No Carnaval de 2025 a Portela fará uma homenagem a um dos maiores artistas do Brasil, Milton Nascimento. Será a primeira vez que a Majestade do Samba vai contar a história de um personagem importante para o país, de alguém ainda em vida. No próximo ano a agremiação levará para a Avenida “Cantar será buscar o caminho que vai dar no sol – Uma homenagem a Milton Nascimento”, de autoria de André Rodrigues e Antônio Gonzaga. A sinopse será divulgada no aniversário da escola, 11 de abril.

Aos 81 anos com uma longa trajetória na música, o homenageado revelou estar extremamente emocionado por ser enredo de uma agremiação como a Portela.

“Durante todos esses anos, já vivi tantas coisas que eu jamais imaginei que o universo ainda me reservaria mais esse momento. Ser homenageado por uma entidade tão grande como a Portela, é algo que nunca passou pela minha cabeça. Na verdade, até agora eu ainda não estou acreditando, definitivamente…”, contou Bituca, que revela como foi a visita dos carnavalescos.

Foto: Divulgação/Portela

“Os meninos, André Rodrigues e Antônio Gonzaga, estiveram lá em casa (junto com uma comitiva da Portela) para oficializar o convite, e me contaram um pouco do que estavam planejando. E, tudo que eles disseram, me deixou muito emocionado, mesmo. Viver uma experiência dessas como a Portela está me proporcionando é algo tão forte que eu nem sei como descrever isso direito. Mas, uma coisa é certa: meu coração, agora em azul e branco, pulsa por vocês. Muito obrigado, Portela Te vejo em Madureira!”

Feliz com o projeto do Carnaval 2025, André lembra como surgiu a ideia de homenagear Bituca.

“Quando meu irmão Antônio me trouxe essa ideia de tema na manhã/tarde do desfile das campeãs, eu coloquei todas as outras que eu tinha no bolso. Óbvio que essa ideia era perfeita por levar esse presente pro Milton e para progredir na nossa ideia de Portela. Queremos uma Portela que agora seja vencedora sem perder a própria essência e o que foi construído em 2024. Feliz e empolgado por toda troca que temos com o Augusto, o Japa e o encontro divinal que tivemos com o Bituca. É a hora da Portela!”, celebra Rodrigues.

Mais um enredo construído com amor, afeto e poesia, é isso que o público pode esperar do enredo do próximo carnaval da Portela, conforme adianta Antônio Gonzaga.

“Milton transborda a poesia de ser brasileiro. Carrega as estradas, os caminhos, as andanças e sonhos da nossa gente. A Portela, como essa grande voz das brasilidades, vai se vestir de procissão pra coroar esse imenso sol da nossa música popular. Ficamos muito emocionados em poder desenvolver um enredo que abrace Milton. Milton fez parte da nossa trilha sonora na criação último carnaval. É a voz que embala a vida da gente. A alegria e honra de homenagear essa entidade na imensidão que é a Portela, junto com meu irmão André, é algo que já me faz chorar, emocionar e ter a certeza que seremos muito felizes no próximo carnaval. Espero que todos se sintam convidados, peguem suas bandeiras, estandartes, flores e amuletos e se juntem nessa grande procissão rumo ao altar do sol”, adianta Gonzaga.

O presidente Fábio Pavão falou sobre a importância de levar para a Avenida A homenagem a um ícone da cultura brasileira.

“A escolha do enredo é, cada vez mais, uma etapa determinante para o bom andamento da preparação de um carnaval. A viabilidade plástica, a mensagem que é transmitida, a relevância para a sociedade… Tudo isso precisa ser considerado. Um enredo sobre Milton Nascimento atende a todos os requisitos necessários para a realização de um grande desfile. É a primeira vez que a Portela transforma em enredo uma pessoa viva. Milton é um artista, um dos ícones da MPB, uma figura indiscutível para a cultura do nosso país. Para fazer essas homenagem, os carnavalescos repetem algumas das ideias e conceitos bem sucedidos em 2024. É mais uma etapa na necessária modernização estética da escola, de acordo com as demandas atuais de um desfile competitivo”

Confira a seguir a defesa do enredo

Cantar será buscar o caminho que vai dar no Sol Uma homenagem a Milton Nascimento

“Só quem ama um sonho

Como sua forma de viver

Pode desvendar o segredo de ser feliz

Seremos felizes, comunidade

Tirei meu sapato bicolor do armário, calça vincada, camisa alinhada, anéis e cordão, aquele brinco de águia, tudo está no lugar. Peguei o paletó, branco feito a calça, feito nuvem. Chapéu na cabeça. Não precisam dizer nada, já sabem que voltei

Eu sou a Portela, nós somos a Portela.

Ja podaram nossos momentos, desviaram nosso destino, nosso sorriso de menino. Mas renova-se a esperança, nova aurora a cada dia.

Vamos falar de uma coisa: adivinha onde ela anda? Deve estar dentro do peito de cada brasileiro

Para o cortejo de 2025, voltamos para lhes trazer uma ideia: a de atravessar esse país em uma procissão, uma caravana, uma cruzada, como quiserem: apontados pela Águia, de pè no chão, sandália, o que for, de mãos dadas ou braços abertos cantando e buscando o caminho que vai rumo ao altar do sol, onde nos encanta a voz de Deus.

Com a roupa encharcada e a alma repleta de chão, todo o povo irá onde seu artista está, nos rastros desse canto tão sublime

No caminho contrário dos vibratos do seu som, caminhando contra o vento, seguindo sua origem, os ecos das montanhas das Geraes, a grande riqueza da Minas, respeitando seus 81 anos de estrada, vamos ao encontro de todas as vozes de Miton Nascimento, este que fala a língua do povo como ninguém fala mais A procissão do samba, a festa do divino carnaval, seguirá disposta a se juntar a tudo que o que vier por esse caminho, todos que estiverem nesta busca. E cantando nada será longe, tudo será
tão bom. A cada novo grupo, a cada nova ala, a cada segmento que entrar nesta “festa de reto” estará carregando em sua voz embargada e repleta de devoção uma música, uma ideia letrada ou um sentimento musicado que embalou a construção do ser brasileiro.

Seremos viajantes, menestréis, vendedores de sonhos que espalham esperança transformando sal em mel, juntando todas as andanças, reencontrando o Brasil que ainda segue esse meu poeta que ninguém pode catar

Não há o que me justificar, nunca será tão cedo, ou tão tarde, para lhe homenagear

Sempre é tempo.

Cantando me desfaço e não me canso de viver nem de cantar

Bituca, nossa travessia até você começa agora.