Regina Celi Fernandes encerrou seu ciclo no comando do Acadêmicos do Salgueiro. A segunda mulher a comandar uma das mais populares agremiações do carnaval carioca presidiu a vermelha e branca por quase dez anos. Um início muito promissor, com o título de 2009, termina depois de uma batalha jurídica. Segundo a oposição e a justiça, Regina não estaria elegível para as eleições deste ano, realizadas em maio. A decisão do desembargador nesta quinta-feira de declarar vitória para o candidato André Vaz significa o fim da Era Regina à frente do Salgueiro.

Apesar de ter conquistado apenas um título, em seu primeiro carnaval, em 2009, não se pode dizer que a gestão de Regina não tenha resultados a apresentar. Pela primeira vez em toda a sua história, o Salgueiro lidera o ranking da Liesa, que reúne os resultados obtidos nos últimos cinco carnavais. Além disso, em todos os desfiles da gestão de Regina o Salgueiro voltou a desfilar entre as escolas campeãs no sábado seguinte ao carnaval.

Antecedentes: escola de resultados irregulares, apesar do vice em 2008

Regina Celi foi casada com o ex-presidente Luiz Augusto Duran, o Fu, morto no final de 2017. Fu foi justamente o antecessor de Regina. O Salgueiro ainda sofria a perda de Miro e Maninho, que controlaram a escola nos anos 90. O último carnaval de Fu terminou com o vice-campeonato no enredo que homenageava o Rio de Janeiro. Era o melhor resultado obtido pela escola desde o histórico título de 1993.

Entretanto nos desfiles anteriores, incluindo o inesquecível Candaces em 2007, a agremiação sequer figurou entre as campeãs. Nos anos da gestão de Fu, o salgueiro voltou entre as seis em 2001, 2002, 2004 e 2005. Em 2006 a escola amargou a pior colocação de sua história, o 11º lugar com o controverso enredo ‘Microcosmos’.

Primeira gestão teve título de cara e derrotas dolorosas

Regina sucedeu Fu após o surpreendente vice-campeonato de 2008. Apoiada pelo então marido, Celi foi eleita em eleição após o carnaval. Seu primeiro desfile foi com o enredo ‘Tambor’. A disputa de samba foi conturbada e o samba escolhido criticado. Na avenida o único título de Renato Lage no Salgueiro. A nova gestão salgueirense recebia o melhor carimbo de confiança possível: um campeonato que não vinha havia 16 anos.

Os carnavais seguintes do Salgueiro impuseram derrotas muito dolorosas aos salgueirenses. Depois de um sexto lugar obtido em 2010, o desfile de 2011 foi considerado o mais completo daquele ano, mas um problema na alegoria mais famosa daquele carnaval, que custou a entrar na avenida, jogou no lixo um campeonato certo. A escola acabou estourando o tempo e terminando no 5º lugar. Em 2012 novo desfile em alto nível e um amargo gosto de derrota com o vice-campeonato.

O alto padrão de desfiles salgueirenses não se manteve no desfile de 2013, com um criticado enredo sobre a fama, patrocinado por uma revista de celebridades. O desenvolvimento causou uma crise institucional entre os carnavalescos Renato Lage e Márcia Lage e o departamento cultural da agremiação. O desfile alcançou o 5º lugar. No último carnaval da primeira gestão de Regina, novo vice-campeonato, com revolta após a apuração. O samba foi aclamado pela crítica e ganhou diversos prêmios.

Segunda gestão: fima da era Renato Lage, crises de bastidor e batalha judicial

Regina foi reeleita presidente do Salgueiro por aclamação em maio de 2014. A chapa adversária foi considerada inelegível, encabeçada por Quinho. O lendário cantor deixou a escola e chegou a ensaiar alguns retornos, sem sucesso. No carnaval de 2015 o enredo novamente patrocinado falava sobre a comida. O samba foi muito criticado no período do pré-carnaval, mas garantiu a nota 30 no julgamento. Novo vice-campeonato, perdido no quesito enredo.

Um dos carnavais mais conturbados da era Regina, sem dúvida, foi o de 2016. O enredo ‘A Ópera dos Malandros’ causou um enorme clima de euforia dentro da escola e todos apontavam a vermelha e branca como franca favorita. A disputa de samba foi cercada de polêmicas e Regina fez um discurso histórico na grande final, antes de dar a vitória à parceria campeã. O samba dominou a cidade e a expectativa para o desfile acabou se frustrando com uma apresentação sem brilho e que foi penalizada por uma falha de iluminação no carro abre-alas. No fim, um frustrante 4º lugar e os primeiros questionamentos à gestão de Regina.

Em 2017 um novo vice-campeonato, o quarto da gestão da presidente. O enredo falava sobre a ‘Divina Comédia do Carnaval’ e voltava a ter a chancela do departamento cultural salgueirense, sempre muito atuante nos carnavais da escola. O desfile representou o fim do ciclo de Renato Lage na escola, iniciado em 2013. Um carnaval marcado pelas tragédias e pelo fim do jejum de Portela e Mocidade, onde um jurado alegou em suas justificativas “excesso de vermelho” nas fantasias salgueirenses. Depois do desfile, Renato Lage anunciou sua ida para a Grande Rio e o Salgueiro trouxe Alex de Souza.

No desfile de 2018 uma das melhores apresentações do Salgueiro na gestão de Regina. Nenhuma falha considerável seria capaz de tirar pontos da agremiação. Entretanto, novamente nos quesitos enredo e samba, o título escapou e a escola terminou na terceira colocação. Antes do desfile Regina se declarou pré-candidata ao pleito de maio.

A gestão Regina Celi chega ao fim no Salgueiro após uma intensa batalha judicial. Tudo começou quando a oposição foi derrotada no pleito. Regina obteve 247 votos contra 147 de seu opositor André Vaz. Entretanto, segundo os opositores, Regina não poderia ser considerada elegível por ter completado dois mandatos consecutivos e o estatuto salgueirense veda um terceiro. A disputa nos tribunais foi intensa com vitórias e derrotas de ambas partes e teve um fim nesta quinta-feira com a vitória da Chapa 2.

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