O Império Serrano vem sendo alvo de muitas críticas desde que anunciou que o samba-enredo para o Carnaval 2019 seria uma releitura do clássico de Gonzaguinha, ‘O que é, o que é?’. A consagrada canção vai embalar o enredo do Reizinho de Madureira ‘E a vida, o que é?’ de autoria do carnavalesco Paulo Menezes. O artista é o criador do enredo e da ideia de adotar a música como samba-enredo.

Em entrevista concedida ao site CARNAVALESCO, na época do lançamento dos protótipos, Menezes contou que já possuía essa ideia há mais de 10 anos e defende que o Império Serrano teve coragem em adotar a ousada ideia.

“Eu brinco muito com a presidente Vera. Digo a ela que ela foi muito macha em topar essa ideia. Eu tenho a intenção de fazer essa abordagem há 10 anos. O que é a vida? Para mim é um enorme precipício onde a gente se atira de cabeça. E nada melhor que retratar um tema desse com uma canção de alcance mundial, conhecida há mais de 30 anos”, defende o carnavalesco.

Outro que considera boa a ideia de cantar na avenida um clássico da MPB em 2019 é o diretor de carnaval, José Luiz Escafura. Segundo ele, a escola larga na frente ao apresentar na avenida uma música tão conhecida.

“Quantos de nós já foi a eventos festivos (casamentos, formaturas) onde cantamos essa música a plenos pulmões? O que o Império Serrano vai fazer é levar esse sucesso para a avenida. Será um grande desfile e acredito que a avenida virá abaixo. Nosso samba é o mais conhecido de 2019”, destacou.

Sambistas divergem sobre o tema e Liga se abstém

O tema tem levantado debates e discussões nas redes sociais, principalmente, em fóruns. Para muitos sambistas o Império desrespeita a sua história ao requentar um sucesso, quando possui uma das alas de compositores mais consagradas do carnaval. A escola se defende alegando que na prática é uma encomenda, como outras agremiações fizeram esse ano, casos de Grande Rio e Tuiuti. A decisão da escola foi discutida na última edição da feira Carnavália-Sambacon, em uma mesa que abordava encomendas e o futuro das alas de compositores. Os integrantes da mesa criticaram a medida e afirmaram que estava se abrindo um precedente perigoso.

A Liesa optou pela neutralidade neste caso. Em recente entrevista concedida ao site CARNAVALESCO o presidente da entidade, Jorge Castanheira, defendeu a liberdade criativa das escolas, mas afirmou que a Liga irá observar com atenção as consequências da ousadia imperiana.

“A Liga não deve interferir no processo criativo de cada escola. Elas são livres na criação de seus enredos, seus sambas, os seus projetos artísticos e musicais. Vamos observar como se comportará essa inovação na avenida, como sempre fizemos”, disse Castanheira.

O Império Serrano luta pela permanência no Grupo Especial abrindo os desfiles no domingo de carnaval de 2019. Em 2018, a verde e branca terminou na última colocação, mas com a decisão da Liesa de não realizar rebaixamento a agremiação permaneceu na elite pelo segundo ano seguido.

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