Passava pela calçada da Rua do Riachuelo e encontrei o antigo depósito de artigos de carnaval fechado. As portas foram cerradas desde a morte de Gibi, em agosto de 2008. De vez em quando, antes de ir para o jornal – a 150 metros do depósito -, parava para ouvir as histórias do ex-compositor da Mocidade e da Imperatriz. Walter Pereira, o Gibi, foi um dos autores de “Ziriguidum 2001” entre outros sambas-enredos que deixaram saudades. A minha história favorita era a das empadinhas e não me cansava de ouvi-la.

Gibi estava concorrendo à disputa de sambas em Padre Miguel. Na noite da finalíssima, para surpresa dos próprios parceiros, Gibi mandara distribuir centenas de empadinhas de queijo e camarão na quadra, quentinhas, saidinhas do forno. O cheirinho gostoso tomou conta do ambiente e logo a torcida do samba rival fez a farra – o que deixou os parceiros de Gibi irritados.

– Qualé, Gibi, tratando o “inimigo” com empadinhas?! Gibi fez uma cara debochada, piscou o olho e respondeu: – Quero ver eles cantarem o samba com a boca cheia de empada. Vão ficar entalados…

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