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Canto forte da comunidade é destaque de imponente ensaio de rua da Tom Maior

Escola do Sumaré correspondeu às expectativas geradas pelo desempenho no minidesfile, mostrando força e maturidade para lutar pelo inédito título do Grupo Especial

Por Lucas Santos e Fábio Martins

A Tom Maior realizou no último domingo um ensaio geral de rua em preparação para seu desfile no carnaval de São Paulo em 2024. Do elevado nível do desempenho do conjunto destaca-se a força do canto da comunidade, que compareceu em peso ao treinamento da escola realizado na Rua Sérgio Tomás, no bairro do Bom Retiro. A Vermelho e Amarelo se apresentará no próximo ano com o enredo “Aysú: Uma História de Amor”, assinado pelo carnavalesco Flávio Campello, como a segunda agremiação a desfilar no sábado, 10 de fevereiro, pelo Grupo Especial no Sambódromo do Anhembi.

Fotos: Fábio Martins/CARNAVALESCO

Do tamanho da sede de ser campeã

Ao longo do ciclo rumo ao carnaval de 2024, a Tom Maior passou a receber mais holofotes desde o anúncio do samba escolhido pela escola, que foi bem recebido pelos sambistas no geral. A ótima apresentação no minidesfile realizado na Festa de Lançamento dos Sambas-Enredo, ocorrida na semana anterior, reforçou ainda mais as boas impressões que a comunidade oriunda do Sumaré vem causando até aqui.

O desempenho da escola no ensaio correspondeu às expectativas criadas até aqui. Um canto vibrante e intenso ao longo de todo o percurso de cerca de um quilômetro, auxiliado pelas atuações impecáveis da ala musical e da bateria. Se uma palavra pode definir o momento atual da Tom Maior, essa palavra é foco, como bem demonstrou Bruno Freitas, integrante da direção de carnaval, ao analisar o desempenho da agremiação no treinamento.

“Melhorar a gente vai ter coisas até o dia dez de fevereiro, às 11 da noite quando entrar na Avenida. A gente quer a perfeição, quer o campeonato, com todo respeito a qualquer coirmã. A gente sempre vai achar alguma coisa para melhorar. Por ser um final de semana, acho que é o penúltimo final de semana útil de dezembro, de novo chegar para a rua com uma faixa de quase mil pessoas fazendo um trabalho forte de canto, testando um andamento um pouco mais acelerado, um pouco mais forte, que necessita que a escola esteja extremamente compacta, eu acho que o saldo é extremamente positivo. Acho que os paradões, os apagões que a gente está fazendo estão dando muito certo, e agora trabalhar, continuar trabalhando e perceber as oscilações naturais do samba. Trazer aquele grupo que ainda está um pouco mais de disperso que sempre tem. A gente vai trabalhar e vai conseguir esse resultado tão sonhado”, declarou o diretor.

Pedido necessário de quem tem a voz da razão

Considerado um dos pilares fundamentais para a boa fase que a Tom Maior vem vivendo, mestre Carlão, que pelo primeiro ciclo completo divide a função de mestre de bateria com a de presidente da escola, deixou um importante recado para a comunidade ao dar as suas impressões a respeito do ensaio.

“A gente sempre procura subir um degrau a mais, e graças a Deus os nossos ensaios estão constantes e sempre um pouco melhor. É isso que nós estamos buscando, a excelência em todos os departamentos. O calendário desse ano não foi muito grato com a gente, vamos ter três semanas sem o contato com o nosso público, e o que eu peço é que todos fiquem focados para que nós possamos voltar pelo menos no nível que nós terminamos o ensaio de hoje. (Quanto a bateria) Nossa preocupação é dar sustentação para o canto da escola e fazer um trabalho legal. Os nossos arranjos estão aí, está sendo legal. Estamos ensaiando bem para fazer o espetáculo na Avenida”, disse o mestre.

Comissão de frente

Os componentes vestiam camisetas que identificavam o segmento, e realizaram um conjunto de coreografias que durava uma passagem completa do samba. Dois dos atores, um homem e a única mulher dentre os sete dançarinos, recebendo mais destaque na apresentação, tal qual a história narrada pelo enredo sugere. Ao longo da primeira parte da música, o protagonista masculino é rodeado pelos demais, e durante a etapa final da letra a feminina é erguida pelos outros cinco em um momento que chama atenção. A julgar pelo número de componentes, pela duração da dança e a possível ausência de um elemento alegórico, é possível deduzir que nem toda coreografia foi executada no ensaio. Não muda o fato de que a comissão de frente da Tom Maior demonstrou estar bem ensaiada.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Bastante comunicativos entre si, Ruhanan Pontes e Ana Paula foram observados em diversos momentos discutindo ideias e desenhando possíveis passos ao longo do ensaio. Sempre energético, o mestre-sala parecia complementar com ações as suas ideias diante dos olhares atentos da porta-bandeira. Nos momentos em que treinaram a apresentação completa, foi possível observar diferentes coreografias que o casal pretende agregar à dança tradicional do quesito desenhadas em determinados versos do samba da Tom Maior, causando impressão geral positiva apesar do vento algumas vezes tentar roubar a cena do pavilhão. Não é de hoje que a boa sintonia da dupla chama atenção.

Harmonia

É notável que a comunidade da Tom Maior está muito à vontade com o samba da escola. Um canto elevado, constante e sempre acompanhando o carro de som foi observado a todo momento das primeiras às últimas alas. Nos apagões arriscados, baianas e passistas chamavam atenção por contribuírem positivamente para o belo coral da escola. Até mesmo as crianças pareciam levar a sério o treinamento, clamando a obra de maneira bonita e no devido tempo. Alguns componentes que cantavam menos pareciam apenas estar em seu primeiro ensaio, ainda lendo a letra do samba escrita em leques de papel que empunhavam, mas nem por isso comprometeram o brilhante desempenho do quesito.

Evolução

Como destacado por Bruno Freitas, a Tom Maior optou por uma maior compactação de suas alas no ensaio para testar um andamento mais acelerado. A leveza com a qual as alas fluíam, porém, causavam um sentimento de que para o componente sua única missão era brincar o carnaval. Mesmo havendo algumas sugestões de coreografias nas alas comuns, nada parecia engessar a comunidade, que estava feliz e orgulhosa em defender as cores do pavilhão Vermelho e Amarelo.

O momento do recuo da bateria chamou atenção: a ala dos ritmistas, que virá logo atrás do carro Abre-alas, contará com passistas treinados para assumir rapidamente o espaço deixado pela “Tom 30” com uma coreografia única enquanto os demais se juntam para fechar o buraco. Olhares menos atentos nem se dariam conta de que a movimentação aconteceu. Está certo que o pequeno cruzamento com a Rua Anhaia, bastante apertada ainda mais com os carros estacionados em um dos lados da via, está longe da imensidão da área reservada à bateria no Sambódromo do Anhembi, mas que a estratégia chama atenção pela criatividade e capricho isso não há dúvidas.

Samba-enredo

Com a primeira participação do intérprete oficial Gilsinho no ensaio de rua, que ficou de fora do anterior em função de compromissos com a Portela no Rio de Janeiro, o tão aclamado samba da Tom Maior atingiu seu auge. O maestro da voz ditou o ritmo do forte canto da comunidade com uma atuação irretocável, elevando os ânimos com seus cacos bem aplicados e confiando até mesmo em um apagão fora dos refrões, retornando sempre no momento certo. As bossas bem ensaiadas pela bateria “Tom 30” só reforçaram ainda mais a sensação de estar diante de uma apresentação julgada, com a obra da escola não cansando em nenhum instante ao longo de todo o desfile.

A sintonia de Gilsinho com a ala musical da Tom Maior é notável, e o artista demonstrou orgulho do trabalho apresentado ao analisar o desempenho do segmento no ensaio.

“Eu achei sensacional. A escola está cantando com vibração, cantando com coração. É isso que a gente quer, é isso que a gente precisa e foi isso aí que vocês viram. Um ensaio muito forte, muito bom. Todo mundo cantando juntos, todo mundo cantando com pressão, e a gente fica feliz. (Nos apagões) Foi certinho. Todo mundo voltou bem porque está todo mundo muito ligado. Tá todo mundo muito dentro do samba, então fica fácil. A gente já tá com o samba mentalizado, então não tem como errar”, afirmou o intérprete.

Em 2024 Gilsinho defenderá a Tom Maior pelo terceiro ano consecutivo. O artista está muito à vontade na escola, e se depender dele é uma parceria que se perpetuará ainda por um bom tempo.

“A gente vai se adaptando cada vez mais. Pelo fato de ser o terceiro ano, eu já estou muito à vontade na escola. Parece que eu já estou aqui há dez anos. A escola é receptiva demais, comunidade muito receptiva, diretoria receptiva demais, então a gente está em condição de fazer um trabalho sempre muito bom. Eu estou muito feliz de estar aqui na Tom Maior, não troco a Tom Maior por nada, por enquanto pelo menos. Vamos trabalhando até a gente chegar no nosso objetivo.

Outros destaques

Antes mesmo de todos os componentes da Tom Maior chegarem para o ensaio, um momento curioso envolvendo os Gaviões da Fiel ocorreu. Segmentos da agremiação alvinegra, cuja quadra fica em um quarteirão ao lado do local onde ocorreu o ensaio da Vermelho e Amarelo, fizeram um cortejo com direito a presença massiva da bateria “Ritimão”, como se estivessem realizando uma versão reduzida e animada de seu próprio ensaio de rua. A Fiel Torcida ganhou os aplausos do público da coirmã, que alinhou para o ensaio já pulsando em ritmo de samba para a própria apresentação.

Quem também chamou atenção foi a madrinha de bateria, Andréia Gomes com seu look metade vermelho e outra metade amarelo. Com uma grande energia, samba no pé, brincou bastante. Inclusive no fim do percurso com o mestre-sala Ruhanan Pontes que foi sambar com ela, grande momento.

A escola contou com uma destaque de chão logo após as baianas. Também tinha um quarteto de destaques de chão que já é característico na Tom. A ala das crianças veio bem animada e junto com a velha guarda em uma fita até como forma de proteção das duas alas. No fim da escola, dois casais mirim, além dos outros três casais tradicionais, marcaram presença.

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