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Sinopse do enredo da Vila Isabel para o Carnaval 2023

Enredo: ‘Nessa festa, eu levo fé!’

vila enredo2023

A religiosidade que motiva grande parte das comemorações em todo o mundo tem sua origem em cultos a divindades consideradas profanas se colocadas em oposição à ideia monoteísta, de um único deus, propagada por algumas religiões. Na festa do Carnaval da Vila Isabel, a fé vem acompanhada da diversidade, onde todos os deuses fazem parte da história de uma só humanidade, que trilha caminhos diferentes em busca da felicidade.

No começo, foi Dionísio na Grécia. O deus grego foi o princípio de tudo. Tempos depois, a mitologia romana incorporou Dionísio como Baco. O deus da uva, cultuado na época das colheitas, percorreu muitos lugares para semear a nova devoção, a entrega absoluta ao mais irresistível desejo: o de celebrar! Seu vinho entorpecia os sentidos, embriagava a alma, aproximava os corpos, libertando as mulheres que dançavam em rodopios para homenageá-lo e se entregarem ao êxtase místico. Seus ensinamentos frutificaram e atravessaram os séculos. Baco, o deus das festas, atendendo ao chamado da Vila Isabel, renasce e inicia uma nova caravana que chega à Sapucaí e faz um desfile para afastar a tristeza, animar os corações e semear felicidade.

O cortejo divino que invade a Avenida e contagia o público canta forte e canta alto, embalado pelo ritmo emocionante da bateria. Todos dançam para evocar a divindade que deu origem a todas asfestividades! Evoi! Evoé! Que soem os tambores! A festa de todas as festas vai começar!

QUEM NOS ENSINOU A FESTEJAR… FORAM DEUSESMILENARES!

Se os antigos gregos e romanos nos brindaram com o mais puro vinho da celebração, os egípcios nos ensinaram a comemorar o ano inteiro. Seus festivais eram uma espécie de libertação, de catarse coletiva dos problemas da vida dura e entediante, onde o que se queria era brincadeira e diversão para afastar as tensões das guerras, agradecer e pedir favores aos deuses. De todas as festas, uma das mais populares era dedicada a Bastet, deusa da fertilidade, da reprodução, da embriaguez, da dança e do amor, que tinha o poder de fertilizar a terra e as pessoas, sendo celebrada na época da semeadurapara invocar boas colheitas.

Da Mesopotâmia, vem o Akitu, uma espécie de pacto, onde o destino da humanidade era receber prosperidade se cultuasse os deuses. Marduk, uma divindade de vida, morte e renascimento, inaugurava um novo ciclo de estações para a agricultura, sempre que os humanos o cultuavam. Esse antigo festival de tradição assíria acontece até os dias de hoje. O que poucos sabem é que ele influenciou o mundo na realização das festas do Ano Novo. Feliz Akitu!

Uma explosão de cores começa a encantar a Avenida com o Holi Festival, um dos mais antigos da Índia, que se espalhou por diversos lugares do mundo para comemorar a chegada da primavera e da renovação da esperança. As pessoas jogam pós coloridos umas nas outras, e as cores simbolizam o amor das divindades hindus Krishna e Radha.

A Inti Raymi, Festa do Sol, é a mais importante celebração da cultura andina, que remonta aos tempos da chegada da ocupação Inca em território peruano. O festival tem origem em uma súplica para que o deus Sol iluminasse as montanhas geladas no topo das Cordilheiras dos Andes e garantisse bons períodos de plantios e colheitas. Mas, naverdade, esse culto foi inspirado pela antiqüíssima civilização de Tiwanaco, na Bolívia, onde está a famosa Porta do Sol.

As tradições milenares representadas no Ano Novo Chinês, uma festa que dura 15 dias, ganham vida na Passarela! A Dança do Leão, que vem dos tempos das dinastias Han e Tang, como uma cerimônia para exorcizar espíritos maléficos e invocar sorte e felicidade, faz parte dessa tradição. O Festival das Lanternas encerra as comemorações e é muito especial, pois é a primeira noite de lua cheia do calendário da China, marcado pelo retorno da primavera. Acredita-se que o imperador Han Ming, um defensor árduo do budismo, há cerca de dois mil anos, ao saber que os monges, em respeito ao Buda, iluminavam os templos com lanternas, no décimo quinto dia do primeiro mês lunar, ordenou que todos acendessem lanternas em suas casas nessa mesma data.

Iluminada a Avenida pelos cultos que pediam proteção e prosperidade aos antigos deuses mitológicos, o cortejo atravessa o tempo para apresentar as festividades que direcionam a devoção de seus fiéis a divindades e santos protetores em diferentes lugares do mundo.

TEM PADROEIRO NO MUNDO INTEIRO!

As ruas espalhadas em todo o planeta recebem devotos o ano inteiro, para louvar seus protetores e padroeiros. São milhões de pessoas que se dedicam a praticar a fé com a paixão de quem quer obter uma graça, agradecer ou, simplesmente, participar da festa! O sentimento coletivo de comunhão e alegria mantém vivas tantas tradições e manifestações populares mundo afora.

E, no Japão, são incontáveis as divindades e celebrações! De origem xintoísta, os festivais “matsuri” reverenciam guardiões de templos e cidades, por todo o país. O consagrado Santuário Okunitama celebra a divindade Okami, guardiã de sua antiga província, em dias e noites de festivais lotados, como o Kurayami. As procissões de cores, andores, ritos e trajes típicos simbolizam o encontro feliz do povo com o divino e perpetuam a cultura japonesa.

Pelas ilhas Filipinas, na Ásia, o Festival Sinulog recebe milhões de pessoas de diversos lugares, encantadas com as danças rituais e amúsica dos tambores e gongos nativos em homenagem ao protetor Santo Niño. A devoção à imagem do Menino Jesus surgiu a partir da fusão do catolicismo com as crenças dos povos originários, que os colonizadores não conseguiram impedir.

Em terras irlandesas, irreverentes e animados desfiles celebram o Dia de São Patrício, padroeiro nacional, refletindo o sincretismo da fé católica com as tradições pagãs dos antigos povos celtas e seus sacerdotes druidas. O verde das fantasias de duendes e do trevo, símbolo de sorte e do início da primavera desde os ancestrais, toma conta das ruas, com muita música, comida e bebida!

Já em Valência, na Espanha, a adorada santa protetora recebe uma bela e colorida homenagem que deslumbra a todos. O cortejo da Oferenda das Flores à Virgem dos Desamparados ocorre durante os festejos das “Fallas” pagãs locais. Milhares de “falleras” e “falleros”, com seus trajes típicos e bandas animadas, caminham pelas ruas até a praça da Basílica da Virgem, levando buquês que vão formar o manto da colossal imagem da padroeira da cidade, construída especialmente para receber as oferendas florais. É um espetáculo de alegria e devoção!

A FESTA NOSSA DE CADA DIA

Baco, o deus do êxtase, conduz o desfile às terras brasileiras, onde os festejos também pertencem ao reino do sagrado e do profano. As festas nossas de cada dia têm o poder de espantar a dor e a misériacom a mais pura alegria! O país possui inúmeros folguedos de fé que mostram a diversidade de tradições e o sincretismo de elementos cristãos, afro-brasileiros e indígenas.

Uma das maiores manifestações religiosas populares da Bahia é a Lavagem das escadarias do Bonfim. O ritual que reúne milhares de pessoas no Largo do Bonfim, bem em frente à igreja, no alto da Colina Sagrada, se repete todos os anos, desde o final do século XVIII. Todos se vestem de branco, a cor de Oxalá, o deus iorubá sincretizado com Nosso Senhor Jesus Cristo. As baianas da Vila fazem a festa do Senhor do Bonfim! É água de cheiro para Oxalá e oferendas no mar para Iemanjá! Em várias regiões do país, multidões se encontram nas areias das praias ou participam de procissões para homenagear a divindade afro-brasileira e Rainha do Mar. Na Festa de Iemanjá, a vaidosa orixá recebe flores, perfumes, espelhos, bijuterias e comidas, que são colocados em pequenos barcos e lançados nas águas por seus devotos e admiradores.

Mas “num tem festa mió” que a Junina! É Santo Antônio, São João e São Pedro, é pular fogueira, dançar quadrilha e comer de um tudo que é comida típica! Colocar a roupa caipira, brincar no ritmo contagiante do “arraiá” e cair na festança até o dia clarear! E não perder o casamento na roça, que, além de divertido, faz homenagem ao santo casamenteiro.

Os festejos de fé se espalham pelos campos e cidades brasileiras. A Cavalhada, um folguedo que veio de Portugal, tem origem nos torneios de cavaleiros medievais. É a teatralização de uma batalha ao ar livre entre cavaleiros cristãos e mouros, belamente ornamentados, que acontece em diversas cidades do interior. Outros personagens irreverentes e mascarados, de caráter profano, também fazem parte desse folclore, saindo pelas ruas a galope em uma grande algazarra!

Em Belém do Pará, acontece o Círio de Nazaré, a maior manifestação católica do país e um dos maiores eventos sagrados do mundo! A cidade inteira é pura emoção e alegria! Milhares depessoas querem participar da procissão e agarrar a corda utilizada para puxar a luxuosa berlinda que transporta a imagem da santa. Para os romeiros, a corda representa o elo com Nossa Senhora de Nazaré. Ao tocá-la, participam intensamente da fé do Círio de Nazaré.

Símbolo da magia amazônica, o Festival de Parintins arrebata multidões e brincantes, que, ao som dos tambores e da toada,defendem as cores dos bois-bumbás. A grande manifestação folclórica brasileira envolve religiosidade e fantasia, para contar a história dos povos da floresta e as lendas do boi-bumbá. O apogeu do espetáculo é o auto da ressurreição do boi, com a intervenção do poderoso pajé. O público vibra!

A MORTE É UMA FESTA!

Baco, o deus da renovação e da alegria, conduz o desfile por festejos e ritos que transformam a tristeza da morte em uma grande celebração à vida e à memória dos que partiram. Essas homenagens festivas fazem parte do legado de culturas e tradições ancestrais em que a morte é entendida como uma forma de renascimento espiritual, um ciclo contínuo de vida, e não um fim! Também representam omomento de reencontro feliz e de reverência aos antepassados.

“Está bem, agora vai ser sempre assim. Os mortos não reviverão mais quando se fizer Kuarup, somente as suas almas! Agora vai ser só festa!”. Assim profetizou o mítico Criador Mavutsinim, ao fundar o Kuarup, o ritual das nações indígenas do Alto Xingu, em homenagem aos mortos. Na aldeia, são dias de festividades, para honrar a história daqueles que se foram e libertar suas almas paraviverem na eternidade.

Os povos africanos Dogon, da região de Mali, também cultuam seus antepassados e realizam festivais e cerimônias, como a Dança das Máscaras, para que os falecidos descansem no mundo espiritual. Em solo sagrado, celebram com trajes e máscaras coloridas, que simbolizam a conexão entre o mundo do Sol e o da Terra, onde a vida e a morte se encontram.

O Festival do Fogo, que acontece nas Ilhas de Shetland, na Escócia, é celebrado por descendentes vikings, que, ao final do desfile, queimam uma embarcação lançada ao mar, ao som de cânticos, comidas e bebidas. A apoteótica cena que encerra o festival remonta às antigas celebrações funerárias dos guerreiros vikings, que acreditavam que a morte gloriosa em batalha os levaria a Valhala, o mítico Salão dos Mortos, onde viveriam e comemorariam com os deuses.

De origem ancestral, o Dia dos Mortos, no México, celebra avida e a memória dos antepassados. Acredita-se que somente nessa época as almas podem voltar para visitar seus entes queridos. As pessoas se fantasiam, festejam e montam altares com comidas ebebidas, flores e velas, para guiar os espíritos em seu caminho. As caveiras belamente pintadas, como “La Catrina”, são o símbolo mais popular da festa e da cultura mexicana!

Em Nova Orleans, a música faz parte da vida e da morte! Os cortejos do Jazz Funeral são uma tradição religiosa importante da cultura afro-americana local. Nas marchas fúnebres, as bandas de metais começam tocando músicas solenes, mas, após o enterro, os ritmos se tornam comemorativos e catárticos. Todos cantam, dançam e agitam lenços, para festejar a vida e a história de quem partiu.

Já no dia 31 de outubro, em diversos países de origem anglo-saxônica, como os Estados Unidos, os mortos são celebrados em festejos com enfeites e fantasias “assustadoras” e divertidas. Ofamoso Halloween tem suas raízes no festival da colheita Samhain,dos antigos povos celtas, que marcava a chegada do inverno como a aproximação com o mundo dos mortos. Ao longo dos tempos, a festa pagã foi sendo adaptada, até ser instituída pela Igreja Católica como a Véspera do Dia de Todos os Santos.

CARNAVAL: NESSA FESTA, EU LEVO FÉ!

Todos os anos o mundo se prepara para comemorar uma das mais impressionantes festas do calendário religioso: o Carnaval! Inspirado nas celebrações pagãs da Antiguidade, ele foi incorporadopela Igreja Católica, como o tempo permitido aos fiéis paracometerem todos os pecados: embriagar-se, comer muito e se entregar aos prazeres da carne até a Quaresma. Alguns dos carnavais mais divertidos entram no cortejo da Vila, para revelar ao públicoformas diferentes de brincar nessa folia divina e profana que encanta multidões.

No ano da consagração da Basílica de São Marcos, um monarcamedieval local decretou que, no Carnaval de Veneza, todos deveriam se divertir, sem se preocuparem com a posição social. Desde então, a cidade recebe animados foliões, que, escondidos atrás de lindas máscaras e vestimentas, só se reconhecem na euforia da deliciosa brincadeira dos carnavais de rua!

Se, para se divertir em Veneza, é preciso apenas uma máscara, já em Santa Cruz de Tenerife, nas Ilhas Canárias, desfiles extravagantes exibem fantasias alegóricas que ocupam as ruas, surpreendendo a multidão, que, alegremente, canta, dança, come e bebe sem limites!

Bailes e bandas animam o Mardi Gras, em Nova Orleans, onde se misturam tradições europeias, africanas e caribenhas. A distribuição de colares de miçangas e contas para os brincantes é típica dos desfiles populares, além das cores roxa, verde e dourada nos adereços, fantasias e alegorias.

A Escola de Noel iniciou seu desfile conduzida pelo deus Baco, mostrando a origem das festas religiosas e nos encantando com seu legado de alegria e diversão. Agora, a divindade do prazer escolheu concluir sua trajetória no lugar mais animado de todos: a Marquês de Sapucaí, onde acontece o maior espetáculo a céu aberto da Terra: o Carnaval carioca! O cortejo toma conta da Avenida, reverencia e conduz o Rei Momo, personagem histórico, expressão maior do nosso sentimento divino de realeza e do triunfo do prazer! Na Apoteose, o Rei anuncia:

“Diga aos súditos da folia
que, no final dessa história,
vocês que semeiam alegria
merecem colher a vitória!
Evoé! Nessa festa, eu levo fé!”

Mangueira 2023: samba da parceria de Jocelino

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Compositores: Jocelino, Vagner Sinimbu, Rodrigo Peçanha, Gilmar Sobrinho e Porkinho
Intérpretes: Carlos Júnior, Chitão Martins e Paulo Bispo

A AFRICANIDADE DA BAHIA
A BAIANIDADE É DA MAE TERRA
OYÁ SOPROU OS VENTOS DE MAGIA
ESSENCIA, RESISTENCIA DA FAVELA
LUANDA, SALVADOR, NA GINGA DO PELÔ
MEU POVO VAI DESCENDO A LADEIRA
É OXALÁ E ZAMBI, É RITUAL E SANGUE
SE É LUTA, LEMBRA O MORRO DE MANGUEIRA
SALVE CUCUMBI, GENTE PRETA SERPENTEIA
NEGA BAMBEIA COM O ROÇAR DO XEQUERE
CLAMA A RAINHA E O FEITIÇO VAI FAZER
O SEU FRUTO RENASCER

O SEU FRUTO RENASCER BIS

IDENTIDADE RESSOA NO COURO DO RUM
MEU TAMBOR VEM DE LÁ
E NA FOLIA DE RUA EU MOSTRO QUEM SOU
PRA ME PROTEGER, PRA ME REBELAR

NO ENGENHO VELHO
OS TERREIROS E O TALHAR DO IROKO
PELOS GUETOS SENTIR MAIS UM POUCO
A MAGIA QUE HÁ NO IJEXÁ
SEGUE O CORTEJO SAGRADO DA FÉ
SE FAZ AJEUM, CANDOMBLÉ
NA DANÇA DOS ANCESTRAIS
GIRAM OS ORIXÁS
SE A VIDA SE APRESENTA COMO AÇOITE
EU QUE TENHO A COR DA NOITE
ME LIBERTO EM MEU CANTAR
CLAVES DE SOL, AVENIDAS
PÉROLAS NEGRAS EM LINDO VISUAL
NO AMANHECER DO CARNAVAL

ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MANGUEIRA E DA BAHIA
É SOM DA QUEBRADA , TIMBALADA E OLODUM
AXÉ DO ILE AYE, O TOQUE DO BADAUÊ, OUVI DIZER
QUE TODA A CIDADE É DE OXUM

Mangueira 2023: samba da parceria de Kazen Sorriso

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Compositor: Kazen Sorriso

Ó mãe África
Que trouxe meus afoxés
Salve a Bahia, meu povo de candomblé
Seu vento é forte e vem lá do além mar
Canta morro de mangueira
A força de oyá

Veio de longe da terra dos ancestrais
Trago na pele magia dos rituais
O ijexá de um alabê é quem nos guia
Pra cultuar nossa fé
Que não podia

E assim, iaiá
Eu vou a Bahia, ver preta rainha
Em um cortejo de rotins
E sem a lei áurea tão sonhada
O arauto anunciava
Em cucumbis

Muzenza já iníciou, saravá
Ilê, Malê de balê, timbalada
Se nunca viu venha ver
Todo o pelô vai descer
Em verde rosa pra lembrar o badauê

É de oxum
Toda essa cidade
O padê de Exu traz a liberdade
Em salvador o olodum pelas ladeiras
Tem berimbau, samba de roda e capoeira
Ao toque de um rumpilé
Na estação primeira

Mangueira 2023: samba da parceria de Junior Miranda

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Compositores: Junior Miranda e Jorge Mazzoni
Intérprete: Ailton Santos

Vou mangueirar, festejar
feito cucumbis em procissão
Sob as bênçãos de oya, em oração REFRÃO
Comemorando entre becos e vielas
mais uma estrela da primeira estação

Me anulei,
Dentro da minha própria representação
Ao descobrir,
Que a pele preta era azo de opressão…
Mas consegui desfilar,
Sob a égide de Ilu a repicar!
Mães “Pretas” em Verde e Rosa,
Conscientizando os seus filhos a herdar…

Eu vim de longe,
Vim de muito longe…
Bantu, Haussá, Gege e Iorubá…

Liberta a minha voz,
Deixa a caneta contar, BIS
Gira baiana legado da nossa história!

Oh Rainha,
Conduz os guetos “Negros” em cortejos
Eterno jequitibá
Que lá do alto anuncia,
A liberdade e a fé nos orixás
Oh Mangueira,
Com surdos, xequeres e afoxés…
Timbalada, Reggae e Nagô
Com muito samba no pé
Hoje reduto do meu Axé

Mangueira 2023: samba da parceria de Lula da Mangueira

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Compositores: Lula da Mangueira, Belo da Mangueira, Jorge blau blau, J.C.Lazarim, Ademar Madureira
Part.especial: Ramos de Oliveira, Meia noite e Alexandre Guerra
Intérpretes: Gonzaguinha, Fogueira Bastt, Turco e Fernando Sapê

A força que vem de além mar
É sangue, raça é pulsar da mãe Africa
O vento soprou,destino mudou
Na Bahia veio aportar
Banto, jeje yorubá
Trazendo…costumes de seus ancestrais
No corpo as marcas de seus rituais
Varias bandeiras, canto de fé
Um grito em prol da liberdade
Axé, o povo clamava
Axé, a paz implorava
Cortejo à rainha
Magia e poder
Prepare seu Xequerê

Oyá yá cadê a lei áurea tão sonhada
Oyá yá ou foi pura ilusão
Os negros nas ruas em dia de folia
Desafiando a escravidão

Bahia de todos os Santos
Terra do encanto
Eparrei Oyá
Tem festa do lava pés
Devotos do Candomblé
Saudando os seus orixás
Eu sou! a voz da luta pela igualdade
Herança preta ” timbalançando” de verdade
Ilê Aiye,Olodum e Badauê,salve os filhos de Gandhi
Vem na pipoca eu quero ver

Abençoe, oh nosso senhor do Bonfim!
Tem que respeitar meu tamborim
Rufa os tambores de felicidades
Lá vem Mangueira. É verde rosa na cidade

Ouça o samba-enredo da Mangueira para o Carnaval 2023

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Compositores: Lequinho, Júnior Fionda, Gabriel Machado, Guilherme Sá e Paulinho Bandolim
Participação: Margareth Menezes

OYÁ, OYÁ, OYÁ EÔ!
Ê MATAMBA, DONA DA MINHA NAÇÃO
FILHA DO AMANHECER, CARREGADA NO DENDÊ
SOU EU A FLECHA DA EVOLUÇÃO
SOU EU MANGUEIRA, FLECHA DA EVOLUÇÃO

LEVO A COR, MEU ILÚ É O TAMBOR
QUE TREMEU SALVADOR, BAHIA
ÁFRICAS QUE RECRIEI
RESISTIR É LEI, ARTE É REBELDIA
COROADA PELOS CUCUMBIS
DO QUILOMBO ÀS EMBAIXADAS
COM GANZÁS E XEQUERÊS FUNDEI O MEU PAÍS
PELO SOM DOS ATABAQUES CANTA MEU PAIS

TRAZ O PADÊ DE EXU
PRA MAMÃE OXUM TOCA O IJEXÁ
RUA DOS AFOXÉS
VOZ DOS CANDOMBLÉS, XIRÊ DE ORIXÁ

DEUSA DO ILÊ AIYE, DO GUETO
MEU CABELO BLACK, NEGÃO, COROA DE PRETO
NAO FOI EM VÃO A LUTA DE CATENDÊ
SONHO BADAUÊ, REVOLUÇÃO DIDÁ
CANDACE DE OLODUM, SOU DEBALÊ DE OGUM
FILHOS DE GANDHY, PAZ DE OXALÁ
QUANDO A ALEGRIA INVADE O PELÔ
É CARNAVAL, NA PELE O SWING DA COR
O MEU TIMBAU É FORÇA E PODER
POR CADA MULHER DE ARERÊ
LIBERTA O BATUQUE DO CANJERÊ

EPARREY OYA! EPARREY MAINHA!
QUANDO E VERDE ENCONTRA O ROSA TODA PRETA É RAINHA

O SAMBA FOI MORAR ONDE O RIO É MAIS BAIANO (2x)

REINA A GINGA DE IAIÁ NA LADEIRA
NO ILÊ DE TIA FÉ, AXÉ MANGUEIRA!

Perlingeiro elogia safra de enredos para o Carnaval 2023 e revela pagamento de cota da TV Globo para escolas de samba

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O presidente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Jorge Perlingeiro, atendeu o site CARNAVALESCO, após a plenária com os presidentes das escolas de samba do Grupo Especial do Rio, realizada na noite desta quarta-feira, na Cidade do Samba. O representante da Liga disse que ficou feliz com a safra dos enredos para o ano que vem.

perlingeiro

“Vejo enredos muito diversificados. Adoro enredos que homenageiam personagens vividos, como Arlindo Cruz (Império Serrano) e Zeca Pagodinho (Grande Rio). A Portela vai falar do seu centário. Estou gostando muito da variedade dos enredos. O período para o carnaval é mais curto e temos que trabalhar. Tivemos uma procura excepcional pelos camarotes. Todos (camaroteiros) confirmaram que querem continuar e os novos não poderemos atender todos”, disse Perlingeiro, que ressaltou a projeção da diferença de público de 2022 para 2023.

“Vai ser um espetáculo ainda mais brilhante. Esse ano foi o carnaval da superação. Tivemos 94% de cariocas, 4% de paulistas e os outros 2% para outros locais do país. Chegamos a marca de 91% dos ingressos vendidos na Sapucaí. Ano que vem estão prevendo seis grandes transatlânticos aportando no Rio de Janeiro”.

Perguntado sobre a relação com a TV Globo, o presidente da Liesa revelou que o Grupo Especial do Rio de Janeiro tem um contrato com o emissora até o fim do carnaval de 2024. Ele também falou sobre o almoço que toda agremiações tiveram com o governador do Rio e que demonstraram apoio para reeleição de Cláudio Castro.

“Temos contrato com a Globo até o Carnaval 2024 e as escolas já receberam a primeira parcela do pagamento para o Carnaval 2023. Hoje, na plenária com os presidentes das escolas, também conversamos sobre o almoço com o governador. Importante o poder público estar com a gente. Nossa bandeira é do samba. É bom saber que estado e município estão falando a mesma língua que a gente”.

Perlingeiro contou também que em breve começará a obra na Cidade do Samba para construção definitiva da unidade do Corpo de Bombeiros. “Não será mais um posto avançado. É uma grande vitória. Estávamos tentando isso há muito tempo”.

Escolas de samba vão fazer finais nas quadras e programa ‘Seleção do Samba’ terá novo formato

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Os presidentes das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro estiverem presentes, em uma reunião plenária na Cidade do Samba, na noite desta quarta-feira, para debaterem diversos assuntos relacionados aos desfiles de 2023, principalmente, a realização das finais de samba-enredo e o programa “Seleção do Samba”, que a TV Globo realizou para escolha das obras de 2022.

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Foto: Allan Duffes/Site CARNAVALESCO

Em entrevista ao site CARNAVALESCO, o diretor de marketing da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Gabriel David, revelou que haverá novamente o “Seleção do Samba”, mas que o formato ainda está sendo decidido em comum acordo com todas agremiações e a emissora. Além disso, ele contou que as escolas vão fazer as finais em suas quadras.

“Vai ter ‘Seleção do Samba’. Está confirmado. Hoje, na plenária, discutimos o modelo do programa com os presidentes. As escolas estão sabendo todas possibilidades que existem. Teremos as finais nas quadras das escolas de samba. O ‘Seleção do Samba’ está na grade da TV Globo e agora só estamos definindo o formato ideal para todas escolas. Em breve, elas vão divulgar as datas das suas finais”, explicou Gabriel David.

O diretor de marketing da Liga também falou sobre a abertura do “Rio Carnaval 2023” e a realização dos mini-desfiles na Cidade do Samba.

“Com certeza, vamos ter um evento de abertura oficial do carnaval. O formato ainda estamos discutindo. Essa abertura será depois do Ano Novo. Antes disso, nós teremos outros eventos legais acontecendo ao longo do pré-carnaval 2023, tenho conversado com o presidente (da Liesa, Jorge Perlingeiro). Os mini-desfiles provalmente vão voltar a acontecer, não sei se na abertura do carnaval ou em outro evento”.

Gabriel David contou que para o pré-carnaval 2023 trabalha com a maior divulgação do carnaval. Ele ressaltou que a criação da marca “Rio Carnaval”, premiada em Cannes, foi fundamental para o que propõe realizar na Liga.

“A marca era uma necessidade. Por sorte, conseguimos juntar uma grande equipe, fazer um ótimo trabalho, e, pela primeira vez, uma marca criada no Brasil ganha dois prêmios em Cannes. Agora, nós buscando ampliar o poderio de comunicação do carnaval. Precisamos de visibilidade e protagonismo”.

Mangueira 2023: samba da parceria de Alexandre Naval

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Compositores: Alexandre Naval, Partidinho da Mangueira e Andrezinho Bandeira

Canta Mangueira, Bahia traz o axé
Jeje-nagô e candomblé
Nação do queto mãe África é raíz
Brilha a verde rosa faz o povo mais feliz

Mangueira é de oya
Exaltando em poesia
A africanidade da Bahia,
Que Canta e dança em alegria
Os Cucumbis reverenciam
Celebrando a rainha sua alteza
A arte Negra é riqueza
Embaixada africana pelas ruas em nobreza
Desfilando exuberância e grandeza
Charme de essência e beleza

Gira baiana na gira a rodar… ao som do tambor
Firmando o ponto pros orixás… Agô
No Ijexá Afoxés e batuques,
De Olodum, capoeira
Vem pro cortejo da Estação Primeira

E foi marginalizado
Por preconceito da falsa civilidade
Mas a negritude vence o mal
Imperou com liberdade o carnaval
Axé embalando a Bahia
Ilê ayê cultura em Salvador
No Negro toque do agogô
Baianidade nagô
Seguindo o trio elétrico eu vou

Mangueira 2023: samba da parceria de Fernando Paz

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Compositores: Fernando Paz, Luizinho LA, Valmir Oliveira e Manolo Niterói
Intérprete: Serginho do Porto

Mangueira! derramando verde e rosa na avenida
Punho cerrado no ar
Mangueira! mostra tua cara
A fé que nunca falha
Olha por nós Oyá
Vem de além mar
A África é… Bantu e ioruba
Na alma os nossos ancestrais
Os guetos viram letras de canções
A ressurreição de uma vida
A flor da pele preta a melanina
Pretas, mães, Deusas e rainhas
Os cucumbis cortejo negro africano
Homens e mulheres mostrando a identidade
Clube Negro faz a festa já raiou a liberdade

Se cair uma lágrima dos meus olhos
É um choro de emoção, Bahia mora no meu coração

Axé é um toque pro santo
Axé realidade social
Moço quebro quebranto, Laroyê…
É no Pelourinho
Nossa origem africana
Eu vejo negro sorrir,
fazer o povo cantar
Ilê Aiyê, Olodum e a Didá
O som do tambor a ecoa

Oh! Mãe África
Salve a Bahia
Oh! mãe África
Quanta magia
O meu batuque tem que respeitar
Eu sou herança Odara, Sou Jequitibá