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Enredos 2023: Fugindo da crítica, enredos passeiam entre céus e paraísos

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Virado o novo ano no calendário, a nossa amada folia se aproxima. Depois de um abril que matou nossas saudades da Avenida, tivemos um tempo mais curto de preparação entre um carnaval e outro nesses últimos meses. Na missão de seguir comentando um poucos dos enredos que serão cantados, como fiz nos últimos anos aqui no CARNAVALESCO, dou início a essa temporada de análise, que vai resultar em três textos que dão conta das doze escolas do Especial carioca.

Para abrir os trabalhos, vale uma contextualização de tudo que vimos em 2022 e seus desdobramentos, principalmente, porque a folia após a pandemia marcou uma quantidade significativa de enredos ligados à cultura afro-brasileira e ao próprio carnaval. É óbvio dizer que a principal “tendência” dos últimos anos foram as narrativas políticas e sociais, tanto porque garantiram alguns títulos mas principalmente por serem tão bem realizadas pela chamada “nova geração” de carnavalescos.

Numa primeira olhada para as temáticas de 2023, pode se dizer que esse tipo de narrativa perdeu força. Se o enfrentamento de questões urgentes era a tônica, notamos agora um movimento contrário: há um significativo número de narrativas que parecem querer fugir da realidade. Esse desejo é expresso em alguns passeios da dimensão divina ou extracorpórea, como o paraíso, o céu e o inferno.

Exemplificando exatamente essa transição do político ao delirante — não que necessariamente esta seja uma dicotomia — está o trabalho de Leandro Vieira e seu enredo na Imperatriz Leopoldinense. Após um já histórico e bem sucedido casamento com a Mangueira, o artista propõe para a Rainha de Ramos algo muito diferente do que havia feito na Verde e Rosa. O enredo se baseia na literatura de cordel para narrar a saga do cangaceiro Lampião em busca de guarida no céu e no inferno.

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Trata-se de uma bela narrativa, pertinente e original, que tem tudo para render um bom visual. O texto bem escrito da sinopse detalha a saga do nordestino explorando muito bem suas nuances e personagens, o que foi belamente traduzido no samba-enredo da agremiação. O que mais me chama atenção na narrativa é seu desfecho poético e contundente, afirmando que Lampião vagueia no imaginário de quem construiu a identidade nordestina. É sem dúvidas um dos destaques da safra, tanto por seu aspecto lúdico como por mergulhar por uma face fundamental da cultura brasileira.

Já que falamos de paraíso, não tem como deixar de mencionar “Delírios de um paraíso vermelho”, enredo que o Salgueiro vai apresentar sob a batuta criativa de Edson Pereira. Assim como a proposta da Imperatriz, a fuga da realidade também parece ser uma premissa nesse caso, mas, em comparação, acaba “pecando” — com o perdão do trocadilho — em alguns aspectos. Parece importante contextualizar que ao longo da sua carreira como carnavalesco, Edson sempre se demonstrou um habilidoso criador visual, mas geralmente deixou a desejar na condução de alguns temas. É exatamente essa falha que voltamos a observar no enredo que o Salgueiro nos apresenta até aqui. Parece ser um consenso entre o público geral que não está muito claro do que se trata a narrativa e de como ela se desenvolve.

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Após uma leitura da sinopse, a narrativa parece ter o carnavalesco Joãosinho Trinta como fio condutor, num enredo que parte de um paraíso delirante, navega pelos pecados humanos, vê chegar um inevitável apocalipse e busca a redenção com um juízo final que traz a cena marginalizados. Tudo isso, para terminar num outro Éden, agora tomado pela folia carnavalesca, como pregou Trinta em sua “revolução da alegria”. É uma narrativa bastante ousada, em múltiplos sentidos, que tem potencial e que pode até render bons momentos visuais, basta se mostrar mais coesa e clara na Avenida.

Retornando para a região nordeste do Brasil, a antiga rival da Imperatriz na década de 1990 também se voltou para essa cenário tão rico culturalmente.Trata-se de mais um enredo de Marcus Ferreira que passeia por esse campo temático, pois o artista já contou sobre os bonecos mamulengos, a xilogravura e as ganhadeiras de itapuã. Dessa vez, ele se dedica à escultura de barro que também compõe a identidade cultural nordestina.

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Para isso, temos a figura do grandioso Mestre Vitalino como guia. Se nas figuras e modelagens na terra estão cenas da cultura local, o enredo também brinca com o universo cósmico. Diferente de Salgueiro e Imperatriz que passeiam pela noção cristã de paraíso e inferno, a Estrela Guia se volta ao céu “real”, o espaço sideral. É daí que vem uma das boas sacadas do enredo, que brinca com o criador e a criatura, fazendo referência ao desfile campeão de 1996 da verde e branco, para falar do ato de criação artística dos escultores. Numa possível interpretação da sinopse, o gesto de olhar o céu é um momento necessário de escapismo da realidade em busca de um acalanto de esperança.

Quem também está olhando para o alto neste ano é a Portela. Aliás, não só para o alto como para o seu passado. A azul e branco se volta ao “além”, a dimensão que ultrapassa o terreno, onde estão os que já desencarnaram. Tudo isso pois é nesse “plano” que estão grandes nomes da agremiação, que merecem ser lembrados no cortejo que irá celebrar o centenário da fundação dos grupos carnavalescos que deram origem à Portela.

A principal dificuldade dessa narrativa é dar conta da complexidade de uma história tão longa quanto múltipla. Fazendo pensar que qualquer condução escolhida para esse enredo poderia gerar controvérsia. De certo, dá para afirmar que temos uma das mais belas sinopses do ano, que apresenta muito bem a contribuição da Portela e de seus artistas para a folia carnavalesca.

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A condução do enredo, na verdade, parece traduzir a própria dificuldade de explicar uma instituição centenária tão relevante para a arte e a cultura brasileira, que também mobiliza tantos torcedores apaixonados. Afinal, como tentaram Monarco e Paulinho em seus versos, como explicar a Portela? O trecho final da sinopse da azul e branco parece sintetizar essa questão, mostrando que apenas olhar para o infinito e cogitar que existe “uma força maior que nos guia” pode ser uma interpretação. Tamanha grandeza de uma escola só pode vir mesmo do infinito, não cabe uma explicação lógica e terrena.

Também sem maiores explicações me despeço por aqui e prometo voltar em breve, dessa vez longe de enredos delirantes e destacando outros pontos em comum entre algumas narrativas para o carnaval de 2023. Até!

Prefeitura de Niterói libera R$ 8,3 milhões às agremiações para o Carnaval 2023

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A Prefeitura de Niterói, através da Neltur – Niterói Empresa de Lazer e Turismo, liberou na quarta-feira, a subvenção para as escolas de samba da cidade desfilarem no Carnaval 2023. Tanto as agremiações que desfilarão no Caminho Niemeyer quanto as que se apresentarão no Rio de Janeiro receberam. O total da verba de subvenção é de R$ 8,3 milhões.

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Foto: Allan Duffes/Site CARNAVALESCO

A Unidos do Viradouro recebeu R$ 4 milhões. A recém-criada Acadêmicos de Niterói, ocupante da Acadêmicos do Sossego na Série Ouro (antigo Grupo de Acesso), levou R$ 1,7 milhão. As agremiações de Niterói do Grupo A receberão R$ 172.040 cada; as do Grupo B, R$ 96.140 cada e; as do Grupo C, R$ 54.395 cada. O total liberado em subvenções para 2023 é de R$ 8.385.595,00.

A Acadêmicos do Cubango ficou fora da lista, pois segundo Paulo Novaes, Presidente da Neltur, a agremiação não apresentou ainda a certidão negativa de débitos: “A Cubango está com problemas de documentação, certidão negativa de débitos fiscais. Outras quatro escolas, entre as que desfilam em Niterói, apresentaram o mesmo problema ou problemas
quanto a prestação de contas do Carnaval passado. Publicamos a liberação do patrocínio sem elas para não atrasar ainda mais as demais”, disse Novaes.

Ele completou que o pagamento do patrocínio será depositado em cota única, e não em duas parcelas, como havia sido definido em reunião com as escolas. Os desfiles em Niterói acontecerão nos dias 10 e 11 de Fevereiro.

Apesar do prazo curto, Paulo Novaes fez um apelo para que as escolas façam um grandioso espetáculo no Caminho Niemeyer: “O pagamento será de uma vez só porque atrasou muito. As escolas estão com cronograma atrasado. Houve uma série de imprevistos. A gente fez um apelo para que as escolas façam um esforço. A gente sabe que é difícil, mas estamos dando todas as condições. Não é o ideal, mas é uma retribuição que eles podem dar à Prefeitura pelo investimento no Carnaval, afirmou Novaes.

Existe uma outra questão quanto ao barracão que será usado pelas agremiações de Niterói, que será no estacionamento do antigo supermercado Carrefour, ao lado do Caminho Niemeyer. Paulo Novaes garantiu a liberação do espaço para as escolas: “Vai ser no antigo Carrefour. Já está liberado, resolvendo só a estrutura”, finalizou Novaes.

Musa da verde e rosa! Renata Frisson, a Mulher Melão está de volta à Sapucaí

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O maior sonho de Renata Frisson quando pisou pela primeira vez na Marquês de Sapucaí, no carnaval de 2008, em um carro alegórico na Unidos de Vila Isabel, era mostrar seu gingado no chão. Isso ela realizou em anos seguintes, mas faltava algo: uma escola de samba que deixasse a real sensação de “coração saindo pela boca”. E esse momento chegou.

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Foto: Divulgação/Mangueira

A Mulher Melão recebeu um convite de Cleyton Marques, coordenador das musas da Mangueira para se juntar ao time de beldades. Ela esteve no barracão da agremiação nesta quinta-feira.

“É a realização de um sonho, não tem outra maneira de expressar o que estou sentindo. Mangueira é Mangueira”, diz.

Com passagens pela Grande Rio, Império Serrano, Paraíso do Tuiuti, Inocentes de Belford Roxo, Lins Imperial, entre outras, Melão chega à verde e rosa após um hiato de cinco anos sem desfilar.

A Mangueira levará pra avenida o enredo “As Áfricas que a Bahia canta”, desenvolvido pela dupla de carnavalescos Annik Salmon e Guilherme Estevão. Eles já entregaram o figurino nas mãos de Renata.

Alessandra Oliveira é nova coreógrafa da comissão de frente da Unidos da Ponte

A Unidos da Ponte tem uma nova coreógrafa para sua comissão de frente. Alessandra Oliveira estará à frente do quesito no desfile de 2023. Não será a primeira vez que Alessandra estará com a azul e branca de São João de Meriti, tendo passagem como coreógrafa de alas em 2022.

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Foto: Divulgação

No carnaval é coreógrafa e diretora de ala coreografada na Beija Flor, onde também foi bailarina da Comissão de Frente e professora do projeto Ballet Comunitário, além de estar à frente do quesito na Unidos de Lucas. Foi coreógrafa da Comissão de frente da Inocentes de Belford Roxo, Arame de Ricardo, Acadêmicos do Campo do Galvão em Guaratinguetá, Flor da Passagem de Cabo Frio.

“Me sinto muito honrada e feliz com o convite para coreografar a Comissão de Frente da Unidos da Ponte. Com muita garra e emoção pretendo realizar um lindo trabalho nessa amada escola! Muita expectativa e energia positiva com esse maravilhoso enredo”, revelou a Coreógrafa.

Alessandra é diretora, professora e coreógrafa da Academia Alledance em Nilópolis, onde ministra aulas de Jazz, Ballet Clássico e Dança do Ventre, há 32 anos. Sempre montando espetáculos e participando de festivais de Dança. Possui Licenciatura Plena em Educação Física pela Universidade Castelo Branco. Artista Bailarina pelo SPDRJ. Foi dançarina do Faustão.

A Unidos da Ponte será a segunda escola a desfilar na Marquês de Sapucaí, pela Série Ouro, no sábado de carnaval, 18 de fevereiro. A escola levará o enredo “Liberte Nosso Sagrado”, desenvolvido pelos carnavalescos Guilherme Diniz e Rodrigo Marques.

Maria Rita é a atração especial da edição deste sábado da feijoada da Portela

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Madureira vai parar no sábado! A família portelense vai se juntar a nação bacanuda para assistir Maria Rita na feijoada da Portela! O evento será na quadra da escola (Rua Clara Nunes, 81 – Madureira), a partir das 13h. Os ingressos já estão à venda pelo site https://www.ingresse.com ou na bilheteria da agremiação, de segunda a sexta, das 10h às 18h. Informações na secretaria da escola: (21) 2137-7831.

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Foto: Renato Nascimento/Divulgação

A Feijoada terá também apresentação da Velha Guarda Show, Elenco Show da escola com a presença de passistas, baianas, e casal de mestre-sala e porta-bandeira, além da Tabajara do Samba, sob o comando de mestre Nilo.

Serviço:
Feijoada da Família Portelense edição de janeiro
Atrações: Maria Rita, Velha Guarda, Elenco Show
Data: Sábado, 07 de janeiro
Horário: a partir das 13h
Local: Quadra da Portela (Rua Clara Nunes 81, Madureira)
Ingressos:
Ingressos à venda na quadra e no site da Ingresse
Mesa com 4 lugares: R$ 150,00
Camarote superior (10 lugares): R$ 1.300,00
Camarote inferior (10 lugares): R$ 1.000,00
Ingressos individuais: R$ 20 (primeiro lote)

Canto da comunidade e bateria de mestre Casagrande se destacam em primeiro ensaio de rua da Unidos da Tijuca

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A Unidos da Tijuca realizou na noite de quarta-feira o primeiro ensaio de rua em preparação para o Carnaval 2023. O treino aconteceu atrás da quadra da escola, no Santo Cristo, na Via D1, e teve duração de 1 hora e 13 minutos. O destaque foi para a comunidade que cantou bastante o samba muito bem executado pela afinada dupla Wic Tavares e Wantuir. A bateria “Pura Cadência”, de mestre Casagrande, foi outro ponto alto conduzindo bem o andamento do samba e realizando bossas dentro da métrica do samba e do contexto do enredo. A comissão de frente comandada pelo coreógrafo Sérgio Lobato e o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Matheus André e Denadir Garcia, também passaram muito bem. No próximo carnaval, a  Tijuca vai ser a quarta escola a pisar na Sapucaí no domingo de carnaval com o enredo É onda que vai… É onda que vem… serei a Baía de Todos os Santos a se mirar no samba da minha terra’, que está sendo desenvolvido pelo carnavalesco Jack Vasconcelos.

O ensaio começou pouco antes das 22h e contou com um bom contingente da comunidade e segmentos. A animação dos desfilantes é também um ponto a se destacar mostrando que apesar de uma ida um pouco mais tardia para a rua em relação a maioria das escolas, a Unidos da Tijuca apresentou neste treino já muita coisa bem trabalhada para entregar no desfile em fevereiro. A evolução, talvez, seja o ponto que ainda precise de alguns ajustes, achar o melhor ritmo de deslocamento e alguns pequenos ajustes na arrumação de alas, mas algo totalmente normal para este primeiro treino, totalmente possível de ser corrigido até o grande dia. No final do ensaio, uma leve garoa começou a cair como se fosse “um banho de axé para purificar”.

“Achei o ensaio muito bom, ainda mais que foi o primeiro ensaio na rua. A comunidade veio em peso. E tem mais dois ensaios até dia 22 [de janeiro]. Até lá a gente vai estar quase pronto. Não vai estar pronto, mas a gente vai fazer bonito lá na Avenida (ensaio técnico). A gente está sempre melhorando. É canto, evolução, casal, é bateria. Hoje, para primeiro ensaio, foi maravilhoso! Muito bom mesmo. Vamos desfilar com 3800 componentes. A comunidade aqui é forte”, analisou Fernando Costa, diretor de carnaval.

Bateria

A bateria “Pura Cadência” foi outro ponto alto da noite. Casagrande havia prometido trazer todo o axé dos tambores da Bahia utilizando os instrumentos já familiares à bateria da Unidos da Tijuca. E neste primeiro ensaio de rua já se pode perceber estas características na utilização dos surdos, repiques e um toque especial do timbau. E o andamento do samba trouxe algo bem da Bahia, cadenciado mas sem se tornar arrastado e com as bossas bem características do que o enredo pede. No refrão principal, em “Um banho de Axé”, os tamborins puxavam uma pegada bem de Salvador, estilo de grupos de Axé originários da cidade baiana. Tudo isso sem perder as características identitárias da bateria Pura Cadência.

Talento no comando da ‘Pura Cadência’, mestre Casagrande citou ao CARNAVALESCO que vai desfilar com 272 ritmistas. Ele citou também que o nível das baterias está muito alto. “Cada ano que passa as baterias se superam é trabalhar e trabalhar pra manter esse nível alto. Tem muita coisa ainda para nossa preparação. O foco é muito grande, a gente não pode relaxar jamais. Nós ensaiamos muito dentro da quadra, a bateria foi perfeita, mas o que me impressionou foi o canto da escola, nós sabíamos que quando chegasse na rua o canto ia ser forte. Temos esse mês e em fevereiro o desfile é foco total. Parece que o povo estava aguardando esse ensaio de rua. Pode colocar aí: que ensaio!”, comemorou mestre Casagrande.

Harmonia e samba-enredo

O samba está na boca da comunidade. Pode-se perceber um excelente trabalho desenvolvido nos ensaios de quadra. Desde o início do treino, em sua maioria, a escola cantou bastante. A dupla Wic e Wantuir, pai e filha, conduziu o samba com a correção e a animação de sempre, a comunidade correspondeu. As alas iniciaram o ensaio cantando o samba com muita intensidade e mesmo do meio para o final, quando essa intensidade caiu um pouco, mesmo com o calor, ainda assim, o desempenho da harmonia continuou bastante satisfatório e o samba continuou rendendo bastante.

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Fotos: Equipe site CARNAVALESCO

Destaque para o refrão principal com o ” Um banho de axé…”, além do refrão do meio e o trecho na segunda do samba ” Oh paí ó!…” quando os desfilantes levantavam os braços inclusive, declamando e olhando para o céu nesse pedaço. Bom trabalho também da equipe de harmonia comandada por Fernando Costa que a todo momento chamava cada ala para não deixar o canto diminuir. Alguns poucos componentes das alas do meio da escola ainda pode-se perceber cantando menos o samba, mas foi uma minoria bem pouco perceptível que não impactou o grande desempenho da Unidos da Tijuca.

“Acho que nós temos um samba alegre, gostoso. Quando falamos de Bahia, nos remete a um lugar de muita paz e axé, e é o que eu acho que a Tijuca vem trazendo. É um samba leve, acho que a Tijuca está saindo um pouco da bolha e voltando às suas raízes, do nosso povo preto, acho que é muito importante nós darmos esse passo”, disse Wic Tavares.

Wantuir também falou o que espera do samba tijucano esse ano na Avenida. “É como se tivesse começando, cada ano é uma emoção, uma samba e um enredo diferente. As expectativas são sempre as melhores, estou na escola mais simpática do Rio de Janeiro, com uma escola que é uma família e vem aí mais um carnaval com minha filha, ao lado de carro de som maravilhoso, e esse show de bateria que é a ‘Pura Cadência'”.

A cantor citou sua parte preferida no samba-enredo de 2023. “Eu gosto da parte “Odoyá, mamãe sereia, Orá yeyê, mamãe do ouro”, é a parte que fala do encontro da água salgada com a água doce, de Yemanjá com Oxum, me toca muito”. Já Wantuir disse: “O samba é muito bom, mas os dois refrões são brabos. Na hora que começa e a gente começa a sentir exatamente, tem um arranjo de bateria especial. O samba deste ano é tão bom quanto o do ano passado, e a gente vai ter um resultado melhor esse ano lá, com toda certeza”.

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Wic Tavares também comentou a importância de ensaiar na rua com a escola completa. “A energia, primeiramente, é outra, e é legal que nós conseguimos entender como que vamos funcionar na Avenida. Na quadra a gente fica um pouco mais parado, não tem como desenvolver tanta emoção, e para mim os melhores ensaios são os de rua mesmo. A energia muda pra caramba, porque o samba é da rua, é do povo”. Wantuir completou: “Aqui que a gente apara todas as arestas, o que pode o que não pode ser, a virada de bateria essa não tá muito boa, vamos tentar mudar é assim que a gente vai de algum jeito cortando essas arestas, e quando chegar no dia do desfile está tudo 100%”.

Em 2022, a escola foi penalizada no quesito Harmonia por cacos dos cantores. O diretor Fernando Costa disse que isso não acontecerá em 2023. “Não vai tem caco esse ano”, assegurou o diretor.

Mestre-sala e porta-bandeira

Indo para o primeiro desfile dançando juntos, Matheus André, recém promovido a primeiro mestre-sala, e Denadir Garcia, mostraram um bom entrosamento e bom entendimento dos movimentos. Do mestre-sala, além de se destacar o bailado mais clássico que combina bastante com as características de Denadir, também é importante elogiar a postura e o sorriso sempre presente no rosto. Da porta-bandeira, além da precisão nos movimentos já conhecida, desta vez percebeu-se uma boa integração do bailado com o enredo. No trecho “Bota dendê e um cadinho de pimenta”, Denadir demonstrava bastante sensualidade e intensidade na coreografia sem perder suas características mais tradicionais de dança.

A dupla ainda parece buscar a melhor forma do toque e da proximidade, é coisa pouca de se trabalhar no entrosamento mesmo, que vai vindo a cada ensaio, afinal, dançam juntos a cerca de seis meses. O que também é importante corrigir é na atuação dos guardiões do casal que ainda não parecem estar no melhor do entrosamento e naturalidade de movimentos, havendo algumas imperfeições durante o ensaio na formação, deslocamento e na arrumação com o casal principalmente no início da preparação para a apresentação nos módulos.

“Para o casal de mestre-sala e porta-bandeira, ensaiar na rua tem duas vertentes: é muito bom que podemos treinar a coreografia junto com a comissão de frente, os guardiões etc. A parte ruim é que a rua é muito desnivelada, a gente pode acabar se acidentando e porr isso diminuimos a velocidade, tudo com muita calma. Eu prefiro mesmo é ensaiar na Avenida”, afirmou Denadir.

“Como esse ano é o meu primeiro estreando, a rua para mim está sendo de tudo proveitoso mesmo sendo cansativo, porque principalmente podemos sentir a energia que vamos ter no desfile”, completou o mestre-sala.

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A dupla tijucana disse o que espera da avaliação dos julgadores no contexto geral do quesito em 2023. “Eu faço voto para que eles prestem mais atenção na dança tradicional. Vamos realizar tudo e fazer mais para diferenciar, porém o tradicional sempre estará presente na nossa dança. A nossa fantasia está belíssima. Um banho de axé. Com muitas águas abençoadas”, garantiu Denadir.

“Eu acredito que a vibração e a energia do desfile, somente que os julgadores consigam sentir isso também com a Tijuca”, pediu Matheus.

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Evolução

Para um primeiro ensaio a escola mostrou um bom trabalho. Não se notou a formação de nenhum buraco ou grande espaçamento entre as alas e ainda que um pouco juntas demais em alguns momentos não se percebeu nenhuma ala se embolando com outra. A entrada e a saída da bateria do recuo também foi bastante satisfatória e bem treinada e o mais importante de se destacar é que a escola estava pulando e dançando com bastante espontaneidade e liberdade, sem aquelas filas rígidas que dificultam muitas vezes até o canto. Não se percebeu neste ensaio a atuação de alas coreografadas e o único movimento mais uniforme acontecia no trecho “Oh paí ó” quando os componentes erguiam o braço para cima até o refrão principal do samba, como que declamando com mais vontade cada palavra deste pedaço. Como colocado acima, é importante dar uma atenção maior à evolução dos guardiões do primeiro casal.

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Outros destaques

A comissão de frente apresentou uma coreografia já bastante intensa e brindou o público parando e simulando a exibição que fará para os jurados virada para a cabine. O segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira Rafael Gomes e Lohane Lemos também se destacou com uma coreografia intensa e entrosada, arrancando aplausos de quem acompanhava na calçada e de quem vinha desfilando logo depois. A ala de baianas veio bastante elegante com roupa na sua maioria branca mas com detalhes coloridos nas saias. O timbau da bateria ajudou a iniciar o samba na arrancada colocando traço de baianidade na sonoridade do samba. Também é importante destacar o bom número do público que compareceu para acompanhar o ensaio da Unidos da Tijuca, principalmente, levando-se em conta o horário e o dia de semana, havia a presença de muitos turistas.

Colaboraram Cristiano Martins, Isadora Lima e Matheus Vinícius

Casais debatem em simpósio rumo da dança do mestre-sala e porta-bandeira

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Bruno Chateaubriand realizou nesta quarta-feira, no hotel Fairmont, em Copacabana, o simpósio de casais de mestre-sala e porta-bandeira. O encontrou contou com a maioria dos primeiros casais da Série Ouro e do Grupo Especial, além de uma mesa com especialistas no tema (Maria Augusta, Carlinhos Brilhante, Manoel Dionísio e Haroldo Costa). O anfitrião está está escrevendo o livro “Mestre-Sala e Porta-Bandeira, uma arte essencialmente nossa”. O debate girou em torno do rumo que a tradição da dança do mestre-sala e da porta-bandeira vem tomando.

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Fotos: Augusto Werneck/Site CARNAVALESCO

“O objetivo é a fala de vocês. A gente vê muitas vezes os jornais, as publicações falando de forma muito rasa do que vocês passam… De como é a vida do casal de mestre-sala e porta-bandeira, das intercorrências, do processo, de como vem sendo a evolução da dança. Isso é muito importante para a gente ouvir”, disse Bruno Chateaubriand na abertura do simpósio.

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Professor e formador de diversos casais, Manoel Dionísio fez uma ponderação sobre a relação entre os coreógrafos e a dança do mestre-sala e da porta-bandeira.

“Eu não sou contra (os coreógrafos). Mas estou achando que estão mudando a dança do mestre-sala e da porta-bandeira”.

O mestre-sala Claudinho, da Beija-Flor, ressaltou a importância de manter a tradição na hora de defender o pavilhão.

“A gente tenta não deixar fugir essa pegada dessa dança que é importante, que a gente tenha representatividade para o mundo todo… Mostrar que o Rio de Janeiro está bem representado com casais de para passar a nossa experiência já daqueles que fizeram e daqueles que estão hoje”.

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Pela primeira vez na Série Ouro, Thainara Matias, porta-bandeira da Unidos da Ponte, falou sobre a relação entre o rumo do profissionalismo do carnaval e a tradição popular.

“Até que ponto é profissional e até que ponto é cultura popular? Porque a demanda do profissionalismo do carnaval está tão grande, e cada vez mais sendo cobrados para dar nota e para ser perfeito. Só que por outro lado é uma dança cultural, ancestral (…)”.

A porta-bandeira da Viradouro, Rute Alves, em entrevista ao CARNAVALESCO, deu uma prévia de como será a relação da dança com o enredo no desfile da escola esse ano.

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“A gente está com a nossa dança tradicional dentro da musicalidade que o samba exige. Temos um samba emocionante que conta a vida de uma mulher preta injustamente não reconhecida. A Viradouro tem a missão de fazer ecoar nos quatro cantos desse mundo de Rosa Maria Egipcíaca”, garantiu.

Seu parceiro Julinho complementou com um comentário sobre a responsabilidade da Viradouro em fechar o desfile deste ano. “É uma responsabilidade enorme encerrar o carnaval. Que a Viradouro encerre com a chave de ouro e papai do céu nos faça merecedor”.

Taciana Couto e Daniel Werneck, casal da Grande Rio, estavam representando a única escola que gabaritou o quesito no último carnaval. A porta-bandeira comentou em entrevista sobre a xpectativa de repetir a performance do ano passado.

“Acho que a gente está redobrando tudo que a gente fez no ano passado. Muito mais preparação física, muito mais ensaios, muito mais estudo. Tudo dobrado para que a gente possa fazer uma performance muito melhor”, comentou Taciana.

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Representando a Série Ouro, o primeiro casal da União da Ilha do Governador, Thiaguinho Mendonça e Amanda Poblete, falaram sobre o peso de carregar o pavilhão da escola.

“A Ilha é um pavilhão pesado, histórico dentro do nosso carnaval. A expectativa é imensa e acredito que abrir o desfile facilite um pouco, porque a gente já tem todo esse esquema arquitetado de entrar após a comissão de frente. Acredito que isso seja talvez mais organizado para um casal de mestre-sala e porta-bandeira desfilar, mas a responsabilidade continua imensa e a gente está trabalhando muito para trazer um trabalho a altura do nosso pavilhão”, citou Amanda.

“Quando a gente olha para a comunidade e vê todo mundo eufórico, não tem como nós trabalharmos diferente deles. A nossa energia aumenta de acordo com a energia da escola”, complementou Thiaguinho.

Samba didático: Imperatriz traz linguagem da literatura de Cordel para samba com pegada narrativa e termos originários do Nordeste

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Leandro Vieira está de volta à Rainha de Ramos, escola pela qual o artista passou em 2020 no Grupo de Acesso. O profissional agora terá o desafio de produzir o desfile da Imperatriz no Grupo Especial com a agremiação sedenta por acabar com jejum de mais de 20 anos sem o título da elite do carnaval carioca. Para isso, ele desenvolveu um enredo bem diferente do que ele já havia produzido nos anos de Estação Primeira de Mangueira, no Império Serrano e na própria Imperatriz. Com uma sinopse toda trabalhada na literatura de Cordel, a Verde e Branca de Ramos vai contar na Sapucaí uma história lúdica sobre o líder dos cangaceiros, Lampião.

O samba escolhido para o desfile de 2023, tem a autoria dos compositores Antonio Crescente, Gabriel Coelho, Lucas Macedo, Luiz Brinquinho, Me Leva, Miguel da Imperatriz, Renne Barbosa e Rodrigo Rolla. Miguel da Imperatriz conversou com o site CARNAVALESCO e elogiou o trabalho desenvolvido por Leandro Vieira na construção da sinopse do enredo.

“É preciso falar sobre a sinopse fantástica que o Leandro (Vieira) escreveu em forma de literatura de Cordel, todo versado e com palavras e temos nordestinos, o que levou a gente a escrever o samba em formato de literatura de Cordel. Esse samba tem três partes importantes que é a parte que conta sobre a morte do Lampião, depois ele tentando entrar no inferno, depois ele tentando entrar no céu, e depois ele tentando pedir pelo amor de Deus a Padre Ciço para arrumar algum lugar para ele, que também não conseguiu dar guarida para ele, e aí depois, de uma forma mais lúdica ele fica vagando nas coisas nordestinas, nos bonecos de barro, no gibão, no chapéu de couro, na sanfona. A gente ficou muito feliz com o samba, nós achamos que o samba é ótimo, a letra é boa, é muito melódica, a comunidade super abraçou o samba, a gente está esperançoso para que este título volte a Ramos depois de tantos anos”, espera o compositor.

O site CARNAVALESCO dá prosseguimento à série de reportagens “Samba Didático” pedindo ao compositor Miguel da Imperatriz para esclarecer mais dos significados e representações por trás do versos e expressões presentes no samba da Imperatriz para o carnaval de 2023:

Imperatriz veio contar para vocês
Uma história de assombrar
Tira sono mais de mês

“É uma introdução do que vem por aí. Nós estamos realizando a preparação para a História de Lampião, cabra bravo. Este trecho do samba que se repete logo no começo cria essa expectativa para contar para as pessoas que estão ouvindo o samba, este causo”.

Disse um cabra que nas bandas do Nordeste
Pilão deitado se achegava com o bando
Vinha no rifle de Corisco e Cansanção
Junto de Cirilo Antão, Virgulino no comando

“Na primeira parte do samba, a gente conta como foi essa emboscada em que o Lampião morreu, contando o quanto ele era bravo, falamos da relação que ele tinha com os seus comparsas, que é o Corisco, Cansanção, Cirilo Antão, Pilão Deitado, todos cangaceiros. E também falamos do Virgulino, que é quem estava no comando, que é o próprio Lampião”.

Deus nos acuda, todo povo aperreado
A notícia corre céu e chão rachado
Rebuliço no olhar de um mamulengo
Era dia 28 e lagrimava o sereno

“Nesse momento, as pessoas descobriram que Lampião havia morrido, e começaram a ficar muito tristes, pois o povo gostava dele e aí que nós colocamos ‘dia 28 lagrimava o sereno’, é uma expressão para contar o dia que o Lampião havia morrido, dia 28 de julho de 1938. Usamos o ‘Rebuliço no olhar de um mamulengo’ para retratar o espanto que causou em todo o povo a morte do Lampião”.

E foi-se então, adeus capitão!
No estouro do pipoco
Rola o quengo do caboclo
A sete palmos desse chão

“No segundo refrão a gente fala sobre a morte de Lampião propriamente dita, e depois começa a parte mais lúdica do enredo em que ele chega no inferno. As expressões usadas remetem aos termos usados principalmente regionalmente para definir a morte ‘sete palmos desse chão’, ‘rola o quengo’, quengo é cabeça. O termo capitão era designado ao Lampião como sua patente”.

Nos confins do submundo onde não existe inverno
Bandoleiro sem estrada pediu abrigo eterno
Atiçou o cão catraz, fez furdunço
E Satanás expulsou ele do inferno

“A gente fala sobre a chegada de Lampião no inferno. Acho até que é uma parte com termos bonitos ‘nos confins do submundo onde não existe inverno’, que frase bacana para a gente falar que ele foi para o inferno. E aí o Lampião pede abrigo ao Satanás que não deixou ele entrar porque ele era muito bravo, o diabo ficou enciumado com tanta bravura do Lampião, e não deixou ele entrar no inferno. Cão catraz é também uma expressão para se designar o Satanás”.

O jagunço implorou um lugar no céu
Toda santaria se fez de bedel
Cabra macho excomungado de tocaia num balão
Nem rogando a Padim Ciço ele teve salvação

“Neste momento ele vai para o céu tentar entrar após ser expulso do inferno. Obviamente, não foi deixado, a santaria toda se fez de bedel. Bedel é tipo um ser de comando, é como se fosse o síndico de um prédio. Todos ficaram loucos, de jeito nenhum ele podia entrar no céu. Depois, Lampião entra de tocaia, ou seja escondido, em um balão, e vai pedir guarida, pedir proteção, rogar ao Padre Cícero, para ver se o santo conseguia botar uma pressão em alguém para que o Lampião pudesse entrar em algum lugar, porque ninguém queria deixar ele entrar em lugar nenhum”.

Pelos cantos do Sertão, vagueia, vagueia
Tal qual barro feito a mão misturado na areia

“Nem Padre Ciço conseguiu ajudá-lo. Lampião volta para a Terra. Ele volta para a Terra e fica vagando pelas coisas culturais nordestinas que é como se fosse que estas coisas pegam esse espírito de Lampião. Ele vagueia pelas terras do sertão, pelos bonecos de barro de Vitalino, pelo gibão, pelo chapéu de couro, pela sanfona de Luiz Gonzaga, ele praticamente se torna como se fosse um espírito cultural nordestino”.

Quando a sanfona chora, mandacaru aflora
Bate zabumba tocando no meu coração
Leopoldinense, cangaceira é minha escola
Eis o destino do valente Lampião!

“No nosso refrão principal, a gente quer falar um pouco das coisas nordestinas. Estes termos presentes neste trecho são as coisas nordestinas que Lampião, nesse conto, nessa literatura de Cordel, vagueia por ali. No final a gente fala que é Leopoldinense, nossa escola cangaceira, que é onde o Lampião finalmente chega e por lá fica, é o destino do valente Lampião. Esse refrão principal amarra toda a história e aí volta para o primeiro refrão ‘Imperatriz veio contar…’ que a gente introduz de novo e assim segue”.

É sábado! Beija-Flor recebe o Império Serrano no primeiro ensaio de rua de 2023

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A Beija-Flor de Nilópolis realiza neste sábado mais uma edição do “Encontro de Quilombos”, onde recebe uma coirmã do Carnaval do Rio de Janeiro para um grande ensaio de rua na Estrada Mirandela, no Centro de Nilópolis. Nessa primeira confraternização do ano, o convidado será o Império Serrano.

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Foto: Allan Duffes/Site CARNAVALESCO

A escola de samba de Madureira homenageará o sambista Arlindo Cruz no próximo desfile. A concentração acontece a partir das 18h na esquina com a Rua João Evangelista de Carvalho. Já a Deusa da Passarela se reúne às 19h, se apresentando logo em seguida para o público.

Além do Império Serrano, a Beija-Flor já tem agendado um encontro com a Portela, no dia 21 de janeiro. Em dezembro, a nilopolitana já havia recebido o Paraíso do Tuiuti. Os ensaios são gratuitos.

Neste ano, a Beija-Flor será a quinta agremiação a desfilar pelo Grupo Especial na segunda-feira de Carnaval com o enredo “Brava Gente! O grito dos excluídos no bicentenário da Independência”, desenvolvido pelos carnavalescos André Rodrigues e Alexandre Louzada.

“Encontro de Quilombos” da Beija-Flor
Quando? Sábado, dia 7 de janeiro
Com quem? Império Serrano
Em que horários? Império Serrano se concentra às 18h e a Beija-Flor às 19h
Onde? Na Avenida Mirandela, no Centro de Nilópolis (RJ)
Evento aberto ao público

Porto da Pedra retoma ensaios de quadra nesta quinta

A Unidos do Porto da Pedra convoca a sua comunidade para o primeiro ensaio de quadra de 2023. O treino, que terá a presença de todos os segmentos da escola, acontecerá na nesta quinta, 5 de fevereiro, a partir das 20h, na Travessa João Silva, 84, Porto da Pedra, com entrada gratuita.

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Foto: Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

O evento contará com a participação da escola de samba Império de Araribóia, vice campeã do grupo B, em Niterói, que irá homenagear o tigre de São Gonçalo com o enredo “No Reino da fantasia, o tigre se consagra Imperial e comemora 45 anos de folia”.

No carnaval de 2023, o Tigre levará para a Marquês de Sapucaí o enredo “A Invenção da Amazônia: Um delírio do imaginário de Júlio Verne”, desenvolvido pelo carnavalesco Mauro Quintaes e do enredista Diego Araújo.

A vermelha e branca de São Gonçalo será a quinta escola a desfilar no sábado de carnaval, 18 de fevereiro, na Marquês de Sapucaí.