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Imponente, Beija-Flor faz grande desfile plástico, mas acumula erros técnicos que devem interferir na disputa do título

Escola veio com carros gigantes, fantasias luxuosas, mas teve problemas de evolução e no casal de mestre-sala e porta-bandeira

Última escola a encerrar o primeiro dia de desfiles do Grupo Especial, a Beija-Flor voltou aos tempos de imponência e luxo na Sapucaí. Com carros alegóricos gigantes e bem acabados, e com fantasias impecáveis, a escola de Nilópolis foi irretocável na parte plástica. No entanto, a agremiação cometeu alguns erros de evolução, teve ausência de composições na segunda alegoria e somou problemas na apresentação do casal de mestre-sala e porta-bandeira A Beija-Flor cruzou o Sambódromo em 67 minutos. * VEJA FOTOS

Fotos de Allan Duffes e Nelson Malfacini/Site CARNAVALESCO

Comissão de Frente

Coreografada por Marcelo Misailidis, a Comissão de Frente da Beija-Flor trouxe 15 homens que representavam Macuas, povo originário de Moçambique. A intenção do primeiro quesito da escola foi fazer uma reflexão sobre ações que privam o povo negro de conhecer seu passado, a ancestralidade do povo. Sobre a memória arrancada e o apagamento da cultura do povo preto durante e pós-escravidão. A coreografia se deu toda em cima de um elemento cênico. Homens brancos carregavam um molde de navio em ferragens simbolizando a colonização, enquanto escravos faziam coreografia no chão. Na sequência um painel com imagens acende e o busto de um navegador branco em isopor explode. No lugar, sobe um homem negro, afirmando seu lugar de pertencimento. Toda coreografia demorou cerca de três minutos.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Claudinho e Selminha Sorriso vieram representando o ‘Esplendor de Kemet’, que significa ‘terra negra’. A dança dos dois quis passar a ideia da irradiação do poder ancestral, com a movimentação do pavilhão em representação da releitura dos caminhos para o povo preto. A roupa dos dois causou grande impacto visual, com o contraste do preto com o dourado e os detalhes em azul em alusão à escola. A fantasia de ambos também estava muito bem acabada nos quase 2m10s de coreografia.

Apesar da beleza dos figurinos, Selminha e Claudinho tiveram apresentação problemática no segundo módulo. Os dois tiveram leve esbarrão, o mestre-sala deixou escapar o pavilhão na hora de mostrá-lo aos jurados e no fim, ainda somaram outro erro. A porta-bandeira não estendeu a mão para o mestre-sala quando deveria, e quando o fez, ele recuou e beijou a própria mão. Visivelmente abalados, a dupla não conseguiu reproduzir o mesmo bailado no último módulo e apresentaram pouca coreografia.

Harmonia

Um dos pontos positivos do desfile da Beija-Flor. A comunidade nilopolitana brilhou com o canto, com destaques para as alas 4 ‘Por que o Negro é Isso que a Lógica da Dominação Tenta Domesticar?’; 14, ‘Machado de Assis: A Mística de Quem Somos na Capa’, e ‘O Balé dos Terreiros: Somos Filhos de Deuses que Dançam’. O canto foi uníssono durante toda Sapucaí, os problemas de evolução não influenciaram no canto.

Enredo

No primeiro setor, a escola retorna à África, para entender a grandiosidade e a importância do continente, mostrando que lá é onde tudo começou para o povo preto brasileiro, e não na escravidão. As civilizações africanas ganham destaque neste primeiro momento. Na sequência, a Beija-Flor fala sobre a produção intelectual na África, que veio, inclusive antes da Grécia, que é considerada como berço da civilização. O setor traz o questionamento de porque não existirem grandes esculturas pretas, assim como as dos gregos. O colonizador taxa o negro de não inteligente por não ser cristão, e este passa e não entender que também pode produzir intelectualmente.

No terceiro setor, a Beija-Flor conversa sobre a ancestralidade através das produções do povo preto, sem negar as origens e a religiosidade nas matrizes africanas. Em seguida, a escola mostra que o povo preto pode escrever sua própria história, citando obras literárias pretas que foram apagadas da história, e personagens que tentaram embranquecer, como Machado de Assis. No quinto setor, a escola coloca o povo preto como protagonista nas mais diversas expressões culturais, como o teatro, mostrando a importância de ocupar lugares de visibilidade. O último setor traz ainda o questionamento sobre a questão racial no Brasil e a importância da luta contra o preconceito. A escola fala sobre as mudanças necessárias em um país racista como o Brasil. O enredo foi contado de forma linear e soube passar a mensagem na Avenida.

Evolução

A Beija-Flor acumulou alguns problemas de evolução durante a passagem pela Sapucaí. Logo no início, a segunda alegoria demorou a entrar no Sambódromo, o que fez com que a escola retardasse o passo na Avenida. O motivo foi a tentativa de colocar algumas pessoas nos lugares de destaque do carro. Assim permaneceu por alguns minutos até o carro avançar e a escola voltar a andar novamente. Por conta do atraso no início, a escola teve que correr no fim, e várias alas e as três últimas alegorias passaram de forma muito rápida nas cabines de jurado do setor 11.

Samba

O samba da Beija-Flor teve grande rendimento no desfile e a escola cantou bastante a obra. Neguinho da Beija-Flor e o carro de som fizeram bom trabalho, e não deixaram os problemas de evolução abalar a performance. O refrão e o refrão do meio foram as partes mais cantadas. Do verso ‘Foi-se o Açoite e a chibata sucumbiu’ até ‘E o meu povo ainda chora pelas balas do fuzil’. Na sequência, o samba dava uma queda e era menos cantado na parte ‘Quem é sempre revisado é refém da acusação’ até ‘Retirando o pensamento da entrada de serviço’, o que não atrapalhou o desempenho da obra.

Fantasias

Com bastante preto, azul e dourado, as primeiras alas da Beija-Flor passaram com bastante luxo e chamaram bastante atenção. O figurino casou com a primeira alegoria e com o figurino do casal de Mestre Sala e Porta Bandeira. ‘Ancestralidade e Movimento’ e a ‘Monumentalidade Intelectual de Kemet’ foram alas aclamadas pelo público pela beleza. A ala 7, ‘O Tabuleiro Global’, também brilhou em cores branca e dourada, além de uma imagem do geógrafo negro Milton Santos, que escrevia sobre a crueldade da globalização nas camadas mais pobres do mundo, incluindo negros do Brasil.

Com riqueza de detalhes representando as mais diversas culturas negras, a ala das Baianas ‘Saluba Rosanas’ chamou atenção pela beleza do figurino e imagem de alguns baluartes negros da escola. A ala 27, ‘Asas Para o Sonho’, trouxe vários elementos na fantasia, e estandartes com imagem de alguns personagens negros de importância no Brasil. Ao fim da apresentação, a ala 27, ‘Nkosi’ê: A Espada é a Lei por Onde a Fé Luziu’, também passou arrancando elogios do público pela beleza, com figurino azul, com detalhes em verde e prateado. A ala representou a espada Nkosi’ê, que significa ‘aquela que luta por nós’, reforçando a luta contra o preconceito racial. Na ala 29, ‘A Contagem não Para’, parte do figurino dos componentes tinha luzes azul em neon.

Alegorias

Logo na primeira alegoria, a Beija-Flor mostrou que viria com carros grandes e de muito luxo. O Abre-Alas ‘Traz de Volta o que a História Escondeu’ trouxe um olhar da Beija-Flor para o passado para projetar o futuro negro, vislumbrar a ancestralidade como ponto primordial para desenvolvimento do planeta. A ideia com as cores azul, preto, dourado, além da iluminação dão tom de um Afrofuturismo. O mascote da escola mostrou imponência, assim como uma grande árvore no Abre-Alas.

O carro tinha ao todo três chassis, mas no segundo módulo, um dos animais projetados no início estava com uma parte quebrada. A segunda alegoria, ‘O Voo Livre do Pensamento Afrosófico’ trata sobre os grandes pensadores negros, que tiveram histórias apagadas, histórias negras que passaram por embranquecimento. O carro tinha imagens africanas esculpidas na cor branca, em alusão ao mármore grego. Um pote dourado, com uma coruja em cima representou a sabedoria ancestral. A alegoria também estava muito bem acabada e luxuosa, mas fez o desfile todo sem três destaques, deixando espaços vazios no carro.

A terceira alegoria ‘A Arte da Forja de Ser’ trouxe a reflexão sobre saber as origens de ancestralidade e respeitá-las. A escola trabalha em primeira pessoa no carro, onde leva os moldes de Silvestre David da Silva, o Cabana, com imagens de Ogum e Oxum, que é a figura central da alegoria em dourado. O carro, predominantemente roxo possui esculturas feitas pelo artista preto Jorge dos Anjos. O quarto carro alegórico levou para a Avenida uma favela moldada por alguns livros com a crítica do cerceamento da educação e da manifestação cultural do povo preto. A acusação sempre feita aos negros e a limitação do crescimento imposta aos mesmos. Na traseira, um sol simboliza a conquista do povo preto de um lugar ao sol. A alegoria foi bem carnavalizada e não deixou a desejar em relação as outras.

Na quinta alegoria, a Beija-Flor traz um grande palco onde o negro é coroado e conquista o protagonismo merecido. Composto todo por pretos a composição do carro exibe a cultura, a dança negra em evidência no lugar mais nobre do espetáculo. Uma grande escultura de bailarina preta foi vista na traseira, passando a coroa para o último setor da escola, que representa a luta cotidiana do povo preto. O desfile é encerrado com uma grande alegoria que faz menção à escola, como um grande Quilombo do samba. Uma enorme escultura remete à baluarte Pinah, e o carro, com predominância de cores em azul e dourado, exalta a cultura do povo preto da Beija-Flor, apontando para um futuro de protagonismo dos negros. Laíla também foi homenageado com escultura na alegoria final.

Outros Destaques

Rainha de bateira, Rayssa Oliveira veio com roupa toda em dourado com a fantasia ‘Poétnica’. Os ex-BBB’s Natália Deodato e Babu, o ator Hélio de La Peña também desfilaram na escola. A fantasia da bateria ‘Gramática do Tambor: Nei Lopes’ tinha detalhes em prateado. Grande baluarte da escola e homenageada na Avenida, Pinah veio à frente do último carro.

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