
A emoção de ver uma obra construída ao longo de meses ganhar sua versão oficial tomou conta dos compositores da Beija-Flor de Nilópolis durante a gravação do samba para o Carnaval 2027. Entre declarações de amor à escola, a identificação com a comunidade e a expectativa de ouvir a obra na voz dos intérpretes oficiais, a parceria responsável pelo samba demonstrou confiança no resultado e deixou claro o objetivo que move a “Deusa da Passarela”: voltar a disputar o título com força na Marquês de Sapucaí.
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Betinho mantém o tom original e guarda surpresas no arranjo
Na construção musical da gravação, o arranjador e diretor musical, Betinho Santos, trabalhou diretamente sobre a melodia apresentada pelos compositores, enquanto mestre Rodney ficou responsável pelo arranjo de bateria. A proposta foi aproveitar as possibilidades oferecidas pelo próprio samba, sem alterar o tom em que a obra foi criada.
“Na bateria, o mestre Rodney faz o arranjo e ele usou muito isso. Eu, no caso, já fui em cima da melodia do samba e montei o arranjo em cima da melodia do samba mesmo”, explicou Betinho.

O arranjador confirmou que a gravação manteve o tom original em dó menor, o mesmo utilizado pelos compositores durante a apresentação na quadra. A decisão levou em consideração o resultado musical e a adequação à voz dos intérpretes.
“Dó menor, o tom original, nós não mudamos. O mesmo tom que os compositores cantaram na quadra, a gente adquiriu o mesmo tom e ficou bom pra caramba. Está bom na voz dos cantores, foi ótimo”, declarou.

Questionado sobre os elementos que o público poderá perceber quando o álbum e o audiovisual forem lançados, Betinho preferiu preservar o mistério e não antecipar os detalhes do trabalho.
“Olha, quando sair o álbum, o audiovisual, vocês vão ouvir. Não vou falar nada, é segredo”, afirmou.
Rodney trabalha com andamento entre 142 e 143 BPM
À frente da bateria, mestre Rodney destacou que a definição do andamento para o desfile ainda dependerá do trabalho desenvolvido nos ensaios. Para a gravação oficial, a equipe trabalha com a referência de 142 a 143 batidas por minuto (BPM), enquanto a escolha para a Avenida será avaliada ao longo da preparação.
“A gente está trabalhando com algumas possibilidades de andamento, né? Estamos divididos entre 142 e 143 BPM. Para a gravação, vamos trabalhar com 142 e 143 BPM. O andamento para a avenida ainda vamos descobrir nos ensaios, principalmente nos ensaios técnicos da quadra, quando vamos definir qual será o andamento. Para a gravação, basicamente, vamos trabalhar com 143 BPM”, explicou.

Rodney também ressaltou a riqueza musical do samba e as possibilidades que a melodia oferece para a construção da bateria. Segundo o mestre, o trabalho consiste em explorar esses caminhos para alcançar um resultado que valorize a obra na versão oficial.
“É bastante coisa. O som é muito rico, a melodia é muito rica e oferece vários caminhos. A gente consegue aproveitar bem essas possibilidades”, afirmou.
Mesmo com a experiência acumulada à frente da bateria da Soberana, a gravação oficial continua provocando a mesma expectativa. Rodney afirmou que a equipe chega ao estúdio com o desejo de fazer o melhor possível e repetir o resultado positivo de trabalhos anteriores.
“Parece que é a primeira vez. A gente vem sempre com aquela vontade de fazer o melhor. Queremos uma bênção e faremos uma grande gravação, mais uma vez”, concluiu.

Compositores festejam resultado
Para o compositor Marquinhos Beija-Flor, a vitória no concurso representa o início de mais um ciclo na trajetória dentro da escola. Ele destacou o significado pessoal da conquista e a ligação afetiva com o número 13, que também carrega a memória de um amigo que já não está presente.
“Cada vez que a gente vence um samba lá é uma nova história, um novo ciclo se renovando. E esse samba, a parceria toda, depositava muita esperança, muita confiança e, para a gente, tem uma importância gigantesca pelo número do samba, 13, que é um número que a gente já resgatou de um amigo nosso que não está mais com a gente, que sempre participou disso. Para mim, na minha vida, talvez seja o grande samba da minha vida da Beija-Flor”, afirmou.

A conquista também abriu espaço para uma nova expectativa: a de apresentar um samba capaz de ganhar força desde a gravação oficial e acompanhar a escola na busca pelo campeonato. Marquinhos não escondeu a ambição da parceria ao falar sobre o resultado esperado no álbum.
“A expectativa é muito grande de a gente conseguir fazer uma grande gravação, que corra tudo bem, para a gente já sair, vou ser bem pouco modesto, para sair na frente, cara. A ideia é essa, que o samba esteja sendo um dos melhores, para que a Beija-Flor possa fazer um grande desfile. O primeiro objetivo agora é o título, a gente quer o título”, declarou.
Identidade nilopolitana como marca do samba
A relação entre a obra e a identidade da Beija-Flor apareceu com destaque nas palavras do compositor Rômulo Massacesi. Para ele, o samba traduz características que fazem parte da história da escola e de sua comunidade, reunindo referências caboclas e africanas em uma construção que, na avaliação do integrante da parceria, tem a cara da Azul e Branco.
“O samba da gente fala que eu tenho a alma nilopolitana, e a alma da Beija-Flor é de fato isso. Ela é cabocla, ela é africana. E quando a Beija-Flor vai para a avenida com essa alma cabocla, essa alma africana, é certeza de grandes resultados. Quando a comunidade está feliz, quando a comunidade está acreditando no samba, é certeza de que o rolo compressor vem muito forte para disputar o carnaval”, afirmou.
Rômulo também ressaltou que a identificação dos compositores com a escola foi determinante para a construção da obra. Integrantes que cresceram frequentando a quadra e acompanham há anos o cotidiano da agremiação, os autores enxergaram no samba uma extensão da própria vivência em Nilópolis.
“A Beija-Flor tem identidade. E a gente encontra, enxerga, consegue perceber a identidade da gente nessa escola, nesse samba. É um samba que poderia funcionar em outra escola, mas igual na Beija-Flor, não. Esse samba foi feito para a Beija-Flor porque ele foi composto por compositores que são da escola, que são de muito tempo de dentro da quadra, vivido, crescido ali, e têm sangue azul e branco correndo na veia”, declarou.
A gravação oficial representa mais uma etapa desse percurso. Depois da composição e da disputa que levou à escolha do samba, a obra ganhou uma nova dimensão, agora com os intérpretes e a bateria da escola. Para Rômulo, o momento marca a apresentação definitiva da criação ao público.
“É sensacional ver esse samba sendo gravado. Agora ele se entrega, de fato, para o mundo inteiro, na roupagem oficial, com os nossos cantores, que já foram um sucesso no ano passado. A expectativa é grande. É uma outra etapa. A feitura é um momento, a gravação do estúdio, quando a gente vai para o concurso, é outro. Agora veio mais um processo, que é a gravação oficial”, explicou.
O compositor afirmou que o ambiente na escola reforça a confiança no trabalho desenvolvido pela parceria. A felicidade dos componentes e o apoio da presidência também foram apontados como sinais positivos para a caminhada rumo ao desfile.
“A gente está muito otimista, vê os componentes felizes, vê a nossa presidência. Eu estou feliz, deixa a gente seguro que o samba vai ser digno da grandeza da Beija-Flor”, afirmou.
Chacal do Sax se emociona ao ouvir o samba ganhar forma
Torcedor da Beija-Flor e músico ligado à trajetória de Neguinho da Beija-Flor, Chacal do Sax destacou a felicidade de conquistar, pela terceira vez, a vitória em um samba-enredo na própria escola. A relação com a agremiação, segundo o compositor, começou a partir dessa ligação musical e se transformou em uma paixão pela Azul e Branco.
“Eu sou torcedor da escola, fui músico do Neguinho da Beija-Flor, através dele me apaixonei pela escola e, para mim, é uma felicidade muito grande porque é a terceira vez que eu consigo ganhar na minha escola. Só felicidade”, declarou.
O compositor explicou que a gravação é um dos momentos mais aguardados por quem participa da criação de um samba. Depois de acompanhar a obra desde o início, ouvir a versão oficial permite perceber como a melodia e os versos se transformam com a participação dos cantores e da bateria completa da agremiação.
“A sensação é de uma emoção muito grande, cara, porque é uma parte que a gente gosta muito. É a parte da gravação. A gente faz o samba, mas a gente quer ver como é que ele fica pronto, construído. A gente gravou no nosso formato, agora é o formato da escola. Escutar na voz do Nino, da Jéssica, com a bateria completa da escola. A gente está aqui bastante ansioso para ver acontecer isso e também muito feliz com o resultado final do nosso samba”, afirmou.
A expectativa, porém, ultrapassa o estúdio. Chacal já projeta os próximos momentos em que a obra será cantada pelos componentes, desde os ensaios até a apresentação na Sapucaí. Para o compositor, acompanhar a evolução do samba e perceber o envolvimento das pessoas que fazem parte de sua vida torna o processo ainda mais especial.
“A gente está na expectativa de ver esse samba na avenida, já começando pelo ensaio técnico, pelo mini desfile. E, para a gente, é muito, muito, muito maneiro, porque é um projeto que é de quatro a cinco meses antes. Tem um começo, eu lembro, um começo disso tudo. E depois você vê que a parada cresceu de uma forma gigantesca. E tu olha a sua família cantando, tu vê o seu amigo cantando, quando você vai ver a quadra toda cantando, fica até arrepiado, só que fala. Agora imagina você ver a Sapucaí toda cantando. Então é só felicidade, só felicidade”, relatou.
‘Nós somos uma família’, afirma Léo Freire
A emoção também marcou o depoimento do compositor Léo Freire. Torcedor da Azul e Branco de Nilópolis, o compositor contou que falar sobre o samba provoca uma reação imediata, tamanha a ligação afetiva com a escola e com a obra escolhida para 2027.
“Sou torcedor da Azul e Branco de Nilópolis, da nossa Beija-Flor, e toda vez que eu falo desse samba, a minha alma… eu fico arrepiado toda hora, eu me emociono, a minha voz embarga. E a gente está muito feliz, está muito feliz. A comunidade está feliz, a diretoria está feliz, todos os segmentos estão felizes e esse samba veio para, se Deus quiser, a gente trazer a maravilha”, afirmou.
Ao falar sobre a gravação, Léo fez questão de destacar o vínculo entre os integrantes da parceria. Mais do que colegas na composição, os autores se consideram uma família, unida pela conquista e pela expectativa de ver o samba representar a Beija-Flor.
“Todos nós, da parceria, parceria não, que eu não falo mais que é parceria, nós somos uma família, eu tenho certeza que a Beija-Flor vai fazer essa gravação mais linda de todos os tempos. Estou muito feliz, nós estamos muito felizes”, declarou.








