O governo do estado do Rio de Janeiro, através da secretaria de Cultura, lançou editais específicos para o carnaval. Em entrevista ao site CARNAVALESCO, Danielle Barros, secretária de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, explicou cada linha dos projetos. Serão investidos quase R$ 12 milhões. Além disso, ela explica que o apoio estadual para escolas de samba será ampliado e não apenas para o Grupo Especial. “Esta é uma preocupação do nosso governador Cláudio Castro, de pensar em todos os segmentos do carnaval, que é uma indústria criativa muito potente e fundamental, que atrai o turismo, movimenta a economia e fala muito da nossa identidade enquanto povo”, disse. Confira abaixo a entrevista completa.

Secretária de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, Danielle Barros. Foto: Leonardo Ferraz/Sececrj

Quais foram os editais lançados para o carnaval e quem pode concorrer?

“O carnaval é um dos nossos maiores ativos culturais, por isso elaboramos um projeto para garantir investimento em linhas diferentes para o maior espetáculo da terra. Através do pacote Folia RJ 2023, serão investidos quase R$ 12 milhões (R$ 11,8 milhões) em quatro editais para segmentos diferentes: Bloco nas Ruas RJ, Folias de Reis RJ, Turmas de Bate-Bolas RJ e Não Deixe o Samba Morrer 2. Importante deixar claro que destes, três já tem inscrições abertas. O de Folia de Reis vai premiar 130 Mestres representantes. Já no caso dos bate-bolas serão 100 projetos contemplados. E o outro que está aberto, e que é uma segunda edição do primeiro edital que fizemos em 2021 para socorrer de forma emergencial o setor, é o edital Bloco Nas Ruas RJ, voltado para a galera que ama carnaval de rua e os blocos que colorem e tomam conta das ruas de todo estado”.

A secretaria chamou de pacote Folia RJ 2023? Como surgiu essa ideia de juntar grupos de carnavais em editais diferentes?

“Exatamente. Pensamos na Folia de Reis, uma manifestação religiosa e cultural lindíssima que ao longo dos quase três anos de Secretaria sempre tivemos uma demanda para atender. E a partir daí também procuramos fomentar também outro grupo, que é o de bate-bola. São dois editais inéditos que também trabalham no sentido da valorização de uma ancestralidade e resgate da nossa história de carnaval e religiosidade. Além disso temos os outros dois editais que são uma reedição do que fizemos no ano de 2021, quando foi lançado o edital de socorro emergencial Carnaval Nas Redes RJ, um ano que não tivemos bloco na rua, nem os desfiles, mas que o Estado garantiu de forma emergencial um aporte financeiro de R$ 4 milhões para ligas, grupos, agremiações e blocos de carnaval em todas as regiões do estado”.

Quem pode concorrer e quais são as etapas da seleção?

“Cada uma das chamadas públicas tem sua especificidade e é voltada para um segmento. No de Folia de Reis por exemplo, ele é destinado a pessoas físicas e vai premiar 130 projetos, com valor de R$ 15 mil cada, totalizando R$ 1.95 milhão. Para participar, o proponente obrigatoriamente deve atuar como Mestre de Folia de Reis e ter credenciamento prévio junto ao Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac). Já no caso dos bate-bolas, nós abrimos para pessoa jurídica, com aporte total de R$ 2,5 milhões. Nós consideramos que uma turma de bate-bolas é um grupo artístico-cultural que possui atuação comprovada na produção e realização de manifestações populares do carnaval de rua, a partir da confecção de indumentárias que combinem elementos materiais típicos, característicos das tradições da figura bate-bola. Neste, são 100 projetos premiados no valor de R$ 25 mil cada. Já para os blocos, a chamada também é para pessoas jurídicas, comprovadamente representante de um ou mais blocos de carnaval e é dividido em duas categorias. Na categoria A, voltada para blocos individuais, serão concedidas 50 premiações no valor de R$ 25 mil cada. Já na B, que vai atender associações, federações ou ligas representantes de no mínimo cinco blocos,15 projetos vão ser premiados com o valor de R$ 125 mil. No total, a chamada vai garantir investimento de R$ 3.125 milhões”.

Para o projeto ser aprovado o que será levado em consideração?

“Todos os editais são de credenciamento, então não é uma concorrência entre os grupos, muito pelo contrário. Atendendo os requisitos em cada edital, a Comissão de Avaliação de Projetos da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa fará o repasse após vencer todas as etapas de contratação de projeto, avaliação documental e cruzamento dos dados, de acordo com o número de prêmios de cada Edital. Todos os nossos projetos culturais devem ser inscritos na plataforma Desenvolve Cultura, sistema desenvolvido pela Secretaria, que muitos proponentes já tem familiaridade em todo estado. Já foram mais de oito mil projetos culturais pagos nos últimos anos, o que para nós é motivo de orgulho. Em cada edital também colocamos um email para tirar as dúvidas, bem como um passo a passo de como realizar a inscrição do seu projeto. Nossa equipe está pronta para apoiar o artista fluminense de todas as formas”.

É possível garantir que em mais um ano o Estado apoiará as escolas de samba do Grupo Especial do Rio?

“Estamos trabalhando para finalizar o edital Não Deixe o Samba Morrer 2, que é uma continuação do primeiro edital voltado para as agremiações das escolas de samba de todas as ligas, não apenas da Especial. Esta é uma preocupação do nosso governador Cláudio Castro, de pensar em todos os segmentos do carnaval, que é uma indústria criativa muito potente e fundamental, que atrai o turismo, movimenta a economia e fala muito da nossa identidade enquanto povo”.

Após os quatro anos de governo e com a reeleição, qual é o seu balanço da secretaria para o carnaval e o que é possível falar pensando nos próximos quatro anos?

“O carnaval é uma prioridade do Estado. E estamos trabalhando com planejamento para apoiar a parte cultural do festejo. No ano de 2021 fizemos este primeiro aceno com o edital emergencial. Para 2022, quando retomamos o Carnaval, conseguimos realizar de forma antecipada o repasse via renúncia fiscal de R$ 18 milhões para auxiliar as produções nas quadras. Foi assim também com as Festas Juninas, quando lançamos o edital Arraiá Cultural RJ. É uma preocupação da Cultura do Estado entender as necessidades dos mais variados coletivos culturais. Não é diferente com o Carnaval. Atendemos todas as ligas, conversamos com todas as escolas, temos aqui uma política de portas abertas e total transparência para fortalecimento da arte, com planejamento. Porque é fundamental para quem trabalha com carnaval que o investimento entre na conta antes do Carnaval. Estamos com esperança de que 2023 tenhamos um carnaval ainda mais lindo. Com parcerias com a iniciativa privada para que o nosso espetáculo seja ainda mais inesquecível”.