
Em participação no podcast “Setor Sul”, o diretor executivo e de marketing da Mocidade Independente de Padre Miguel, Bryan Clem, destacou o tom político e o posicionamento social que a agremiação adotará no seu desfile no Carnaval 2027. Durante o bate-papo, o dirigente reafirmou o compromisso da escola em debater a América Latina e ressaltou que não há como abordar a causa dos povos latinos sem assumir um posicionamento firme.
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“O enredo da Mocidade ele é político? Sim. Não tem como falar da América Latina e defender os nossos irmãos latinos sem ser um enredo politizado. E o momento do mundo pede isso: que a gente possa se posicionar cada vez mais”, afirmou Bryan Clem.
Ele ressaltou que a proposta da verde e branca de Padre Miguel vai muito além do desfile em si, funcionando como uma verdadeira campanha de conscientização e ocupação. Para impactar a população, a escola realizou diversas intervenções urbanas em pontos estratégicos do país, incluindo projeções do mapa invertido na Rua da Consolação em São Paulo (próximo ao Museu da América Latina), ocupação na Praça XV no Rio e painéis de LED em Brasília com a mensagem de que “a bússola mentiu”.
“Quando a gente lança um enredo, não é só um tema, é uma campanha de como vai impactar. A gente ocupou as ruas (…). Não tem como passar ileso, em cima do muro. O carnaval é isso, a Mocidade é isso”, destacou o diretor.
A reflexão sobre a história latina e a resistência do povo por meio do samba também ganhou destaque na conversa. Bryan citou a obra clássica “As Veias Abertas da América Latina”, do escritor uruguaio Eduardo Galeano, para explicar o propósito conceitual do projeto.
“A gente não faz a festa porque está rindo à toa, a gente faz a festa porque está triste, porque quer combater a tristeza através da nossa festa”, pontuou o dirigente, ao lembrar a provocação de Galeano: “O passado é mudo ou nós que continuamos surdos?”.
Com a preparação a todo vapor, o diretor da Mocidade garantiu que a agremiação aliará o tom de cobrança social à celebração festiva que marca o Carnaval da escola. “A gente vai sim ser politizado, vai sim se posicionar, mas também vamos ser felizes. Preparem-se, porque vai ser, de fato, um manifesto na avenida”, concluiu.









