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No dia do ritmista, ‘Swingueira de Noel’ faz ensaio de rua com excelência e mostra querer repetir o show do carnaval passado

Harmonia também se destaca e casal Marcinho e Cris são festejados pela comunidade durante o treino na principal rua do bairro

Depois de 15 dias sem o ensaio de rua, devido às orientações da CET-Rio por conta de uma maratona de jogos no Maracanã, a Vila Isabel voltou a pisar no solo da sua tradicional pista de treinos, o Boulevard 28 de Setembro, mostrando que o pequeno hiato não influenciou em nada no trabalho de canto, bateria, carro de som e evolução dos componentes que já vinham se destacando antes dessa parada. Uma das primeira escolas a iniciar o treinos na rua e com um clássico que já está na boca da comunidade, a Azul e Branca do Bairro de Noel viu neste ensaio seus componentes cantarem mais uma vez muito forte a obra, sendo conduzida por um inspirado Tinga e pela bateria de mestre Macaco Branco, honrando a data que comemora o dia do ritmista e levantando o público que acompanhava o treino pela principal rua do bairro de Vila Isabel. Uma das bossas trazia o jongo e tinha até coreografia dos ritmistas, prometendo levantar também o público da Sapucaí como no desfile do carnaval 2023 com a bossa ao toque de festa junina. Mestre Baco Branco explicou à reportagem do CARNAVALESCO mais detalhes sobre as convenções, bossas e paradinhas que vai levar para Sapucaí e que já estão agitando os ensaios da agremiação.

“A gente faz um seis por oito que depois vira um jongo. Tem o ‘Quando acaba a criação, desaparece o criador’, a gente faz um apagão para trazer a noção como se tivesse acabado e depois tem uma retomada no ‘Para salvar a geração, só esperança e muito amor’, que essa esperança vem através da música, através da bateria, da batucada, e temos uma bossa que brinca com a divisão do ‘Gbalá’, na segunda do samba, a gente brinca com as divisões, cada instrumento participa. Vamos com três bossas para a Avenida. O samba é mais curtinho, por isso não dá para ficar fazendo muita coisa, creio que três bossas vai estar em um tamanho bom para poder exaltar esse samba na Avenida. Tudo que passou é o que a gente pretende levar”, revela o mestre.

Para o diretor de carnaval, Moisés Carvalho, que avaliou novamente como positivo este treino na Boulevard 28 de Setembro, o entrosamento da escola tem sido fundamental para o alto rendimento de Gbala.

“O entrosamento entre Macaco Branco, carro de som todo, Tinga, o Douglas (Rodrigues) diretor musical, e toda a cozinha, está perfeito, é chover no molhado falar da dobradinha Tinga e Macaco, eles se conhecem desde criança, desde a Herdeiros da Vila, eles se conhecem no olhar, muito feliz com esse entrosamento não só deles, mas da escola toda, está muito feliz, muito contente. Parabenizar a comunidade mais uma vez pelo canto. E os ensaios continuam, na próxima semana a gente volta para quarta-feira e na quinta-feira fazemos o ensaio setorizado na quadra para que cada semana que passe, a gente possa melhorar mais e mais”, espera o dirigente.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Sem a comissão de frente que não esteve presente neste treino, o casal Marcinho Siqueira e Cris Caldas abriram o desfile de forma muito singela e eficiente. Mesmo o samba sendo mais curto que o mais usual atualmente, a dupla aproveitou muito bem a obra. Marcinho e Cris tem uma postura e uma expressão corporal muito marcantes e seus movimentos são muito harmoniosos, algumas vezes bastante delicados, em outros com mais energia, intensidade, mas sem perder o brilho do porte clássico.E não se pode esquecer de citar a elegância do casal, ele com uma blusa social branca e uma calça azul marinho, além de um chapéu tipo Fedora que completava com bastante estilo a vestimenta e um sapato bicolor. Já ela, em um elegante vestido estampado floral em diversos tons de azul. A dupla recebeu muitas palmas e frisson sempre que faziam a coreografia nos pontos que simulavam cabine e no trajeto brindaram o público com alguns passos mais clássicos.

Harmonia

Nem parecia que já fazia uns 15 dias que os componentes não ensaiavam na rua. O trabalho realizado na quadra neste período manteve a atuação de cantos dos foliões no nível alto. Desde os primeiros versos conduzidos pelo carro de som, antes ainda da explosão do “Gbalá” na potente voz do Tinga, a comunidade já berrava a obra. Na ponta da língua dos desfilantes, o samba brilhou até o final do treino em pouco mais de uma hora, sem sair arrastado em momento nenhum, com potência e intensidade. No carro de som, mais um arranjo que favoreceu, no começo com um jongo que contava com a participação de todos que estavam participando do ensaio ou apenas acompanhando, através das palmas. Nas vozes de apoio e no Tinga, eficiência e correção para cantar o samba e ajudar a manter a energia dele, favorecendo outros quesitos. O diretor de carnaval Moisés Carvalho esclareceu que a escola não ficou parada neste período e fortaleceu o trabalho setorizado dentro da quadra.

“Na verdade, a gente acabou não perdendo essa semana. A gente fez um ensaio interno na quarta-feira aqui na quadra, ensaio de setor, na quarta e sexta-feira, justamente para a gente não perder essa semana de trabalho. Foi por isso que a gente começou muito cedo e a gente não quer interromper em momento nenhum. E o resultado foi a comunidade cantando muito, parabenizo mais uma vez como todo ensaio eu faço isso. Como a todos os segmentos, casal, harmonia que trabalha incansavelmente para fazer esse samba acontecer mais e mais. Só agradecer a comunidade e a esses segmentos por esse lindo ensaio hoje”, concluiu o profissional.

Evolução

Apesar de um dia que terminou ainda com muito calor na cidade do Rio de Janeiro, os foliões mostraram muita energia e muita animação durante este treino. Com uma evolução cadenciada, porém fluida, a escola privilegiou a espontaneidade, não apostando em alas coreografadas. Alguns componentes seguravam balões brancos, outros bastões de luz e outras fitas nas cores da Vila Isabel. Destaque também para a grande presença de crianças que são protagonistas do enredo e também de idosos, mostrando o quanto a escola é abraçada por uma comunidade raiz que segue entregando muita energia e dedicação para os carnavais. Durante o teste no Boulevard 28 de Setembro não se observou a formação de buracos ou alas se embolando umas com as outras. Escola bastante compacta em sua evolução.

Samba-enredo

Fazer uma reedição e trazer uma obra de 1993 para o andamento e a roupagem de hoje, passou muito pelo intérprete Tinga. O cantor consegue dar a “Gbalá” uma potência, uma energia, uma intensidade necessária para o que o carnaval mudou nos últimos 30 anos. E tudo isso sem corromper a beleza da composição já conhecida e adorada pela comunidade, com certeza um dos motivos que fez a escola reeditar. O arranjo da obra é mais simples, mas muito singelo, favorecendo o canto e a participação da comunidade. O samba apesar de mais curtinho não fica massante e dá cada vez mais vontade de cantar durante o ensaio. Uma referência aqui importante a ser dada ao trabalho mais uma vez de mestre Macaco Branco colocando as convenções e bossas bem entrosadas com o enredo e dentro da métrica e harmonia do samba. O comandante da Swingueira falou sobre o samba e o trabalho que vem desenvolvendo com os ritmistas.

“A gente brinca um pouco com o enredo, a gente brinca com a divisão do samba, com a temática, com coisas que influenciam ou façam valorizar o samba, é um trabalho que eu já venho fazendo aí, vou para o sexto ano como mestre, quinto desfilando, é um trabalho de formiguinha que veio desde o início, é um trabalho junto com a nossa comunidade, a nossa bateria é 95% de pessoas da comunidade, eu falo do nosso morro e do asfalto de Vila Isabel, é um trabalho com todos os diretores, um ensaio que a gente começa cedo, trabalha as nossas divisões, nossos ritmos tradicionais, os toques tradicionais da bateria e isso acaba dando um bom resultado aos ouvidos da galera que escuta esse arranjo. E Gbala, é um samba premiado em 1993, foi o samba que ganhou mais prêmios, e foi aclamado um dos melhores enredos também e a gente aqui já é apaixonado por esse samba e agradecer a Deus por ter a honra de estar tocando Gbalá outra vez na Avenida”, conclui Macaco Branco.

Outros destaques

Sempre ao lado de Macaco Branco está Enzo, filho do mestre da “Swingueira de Noel” que ajuda na orientação com os sinais e também acompanhando os BPMs do toque da Swingueira de Noel. Dupla super entrosada, pai e filho, tudo a ver com o enredo também. Antes do samba 2024 e da exaltação “Sou da Vila e não tem jeito”, Tinga mandou aquele super esquenta com alguns sambas de Martinho da Vila e depois partiu para o “Festa no Arraiá” de 2013 e a obra do carnaval passado que rendeu um terceiro lugar para a escola.

O presidente Luiz Guimarães participou do ensaio a frente da bateria e cumprimentou com bastante simpatia as pessoas da comunidade que vinham até ele para abraços e fotos. A torcida Guerreiros de Vila Isabel fez uma festa com bandeiras, fogos e sinalizadores, principalmente quando a bateria passou.

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