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Cubango alia bom gosto na plástica com canto forte da comunidade e faz desfile para brigar pelo título

Por Fiel Matola. Fotos: Allan Duffes 

Contando sobre a alma das coisas, o Cubango tocou a alma dos presentes na Sapucaí, depois de um carnaval muito bem visto aos olhos da mídia especializada em 2018, Gabriel Haddad e Leonardo Bora, carnavalescos da escola, apresentaram uma proposta que rendeu um excelente desfile, beirando à perfeição. Com o enredo “Igbá Cubango – a alma das coisas e a arte dos milagres”, a Verde e Branco de Niterói finalizou os desfiles da Série A como uma das grandes favoritas. O espectador do desfile viu em cada ala, objetos do dia a dia da fé brasileira, o que fez com que o enredo ficasse claro. Além de ser conduzido por um carro de som bom, o samba emocionou o componente e conseguiu fazer com que eles evoluíssem com garra e alegria. A agremiação de Niterói iniciou seu desfile às 03:25 e finalizou com 54 minutos, os quesitos foram muito bem apresentados, exceto por coisas pontuais, estes que serão detalhados na análise abaixo.

Comissão de Frente

Coreografado por Sérgio Lobato, a comissão de frente representou “Pedaços de sonho”. A indumentária foi o problema da comissão, uma leve chuva caiu no Sambódromo, o que fez a pista ficar escorregadia, o sapato dos componentes escorregavam muito, um integrante chegou a deslizar no módulo 1, foi então que decidiu-se por desfilar a partir dali sem os calçados, mas alguns pés ficaram à amostra e outros não, o tecido verde claro ficou sujo por conta do chão molhado. Com quinze componentes todos homens, representando os devotos de São Lázaro, este que estava representado em uma imagem em um andor carregado pelos integrantes. Nessa romaria sincrética, “os peregrinos” carregaram “pedaços de sonho”: objetos que parecem desconectados, prenhes de devoção, unidos, os pedaços adquiriram o formato humano, além de um coração que destacou no boneco formado.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Diego Falcão e Patrícia Cunha, vieram representando “A Alma de um Pavilhão”, as fantasias nas cores da escola representara a alma do mais importante objeto de qualquer desfile de escola de samba: o Pavilhão, bandeira que exibe, desfraldada, um símbolo, uma história, memórias e identidades. As fantasias, nas cores da agremiação, evocaram as nobres raízes africanas do solo onde a Mais Querida de Niterói floresceu. A concepção das roupas foi inspirada no grafismo Bakuba se misturando aos traços desenvolvidos pela figurinista Ruth E. Carter para o filme “Pantera Negra”. A cabeça de Diego Falcão foi inspirada em esculturas africanas de Exu. Com uma dança dentro do samba e com movimentos bem leves, Patrícia Cunha apresentou força em sua expressão facial, cantando muito o samba e mostrando alma na dança, já Diego fez uma dança tradicional também com passos mais lentos, dentro do ritmo do samba.

Samba

Os compositores Samir Trindade, Sardinha, Diego Nicolau e cia, podem ficar tranquilos, pois o samba fez bem o seu papel, ter palavras africanas não foi problema para a comunidade que já está acostumada com sambas do tipo. Destaque para o refrão do meio que teve uma linha melódica muito bem desenvolvida e foi bem cantado.

Harmonia

A comunidade foi o ponto alto da noite, eles se esbaldaram de alegria embalado por um excelente carro de som, com uma ótima performance do intérprete Thiago Brito. Emoção foi algo que se viu na comunidade, desde às baianas até a bateria, com muita força em seu canto, contagiando o público presente, que também entrou na onda e cantou junto com os componentes. Foi tão transcendental o desfile que é difícil escolher uma única ala, isso seria injusto porque a apresentação foi além das expectativas.

Evolução

A direção de harmonia fez um bom trabalho, a escola fluiu como deve ser. Com alegria e empolgação o componente brincou, a ala das baianas e a ala “Balangandãs” foram destaques positivos, assim como o samba no pé dos passistas. Sem buracos, correria ou qualquer problema que possa tirar pontos da escola foi notado.

Enredo

Com o enredo “Igbá Cubango – A Alma das Coisas e a Arte dos Milagres”, os carnavalescos dividiram a escola em quatros setores, o primeiro intitulado de “Igbá Cubango”, o terreiro da escola, foi lembrado os 40 anos do desfile Afoxé da agremiação, que deu o tetracampeonato à ela no carnaval de Niterói, além de cabaças, objetos utilizados para guardar os segredos e fundamentos e elementos sagrados dos orixás que regem a Cubango.

No segundo setor, sob o nome “De Pedir Proteção”, cada ala expressou um objeto de proteção, como: Muiraquitãs, Carrancas, Ebós, balangandãs, relíquias, etc. No terceiro setor foi falado dos devotos propriamente ditos, sob nome “De Pagar Promessas” cada fantasia das alas nesse setor apresentou um local do Brasil que possui a tradição de peregrinação dos devotos. Guararapes, Juazeiro, Penha, Congonhas, Bom Jesus da Lapa, são exemplos mostrados. O último setor foi “Da promessa que é Dívida: Salve-se Quem Puder”, trouxe objetos que não necessariamente cumprem as promessas, são os falsos objetos que viram dívidas, comercializados a preços exorbitantes para explorar a fé alheia.

Alegorias e adereços

O conjunto de alegorias da Cubango foi de excelência e imponência, tratando claramente o enredo, o público ao olhar para as alegorias com certeza lembrou de algum objeto representativo em sua vida, ou alguma história de fé, o abre-alas trouxe em sua parte da frente uma escultura, a figura de Babalotim, o “ídolo menino” cantado no antológico enredo de 1979, “Afoxé”, que deu à escola um inédito pentacampeonato no carnaval de Niterói, e que foi reeditado em 2009 (quando o Cubango foi campeão do Grupo de Acesso B).

Na segunda parte, além de elementos presentes no primeiro setor, observa-se um conjunto de máscaras – as dianteiras, inspiradas em pinturas rituais africanas. A segunda alegoria representou “Altar Brasileiro” com anjos rodeados na saia do carro e mistura ostensórios com tabuleiros, frutos tropicais com joias de ouro e prata, flores e folhas com fitas do Bonfim. A Terceira alegoria representava uma “Sala de Milagres” com imagens e memórias, teve um problema em sua iluminação, o que pode tirar décimo da escola, vale ressaltar que parte das fotos que compunha a decoração do carro foram doadas por componentes da Cubango. A última alegoria, “Acendo a Vela, peço proteção”, veio com representações de velas, ofertas, a escultura do Cristo Redentor, a bandeira de Abdias do Nascimento e obras de Glauco Rodrigues, finalizando o conjunto muito bem acabado e bem feito.

Fantasias

Na mesma linha das alegorias, as fantasias vieram luxuosas, de fácil assimilação, dando tranquilidade para o componente desfilar e com detalhes muito bem feitos, o conjunto fez seu papel no desfile da Verde e Branco. No primeiro setor destacamos a ala das Baianas representando “Igbá Ori”, no segundo setor “Carrancas”, “Balangandãs” , no terceiro a ala “Festa da Penha” era uma das que tinha mais fácil assimilação.Já o último setor, veio com fantasias mais divertidas, com tons críticos como “Vassouras de varrer o diabo” e “Piratas da fé e garrafinhas d’água”.

Bateria

Com uma paradinha no refrão central a bateria “Ritmo Folgado” comandada pelo Mestre Demétrius levantou a Sapucaí em cada módulo que se apresentou.

Outros destaques

A rainha de Bateria Maryanne Hipólito que mostrou samba no pé, próximo ao módulo quatro de julgamento foi até um fã na frisa e entregou uma peça da fantasia dela, ela disse “É da minha fantasia”, sem nem perceber ela estava demonstrando em um ato o enredo de sua escola, aquele objeto para o fã criou uma representatividade tamanha, ‘a alma das coisas”.

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