí, são porta-bandeiras com carreira incontestável, carregam muita bagagem e isso é um fato. Agora, tem umas meninas que chegam chegando tipo a Bruna (Santos, da Mocidade) que dança muito, tem braços lindos também. Outra que chama atenção é a Taciana (Couto, da Grande Rio), que já tem mais tempo, mas também arrebenta. Tem espaço para todo mundo, é só a escola entender o que quer para ela, no caso da Portela nós temos ao menos tempo a juventude com a maturidade. A gente se completa. Uma porta-bandeira precisa ter sorriso, garra e girar para os dois lados. Fora da Avenida tem que trabalhar, porque se deitar na fama não vai dar certo”, respondeu Lucinha Nobre.
Foto: Site CARNAVALESCO
Marlon Lamar também explicou o que para ele é fundamental na avaliação da dança de um mestre-sala. “A função primordial do mestre-sala é cortejar e proteger a porta-bandeira e o pavilhão e eu sinto que estamos perdendo isso. Para mim é inadmissível um mestre-sala dar as costas para porta-bandeira, riscar na frente do jurado, riscar para o público e esquecer do foco principal que está na bandeira e porta-bandeira. É essencial cortejar e proteger a bandeira e porta-bandeira, quando eu estou vendo um casal se apresentando isso é a primeira coisa que eu olho. Também temos que ter uma dança de mestre-sala para porta-bandeira e de porta-bandeira para o mestre-sala. Eu enquanto jurado exigiria isso com certeza”, finalizou.
O Samba Pass iniciou uma nova fase na Vila Olímpica da Gamboa, na Zona Portuária do Rio, visando o preparo físico e artístico dos sambistas de alto rendimento das agremiações cariocas para o Carnaval 2023. O projeto, que iniciou em março, foi elaborado pela Fundação João Goulart em parceria com a Secretaria Municipal de Esportes e faz parte do Carnaval de Dados.
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A grande novidade é que passistas passam a ser contemplados pelo programa, que antes era voltado apenas para mestres-salas, porta-bandeiras e integrantes da comissão de frente. O grupo vai poder praticar pilates, treinamento funcional, hidroginástica, dança e exercício específico por segmento.
“A primeira etapa foi um sucesso. Vamos seguir dando continuidade e expandindo o Samba Pass para que os profissionais possam estar ainda melhores no próximo Carnaval”, afirma o secretário de Esportes, Francisco Bandeira.
A expectativa é a de que mais 100 pessoas sejam atendidas com a novidade, totalizando 200 participantes. As inscrições dos profissionais do samba estão sendo realizadas presencialmente na Vila Olímpica da Gamboa, nos dias de aula: terças e quintas (10h às 12h e 18h às 20h), quartas e sextas (17h às 20h) e sábados (8h às 12h). É necessário apresentar documento de identidade e preencher um formulário fornecido no local.
O projeto é coordenado pelos professores de Educação Física e profissionais do samba Matheus Olivério, mestre-sala da Estação Primeira de Mangueira, e Julio Cesar Nascimento, conhecido como Julinho Nascimento, mestre-sala da Unidos do Viradouro. Crias do samba, eles festejam o sucesso da primeira etapa e contam da expectativa pelo retorno, que aconteceu neste sábado (14) com um aulão de Circuito Samba Fun Fit, embalado pela bateria da Escola de Samba Vizinha Faladeira.
“Foi maravilhoso ver a galera do samba tendo esse suporte no Carnaval deste ano. Não só os que fazem parte do Grupo Especial, mas principalmente os das outras séries. Já temos muitos alunos fiéis, que estavam ansiosos por este retorno. O Carnaval de 2023 é logo ali”, contou Matheus Olivério.
Julinho Nascimento também comemorou a continuidade do projeto.
“Muitos sambistas não tinham a oportunidade de se preparar para o Carnaval e nos relataram que melhoraram muito a performance após as aulas. Tenho certeza que para o próximo ano vai ser ainda melhor, começando desde já a preparação”, comentou.