Por Eduardo Fonseca

Na noite deste domingo antes da semifinal do concurso de samba, quadra histórica da Vila Vintém, a Mocidade Independente de Padre Miguel, homenageou um dos grandes baluarte de sua história. Tião Miquimba, criador do surdo de terceira.

Sebastião Esteves, mais conhecido como Tião Miquimba, discípulo do lendário mestre André, certa vez na quadra da Mocidade usou o surdo de marcação tradicional para diferenciar as batidas de pergunta e resposta. Então, André decidiu criar um surdo especifico para que Tião pudesse tocar como no surdo tradicional. – “Eu vou mandar fazer um surdo para você tocar o que você toca neste surdo grande.” mas, Tião retrucou o mestre – “A metragem do surdo tem que ser menor”

Assim nascia ali na quadra da Mocidade com mestre André e seu discípulo o surdo de terceira que é visto e usado em diversas baterias de escola de samba por todo o país.

O ritmista não se sente envaidecido pela criação. – Eu não penso em nada. Pois, nunca ganhei nada. Eles apenas aproveitaram o lance e seguiram como está hoje. Todas as escolas hoje tem surdo de terceira.

Sebastião Esteves fez parte da escola por 26 anos. além de ritmista da bateria mais famosa do carnaval, Tião também foi auxiliar de diretor de bateria, rei da Não existe mais quente e fiscal de setor da escola da Zona Oeste na avenida.

Saudosista, o baluarte conta como era a escola logo após a fundação, passando pela época do saudoso patrono da Estrela-Guia Castor de Andrade. na época, da década de 50, para que a Mocidade conseguisse desfilar, Tião nos contou que precisar ir de apartamento em apartamento da comunidade depositar envelopes para pedir doações para a escola.

“Naquela época tínhamos de trabalhar para botar Carnaval na rua. Subia escada, descia escada de apartamento para colocar cartinha e pegar no dia seguinte para a escola colocar carnaval na rua”.

Para finalizar, Tião estava bastante contente e emocionado com a lembrança e homenagem da escola que o projetou para o mundo do samba. – Emoção muito grande. Eu agradeço e também fiz por onde.

Segundo o diretor de carnaval da Mocidade, Marquinho Marino a ideia de homenagear baluartes da escola partiu do presidente Flávio Santos, do vice-presidente administrativo Luis Cláudio e do departamento cultural da escola. Ainda não há nada confirmado a respeito de homenagem na final do samba no próximo sábado.

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