A Viradouro anunciou nesta sexta-feira a manutenção de Tarcísio Zanon como carnavalesco para o desfile de 2024. O artista foi o vencedor do prêmio Estrela do Carnaval 2023, oferecido pelo site CARNAVALESCO.

Foto: Allan Duffes e Nelson Malfacini/site CARNAVALESCO

Como foi o desfile

Sexta e última a desfilar na segunda noite de desfiles do Grupo Especial, a Viradouro apresentou na Avenida Marquês de Sapucaí, o enredo “Rosa Maria Egipicíaca”, do carnavalesco Tarcísio Zanon. Em uma hora e sete minutos, a Vermelha e Branca se destacou pelo bom conjunto estético apresentado, emocionante comissão de frente e alto nível nos quesitos de chão.

Em seu desfile, a Unidos do Viradouro contou e cantou a história de Rosa Maria Egipcíaca, inspirado no livro de mesmo nome do autor Luiz Mott, divida em seis setores, 24 alas, seis alegorias e três tripés. Ao longo de seus setores, o desfile da escola perpassa pelas diversas fases da vida de Rosa. No primeiro deles, “A profecia das águas”, era representada a menina da nação Courá que vem ao Rio de Janeiro aos seis anos de idade. O segundo, “A Febre do Ouro”, a ida de Rosa às Minas Gerais, comprada como uma escravizada meretriz no auge do ciclo do ouro. “Ventania, Visões e Possessões”, o terceiro setor da escola partiu para a fase católica da homenageada, quando parte ao catolicismo, se encanta nas sessões de exorcismo e passa a ser olhada como feiticeira. Já no quarto setor, “A Flor do Rio”, Rosa chega às terras cariocas, passa a ser vista como santa e escreve um livro.

No desfecho do desfile, a Unidos do Viradouro optou por dar um novo final a história de Rosa Maria Egipcíaca, a fim de carnavalizar a história e dar um desfecho mais digno à homenageada. No quinto setor, “A Derradeira Profecia”, a Vermelha e Branca aborda a profecia não cumprida de Rosa, em Portugal, de que o Rio de Janeiro se inundaria e ela se casaria com Dom Sebastião I, fundando um novo império. Por isso, no sexto setor, “Uma santa negra no céu”, a Viradouro retrata o legado de Rosa para o Brasil e a aclama como a santa do povo, recebendo a coroa da escola.

Na avenida, o enredo da Unidos do Viradouro se mostrou de maneira coesa, clara e linear. As alegorias da escola, somadas ao conjunto de fantasia cumpriram com maestria o papel de desenvolver com clareza a homenageada do enredo da Vermelha e Branca. Até mesmo os dois últimos setores da escola, quando Tarcísio Zanon e o enredista João Gustavo Melo partiram para o caminho da profecia de Rosa com sua aclamação ao fim, foi entendida com clareza na avenida.

Para contar a história de Rosa Maria Egipcíaca, a Unidos do Viradouro levou para avenida seis alegorias e três tripés. O conjunto alegórico da escola impressionou pelo apuro estético, a boa escolha de cores e o apreço com o acabamento e detalhes. Os principais destaques da escola no quesito foram o primeiro tripé, “Uma gota se faz oceano”, no qual veio um grande tanque de água, os dois primeiros carros da escola, “Turbilhão de Memórias” e “O desaguar no Rio” e a quarta alegoria, “A batalha espiritual”, com tons fortes de vermelho, dourado e cinza.

O conjunto de fantasias apresentado pela Unidos do Viradouro no carnaval de 2023 se destacou pela beleza estética, boa leitura da mensagem a ser transmitida e assertividade na variação de cores no decorrer do desfile.