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Lutar sem desistir: Felipe Corrêa, ritmista da Grande Rio, quebra barreiras do preconceito no carnaval

Por Victor Amancio

O samba, na teoria, é um lugar democrático onde todxs tem espaço. Não importa quem você seja ou o que você tenha, o principal é o amor pelo carnaval e as escolas de samba. Na prática, encontramos algumas barreiras e não foi diferente para Felipe Chocalheiro. Cadeirante e ritmista da Grande Rio, o jovem enfrentou preconceito para conseguir desfilar no carnaval carioca. Apesar das dificuldades enfrentadas, o ritmista diz que o samba para ele é um hobby e um lugar onde ele fez amigos.

“O samba representa é um hobby, é onde fiz amigos, onde abri o olho para muitas coisas na vida. Representa muito na minha vida. Sofro e sofri com a discriminação não só no carnaval, sofro para conseguir um emprego, para conseguir estudar. Eu inocente, quando mais novo, achava que no carnaval não encontraria isso por ser um mundo mágico e existiu e fico feliz de ter quebrado essa barreira. Estou aqui mais um ano brigando pelo meu espaço”.

No carnaval desde 2011, quando fez sua estreia na União de Jacarepaguá, Felipe conta que uma escola não permitiu sua entrada na bateria por preconceito a sua deficiência e como chegou na Grande Rio.

“Eu tentei começar no carnaval em 2010, quando tentei desfilar numa bateria e no primeiro ano foi alegado falta de vaga e no segundo ano foi alegado problema no regulamento. Depois eu descobri que era mentira pois desfilei na União de Jacarepaguá, que foi a primeira escola que me abriu as portas como ritmista, e naquela época a União fazia parte da mesma Liga da outra agremiação. No dia do desfile em 2011, conheci o mestre Ciça que na época estava na Grande Rio, me pediu para ir na escola fazer um teste e se eu tocasse do jeito que ele gostava faria parte da bateria dele”.

Em sua estreia no Grupo Especial, a Grande Rio tinha um enredo que tratava da superação, por conta do incêndio que a escola enfrentou no ano anterior. O ritmista explicou a importância daquele desfile e samba para ele.

“Entrar na Grande Rio em 2012, ano em que o enredo era a Superação, representou muita coisa para mim. Eu estava vindo de dois momentos onde fui discriminado na bateria por ser cadeirante, dois anos seguidos, então chegar na escola naquele momento e ter torcido para um samba que foi vitorioso que cantava “Quem me viu chorar, vai me ver sorrir” foi inexplicável”.

Sobre o mestre que lhe abriu as portas para tocar na elite do carnaval, o ritmista fala da importância de Ciça para sua trajetória no carnaval.

“O Ciça foi meu primeiro mestre de bateria no Grupo Especial, ele é um cara que eu respeito e bato cabeça onde quer que eu encontro. Já tive outros mestres como o Thiago Diogo, o Nilo Sérgio e atualmente o Fafá. O Ciça para mim foi quem abriu as portas do Grupo Especial e sou grato a ele”.

O ritmista comenta o que o samba representa em sua vida.

“O samba representa um hobby para mim, não ganho dinheiro, é onde fiz alguns amigos e conheci o amor da minha vida, Paulinha Lemos, minha namorada. Ela vem me ensinando muitas coisas, principalmente no samba, me ajuda e está sempre comigo me dando apoio e torcendo, assim como meus pais que também são muito presentes nesses momentos. Não só no carnaval, sofri e sofro discriminação, para conseguir um emprego, para conseguir estudar. Eu quando mais novo, achava que no carnaval não encontraria isso por ser um mundo mágico e existiu. Fico feliz de ter quebrado essa barreira. Estou aqui mais um ano brigando pelo meu espaço. Sou grato ao meu amigo Jorjão, que me trouxe para essa escola e que aqui estou por tanto tempo”

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